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  • Tentativa de golpe: STF começa a ouvir testemunhas do Núcleo 3

    Tentativa de golpe: STF começa a ouvir testemunhas do Núcleo 3

    O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta segunda-feira (21) as oitivas das testemunhas de defesa do chamado Núcleo 3, no âmbito da Ação Penal (AP) 2.696, que trata da tentativa de golpe de Estado. As audiências serão realizadas por videoconferência e seguem até quarta-feira (23).

    Os depoimentos ocorrem paralelamente à continuidade das oitivas do Núcleo 2 (AP 2.693), que já estão em andamento desde a semana passada e também se estendem até o dia 23. Foram ouvidas testemunhas arroladas pelos réus Marília Alencar, Silvinei Vasques e Mário Fernandes, sob condução do juiz auxiliar Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, do TJ-SP, em atuação no gabinete do ministro Alexandre de Moraes.

    Fachada do STF.

    Fachada do STF.Wallace Martins/STF

    Entre os acusados no processo do Núcleo 2 estão ex-integrantes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, do Exército e da Presidência da República. Eles respondem por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

    Na quinta-feira (24), está previsto o interrogatório dos réus do Núcleo 4, conforme cronograma definido pelo STF.

  • AGU quer investigação de uso suspeito de câmbio após tarifas dos EUA

    AGU quer investigação de uso suspeito de câmbio após tarifas dos EUA

    A Advocacia-Geral da União (AGU) formalizou, no sábado (19), um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja investigada a possível utilização de informações privilegiadas no mercado cambial brasileiro. A solicitação, inserida no contexto do Inquérito 4.995, busca apurar a relação entre as investigações em curso e o anúncio de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, ocorrido em 9 de julho.

    A iniciativa da AGU surge após a divulgação de reportagens pelo G1 e pela TV Globo, que noticiaram transações cambiais de grande volume realizadas antes e depois do anúncio das tarifas. Tais operações levantam suspeitas de que indivíduos ou empresas com acesso antecipado a informações econômicas relevantes possam ter se beneficiado indevidamente.

    A AGU ressalta que o inquérito em questão, originado de uma solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR), tem como objetivo apurar a conduta do deputado federal licenciado, Eduardo Nantes Bolsonaro, em relação ao uso de instrumentos comerciais internacionais como forma de pressão contra o sistema judiciário brasileiro.

    Edifício-sede da AGU.

    Edifício-sede da AGU.Wesley Mcallister/AscomAGU

    A PGR aponta, conforme divulgado, uma “atuação coordenada entre Jair Messias Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro, para intimidar autoridades brasileiras e obstruir o curso da ação penal em referência, é ainda verificada em anúncio recente de que ‘haverá severas sanções financeiras’ contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes”.

    O relator do inquérito também destaca que “a implementação do aumento de tarifas tem como finalidade a criação de uma grave crise econômica no Brasil, para gerar uma pressão política e social no Poder Judiciário e impactar as relações diplomáticas entre o Brasil os Estados Unidos da América”.

    A AGU argumenta que os fatos noticiados se inserem em um contexto mais amplo, no qual as investigações em curso podem revelar não apenas ilícitos penais relacionados à obstrução da Justiça, mas também “possíveis ganhos financeiros ilícitos, mediante os mesmos fatos que buscaram impor embaraço à aplicação da lei penal”.

    Adicionalmente, a AGU solicitou o encaminhamento da notícia de fato à PGR, responsável pela ação penal, conforme previsto no art. 129 da Constituição Federal, e anexou ao processo um expediente interno direcionado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

    Internamente, o gabinete do ministro da AGU requereu que a Procuradoria-Geral Federal, órgão responsável pela representação judicial da CVM, adote, em caráter prioritário, as medidas cabíveis em suas atribuições, inclusive em colaboração com outras autoridades nacionais.

  • Preta Gil morre aos 50 anos após inspirar leis de combate ao câncer

    Preta Gil morre aos 50 anos após inspirar leis de combate ao câncer

    Preta Gil faleceu neste domingo (20), aos 50 anos, em Nova York, após uma batalha de um ano e meio contra um câncer colorretal. Filha de Gilberto Gil, a cantora, empresária e ativista deixa uma marca que ultrapassa os palcos, inclusive no campo legislativo. Seu nome batiza duas propostas de conscientização e prevenção à doença que enfrentou com coragem até o fim.

