Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Há 82 anos, Vargas criava a CLT sem o Congresso e inaugurava nova era

    Há 82 anos, Vargas criava a CLT sem o Congresso e inaugurava nova era

    Na manhã de 1º de maio de 1943, Dia do Trabalhador, há exatos 82 anos, Getúlio Vargas apareceu à sacada do Ministério do Trabalho, na Esplanada do Castelo, no centro do Rio de Janeiro. De lá, diante de uma multidão convocada pelas celebrações oficiais, anunciou a criação da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT. O gesto, meticulosamente coreografado, encerrava um ciclo de reformas iniciado na década de 1930 e simbolizava o compromisso do Estado com uma nova ordem nas relações entre capital e trabalho no país.

    Getúlio Vargas acena à multidão ao anunciar, da sacada do Ministério do Trabalho, a criação da CLT

    Getúlio Vargas acena à multidão ao anunciar, da sacada do Ministério do Trabalho, a criação da CLT Reprodução/Memorial da Democracia

    Sancionada por meio do Decreto-Lei nº 5.452, a CLT reuniu e organizou normas trabalhistas até então dispersas. Entrou em vigor em 10 de novembro daquele mesmo ano e transformou profundamente o mundo do trabalho no Brasil, conferindo amparo legal a direitos que, até então, eram promessas ou reivindicações históricas. A norma nascia com 922 artigos e sua criação renderia a Getúlio Vargas o apelio de “pai dos pobres”.

    Os motores da Consolidação

    A CLT foi gestada em meio a um contexto de profundas transformações sociais e econômicas. Três fatores principais impulsionaram sua criação, segundo historiadores: o avanço da urbanização, a necessidade de mediar os conflitos entre patrões e empregados e o receio estatal diante da ascensão de movimentos considerados subversivos, como o anarquismo e o comunismo.

    Embora o Brasil ainda fosse majoritariamente rural, Vargas via na industrialização o caminho para o desenvolvimento nacional. Para atrair mão de obra do campo às cidades, era preciso garantir condições mínimas de trabalho. Ao mesmo tempo, o governo buscava evitar greves e agitações sociais que ameaçassem a estabilidade política de seu regime.

    Mesmo 82 anos depois, a CLT continua a dividir opiniões. Para uns, representa um modelo rígido, oneroso e antiquado. Para outros, é uma das maiores conquistas sociais do país. O fato é que, reformada ou não, a CLT ainda sustenta grande parte da estrutura das relações de trabalho no Brasil.

    Uma lei nascida sem Parlamento

    A CLT nasceu em plena ditadura do Estado Novo. Com o Congresso Nacional fechado desde 1937, a legislação foi outorgada diretamente pelo Executivo, sem participação parlamentar ou debate público. Só em 1946, após a redemocratização, o Legislativo retomaria suas funções.

    Getúlio Vargas teve a primeira carteira de trabalho no país

    Getúlio Vargas teve a primeira carteira de trabalho no paísReprodução/Agência Senado

    O Estado Novo foi um regime ditatorial instaurado no Brasil entre 1937 e 1945, sob a liderança de Getúlio Vargas. Caracterizado pela centralização extrema do poder, forte apelo nacionalista e combate ao comunismo, o período teve inspiração em regimes fascistas da Europa. Logo no início, o governo fechou o Congresso Nacional, impôs rígida censura à imprensa e promulgou uma nova Constituição conhecida como Constituição Polaca. Para controlar a narrativa oficial e difundir a ideologia do regime, foi criado o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

    Apesar de seu nascedouro autoritário, a CLT representou um avanço civilizatório em um país recém-saído da escravidão e marcado por profundas desigualdades sociais. A comissão encarregada de sua redação incluía juristas como Arnaldo Lopes Süssekind, Oscar Saraiva e José Segadas Viana. O texto consolidava leis já existentes como o salário mínimo (1940) e a Justiça do Trabalho (1941) e se apoiava em doutrinas diversas: da “Rerum Novarum”, encíclica social da Igreja Católica, ao corporativismo italiano da “Carta del Lavoro”, do regime fascista de Benito Mussolini.

    Essa combinação conferiu à CLT um caráter ambíguo: ao mesmo tempo em que avançava em garantias aos trabalhadores, impunha limites à organização sindical. A unicidade sindical, a contribuição compulsória e a proibição de greves foram marcas do modelo de controle estatal sobre o movimento operário.

