Autor: admin

  • PLP 108/2024: Entidades apontam riscos de judicialização e defendem ajustes

    PLP 108/2024: Entidades apontam riscos de judicialização e defendem ajustes

    O projeto de lei complementar (PLP) 108/2024, que regulamenta o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) no âmbito da reforma tributária, é visto por representantes do setor financeiro e do mercado de capitais como um avanço possível dentro do modelo do IVA dual. No entanto, pontos sensíveis da proposta ainda geram preocupações, sobretudo em relação ao contencioso administrativo e à coordenação entre as instâncias fiscalizatórias.

    O projeto, aprovado na Câmara dos Deputados e em análise no Senado, estabelece um contencioso administrativo próprio para o IBS, centralizado no Comitê Gestor do imposto. A medida é considerada um avanço em relação ao modelo atual, marcado pela multiplicidade de instâncias nas esferas estaduais e municipais. Ainda assim, representantes do setor destacam que a ausência de um contencioso unificado entre IBS (de Estados e municípios) e CBS (da União) poderá comprometer os efeitos pretendidos pela reforma.

    Cristiane Coelho, diretora jurídica da Fin – Confederação Nacional das Instituições Financeiras, reconhece que a proposta é compatível com a lógica do IVA dual adotada na emenda constitucional 132/2023. Segundo ela, “o PLP 108 é o PLP possível”, pois ao menos consolida um único processo administrativo para o IBS, reduzindo a fragmentação hoje existente, por exemplo, no ICMS e no ISS.

    Apesar disso, Cristiane aponta que a separação entre os contenciosos da CBS e do IBS tende a gerar conflitos de interpretação entre os fiscos. “Há o risco de decisões divergentes nos dois contenciosos, com consequências diretas para os contribuintes”, afirmou. O ponto crítico, segundo ela, é a composição do Comitê de Harmonização, instância prevista no PLP para lidar com conflitos de interpretação. “O Comitê hoje é composto apenas por representantes dos fiscos. Isso rompe com a tradição brasileira de participação paritária dos contribuintes, presente tanto no Carf quanto no contencioso do IBS.”

    A diretora da Fin defende alternativas para garantir essa representatividade: participação limitada de contribuintes nos temas de harmonização, ou a criação de uma câmara conjunta entre Carf e o Comitê Gestor do IBS. Na ausência dessa paridade, a tendência, segundo ela, é que temas sensíveis acabem migrando para o Judiciário.

    Outra preocupação levantada por Cristiane é quanto à organização da fiscalização. Ela aponta que, sem uma regra clara sobre o início e coordenação das fiscalizações, pode haver disputas entre unidades federativas para aplicar autuações primeiro, com vistas a receber os valores das multas. “Se não houver coordenação, podemos ter uma corrida entre fiscalizações simultâneas, o que é muito prejudicial”, afirmou.

    Além disso, a representante da Fin questiona os prazos curtos para manifestação dos contribuintes no processo administrativo. Segundo ela, a fixação de prazos exíguos somada à previsão de preclusão para a apresentação de provas documentais pode inviabilizar o pleno exercício do direito de defesa. “Produções contábeis e perícias às vezes envolvem dados de cinco anos atrás. A preclusão, como prevista, pode empurrar o contribuinte diretamente para o Judiciário.”

    Felipe Cabral, diretor-executivo de Relações Institucionais e Governamentais da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), reforça essa avaliação. Ele explica que a entidade participou ativamente das discussões legislativas e propôs medidas para evitar que o contencioso administrativo se torne uma instância meramente formal. “Propusemos medidas como o efeito suspensivo dos processos administrativos, direito de escuta aos contribuintes e harmonização interpretativa. Sem isso, a tendência é que os conflitos aumentem e migrem para o Judiciário, comprometendo a previsibilidade e a eficiência esperadas com a reforma.”

    A Abrasca também propõe que o projeto defina critérios mínimos para os autos de infração, reestruture as penalidades e promova a integração das fiscalizações. Segundo Cabral, o objetivo é garantir legitimidade e segurança jurídica às decisões administrativas, com redução dos custos judiciais e maior eficiência na arrecadação.

