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  • Datafolha: Lula amplia vantagem sobre candidatos da direita para 2026

    Datafolha: Lula amplia vantagem sobre candidatos da direita para 2026

    A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, realizada nos dias 29 e 30 de julho, revela que o presidente Lula (PT) lidera todos os cenários de primeiro turno na disputa presidencial de 2026. Mesmo com uma ligeira oscilação positiva, o petista abriu vantagem mais nítida sobre os nomes mais fortes da oposição – o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se encontra inelegível, seus filhos, e os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho Jr. (PSD-PR).

    A pesquisa entrevistou 2.004 eleitores em 130 municípios e tem margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento indica uma lenta recuperação de Lula no cenário eleitoral, mesmo sem registrar melhora significativa na avaliação de governo. A mudança, segundo o Datafolha, pode estar ligada ao desgaste da oposição com o alinhamento a Donald Trump, que recentemente impôs tarifas de importação de 50% sobre produtos brasileiros, alegando perseguição a Bolsonaro.

    Lula e Bolsonaro em debate eleitoral em 2022. Em relação a pesquisa anterior, petista deixa Bolsonaro, que está inelegível, para trás.

    Lula e Bolsonaro em debate eleitoral em 2022. Em relação a pesquisa anterior, petista deixa Bolsonaro, que está inelegível, para trás.Marlene Bergamo/Folhapress

    Lula cresce frente a Bolsonaro e à família

    Embora Jair Bolsonaro esteja inelegível, seu nome segue sendo testado no Datafolha – como ocorreu com Lula em 2018 – e ainda aparece como principal referência da direita. Em relação à última pesquisa, Lula ampliou sua vantagem sobre o ex-presidente de 39% a 33% (cinco pontos a mais que o cenário anterior).

    • Lula (PT): 47% (44% em junho)
    • Jair Bolsonaro (PL): 43% (45% em junho)
    • Em branco/nulo/nenhum: 10% (10% em junho)
    • Não sabe: 0% (1% em junho)

    Nos confrontos com os filhos de Bolsonaro, a vantagem de Lula também é expressiva: ele marca 39% contra 20% de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e 40% contra 18% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Michelle Bolsonaro (PL-DF), cotada como alternativa eleitoral no campo bolsonarista, é derrotada por 39% a 24%.

    Tarcísio e Ratinho Jr.

    Sem Bolsonaro no páreo, Tarcísio de Freitas desponta como o principal nome oposicionista. No primeiro turno, ele aparece com 21% contra 38% de Lula – um cenário de estabilidade em relação à rodada anterior. No segundo turno, a disputa é mais apertada: Lula tem 45%, e Tarcísio, 41%, uma diferença no limite da margem de erro.

    Outro nome com desempenho relevante é o do governador Ratinho Jr., do Paraná. Ele surge com 40% no segundo turno contra Lula, que marca 45%. Essa é a primeira vez que o nome do governador paranaense aparece no Datafolha em um cenário presidencial, sinalizando potencial competitivo. Sua boa colocação pode estar atrelada à popularidade do pai, o apresentador Ratinho, e à baixa rejeição nacional.

    Caiado e Zema

    Outros governadores de direita cotados para a sucessão presidencial aparecem com desempenho mais fraco diante do presidente. Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) perde de 47% a 35%, enquanto Romeu Zema (Novo-MG) é derrotado por 46% a 36%. Isso indica que o grau de conhecimento nacional e o desempenho local ainda pesam fortemente nas intenções de voto.

    Haddad e Alckmin

    O Datafolha também testou os nomes de Geraldo Alckmin e Fernando Haddad no lugar de Lula. Em um eventual segundo turno, Tarcísio derrotaria Fernando Haddad (PT) por 43% a 37% e teria uma vantagem numérica (embora em empate técnico) sobre Geraldo Alckmin (PSB), por 40% a 38%.

    Rejeição elevada marca os líderes da polarização

    Lula e Bolsonaro continuam sendo os nomes mais lembrados de forma espontânea: o petista tem 22% das menções, e o ex-presidente, 17%. Contudo, ambos enfrentam rejeição elevada – 47% para Lula e 44% para Bolsonaro -, índices que, embora comuns em figuras polarizadoras, representam obstáculos importantes para a formação de maiorias amplas.

