O presidente Lula (PT) acompanha, neste domingo (3), em Brasília, a posse de Edinho Silva como novo presidente do partido no último dia do 17º Encontro Nacional do PT. Assista à transmissão:
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O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado para relatar uma ação que busca impedir que instituições financeiras que atuam no Brasil cumpram sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, com base na chamada Lei Magnitsky. A iniciativa é do líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), e tem como objetivo evitar bloqueios de contas bancárias e cartões de crédito de Moraes por bancos vinculados ao sistema financeiro internacional.
A ação foi apresentada após Moraes ser incluído na lista de sanções do governo norte-americano sob alegações previstas na Lei Magnitsky, norma que permite penalizar estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. As punições envolvem congelamento de bens e restrições ao uso de serviços financeiros sob jurisdição dos EUA. No Brasil, a preocupação é que a decisão provoque efeitos colaterais por meio de bancos com operações conectadas ao sistema financeiro norte-americano.
Na petição enviada ao STF, Lindbergh alerta para o risco de que instituições financeiras brasileiras sejam pressionadas a cumprir medidas adotadas unilateralmente por autoridades estrangeiras, contrariando a Constituição e a soberania nacional. Ele pede que o Supremo declare a impossibilidade de qualquer banco ou operadora aplicar, direta ou indiretamente, as sanções definidas pela legislação americana.
O argumento central da ação é que nenhuma autoridade brasileira pode sofrer consequências jurídicas no país por decisões externas que não tenham sido validadas pela Justiça nacional. “Cabe ao STF reafirmar de forma clara a ineficácia dessas sanções dentro do território brasileiro”, defende o parlamentar.
Zanin, que também preside a Primeira Turma do STF, já encaminhou o caso para manifestação da Procuradoria-Geral da República. O processo foi distribuído por sorteio eletrônico, conforme determina o regimento da Corte.
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A deputada Denise Pessôa (PT-RS) apresentou à Câmara o projeto de lei 3634/2025, que cria a Política Nacional de Proteção Integral a Mulheres e Crianças em Situação de Violência Doméstica. A proposta foi protocolada prevê ações intersetoriais para garantir acolhimento, segurança e autonomia às vítimas.
O texto determina a criação de abrigos sigilosos, com segurança 24 horas, onde serão oferecidos serviços como atendimento psicológico individual e em grupo, apoio jurídico, capacitação profissional, alfabetização, espaço para convivência infantil e acesso articulado à rede pública de saúde.
Pela proposta, mulheres poderão ser encaminhadas aos abrigos por Delegacias da Mulher, unidades de saúde, Conselhos Tutelares, escolas, além de órgãos como Ministério Público, Judiciário e Defensoria Pública. Os locais deverão seguir as diretrizes do SUS e da Política Nacional de Assistência Social, com foco no atendimento humanizado e contínuo.
Argumentos da autora
A autora afirma que a violência doméstica “compromete não apenas a integridade das vítimas no momento imediato da agressão, mas também sua saúde de forma prolongada, por afetar o equilíbrio emocional, a autonomia econômica, os vínculos sociais e o desenvolvimento integral das crianças expostas”.
Ela defende que o Estado deve oferecer “respostas efetivas que não se limitem à responsabilização do agressor, mas que ofereçam condições reais de proteção, cuidado e reconstrução da vida das vítimas”. Por isso, propõe a articulação entre áreas como saúde, assistência social, segurança e educação.
A deputada avalia que a criação da política “representa uma estratégia fundamental para garantir a ruptura do ciclo da violência e evitar sua perpetuação intergeracional”, ao reforçar o papel do Estado “na prevenção de agravos e na reconstrução de trajetórias de vida interrompidas pela violência”.

Os governadores do Consórcio Nordeste agendaram um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, para tratar das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.
Diante do anúncio, o consórcio iniciou uma articulação emergencial com a APEXBrasil e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com o objetivo de salvaguardar os setores produtivos da região e mitigar os impactos negativos na economia e no emprego nos estados nordestinos.
A iniciativa busca um alinhamento estratégico com o governo federal em relação às medidas a serem implementadas para enfrentar o aumento das tarifas. Os encontros estão programados para os dias 5 e 6 da próxima semana.
