Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Saiba o que prevê a regulamentação dos programas de milhagens

    Saiba o que prevê a regulamentação dos programas de milhagens

    Em pauta na sessão deliberativa da Câmara dos Deputados desta terça-feira (10), o projeto de lei 2.767/2023 propõe a regulamentação dos programas de milhagens oferecidos por companhias aéreas e demais programas de fidelidade. O texto dispõe sobre prazo de validade das milhas, critérios para aquisição e vendas dos ativos, entre outros.

    Projeto prevê regramento para programas de milhas aéreas.

    Projeto prevê regramento para programas de milhas aéreas.Tomaz Silva/Agência Brasil

    Originalmente, a proposição de autoria do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM) legislava apenas sobre milhas. Porém, foram apensados, isto é, juntados, outros projetos de lei que dispõem sobre programas de fidelidade. Com isso, o relator da matéria, deputado Jorge Braz (Republicanos-RJ) apresentou um substitutivo – um novo texto – contemplando os assuntos abordados pelo projeto original e pelos apensados.

    Dessa forma, o texto a ser votado em plenário ficou diferente do inicial apresentado pelo parlamentar amazonense. Para a equipe de Amom Mandel, as mudanças colocam em questão se as milhas serão tratadas como “instrumento de fidelização com flexibilidade de uso sob controle do consumidor, ou como ativos regulados com implicações patrimoniais mais complexas”. Um dos pontos de maior mudança é a possibilidade de venda de milhas.

    O que diz o projeto original

    A matéria original inicia conceituando os programas de milhas aéreas como “aqueles em que o cliente pode acumular pontos mediante o embarque na companhia aérea promotora ou companhias parceiras ou através do pagamento de compras ou faturas em cartão crédito de instituições financeiras parceiras”. Em seguida o texto dispõe sobre a validade das milhas.

    De acordo com a matéria, as milhas terão validade mínima de três anos, sendo obrigatória a comunicação do cliente seis meses antes da expiração das milhas. Outra obrigação no texto é de que as empresas devem informar mensalmente o saldo dos clientes.

    Por fim, o projeto proíbe a venda de milhas para terceiros, proíbe também a cobrança de taxa para transferir milhas de instituições financeiras para os programas de milhagens das empresas aéreas.

    “Acreditamos que diante do aumento do mercado de fidelização dos clientes é necessário que esse mercado se fixe dentro de certos parâmetros. Não podemos concordar, por exemplo, que unilateralmente as companhias aéreas mudem as regras de seus programas de fidelidade restando aos consumidores aceitá-las sem nenhuma possibilidade de se proteger frente a essas alterações”, justifica o deputado.

    O que muda com o substitutivo

    Em primeiro lugar, o substitutivo de Jorge Braz é mais abrangente no conteúdo da proposição. O texto disciplina sobre os programas instituídos ou administrados por fornecedores de bens e serviços visando a retenção de clientes, englobando programas de milhagens fornecidos ou administrados por companhias aéreas e demais programas de fidelidade.

    Conforme o relator, o entendimento seguido é o mesmo apontado pelo deputado Celso Russomano, de que “as milhas são verdadeiros ativos, comercializados diretamente pelas empresas aéreas e por empresas intermediárias e não apenas bonificações dadas gratuitamente ao consumidor sem nenhuma contraprestação pecuniária”. Por isso é permitida a venda no substitutivo.

    “Entendemos que não permitir a venda dos pontos para terceiros pode se configurar em prejuízo ao consumidor que não poderá transacionar esses direitos adquiridos”, argumentou o deputado. ” A permissão para a venda de pontos e milhas de programas de fidelidade e milhagens para terceiros é uma medida estratégica que visa promover um mercado mais dinâmico e acessível. Restringir essa possibilidade impõe uma limitação significativa aos consumidores, que ficam impedidos de transacionar seus direitos adquiridos”.

    A matéria também altera o texto de Amom em relação à validade das milhas. Enquanto o texto do deputado amazonense prevê validade de três anos, o substitutivo do parlamentar fluminense propõe um sistema mais sofisticado.

    De acordo com o texto, as milhas compradas são imprescritíveis. Os pontos e milhas que não exijam transferência monetária dos clientes terão validade de 30 meses, dois anos e meio. Após serem expirados, os ativos podem ser reativados, dentro de 24 meses, mediante pagamento de taxa.

    Sobre a transparência, o substitutivo, além de propor comunicação mensal do saldo dos clientes, obriga as empresas a divulgarem os regulamentos e avisarem em seis meses as mudanças no contrato. No texto de Amom o prazo era de um ano para as mudanças contratuais entrarem em vigor.