    O PLP 108/2024 está atualmente em análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A expectativa é que o parecer seja votado até o final de agosto. Caso aprovado, o texto pode ser sancionado ainda neste segundo semestre, viabilizando a implantação progressiva do novo modelo de tributação entre 2026 e 2032.

  • Programa Acredita Exportação se torna lei e beneficia microempresas

    Programa Acredita Exportação se torna lei e beneficia microempresas

    O Programa Acredita Exportação, concebido para estimular as exportações de micro e pequenas empresas por meio da restituição de tributos federais incidentes sobre a produção de bens destinados ao mercado internacional, foi sancionado pelo presidente Lula na segunda-feira (28)  e agora possui força de lei. A nova legislação foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (29).

    Originada do PLP 167/2024, de autoria do Poder Executivo Federal, a iniciativa permitirá que micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional possam, entre 2025 e 2026, apurar créditos para reaver parte dos tributos recolhidos ao longo da cadeia produtiva. O propósito central é impulsionar a competitividade dessas empresas no cenário global.

    Os empreendedores terão a prerrogativa de compensar ou reaver os valores pagos a título de PIS e Cofins sobre os insumos empregados na fabricação de produtos comercializados no exterior.

    O programa, com duração prevista de dois anos, antecipa os efeitos da reforma tributária já aprovada pelo Congresso Nacional. Adicionalmente, a nova legislação amplia de 30 para 90 dias o prazo para regularização fiscal de empresas do Simples que tenham sido notificadas em razão de pendências relacionadas a dívidas ou cadastros.

    No Senado, a matéria obteve aprovação unânime em Plenário no início de julho. O senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator do projeto, enfatizou que o programa corrige uma falha histórica no sistema tributário, que penalizava os empreendedores de menor porte, uma vez que os mecanismos de recuperação de créditos fiscais para exportação não beneficiavam de forma efetiva os integrantes do Simples.

    Porto de Santos.

    Porto de Santos.Divulgação/Porto de Sanros

    “O sistema tributário brasileiro prevê mecanismos de recuperação de créditos para a cadeia produtiva voltada à exportação. Porém, essa sistemática de creditação não alcançava as microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional”, afirmou.

    Conforme o senador, a vigência temporária do benefício, limitada a dois anos, justifica-se pelo fato de que o PIS/Pasep e a Cofins serão substituídos a partir de 2027, em conformidade com o cronograma estabelecido pela reforma tributária. A lei também promove alterações no Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), em vigor desde 2011. Esse programa restitui parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva de bens industrializados exportados, com o objetivo de incentivar as exportações.

    Atualmente, o percentual de devolução varia de 0,1% a 3% sobre o valor exportado, sendo definido pelo governo com base no tipo de bem. A partir da nova lei, esse percentual poderá variar também em função do porte da empresa. Com a instituição da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) pela reforma tributária, em substituição ao PIS e à Cofins, o Reintegra será extinto em 2027. Diante desse cenário, segundo Eduardo Braga, será necessária uma revisão específica para o tratamento das empresas do Simples naquele ano.

    A nova lei também introduz modificações em regimes aduaneiros especiais (como o Drawback e o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado – Recof), que permitem que empresas importem ou adquiram insumos no mercado interno com suspensão de tributos, no contexto da industrialização de produtos destinados à exportação. As isenções aplicáveis, sobretudo a produtos, serão estendidas aos serviços relacionados à exportação, como transporte, armazenagem, despacho aduaneiro e seguro de carga.

  • Cade aprova contrato de permuta entre Suzano e Eldorado Brasil

    Cade aprova contrato de permuta entre Suzano e Eldorado Brasil

    A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou, sem restrições, a permuta de madeira em pé entre a Suzano, uma das maiores fabricantes de derivados de papel na América Latina, e Eldorado Brasil, empresa entre as líderes na produção de celulose.

    A decisão foi publicada nesta terça-feira (29) no Diário Oficial da União. O parecer considera que a operação envolve ativos produtivos essenciais para a fabricação de celulose e não representa riscos à concorrência.