De acordo com a articulação dos governadores nordestinos, as tarifas norte-americanas afetam diretamente cadeias produtivas cruciais da região, como fruticultura, apicultura, setor têxtil, calçadista, metalmecânico e indústria automotiva. “O Nordeste não assistirá passivamente ao impacto dessas medidas. Estamos somando forças com a APEXBrasil e o MDIC para garantir a proteção dos nossos empregos, das nossas empresas e da nossa capacidade produtiva”, declarou o presidente do Consórcio Nordeste, o governador do Piauí, Rafael Fonteles.
A articulação informou que está conduzindo um mapeamento técnico dos impactos por estado e por setor, estimando perdas econômicas e identificando empresas e produtos atingidos. A proposta é articular novos mercados, reforçar a capilaridade das exportações e conectar os produtos nordestinos a novas rotas internacionais.
Segundo agenda divulgada pelo consórcio, na terça pela manhã, os governadores participarão na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, onde o presidente Lula debaterá o impacto das tarifas americanas. Na sequência, na parte da tarde, será realizada a Assembleia Geral do Consórcio Nordeste. Já na quarta-feira, haverá uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. “Defender a economia do Nordeste é defender o Brasil. E é com esse espírito que estamos somando forças”, concluiu Rafael Fonteles.

A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, realizada nos dias 29 e 30 de julho, revela que o presidente Lula (PT) lidera todos os cenários de primeiro turno na disputa presidencial de 2026. Mesmo com uma ligeira oscilação positiva, o petista abriu vantagem mais nítida sobre os nomes mais fortes da oposição – o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se encontra inelegível, seus filhos, e os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho Jr. (PSD-PR).
A pesquisa entrevistou 2.004 eleitores em 130 municípios e tem margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento indica uma lenta recuperação de Lula no cenário eleitoral, mesmo sem registrar melhora significativa na avaliação de governo. A mudança, segundo o Datafolha, pode estar ligada ao desgaste da oposição com o alinhamento a Donald Trump, que recentemente impôs tarifas de importação de 50% sobre produtos brasileiros, alegando perseguição a Bolsonaro.
Lula cresce frente a Bolsonaro e à família
Embora Jair Bolsonaro esteja inelegível, seu nome segue sendo testado no Datafolha – como ocorreu com Lula em 2018 – e ainda aparece como principal referência da direita. Em relação à última pesquisa, Lula ampliou sua vantagem sobre o ex-presidente de 39% a 33% (cinco pontos a mais que o cenário anterior).
Nos confrontos com os filhos de Bolsonaro, a vantagem de Lula também é expressiva: ele marca 39% contra 20% de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e 40% contra 18% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Michelle Bolsonaro (PL-DF), cotada como alternativa eleitoral no campo bolsonarista, é derrotada por 39% a 24%.
Tarcísio e Ratinho Jr.
Sem Bolsonaro no páreo, Tarcísio de Freitas desponta como o principal nome oposicionista. No primeiro turno, ele aparece com 21% contra 38% de Lula – um cenário de estabilidade em relação à rodada anterior. No segundo turno, a disputa é mais apertada: Lula tem 45%, e Tarcísio, 41%, uma diferença no limite da margem de erro.
Outro nome com desempenho relevante é o do governador Ratinho Jr., do Paraná. Ele surge com 40% no segundo turno contra Lula, que marca 45%. Essa é a primeira vez que o nome do governador paranaense aparece no Datafolha em um cenário presidencial, sinalizando potencial competitivo. Sua boa colocação pode estar atrelada à popularidade do pai, o apresentador Ratinho, e à baixa rejeição nacional.
Caiado e Zema
Outros governadores de direita cotados para a sucessão presidencial aparecem com desempenho mais fraco diante do presidente. Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) perde de 47% a 35%, enquanto Romeu Zema (Novo-MG) é derrotado por 46% a 36%. Isso indica que o grau de conhecimento nacional e o desempenho local ainda pesam fortemente nas intenções de voto.
Haddad e Alckmin
O Datafolha também testou os nomes de Geraldo Alckmin e Fernando Haddad no lugar de Lula. Em um eventual segundo turno, Tarcísio derrotaria Fernando Haddad (PT) por 43% a 37% e teria uma vantagem numérica (embora em empate técnico) sobre Geraldo Alckmin (PSB), por 40% a 38%.