    Diante das mudanças em relação à possibilidade de vendas das milhas para terceiros, as mudanças na validade das milhas e a possibilidade de reembolso de milhas compradas, o autor da matéria deve apresentar emenda em plenário para que o texto fique mais próximo da proposição inicial.

    “O PL original, de minha autoria tinha como foco o consumidor, já que ele é o maior prejudicado com a falta de regulamentação. Maior transparência e segurança jurídica aos consumidores nos programas de milhagem deveria ser a prioridade das companhias aéreas e sites especializados. O consumidor se tornou segundo plano nas discussões dos deputados, portanto estou contra o projeto na forma como ele está hoje.”, afirmou Amom Mandel ao Congresso em Foco.

  • Soraya pede indiciamento de Virginia, Deolane e outras 14 pessoas

    Soraya pede indiciamento de Virginia, Deolane e outras 14 pessoas

    Virgínia em depoimento na CPI das Bets em maio.

    Virgínia em depoimento na CPI das Bets em maio.Gabriela Biló/Folhapress

    A influenciadora Deolane Bezerra e a empresária digital Virginia Fonseca estão entre os nomes mais destacados da lista de 16 pessoas que a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) propôs para indiciamento no relatório final da CPI das Bets, entregue nesta segunda-feira (10). Duas empresas, a Paybrokers e a BRAX Produção e Publicidade, também foram incluídas na relação de suspeitos.

    O documento conclui que o setor de apostas esportivas on-line se transformou em um ambiente de fraudes, manipulações e crimes financeiros, diante da ausência de fiscalização eficaz do Estado. Os pedidos de indiciamento, segundo a relatora, são medidas iniciais para viabilizar ações penais, civis e administrativas, além de permitir bloqueios de bens e investigações fiscais.

    Cabe agora à comissão aprovar ou não as recomendações da relatora. A senadora faz a leitura de seu relatório na CPI neste momento. Assista à transmissão:

    Deolane Bezerra: plataforma ilegal, R$ 5 milhões e influência enganosa

    A principal acusação contra Deolane Bezerra é sua relação com a plataforma Zeroumbet, apontada pela CPI como um site não credenciado junto ao Ministério da Fazenda, que operava ilegalmente no Brasil e no exterior. Segundo a senadora, Deolane divulgou em seus perfis nas redes sociais, informações falsas, como a de que a plataforma era autorizada pelo governo federal.

    A relatora afirma que a influenciadora e advogada usou sua imagem pública para dar aparência de legalidade a uma operação criminosa, incentivando seguidores a apostar em um ambiente sem transparência ou segurança jurídica.

    De acordo com as investigações, empresas ligadas à influenciadora movimentaram R$ 5 milhões com indícios de lavagem de dinheiro, por meio de contratos de fachada. A relatora também identificou elementos de organização criminosa, com estrutura montada para burlar a legislação brasileira e ocultar a origem dos recursos.

    Deolane foi convocada a depor, mas não compareceu, amparada por decisão judicial. Mesmo assim, a CPI concluiu haver provas suficientes para sugerir seu indiciamento pelos crimes de:

    • Lavagem de dinheiro
    • Organização criminosa
    • Estelionato
    • Exploração ilegal de jogos de azar

    Virginia Fonseca: ganhos fictícios e propaganda enganosa

    Já a influenciadora Virginia Fonseca admitiu à CPI ter divulgado apostas on-line utilizando contas simuladas, ou seja, sem valores reais, apenas para encenar vitórias e lucros. Essas ações foram consideradas propaganda enganosa e possível estelionato, por induzir seguidores a apostarem dinheiro real com base em promessas fictícias de ganho.

    O relatório destaca que Virginia violou deveres de transparência, especialmente por ter grande influência entre jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade financeira, grupos mais suscetíveis ao vício em jogos. De acordo com a senadora, a conduta de Virginia era “grave não só por induzir em erro, mas por mascarar os verdadeiros riscos e estimular o vício entre milhões de seguidores”.

    A relatora recomenda seu indiciamento por:

    • Propaganda enganosa
    • Estelionato

    Além disso, Soraya sugere o envio dos autos ao Ministério Público e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), para apuração de responsabilidade penal e possível sanção administrativa.

    Quem mais está na lista de indiciamentos?

