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  • Moraes é escolhido relator da ação sobre derrubada do IOF

    Moraes é escolhido relator da ação sobre derrubada do IOF

    O ministro Alexandre de Moraes foi designado relator da ação movida pelo Psol contra o decreto do Congresso Nacional que derrubou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), decretado pelo governo Lula. A redistribuição foi determinada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso.

    Barroso justificou a mudança ao lembrar que Moraes já é relator de outro processo sobre o mesmo tema: uma ação proposta pelo PL que questiona a constitucionalidade dos decretos presidenciais que elevaram as alíquotas do IOF. Segundo o presidente do STF, embora cada ação conteste atos diferentes (um do Executivo e outro do Legislativo), há entre elas “importante grau de afinidade entre os temas em discussão e fundado risco de decisões contraditórias”.

    Decisão do STF visa assegurar coerência no julgamento sobre aumento do imposto.

    Decisão do STF visa assegurar coerência no julgamento sobre aumento do imposto.Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    Conexão entre atos

    Na ação mais recente, o Psol pede que o Supremo anule o decreto legislativo aprovado pelo Congresso em 26 de junho, que revogou as medidas do Executivo para aumentar o imposto. O partido argumenta que o Legislativo usurpou competência exclusiva do presidente da República ao interferir em decisões de política tributária e econômica.

    Para Barroso, “a análise do tema exige que primeiro se delimite se o Presidente da República exerceu seu poder dentro dos limites regulamentares ou da delegação legislativa, para, na sequência, analisar se o procedimento suspensivo do Parlamento encontra amparo no texto constitucional”.

    Segurança jurídica

    Inicialmente, o caso havia sido sorteado para o ministro Gilmar Mendes. Ao reconhecer que os dois processos tratam de um mesmo conjunto de medidas tributárias e envolvem consequências jurídicas diretas entre si, Gilmar encaminhou o caso à presidência do STF. Ele alertou para o “fundado risco de decisões contraditórias”. Na decisão publicada hoje, Barroso reforçou esse entendimento.

    Veja a íntegra do despacho.

    • Processo: ADIn 7.839
  • “Lotado” ou “flopou”: o que a internet falou do ato de Bolsonaro em SP

    “Lotado” ou “flopou”: o que a internet falou do ato de Bolsonaro em SP

    A manifestação em apoio a Jair Bolsonaro na Avenida Paulista no último domingo (29) dividiu as opiniões na internet, como de costume. Nas redes sociais, o foco caiu sobre o número de pessoas no ato, estimado pela USP como próximo a 12.400 pessoas no momento ápice:

    • Apoiadores do presidente comemoraram o comparecimento à manifestação. Usuários das redes sociais falaram que a Paulista estava “lotada”, e publicaram imagens do protesto como forma de sustentar essa afirmação.
    • Parlamentares e internautas mais ligados à esquerda disseram que o ato “flopou” e teve pouca adesão. Também circularam vídeos de um grupo de skatistas na manifestação, que gritaram palavras de ordem contra o ex-presidente.

    Manifestação pró-Bolsonaro na Avenida Paulista reuniu cerca de 12.400 pessoas, segundo metodologia da USP.

    Manifestação pró-Bolsonaro na Avenida Paulista reuniu cerca de 12.400 pessoas, segundo metodologia da USP.Felipe Marques/Zimel Press/Folhapress

    Leia abaixo comentários de usuários e políticos a favor e contra o ato.

    Pró-Bolsonaro

    Contra Bolsonaro

  • Entenda como é garantida a segurança do Prêmio Congresso em Foco

    Entenda como é garantida a segurança do Prêmio Congresso em Foco

    Criado para valorizar a boa atuação parlamentar, o Prêmio Congresso em Foco adota um rigoroso sistema de segurança para garantir a legitimidade dos resultados. A votação popular da edição de 2025 ocorre até o dia 20 de julho, pela internet. Paralelamente, jornalistas especializados e um júri técnico também escolhem os melhores congressistas do ano.