Rejeição elevada marca os líderes da polarização
Lula e Bolsonaro continuam sendo os nomes mais lembrados de forma espontânea: o petista tem 22% das menções, e o ex-presidente, 17%. Contudo, ambos enfrentam rejeição elevada – 47% para Lula e 44% para Bolsonaro -, índices que, embora comuns em figuras polarizadoras, representam obstáculos importantes para a formação de maiorias amplas.
Já os governadores menos expostos nacionalmente têm rejeição consideravelmente menor: Tarcísio (17%), Ratinho Jr. (21%) e Zema (22%). Esse dado pode beneficiar nomes novos na disputa caso o cenário de 2026 mantenha-se em aberto.
Governo Lula é reprovado por 40%, e aprovação é de 29%, diz Datafolha

Tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 3.633/2025, que propõe a criação do Dia Nacional da Parentalidade, a ser celebrado anualmente em 1º de junho. A proposta é de autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e tem como objetivo promover a valorização do papel de pais, mães e demais responsáveis no desenvolvimento de crianças e adolescentes.
A data escolhida acompanha a celebração internacional instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Global Day of Parents. A proposta tramita com base na lei 12.345/2010, que regulamenta a criação de datas comemorativas no país.
Na justificativa do projeto, a deputada argumenta que o reconhecimento da parentalidade, como prática cotidiana de cuidado, educação e proteção, é um passo importante para o fortalecimento das famílias e da rede de apoio à infância e à adolescência. O conceito, conforme descrito na proposta, não se restringe aos vínculos biológicos, abrangendo qualquer relação que envolva responsabilidade afetiva e educacional.
A parlamentar defende que a instituição da data poderá estimular ações de conscientização e políticas públicas voltadas à promoção da parentalidade positiva, com impactos diretos sobre o bem-estar e o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.
A elaboração do projeto foi precedida de audiência pública realizada em 15 de julho de 2025 na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família (CPASF). O encontro reuniu representantes de organizações da sociedade civil e especialistas na área da infância.
Entre os participantes estavam Rodolfo Canônico (Family Talks), Jessica Gimenes (Instituto IPA Brasil) e Márcia Cristina Machado de Oliveira (Rede Nacional da Primeira Infância). Eles destacaram a importância da data para o incentivo à parentalidade consciente, à formação de vínculos saudáveis e à promoção de ambientes seguros e afetivos para crianças e adolescentes.
O projeto agora aguarda designação de relatoria nas comissões temáticas competentes.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (1º) que Luiz Inácio Lula da Silva pode ligar para ele “quando quiser”. A declaração foi dada a repórteres no jardim da Casa Branca, em meio à repercussão do tarifaço imposto a produtos brasileiros. “Vamos ver o que acontece, eu amo o povo brasileiro. As pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”, disse Trump.
Questionado nesta sexta (1º) por jornalistas na Casa Branca sobre a possibilidade de negociações com o Brasil a respeito das tarifas de importação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o presidente Lula pode ligar a ele “quando quiser”. Esta é a primeira sinalização do republicano sobre a possibilidade de diálogo com o governo brasileiro.
“Vamos ver o que acontece, eu amo o povo brasileiro. As pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”, complementou. Apesar da abertura, ressaltou sua postura em discordância com o Executivo brasileiro. “As pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”, afirmou.
A fala se deu após reiteradas cobranças do presidente Lula por uma abertura formal de negociação por parte dos norte-americanos. “Pedi para entrar em contato. Designei meu vice-presidente, meu ministro da Agricultura, meu ministro da Economia [] Até agora, não foi possível”, afirmou Lula a jornalistas na terça-feira (29), no Palácio da Alvorada.

O ano de 2025 tem sido marcado por embates intensos no Congresso Nacional, com sessões interrompidas por tumultos, trocas de acusações entre parlamentares e necessidade de intervenção institucional. A seguir, os cinco episódios que mais repercutiram no Plenário e em comissões parlamentares até agora.
Assista ao vídeo:
1. Cassação de Glauber Braga provoca tumulto no Conselho de Ética
A sessão do Conselho de Ética da Câmara que aprovou o parecer pela cassação do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), foi marcada por confusão. O parlamentar é acusado de quebra de decoro por ter agredido um militante do MBL dentro da Câmara, em abril de 2024.
