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  • De Bebianno a Tarcísio: a autofagia como jeito Bolsonaro de ser

    De Bebianno a Tarcísio: a autofagia como jeito Bolsonaro de ser

    Além de reivindicar para si os louros pela disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro caminha para iniciar um novo conflito interno em seu grupo político. Nesta segunda-feira (15), o parlamentar atacou o governador Tarcísio de Freitas, um dos principais cotados para a herança do capital político de Jair Bolsonaro em 2026, por defender o protagonismo do Governo Federal nas negociações com Washington.

    O atrito entre Eduardo e Tarcísio reacende um antigo padrão na atuação política da família Bolsonaro: o descarte brusco de aliados. O ciclo recorrentemente se repete: começa com uma divergência entre Bolsonaro ou um de seus filhos com determinado aliado sobre a articulação do grupo. A divergência se transforma em uma disputa mais ampla, até que, por fim, a aliança se torna insustentável, culminando na ruptura.

    Trajetória de Bolsonaro e de seus filhos conta com o acúmulo de alianças rompidas.

    Trajetória de Bolsonaro e de seus filhos conta com o acúmulo de alianças rompidas.Vincent Bosson /Fotoarena/Folhapress

    A repetição recorrente do ciclo resultou na autofagia do grupo político do ex-presidente: durante e após o seu mandato presidencial, Bolsonaro colecionou uma lista incontável de rachaduras, que conta com o presidente de seu antigo partido, a primeira líder de seu governo, ministros de Estado, deputados ideologicamente alinhados à sua base, governadores e prefeitos.

    Se mantido o padrão, Bolsonaro corre o risco de chegar isolado às eleições de 2026, pleito em que necessariamente precisará indicar um nome de peso para preencher o espaço deixado por sua inelegibilidade.

    Rachadura inaugural

    O primeiro rompimento relevante no núcleo político de Jair Bolsonaro ocorreu ainda em fevereiro de 2019, menos de dois meses após a posse presidencial. Gustavo Bebianno, então ministro da Secretaria-Geral da Presidência e coordenador da campanha presidencial, foi demitido após atrito direto com Carlos Bolsonaro. O vereador o acusou publicamente de mentir sobre conversas com o presidente. A crise expôs a influência dos filhos de Bolsonaro no governo e culminou na saída de Bebianno, que passou a criticar abertamente o ex-aliado.

    Bebianno afirmou que Bolsonaro havia abandonado as promessas de campanha para proteger os filhos, a quem culpava por destruir o governo com “palhaçadas” e “beligerância”. Disse ainda que o presidente governava com desequilíbrio emocional, cercado por “loucos”, e previu que seu mandato terminaria em renúncia, impeachment ou tentativa de golpe institucional.

    Quatro meses depois, em junho, foi a vez do general Santos Cruz, então ministro-chefe da Secretaria de Governo, seguir com a ruptura. Tal como Bebianno, o militar afirmou ter sido alvo de ataques virtuais promovidos por Carlos Bolsonaro.

    No Legislativo, a ruptura veio em bloco, começando pela ex-deputada Joice Hasselmann, até então líder do governo no Congresso Nacional. Ela foi afastada da posição de liderança em outubro daquele ano, após se opor à tentativa de Eduardo Bolsonaro de assumir o comando da bancada do PSL na Câmara. Em resposta, ela depôs contra o presidente na CPI das Fake News, acusando-o de usar verba pública para disparar desinformação nas redes sociais.

    A briga envolveu o presidente do partido, Luciano Bivar (União-PE), com quem Bolsonaro disputava o controle da sigla. Com a vitória de Eduardo na liderança da Câmara, o deputado pernambucano retaliou com um pedido judicial para que o presidente e 19 parlamentares fossem afastados do PSL. Bolsonaro saiu do partido, permanecendo sem uma legenda até 2021, quando se juntou ao PL.

    Rupturas na pandemia

    A chegada da pandemia da covid-19 trouxe um novo ciclo de rupturas e descartes de aliados. Em abril de 2020, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu demissão após acusar o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Moro afirmou que Bolsonaro queria acesso a investigações sigilosas e passou a ser alvo de ataques do bolsonarismo nas redes sociais. O ex-juiz da Lava Jato, que fora um dos principais pilares da campanha em 2018, virou inimigo declarado da base do ex-presidente.