    O processo de votação popular é blindado contra fraudes e manipulações, graças à atuação de auditorias complementares. O objetivo é preservar a confiança do público e assegurar que os premiados sejam, de fato, os mais bem avaliados pela sociedade.

    Saiba mais: a votação para o Prêmio Congresso em Foco 2025 já começou! Não deixe de participar. 

    Perito da Polícia Federal acompanha o processo digital em tempo real.

    Perito da Polícia Federal acompanha o processo digital em tempo real.Arte Congresso em Foco.

    Dois níveis de auditoria

    A integridade da votação popular depende da atuação simultânea de auditorias interna e externa. O monitoramento técnico é constante e segue parâmetros rígidos.

    A auditoria externa é feita por um perito criminal federal, associado à Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF). O especialista tem acesso total ao sistema e acompanha a votação em tempo real. Sua função é verificar a higienização da base de dados, auditar os mecanismos de segurança contra fraudes e identificar votos inválidos. Ele também avalia a estrutura técnica da plataforma digital utilizada.

    Já a auditoria interna se baseia em tecnologia de rastreamento de padrões. Um sistema avançado detecta comportamentos automatizados, como ações de robôs, e bloqueia esses acessos. Quando há suspeita leve, o voto é marcado com dados técnicos como endereço IP, localização geográfica e impressão digital do dispositivo usado. Cada registro é revisado por um sistema automatizado, que valida ou descarta os votos de acordo com os indícios apurados.

    Além disso, a organização do prêmio divulga dois boletins parciais, nos dias 1º e 8 de julho, permitindo transparência sem comprometer o sigilo do resultado final.

    Você pode votar clicando aqui.

    Participação ativa da sociedade

    Mais do que uma celebração simbólica, o Prêmio Congresso em Foco busca estimular a cidadania ativa. Ao permitir que a sociedade vote nos parlamentares que mais se destacaram, a premiação promove o controle social sobre os eleitos e valoriza os bons exemplos no Congresso Nacional.

    A seleção dos vencedores também considera o voto de jornalistas especializados e a avaliação de um júri técnico formado por representantes da academia, do setor privado, de organizações sociais e da equipe do Congresso em Foco.

    A cerimônia deste ano está marcada para 20 de agosto, no Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília. Até lá, o processo de votação segue sob vigilância constante: técnica, ética e cidadã.

    Evolução do Prêmio Congresso em Foco.

    Evolução do Prêmio Congresso em Foco.Arte Congresso em Foco

  • Lula diz que o país começa a ser justo pela tributação e repartição

    Lula diz que o país começa a ser justo pela tributação e repartição

    O presidente Lula, nesta segunda-feira (30) durante o lançamento do Plano Safra, afirmou que o país começa a ser justo pela tributação e “depois pela repartição”. O discurso do chefe do Executivo se dá em um momento em que o Planalto saiu derrotado ao tentar aumentar o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). Na última semana, o Congresso Nacional derrubou o decreto que previa o acréscimo da tributação.

    Presidente Lula.

    Presidente Lula.Mateus Bonomi/AGIF/Folhapress

    “Nós queremos que esse país se transforme em um país justo. Ele começa a ser justo pela tributação e depois continua a ser justo pela repartição. Por isso que estamos fazendo Imposto de Renda de até R$ 5 mil com isenção, quem consome até 80KWh não pague energia. É por isso que a gente vai fazer com que o gás chegue mais barato na casa das pessoas”, afirmou o presidente.

    Lula acrescentou que o papel do Estado é criar oportunidades para as pessoas conseguirem se desenvolver às custas da própria capacidade produtiva. A medida de isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil foi uma promessa de campanha do presidente. Na última sexta-feira (27), o relator da matéria, Arthur Lira (PP-AL), adiou a apresentação do parecer.