Deputados aliados de Braga alegaram irregularidades no encerramento das discussões e protestaram contra o andamento do processo. O relator Paulo Magalhães (PSD-BA) manteve seu voto pela cassação e criticou a condução da reunião: “Diante dessa algazarra e essa balbúrdia, eu mantenho meu relatório”.
2. Tumulto entre Fernando Haddad e deputados da oposição em comissão conjunta
Em 11 de junho, uma audiência com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nas comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle, terminou em tumulto. O ministro classificou como “molecagem” a conduta dos deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG), que deixaram a sessão após questioná-lo e retornaram em seguida para rebater a crítica.
Jordy respondeu com um “moleque é você”, enquanto Nikolas alegou cerceamento de sua participação. A sessão se tornou incontrolável, e o presidente do colegiado, Rogério Correia (PT-MG), encerrou os trabalhos após tentativas frustradas de retomada da ordem.
3. Marcos Rogério manda Marina Silva “se pôr no lugar” em comissão no Senado
Em reunião da Comissão de Infraestrutura, o senador Marcos Rogério (PL-RO) dirigiu-se à ministra Marina Silva com a frase: “se ponha no seu lugar”, ao intervir em discussão entre a ministra e o senador Omar Aziz (PSD-AM).
A declaração foi rebatida por Eliziane Gama (PSD-MA), que apontou um possível viés sexista na fala. Marcos Rogério negou a acusação. O embate só foi encerrado após intervenção do senador Chico Rodrigues (PSD-RR), que apelou por tranquilidade entre os presentes.
4. Hugo Motta e Carlos Jordy se enfrentam durante votação da PEC dos Precatórios
Durante a votação em segundo turno da PEC dos Precatórios, em 15 de julho, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) trocaram farpas após Jordy questionar a retirada de um destaque sem, segundo ele, a anuência da liderança do PL.
Motta respondeu que a medida havia sido autorizada pelo líder do partido e rejeitou o tom de cobrança do parlamentar. “Eu não funciono na base da ameaça. O senhor orienta como quiser”, afirmou o presidente. O clima se acirrou, mas a votação foi concluída com aprovação da proposta, que seguiu para o Senado.
5. Discussão entre Kim Kataguiri e Célia Xakriabá termina com ação da Polícia Legislativa
Durante a votação do novo Código de Licenciamento Ambiental, na madrugada de 17 de julho, os deputados Kim Kataguiri (União-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG) protagonizaram um dos episódios mais tensos do ano. Após trocas de críticas em plenário, a discussão escalou quando a deputada chamou Kataguiri de “deputado estrangeiro”, ao que ele respondeu com referência irônica ao cocar usado por ela, associando-o a um “pavão asiático”.
A deputada classificou a fala como um ato de “racismo televisionado”. Já Kataguiri afirmou que foi atacado fisicamente e que a parlamentar “perdeu o controle”. O clima de tensão exigiu a entrada da Polícia Legislativa para evitar confronto físico direto.

A expectativa do Planalto de que a crise diplomática com os Estados Unidos trouxesse ganhos políticos imediatos para o presidente Lula ainda não se confirmou. É o que indica pesquisa Datafolha realizada nos dias 29 e 30 de julho, que mostra que a avaliação do governo permanece estável: 40% dos brasileiros reprovam a gestão, enquanto 29% aprovam.
Os números praticamente repetem os da rodada anterior, feita em junho, quando Lula registrava 28% de ótimo ou bom e os mesmos 40% de ruim ou péssimo. A avaliação regular caiu de 31% para 29%, e apenas 1% dos entrevistados não opinou. Ao todo, foram ouvidos 2.004 eleitores em 130 cidades, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Trump
O levantamento foi realizado no auge do confronto diplomático entre os governos de Lula e Donald Trump. No dia (30), o último da realização do levantamento, o republicano aplicou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, retaliando o que classificou como perseguição judicial a seu aliado Jair Bolsonaro. Trump também sancionou o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que trata da tentativa de golpe de 2022.
Em resposta, o presidente brasileiro adotou um discurso enfático em defesa da soberania nacional.
Efeitos eleitorais ainda incertos
Por outro lado, a estratégia do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se apresenta como articulador das sanções junto ao governo dos Estados Unidos de desgastar Lula, também não se refletiu na popularidade do presidente.
