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  • Oposição italiana acusa governo de Giorgia Meloni de proteger Zambelli

    Oposição italiana acusa governo de Giorgia Meloni de proteger Zambelli

    A fuga da deputada Carla Zambelli (PL-SP) para a Itália acirrou os ânimos entre a direita e a esquerda também no país europeu. As explicações do governo da direitista Giorgia Meloni para justificar por que não monitorou a parlamentar bolsonarista provocaram reação do deputado esquerdista italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde. Bonelli, que já morou no Brasil, foi o autor de um pedido de informações a respeito de Zambelli a três ministros do governo Meloni.

    Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália

    Giorgia Meloni, primeira-ministra da ItáliaBruno Santos/Folhapress

    Em resposta ao deputado, o Ministério do Interior alegou que não havia sido comunicado da ordem de prisão contra a brasileira quando ela entrou no país e que não sabe do seu paradeiro.

    “Uma pessoa procurada internacionalmente por crimes gravíssimos entrou livremente na Itália, e hoje o governo finge não saber onde ela está. O Ministério do Interior sabia perfeitamente que Zambelli estava chegando a Fiumicino [aeroporto], mas optou por não ativar nenhuma medida de vigilância. É uma vergonha inédita”, denunciou Bonelli em pronunciamento na Câmara.

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    Chegada antes do alerta vermelho

    O parlamentar afirmou ainda que informou oficialmente o governo italiano sobre a chegada de Zambelli com 36 horas de antecedência e que sua entrada no país já havia sido noticiada pela imprensa.

    Zambelli desembarcou no aeroporto de Roma no dia 5 de junho, às 11h40, vinda de Miami, com um passaporte italiano válido, emitido pelo consulado em São Paulo. No momento do desembarque, porém, a notificação da Interpol ainda não estava ativa. O alerta internacional foi incluído nos sistemas de busca apenas às 16h46 do mesmo dia.

    Esse intervalo de quase cinco horas entre a chegada da deputada e a ativação da “notificação vermelha” permitiu que ela cruzasse livremente a imigração. Desde então, está desaparecida e é considerada oficialmente foragida.

    Segundo o Ministério do Interior da Itália, nenhum antecedente constava nos sistemas nacionais e internacionais no momento da entrada, e, por isso, a polícia de fronteira não poderia agir.

    Laços

    Bonelli acusou o governo Meloni de favorecer bolsonaristas por causa de sua afinidade ideológica. O deputado citou a proximidade entre a Liga, partido ultraconservador que compõe a coalizão de governo, e os aliados do ex-presidente brasileiro.

    “É um disfarce político. Sabemos muito bem quais são os laços entre a Liga e o partido de Bolsonaro. Se fosse um jovem ativista da Ultima Generazione, seria monitorado. Mas uma ex-deputada condenada por crimes gravíssimos entra com passaporte italiano e desaparece sem qualquer controle”, afirmou.

    Pressão diplomática

    O Ministério Público da Itália foi acionado e, segundo o governo italiano, as buscas seguem com cooperação internacional com o Brasil. A Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais (Digos) de Roma também foi mobilizada, mas, até agora, Zambelli não foi localizada.

    O Itamaraty já deu início ao processo formal de extradição, atendendo à determinação do Supremo Tribunal Federal, para que ela comece a cumprir a pena de 10 anos de prisão por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça. 

    Durante o debate no Parlamento, Bonelli também criticou o governo Meloni por ter concedido cidadania italiana a Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. O governo confirmou o dado em resposta oficial ao deputado e informou que, ao contrário dos filhos, o ex-presidente ainda não solicitou cidadania.

    “É inaceitável que alguém diga: ‘tenho cidadania italiana, sou intocável. O governo Meloni está assumindo uma responsabilidade política e diplomática gravíssima”, concluiu Bonelli.

    Em entrevista à CNN Brasil, quando ainda estava nos Estados Unidos, Zambelli disse que ficaria “intocável” na Itália por ter, além da brasileira, a cidadania italiana. Com isso, segundo ela, o Brasil não poderia extraditá-la. O embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca, afirmou à GloboNews, nesta quinta-feira (12), que a brasileira poderá ser presa se for localizada em espaço público na Itália. Segundo ele, há vários precedentes de extradição de ítalo-brasileiros com condenação criminal, a exemplo da deputada.

  • PF descobre localização de Carla Zambelli na Itália

    PF descobre localização de Carla Zambelli na Itália

    A Polícia Federal (PF) já identificou o endereço da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) na Itália. A parlamentar deixou o Brasil após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos e 8 meses de prisão por crimes relacionados à invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à inserção de dados falsos em registros judiciais.

    A partir da inclusão do nome de Zambelli na difusão vermelha da Interpol – mecanismo que permite cooperação internacional para localização e prisão de pessoas procuradas – , autoridades italianas e brasileiras intensificaram a busca por seu paradeiro. A prisão da parlamentar agora depende da atuação da Justiça italiana, uma vez que o Brasil já formalizou o pedido de extradição.