    Cade avalia que a permuta permite acesso a insumos de maior qualidade, favorecendo a competitividade do setor.

    Cade avalia que a permuta permite acesso a insumos de maior qualidade, favorecendo a competitividade do setor.Eldorado Brasil/Divulgação

    Segundo o parecer, a operação tende a elevar a eficiência das duas companhias no segmento de florestas plantadas, usado como base para a extração de madeira. A avaliação é de que a permuta permitirá acesso a insumos de melhor qualidade, favorecendo a competitividade no setor. Se não houver contestação nos próximos 15 dias, o negócio será considerado definitivamente aprovado.

    As empresas chegaram a questionar a necessidade de submeter a transação à autarquia. Argumentaram que se tratava de uma simples negociação de insumos, comparável à compra de frutas por uma fábrica de sucos. A área técnica discordou e ressaltou que a legislação prevê expressamente permutas como forma de aquisição relevante para o Cade.

    No entendimento do Cade, mesmo se tratando de insumos, a troca de madeira caracteriza ato de concentração por envolver ativos tangíveis com papel direto na produção, havendo a necessidade de notificação.

    A posse dos imóveis da Eldorado será transferida à Suzano em etapas, apenas nos locais necessários para o corte e transporte do material.

  • Gleisi diz que Eduardo não tem direito de continuar deputado: “Traíra”

    Gleisi diz que Eduardo não tem direito de continuar deputado: “Traíra”

    A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta terça-feira (29) que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) “não tem direito de continuar deputado”. As críticas da chefe da pasta miram a atuação do parlamentar nos Estados Unidos para articular sanções contra autoridades brasileiras.

    “Esse é o traíra, comete o crime de lesa-pátria. Não tem direito de continuar deputado pelo Brasil. Com certeza, eu espero que o Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados tome medidas para que esse traíra não possa mais representar nenhuma instituição brasileira”, disse Gleisi.

    Desde março deste ano, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos. O filho do ex-presidente licenciou-se do mandato para articular com parlamentares americanos sanções contra autoridades brasileiras como forma de pressionar a Justiça no julgamento de Jair Bolsonaro. Recentemente, a Casa Branca anunciou a revogação dos vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

    O deputado também subiu o tom ao afirmar em entrevista na última semana que os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União BrasilAP), podem sofrer sanções. “O Davi Alcolumbre não está nesse estágio ainda, mas certamente está no foco do governo americano. […] E também o Hugo Motta, porque na Câmara tem a novidade da lei da anistia”, declarou o parlamentar.

    Ministra Gleisi Hoffmann.

    Ministra Gleisi Hoffmann.Gil Ferreira/SRI

    “Traidor da pátria”

    Na última semana, o presidente Lula voltou a fazer críticas a Eduardo Bolsonaro. Antes, o chefe do Executivo já o havia chamado de “traidor da pátria”. Em evento em Osasco, Lula disse que o deputado está trocando o país pelo pai.

    O presidente ainda comparou a atuação contra o país com a figura histórica de Joaquim Silvério dos Reis, o responsável por trair Tiradentes durante a Inconfidência Mineira, no século XIX. “Isso é pior que Silvério dos Reis, porque ele traiu Tiradentes, mas esse cara está traindo a nação, o povo brasileiro”, afirmou Lula.

    Por fim, o chefe do Executivo ainda se dirigiu aos deputados Guilherme Boulos (Psol-SP) e Jilmar Tatto (PT-SP) para tomarem providências na Casa, uma vez que Eduardo Bolsonaro se licenciou do mandato para ficar nos Estados Unidos articulando sanções contra o país e autoridades brasileiras.

  • Foragida da Justiça, Carla Zambelli é presa na Itália

    Foragida da Justiça, Carla Zambelli é presa na Itália

    A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29) na Itália, segundo informou o Ministério da Justiça. A parlamentar havia fugido do Brasil após ser condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal no caso da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    A prisão foi possível graças ao deputado italiano Angelo Bonelli, que na véspera publicou em sua conta no X o endereço onde Zambelli estaria. Ele afirmou que a deputada se encontrava em um apartamento em Roma e que a polícia realizava sua identificação.