    Além de mencionar a redistribuição de renda e pregar a justiça tributária no país, o chefe do Executivo também comentou sobre a taxa de juros ao falar sobre as taxas para os produtores beneficiados pelo Plano Safra. Segundo Lula, ele tem “certeza que as coisas vão ser corrigidas com o passar do tempo” e que a taxa de juros Selic, hoje em 15% a.a, pode diminuir se for o entendimento do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

    Plano Safra

    O Plano Safra para a agricultura familiar 2025/2026 prevê o investimento de R$ 89 milhões em políticas de crédito rural, compras públicas e seguro agrícola. Este é o recorde histórico de recursos para o programa. Para o presidente, o plano é resultado das reivindicações de um grupo que ao longo dos últimos anos aprendeu “como é lidar com governo democrático e com governo que não é democrático”.

    Do valor total, R$ 78,2 bilhões correspondem ao Pronaf. A taxa de juros para fomentar a agricultura familiar se manteve em 3% e pode chegar a 2% quando o cultivo for orgânico ou agroecológico. Um dos pontos do programa é a nacionalização das regiões beneficiadas. Lula mencionou que anteriormente o Pronaf contemplava na maior parte o Rio Grande do Sul, mas hoje abrange todo o território nacional.

    Outro ponto do novo Plano Safra é o incentivo à mecanização no contexto do Programa Mais Alimentos. “Se a gente não criar condições, se a gente não provocar o empresário para que ele possa produzir máquinas de acordo com o tamanho da terra. Um cidadão que tem 10 hectares não pode comprar uma máquina que tem 50 metros de largura, ele precisa de uma máquina do tamanho da terra dele. Quando ele tem essa máquina, aumenta a produtividade”, disse o presidente.

  • Haddad rebate crítica de Bolsonaro a Lula: “Todo dia uma mentira nova”

    Haddad rebate crítica de Bolsonaro a Lula: “Todo dia uma mentira nova”

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, rebateu as críticas do ex-presidente Jair Bolsonaro ao presidente Lula nesta segunda-feira (30). A defesa do chefe da pasta aconteceu durante o lançamento do programa Plano Safra. Para Haddad, as críticas publicadas pelo ex-mandatário se deram porque estava “chateado com o fracasso” da manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo.

    Ministro Fernando Haddad.

    Ministro Fernando Haddad.Diogo Zacarias/MF

    “Todo dia ele aparece com uma mentira nova”, iniciou Haddad. “Hoje ele está acusando o senhor [Lula] de cortar benefícios sociais, de cortar BPC. O senhor é o responsável pelo maior incremento de investimentos em programas sociais da história do Brasil. O senhor herdou 33 milhões de pessoas passando fome e em dois anos e meio reduziu a menos de “.

    Veja a publicação de Jair Bolsonaro: 

    Fernando Haddad também questionou que no governo Bolsonaro o preço do alimento subia acima da inflação e disse que a renda cresce acima do IPCA. O ministro acrescentou que as críticas do ex-presidente ao aumento de imposto, no caso a derrota do Planalto no aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), são injustas diante de como ficou a faixa do Imposto de Renda no último governo.

    “Deixa eu falar para vocês qual é o aumento mais cruel de imposto que um presidente pode fazer. Ele ficou os quatro anos do mandato dele sem reajustar a tabela do Imposto de Renda. Sabe o que isso significa? Quando um trabalhador teve aumento apenas pela inflação, se ele passar a faixa de isenção, ele passa a pagar Imposto de Renda”, disse o ministro da Fazenda.

    Com a aprovação do projeto de lei que isenta do Imposto de Renda quem recebe até dois salários mínimos, 10 milhões de brasileiros deixaram de pagar o tributo. O Planalto ainda tem um projeto de isenção para quem recebe até R$ 5 mil. Conforme Haddad, com a eventual aprovação da matéria, serão mais 10 milhões isentos e outros 5 milhões, que ganham entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, vão pagar menos. Enquanto 140 mil pessoas, que se enquadram entre os “super-ricos”, vão ser tributados em 10% na renda anual.