    O mito de São Januário

    Durante décadas, repetiu-se que a CLT havia sido anunciada por Vargas no Estádio de São Januário. A confusão é compreensível: o estádio do Vasco da Gama foi palco de discursos simbólicos em outras datas como em 1940, com a criação do salário mínimo, e em 1945, quando Vargas articulava seu retorno pela via eleitoral. Mas, em 1943, o presidente discursou apenas da sacada do Ministério do Trabalho.

    A imprensa da época como o Jornal do Brasil, o Correio da Manhã e A Noite não fez menção à presença de Vargas em São Januário. Em reportagem de 2 de maio de 1943, o JB registra que o presidente, diante de mais de 100 mil pessoas, afirmou buscar um equilíbrio entre capitalismo e socialismo na elaboração da nova legislação. “As nossas realizações em matéria de amparo ao trabalhador constituem um corpo de normas admiradas e imitadas por outros países”, disse ele. “Para atingir esse objetivo, não desencadeamos conflitos ideológicos, nem transformamos o Estado em senhor absoluto e o trabalhador em escravo.”

    O Correio da Manhã reproduziu na capa o discurso do presidente:

    Capa do jornal Correio da Manhã do dia 2 de maio de 1943

    Capa do jornal Correio da Manhã do dia 2 de maio de 1943Reprodução

    Entre os direitos estabelecidos, estavam a jornada de trabalho limitada, o descanso semanal remunerado, as férias, a licença maternidade e a obrigatoriedade da carteira profissional.

    Capa do jornal A Noite de 2 de maio de 1943

    Capa do jornal A Noite de 2 de maio de 1943 Reprodução/Biblioteca Nacional Digital/Agência Senado

    Uma legislação em mutação

    Com o passar do tempo, a CLT deixou de atender apenas aos operários urbanos e passou a abranger comerciários, bancários, trabalhadores rurais e outros setores. Em 1962, foi criado o 13º salário. Em 1966, surgiu o FGTS. E em 1988, a Constituição Federal incorporou diversos dispositivos da CLT ao seu texto, conferindo-lhes status de direito fundamental como a licença-maternidade, a jornada de 8 horas diárias e o descanso semanal.

    Desde sua promulgação, a CLT já foi alterada mais de 500 vezes. A reforma trabalhista de 2017, no governo Michel Temer, foi a mais abrangente: modificou mais de 100 artigos e introduziu mudanças profundas nas relações de trabalho.

    Entre os principais pontos: a criação do trabalho intermitente; a prevalência de acordos coletivos sobre a legislação; a vinculação das indenizações por dano moral ao salário do trabalhador; e o fim da contribuição sindical obrigatória. A reforma de Temer era defendida, na época, pelo governo, por parte do Congresso e pelo empresariado como um novo modelo que ampliaria o emprego formal. Previsão contestada ainda hoje por críticos das mudanças.

    Além disso, ao longo das décadas, foram aprovadas leis que flexibilizaram o modelo celetista: a substituição da estabilidade pelo FGTS em 1966, a regulamentação do trabalho temporário em 1974 e, mais recentemente, o banco de horas e o contrato por tempo determinado, a partir de 1998.

    A evolução da CLT e os principais marcos

    1941: Criação da Justiça do Trabalho.

    1943: Lançamento da CLT.

    1962: Inclusão do 13º salário.

    1967: Instituição do FGTS.

    1988: Constituição transforma diversos direitos da CLT em normas constitucionais.

    2017: Reforma trabalhista promovida pelo governo Temer altera mais de 100 dispositivos.

    Antes da CLT, o embrião

    Embora tenha se consolidado como marco inaugural do direito do trabalho no Brasil, a CLT foi precedida por uma série de normas. O primeiro registro de legislação social data de 1891, quando o presidente Deodoro da Fonseca proibiu o trabalho de crianças com menos de 12 anos em fábricas do Rio. Em 1907, o governo autorizou a formação de sindicatos. E em 1919, já se reconheciam os direitos a indenizações por acidentes de trabalho.