    Na quinta-feira (12), o embaixador brasileiro na Itália, Renato Mosca, entregou o pedido de extradição ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Itália, conhecido como Farnesina. De acordo com Mosca, Zambelli pode ser presa a qualquer momento, com base em um mandado de prisão provisória expedido com fins extradicionais.

    O embaixador esclareceu, contudo, que a legislação italiana restringe a realização de prisões em locais considerados domicílios, o que inclui residências e hotéis. Apesar disso, ele afirmou que as autoridades locais acataram o pedido brasileiro e que a prisão poderá ocorrer dentro dos limites legais italianos.

    Leia também: Itália diz que busca Zambelli e que Bolsonaro não pediu cidadania

    Carla Zambelli.

    Carla Zambelli.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Condenação no Brasil

    Carla Zambelli foi condenada pelo STF pelos crimes de falsidade ideológica e invasão de sistema informático. A investigação apontou que, com o auxílio de terceiros, ela inseriu informações falsas no Banco Nacional de Mandados de Prisão, incluindo um mandado falso contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

    Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil por via terrestre, cruzando a fronteira com a Argentina. Em seguida, embarcou para os Estados Unidos e, posteriormente, viajou para a Itália. Ela está licenciada do cargo de deputada por 127 dias, sendo substituída na Câmara pelo suplente Coronel Tadeu (PL-SP).

  • Entenda quem é Gilson Machado, quarto ex-ministro preso de Bolsonaro

    Entenda quem é Gilson Machado, quarto ex-ministro preso de Bolsonaro

    A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (13) em Recife, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto. A ordem de prisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação aponta que Machado tentou obter um passaporte português para Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, para facilitar uma fuga clandestina do país.

    A tentativa teria ocorrido em 12 de maio deste ano, no consulado de Portugal na capital pernambucana. Segundo a Polícia Federal (PF), o documento permitiria que Cid deixasse o Brasil. O militar é réu e colaborador na ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022. O Ministério Público entendeu que a iniciativa representava possível obstrução de Justiça.

    Veterinário e sanfoneiro, Gilson se aproximou de Bolsonaro em 2018 e promoveu campanhas de arrecadação após o governo.

    Veterinário e sanfoneiro, Gilson se aproximou de Bolsonaro em 2018 e promoveu campanhas de arrecadação após o governo.João Carlos Mazella /Fotoarena/Folhapress

    Embora o passaporte não tenha sido expedido, a movimentação de Gilson foi considerada grave pelas autoridades. A PGR alegou que ele poderia tentar outros canais diplomáticos para alcançar o mesmo objetivo. O STF também autorizou medidas cautelares, como busca e apreensão e quebra dos sigilos telefônico e telemático do ex-ministro.

    Três dias antes de ser preso, Gilson Machado já havia negado as acusações. Disse que não havia sido intimado e que soube da investigação pela imprensa. Afirmou que esteve no consulado apenas para renovar o passaporte de seu pai.

    Da sanfona ao comando da Embratur

    Antes da política, Gilson atuou como empresário do setor turístico e como músico. É sanfoneiro da banda de forró Brucelose e se apresentou em mais de três mil eventos, segundo ele próprio. Ganhou notoriedade nacional ao participar das transmissões semanais de Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19, tocando músicas religiosas e populares.

    Veterinário por formação, Gilson é natural de Pernambuco e se aproximou do ex-presidente em 2018. Foi nomeado secretário de Ecoturismo do Ministério do Meio Ambiente e, em seguida, presidente da Embratur. Em dezembro de 2020, assumiu o Ministério do Turismo após a saída de Marcelo Álvaro Antônio, exonerado após conflito interno no governo.

    No cargo, permaneceu até março de 2022, quando se afastou para disputar uma vaga no Senado. Após o pleito, voltou à presidência da Embratur, nomeado por Bolsonaro. Permaneceu na estatal até janeiro de 2023, quando foi substituído por Marcelo Freixo no início do governo Lula.

    Campanhas eleitorais

    Na eleição de 2022, Gilson concorreu ao Senado por Pernambuco e obteve 1,3 milhão de votos. Foi derrotado por Teresa Leitão (PT), que teve mais de 2 milhões. Em 2024, tentou a prefeitura do Recife, novamente sem sucesso. Recebeu menos de 14% de votos, ficando atrás do candidato reeleito João Campos (PSB).

    Durante a campanha municipal, teve propagandas suspensas pelo Tribunal Regional Eleitoral. As peças divulgavam supostas irregularidades em creches públicas, sem comprovação. As decisões do TRE foram tomadas com base na legislação eleitoral que proíbe a veiculação de conteúdo enganoso.

    Em sabatina, Gilson afirmou que Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, prometeu ajudar o Recife. A declaração viralizou nas redes e reforçou seu alinhamento com o discurso bolsonarista. Mesmo fora do Executivo, manteve discurso combativo e presença ativa em atos e mobilizações.