    Em março deste ano, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou a Lei nº 8.270/2024, conhecida como “Lei Preta Gil”, que criou uma campanha permanente de conscientização e prevenção ao adenocarcinoma. A legislação foi sancionada por Eduardo Paes (PSD), prefeito da capital fluminense.

    A homenagem foi proposta pela vereadora Verônica Costa e outros três parlamentares após a cantora tornar público seu diagnóstico e tratamento. O texto prevê ações educativas sobre sintomas, prevenção e tratamento do adenocarcinoma, tipo de tumor que afeta órgãos como intestino, pulmão, estômago e mama. O câncer colorretal, que atingiu Preta, é um dos mais incidentes no Brasil.

    Diversas autoridades manifestaram pesar pela morte da artista. O presidente Lula publicou uma nota de solidariedade à família e destacou a importância de Preta Gil na cultura e na defesa de pautas sociais. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também prestou homenagem e exaltou o legado da cantora no combate ao câncer e na promoção da conscientização sobre a doença.

    Congresso tem projeto em tramitação

    No Congresso Nacional, a homenagem se estende. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 648/2025, proposto pela deputada Juliana Cardoso (PT-SP), que institui a Semana Nacional de Conscientização e Prevenção ao Câncer Colorretal, também batizada de “Lei Preta Gil”. A proposta prevê que, anualmente, na quarta semana de março, sejam realizadas campanhas para estimular exames preventivos, promover debates com profissionais de saúde e divulgar hábitos saudáveis como forma de prevenção.

    A justificativa do projeto destaca que o câncer colorretal está entre os mais letais no Brasil, em parte por ser diagnosticado tardiamente. A deputada defende que a mobilização nacional pode salvar vidas, incentivando diagnósticos precoces por meio de ações conjuntas entre Estado, sociedade civil e imprensa, inspiradas na visibilidade da luta de Preta Gil.

    Preta Gil e a luta contra o câncer

    Diagnosticada em 2023, Preta Gil passou por cirurgia para remoção de tumores em agosto de 2024. Sua luta, compartilhada com o público de forma aberta e sensível, mobilizou discussões sobre saúde, autocuidado e acesso ao tratamento. Para além da arte e da representatividade, sua atuação pessoal se converteu em instrumento de política pública.

    A família prepara o traslado do corpo para o Brasil. O velório será aberto ao público, conforme adiantado por pessoas próximas.

    Preta Gil deixa um legado que combina arte, coragem e mobilização social, agora registrado também no texto da lei.

  • Mercado baixa previsão para inflação pela oitava semana seguida

    Mercado baixa previsão para inflação pela oitava semana seguida

    O mercado baixou mais uma vez a projeção para a inflação de 2025, medida pelo IPCA (índice divulgado pelo IBGE). Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (21), hoje o setor financeiro espera que os preços tenham uma alta de 5,10% ao longo do ano.

    Há uma semana, a expectativa do mercado era de uma inflação de 5,17% ao longo do ano. Há quatro semanas, estava em 5,24%.

    Projeção para a inflação de 2025 vem caindo nos últimos dois meses.

    Projeção para a inflação de 2025 vem caindo nos últimos dois meses.Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress

    O Boletim Focus é um relatório semanal divulgado pelo Banco Central que compila as projeções de analistas do mercado financeiro para os principais índices da economia brasileira. Como a divulgação é semanal, as oscilações de uma edição para a outra tendem a ser de pequena escala, com variações mais altas acumuladas com o tempo.

    É a oitava semana consecutiva de queda na projeção para a inflação. Ela segue, porém, acima do teto de 4,5% estabelecido como meta pelo governo.

    Os analistas mantiveram as projeções da semana anterior para o PIB (crescimento de 2,23% em 2025), taxa de câmbio (dólar a R$ 5,65 no final do ano) e Selic (manutenção do patamar atual de 15% ao ano até o final de 2025).

  • Projeto quer dar a parlamentares acesso a informações sigilosas

    Projeto quer dar a parlamentares acesso a informações sigilosas

    O deputado Alex Manente (Cidadania-SP) protocolou o projeto de lei 3.618/2025, que propõe alterações na Lei de Acesso à Informação (lei 12.527/2011) para permitir que congressistas tenham acesso a documentos classificados com qualquer grau de sigilo, no exercício da função fiscalizatória. A proposta foi apresentada em 18 de julho e está em tramitação na Câmara dos Deputados.