    A seguir, alguns dos principais marcos legislativos que antecederam a CLT:

    • Decreto nº 1.313, de 17 de janeiro de 1891 Regulamentava o trabalho infantil nas fábricas do Rio de Janeiro, fixando em 12 anos a idade mínima para o ingresso no mercado de trabalho.
    • Decreto nº 979, de 6 de janeiro de 1903 Autorizava trabalhadores da agricultura e da indústria rural a organizarem sindicatos voltados ao estudo, custeio e defesa de seus interesses.
    • Decreto nº 1.637, de 5 de janeiro de 1907 Estendia esse direito aos trabalhadores urbanos e permitia a formação de cooperativas. O objetivo era o mesmo: a representação e defesa coletiva dos profissionais.
    • Lei municipal nº 1.350, de 31 de outubro de 1911 (Rio de Janeiro) Regulamentava o horário de funcionamento do comércio carioca. Estabelecia que lojas abertas por mais de 12 horas diárias deveriam operar em dois turnos e fixava o domingo como dia de descanso obrigatório.
    • Decreto nº 3.724, de 15 de janeiro de 1919 Estabelecia o dever do empregador de indenizar o trabalhador ou seus dependentes em caso de acidente. Em caso de morte ou invalidez permanente, a indenização corresponderia a três anos de salário.
    • Decreto nº 4.682, de 23 de janeiro de 1923 Criava a Caixa de Aposentadoria e Pensões para os trabalhadores das estradas de ferro e concedia estabilidade no emprego após dez anos de serviço.
    • Lei nº 4.982, de 24 de dezembro de 1925 Concedia 15 dias de férias anuais, sem prejuízo de remuneração, aos empregados e operários de estabelecimentos comerciais, industriais e bancários.
    • Decreto nº 17.943-A, de 12 de outubro de 1927 Conhecido como Código de Menores, estabelecia normas de proteção à infância em todo o país. Proibia o trabalho de crianças com menos de 12 anos, o trabalho noturno de menores de 18 e a atuação de crianças e adolescentes em atividades perigosas ou insalubres, como pedreiras.
  • Lewandowski destaca atuação de Adriana Accorsi na PEC da Segurança Pública

    Lewandowski destaca atuação de Adriana Accorsi na PEC da Segurança Pública

    O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, destacou a atuação da deputada federal Adriana Accorsi (PT-GO) no debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Durante audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara, Lewandowski afirmou que a inclusão das guardas municipais no texto da PEC contou com o empenho da parlamentar.

    “Quero dar o testemunho que a inclusão na PEC das guardas municipais da forma como está se deve graças ao seu empenho e à sua expertise e à sua sabedoria, no que diz respeito a esse tema tão complicado, e à sua generosidade, porque vossa Excelência é oriunda da Polícia Civil e compreende a necessidade da colaboração da guarda civil”, declarou o ministro.

    Lewandowski ressalta papel de Adriana Accorsi na inclusão das guardas municipais na PEC da Segurança

    Lewandowski ressalta papel de Adriana Accorsi na inclusão das guardas municipais na PEC da SegurançaBruno Spada/Câmara dos Deputados

    Adriana Accorsi agradeceu o reconhecimento e reforçou a importância da medida. Segundo ela, as guardas civis vêm recebendo o devido reconhecimento. “Elas são também forças de segurança”, afirmou. A PEC da Segurança Pública, segundo a deputada, representa um avanço ao modernizar o arcabouço legislativo do setor. Ela defendeu que o envio da proposta ao Congresso amplia o debate sobre a reestruturação das políticas de segurança no país.

    Ainda durante a audiência, a deputada parabenizou o Ministério da Justiça e a Polícia Federal pela operação que apura um esquema de fraude no INSS, estimado em R$ 6,3 bilhões, envolvendo aposentados e pensionistas. Lewandowski garantiu que o caso será investigado “até as últimas consequências”.

  • Bolsonaro tem alta após 22 dias internado para cirurgia intestinal

    Bolsonaro tem alta após 22 dias internado para cirurgia intestinal

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta médica na manhã deste domingo (4), após permanecer internado por 22 dias no hospital DF Star, em Brasília. Ele foi submetido a uma complexa cirurgia de 12 horas no dia 13 de abril para desobstrução do intestino, causada por aderências decorrentes da facada que sofreu durante a campanha presidencial de 2018.

    Bolsonaro na frente do Hospital DF Star, neste domingo (4), após receber alta.

    Bolsonaro na frente do Hospital DF Star, neste domingo (4), após receber alta.Reprodução/Facebook (@jairmessias.bolsonaro)

    Acompanhado da esposa, Michelle Bolsonaro, e dos médicos Cláudio Birolini e Leandro Echenique, Bolsonaro deixou o hospital caminhando e falou rapidamente com apoiadores e jornalistas. “Muito obrigado para quem acompanhou, para quem orou, para quem pediu a Deus”, declarou.