    Pouco antes, em março, Luiz Henrique Mandetta foi demitido do Ministério da Saúde por defender medidas de isolamento social e seguir recomendações da Organização Mundial da Saúde. Bolsonaro, que minimizava os efeitos do coronavírus e pregava o fim das restrições, contrariou sistematicamente o titular da pasta. Mandetta resistiu enquanto pôde, mas acabou afastado após sucessivas divergências públicas com o presidente.

    Com a saída de Mandetta, Bolsonaro nomeou o oncologista Nelson Teich para o comando do ministério. A convivência, porém, durou menos de um mês. Teich deixou o cargo após recusar-se a endossar o uso irrestrito da cloroquina no tratamento da covid-19, defendido pelo presidente sem respaldo científico. Também resistiu à pressão para ampliar a liberação do medicamento por decreto, o que acelerou sua saída.

    No campo estadual, a ruptura mais simbólica envolveu João Doria. Aliado em 2018, quando adotou o slogan “BolsoDoria”, o então governador de São Paulo se afastou do presidente ainda no primeiro ano de mandato. Durante a pandemia, o rompimento se consolidou com o embate em torno da vacina. Doria liderou o Instituto Butantan na produção da Coronavac e foi duramente atacado por Bolsonaro, que transformou a imunização em palco de disputa política.

    Ciclo de abandonos

    Em 2021, os episódios de afastamento no grupo político de Jair Bolsonaro começaram a incluir uma nova forma: aliados passaram a ser descartados mesmo sem confronto direto ou rupturas públicas. O movimento coincidiu com o início da construção de alianças para as eleições de 2022 e com as negociações para a entrada do presidente ao PL, seu atual partido.

    Entre os nomes excluídos desse novo arranjo estiveram a ex-ativista Sara Winter e o ex-deputado Roberto Jefferson. Ambos haviam se projetado como vozes firmes na defesa do governo e de pautas radicais, mas perderam espaço à medida que passaram a representar desgaste ou instabilidade.

    Sara Winter liderava o grupo autodenominado “300 do Brasil” e protagonizou manifestações com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). Após ser presa por decisão da Corte, esperava respaldo do Planalto. Ele nunca veio. Ignorada por integrantes do governo, ela se afastou e, posteriormente, acusou o presidente e sua equipe de abandono e covardia.

    Roberto Jefferson rompeu com o presidente por conta da aproximação com partidos de centro-direita. Preso por decisão do Supremo em investigações sobre ataques às instituições, passou a cobrar solidariedade pública. Não obteve. Em 2022, após reagir com tiros a uma ação da Polícia Federal, foi definitivamente isolado. O presidente condenou o episódio e evitou qualquer associação.

    Outra antiga aliada foi silenciosamente descartada em 2022: a deputada Carla Zambelli (PL-SP). Flagrada na véspera do segundo turno perseguindo com arma em punho um eleitor rival nas ruas de São Paulo, a parlamentar, que antes fazia parte do círculo próximo de Bolsonaro, foi gradualmente afastada. Nos bastidores, era consenso o sentimento mantido por membros da família Bolsonaro de que ela seria a culpada por sua derrota. Essa leitura foi confirmada pelo ex-presidente em 2025.

    Também ganhou notoriedade o abandono de seu antigo ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid. No último mês de junho, em áudio vazado, o militar revelou sua frustração ao ver todos os demais réus na ação penal do golpe recebendo amplo apoio do grupo político de Bolsonaro, incluindo doações milionárias de eleitores, enquanto ele próprio via sua carreira ruir.

    Farpas com Tarcísio

    O mais recente atrito entre figuras centrais do bolsonarismo teve como protagonistas Eduardo Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas. Em postagem nas redes sociais, o deputado licenciado criticou duramente a iniciativa de Tarcísio de se reunir com representantes da Embaixada dos Estados Unidos para tratar das tarifas impostas por Donald Trump, bem como por reconhecer a primazia do Planato nas tratativas. Eduardo ironizou o discurso do governador, acusando-o de agir com “subserviência servil às elites” e de abandonar a defesa da indústria nacional.