    Arrecadações milionárias

    Após o fim do governo, Gilson manteve proximidade com Bolsonaro. Em 2023, liderou uma campanha de arrecadação por Pix, que reuniu R$ 17 milhões, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf). O valor seria usado para custear despesas médicas, passagens e a defesa jurídica do ex-presidente e seus familiares.

    Em maio de 2025, relançou a campanha com novos apelos por doações. Afirmou nas redes que mais da metade do valor já havia sido gasto e que Bolsonaro precisava de mais apoio. Disse ainda que parte da verba seria usada para ajudar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), licenciado e vivendo nos Estados Unidos.

    Em depoimento à PF, Bolsonaro declarou que a iniciativa partiu de Gilson, não dele. Eduardo agradeceu publicamente, mas recusou qualquer ajuda financeira. Parte do valor arrecadado teria sido usada pelo próprio Gilson e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, segundo informações prestadas pelo ex-presidente.

    Quarto ministro detido

    Gilson é o quarto ex-ministro do governo Bolsonaro a ser preso. Antes dele, foram detidos Braga Netto (Defesa), Anderson Torres (Justiça) e Milton Ribeiro (Educação). Os três são investigados por envolvimento em irregularidades durante o exercício do cargo ou por ações ligadas à tentativa de golpe.

    O ex-ministro já havia sido citado como figura próxima de Bolsonaro, inclusive em viagens e eventos. Durante o mal-estar intestinal do ex-presidente no Rio Grande do Norte, que mais tarde resultaria na sua internação hospitalar, Gilson Machado foi o primeiro a prestar socorro. A fidelidade a Bolsonaro foi uma constante desde o início de sua atuação no governo.

    A prisão de Gilson reforça o cerco judicial aos aliados mais próximos do ex-presidente. A nova frente de apurações mira possíveis tentativas de atrapalhar o andamento das investigações sobre os atos golpistas e o uso de estruturas paralelas para beneficiar figuras investigadas pela Justiça.

    Saiba mais: Gilson Machado é o quarto ministro de Bolsonaro a passar pela prisão. Veja a história dos demais.

  • Câmara quer acúmulo de salário e aposentadoria a parlamentares ativos

    Câmara quer acúmulo de salário e aposentadoria a parlamentares ativos

    Em meio às discussões sobre corte de gastos e com resistência às medidas de arrecadação propostas pelo Executivo, a Câmara dos Deputados propôs projeto de lei para permitir a acumulação de salários e aposentadoria por parte de parlamentares em atividade. Conforme a Mesa Diretora da Casa, autora do projeto, a medida visa modificar o regime de previdência parlamentar.

    Fachada do Congresso Nacional.

    Fachada do Congresso Nacional.Roque de Sá/Agência Senado

    O que propõe a matéria

    O projeto 2.809/2025 revoga artigo da lei que extinguiu o Instituto de Previdência dos Congressistas e instituiu o Plano de Seguridade Social dos Congressistas. De acordo com o referido trecho da lei, é vedado o recebimento de aposentadoria durante o mandato eletivo. Hugo Motta defendeu que o artigo cria um “tratamento desigual” em relação aos demais segurados dos regimes públicos de previdência.

    “Além do inconstitucional, a regra em vigor desestimula a continuidade da participação política dos cidadãos que já cumpriram integralmente os requisitos legais para a aposentadoria e seguem contribuindo para o regime. Ao afastar, sem justificativa legítima, a possibilidade de percepção simultânea dos benefícios legalmente adquiridos, o art. 10 representa um obstáculo à livre atuação parlamentar e ao pleno exercício da cidadania”, escreveu o presidente.

    Ele ainda pede que os parlamentares incluídos no Plano de Seguridade Social dos Congressistas também tenham o direito à gratificação natalina, que terá como base o valor dos proventos de dezembro de cada ano. Hugo Motta também detalha que a modificação beneficiará os parlamentares que são aposentados pelas regras do Instituto de Previdência dos Congressistas, extinto em 1997.

    Pedido de urgência

    Além de propor o projeto, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados também solicitou que os demais parlamentares aprovem a proposta “com a merecida urgência”. Esse pedido pode ensejar a protocolização de um requerimento de urgência, em que o texto poderá ter tramitação acelerada, sem precisar passar pelas comissões e ser analisado diretamente pelo plenário.

    “Confiante de que a proposta aperfeiçoa a legislação e garante a igualdade de tratamento, de acordo corn o principio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5, caput), que define que todos são iguais perante a Iei, rogamos aos nobres Pares para que a aprovem corn a merecida urgência”, diz trecho do projeto.

    Apesar disso, o projeto não detalha qual será o impacto orçamentário da medida que permite o acúmulo do salário dos parlamentares, atualmente fixado em R$ 46.366,19 bruto – valor do teto constitucional -, com as aposentadorias.