    Já os governadores menos expostos nacionalmente têm rejeição consideravelmente menor: Tarcísio (17%), Ratinho Jr. (21%) e Zema (22%). Esse dado pode beneficiar nomes novos na disputa caso o cenário de 2026 mantenha-se em aberto.

    Governo Lula é reprovado por 40%, e aprovação é de 29%, diz Datafolha

    Datafolha: 48% defendem a prisão de Bolsonaro

  • Projeto propõe instituir 1º de junho como Dia da Parentalidade

    Projeto propõe instituir 1º de junho como Dia da Parentalidade

    Tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 3.633/2025, que propõe a criação do Dia Nacional da Parentalidade, a ser celebrado anualmente em 1º de junho. A proposta é de autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e tem como objetivo promover a valorização do papel de pais, mães e demais responsáveis no desenvolvimento de crianças e adolescentes.

    A data escolhida acompanha a celebração internacional instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Global Day of Parents. A proposta tramita com base na lei 12.345/2010, que regulamenta a criação de datas comemorativas no país.

    Na justificativa do projeto, a deputada argumenta que o reconhecimento da parentalidade, como prática cotidiana de cuidado, educação e proteção, é um passo importante para o fortalecimento das famílias e da rede de apoio à infância e à adolescência. O conceito, conforme descrito na proposta, não se restringe aos vínculos biológicos, abrangendo qualquer relação que envolva responsabilidade afetiva e educacional.

    Dep. Laura Carneiro.

    Dep. Laura Carneiro.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    A parlamentar defende que a instituição da data poderá estimular ações de conscientização e políticas públicas voltadas à promoção da parentalidade positiva, com impactos diretos sobre o bem-estar e o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.

    A elaboração do projeto foi precedida de audiência pública realizada em 15 de julho de 2025 na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família (CPASF). O encontro reuniu representantes de organizações da sociedade civil e especialistas na área da infância.

    Entre os participantes estavam Rodolfo Canônico (Family Talks), Jessica Gimenes (Instituto IPA Brasil) e Márcia Cristina Machado de Oliveira (Rede Nacional da Primeira Infância). Eles destacaram a importância da data para o incentivo à parentalidade consciente, à formação de vínculos saudáveis e à promoção de ambientes seguros e afetivos para crianças e adolescentes.

    O projeto agora aguarda designação de relatoria nas comissões temáticas competentes.

    Leia a íntegra da proposta.

  • Trump diz que Lula pode ligar "quando quiser"

    Trump diz que Lula pode ligar "quando quiser"

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (1º) que Luiz Inácio Lula da Silva pode ligar para ele “quando quiser”. A declaração foi dada a repórteres no jardim da Casa Branca, em meio à repercussão do tarifaço imposto a produtos brasileiros. “Vamos ver o que acontece, eu amo o povo brasileiro. As pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”, disse Trump.

    Questionado nesta sexta (1º) por jornalistas na Casa Branca sobre a possibilidade de negociações com o Brasil a respeito das tarifas de importação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o presidente Lula pode ligar a ele “quando quiser”. Esta é a primeira sinalização do republicano sobre a possibilidade de diálogo com o governo brasileiro.

    Republicano afirma estar aberto a conversar, mas mantém tom crítico ao governo brasileiro.

    Republicano afirma estar aberto a conversar, mas mantém tom crítico ao governo brasileiro.Molly Riley/White House

    “Vamos ver o que acontece, eu amo o povo brasileiro. As pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”, complementou. Apesar da abertura, ressaltou sua postura em discordância com o Executivo brasileiro. “As pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”, afirmou.

    A fala se deu após reiteradas cobranças do presidente Lula por uma abertura formal de negociação por parte dos norte-americanos. “Pedi para entrar em contato. Designei meu vice-presidente, meu ministro da Agricultura, meu ministro da Economia [] Até agora, não foi possível”, afirmou Lula a jornalistas na terça-feira (29), no Palácio da Alvorada.

  • Relembre os cinco bate-bocas mais polêmicos do Congresso em 2025

    Relembre os cinco bate-bocas mais polêmicos do Congresso em 2025

    O ano de 2025 tem sido marcado por embates intensos no Congresso Nacional, com sessões interrompidas por tumultos, trocas de acusações entre parlamentares e necessidade de intervenção institucional. A seguir, os cinco episódios que mais repercutiram no Plenário e em comissões parlamentares até agora.