Desde fevereiro, quando Lula atingiu sua pior avaliação (24% de ótimo/bom e 41% de ruim/péssimo), o governo conseguiu certa estabilização. Ainda assim, a aprovação segue abaixo da registrada em seus mandatos anteriores.
Quem aprova e quem desaprova
A pesquisa mostra que a aprovação de Lula se concentra em dois segmentos: entre os eleitores com menor escolaridade (42% de ótimo/bom) e na região Nordeste (38%). Já a rejeição é mais intensa entre eleitores de perfil bolsonarista, como:
Outra pesquisa
Na quinta-feira (31), pesquisa AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, mostrou ligeira recuperação da popularidade do presidente. O levantamento indica que 50,2% dos entrevistados aprovam a gestão, enquanto 49,7% a desaprovam.
Na pesquisa anterior, realizada em 13 de julho, os números mostravam o cenário inverso: 50,3% de desaprovação e 49,7% de aprovação. A virada ocorre dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. Esta, no entanto, foi a primeira vez este ano em que a aprovação ao governo superou a reprovação nas pesquisas do instituto.

A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), atualmente presa em Roma, na Itália, será julgada novamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, a Corte retoma, em 15 de agosto, o julgamento da ação penal em que Zambelli é acusada de perseguir, armada, o jornalista Luan Araújo, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
O julgamento virtual foi iniciado em março deste ano, mas acabou suspenso por um pedido de vista do ministro Nunes Marques. Antes da interrupção, o plenário já havia formado maioria pela condenação de Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto, além de 80 dias-multa.
Penas acumuladas
Caso a condenação na segunda ação penal seja confirmada e esgotados todos os recursos, Zambelli poderá perder o mandato parlamentar e cumprir, no total, até 16 anos de prisão. Ela só escapará da nova pena se algum dos ministros que votaram pela condenação mudar de posição, cenário considerado improvável diante da fuga da deputada para a Itália, onde buscava evitar o cumprimento de outra pena, de 10 anos, também imposta pelo STF. A Câmara deverá analisar em breve a cassação do mandato da parlamentar.
A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que a acusa dos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, votou pela condenação da deputada, sendo acompanhado por Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli – estes dois últimos anteciparam seus votos. Ainda restam votar os ministros Nunes Marques, André Mendonça, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Luiz Fux.
Em outubro de 2022, Zambelli perseguiu Luan Araújo pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma troca de provocações. Armada com uma pistola 9 mm, ela rendeu o jornalista dentro de uma lanchonete e o obrigou a se deitar no chão. O episódio, amplamente registrado por celulares, teve grande repercussão nacional e também provocou o isolamento de Zambelli dentro do bolsonarismo. O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro atribuiu a ela parte de sua derrota eleitoral, alegando que perdeu votos por causa do episódio.
Condenação anterior e prisão na Itália
Este novo julgamento ocorre em um momento crítico da trajetória da parlamentar. Em maio, Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por participação na tentativa de invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em colaboração com o hacker Walter Delgatti. Ela tentou inserir documentos falsos, incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Após a condenação, Zambelli fugiu do Brasil e foi localizada na Itália, onde passou a integrar a lista de foragidos da Interpol. Na última terça-feira (29), foi presa em Roma e levada à penitenciária feminina de Rebibbia, onde permanece sob custódia enquanto aguarda o desfecho do pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. Durante a fuga, ainda nos Estados Unidos, Zambelli chegou a afirmar que seria “intocável” na Itália por possuir cidadania italiana.
A Quarta Seção do Tribunal de Roma decidiu, nesta sexta-feira (1º), manter Zambelli presa até a análise de seu recurso. O pedido de soltura apresentado pela defesa será examinado apenas em meados de agosto. A Procuradoria de Roma defendeu a manutenção da custódia, citando a repercussão internacional do caso e os tratados de cooperação entre os dois países.
Processo de extradição e perda do mandato
A extradição da deputada está sendo acompanhada pela Advocacia-Geral da União (AGU), a pedido do ministro Alexandre de Moraes, que determinou atenção especial ao caso. O processo depende de parecer favorável do Judiciário italiano e da posterior autorização do Ministério da Justiça da Itália.