    Zambelli havia fugido à Itália após condenação no STF.

    Zambelli havia fugido à Itália após condenação no STF. Mário Agra/Câmara dos Deputados

    Confira a publicação que entregou a localização de Zambelli:

  • Com parlamentares e apoiadores, Bolsonaro participa de motociata

    Com parlamentares e apoiadores, Bolsonaro participa de motociata

    O ex-presidente Jair Bolsonaro participou nesta terça-feira (29) de motociata em Brasília. Ao lado dele estiveram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, deputados bolsonaristas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), pré-candidata ao governo da capital em 2026.

    Os motociclistas apoiadores do ex-mandatário partiram do evento Capital Moto Week, localizado na Granja do Torto, e seguiram até a Esplanada dos Ministérios, distante 13 km do ponto inicial. À frente dos motociclistas, um carro de som, onde estava Jair Bolsonaro e demais figuras políticas, puxava a motociata, com discursos de parlamentares e de Michelle.

    Veja o vídeo: 

    O ex-presidente não fez declarações em cima do carro. Segundo ele, para cumprir as determinações impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em medidas cautelares. Na última semana, decisão do magistrado assegurou que Bolsonaro pode dar entrevistas, mas pode ser responsabilizado pela “viralização” do conteúdo caso as falas  reitere as práticas que deram origem à ação da Polícia Federal.

    Bolsonaro na motociata.

    Bolsonaro na motociata.KAYO MAGALHÃES/Agencia Enquadrar/Folhapress

    Por este motivo, Jair Bolsonaro tem adotado um tom mais cauteloso, sem dar entrevistas. Brevemente, nesta terça-feira, ao chegar na sede do PL, em Brasília, o ex-presidente disse que não daria entrevistas, mas adiantou que não poderia andar de moto por “medida restritiva da dona Michelle”. A ex-primeira-dama, de acordo com ele, desaconselhou em razão de cirurgia realizada em abril.

    Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro publicou vídeos da motociata e anúncio de venda de capacetes personalizados chamados de “capacete Bolsonaro”. Nas postagens do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), é possível ouvir músicas da campanha de Jair Bolsonaro. O perfil do ex-presidente não fez nenhuma postagem, uma vez que uma das medidas cautelares impostas é a proibição do uso de redes sociais.

  • Carla Zambelli será extraditada ao Brasil, diz PF

    Carla Zambelli será extraditada ao Brasil, diz PF

    A deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) será submetida a processo de extradição para o Brasil, conforme informou a assessoria de comunicação da Polícia Federal. A prisão ocorreu nesta terça-feira (29), em Roma, após articulação entre autoridades italianas, a PF e a Interpol. O pedido de extradição foi feito anteriormente pelo Ministério da Justiça.

    Zambelli é considerada foragida pela Justiça brasileira desde que deixou o país, em junho, após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão. A parlamentar foi sentenciada por coordenar uma invasão aos sistemas digitais do Conselho Nacional de Justiça, ao lado do hacker Walter Delgatti. A Corte também determinou a perda do mandato, ainda com análise pendente na Câmara dos Deputados.

    Parlamentar foi presa em Roma após articulação entre autoridades italianas e brasileiras, afirma PF.

    Parlamentar foi presa em Roma após articulação entre autoridades italianas e brasileiras, afirma PF.Nino Cirenza/Ato Press/Folhapress

    De acordo com a PF, a prisão “é resultado de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal, a Interpol e agências da Itália”. A deputada “será submetida ao processo de extradição, conforme os trâmites previstos na legislação italiana e nos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário”.

    Zambelli deixou o Brasil no fim de maio. Passou pelos Estados Unidos antes de se fixar na Itália, onde tem cidadania. No fim de semana, publicou um vídeo afirmando que vive como “exilada política” e alegando ser vítima de perseguição.

    A prisão ocorreu um dia após o deputado italiano Angelo Bonelli, que cobrava a execução da prisão da deputada desde a sua fuga à Europa, localizar o endereço onde ela estava hospedada e fornecê-lo às autoridades policiais. Ele também tinha solicitado a extradição da parlamentar.