    O episódio acirra a disputa interna por espaço no bolsonarismo e expõe o desconforto de Eduardo com a visibilidade alcançada por Tarcísio. Mesmo negando a intenção de disputar ao Planalto, o governador é visto entre partidos de centro-direita como um dos nomes mais viáveis para substituir Bolsonaro em 2026: posição que o coloca, ao mesmo tempo, como possível herdeiro e possível concorrente.

    Apesar do clima hostil, ainda não há indícios de uma ruptura definitiva: o governador já se desentendeu com o clã no passado, durante a discussão da reforma tributária, se reconciliando logo em seguida. Além disso, Tarcísio não responde às críticas no mesmo tom, não expondo desejo de confronto. Por outro lado, a tendência autofágica não deixou de ser uma constante no histórico da família Bolsonaro.

  • CCJ da Câmara aprova relatório da PEC da Segurança Pública

    CCJ da Câmara aprova relatório da PEC da Segurança Pública

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (15) o relatório da PEC 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública. Foram 43 votos a favor e 23 contra. O texto segue agora para análise de uma comissão especial.

    A proposta, principal aposta legislativa do governo Lula contra o crime organizado, busca integrar as ações das forças de segurança federais, estaduais e municipais. Também transforma a Polícia Rodoviária Federal em uma polícia viária multimodal e reforça a autonomia das guardas municipais.

    Relator Mendonça Filho retirou trechos que ampliavam o controle da União sobre a segurança pública.

    Relator Mendonça Filho retirou trechos que ampliavam o controle da União sobre a segurança pública.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Mudanças no relatório

    O relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), fez duas alterações relevantes no texto original. A primeira foi a exclusão de um trecho que dava à União o poder exclusivo de legislar sobre segurança pública, defesa social e sistema penitenciário. “Ou a matéria é de competência privativa da União ou é de competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal. Não se pode ser as duas coisas ao mesmo tempo”, afirmou o parlamentar.

    Na avaliação de Mendonça, a proposta como foi enviada ameaçava o pacto federativo. “A descentralização do poder, consolidada a partir da Constituição de 1988, representa uma inequívoca opção organizacional e, mais importante, um verdadeiro compromisso democrático”.

    A segunda mudança foi a retirada do termo “exclusiva” ao tratar da apuração de infrações penais pelas polícias federal e civis. Segundo o relator, a redação original fragilizava a atuação do Ministério Público e das comissões parlamentares de inquérito. “A proposta tende a abolir o núcleo essencial da repartição de atribuições entre poderes salvaguardada pelo constituinte originário”.

    Racha no União Brasil

    A oposição, liderada pelo PL, votou em peso contra o parecer. No União Brasil, partido de Mendonça, houve dissidência: dos sete integrantes da legenda na comissão, quatro rejeitaram o relatório.

    Apesar de contar com a relatoria, o União Brasil é a sigla do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, opositor ferrenho da proposta e entusiasta do modelo americano de segurança pública, na qual a maioria das competências é concentrada nos estados, inclusiva para legislar em matéria penal.

    Próximos passos

    Com a aprovação na CCJ, a proposta segue para uma comissão especial, que deverá ser criada pela Mesa Diretora da Câmara. O colegiado deve ser instalado em agosto e terá até 40 sessões para apresentar o parecer que será discutido em Plenário.

  • Senado inclui na pauta de quarta-feira Lei de Incentivo ao Esporte

    Senado inclui na pauta de quarta-feira Lei de Incentivo ao Esporte

    O Senado Federal incluiu na pauta para a sessão da quarta-feira (16) o projeto de lei que torna permanente a Lei de Incentivo ao Esporte. Após a aprovação na Câmara dos Deputados na segunda-feira (14), a inclusão da matéria na pauta da Casa Alta tenta acelerar a tramitação para garantir uma possível aprovação antes do recesso parlamentar que se inicia na quinta-feira (17).