    O projeto inclui dois parágrafos ao artigo 25 da LAI. O primeiro estabelece que deputados e senadores, ao exercerem seu dever constitucional de fiscalização, poderão acessar informações e documentos sigilosos – inclusive aqueles classificados como reservados, secretos ou ultrassecretos – mediante requerimento formal. A proposta impõe como contrapartida o dever de confidencialidade, previsto nas normas vigentes de proteção e controle da informação.

    A segunda modificação prevê que, se o parlamentar entender que a classificação de sigilo foi indevida ou excessiva, poderá apresentar um requerimento de reavaliação à autoridade responsável pela classificação da informação. Essa autoridade deverá se manifestar em até 20 dias, com decisão devidamente fundamentada.

    Dep. Alex Manente.

    Dep. Alex Manente.Marina Ramos/Câmara dos Deputados

    Na justificativa apresentada ao projeto, o autor argumenta que a proposta busca assegurar o cumprimento das atribuições constitucionais do Congresso Nacional, especialmente quanto à fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União, conforme estabelecem os artigos 49, inciso X, e 70 da Constituição Federal.

    Segundo o deputado, há um uso recorrente da classificação genérica de sigilo por parte da administração pública, o que dificultaria o controle parlamentar sobre determinadas despesas e ações de governo. Ele cita como exemplo os gastos com cartões corporativos entre janeiro de 2023 e abril de 2025, que teriam somado mais de R$ 55 milhões, sendo que 99% dessas despesas teriam sido mantidas sob sigilo, inclusive em relação ao conhecimento de deputados e senadores.

    O parlamentar afirma ainda que o projeto reforça os princípios constitucionais da moralidade, publicidade e eficiência administrativa, e visa assegurar o equilíbrio entre os poderes, respeitando o modelo de freios e contrapesos previsto na Constituição.

    Leia a íntegra da proposta.

  • Haddad diz que ataque dos EUA ao Pix é como “defender telefone fixo”

    Haddad diz que ataque dos EUA ao Pix é como “defender telefone fixo”

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira (21) que é uma “insanidade” achar que o Pix é uma ameaça aos Estados Unidos. A declaração foi feita em entrevista à rádio CBN.

    O sistema de pagamentos Pix, operado pelo Banco Central no Brasil, é um dos alvos do processo de investigação comercial aberto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para investigar supostas práticas comerciais desleais no Brasil. O documento de abertura da investigação cita “práticas injustas” envolvendo “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”.

    O ministro Fernando Haddad diz que reclamações com relação ao Pix são

    O ministro Fernando Haddad diz que reclamações com relação ao Pix são “insanidade”.Gabriela Biló/Folhapress

    Haddad, na entrevista, disse que o desconforto dos Estados Unidos com o Pix é “mais surpreendente ainda”. Segundo ele, “é a mesma coisa que alguém defender telefone fixo, em detrimento do celular”.


    “Temos que buscar alguma racionalidade na conversa com eles. Porque, se nós deixarmos prosperar a insanidade de imaginar que o Pix possa ser uma ameaça ao império americano, […] onde nós vamos parar?”


    “Nós vamos tirar o Pix do ar? Qual que é a solução?”, perguntou Haddad.

    Na mesa de negociação

    O ministro da Fazenda declarou que o Brasil deve buscar a “racionalidade econômica” na reação ao tarifaço anunciado por Donald Trump. Segundo ele, o país já esperava alguma ação do governo norte-americano contra o Brasil por conta da atuação da família Bolsonaro. No final, porém, todos teriam sido surpreendidos com o anúncio dos impostos, algo muito mais grave do que se projetava. “Esta atitude que foi tomada, pela dimensão, pela escala, é algo que ninguém poderia prever”, disse Haddad.

    Segundo o ministro da Fazenda, o governo não deixará de dialogar com os EUA, justamente por estar buscando essa racionalidade. “O Brasil jamais saiu e jamais sairá da mêsa de negociação”, disse na entrevista, “porque não há compreensão da nossa parte que essa situação perdure”.

  • Eduardo Bolsonaro nega renúncia e tenta intimidar servidores da PF

    Eduardo Bolsonaro nega renúncia e tenta intimidar servidores da PF

    O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) negou neste domingo (20) que vá renunciar ao mandato, apesar de estar há quatro meses nos Estados Unidos e ter encerrado sua licença parlamentar.

    Em transmissão ao vivo, afirmou que pretende seguir como deputado nos próximos meses e rebateu investigações que apuram sua atuação no exterior. “De cara adianto para vocês, eu não vou fazer nenhum tipo de renúncia, tá? Então, se eu quiser, eu consigo levar o meu mandato pelo menos aí até os próximos três meses”, declarou.