    A senadora propôs o indiciamento de outras 14 pessoas por diferentes crimes relacionados ao funcionamento de casas de apostas ilegais, intermediação financeira, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

    • Marcus Vinicius Freire de Lima e Silva: lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e tráfico de influência;
    • Adélia de Jesus Soares, Daniel Pardim, Leila Pardim: lavagem de dinheiro e organização criminosa;
    • Ana Beatriz Barros, Jair Machado Jr., José Saturnino, Marcella Oliveira, Gilliard Oliveira: todos ligados à operação da Zeroumbet;
    • Pâmela Drudi: promoção enganosa de apostas;
    • Erlan e Fernando Oliveira Lima, Toni Rodrigues: ligados a empresas de fachada e movimentações financeiras suspeitas;
    • Bruno Viana Rodrigues: lavagem, organização criminosa e exploração de jogos.

    Empresas também na mira

    Duas empresas foram indicadas para investigação:

    • BRAX Produção e Publicidade Ltda.: fachada para movimentações atípicas e lavagem de dinheiro ligada a eventos esportivos;
    • Paybrokers EFX Facilitadora de Pagamentos S.A.: acusada de intermediar pagamentos entre jogadores e plataformas ilegais, facilitando sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

    A senadora Soraya enfatizou que os pedidos de indiciamento não representam condenação, mas sim a formalização de indícios para que o Ministério Público, Receita Federal, Banco Central, Senacon e outros órgãos conduzam investigações e possíveis responsabilizações.

    “O Brasil virou um faroeste digital das apostas. Essa CPI é um freio de arrumação para proteger famílias, consumidores e a ordem econômica”, concluiu a relatora. Soraya também propõe 20 medidas para coibir jogos altamente viciantes. Entre elas, a proibição do chamado jogo do tigrinho.

  • Ativista brasileiro rejeita termo de deportação e segue em Israel

    Ativista brasileiro rejeita termo de deportação e segue em Israel

    Embarcação com ativistas que tentaram furar o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza.

    Embarcação com ativistas que tentaram furar o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza.Reprodução/Instagram

    O publicitário e ativista brasileiro Thiago Ávila segue detido em Israel após se recusar a assinar um termo de deportação que o obrigaria a reconhecer a acusação de ter invadido o espaço marítimo israelense. Thiago coordenava a Flotilha da Liberdade, embarcação humanitária que tentou furar o bloqueio à Faixa de Gaza para levar alimentos, água potável e medicamentos à população palestina.

    Além do brasiliense, outros sete ativistas rejeitaram o documento, entre eles a eurodeputada francesa de origem palestina Rima Hassan. Quatro dos 12 integrantes da missão, incluindo a sueca Greta Thunberg, aceitaram as condições impostas por Tel Aviv e foram deportados. Já os demais permanecem sob custódia das autoridades israelenses, em um centro de detenção na cidade de Ramla.

    “Eles disseram que não vão assinar porque entendem que não cometeram o crime que Israel está tentando imputar a eles (…). Estavam apenas levando ajuda humanitária para a Faixa de Gaza”, afirmou Ivo de Araújo Oliveira Filho, pai de Thiago, ao Congresso em Foco. “Estão fechados entre eles: nenhum deles assinará a deportação se a decisão não valer para todos.”

    Como mostrou este site pela manhã, Ivo estava convicto de que o filho voltaria ainda hoje para o Brasil. O Itamaraty acompanha o brasileiro em Israel.

    Interceptação em águas internacionais

    Segundo relatos do grupo e da emissora Al Jazeera, o barco humanitário Madleen foi interceptado por navios da Marinha israelense na noite de domingo (8), a cerca de 185 km da costa de Gaza. A embarcação havia partido da Itália em 1º de junho com 12 ativistas de diferentes nacionalidades, em missão coordenada pela Coalizão Flotilha da Liberdade.

    Após a abordagem, o navio foi rebocado até o porto de Ashdod, onde chegou na noite de segunda-feira (9). Os ativistas foram mantidos em celas isoladas e submetidos a interrogatórios. Israel ofereceu liberação imediata na madrugada seguinte, sob a condição de que todos assinassem o termo de deportação, o que representaria, na prática, a confissão de um crime que o grupo nega ter cometido.

    “Aqueles que se recusarem a assinar os documentos de expulsão e a abandonar Israel serão apresentados a uma autoridade judicial, de acordo com a legislação israelense, para que autorize sua expulsão”, informou o Ministério das Relações Exteriores de Israel.