    “Vamos fechar as brechas que são criadas por jabutis [trechos inseridos em leis que não correspondem ao tema inicial da matéria]. No Brasil, o jabuti é órfão de pai e mãe. Ele aparece em uma lei, em geral, para beneficiar o grande empresário. Cada vez que a gente remove do ordenamento político, tem a grita do andar de cima de que aumenta imposto. Isso não aumenta imposto, isso é ter o mínimo de respeito com o trabalhador”, completou Haddad.

  • Câmara pauta combate a desastre, proteção a mulher e incentivo fiscal

    Câmara pauta combate a desastre, proteção a mulher e incentivo fiscal

    Vista superior do plenário da Câmara dos Deputados.

    Vista superior do plenário da Câmara dos Deputados.Marcos Oliveira/Agência Senado

    Depois de uma semana tumultuada, na qual confrontou o governo ao derrubar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a Câmara dos Deputados tem em sua pauta temas que misturam questões sociais, econômicas e de defesa civil. Um dos destaques é a possível análise, já na terça-feira (1º), da Medida Provisória 1.299/2025, que destina R$ 520 milhões ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para ações de proteção e defesa civil em todo o país.

    De acordo com o governo, os recursos reforçarão ações de gestão de riscos e desastres, beneficiando cerca de 3,5 milhões de pessoas diretamente. O texto prevê R$ 220 milhões para custeio de operações e R$ 300 milhões para investimentos em infraestrutura emergencial, como obras de contenção de encostas, sistemas de alerta e ações preventivas em áreas vulneráveis. A MP, que já está em vigor desde maio, foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União e agora precisa de validação do Congresso.

    O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), viajará a Portugal, onde participará do Fórum de Lisboa, evento jurídico organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição fundada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além dele, outros parlamentares devem viajar para o fórum, o que pode impactar no ritmo das votações na semana.

    Maria da Penha

    Outro tema de impacto social na pauta é o Projeto de Lei 6.020/2023, da deputada Dra. Alessandra Haber (MDB-PA). O texto modifica a Lei Maria da Penha para considerar descumprimento de medida protetiva a aproximação voluntária do agressor da vítima de violência doméstica, ainda que a vítima consinta. O objetivo é impedir que mulheres, eventualmente pressionadas ou coagidas, se vejam expostas novamente ao risco. Caso a medida seja descumprida, a proposta prevê pena de dois a cinco anos de reclusão e multa.

    Incentivos fiscais

    No campo econômico, pode ser votado também o pedido de urgência para o Projeto de Lei Complementar 41/2019, que já passou no Senado. O texto institui regras para avaliação e revisão periódica de incentivos fiscais concedidos pela União a empresas. Se a urgência for aprovada, a proposta vai direto ao Plenário, sem precisar passar pelas comissões. Nesse caso, o texto pode ser votado até mesmo nesta semana caso haja entendimento entre os líderes partidários.

    Como mostrou o Congresso em Foco, a meta é criar parâmetros mínimos, metas claras e mecanismos de monitoramento dos benefícios fiscais e creditícios, garantindo mais transparência e retorno social ao dinheiro público. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o Brasil abre mão de cerca de R$ 800 bilhões por ano em incentivos fiscais e precisa rever esses benefícios para equilibrar as contas.

    Além dessas votações, a Câmara ainda terá sessões solenes durante a semana para homenagear instituições como o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal e a Polícia Militar de Minas Gerais, além de lembrar datas ambientais, como o Dia do Cerrado.

    Veja a pauta da semana:

    Segunda-feira (30/6)

    • Sessão Solene (não deliberativa) às 11h

    Homenagem aos 50 anos do curso de graduação em Enfermagem da Universidade de Brasília (UnB).