  • Ativista brasileiro desembarca em Guarulhos após prisão em Israel

    Ativista brasileiro desembarca em Guarulhos após prisão em Israel

    Nos Stories do Instagram, a chegada de Thiago Ávila na manhã desta sexta-feira em Guarulhos.

    Nos Stories do Instagram, a chegada de Thiago Ávila na manhã desta sexta-feira em Guarulhos.Reprodução/Instagram

    ativista brasileiro Thiago Ávila desembarcou no início desta manhã no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, após passar quatro dias preso em Israel. O brasiliense foi recebido pela esposa, Lara Souza, pela filha de um ano e cinco meses e por apoiadores, que gritavam palavras de ordem em defesa da Palestina. “Estou mais leve, aliviado e grato a Deus”, disse ao Congresso em Foco o aposentado Ivo de Araújo Oliveira Filho, pai de Thiago, que também viajou até São Paulo para recepcionar o filho. 

    Deportado nessa quinta-feira (12), Thiago foi preso no domingo (8), quando participava da Coalizão Flotilha da Liberdade, uma missão internacional que tentava romper o bloqueio marítimo imposto por Israel à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária à população palestina.

    A embarcação Madleen, que levava arroz, leite em pó e medicamentos, foi interceptada por forças navais israelenses ainda em águas internacionais, segundo os organizadores.

    Prisão e greve de fome

    Durante os dias de detenção, Thiago permaneceu na prisão de Givon, na região central de Israel, e chegou a ser colocado em regime de isolamento. Segundo a ONG Adalah, que presta apoio jurídico aos ativistas, ele sofreu ameaças de passar sete dias em uma cela solitária e enfrentou privação de sono, comida adequada, água potável e acesso à defesa. O ativista também iniciou uma greve de fome e sede como forma de protesto, o que teria motivado a retaliação.

    Thiago coordenava um grupo de 12 ativistas de diferentes países, incluindo França, Alemanha, Holanda e Turquia. Todos foram detidos pela Marinha israelense. Parte do grupo foi deportada no início da semana, mas Thiago e outros ativistas se recusaram a assinar o termo de deportação, que exigia que admitissem ter “entrado ilegalmente” em Israel, mesmo sem terem pisado voluntariamente em território israelense.

    O Ministério das Relações Exteriores de Israel ironizou os ativistas ao confirmar a deportação do grupo nesta quinta-feira. “Mais seis passageiros do ‘iate das selfies’, incluindo Rima Hassan [deputada francesa], estão saindo de Israel. Adeus, e não se esqueça de tirar uma selfie antes de partir”.

    Itamaraty apela por paz

    No início da noite dessa quinta-feira, o Itamaraty divulgou nota, confirmando a volta de Thiago e pedindo a Israel o fim dos ataques de Israel à Faixa de Gaza. Veja a íntegra do comunicado:

    “O governo brasileiro confirma, com satisfação, a libertação do ativista Thiago Ávila, que integrava a tripulação do veleiro Madleen, da Coalizão Flotilha da Liberdade, interceptado por forças israelenses enquanto se dirigia à costa da Palestina para levar alimentos à população da Faixa de Gaza. Após três dias detido em Israel, o brasileiro embarcou nesta quinta-feira (12/6), às 16h05, hora local, em voo comercial com destino a Madri, de onde deverá embarcar em voo de conexão para o Brasil.

    Desde a interceptação do veleiro Madleen por forças israelenses na madrugada de 9/6, em águas internacionais entre as costas da Palestina e do Egito, o Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Tel Aviv, atuou de modo a garantir a segurança e a integridade física do brasileiro. Manteve, igualmente, contato frequente com seus familiares no Brasil, de modo a informá-los acerca do estado de saúde do brasileiro e das perspectivas de sua libertação e retorno.

    No contexto da gravíssima situação de calamidade humanitária na Palestina ocupada, e em especial na Faixa de Gaza, cuja população sofre com fome e desnutrição generalizadas decorrentes do bloqueio imposto por Israel, o Brasil insta o governo israelense a permitir o acesso imediato e sem restrições de alimentos e itens básicos de subsistência na Faixa de Gaza, em linha com as obrigações impostas pelo direito internacional humanitário.

    O Brasil apela, por fim, à cessação imediata dos ataques contra a população de Gaza, e recorda a necessidade de pleno respeito às resoluções das Nações Unidas que exigem o fim da ocupação do Território Palestino.

    Segundo a Freedom Flotilla Coalition (FFC), a missão era exclusivamente pacífica e humanitária, com o objetivo de denunciar a situação da população de Gaza. As autoridades israelenses, no entanto, classificaram a ação como uma “provocação midiática” e afirmaram que o bloqueio visa impedir o envio de armas ao Hamas, argumento contestado por organizações da ONU e entidades humanitárias.”

    Família sem contato

    A família de Thiago, que vive em Brasília, passou dias sem contato direto com o ativista. Sua esposa, Lara Souza, relatou que nem ela nem a Embaixada conseguiram falar com ele durante o período de detenção.