    “Não era um iate de selfies”

    Diante das acusações israelenses de que o barco seria uma ação midiática, Ivo Oliveira Filho rebateu. “Não era um iate de selfies, ao contrário do que disse o governo israelense”, afirmou. Ele destacou a seriedade da missão humanitária.

    O objetivo do grupo era entregar mantimentos básicos a uma população civil em situação desesperadora desde outubro de 2023, quando Israel iniciou sua ofensiva militar contra Gaza, descrita por entidades humanitárias e organizações internacionais como um possível genocídio.

    A detenção de Thiago Ávila causou forte mobilização no Brasil. Ainda na segunda-feira, Lara Souza, esposa do ativista, foi recebida pela secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha. O governo brasileiro reforçou ainda seu compromisso com o Estado da Palestina e criticou duramente a operação israelense, enfatizando que a abordagem ocorreu em águas internacionais, o que constitui, segundo especialistas e ativistas, uma violação do direito internacional.

    Antes de receber confirmação sobre o paradeiro do filho, Ivo fez um apelo emocionado ao Congresso em Foco, relatando que havia perdido contato com Thiago às 17h29 do domingo (8), momentos antes da interceptação. A última mensagem foi um áudio enviado via Instagram: “Vai ficar tudo bem, amo vocês”, disse o ativista à família. A gravação comoveu autoridades e impulsionou as ações diplomáticas do Itamaraty. Ouça:

  • Cassação de Zambelli será decidida em plenário, diz Hugo Motta

    Cassação de Zambelli será decidida em plenário, diz Hugo Motta

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (10) que a decisão sobre a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) será levada ao plenário. A declaração foi feita em resposta à questão de ordem apresentada pelo deputado André Fernandes (PL-CE), que solicitou explicações sobre o procedimento que será adotado pela Casa diante da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

    “Com relação ao cumprimento da decisão acerca do mandato da deputada Carla Zambelli, eu darei o cumprimento regimental”, disse Hugo. “Nós vamos notificar para que ela possa se defender e a palavra final será a palavra do plenário”. O presidente reforçou que a medida respeita o direito à ampla defesa e segue o Regimento Interno da Câmara.

    Hugo Motta manifestou que seguirá a vontade coletiva da Câmara em matéria relativa a cassações.

    Hugo Motta manifestou que seguirá a vontade coletiva da Câmara em matéria relativa a cassações.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas virtuais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde tentou inserir documentos falsos. Após a rejeição unânime dos recursos no STF, o ministro Alexandre de Moraes determinou a execução imediata da pena e solicitou à Câmara que declarasse a perda do mandato.

    Hugo Motta garantiu que a decisão será compartilhada com o conjunto dos deputados. “Essa decisão poderia ser cumprida pela mesa ou pelo plenário. O plenário é que tem a legitimidade dessa casa. É o plenário que decide para onde essa casa vai. E ele é soberano e está acima de qualquer um de nós”, afirmou. O presidente também ressaltou que não tomará decisões influenciado por discursos, sejam do governo, sejam da oposição.

    A deputada está na Itália e é considerada foragida. Motta explicou que, por não ter sido notificado formalmente sobre a prisão, o caso ainda não foi levado ao plenário. “A prisão não aconteceu, […] eu não fui notificado sobre a prisão, por isso que eu não trouxe a prisão ao plenário”, afirmou. Ele confirmou a concessão da licença previamente solicitada por Zambelli, o que permitiu a convocação de seu suplente, Coronel Tadeu (PL-SP).

  • Bate-boca entre ministro e deputados repercute nas redes sociais

    Bate-boca entre ministro e deputados repercute nas redes sociais

    A troca de ofensas entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG) repercutiu nas redes sociais, mobilizando aliados e opositores do governo. O embate teve início durante uma sessão conjunta das comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara.

    A tensão aumentou após os dois parlamentares questionarem o ministro e deixarem o plenário. Em resposta, Haddad classificou a atitude como “molecagem”. Ao tomarem conhecimento da fala, os deputados retornaram à sessão. “Moleque é você”, retrucou Jordy.

    Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em comissão que gerou tumulto na Câmara dos Deputados.

    Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em comissão que gerou tumulto na Câmara dos Deputados.Gabriela Biló/Folhapress

    O confronto gerou tumulto entre os presentes e levou o presidente da comissão, Rogério Correia (PT-MG), a encerrar a sessão.

    A seguir, veja como o episódio repercutiu nas redes sociais:

    Leia mais: Haddad acusa deputados de “molecagem” e sessão na Câmara termina em tumulto

  • Governo troca alta do IOF por novas fontes de receita; entenda

    Governo troca alta do IOF por novas fontes de receita; entenda

    Atacado pela oposição, Haddad participou de audiência turbulenta na Câmara nessa quarta-feira.