    O projeto torna permanente a legislação, considerada a principal ferramenta de financiamento do esporte brasileiro. A relatoria será da senadora Leila Barros (PDT-DF), presidente da Comissão de Esporte da Casa.

    A tramitação acelerada decorre da articulação entre Leila e o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que também abraçou a pauta. A matéria ainda depende de aprovação de requerimento de urgência para apreciação no plenário, ainda assim a expectativa é de que o projeto seja aprovado com ampla maioria.

    Leila Barros.

    Leila Barros.Edilson Rodrigues/Agência Senado

    Em audiência sobre a legislação, Leila defendeu e explicou que os benefícios vão além do esporte de alto rendimento: “Essa é uma política pública que leva o esporte onde o Estado não chega. Gera emprego, renda e transforma vidas. Torná-la permanente é uma vitória de quem acredita no esporte como ferramenta de inclusão e desenvolvimento.”

    Se aprovado no Senado, o projeto segue para sanção presidencial, desde que não haja mudanças no texto original da Câmara dos Deputados

    O que diz o projeto

    De autoria do deputado Felipe Carreras (PSB-PE), o projeto de lei complementar (PLP) 234/25 torna permanente a Lei de Incentivo ao Esporte. Pela lei atual, a vigência acabaria em 2027. Conforme a legislação, por meio da lei é permitida a dedução de Imposto de Renda (IR)para empresas e pessoas físicas de doações e patrocínios de projetos esportivos.

    Atualmente, a legislação permite permite que pessoas físicas destinem até 7% e pessoas jurídicas até 2% do IR devido a projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte. A renúncia fiscal do governo federal é revertida em projetos que atendem mais de 1 milhão de brasileiras e brasileiros.

    Em foram apoiados 6.664 projetos, com um volume recorde de R$ 1,13 bilhão captado. A renúncia fiscal de R$ 1 bilhão em 2024 representa apenas 0,20% dos R$ 544 bilhões previstos em renúncia fiscal total para este ano. De acordo com o PIB do Esporte Brasileiro, a Lei de Incentivo ao Esporte faz com que cada R$ 1 retorne R$ 12,83 para a economia.

  • Comissão aprova indenização para famílias de agentes de segurança

    Comissão aprova indenização para famílias de agentes de segurança

    A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou nesta terça-feira (15) projeto de lei que garante a indenização de R$ 100 mil a famílias de agentes de segurança que morram em razão do exercício da função. Além disso, o texto prevê ainda indenização de R$ 50 mil para agentes permanentemente incapacitados. O texto segue agora para análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

    A proposta de Fabiano Contarato (PT-ES), relatada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), prevê que União, Estados, Distrito Federal e municípios podem ser responsabilizados para fins de indenização. Segundo o projeto, estão contempladas as seguintes categorias:

    • policiais federais, civis e militares
    • policiais rodoviários federais
    • policiais penais
    • bombeiros militares
    • policiais legislativos
    • guardas municipais
    • agentes socioeducativos
    • agentes de trânsito
    • guardas portuários

    Flávio Bolsonaro.

    Flávio Bolsonaro.Geraldo Magela/Agência Senado

    Flávio Bolsonaro ressaltou a situação crítica do Rio de Janeiro, um dos estados mais afetados pelos confrontos entre criminosos e policiais. “Infelizmente, frequento muitos enterros de policiais lá no nosso estado. Talvez seja o estado onde o crime organizado esteja mais altamente armado e acabe fazendo também mais policiais vítimas. Ainda existe aquela mentalidade de que o problema é do policial, quando, na verdade, nós temos que dar graças a Deus por existirem pessoas dispostas a vestir uma farda”.

    Em caso de falecimento do agente de segurança em serviço, os R$ 100 mil serão divididos igualmente entre seus dependentes, como cônjuge e filhos. Na ausência de dependentes, o valor será destinado aos herdeiros.

    Se o agente se tornar permanentemente incapacitado para exercer sua função, receberá R$ 50 mil, mesmo que possa exercer outra atividade. O pagamento será realizado em até seis meses após o requerimento ao órgão de segurança de atuação da vítima, mediante apresentação de atestado de óbito ou perícia médica oficial. A indenização não afetará os direitos previdenciários.