    Durante a internação, Bolsonaro passou duas semanas na UTI, voltou a se alimentar por via oral e seguiu um protocolo de fisioterapia motora. Os médicos adotaram medidas preventivas contra trombose venosa e indicaram que, nos próximos dias, ele deve manter dieta pastosa e evitar esforços físicos e aglomerações.

    Segundo Birolini, a recuperação do ex-presidente ainda exige cuidados. “Felizmente tudo correu dentro do esperado. Ainda em fase de recuperação, esperamos que ele siga as orientações e mantenha resguardo por três a quatro semanas”, afirmou o médico.

    A cirurgia foi necessária após Bolsonaro sentir-se mal durante um evento do PL no Rio Grande do Norte. Após atendimento inicial no estado, ele foi transferido para Brasília, onde a equipe médica identificou um quadro de suboclusão intestinal obstrução parcial provocada por sequelas de intervenções anteriores.

  • Senado vota projeto de atenção a pessoas vítimas de queimaduras

    Senado vota projeto de atenção a pessoas vítimas de queimaduras

    O plenário do Senado analisa nesta semana três propostas de emenda à Constituição (PEC) e dois projetos de lei. Entre as matérias em pauta está o projeto de lei 4.558/2019 que estabelece diretrizes para a formulação de políticas públicas para pessoas vítimas de queimaduras.

    Plenário do Senado

    Plenário do SenadoAndressa Anholete/Agência Senado

    De iniciativa do deputado Marreca Filho (PRD-MA), a proposição garante assistência integral de vítimas de queimaduras no Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive garantindo cirurgia plástica reparadora, quando necessário. O texto recebeu parecer favorável na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, e a votação está marcada para terça-feira (6).

    A Casa Alta ainda realiza a discussão da PEC 52/2023, que modifica a Constituição para incluir a educação inclusiva em todos os níveis como um dos princípios da educação nacional. A proposta terá sua primeira sessão de discussão na terça-feira. Ao todo, são necessárias cinco sessões para o texto poder ser votado.

    A PEC 81/2015, que insere entre as competências dos entes federativos a proteção do idoso, terá sua quinta e última sessão nesta terça. Após isso, o texto já pode ser votado. O mesmo vai se aplicar à proposta de emenda à Constituição 37/2022. Na terça-feira será realizada a quarta sessão de discussão e no dia seguinte, a última, o que permite a votação da matéria.

    A proposta de autoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) inclui as guardas municipais e os agentes de trânsito entre os órgãos que compõem o sistema de segurança pública.

    Além dessas matérias, o Senado analisa na terça-feira um projeto de decreto legislativo que aprova acordo de serviços aéreos entre Brasil e Albânia e uma outra matéria que institui o Grupo Parlamentar Brasil-União Europeia no Senado Federal. Na quarta-feira (7), o plenário realiza sessões de discussão das PECs 81/2015 e 37/2022.

    Outras matérias na pauta são o projeto de lei complementar 257/2020, que prevê a representação empresarial de todos estados do Centro-Oeste no Conselho Deliberativo do Desenvolvimento do Centro-Oeste CONDEL/SUDECO, e o projeto de lei 394/2020, que cria a Rota Turística Histórica Belém-Bragança, no Estado do Pará. Por fim, o plenário também vota a instituição da Comenda Governadores pela Alfabetização das Crianças na Idade Certa no Senado e a aprovação do Estatuto do Comitê Internacional de Medicina Militar (CIMM).

  • Notícias falsas de eleições acirraram violência contra TSE, diz Moraes

    Notícias falsas de eleições acirraram violência contra TSE, diz Moraes

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do julgamento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o núcleo 4 da trama golpista, afirmou nesta terça-feira (6) que as ações de desinformação do grupo aumentaram a violência da população contra o Poder Judiciário, incluindo o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O magistrado fez a afirmação durante a leitura do relatório.

    Ministro Alexandre de Moraes

    Ministro Alexandre de MoraesTSE

    Segundo a PGR, “a responsabilidade pelos atos lesivos à ordem democrática recai sobre organização criminosa liderada por Jair Bolsonaro”. Alexandre de Moraes também afirmou que os integrantes do núcleo 4 estavam cientes do plano maior para ruptura institucional. O grupo realizou, conforme o ministro, “atos dolosos ordenados à abolição do Estado democrático de Direito e à deposição do governo legitimamente eleito”.

    Além de compor um grupo de desinformação e propagação de notícias falsas, os membros do núcleo fizeram uso ilegal da Agência Brasileira de Informação (Abin), como um centro de contrainteligência a fim de promover as ações do grupo e monitorar autoridades. A PGR apontou que o núcleo esteve ativo de julho de 2021 até janeiro de 2023.