    Atacado pela oposição, Haddad participou de audiência turbulenta na Câmara nessa quarta-feira. Gabriela Biló /Folhapress

    O governo federal publicou nessa quarta-feira (11) uma medida provisória (MP) que muda regras de tributação sobre aplicações financeiras e aumenta impostos para alguns tipos de empresas. A proposta (veja a íntegra) também compensa parcialmente a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), iniciativa da qual o governo recuou após forte reação do Congresso.

    O Executivo também publicou um decreto (veja a íntegra) suavizando as regras previstas para o IOF. Tanto a MP quanto o decreto foram publicados em edição extra do Diário Oficial da União na noite dessa quarta-feira (11).

    O que muda para o investidor

    A MP 1303/25 atinge diretamente quem aplica em títulos isentos de Imposto de Renda (IR), como LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e LCI (Letra de Crédito Imobiliário). Antes livres de IR, essas aplicações passarão a ser tributadas em 5% a partir de 2026.

    Outra mudança importante é a unificação da alíquota de IR para investimentos financeiros (incluindo criptomoedas), que passará a ser fixa de 17,5%, substituindo o sistema atual, em que as alíquotas variam de 15% a 22,5% dependendo do tempo de aplicação.

    Também há previsão de regras mais flexíveis para compensação de ganhos e perdas no mercado financeiro. Hoje, essa possibilidade é restrita à renda variável.

    Empresas e fintechs pagarão mais

    Empresas que distribuem juros sobre capital próprio (JCP), mecanismo usado para remunerar acionistas e pagar menos impostos, também serão impactadas. A alíquota de IR sobre esses rendimentos passará de 15% para 20%.

    Já as fintechs deixam de ter acesso à alíquota reduzida de 9% da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Agora, pagarão 15% ou 20%, a depender do porte.

    Apostas esportivas sobem de 12% para 18%

    As “bets”, plataformas de apostas esportivas, também sofreram aumento de imposto. A tributação passará de 12% sobre a receita bruta para 18% sobre o GGR, que é a diferença entre o valor arrecadado e os prêmios pagos.

    Outras medidas

    A MP também inclui outros ajustes fiscais e administrativos, como:

    • Redução do prazo do auxílio-doença por atestado (Atestmed) de 180 para 30 dias
    • Inclusão do programa Pé-de-Meia no piso constitucional da educação
    • Ajustes nos critérios do Seguro Defeso
    • Regras novas para aluguel de ações, com IR de 17,5%.

    IOF: recuo parcial após críticas

    Além da MP, o governo publicou um novo decreto para suavizar a alta do IOF, após forte reação negativa do Congresso. Veja como ficou:

    Crédito a empresas

    • Como era (decreto anterior): 0,95% + taxa diária de 0,0082%
    • Como ficou: 0,38% + taxa diária de 0,0082%

    Previdência privada (VGBL)

    • Antes: taxação de 5% sobre aportes mensais acima de R$ 50 mil
    • Agora: limite anual de R$ 600 mil a partir de 2026. Só o valor excedente será tributado.

    Fundos de investimento (FIDC)

    • Passam a ter IOF de 0,38% sobre a aquisição primária de cotas.

    Câmbio

    • Repatriação de investimento estrangeiro direto terá IOF zerado (antes era de 3,5%).

    Previsão de arrecadação

    O governo espera arrecadar:

    • R$ 10 bilhões em 2025
    • R$ 20 bilhões em 2026 com a nova MP
    • Entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões com o novo decreto do IOF, ante R$ 19,1 bi previstos antes do recuo

    Clima político: resistência no Congresso

    Mesmo com o recuo parcial, o clima no Congresso é de resistência. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que não há compromisso com a aprovação da MP. O União Brasil e o PP, partidos com ministérios no governo, também sinalizaram que vão rejeitar o pacote se não houver corte de gastos.

    Em audiência na Câmara, nessa quarta-feira, o clima foi de tensão entre a oposição e o ministro da Fazenda.

    No Senado, a oposição criticou o aumento de impostos, dizendo que ele afugenta investimentos de longo prazo.

    Ação e reação

    No fim de maio, o governo anunciou um bloqueio orçamentário e um contingenciamento de aproximadamente R$ 30 bilhões, com o objetivo de cumprir a meta fiscal estabelecida pelo novo arcabouço. Paralelamente, editou um decreto que elevava o IOF, com a expectativa de arrecadar outros R$ 20 bilhões ainda neste ano.