    Terça-feira (1/7)

    • Sessão Solene (não deliberativa) às 11h

    Homenagem aos 169 anos do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.

    • Sessão Deliberativa Extraordinária (presencial) às 13h55 (ordem do dia a partir das 15h55)

    Votação de requerimento de urgência para o PLP 41/2019, que cria critérios de avaliação periódica de benefícios fiscais e tributários para empresas, como forma de atender às regras da Emenda Constitucional 109.

    Discussão da MP 1.299/2025, que abre crédito extraordinário de R$ 520 milhões para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

    Continuação da votação do PL 6.020-B/2023, que estabelece crime de descumprimento de medida protetiva quando houver aproximação voluntária do agressor, ainda que com consentimento da vítima.

    Discussão do PL 638-A/2019, que inclui a economia do cuidado no sistema de contas nacionais, fortalecendo indicadores para políticas públicas.

    Discussão do PL 1.112/2023, que endurece regras de progressão de regime para condenados por homicídio qualificado, elevando o percentual mínimo de cumprimento de pena.

    Quarta-feira (2/7)

    • Sessão Solene (não deliberativa) às 9h

    Homenagem aos 20 anos do Instituto Sabin.

    • Sessão Solene (não deliberativa) às 11h

    Homenagem aos 77 anos da Nakba, referência à catástrofe palestina.

    • Sessão Deliberativa Extraordinária (presencial) às 13h55 (ordem do dia a partir das 15h55)

    Proposições remanescentes da sessão anterior devem ser analisadas, incluindo projetos de cunho social e de direitos humanos.

    Quinta-feira (3/7)

    • Sessão Deliberativa Extraordinária (semipresencial) às 9h (ordem do dia a partir das 11h)

    Discussão do PRC 109-A/2015, que cria o Grupo Parlamentar Brasil-Sri Lanka.

    Discussão do PRC 43-A/2007, que cria o Grupo Parlamentar Brasil-ASEAN, fortalecendo relações com os países do Sudeste Asiático.

    • Sessão Solene (não deliberativa) às 15h

    Homenagem aos 250 anos da Polícia Militar de Minas Gerais.

    Sexta-feira (4/7)

    • Sessão Solene (não deliberativa) às 11h

    Leia ainda:

    Semana no Senado tem programa para exportações e crédito consignado em pauta

  • Lula assume Mercosul na Argentina e enfrenta desafio com Milei

    Lula assume Mercosul na Argentina e enfrenta desafio com Milei

    Javier Milei e Lula no encontro da cúpula do G20 no Rio, em novembro de 2024.

    Javier Milei e Lula no encontro da cúpula do G20 no Rio, em novembro de 2024.Ricardo Stuckert/PR

    O presidente Lula desembarca nesta semana em Buenos Aires para participar da 66ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, marcando sua primeira visita oficial à Argentina desde que Javier Milei, de perfil ultraliberal, chegou ao poder. Lula vai receber de Milei a presidência rotativa do bloco econômico, que exercerá até o fim de dezembro. O encontro ocorre em clima tenso, já que os dois líderes, adversários políticos declarados, trocaram acusações públicas nos últimos meses e defendem visões opostas sobre a integração regional.

    O reencontro de Lula com Milei será um teste de pragmatismo. Os dois trocaram cumprimentos protocolares na reunião do G20, no final do ano passado no Rio.

    Desde a campanha eleitoral, Milei ataca o Mercosul, chamando-o de “trava ao livre comércio” e criticando Lula de forma direta. Por outro lado, o presidente brasileiro sempre apostou no bloco como peça central da política externa e pilar da integração sul-americana. Apesar das diferenças, os dois terão de cooperar para garantir a continuidade e a estabilidade do Mercosul.