    “O ímpeto de violência da população contra o Poder Judiciário foi exacerbado pela manipulação de notícias eleitorais baseadas em dados falsos. Ações de monitoramento contra autoridades públicas colocaram em risco iminente o pleno exercício dos poderes constitucionais”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes.

    O magistrado acrescentou que os investigados foram notificados entre 19 e 27 de fevereiro. A defesa dos denunciados receberam a íntegra da denúncia da PGR e a colaboração premiada de Mauro Cid. Os advogados dos membros do núcleo 4 apresentaram recursos alegando impedimento, suspeição e ausência de imparcialidade do ministro relator. Também argumentaram a ausência de individualização das penas e pediram a nulidade da colaboração. A Procuradoria afastou os argumentos.

    O julgamento

    Nesse momento, a Turma – composta pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino – julga apenas se a denúncia da PGR atende aos requisitos legais para a abertura de uma ação penal contra os investigados. A Primeira Turma já acolheu as denúncias do órgão contra o núcleo 1 e 2 da trama golpista, que somam 14 réus. O julgamento do núcleo 3, por sua vez, está marcado para 20 e 21 de maio.

    O núcleo 4 tem os seguintes acusados: Ailton Gonçalves Moraes Barros, Ângelo Martins Denicoli, Giancarlo Gomes Rodrigues, Guilherme Marques de Almeida, Reginaldo Vieira de Abreu, Marcelo Araújo Bormevet e Carlos Cesar Moretzsohn Rocha. Eles são acusados dos seguintes crimes: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, envolvimento em organização criminosa, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.

  • Duarte Jr. rebate críticas sobre projeto que trata da Lei Brasileira de Inclusão

    Duarte Jr. rebate críticas sobre projeto que trata da Lei Brasileira de Inclusão

    O deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA) respondeu nesta terça-feira (6) às críticas feitas pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) sobre o Projeto de Lei 1584/2025, que propõe a criação do Código Brasileiro de Inclusão (CBI). O parlamentar, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Câmara, defendeu o texto e rebateu as acusações de que o projeto representaria um retrocesso para os direitos das pessoas com deficiência.

    Anteriormente, Mara afirmou que Duarte Jr. não teria cumprido compromissos assumidos durante uma reunião realizada em abril, quando prometeu revisar e até considerar a retirada da proposta. A senadora acusa o deputado de tentar revogar a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) sob o pretexto de modernizar a legislação e disse que o projeto poderia apagar conquistas históricas do setor.

    O projeto, que já provocou reações em movimentos sociais e gerou manifestações de rua, está sendo debatido em audiência pública na Câmara, com participação de representantes da sociedade civil.

    Parlamentar nega que projeto sobre pessoas com deficiência represente retrocesso e reforça compromisso com diálogo

    Parlamentar nega que projeto sobre pessoas com deficiência represente retrocesso e reforça compromisso com diálogoKayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Nota do deputado Duarte Jr.

    Em resposta às declarações da senadora, Duarte Jr. divulgou nota oficial defendendo o projeto e apresentando sua versão dos fatos. Confira a íntegra:

    Diante das declarações públicas da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) sobre o Projeto de Lei 1584/2025, que institui o Código Brasileiro de Inclusão (CBI), o presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Câmara dos Deputados, deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), esclarece:

    1. O Código Brasileiro de Inclusão não revoga direitos unifica todas as leis que tratam dos direitos das pessoas com deficiência e garante uma linguagem simples e mais acessível.

    O Código Brasileiro de Inclusão não revoga a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), nem qualquer outro dispositivo legal, conforme afirmou a senadora. O texto está em absoluta conformidade com o artigo 212 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados e com a Lei Complementar nº 95/1998, que regulam a tramitação de projetos de consolidação de leis. Portanto, é expressamente proibida a revogação, a criação de novos dispositivos e quaisquer alterações que prejudiquem os direitos já conquistados.

    2. O CBI atende ao apelo dos movimentos sociais, por meio da Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

    A proposta responde diretamente ao Apelo 13 da Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, um dos mais importantes fóruns participativos da causa. O que se propõe é a atualização de termos capacitistas e discriminatórios ainda presentes em textos legais como “pessoa com defeito” ou “portador de deficiência” substituindo-os por uma linguagem simples e correta.