    O pai de Thiago, Ivo de Araújo Oliveira Filho, declarou que o filho foi alvo de tentativa de desmoralização. “Tentam pintar como se fosse um iate de selfies, mas havia propósito, havia estratégia. Eles atingiram o objetivo de chamar atenção para o que acontece em Gaza.”

    A embarcação Madleen zarpou da Itália em 1º de junho com destino à Faixa de Gaza. A relatora da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, confirmou três incidentes durante a travessia e criticou a abordagem israelense. Imagens divulgadas mostram os ativistas com coletes salva-vidas e mãos levantadas durante a interceptação.

    O episódio lembra o ataque ao navio turco Mavi Marmara, em 2010, quando dez ativistas foram mortos em uma ação semelhante. A repressão israelense à flotilha gerou críticas e reações de grupos de direitos humanos e autoridades internacionais.

  • Pesquisas mostram imagem do governo Lula em seu pior momento até agora

    Pesquisas mostram imagem do governo Lula em seu pior momento até agora

    Uma nova rodada de pesquisas de opinião indica que a popularidade do governo Lula se estabilizou no pior patamar do seu mandato até agora. Na última quinta-feira (12), o Datafolha e o Ipsos-Ipec, dois dos institutos de maior credibilidade do país, divulgaram os seus resultados mais recentes a respeito da avaliação do governo. Os números merecem acender um alarme no Planalto.

    O presidente Lula, hoje, tem seu governo avaliado como ruim ou péssimo por uma parcela próxima de 40% da população, segundo as pesquisas.

    O presidente Lula, hoje, tem seu governo avaliado como ruim ou péssimo por uma parcela próxima de 40% da população, segundo as pesquisas.Pedro Ladeira/Folhapress

    Embora as taxas em si tenham diferenças, as duas pesquisas convergem em linhas mais gerais:

    • Nos dois estudos, o governo Lula tem uma taxa de ruim/péssimo que circula perto dos 40%. A avaliação negativa, assim, não chega a representar a maioria da população, mas fica acima da de bom/ótimo, que equivale a cerca de um quarto dos eleitores nas duas pesquisas.
    • O “tombo” na popularidade veio no início desse ano, captado em fevereiro pelo Datafolha e em março pelo Ipsos-Ipec; antes disso, a taxa de bom/ótimo estava perto dos 35%. Naquela época, o governo já havia sido atingido pela onda de notícias negativas envolvendo mudanças no Pix. Não se recuperou a partir dali.
    • A taxa dos que acham Lula “regular”, nos dois estudos, vem rondando os 30% desde o início do mandato, sem variações expressivas.

    Veja abaixo os números de cada uma das pesquisas.

    A última rodada do Datafolha foi realizada em 10 e 11 de junho, com 2.004 entrevistas presenciais em 136 municípios. A margam de erro é de 2 pontos percentuais.

    O Ipsos-Ipec foi a campo na rodada mais recente no período de 5 a 9 de junho, com 2.000 entrevistas em 132 cidades. Margem de erro também é de 2 pontos.

  • Itália diz que busca Zambelli e que Bolsonaro não pediu cidadania

    Itália diz que busca Zambelli e que Bolsonaro não pediu cidadania

    O governo da Itália admitiu, nesta sext-feira (13), que não sabe o paradeiro da deputada brasileira Carla Zambelli (PL-SP), condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e à perda do mandato. “Prosseguem, entretanto, as atividades de busca, também por meio de cooperação internacional com as autoridades brasileiras”, informou o Ministério do Interior. 

    Zambelli entrou na Itália pouco antes de chegar a notificação da Interpol de que ela estava foragida, informou o governo italiano.

    Zambelli entrou na Itália pouco antes de chegar a notificação da Interpol de que ela estava foragida, informou o governo italiano.Gabriela Biló/Folhapress

    A declaração foi feita em resposta a um requerimento do deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, que questionou a entrada da parlamentar no país e a ausência de medidas para detê-la. O Itamaraty deu início ao pedido de extradição da paulista, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

    O governo da Itália também informou, respondendo a outra pergunta do deputado, que o ex-presidente Jair Bolsonaro não solicitou cidadania italiana, diferentemente de seus filhos Carlos, Eduardo e Flávio, que a receberam.

    Salva por horas

    Segundo documento oficial do Ministério do Interior da Itália, Zambelli desembarcou em Roma no dia 5 de junho, por volta das 11h40, em voo vindo de Miami, portando passaporte italiano válido emitido no consulado em São Paulo. No momento da entrada, no entanto, não havia alerta internacional ativo contra ela, uma vez que a notificação vermelha da Interpol só foi publicada naquele mesmo dia, às 16h46, quase cinco horas depois da sua chegada ao território italiano.