    Assista ao vídeo:

    1. Cassação de Glauber Braga provoca tumulto no Conselho de Ética

    A sessão do Conselho de Ética da Câmara que aprovou o parecer pela cassação do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), foi marcada por confusão. O parlamentar é acusado de quebra de decoro por ter agredido um militante do MBL dentro da Câmara, em abril de 2024.

    Deputados aliados de Braga alegaram irregularidades no encerramento das discussões e protestaram contra o andamento do processo. O relator Paulo Magalhães (PSD-BA) manteve seu voto pela cassação e criticou a condução da reunião: “Diante dessa algazarra e essa balbúrdia, eu mantenho meu relatório”.

    2. Tumulto entre Fernando Haddad e deputados da oposição em comissão conjunta

    Em 11 de junho, uma audiência com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nas comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle, terminou em tumulto. O ministro classificou como “molecagem” a conduta dos deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG), que deixaram a sessão após questioná-lo e retornaram em seguida para rebater a crítica.

    Jordy respondeu com um “moleque é você”, enquanto Nikolas alegou cerceamento de sua participação. A sessão se tornou incontrolável, e o presidente do colegiado, Rogério Correia (PT-MG), encerrou os trabalhos após tentativas frustradas de retomada da ordem.

    3. Marcos Rogério manda Marina Silva “se pôr no lugar” em comissão no Senado

    Em reunião da Comissão de Infraestrutura, o senador Marcos Rogério (PL-RO) dirigiu-se à ministra Marina Silva com a frase: “se ponha no seu lugar”, ao intervir em discussão entre a ministra e o senador Omar Aziz (PSD-AM).

    A declaração foi rebatida por Eliziane Gama (PSD-MA), que apontou um possível viés sexista na fala. Marcos Rogério negou a acusação. O embate só foi encerrado após intervenção do senador Chico Rodrigues (PSD-RR), que apelou por tranquilidade entre os presentes.

    4. Hugo Motta e Carlos Jordy se enfrentam durante votação da PEC dos Precatórios

    Durante a votação em segundo turno da PEC dos Precatórios, em 15 de julho, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) trocaram farpas após Jordy questionar a retirada de um destaque sem, segundo ele, a anuência da liderança do PL.

    Motta respondeu que a medida havia sido autorizada pelo líder do partido e rejeitou o tom de cobrança do parlamentar. “Eu não funciono na base da ameaça. O senhor orienta como quiser”, afirmou o presidente. O clima se acirrou, mas a votação foi concluída com aprovação da proposta, que seguiu para o Senado.

    5. Discussão entre Kim Kataguiri e Célia Xakriabá termina com ação da Polícia Legislativa

    Durante a votação do novo Código de Licenciamento Ambiental, na madrugada de 17 de julho, os deputados Kim Kataguiri (União-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG) protagonizaram um dos episódios mais tensos do ano. Após trocas de críticas em plenário, a discussão escalou quando a deputada chamou Kataguiri de “deputado estrangeiro”, ao que ele respondeu com referência irônica ao cocar usado por ela, associando-o a um “pavão asiático”.

    A deputada classificou a fala como um ato de “racismo televisionado”. Já Kataguiri afirmou que foi atacado fisicamente e que a parlamentar “perdeu o controle”. O clima de tensão exigiu a entrada da Polícia Legislativa para evitar confronto físico direto.

  • Governo Lula é reprovado por 40%; aprovação é de 29%, mostra Datafolha

    Governo Lula é reprovado por 40%; aprovação é de 29%, mostra Datafolha

    A expectativa do Planalto de que a crise diplomática com os Estados Unidos trouxesse ganhos políticos imediatos para o presidente Lula ainda não se confirmou. É o que indica pesquisa Datafolha realizada nos dias 29 e 30 de julho, que mostra que a avaliação do governo permanece estável: 40% dos brasileiros reprovam a gestão, enquanto 29% aprovam.

    Os números praticamente repetem os da rodada anterior, feita em junho, quando Lula registrava 28% de ótimo ou bom e os mesmos 40% de ruim ou péssimo. A avaliação regular caiu de 31% para 29%, e apenas 1% dos entrevistados não opinou. Ao todo, foram ouvidos 2.004 eleitores em 130 cidades, com margem de erro de dois pontos percentuais.