    Eduardo diz que

    Eduardo diz que “não vai renunciar” e ameaça “agir” contra investigador da PF.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Sua fala foi proferida no dia em que sua licença se encerra. A partir de segunda-feira (21), faltas não justificadas começam a ser computadas. Caso ultrapassem um terço das sessões ordinárias, o parlamentar pode ter o mandato cassado.

    Intimidação

    Na mesma live, Eduardo Bolsonaro fez menção ao delegado Fábio Alvarez Shor, responsável por investigações contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e também por procedimento administrativo contra ele próprio na Polícia Federal. “Cachorrinho da Polícia Federal que está me assistindo. Deixa eu saber não, irmão. Se eu ficar sabendo quem é você… Ah, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal do delegado Fábio Schor se ele conhece a gente”.

    A reação da Polícia Federal veio poucas horas depois. Ao G1, o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, afirmou que recebeu “com indignação mais essa covarde tentativa de intimidação aos servidores policiais” e que a PF adotará as providências legais cabíveis.

    Inquérito

    Eduardo é alvo de investigação da Procuradoria-Geral da República por suposta obstrução de Justiça, coação no curso de processo penal e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, por meio de lobby nos Estados Unidos para articular sanções contra o Judiciário brasileiro em meio ao processo contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na ação penal do golpe.

  • Projeto de Zequinha Marinho propõe  inviolabilidade a consultórios

    Projeto de Zequinha Marinho propõe inviolabilidade a consultórios

    O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) apresentou projeto de lei que busca assegurar a inviolabilidade dos consultórios médicos, bem como de seus arquivos, dados, correspondências e comunicações. A iniciativa, formalizada no projeto de lei (PL) 2.860/2025 aguarda designação para avaliação nas comissões temáticas pertinentes do Senado.

    O texto propõe a inclusão de um novo artigo à Lei nº 12.842, de 2013, que versa sobre a regulamentação do exercício da medicina. De acordo com o autor, o objetivo central é “garantir direitos essenciais ao médico no exercício da sua profissão, conferindo segurança jurídica, respeito institucional e respaldo ético”.

    A proposição legislativa detalha três novos “direitos do médico”. O primeiro deles consiste no direito de exercer a profissão com liberdade, autonomia e objeção de consciência. A objeção de consciência, conforme definido em resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) de 2019, refere-se ao direito do profissional de recusar a realização de atos que, embora legalmente permitidos, conflitem com seus princípios éticos, religiosos ou morais.

    Senador Zequinha Marinho.

    Senador Zequinha Marinho.Jefferson Rudy/Agência Senado

    Adicionalmente, o projeto assegura a inviolabilidade do consultório ou local de trabalho do médico. Arquivos, dados, correspondências e comunicações, incluindo as telefônicas, devem ser mantidos sob sigilo, exceto em situações de busca ou apreensão determinadas judicialmente. Nesses casos, a ação deverá ser acompanhada por um representante do Conselho Regional de Medicina (CRM).

    O projeto também estabelece a presença de um representante do CRM em casos de prisão em flagrante do profissional, quando o motivo estiver relacionado ao exercício da medicina. Segundo Zequinha Marinho, a proposta visa estabelecer “garantias mínimas ao exercício profissional, especialmente diante de situações abusivas e arbitrárias”.

    O parlamentar argumenta que “abordagens desproporcionais” podem expor os médicos a “constrangimento público”. Ele justifica a necessidade de “assegurar instrumentos jurídicos que protejam os médicos no exercício legal e ético da profissão, especialmente em áreas altamente sensíveis como cirurgia, tratamento da obesidade e medicina avançada, onde muitas vezes o profissional está exposto a riscos legais infundados ou abusivos”.

  • Lula, Petro e três presidentes assinam artigo contra o autoritarismo

    Lula, Petro e três presidentes assinam artigo contra o autoritarismo

    O presidente Lula assinou neste domingo (20), ao lado de outros quatro chefes de Estado, um artigo em defesa da democracia publicado na Folha de S.Paulo. Também subscrevem o texto os presidentes Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai). Os líderes alertam para o avanço de discursos autoritários, a erosão das instituições e o desinteresse popular como sinais de desgaste do sistema democrático.

    Lula está a caminho de Santiago, capital chilena, onde participará amanhã da reunião “Democracia Sempre”, organizada por Boric. O evento acontece enquanto cresce a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, após o governo americano anunciar taxação de 50% sobre exportações brasileiras e a revogação de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República. Em resposta, Lula tem defendido com ênfase a soberania nacional.