    Por causa desse desencontro temporal, as autoridades de fronteira italianas não puderam detê-la, já que Zambelli não constava em nenhuma base de dados criminal, nem nacional nem internacional, no momento da checagem. Desde então, ela está foragida, e não foi localizada apesar dos esforços das forças de segurança italianas, com apoio da Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais (Digos) de Roma.

    Segundo o Ministério do Interior, a busca segue com cooperação internacional com o Brasil e o Ministério Público da República italiano foi acionado, O governo reiterou que nenhum antecedente criminal foi detectado no nome da deputada nos sistemas S.D.I., S.I.S. e Interpol, o que impossibilitou qualquer ação imediata no aeroporto.

    Veja a íntegra da resposta do Ministério do Interior (traduzida livremente para o português) a respeito de Zambelli:

    “Ministério do Interior da Itália

    Senhor Presidente, Ilustres Deputados,

    O parlamentar interpelante faz referência ao caso da deputada brasileira, também cidadã ítalo-brasileira, Carla Zambelli Salgado, eleita em 2022 pelo partido ‘PL-SP’.

    Após sua eleição, ela foi declarada inelegível por oito anos pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, com a anulação de seu mandato, e condenada pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil a dez anos de reclusão.

    Posteriormente, no último dia 25 de maio, a Sra. Zambelli teria deixado o Brasil, viajando inicialmente para Miami e depois para a Itália, tornando-se, em seguida, inlocalizável.

    A esse respeito, com base em investigação conduzida pelas forças policiais, foi verificado que a Sra. Zambelli Salgado viajou em voo proveniente de Miami, chegando a Roma no dia 5 de junho, às 11h40, com um passaporte válido emitido pelas autoridades consulares italianas em São Paulo.

    A análise de risco associada à pré-verificação das listas de passageiros por meio do sistema API/PNR indicou que o nome da Sra. Zambelli não apresentou resultado positivo nos bancos de dados nacionais e internacionais das forças policiais (S.D.I., S.I.S., Interpol).

    A falta de resultado positivo se deve ao fato de que a solicitação de publicação, por parte das autoridades brasileiras competentes, de uma Notificação Vermelha da INTERPOL destinada a divulgar, a nível mundial, a solicitação de prisão para fins de extradição foi aprovada pela INTERPOL também no dia 5 de junho, mas publicada apenas às 16h24 (hora italiana) do mesmo dia, e tornada visível aos Escritórios Centrais Nacionais da INTERPOL somente após às 16h46.

    O intervalo de tempo entre a chegada da Sra. Zambelli e a publicação da notificação da INTERPOL não permitiu às autoridades policiais de fronteira italianas efetuar a prisão, pois no momento do controle ela não apresentava antecedentes policiais no território nacional nem evidências desfavoráveis identificáveis nos registros.

    As verificações policiais realizadas até o momento, ainda em andamento, não conseguiram localizar a Sra. Zambelli.

    Prosseguem, entretanto, as atividades de busca, também por meio de cooperação internacional com as autoridades brasileiras, e os dados reunidos até agora pela DIGOS de Roma foram compartilhados com o Ministério Público da República.

    Sobre Jair Bolsonaro e os filhos

    No que diz respeito ao ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, o Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália comunicou que nenhum pedido de reconhecimento de cidadania italiana por parte dele foi recebido pelas autoridades italianas.

    Já seus filhos, Flávio, Eduardo e Carlos, iniciaram o procedimento junto à Embaixada da Itália no Brasil e o concluíram com êxito, obtendo a cidadania italiana: Flávio e Eduardo em 2023, e Carlos em 2024.

    Dispositivo Legal da Cidadania Italiana

    Do ponto de vista jurídico, o Ministério das Relações Exteriores especificou que o reconhecimento da cidadania italiana iure sanguinis (por descendência sanguínea), conforme a legislação vigente, não prevê nenhuma avaliação discricionária por parte da administração responsável, mas apenas a verificação de que os interessados cumpram os requisitos legais estabelecidos.”

    Questionamentos

    A solicitação de esclarecimentos feita por Bonelli foi direcionada aos ministros italianos das Relações Exteriores, da Justiça e do Interior. No ofício, ele lista as acusações contra Zambelli, menciona sua condenação pelo STF, e lembra que a própria parlamentar afirmou ter recorrido à cidadania italiana como estratégia para fugir da pena de prisão no Brasil. Após deixar o país, ela solicitou licença da Câmara por 127 dias para tratar de “assuntos particulares”.

    Entre outros pontos, Bonelli questionou:

    • Como Zambelli conseguiu entrar no país mesmo com um mandado internacional de prisão;
    • Por que ela não foi monitorada pelas autoridades italianas;
    • Se ela recebe algum tipo de proteção na Itália;
    • Se o governo pretende impedir a entrada de foragidos acusados de tentativa de golpe, como é o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Cidadania italiana

    No mesmo documento, o Ministério do Interior confirmou que Bolsonaro não pediu reconhecimento de cidadania italiana, ao contrário de seus filhos Flávio, Eduardo e Carlos, que obtiveram a cidadania respectivamente em 2023 (os dois primeiros) e 2024 (o terceiro).