    Trump

    O levantamento foi realizado no auge do confronto diplomático entre os governos de Lula e Donald Trump. No dia (30), o último da realização do levantamento, o republicano aplicou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, retaliando o que classificou como perseguição judicial a seu aliado Jair Bolsonaro. Trump também sancionou o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que trata da tentativa de golpe de 2022.

    Em resposta, o presidente brasileiro adotou um discurso enfático em defesa da soberania nacional.

    Reprovação ao governo Lula persiste, de acordo com o Datafolha.

    Reprovação ao governo Lula persiste, de acordo com o Datafolha.Fatima Meira/Agencia Enquadrar/Folhapress

    Efeitos eleitorais ainda incertos

    Por outro lado, a estratégia do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se apresenta como articulador das sanções junto ao governo dos Estados Unidos de desgastar Lula, também não se refletiu na popularidade do presidente.

    Desde fevereiro, quando Lula atingiu sua pior avaliação (24% de ótimo/bom e 41% de ruim/péssimo), o governo conseguiu certa estabilização. Ainda assim, a aprovação segue abaixo da registrada em seus mandatos anteriores.

    Quem aprova e quem desaprova

    A pesquisa mostra que a aprovação de Lula se concentra em dois segmentos: entre os eleitores com menor escolaridade (42% de ótimo/bom) e na região Nordeste (38%). Já a rejeição é mais intensa entre eleitores de perfil bolsonarista, como:

    • Classe média baixa (62% de ruim/péssimo)
    • Ricos (57%)
    • Evangélicos (55%)
    • Sulistas (51%)
    • Mais escolarizados (49%)
    • Pessoas entre 35 e 44 anos (48%)

    Outra pesquisa

    Na quinta-feira (31), pesquisa AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, mostrou ligeira recuperação da popularidade do presidente. O levantamento indica que 50,2% dos entrevistados aprovam a gestão, enquanto 49,7% a desaprovam.

    Na pesquisa anterior, realizada em 13 de julho, os números mostravam o cenário inverso: 50,3% de desaprovação e 49,7% de aprovação. A virada ocorre dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. Esta, no entanto, foi a primeira vez este ano em que a aprovação ao governo superou a reprovação nas pesquisas do instituto.

  • Presa na Itália, Zambelli pode acumular 16 anos de pena no Brasil

    Presa na Itália, Zambelli pode acumular 16 anos de pena no Brasil

    A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), atualmente presa em Roma, na Itália, será julgada novamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, a Corte retoma, em 15 de agosto, o julgamento da ação penal em que Zambelli é acusada de perseguir, armada, o jornalista Luan Araújo, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

    O julgamento virtual foi iniciado em março deste ano, mas acabou suspenso por um pedido de vista do ministro Nunes Marques. Antes da interrupção, o plenário já havia formado maioria pela condenação de Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto, além de 80 dias-multa.

    Autoridades brasileiras pedem a extradição da deputada que fugiu para a Itália para escapar de prisão.

    Autoridades brasileiras pedem a extradição da deputada que fugiu para a Itália para escapar de prisão.Nino Cirenza/Ato Press/Folhapress

    Penas acumuladas

    Caso a condenação na segunda ação penal seja confirmada e esgotados todos os recursos, Zambelli poderá perder o mandato parlamentar e cumprir, no total, até 16 anos de prisão. Ela só escapará da nova pena se algum dos ministros que votaram pela condenação mudar de posição, cenário considerado improvável diante da fuga da deputada para a Itália, onde buscava evitar o cumprimento de outra pena, de 10 anos, também imposta pelo STF. A Câmara deverá analisar em breve a cassação do mandato da parlamentar.

    A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que a acusa dos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

    O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, votou pela condenação da deputada, sendo acompanhado por Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli – estes dois últimos anteciparam seus votos. Ainda restam votar os ministros Nunes Marques, André Mendonça, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Luiz Fux.

    Em outubro de 2022, Zambelli perseguiu Luan Araújo pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma troca de provocações. Armada com uma pistola 9 mm, ela rendeu o jornalista dentro de uma lanchonete e o obrigou a se deitar no chão. O episódio, amplamente registrado por celulares, teve grande repercussão nacional e também provocou o isolamento de Zambelli dentro do bolsonarismo. O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro atribuiu a ela parte de sua derrota eleitoral, alegando que perdeu votos por causa do episódio.