    A medida, no entanto, enfrentou forte resistência tanto do mercado financeiro quanto do Congresso Nacional, o que levou o Executivo a negociar uma medida prrovisória como alternativa ao decreto do IOF.

    Sem essa solução alternativa, o governo seria forçado a ampliar o contingenciamento de despesas, o que poderia comprometer ainda mais o funcionamento da máquina pública ao longo de 2025.

  • Comissão aprova regulamentação para instrutores de voo livre e pilotos

    Comissão aprova regulamentação para instrutores de voo livre e pilotos

    A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) deliberou favoravelmente, na última quarta-feira (11), sobre o projeto de lei que visa a normatização das atividades de instrutor de voo livre e piloto de voo duplo turístico de aventura. A proposição, de autoria do senador Carlos Portinho (PL-RJ), obteve parecer favorável da senadora Dra. Eudócia (PL-AL) e prosseguirá para a Câmara dos Deputados, salvo apresentação de recurso para votação em Plenário.

    Comissão de Assuntos Sociais.

    Comissão de Assuntos Sociais.Saulo Cruz/Agência Senado

    Conforme o PL 1.884/2024, os profissionais deverão possuir habilitação emitida pela Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL) ou pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI). No caso dos instrutores, o texto também exige a observância das diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A proposição determina que instrutores e pilotos comprovem aptidão física e psicológica, além de não terem sofrido punições gravíssimas de pilotagem no último ano.

    Profissionais já credenciados pela CBVL ou pela FAI poderão continuar a exercer suas funções, exceto se necessitarem de cursos de atualização ou readaptação. Os instrutores de voo livre são responsáveis pela formação de aerodesportistas que almejam praticar saltos com parapente e asa-delta, por exemplo. Já os pilotos de voos duplos acompanham praticantes inexperientes durante as quedas livres realizadas com equipamentos não motorizados, como paraquedas e parapentes.

    Para Dra. Eudócia, a regulamentação se mostra crucial, considerando que os profissionais assumem responsabilidades técnicas e operacionais que envolvem riscos concretos, especialmente ao conduzir um público formado, em sua maioria, por turistas e praticantes sem formação específica.

    Segundo a relatora, a proposta contribui para a qualificação e profissionalização do setor, além de fortalecer a proteção ao consumidor e promover um ambiente mais seguro e confiável para operadores, turistas e órgãos responsáveis pela regulação e fiscalização da atividade.

    “A ausência de normas claras deixa trabalhadores e usuários expostos a riscos, dificulta a fiscalização e impede o estabelecimento de relações de trabalho mais seguras, formais e equilibradas. A regulamentação protege os usuários do serviço e promove o reconhecimento dos profissionais envolvidos, garantindo que as profissões em questão possam ser exercidas livremente, sem comprometer direitos fundamentais dos trabalhadores ou a segurança dos consumidores”, afirmou Dra. Eudócia.

    De acordo com o projeto, os instrutores de voo livre devem ter, no mínimo, 18 anos. Entre as funções desses trabalhadores, destaca-se a coordenação e a realização de cursos de especialização para obtenção de licenças desportivas necessárias para pilotar asa-delta e parapentes não motorizados.

    Os instrutores devem orientar os alunos sobre os conhecimentos teóricos e práticos, as habilidades necessárias para o esporte e a segurança durante a prática da atividade. Nas aulas práticas, o instrutor só pode acompanhar candidatos à habilitação para a categoria igual ou inferior àquela em que esteja habilitado.

    Os pilotos de voos duplos, que acompanham saltos amadores, devem ter, no mínimo, 21 anos, enquanto os praticantes precisam ter mais de 16 anos. Os pilotos serão responsáveis por conduzir a preparação para a prática segura do esporte, além de decolar, voar e pousar junto dos principiantes. A oferta dos saltos duplos turísticos deve respeitar a Política Nacional de Turismo (Decreto 7.381, de 2010) e o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7.565, de 1986).

    Os interessados em voos conduzidos por profissionais devem contratar o serviço por meio de pessoas jurídicas, como clubes, escolas de voo livre, cooperativas de instrutores ou operadoras de turismo. Segundo o projeto, as empresas devem oferecer seguro de vida e de acidentes para quem comprar os serviços turísticos. Os contratos precisam assegurar o ressarcimento de despesas médicas e hospitalares decorrentes de eventuais acidentes, bem como indenizações por morte, invalidez temporária ou permanente.