    O governo da Itália ressaltou que o reconhecimento de cidadania iure sanguinis (por descendência) não depende de decisão política, mas sim de requisitos legais objetivos, e que, portanto, não cabe à administração italiana fazer qualquer juízo discricionário nesses casos.

    O Ministério da Justiça brasileiro, por sua vez, já acionou o Itamaraty para que inicie os trâmites de extradição de Carla Zambelli junto ao governo italiano. Bonelli, que havia alertado previamente sobre o caso, disse que a Itália não pode se tornar um refúgio para criminosos condenados.

    Condenada e “intocável”

    Zambelli foi condenada pelo STF, em maio, a 10 anos de prisão por participar da invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto. O objetivo seria inserir documentos forjados, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. A Corte também determinou a cassação de seu mandato, que ainda precisa ser ratificada pelo Plenário da Câmara, segundo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

    A deputada responde ainda a processo por ter apontado uma arma contra um adversário político durante a campanha eleitoral de 2022. Ela deixou o Brasil no dia 25 de maio rumo aos Estados Unidos. Em entrevista à CNN, declarou que seguiria para a Itália: “Tenho passaporte italiano… podem acionar a Interpol, mas na Itália sou intocável”. Disse também que buscava atendimento médico mais acessível, alegando que o sistema de saúde italiano seria mais barato do que o norte-americano.

  • Ex-ministro Gilson Machado é preso pela PF

    Ex-ministro Gilson Machado é preso pela PF

    A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta sexta-feira (13) o ex-ministro Gilson Machado, que comandou a pasta do Turismo durante o governo Bolsonaro.

    Gilson Machado foi ministro do Turismo no governo Bolsonaro.

    Gilson Machado foi ministro do Turismo no governo Bolsonaro.Pedro Ladeira/Folhapress

    A prisão ocorreu por indícios de que ele tentou ajudar Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. A investigação é considerada peça-chave na apuração da tentativa de golpe e possível obstrução de justiça. A prisão foi solicitada a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao Supremo Tribunal Federal.

    Tentativa de emissão de passaporte e arrecadação

    Segundo a PF, Machado tentou intermediar um passaporte português para Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, com o objetivo de viabilizar sua saída do país. O pedido foi feito ao consulado de Portugal em Recife em 12 de maio, mas não teve êxito. Além disso, ele promoveu uma campanha de arrecadação de recursos para Bolsonaro em seu perfil no Instagram, o que também chamou a atenção dos investigadores.

    A Procuradoria-Geral da República afirma que Machado ainda poderia buscar alternativas junto a outros consulados e que sua atuação pode interferir no andamento das investigações sobre a tentativa de golpe. Por isso, também foram solicitadas medidas de busca e apreensão de documentos e aparelhos eletrônicos.

  • Mauro Cid é alvo de ação da PF

    Mauro Cid é alvo de ação da PF

    O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo de uma ação da Polícia Federal por suspeita de tentativa de fuga do país. O Supremo Tribunal Federal chegou a determinar a prisão do delator do processo da trama golpista, mas a decisão foi revista antes do cumprimento da ordem pela Polícia Federal, de acordo com a defesa de Mauro Cid. Ele foi alvo de busca e apreensão e levado para prestar depoimentos, conforme a defesa. 

    Mais cedo, a Polícia Federal prendeu o ex-ministro do Turismo Gilson MachadoSegundo a PF, Machado tentou intermediar um passaporte português para Mauro Cid com o objetivo de viabilizar sua saída do país. O pedido foi feito ao consulado de Portugal em Recife em 12 de maio.

    Mauro Cid é delator na ação que investiga tentativa de golpe de Estado.

    Mauro Cid é delator na ação que investiga tentativa de golpe de Estado.Gabriela Biló/Folhapress

  • Câmara quer acelerar votação da atualização da tabela do IR

    Câmara quer acelerar votação da atualização da tabela do IR

    A Câmara deve votar na próxima semana pedido de urgência para acelerar a votação do projeto (PL 2.692/25) que atualiza os valores da tabela progressiva mensal do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A proposta, de autoria do deputado José Guimarães (PT-CE), que é líder do governo, incorpora os efeitos da Medida Provisória nº 1.294/25, ampliando o valor da faixa de isenção. Se o requerimento for aprovado, o texto poderá ser submetido ao plenário sem passar por comissões.

    Projeto é relatado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira.

    Projeto é relatado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira.Ton Molina/Fotoarena/Folhapress

    A principal alteração é o reajuste da primeira faixa da tabela, aquela que define o limite de isenção de imposto. Se aprovado, o novo teto da alíquota zero passará de R$ 2.259,20 para R$ 2.428,80, um aumento de 7,507%. Como a comissão mista que deveria analisar a MP não foi sequer instalada, a intenção dos parlamentares é aprovar o projeto de lei para que as regras continuem a valer. O prazo para votar uma medida provisória é de até 120 dias.