    3. A senadora foi procurada e se manteve em silêncio.

    Ao contrário do que afirmou publicamente, a senadora Mara Gabrilli não respondeu à tentativa de contato do deputado Duarte Jr. nesta segunda-feira (5), para uma nova conversa. Desde o início, a tentativa de diálogo partiu do deputado, que busca a união de todos em prol de mais acesso e oportunidades às pessoas com deficiência, a fim de evitar mal-entendidos e preservar o ambiente de construção coletiva em torno do projeto. O silêncio diante da última tentativa revela uma postura incompatível com a importância da pauta.

    4. A audiência pública desta terça-feira é prova do compromisso com o diálogo.

    É importante esclarecer que o parlamentar está disposto, sim, a reavaliar a proposta e realizar qualquer modificação necessária sendo esse o motivo principal da realização da audiência pública nesta terça-feira (6), com mais de 700 movimentos sociais confirmados. Ouvir e dialogar para construir. Afinal, ele acredita e pratica o lema: “Nada sobre nós, sem nós”.

    5. Criar conflitos públicos só atrasa a luta por mais direitos.

    É lamentável que questões técnicas estejam sendo instrumentalizadas como disputa de protagonismo. Duarte Jr. é pai atípico e um parlamentar cuja luta é pautada pela coragem e seriedade o que demonstra na prática, e não apenas no discurso seu compromisso com os direitos das pessoas com deficiência. Foi assim ao articular um movimento que impediu retrocessos no BPC, enfrentando até mesmo orientações do governo em defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

    6. O momento exige responsabilidade.

    O Congresso Nacional tem a oportunidade de avançar em uma agenda de simplificação do acesso às leis e fortalecimento dos direitos das pessoas com deficiência. Lutar contra isso é lutar contra os direitos daqueles que não têm condições de brigar por seus direitos.

    O deputado reafirma que a luta pela inclusão não é uma pauta de direita nem de esquerda. O caminho para garantir justiça social passa pelo diálogo não pelo ataque.

    Duarte Jr. segue trabalhando firme e sempre aberto ao diálogo com todos que queiram contribuir para garantir, na prática, mais respeito, dignidade, oportunidade e inclusão para as pessoas com deficiência.

  • STF pode anular acordo e presidente da CBF Ednaldo Rodrigues deve cair

    STF pode anular acordo e presidente da CBF Ednaldo Rodrigues deve cair

    A presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) balança e já é considerada questão de tempo até que Ednaldo Rodrigues seja oficialmente afastado do cargo. A eleição que o manteve no poder está na iminência de ser anulada, após um novo capítulo judicial trazer à tona vícios no acordo que garantiu sua permanência.

    Na noite de segunda-feira (27), a deputada federal Daniela Carneiro (União Brasil-RJ), conhecida como Daniela do Waguinho, protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) petição que pede o afastamento imediato de Ednaldo da presidência e a reavaliação do acordo homologado pela Corte em fevereiro deste ano. Pacto esse que havia encerrado a ação que contestava a validade do processo eleitoral da entidade esportiva.

    O documento apresentado pela parlamentar inclui um laudo pericial que questiona a autenticidade da assinatura do ex-presidente da CBF, Coronel Nunes, no acordo firmado entre os dirigentes. Segundo a perícia, há “dúvidas razoáveis” sobre a legitimidade da rubrica.

    Além disso, laudo médico emitido em 2023 por Jorge Pagura, chefe do departamento médico da própria CBF, atesta que Nunes “não detinha condições físicas e cognitivas para expor seu aceite a qualquer condição que lhe fosse apresentada”.

    Diante das novas provas, a parlamentar recorreu ao artigo 168 do Código Civil, que permite ao Judiciário anular um negócio jurídico caso comprovado vício de consentimento.

    Com isso, o acordo que validava a eleição de Ednaldo pode ser declarado nulo, abrindo caminho para o fim de sua gestão.

    Acordo pode ser anulado pelo STF e Ednaldo Rodrigues deve deixar a CBF

    Acordo pode ser anulado pelo STF e Ednaldo Rodrigues deve deixar a CBFAloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress

    Trama judicial da CBF

    A origem do imbróglio remonta a 2017, quando o Ministério Público do Rio de Janeiro ingressou com uma Ação Civil Pública contra as mudanças promovidas no estatuto da CBF, que reduziram o poder de voto dos clubes e ampliaram a influência das federações estaduais. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado, obrigando a entidade a revisar seu estatuto.