    De acordo com o relatório de Flávio Bolsonaro, os governos federais, estaduais e municipais serão responsáveis pelo pagamento das indenizações. Na versão original de Contarato, essa responsabilidade recaía apenas sobre a União. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que 161 policiais foram assassinados em 2022 e 127 em 2023.

  • Lindbergh pede suspensão do mandato de Eduardo Bolsonaro

    Lindbergh pede suspensão do mandato de Eduardo Bolsonaro

    O líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), pediu a suspensão cautelar do mandato do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O governista acusa Eduardo de atentar contra a soberania nacional.

    No documento, Lindbergh afirma que Eduardo se engaja “em campanhas públicas por retaliações internacionais contra o Brasil”, especialmente contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal contra Jair Bolsonaro. “Não se trata de episódios isolados, mas de um padrão continuado e deliberado de atuação que abala a integridade da Câmara dos Deputados”, escreveu o petista.

    Requerimento de Lindbergh inclui pedido de suspensão temporária e aceleração de ações no Conselho de Ética.

    Requerimento de Lindbergh inclui pedido de suspensão temporária e aceleração de ações no Conselho de Ética.Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    O requerimento cita como um dos episódios mais graves a comemoração pública de Eduardo após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros feito pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, foi acompanhada de críticas duras ao Judiciário brasileiro e recebeu apoio de Eduardo nas redes sociais.

    “Eduardo Bolsonaro comemorou publicamente essa ameaça à economia nacional, reforçando que tal medida seria uma resposta à atuação do STF. Trata-se, objetivamente, de uma chantagem contra o povo brasileiro”, diz o texto. O deputado também é acusado de estimular sanções ao Brasil ao defender a adoção da Lei Magnitsky, que permite punições a autoridades estrangeiras por violação de direitos humanos.

    Lindbergh argumenta que o deputado tem atuado contra os interesses do Brasil “em conluio com potências estrangeiras”, o que, segundo ele, fere diretamente a soberania nacional. O texto também aponta que Jair Bolsonaro admitiu usar doações de apoiadores para manter o filho nos Estados Unidos, levantando suspeitas sobre o uso dos recursos.

    Andamento no Conselho de Ética

    Diante dos fatos, o líder do PT pede a suspensão imediata do mandato de Eduardo Bolsonaro enquanto persistirem os riscos apontados, e que o Conselho de Ética dê prioridade à tramitação das representações já protocoladas anteriormente contra ele, também por questões relacionadas à atuação nos Estados Unidos.

    O requerimento foi entregue à Mesa Diretora nesta segunda-feira (15), mesmo dia em que o Conselho de Ética aprovou a suspensão do mandato de André Janones (Avante-MG), aliado do governo, que responde por quebra de decoro.

    Veja a íntegra do requerimento.

  • Câmara aprova ampliação de serviços privados em presídios

    Câmara aprova ampliação de serviços privados em presídios

    A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei 2694/2015, amplia a participação da iniciativa privada para prestação de serviços em presídios. A proposta segue agora à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para redação final e, em seguida, será encaminhada ao Senado.

    Relatado pelo deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), o projeto altera a Lei de Execução Penal para autorizar a chamada “execução indireta” de atividades nas unidades penais, por meio de contratos com empresas e parcerias privadas. Segundo o relator, a proposta visa “contribuir para a melhoria significativa no Sistema Carcerário Brasileiro, bem como para o fiel cumprimento das determinações da Lei de Execução Penal”.

    Texto foi relatado pelo deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM).

    Texto foi relatado pelo deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM).Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    O texto aprovado define que a execução indireta poderá envolver serviços de assistência material, saúde, educação, assistência jurídica e social. A proposta é de autoria da extinta CPI Sistema Carcerário Brasileiro, que concluiu os trabalhos em 2015.

    Apesar da aprovação, foi firmado acordo em plenário para que o Senado remova dispositivos que abriam brechas à terceirização de serviços de segurança e transporte de detentos, áreas sensíveis consideradas exclusivas do Estado.