  • Advogado afirma que Carla Zambelli se apresentou às autoridades

    Advogado afirma que Carla Zambelli se apresentou às autoridades

    O advogado Fabio Pagnozzi afirmou ao Congresso em Foco, nesta terça-feira (29), que a deputada Carla Zambelli (PL-SP) se apresentou às autoridades italianas. A informação contrasta com a inicial divulgada pelo Ministério da Justiça de que a parlamentar havia sido presa. O profissional, no entanto, não respondeu aos questionamentos sobre a motivação para se entregar neste momento.

    Condenada a dez anos de prisão e perda do mandato parlamentar por invasão hacker nos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Carla Zambelli deixou o Brasil em junho. Desde então, a parlamentar está foragida e, inclusive, foi incluída pela Interpol na lista vermelha de procurados.

    A localização de Zambelli foi revelada pelo deputado italiano Angelo Bonelli, que na véspera publicou em sua conta no X o endereço onde Zambelli estaria. Ele afirmou que a deputada se encontrava em um apartamento em Roma e que a polícia realizava sua identificação.

    Carla Zambelli.

    Carla Zambelli.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Relembre o caso

    Entre agosto de 2022 e janeiro de 2023, a dupla invadiu de maneira ilegal seis sistemas do Judiciário, incluindo o CNJ, em 13 ocasiões. Ambos são acusados de cometer violação de segredo profissional, falsificação ideológica e invasão de dispositivo informático com resultado em prejuízo econômico.

    A mando de Carla Zambelli, o hacker Walter Delgatti Neto inseriu no sistema do CNJ em 4 de janeiro de 2023 documentos falsos, como um mandado de prisão contra Alexandre de Moraes assinado pelo próprio ministro registrado no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). Além disso, na invasão pediam também a quebra do sigilo bancário de Moraes.

    Além da pena de prisão, o ministro Alexandre de Moraes propôs que os dois sejam condenados a pagar R$ 2 milhões por danos morais coletivos e fiquem inelegíveis. A perda do mandato de Zambelli deverá ser declarada pela Câmara dos Deputados.

  • Líder do PL, Sóstenes manifesta apoio a Zambelli e ataca o Judiciário

    Líder do PL, Sóstenes manifesta apoio a Zambelli e ataca o Judiciário

    O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, divulgou nesta terça-feira (29) nota em apoio de Carla Zambelli, presa na Itália. No documento, o parlamentar também acusou o Judiciário e denunciou o avanço de “um estado de exceção camuflado”.

    A nota da liderança do partido destaca, em primeiro lugar, a informação de que Carla Zambelli não foi presa pelas autoridades italianas, mas se entregou, conforme o advogado dela, Fabio Pagnozzi. Sóstenes afirma, ainda, que o movimento representa um passo para dar início ao pedido de asilo político.

    “Esse gesto, firme e consciente, não é ato de fuga. É a consequência direta de um país que tem negado a seus representantes eleitos o direito à liberdade, ao contraditório e à legítima defesa”, escreve o deputado.

    Para ele, o Brasil passa a testemunhar com perplexidade o “constrangimento diplomático” sobre o eventual pedido de asilo político. “Estamos testemunhando o avanço de um estado de exceção camuflado, onde o Judiciário concentra poderes que não lhe foram atribuídos pela Constituição. Julga, censura, legisla, investiga e pune”, afirma o deputado.

    Sóstenes Cavalcante.

    Sóstenes Cavalcante.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Conforme a Polícia Federal, a deputada será submetida a processo de extradição para o Brasil. Foragida desde junho, Zambelli foi condenada a dez anos de prisão e perda do mandato parlamentar por invasão hacker nos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    Veja abaixo a íntegra da nota:

    Relembre o caso

    Entre agosto de 2022 e janeiro de 2023, a dupla invadiu de maneira ilegal seis sistemas do Judiciário, incluindo o CNJ, em 13 ocasiões. Ambos são acusados de cometer violação de segredo profissional, falsificação ideológica e invasão de dispositivo informático com resultado em prejuízo econômico.