    Em 2022, a eleição de Ednaldo Rodrigues, então vice de Nunes, foi considerada uma tentativa de dar fim ao litígio. A solução, no entanto, ruiu em dezembro de 2023, quando o Tribunal de Justiça do Rio anulou o TAC e destituiu Ednaldo.

    Ele retornou ao cargo em janeiro de 2024 por força de liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF.

    No mês seguinte, Gilmar homologou um novo acordo, assinado por cinco dirigentes entre eles, Nunes. A homologação arquivou a ação e permitiu que Ednaldo fosse reeleito por aclamação em março, com mandato até 2030.

    Agora, com a nova petição e os laudos anexados, o STF deve reavaliar a validade do acordo. O relator do caso, Gilmar Mendes, será responsável por decidir se há elementos suficientes para reconsiderar sua decisão anterior.

    Enquanto isso, o ministro Flávio Dino já devolveu os autos após pedir vista em outubro de 2024.

    O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, agendou para 28 de maio o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) relacionada ao caso.

    STJD na linha de frente

    Se o STF anular o acordo, o cenário será de vacância no comando da CBF. A previsão é que o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luís Otávio Veríssimo Teixeira, assuma a chefia da entidade de forma temporária até a realização de uma nova eleição, conforme prevê o regimento interno da CBF.

    A queda de Ednaldo, que há poucos meses parecia improvável, agora é tratada como questão de tempo. O ambiente jurídico e político aponta para a inevitável anulação da eleição que o reconduziu ao cargo, abrindo caminho para uma nova disputa interna.

    O episódio, que já envolve ministros do Supremo, parlamentares e antigos dirigentes, promete encerrar mais um capítulo turbulento da história da CBF – entidade historicamente marcada por disputas de poder, acordos questionáveis e desafios à sua legitimidade.

  • MP investiga Tarcísio por funcionamento de delegacias da mulher

    MP investiga Tarcísio por funcionamento de delegacias da mulher

    O Ministério Público de São Paulo (MPSP) acolheu uma representação da deputada Juliana Cardoso (PT-SP) e abriu investigação contra ao governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) para apurar falhas no funcionamento das delegacias especializadas de atendimento à mulher em São Paulo. De acordo com ela, o governo está descumprindo a determinação legal de que esse tipo de delegacia funcione por 24 horas.

    A deputada Juliana Cardoso (PT-SP) enviou ao MP a representação contra o governador Tarcísio de Freitas, pedindo a investigação por possível improbidade administrativa.

    A deputada Juliana Cardoso (PT-SP) enviou ao MP a representação contra o governador Tarcísio de Freitas, pedindo a investigação por possível improbidade administrativa.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados e Pablo Jacob/Governo de SP

    A lei que obriga as delegacias da mulher a funcionarem “ininterruptamente, inclusive em feriados e finais de semana” foi sancionada pelo presidente Lula em 2023. Em municípios em que não houver nenhum estabelecimento do tipo, as delegacias devem priorizar os atendimentos a mulheres vítimas de violência, com a presença de uma agente feminina especializada.

    Segundo a deputada Juliana Cardoso, o governo Tarcísio tem realizado um “avanço lento e insatisfatório” e “não vem implementando o que é determinado”. A peça enviada ao MPSP destaca alguns dados: Juliana destaca que 87% das delegacias da mulher não funcionam aos finais de semana nem aos feriados, e, durante a semana, fecham as portas às 18h, “como se as mulheres após esses horários estivessem protegidas”.

    A deputada cita ainda a informação de que, segundo o governo estadual, só 11 delegacias de mulher funcionavam em regime integral até fevereiro de 2025. Também menciona o uso de salas on-line para o atendimento, medida que qualifica como “insuficiente, uma vez que não proporciona o mesmo nível de acolhimento e atendimento” das delegacias.

    A representação foi acolhida pelo MP no último domingo (4). Via assessoria de imprensa, a deputada informou o Congresso em Foco que dois procedimentos foram abertos – um para analisar a execução da lei e outro para investigar a possibilidade de improbidade administrativa por parte do governador.

  • Senado aprova matéria que cria Rota Turística Belém-Bragança no Pará

    Senado aprova matéria que cria Rota Turística Belém-Bragança no Pará

    O Senado aprovou nesta quarta-feira (7) o projeto de lei 394/2020, de autoria do ex-deputado e atual ministro do Turismo, Celso Sabino. O texto cria a Rota Turística Histórica Belém-Bragança no estado do Pará. A matéria vai à sanção presidencial.