    A votação ocorreu em modalidade simbólica, com apoio de todos os partidos com exceção da federação Psol-Rede. “Estamos entregando para o setor privado algo que é essencial para o funcionamento do Estado, que é a segurança pública”, argumentou a líder do bloco, deputada Talíria Petrone (Psol-RJ).

    Agora, caberá ao Senado decidir se mantém ou modifica o texto. A expectativa é que a Casa exclua de forma definitiva qualquer possibilidade de terceirização de funções ligadas diretamente à segurança.

  • Eduardo confronta Tarcísio sobre tarifas: “não espero que entenda”

    Eduardo confronta Tarcísio sobre tarifas: “não espero que entenda”

    O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou publicamente, nesta terça-feira (15), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por tentar intermediar negociações com os Estados Unidos sobre as tarifas impostas pelo governo Trump sobre importações de itens brasileiros.

    Em suas redes sociais, Eduardo atacou diretamente a atuação do ex-ministro da Infraestrutura, que se reuniu com representantes da Embaixada americana em Brasília. “Mas como, para você, a subserviência servil às elites é sinônimo de defender os interesses nacionais, não espero que entenda”, escreveu o parlamentar.

    Deputado licenciado ataca aproximação do governador com os EUA em meio à crise comercial.

    Deputado licenciado ataca aproximação do governador com os EUA em meio à crise comercial.Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

    Na mesma mensagem, o deputado ironizou o discurso de Tarcísio, que havia dito estar “olhando para o setor industrial” de São Paulo: “Se você estivesse olhando para qualquer parte da nossa indústria ou comércio estaria defendendo o fim do regime de exceção que irá destruir a economia brasileira e nossas liberdades”.

    Veja a íntegra da fala de Eduardo:

    As críticas ocorrem após Tarcísio reconhecer que, apesar de ele próprio estar em diálogo com a embaixada americana, o governo federal é o protagonista nas tratativas com Washington. “Nosso papel como governo do Estado é limitado”, disse ele à CNN. Eduardo havia cobrado que desse a ele próprio o protagonismo pela articulação, e não ao Planalto.

    A ofensiva de Eduardo também se dá num momento em que seu futuro político é incerto. Licenciado desde março, ele já indicou que poderá abrir mão do mandato e permanecer nos Estados Unidos. Ele é investigado pela Polícia Federal, sob suspeita de praticar lobby junto ao Congresso e governo americano para pressionar o Judiciário brasileiro em meio ao processo contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que responde por golpe de Estado.

  • Sancionada lei que amplia uso do Fundo Social do Pré-Sal

    Sancionada lei que amplia uso do Fundo Social do Pré-Sal

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei 15.164/2025, que permite que recursos do Fundo Social do Pré-Sal sejam usados para financiar projetos de infraestrutura social, habitação popular e enfrentamento de calamidades públicas. A nova regra foi publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (15).

    Conforme a nova legislação, os recursos do fundo poderão ser destinados a projetos de desenvolvimento de infraestrutura hídrica, segurança alimentar e nutricional, defesa dos direitos e interesses dos povos indígenas, bem como à gestão do Sistema Único de Assistência Social (Suas). O Fundo Social é alimentado por royalties do petróleo.

    Anteriormente, os recursos eram direcionados exclusivamente a programas nas áreas de educação, cultura, esporte, saúde pública, ciência e tecnologia, meio ambiente e adaptação às mudanças climáticas. No âmbito habitacional, a lei 15.164 contempla famílias elegíveis ao Programa Minha Casa, Minha Vida, com a possibilidade de ampliação das faixas de renda pelo Ministério das Cidades.

    A nova regra destina adicionalmente 5% dos recursos do fundo para educação e saúde por um período de cinco anos. A área de educação já recebe 50% dos recursos até o cumprimento das metas estabelecidas no Plano Nacional da Educação (PNE). A iniciativa revoga 11 artigos da lei que criou o Fundo Social, incluindo dispositivos que definiam os objetivos do fundo e a política de investimentos.

    Vista aérea do navio-plataforma P-71, instalado no campo de Itapu, no pré-sal da Bacia de Santos, a 200 km da costa do Rio de Janeiro.