    O texto será relatado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), que também relata outra proposta ligado ao IR, a que isenta quem recebe até R$ 5 mil por mês. Este projeto, no entanto, ainda está sob análise de comissão especial. 

    Confira a tabela do IR conforme o projeto de José Guimarães que incorpora a MP 1.294/25:

    Faixa de Renda (R$) | Alíquota (%) | Parcela a Deduzir (R$)

    | Até 2.428,80 | 0% | 0,00 |

    | De 2.428,81 até 2.826,65 | 7,5% | 182,16 |

    | De 2.826,66 até 3.751,05 | 15% | 394,16 |

    | De 3.751,06 até 4.664,68 | 22,5% | 675,49 |

    | Acima de 4.664,68 | 27,5% | 908,73 |

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    Além disso, segundo o texto, os contribuintes com renda mensal de até R$ 3.036,00 continuarão isentos de IRPF, graças à combinação entre o novo limite de faixa e o desconto simplificado autorizado por norma da Receita Federal.

    Segundo estimativas da Receita Federal incluídas na justificativa do projeto:

    • Em 2025, a medida pode gerar renúncia fiscal de R$ 3,29 bilhões.
    • Em 2026, o impacto previsto é de R$ 5,34 bilhões.
    • Em 2027, a projeção é de R$ 5,73 bilhões.

    Esses valores já foram considerados no Projeto de Lei Orçamentária nº 1.087/2025, o que, segundo o autor, dispensa compensações adicionais exigidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

    A Câmara dos Deputados deve votar na próxima semana o pedido de urgência do projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil. A medida pode beneficiar até 90 milhões de brasileiros, segundo estimativas do governo.

    Isenção para até R$ 5 mil

    Também sob relatoria de Arthur Lira em comissão especial, o projeto que isenta quem ganha até R$ 5 mil por mês ainda causa polêmica entre prefeitos e goverandores, que reclamam da perda de receita caso a medida prospere. 

    “Não teria nem apoio mínimo no Plenário da Câmara, ainda mais no Senado, se houver a perspectiva de que estados e municípios estarão perdendo recursos com a isenção do IR”, afirmou Lira após reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no fim de maio.

    Para evitar esse impacto negativo, governo e Câmara trabalham na construção de uma base de cálculo que garanta compensações adequadas. Um dos principais caminhos estudados é a revisão de incentivos fiscais, que somam atualmente cerca de R$ 600 bilhões.

    Desonerações sob revisão

    Segundo Lira, há a possibilidade de uma redução linear nas desonerações e incentivos fiscais para sustentar a medida sem elevar a carga tributária direta. “Tem quase R$ 600 bilhões em desonerações no Brasil. Está se estudando tecnicamente, friamente, a possibilidade de uma redução linear para que a gente possa trabalhar com uma compensação justa, igualitária”, explicou o deputado.

    Outras alternativas em análise incluem o aumento da alíquota para os mais ricos, taxação maior de dividendos e ajustes na forma de cobrança do imposto, mas o relator reforçou que o foco principal está nas renúncias fiscais.

    Quem ganha e quem paga

    O PL 1.087/2025 isenta totalmente do IR os brasileiros com renda de até R$ 5 mil por mês, o que corresponde a cerca de 65% dos declarantes. Quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil terá desconto progressivo no valor devido. A partir de R$ 7 mil mensais, as regras atuais permanecem. A proposta também estabelece um piso de tributação para quem ganha acima de R$ 50 mil por mês, com valores mínimos a pagar entre R$ 18,7 mil e R$ 120 mil por ano, dependendo da renda.

    Além disso, lucros e dividendos, hoje isentos, passarão a ser taxados em 10%, inclusive quando remetidos ao exterior. A mudança busca reduzir distorções que favorecem os mais ricos.

    A expectativa do governo é que as novas regras passem a valer em 2026. Para isso, o projeto precisa ser aprovado ainda este ano por Câmara e Senado.

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou apoio à medida, destacando seu papel no crescimento econômico. “Daremos a devida atenção a essa matéria, analisando-a com zelo e responsabilidade, sempre em busca de mais justiça social e de um Brasil mais próspero para todos”, disse em nota.

    Impacto fiscal e justiça tributária

    De acordo com o Ministério da Fazenda, o governo deixará de arrecadar R$ 25,84 bilhões em 2026, valor que aumentará para R$ 29,68 bilhões em 2028. A estimativa é que esse montante seja compensado pela nova tributação sobre os mais ricos, cuja arrecadação, em 2026, deve alcançar R$ 34,12 bilhões.

    O diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), Marcus Pestana, considera que o projeto mantém o equilíbrio das contas públicas. “O objetivo de justiça tributária não contribuiria negativamente em relação ao equilíbrio orçamentário, tornando o efeito neutro do ponto de vista do orçamento público”, avalia o ex-deputado.