    O que Lula busca na viagem

    Lula assume a presidência rotativa do Mercosul com uma pauta ambiciosa. Entre as principais prioridades estão:

    • Concluir o acordo Mercosul-União Europeia, estagnado há mais de 20 anos, mas que avançou recentemente.
    • Revisar a Tarifa Externa Comum, tornando-a mais flexível e ajustada ao cenário global.
    • Fortalecer a política industrial regional, especialmente nos setores automotivo e açucareiro, para garantir segurança jurídica e atrair investimentos.
    • Lançar o “Mercosul Verde”, que quer valorizar a imagem ambiental do bloco e promover uma agricultura de baixo carbono.
    • Ampliar a cooperação em segurança pública, com ações conjuntas no combate a facções criminosas, sobretudo nas fronteiras.
    • Reforçar a participação social, com políticas para direitos humanos, igualdade de gênero e inclusão de povos indígenas e afrodescendentes.

    Desafios à frente

    Assumir a presidência do bloco não será tarefa simples para Lula. O maior desafio será justamente driblar as resistências de Milei, que vem tentando reduzir o peso do Mercosul e buscar acordos comerciais fora da aliança. Além disso, há diferenças internas entre os países-membros, como a definição de tarifas e cotas agrícolas e industriais.

    Outro ponto sensível será consolidar a entrada plena da Bolívia, que precisa se adaptar às regras do bloco até 2028. Já o “Mercosul Verde” pode enfrentar resistências de setores conservadores e contrastar com a postura negacionista de Milei sobre a crise climática.

    Por que o Mercosul interessa ao Brasil

    A relevância do bloco para a economia brasileira é inegável. Entre janeiro e maio de 2025, o comércio dentro do Mercosul movimentou US$ 17,5 bilhões, gerando superávit de US$ 3 bilhões para o Brasil. Cerca de 95% das exportações brasileiras para a Argentina são produtos industrializados de maior valor agregado, fundamentais para a indústria e o emprego no país.

  • Polícia Federal detalha regras para controle de armas por CACs

    Polícia Federal detalha regras para controle de armas por CACs

    A Polícia Federal publicou nesta segunda-feira (30) uma instrução normativaque regulamenta a aplicação do Decreto nº 11.615/2023, responsável por endurecer o acesso a armas no Brasil. A norma define, ponto a ponto, como será feita a fiscalização, a concessão de registros e o controle sobre colecionadores, atiradores e caçadores, os chamados CACs.

    Instrução normativa especifica como será colocado em prática o decreto do governo Lula que aperta o controle sobre armas.

    Instrução normativa especifica como será colocado em prática o decreto do governo Lula que aperta o controle sobre armas.Aviavlad (via Pixabay)

    O decreto, assinado por Lula em julho de 2023, já havia revogado a política de flexibilização armamentista do governo anterior. A instrução, agora, traduz as diretrizes em procedimentos práticos e detalhados, reforçando o controle sob responsabilidade da Polícia Federal.

    O que muda na prática

    A instrução define como as regras do decreto serão aplicadas. Um dos avanços mais concretos é a exigência de que a comprovação de uso habitual seja feita por tipo de arma, e não apenas de forma geral. Isso significa que cada modelo registrado precisa estar vinculado a treinos ou competições regulares, medida que dificulta o acúmulo de armamentos inativos e reforça a vinculação entre posse e finalidade declarada.

    Eis, abaixo, outros pontos especificados na norma:

    • Documentação detalhada para o Certificado de Registro (CR): agora são exigidos declaração formal de segurança do acervo, comprovante de ocupação lícita e, no caso de menores de idade, autorização judicial com laudo psicológico apresentado em juízo.
    • Prazos objetivos para cada etapa, como revalidação de registros e apresentação de boletins de ocorrência: a instrução fixa, entre outros, o prazo de 30 dias antes do vencimento do CR para solicitar revalidação, e 10 dias úteis para encaminhar boletim de ocorrência em caso de furto, roubo ou extravio de arma.
    • Critérios técnicos e classificações por tipo de arma e nível de atirador: a habitualidade agora deve ser comprovada por arma representativa, e os níveis de atirador (de 1 a alto rendimento) exigem quantidades exatas de treinos e competições anuais, além de filiação ativa a entidade reconhecida.
    • Padronização da Guia de Tráfego: a GTE (autorização para transporte) passa a ter validade limitada (um mês para competições e seis meses para treinamentos) e só é emitida com documentação comprobatória da atividade e dos locais de origem e destino.
    • Regras claras de vistoria, segurança e cancelamento de registros, com prazos para destinação de armas em caso de irregularidades: em caso de cancelamento do CR, o proprietário terá 90 dias para transferir ou entregar as armas, sob pena de comunicação à polícia judiciária sobre posse irregular.

    Aplicação imediata

    A norma entra em vigor nesta terça-feira (1º de julho). Com ela, a PF passa a ter respaldo completo para fiscalizar acervos, suspender registros e uniformizar procedimentos, encerrando um período de transição jurídica desde o decreto de 2023.

  • Mercado baixa projeção da inflação em 2025 pela quinta semana seguida

    Mercado baixa projeção da inflação em 2025 pela quinta semana seguida

    O mercado baixou, pela quinta semana seguida, a projeção para a inflação em 2025. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (30), a expectativa agora é que os preços avancem 5,20% ao longo do ano. A previsão era de 5,24% na semana passada e, há quatro semanas, de 5,46%.

    Inflação deve fechar o ano em 5,20%, para o mercado financeiro.

    Inflação deve fechar o ano em 5,20%, para o mercado financeiro.Gabriel Cabral/Folhapress

    A taxa ainda fica fora da meta de inflação de 3% para o ano. A margem de tolerância é de 1,5 ponto percentual com relação ao centro da meta, o que permite que o IPCA (índice oficial da inflação) feche o ano na faixa de 1,5% a 4,5%.

    O Focus é um relatório semanal que compila as projeções de analistas do mercado financeiro para os principais índices da economia brasileira. O boletim é divulgado pelo Banco Central a cada segunda-feira. 

    Nesta semana, o Focus manteve sua previsão para o crescimento do PIB em 2,21%, mesma da semana passada. A projeção para o dólar está em R$ 5,70.

  • Governo endurece fiscalização de prefeituras no Bolsa Família

    Governo endurece fiscalização de prefeituras no Bolsa Família

    O Ministério do Desenvolvimento Social publicou nesta segunda-feira (30) uma instrução normativa que aperta a fiscalização sobre o cumprimento de condicionalidades do Bolsa Família. A norma reforça o controle sobre gestores municipais e estaduais e cria exigências para garantir o acompanhamento regular dos compromissos de saúde e educação dos beneficiários.

    Norma que aperta fiscalização no Bolsa Família foi publicada nesta segunda (30).

    Norma que aperta fiscalização no Bolsa Família foi publicada nesta segunda (30).Adriana Toffetti/Ato Press/Folhapress

    O texto não altera as exigências feitas às famílias, mas obriga os municípios a registrar justificativas, recursos e acompanhamentos no sistema Sicon (Sistema de Condicionalidades), com prazos definidos e arquivamento da documentação por cinco anos, para fins de auditoria. A medida busca evitar omissões e garantir que cada caso seja tratado formalmente.

    Mais controle sobre prefeituras

    A instrução determina que as coordenações municipais do programa:

    • Cadastrem justificativas e recursos no sistema;
    • Ativem ou suspendam efeitos de descumprimento de forma justificada;
    • Priorizem famílias sem dados de acompanhamento no trabalho intersetorial;
    • Mantenham registro formal das ações de acompanhamento social.

    Além disso, a interrupção temporária dos efeitos de descumprimento (como bloqueio do benefício) passa a ter validade de seis meses, com necessidade de reavaliação, o que obriga as equipes técnicas a manterem acompanhamento ativo das famílias.