  • Maioria dos apostadores ainda recorre a sites ilegais, diz pesquisa

    Maioria dos apostadores ainda recorre a sites ilegais, diz pesquisa

    Seis em cada dez apostadores no Brasil utilizaram plataformas ilegais neste ano, apesar da regulamentação em vigor desde janeiro. É o que mostra pesquisa do Instituto Locomotiva, divulgada nesta quinta-feira (12).

    A legislação, em vigor desde 1º de janeiro de 2025, determina que apenas operadores licenciados podem atuar legalmente no país. Eles estão sujeitos a tributos, normas de funcionamento e mecanismos de proteção ao usuário.

    Interfaces chamativas e promessas de lucro fácil atraem usuários, mesmo sem garantia de segurança.

    Interfaces chamativas e promessas de lucro fácil atraem usuários, mesmo sem garantia de segurança.Joedson Alves/Agência Brasil

    Segundo o levantamento, 61% dos entrevistados admitiram ter feito apostas em sites não regulamentados, muitas vezes sem ter clareza dos riscos. A pesquisa foi feita entre abril e maio com 2 mil adultos que apostam online.

    Entre os principais achados:

    • 78% acham difícil distinguir sites legais dos ilegais;
    • 72% dizem que não conseguem verificar sempre a regularidade das plataformas;
    • 46% já depositaram dinheiro em sites identificados depois como falsos.

    O Instituto Locomotiva destaca que pessoas de menor renda e escolaridade são as mais afetadas. O desconhecimento das regras facilita o uso de plataformas irregulares, que empregam estratégias como nomes parecidos com marcas legais, mudança constante de domínio e publicidade com influenciadores digitais.

    O levantamento mostra ainda que 87% dos apostadores apoiam uma atuação mais firme do poder público. “Trata-se de um chamado urgente por uma ação coordenada para proteger o cidadão e garantir a sustentabilidade do setor”, aponta o instituto.

    Perdas fiscais podem chegar a R$ 10,8 bilhões

    A pesquisa serviu de base para o estudo Fora do Radar, produzido pela LCA Consultores com apoio do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). O documento estima que entre 41% e 51% do mercado de apostas online no Brasil funciona na ilegalidade, gerando perdas fiscais entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões em apenas três meses. Em um ano, o prejuízo pode alcançar R$ 10,8 bilhões.

    Para Fernando Vieira, presidente do IBJR, os dados são alarmantes. Ele critica o aumento recente de tributos para as casas licenciadas. “Isso gera insegurança jurídica. Todos perdem: os operadores, o apostador e o próprio governo, que deixa de arrecadar”, afirmou.

    Eric Brasil, diretor da LCA, defende um combate articulado ao mercado ilegal. “Reduzir a ilegalidade protege o apostador, combate o crime e eleva a arrecadação algo vital diante da crise fiscal”, afirmou.

    Como identificar sites seguros

    Segundo o Ministério da Fazenda, os sites autorizados devem:

    • Utilizar o domínio “.bet.br”;
    • Exigir reconhecimento facial e envio de documentos no cadastro;
    • Oferecer limites de perdas e tempo de jogo;
    • Permitir apenas transações via Pix ou débito;
    • Disponibilizar ferramentas de autoexclusão.

    A lista de sites autorizados pode ser consultada na página oficial da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda.

  • Há 94 anos, governo incinerava estoques de café diante da crise de 29

    Há 94 anos, governo incinerava estoques de café diante da crise de 29

    Em 13 de junho de 1931, o cheiro de café queimado invadiu o litoral paulista. No porto de Santos, a fumaça espessa de milhões de sacas incineradas anunciava uma tentativa drástica do governo provisório de Getúlio Vargas de frear a derrocada econômica provocada pela crise mundial iniciada em 1929.

    O plano era conter a queda vertiginosa dos preços internacionais do café, que já havia perdido 90% de seu valor em apenas um ano. O produto, que representava mais de 70% das exportações brasileiras, era a espinha dorsal de uma economia ainda rudimentar e dependente de commodities. A alternativa encontrada: eliminar o excesso de oferta com fogo.

    A fumaça da queima desesperada de café dominou os céus ao redor da cidade de Santos (SP).