    Condenação anterior e prisão na Itália

    Este novo julgamento ocorre em um momento crítico da trajetória da parlamentar. Em maio, Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por participação na tentativa de invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em colaboração com o hacker Walter Delgatti. Ela tentou inserir documentos falsos, incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

    Após a condenação, Zambelli fugiu do Brasil e foi localizada na Itália, onde passou a integrar a lista de foragidos da Interpol. Na última terça-feira (29), foi presa em Roma e levada à penitenciária feminina de Rebibbia, onde permanece sob custódia enquanto aguarda o desfecho do pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. Durante a fuga, ainda nos Estados Unidos, Zambelli chegou a afirmar que seria “intocável” na Itália por possuir cidadania italiana.

    A Quarta Seção do Tribunal de Roma decidiu, nesta sexta-feira (1º), manter Zambelli presa até a análise de seu recurso. O pedido de soltura apresentado pela defesa será examinado apenas em meados de agosto. A Procuradoria de Roma defendeu a manutenção da custódia, citando a repercussão internacional do caso e os tratados de cooperação entre os dois países.

    Processo de extradição e perda do mandato

    A extradição da deputada está sendo acompanhada pela Advocacia-Geral da União (AGU), a pedido do ministro Alexandre de Moraes, que determinou atenção especial ao caso. O processo depende de parecer favorável do Judiciário italiano e da posterior autorização do Ministério da Justiça da Itália.

  • Proposta prevê atendimento preferencial a mães cuidadoras e responsáveis por autistas

    Proposta prevê atendimento preferencial a mães cuidadoras e responsáveis por autistas

    Tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 3493/2025, que prevê prioridade de atendimento a mães e cuidadores de pessoas com deficiência ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em órgãos da administração pública federal e em instituições privadas que prestem serviços de relevância pública, como bancos, hospitais, escolas e concessionárias.

    A proposta foi apresentada pelos deputados Dr. Fernando Máximo (União Brasil-RO) e Dr. Ismael Alexandrino (PSD-GO) e reconhece o impacto da sobrecarga física, emocional e social vivida por quem exerce esse tipo de cuidado contínuo.

    Projeto prevê atendimento preferencial a mães cuidadoras.

    Projeto prevê atendimento preferencial a mães cuidadoras.Freepik

    O texto define como prioridade o acesso preferencial a filas, tratamento humanizado, espaços adequados de espera e canais especializados de atendimento, sempre que possível tecnicamente.

    “Milhões de pessoas com deficiência ou com TEA dependem integralmente do cuidado de familiares, em especial de suas mães. Estas, muitas vezes, abdicam de sua vida profissional, enfrentam sobrecarga emocional, isolamento social e dificuldades para acessar serviços públicos essenciais”, justificam os autores.

    Definições e implementação

    Pela proposta, cuidador é qualquer pessoa, designada formalmente ou não, que preste assistência direta ou indireta à pessoa com deficiência ou TEA, em casa ou em instituições. Já “mãe cuidadora” é aquela que se responsabiliza de forma exclusiva ou majoritária pelos cuidados do filho nessa condição.

    A comprovação da condição poderá ser feita por meio de laudos médicos, cadastros em programas sociais ou documentos equivalentes. O texto também autoriza o Poder Público a criar políticas complementares de apoio psicológico, jurídico e socioeconômico para esses cuidadores.

    Inspirado em uma lei aprovada no estado do Amazonas, o projeto adapta a medida à esfera federal e reforça os princípios da dignidade humana, da proteção à maternidade e da inclusão, previstos na Constituição e em legislações como o Estatuto da Pessoa com Deficiência e a Lei Berenice Piana, que trata dos direitos de pessoas com TEA.

    A proposta ainda aguarda designação de relator e distribuição nas comissões temáticas da Câmara.

  • Retorno do Congresso: saiba como funcionam os recessos parlamentares

    Retorno do Congresso: saiba como funcionam os recessos parlamentares

    A Câmara dos Deputados e o Senado se preparam para retornar às atividades legislativas na próxima semana. O recesso parlamentar, no entanto, acabou nesta sexta-feira (1º), pelo menos regimentalmente. Apesar de ser previsto pela Constituição Federal, o recesso parlamentar nem sempre segue os requisitos. Quando isso acontece, como neste ano, é considerado um recesso informal, chamado de “recesso branco”.