    A mando de Carla Zambelli, o hacker Walter Delgatti Neto inseriu no sistema do CNJ em 4 de janeiro de 2023 documentos falsos, como um mandado de prisão contra Alexandre de Moraes assinado pelo próprio ministro registrado no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). Além disso, na invasão pediam também a quebra do sigilo bancário de Moraes.

    Além da pena de prisão, o ministro Alexandre de Moraes propôs que os dois sejam condenados a pagar R$ 2 milhões por danos morais coletivos e fiquem inelegíveis. A perda do mandato de Zambelli deverá ser declarada pela Câmara dos Deputados.

  • Prefeito de Ribeirão quer multar comércios que promovem “pancadões”

    Prefeito de Ribeirão quer multar comércios que promovem “pancadões”

    O prefeito de Ribeirão Preto, Ricardo Silva (PSD), apresentou à Câmara Municipal o projeto de lei 307/2025, que responsabiliza administrativamente comércios fixos ou ambulantes que, por ação ou omissão, contribuam direta ou indiretamente para atividades que comprometam a saúde pública, o meio ambiente, o sossego, os bons costumes ou o direito de vizinhança.

    O projeto mira especialmente situações ligadas a eventos como “pancadões” e “bailes funks” realizados nas ruas, sobretudo nas imediações de adegas e estabelecimentos semelhantes. De acordo com o texto, locais que facilitarem ou deixarem de coibir aglomerações com poluição sonora, uso de entorpecentes ou obstrução de vias públicas poderão ser advertidos, multados em R$ 10 mil, interditados ou até ter o alvará cassado em casos de reincidência.

    Segundo o prefeito, a proposta é resultado de diálogo com forças policiais, entidades do comércio e representantes da sociedade civil: “A atuação da administração municipal será contundente em relação aos eventos irregulares em vias públicas, penalizando os estabelecimentos comerciais que de alguma forma promovam ou tolerem a concentração de público […] que resulte em poluição sonora, uso de entorpecentes, perturbação da ordem, obstrução de vias ou calçadas e riscos à segurança e à saúde pública“.

    Confira a íntegra do projeto.

    Projeto do prefeito Ricardo Silva prevê multa de até R$ 10 mil a comércios que facilitarem aglomerações com som alto e desordem.

    Projeto do prefeito Ricardo Silva prevê multa de até R$ 10 mil a comércios que facilitarem aglomerações com som alto e desordem.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Regras e fiscalização

    O projeto considera passível de punição estabelecimentos que:

    • permitirem consumo de bebidas ou substâncias que incentivem aglomerações;
    • deixarem de coibir som automotivo ou equipamentos sonoros; e/ou
    • não comunicarem irregularidades às autoridades.

    Caso seja aprovado, a fiscalização caberá à Fiscalização Geral do Município, com apoio da Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar e outros órgãos. Em caso de flagrante, o local poderá ser lacrado de imediato.

    Ricardo Silva também anunciou o veto integral ao projeto de lei 215/2025, de autoria do vereador Delegado Martinez, que regulamentava o funcionamento de adegas e tabacarias. Segundo o prefeito, a proposta foi barrada por recomendação da Procuradoria do Município.

    Projeto divide opiniões nas redes

    A proposta provocou reação de coletivos e vereadores nas redes sociais. Publicações destacaram que o projeto poderia resultar na criminalização da cultura das periferias e no cerceamento de atividades culturais como bailes funks e encontros juvenis em regiões com pouca oferta de lazer público. As críticas apontam ainda que o texto transfere para os comerciantes locais a responsabilidade pela segurança em áreas de vulnerabilidade social.

    Com a repercussão, Ricardo Silva também foi às redes para defender a proposta apresentada. “O que eles querem chamar de cultura na real é baderna com uso de drogas”, afirmou o prefeito.

    O projeto ainda precisa ser aprovado pelos vereadores para entrar em vigor. Ele não altera horários de funcionamento dos estabelecimentos, mas cria mecanismos para punir aqueles que, segundo o Executivo, contribuem para a desordem urbana.