    Vista aérea do navio-plataforma P-71, instalado no campo de Itapu, no pré-sal da Bacia de Santos, a 200 km da costa do Rio de Janeiro.Tânia Rêgo/Agência Brasil

    O texto original da lei foi apresentado pelo Executivo por meio da medida provisória (MP) 1.291/2025, aprovada no Senado como projeto de lei de conversão (PLV 2/2025), com relatório do senador Weverton (PDT-MA). O texto aprovado pelo Congresso foi sancionado com dois vetos presidenciais.

    Um deles é o que estabelecia que, dos recursos de habitação, de programas e de projetos sobre segurança alimentar e nutricional, pelo menos 30% deveriam ser alocados no Nordeste, 15% no Norte e 10% no Centro-Oeste. Ao justificar o veto, a presidência argumenta que “a definição de regras rígidas para a aplicação dos recursos do Fundo Social contraria o interesse público, pois reduz a eficiência alocativa”.

    Outro trecho vetado determinava prazo de 120 dias para a publicação da Lei Orçamentária Anual da União com a nova regra de destinação de 5% adicionais para educação e saúde. A presidência da República justificou o veto com base em vício de inconstitucionalidade, “por violação ao princípio da separação de Poderes, nos termos do disposto no art. 2º da Constituição, tendo em vista a imposição de prazo para edição e aprovação da lei específica a que se refere o art. 6º, caput , do projeto de lei, comprometendo a autonomia do legislador e o devido processo legislativo”.

    Além de ampliar as áreas de financiamento, a lei altera o funcionamento do Conselho Deliberativo do Fundo Social (CDFS), que deverá indicar no Orçamento da União os órgãos beneficiados e divulgar informações sobre os recursos recebidos e gastos. A nova lei permite ao governo federal vender, por meio de leilão, o excedente de produção de petróleo e gás natural em áreas ainda não contratadas no pré-sal. Essa permissão estava no PL 2.632/2025, do Poder Executivo, que teve seu conteúdo incorporado ao texto sancionado.

    A lei também autoriza a União a utilizar recursos do fundo para custear linhas de financiamento em fundos públicos ou de políticas públicas previstas em lei. Os recursos não poderão ser utilizados, no entanto, para conceder garantias direta ou indiretamente, e os riscos das operações de créditos não poderão ser assumidos pela União.

    Com previsão de renúncia fiscal a ser incorporada nos Orçamentos da União de 2026 a 2030, a lei concede isenção do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativos aos recursos do Fundo Social transferidos para essas operações de crédito reembolsáveis. A isenção vale também para os rendimentos e se aplica ainda ao PIS/Pasep e à Cofins. Caberá à Casa Civil acompanhar e avaliar o benefício.

  • Câmara suspende mandato de Janones por três meses após ofender Nikolas

    Câmara suspende mandato de Janones por três meses após ofender Nikolas

    O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (15) a suspensão por três meses do mandato parlamentar de André Janones (Avante-MG). A representação foi movida pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados após o deputado ofender Nikolas Ferreira (PL-MG) durante sessão plenária na última semana.

    A representação contra Janones foi fundamentada em uma denúncia apresentada pelo Partido Liberal. De acordo com a legenda, durante a sessão ocorrida na última quarta-feira (9), o deputado teria proferido “xingamentos ultrajantes, com expressões de baixo calão, desonrosas e depreciativas” direcionados ao deputado Nikolas Ferreira, que discursava na tribuna.

    Na ocasião, Janones se referiu aos bolsonaristas como “capachos” e “vira-latas” em razão da posição defendida diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Além disso, segundo a representação, o parlamentar mineiro também fez ofensas de cunho homofóbico contra Nikolas Ferreira ao se referir a ele como “Nikole”, em referência ao episódio que o deputado usou peruca na tribuna para debochar de transexuais. A Mesa solicitou a suspensão por seis meses do mandato.

    “O emprego dessas palavras como forma de xingamento reforça estigmas históricos, normaliza o preconceito e perpetua a marginalização dessa população no espaço público e institucional”, apontou o relator Fausto Santos Jr. (União Brasil-AM). 