    A fumaça da queima desesperada de café dominou os céus ao redor da cidade de Santos (SP).Acervo do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

    A crise que incendiou a economia

    Após a quebra da Bolsa de Nova York, em outubro de 1929, o consumo internacional despencou. A crise se alastrou para além dos Estados Unidos e atingiu diretamente o Brasil, que dependia da exportação de produtos como café, cacau, algodão e borracha. A derrocada selou também o fim da chamada “república do café com leite”, dominada pelas elites políticas de São Paulo e Minas Gerais.

    Sem crédito no exterior e com estoques abarrotados de grãos encalhados, o governo passou a administrar diretamente a política cafeeira. Em maio de 1931, Vargas retirou a responsabilidade do Instituto do Café do Estado de São Paulo e criou o Conselho Nacional do Café, com representantes dos estados produtores.

    Café como lenha

    A dimensão da crise era tamanha que chegou-se a cogitar o uso do café como combustível. De fato, locomotivas foram abastecidas com os grãos. Em 1932, uma composição de 610 toneladas rodou durante duas horas movida a 2,9 toneladas de café verde. Já em Santos, trabalhadores portuários despejavam os grãos no mar, prática que logo foi proibida. Ainda assim, parte da carga era recolhida, seca e revendida ilegalmente.

    Entre 1931 e 1944, o Brasil destruiu 78,2 milhões de sacas de café. Somente em 1937, cerca de 70% dos estoques foram queimados. Em média, um quarto da produção anual virou fumaça durante esse período. Apesar dos esforços, a medida pouco impediu a falência de cafeicultores endividados e sem acesso a crédito.

    Lições e paralelos

    Quase um século depois, as exportações nacionais de café voltam a enfrentar ameaças: não mais por falta de consumidores, mas por precariedade da infraestrutura de transporte. Em 2024, o colapso logístico impediu a exportação de 1,83 milhão de sacas de café. O prejuízo estimado chegou a R$ 51,5 milhões. Nos primeiros quatro meses de 2025, o problema persistia. 738 mil sacas encalhadas e R$ 22 milhões em perdas.

    A situação atual evidencia um contraste gritante. Enquanto antes se queimava café para controlar os preços, hoje perde-se café por falta de estrutura ferroviária e portuária para escoá-lo. A incapacidade do Estado em dar conta da demanda portuária ameaça a competitividade do agronegócio e reproduz, com outros contornos, os gargalos históricos da economia brasileira.

    No século XXI, o cenário se inverte: altamente demandado, o café não chega ao consumidor por falhas no sistema de transporte.

    No século XXI, o cenário se inverte: altamente demandado, o café não chega ao consumidor por falhas no sistema de transporte.Igor do Vale/Folhapress

    Símbolo do improviso

    As chamas de 1931 foram símbolo de improviso, desespero e voluntarismo. A medida de Vargas visava salvar a economia à custa de um produto que simbolizava o próprio Brasil, inclusive visualmente: desde o período imperial, o ramo de café é parte do brasão de armas nacional.

    A memória dessa política extrema permanece como alerta. Decisões econômicas apressadas, ainda que embasadas em boas intenções, podem ter efeitos duradouros e controversos.

    Setenta anos depois da última grande queima, os desafios de infraestrutura, planejamento e coordenação entre entes federativos persistem. A história do café queimado é, também, a história de uma economia que ardeu por não saber como se reinventar.

  • Mercado baixa previsão para inflação pela terceira semana seguida

    Mercado baixa previsão para inflação pela terceira semana seguida

    O mercado financeiro abaixou, pela terceira semana consecutiva, a previsão de inflação para 2025. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (16), a expectativa, hoje, é que os preços tenham uma alta de 5,25% ao longo do ano. Na semana passada, a estimativa era de 5,44%.

    Previsão para a inflação diminuiu, mas segue acima do teto da meta de 4,5%.

    Previsão para a inflação diminuiu, mas segue acima do teto da meta de 4,5%.Aloisio Mauricio/Fotoarena/Folhapress

    O Focus é um relatório divulgado periodicamente que acompanha as previsões de analistas do mercado financeiro para a economia brasileira. Como o boletim é realizado semanalmente, as variações costumam ser de magnitude baixa – nesse contexto, a queda na projeção da inflação é bastante expressiva, com uma mudança maior do que se costuma observar.

    É a terceira semana seguida em que o Focus registra variação negativa na previsão para o IPCA, índice oficial de inflação. Há quatro semanas, previa-se uma taxa de 5,5%.

    O boletim também registrou alta na projeção para o crescimento do PIB em 2025, agora estimado em 2,2%. O mercado também projeta que o ano deve fechar com o dólar em R$ 5,77 e a Selic, taxa básica de juros, a 14,75% anuais.