    Presidentes dizem que

    Presidentes dizem que “não basta evocar a democracia”, é preciso fortalecê-la.Ricardo Stuckert / PR

    No artigo, os presidentes afirmam que “em um mundo cada vez mais polarizado, como líderes progressistas temos o dever de agir com convicção e responsabilidade frente àqueles que pretendem enfraquecer a democracia”. Segundo eles, “não basta evocar a democracia nem falar em seu nome: devemos fortalecê-la, renová-la e torná-la significativa para aqueles que sentem suas promessas não cumpridas”.

    O texto ressalta que o encontro no Chile representa um esforço concreto e coordenado. “Longe de ser um gesto isolado ou simbólico, é uma iniciativa que busca defender a democracia como um bem comum”, afirmam. Para os autores, a construção democrática precisa envolver “organizações sociais, centros de pensamento, juventudes e diversos atores da sociedade civil”.

    Na conclusão, os presidentes afirmam que “defender a democracia nestes tempos difíceis não é apenas resistir e proteger, mas propor e seguir avançando”. A cúpula será realizada nesta segunda-feira (21) e terá reuniões reservadas, almoço e debates com representantes da sociedade civil e do meio acadêmico. Uma nova edição está prevista para setembro, em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU.

    Veja a íntegra do artigo.

  • Deputada propõe política de proteção à mulher no ambiente de trabalho

    Deputada propõe política de proteção à mulher no ambiente de trabalho

    A deputada Dandara (PT-MG) apresentou à Câmara o projeto de lei 699/2025, que estabelece regras para prevenir e combater o assédio e a violência contra mulheres no ambiente de trabalho. O texto cria mecanismos como o Cadastro Nacional de Empresas Autuadas e o Certificado de Empresa Amiga da Mulher.

    Na justificativa da proposta, a deputada argumenta que “o assédio moral e sexual no ambiente de trabalho têm se tornado questões cada vez mais alarmantes no Brasil, refletindo a necessidade urgente de uma resposta legislativa eficaz”.

    Texto da deputada Dandara (PT-MG) também prevê protocolos humanizados, medidas protetivas e penalidades administrativas

    Texto da deputada Dandara (PT-MG) também prevê protocolos humanizados, medidas protetivas e penalidades administrativasZeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

    Protocolo e medidas protetivas

    O projeto obriga empresas públicas e privadas, incluindo organizações que empregam informalmente, a adotar protocolos de acolhimento humanizado. Esses protocolos devem prever canais de denúncia acessíveis, preservação do sigilo, encaminhamento às autoridades e medidas imediatas como o afastamento do agressor ou a realocação da vítima.

    As trabalhadoras que denunciarem casos de assédio ou violência teriam direito a estabilidade no emprego por pelo menos seis meses, atendimento psicológico custeado pela empresa e possibilidade de mudança no regime de trabalho, conforme recomendação médica.

    Cadastro nacional

    O projeto institui o Cadastro Nacional de Empresas Autuadas por Assédio e Violência Misóginos no Trabalho, de acesso público. Estarão listadas empresas responsabilizadas administrativa ou judicialmente por condutas ofensivas cometidas por seus representantes. A deputada afirma que o cadastro “funcionará como um instrumento de controle social, permitindo que a sociedade tenha acesso às informações sobre as empresas que não cumprem as normas de proteção às mulheres no ambiente de trabalho”.

    As empresas incluídas no cadastro podem perder benefícios fiscais, ser impedidas de obter crédito público e de participar de licitações por até dois anos. Também poderão ser multadas.

    Certificado de boas práticas

    O projeto também prevê a criação do Certificado de Empresa Amiga da Mulher, a ser concedido a organizações que comprovem ações de promoção da igualdade de gênero. Entre os critérios estão a reserva de vagas para mulheres em situação de violência e a adoção de metas para ampliar a participação feminina em cargos de liderança.

    “O incentivo às empresas que adotarem práticas que promovam a igualdade de gênero e o combate ao assédio e à violência misóginos servirá como estímulo para que mais empresas se comprometam com a criação de ambientes de trabalho seguros e respeitosos para as mulheres”, afirma a deputada.

    Dados e parcerias

    A proposta cita dados do Ministério Público do Trabalho, que registrou 8.458 denúncias de assédio moral e sexual em 2023, além de estudo da Organização Internacional do Trabalho apontando que quase 23% das pessoas empregadas sofreram algum tipo de violência no trabalho.