    Conforme o artigo 57 da Constituição, as sessões do Congresso Nacional começam em 1º de fevereiro e vão até 17 de julho, e são retomadas em 1º de agosto e continuam até 22 de dezembro. As datas, porém, são transferidas para o primeiro dia útil quando caem em sábado, domingo ou feriado.

    Uma condição necessária para o início do recesso parlamentar é a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o próximo ano. Ou seja, a sessão legislativa não pode ser interrompida sem a aprovação do referido projeto. O Executivo envia ao Congresso, anualmente, o projeto da LDO até 15 de abril.

    A lei dispõe sobre metas e prioridades da administração pública federal no Orçamento. Para isso, estabelece diretrizes de política fiscal e respectivas metas, em consonância com trajetória sustentável da dívida pública. Além disso, orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), versa sobre as alterações na legislação tributária e estabelece a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.

    Quando a Comissão Mista de Orçamento (CMO) não aprova a LDO no prazo regimental proposto pela Constituição, ainda há possibilidade de decretar o recesso. Nesses casos, em razão da ausência de aprovação, o período é chamado de “recesso branco”. O mesmo vale para a aprovação da LOA até 22 de dezembro, quando exarado o prazo para devolver o projeto ao Executivo, o recesso também é considerado informal.

    Congresso Nacional.

    Congresso Nacional.Carlos Moura/Agência Senado

    Câmara dos Deputados

    Durante o recesso, a ala bolsonarista da Câmara dos Deputados apresentou pedidos à Mesa Diretora pedindo pelo retorno das atividades, uma vez que a LDO não foi aprovada. A intenção dos parlamentares liderados por Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), no entanto, foi motivada pela ação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Contrariando ordens do presidente da Casa, deputados bolsonaristas, inclusive, realizaram sessão na Comissão de Segurança Pública para aprovar moção de louvor ao ex-mandatário. O presidente do colegiado, deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), argumentou que o recesso não tinha validade regimental.

    “O recesso parlamentar somente ocorre quando a LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] é votada. Essa votação não aconteceu. Nós estamos em um recesso branco. Durante esse período, é possível a convocação das reuniões das comissões”, afirmou o deputado.

    Apesar de a reunião ter sido concluída com a aprovação da moção, esta não possui validade legal, tendo em vista que a reunião aconteceu fora dos termos regimentais. Terminado o recesso, a Câmara dos Deputados já retorna aos trabalhos legislativos efetivamente na segunda-feira (4). O Senado, por sua vez, também agendou reunião para a data, mas ainda não divulgou a pauta da sessão.

  • Datafolha: 48% defendem prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe

    Datafolha: 48% defendem prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe

    A possibilidade de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda divide os brasileiros. Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada na edição deste sábado (2) da Folha de S.Paulo mostra que 48% dos entrevistados são favoráveis à prisão de Bolsonaro por seu envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Outros 46% acreditam que ele não deveria ser preso, e 6% preferem não opinar.

    Mesmo diante desse empate técnico, a maioria (51%) acredita que Bolsonaro escapará da cadeia. Apenas 40% acham que ele será condenado. A percepção pública sobre o desfecho do julgamento, marcado para setembro no Supremo Tribunal Federal (STF), pouco mudou desde abril, quando os índices eram de 52% e 41%, respectivamente.

    STF impôs uso de tornozeleira eletrônica em Bolsonaro diante da suspeita de que ele poderia fugir do país antes de julgamento.

    STF impôs uso de tornozeleira eletrônica em Bolsonaro diante da suspeita de que ele poderia fugir do país antes de julgamento.Gabriela Biló/Folhapress

    Condenação ou absolvição?

    Bolsonaro será julgado sob a acusação de ter liderado uma articulação golpista para se manter no poder, mesmo após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 2022. Segundo a Procuradoria-Geral da República, a conspiração envolveu aliados políticos e setores das Forças Armadas, culminando nos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

    Se condenado, o ex-presidente poderá pegar de 12 a 43 anos de prisão. Ele nega todas as acusações. O julgamento pode começar no próximo mês.

    Crise internacional e apoio de Trump

    O julgamento ocorre em meio a uma crise diplomática com os Estados Unidos. O presidente americano Donald Trump, aliado ideológico de Bolsonaro, declarou apoio ao brasileiro e acusou o Judiciário brasileiro de perseguição política. Como retaliação, impôs tarifas mais altas sobre produtos brasileiros. A cúpula dos Três Poderes, no Brasil, reagiu.