    Senador Zequinha Marinho

    Senador Zequinha MarinhoAndressa Anholete/Agência Senado

    Conforme o ministro na justificativa do projeto, o objetivo é “fomentar o turismo, promover o crescimento econômico e valorizar os bens naturais e culturais da região”. Para o relator do texto no Senado, Zequinha Marinho (Podemos-PA) a criação da rota turística é “uma iniciativa estratégica que visa promover o desenvolvimento econômico, cultural e turístico”.

    A rota conecta os municípios de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Izabel do Pará, Castanhal, São Francisco do Pará, Igarapé-Açu, Nova Timboteua, Peixe-Boi, Capanema, Tracuateua e Bragança. O percurso histórico, aponta o relator, percurso resgata a importância da antiga Estrada de Ferro Belém-Bragança, que foi fundamental para a integração regional e o crescimento econômico da região no início do século XX.

    A matéria ainda prevê que “a estruturação, a gestão e a promoção dos atrativos turísticos consubstanciados na Rota Turística Histórica Belém-Bragança receberão o apoio dos programas oficiais destinados ao fortalecimento da regionalização do turismo”.

  • Conclave: segundo dia começa sem definição de novo papa

    Conclave: segundo dia começa sem definição de novo papa

    Ainda não foi desta vez. Assim como na quarta-feira (7), o segundo dia do Conclave no Vaticano começou com fumaça preta na manhã desta quinta-feira (8), sinal de que os cardeais ainda não chegaram a um consenso sobre quem será o novo papa. A fumaça escura surgiu no começo desta manhã (horário de Brasília), indicando que as duas votações realizadas na Capela Sistina durante a manhã não foram suficientes para eleger o sucessor do Papa Francisco.

    Fiéis aguardam na Praça de São Pedro o anúncio do novo papa

    Fiéis aguardam na Praça de São Pedro o anúncio do novo papaJulia Mineeva/Thenews2/Folhapress

    Mais de 12 mil fiéis e turistas acompanharam atentos a saída da fumaça da chaminé instalada no telhado da Capela Sistina, sob o olhar das câmeras de imprensa do mundo inteiro. A decepção momentânea não eliminou a expectativa: ainda há possibilidade de que o novo pontífice seja escolhido nesta quinta. Duas novas rodadas de votação estão previstas para a parte da tarde.

    Saiba quem são os 133 cardeais participantes do Conclave

    Dois terços

    Para que um cardeal seja eleito papa, é necessário alcançar o apoio de dois terços dos 133 cardeais eleitores ou seja, ao menos 89 votos. Esta já é a segunda fumaça preta desde o início do Conclave, que começou oficialmente na quarta-feira (7), quando a primeira votação também terminou sem definição.

    Como de costume, as primeiras rodadas de votação servem, muitas vezes, como espaço simbólico para sinalizar preferências e alianças. A expectativa de uma escolha rápida era considerada improvável, embora não impossível.

    Expectativa continua

    A próxima votação está prevista para ocorrer por volta das 12h30 (horário de Brasília). Caso os cardeais cheguem a um acordo, fumaça branca sairá da chaminé e o nome do novo papa será anunciado ao mundo. Se não houver consenso, nenhuma fumaça será emitida nesse momento. Uma quarta votação pode acontecer perto das 14h. Se também não houver escolha, nova fumaça preta sairá da Capela Sistina.

    Os 133 cardeais eleitores representam 52 países dos cinco continentes, evidenciando a diversidade da Igreja Católica. A Itália lidera com 23 cardeais, seguida por Estados Unidos (9), Brasil (5), Espanha (5), França (4) e Índia (4). Apenas os cardeais com menos de 80 anos têm direito a voto, e dois deles Antonio Cañizares Llovera, da Espanha, e Vinko Puljic, da Bósnia e Herzegovina não participam por questões de saúde. Participam da votação apenas cardeais com mais de 80 anos. O escolhido, no entanto, pode ter qualquer idade e, por isso, não estar presente no Conclave.

    Tradição e simbolismo

    O termo “conclave” vem do latim cum clave, que significa “com chave”, em referência à tradição de trancar os cardeais até que escolham um novo líder para a Igreja. Desde o século XIII|, o processo é cercado de sigilo e rituais, e segue atualmente as diretrizes estabelecidas pela Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, promulgada por João Paulo II em 1996.

    Se confirmado nesta quinta-feira, o nome do novo papa poderá ser anunciado ainda hoje ao mundo da sacada da Basílica de São Pedro, com o tradicional “Habemus Papam”.