    André Janones.

    André Janones.Mario Agra/Câmara dos Deputados

    Em seu parecer, o parlamentar amazonense optou por uma penalidade menor, de três meses. Fausto Santos Jr. justificou com base na proporcionalidade da conduta de André Janones e na adequação da punição. “Diante dos fatos, considero que o prazo de três meses, conforme autorizado pelo art. 10, III, do Código de Ética, é proporcional à gravidade da conduta e permite resposta institucional firme e exemplar, sem antecipar o julgamento definitivo do mérito”, escreveu.

    O colegiado aprovou a suspensão por 16 votos a três. Um dos deputados que votaram contra a suspensão de Janones, Chico Alencar (Psol-RJ), disse que há “necessidade de um processo e não de uma cassação temporária de mandato sumária, imediata”. A ferramenta da suspensão foi instaurada pelo então presidente Arthur Lira (PP-AL) no último ano.

    Em sua defesa, André Janones apresentou um vídeo no qual é cercado por deputados do PL após suas manifestações contra Nikolas. Ele relata, ainda, que foi agredido por eles e que eles violaram o Código de Ética e Decoro Parlamentar.

    Veja como votaram os parlamentares:

    Domingos Sávio (PL-MG) -votou Sim

    Gustavo Gayer (PL-GO) -votou Sim

    Marcos Pollon (PL-MS) -votou Sim

    Delegado Bilynskyj (PL-SP) -votou Sim

    Dimas Gadelha (PT-RJ) -votou Não

    Maria do Rosário (PT-RS) -votou Não

    Acácio Favacho (MDB-AP) -votou Sim

    Ricardo Maia (MDB-BA) -votou Sim

    João Leão (PP-BA) -votou Sim

    Julio Arcoverde (PP-PI) -votou Sim

    Castro Neto (PSD-PI) -votou Sim

    Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR) -votou Sim

    Albuquerque (REPUBLICANOS-RR) -votou Sim

    Gustinho Ribeiro (REPUBLICANOS-SE) -votou Sim

    Delegado Marcelo (UNIÃO-MG) -votou Sim

    Fausto Santos Jr. (UNIÃO-AM) -votou Sim

    Josenildo (PDT-AP) -votou Sim

    Nely Aquino (PODE-MG) -votou Sim

    Chico Alencar (PSOL-RJ) -votou Não

  • Senado aprova reestruturação do TRF-1 e na Justiça do Piauí

    Senado aprova reestruturação do TRF-1 e na Justiça do Piauí

    O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (15) o projeto de lei 2/2025, que reestrutura cargos da magistratura no quadro permanente da Justiça Federal da 1ª Região (TRF-1) e cria a 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais da Seção Judiciária do Piauí. A matéria, de autoria do Superior Tribunal de Justiça, vai à sanção presidencial.

    De acordo com a matéria, quatro cargos vagos no Tribunal Regional Federal da 1ª Região de juiz substituto se tornaram em três vagas de juiz federal indicados pela Justiça Federal. Ao todo, o TRF-1 passa a contar com 271 cargos de juiz federal e de 168 cargos de juiz federal substituto.

    O projeto ainda prevê a criação da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais da Seção Judiciária do Piauí, com sede em Teresina e jurisdição em todo o Estado do Piauí. A referida turma será composta dos 3 cargos de juiz federal criados a partir da transformação de cargos de juiz federal substituto, prevista na proposição.

    Plenário do Senado.

    Plenário do Senado.Jefferson Rudy/Agência Senado

    “O Estado do Piauí experimenta demanda extraordinária em litígios de cunho previdenciário e assistencial, circunstância diretamente ligada a uma economia majoritariamente amparada no setor primário. Essas causas, propostas em sua maior parte por jurisdicionados hipossuficientes”, defende o relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI).

    O parlamentar ainda argumenta que a proposição fornece “resposta equilibrada e fiscalmente responsável” ao transforma cargos vagos, pois se vale das sobras orçamentárias. “Paralelamente, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região poderá realocar magistrados de varas com baixa movimentação para a instância recursal de maior volume processual, otimizando recursos humanos já existentes”, complementa.