    A movimentação de Trump tem sido articulada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, que se mudou para os Estados Unidos para liderar uma campanha internacional por anistia. Eduardo é investigado por obstrução de Justiça. Por determinação do Supremo, Jair Bolsonaro usa uma tornozeleira eletrônica para monitorar seus passos diante da suspeita de que ele poderia fugir do país.

    Traição à pátria

    O caso também gerou reações contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF. Moraes teve seu visto americano revogado e passou a ser alvo de uma lei dos EUA que permite congelar bens de estrangeiros acusados de violar direitos humanos, uma sanção normalmente reservada a ditadores e criminosos de guerra. Em forte pronunciamento nessa sexta, Moraes acusou Eduardo, mesmo sem citar o nome do parlamentar, de “traidor da pátria”, “covarde” e “pseudo-patriota”.

    A pesquisa também revela que o apoio ou rejeição à prisão de Bolsonaro segue linhas ideológicas e regionais. Defendem mais sua prisão os brasileiros de baixa renda (até dois salários mínimos), os moradores do Nordeste e os eleitores petistas. Já entre os que se opõem à prisão, predominam evangélicos, moradores da região Sul, bolsonaristas e eleitores de classe média mais baixa.

    Bolsonaro é acusado de liderar uma trama golpista para impedir a posse ou destituir o presidente Lula. O plano, segundo as investigações, incluía até o assassinato do presidente eleito, do vice, Geraldo Alckmin, e do ministro Alexandre de Moraes.

    A caminho do desfecho

    O STF encerrou na segunda-feira (28) o interrogatório de 31 réus. Com o fim dos interrogatórios, a Corte encerra a instrução das ações penais dos núcleos 1, 2, 3 e 4 da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra os acusados da tentativa de golpe do Estado no país para reverter o resultado das eleições de 2022.

    “Ainda este semestre nós julgaremos todos os responsáveis. Absolvendo aqueles onde não houver prova de responsabilidade, condenando aqueles onde houver prova. Mas julgando, exercendo nossa função jurisdicional. E não nos acovardando em virtude de ameaças seja daqui ou de qualquer outro lugar”, disse Alexandre de Moraes nessa sexta-feira.

  • Zucco propõe criação de fundo para financiar proteção de animais

    Zucco propõe criação de fundo para financiar proteção de animais

    O deputado federal Zucco (PL-RS) quer criar o Fundo Nacional para o Bem-Estar Animal (Funbea). Para isso, apresentou o projeto de lei 3441/2025, que tem como objetivo centralizar e financiar políticas públicas voltadas ao cuidado, acolhimento e proteção de animais domésticos, silvestres e de produção em todo o país.

    Segundo o texto, o fundo será vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária e poderá ser utilizado para campanhas de castração e vacinação, resgate em situações de maus-tratos ou desastres, construção de abrigos e apoio técnico e financeiro a municípios e organizações da sociedade civil.

    Proposta de Zucco prevê socorro a animais em desastres e apoio a ONGs e municípios.

    Proposta de Zucco prevê socorro a animais em desastres e apoio a ONGs e municípios.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    A justificativa do projeto cita as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul em 2024 como motivação principal. O parlamentar afirma que faltaram estrutura, recursos e planejamento público para o socorro de animais afetados por eventos climáticos extremos.

    “As trágicas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 deixaram uma marca indelével na população e revelaram a ausência de uma estrutura pública adequada para proteger os animais em contextos de desastres naturais”, afirma Zucco na justificativa do projeto.

    Financiamento e gestão

    Caso seja sancionado, o Funbea contará com recursos do orçamento da União, multas ambientais, doações nacionais e estrangeiras, transferências de outros fundos públicos, convênios com organizações internacionais e outras fontes previstas em lei.

    Entre os objetivos do fundo estão:

    • Financiamento de campanhas educativas e de conscientização;
    • Acolhimento de animais vítimas de violência ou abandono;
    • Apoio emergencial a cidades em calamidade pública;
    • Construção e manutenção de centros públicos de acolhimento;
    • Incentivo a ONGs que atuam na causa animal.

    A proposta também determina que o Poder Executivo regulamente o funcionamento do fundo em até 90 dias após a promulgação da lei.