Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Papa Francisco abriu portas e derrubou muros, diz vaticanista

    Papa Francisco abriu portas e derrubou muros, diz vaticanista

    Para o vaticanista italiano Salvatore Cernuzio, integrante da redação do Vatican News e colaborador de veículos como La Stampa e Zenit, o papado de Francisco não deve ser lembrado apenas pelas “primeiras vezes”, mas pelos processos que iniciou. Em um balanço detalhado dos 12 anos do pontífice argentino à frente da Igreja Católica, Cernuzio o descreve como um líder que rompeu protocolos, desafiou tradições e transformou o próprio conceito de papado.

    Papa Francisco entre os escombros de Mosul, em viagem ao Iraque, em 2021

    Papa Francisco entre os escombros de Mosul, em viagem ao Iraque, em 2021Vatican Media

    “Francisco não buscou ser o primeiro em algo. Seu objetivo foi abrir caminhos que outros possam seguir ou não ignorar”, escreve o jornalista, que acompanhou de perto o pontífice em dezenas de viagens e decisões históricas”, em artigo publicado no Vatican News, portal de comunicação do Vaticano.

    O Papa Francisco morreu na madrugada desta segunda-feira (21), no Vaticano, aos 88 anos. Ele enfrentava problemas de saúde agravados por uma pneumonia. A causa da morte ainda não foi anunciada oficialmente. Um conclave deve ser convocado para daqui a 15 ou 20 dias para a escolha do sucessor do papa argentino. Sete cardeais brasileiros estão aptos a participar da votação e podem, em tese, ser escolhidos como sumo pontífice.

    Um papa que não esperou

    Francisco foi o primeiro papa latino-americano, jesuíta e o primeiro a escolher o nome do santo de Assis. Também foi o primeiro a liderar a Igreja com seu antecessor ainda vivo. Mas, para Cernuzio, essas “estreias” são secundárias diante da transformação que o pontífice provocou na forma de exercer o ministério petrino.

    “Ele não governou com manuais ou fórmulas, mas com gestos”, afirma o vaticanista, ao destacar ações como as visitas a presídios e periferias, os telefonemas pessoais a fiéis e o estilo despojado optando por viver na Casa Santa Marta, e não no Palácio Apostólico.

    Processos, não conquistas

    Segundo vaticanista, ao longo de seu pontificado, Francisco foi além da retórica. Deu forma concreta a ideias como sinodalidade (participação e comunhão de todos os membros do povo de Deus na missão da Igreja), fraternidade universal e uma Igreja em saída, voltada aos pobres, aos migrantes e aos marginalizados.

    Cernuzio destaca que o papa preferia plantar sementes a colher aplausos. Exemplo disso são os sínodos ampliados, com escuta popular e participação de mulheres, as reformas da Cúria Romana e as mudanças no tratamento de abusos sexuais, que incluíram o fim do segredo pontifício e novas regras de responsabilização para bispos.

    “Esses processos são, em grande parte, irreversíveis. São movimentos de fundo que moldarão a Igreja do futuro”, analisa o jornalista, autor do livro O véu do silêncio Abusos, violências, frustrações na vida religiosa feminina.

    Pés no chão e nas periferias

    Segundo Cernuzio, o modo de ser de Francisco é marcado por uma boa obstinação que o levou a visitar lugares esquecidos ou considerados perigosos, como o Iraque em 2021, a República Centro-Africana em 2015 e os campos de refugiados em Lesbos. Suas viagens, ao todo 47 internacionais, foram expressão concreta de seu compromisso com a paz, o diálogo inter-religioso e a dignidade humana.

    “Mesmo com idade avançada e limitações físicas nos últimos anos, Francisco manteve uma intensa agenda. Aos 87 anos, viajou ao Sudeste Asiático por duas semanas, num roteiro exaustivo de mais de 30 mil quilômetros. Era uma teimosia guiada pela fé. Ir onde ninguém foi, dialogar com quem ninguém ouvia, denunciar o que ninguém queria ver.”

    Pastor em tempos de guerra

    O vaticanista também destaca a ação do papa diante dos conflitos armados especialmente na Ucrânia e no Oriente Médio. Francisco foi incansável em seus apelos por cessar-fogo, orações pela paz e negociações diplomáticas. Visitou embaixadas, ligou para líderes e insistiu em que nenhuma guerra é justa.

    Cernuzio lembra o gesto histórico em 2014, quando o papa beijou os pés de líderes do Sudão do Sul, implorando por paz. E o momento simbólico da Statio Orbis, em março de 2020, quando, sozinho sob a chuva em plena pandemia, atravessou a Praça São Pedro em silêncio, como quem carregava a dor do mundo.

    “Essa imagem se tornou o retrato de um pontificado: um homem frágil, mas firme, caminhando em meio à tempestade com esperança.” 

    Críticas e incômodo

    Apesar de sua popularidade global e de gestos pastorais que conquistaram muitos fiéis, o papa Francisco também enfrentou duras críticas, tanto dentro quanto fora da Igreja. Para Cernuzio, muitos dos gestos e decisões inovadoras de Francisco como a abertura para que mulheres ocupassem cargos de liderança no Vaticano, a aproximação com pessoas LGBTQIA+ e o estilo pastoral menos formal provocaram desconforto em setores mais conservadores.

    A remodelação do papado em termos simbólicos, incluindo a residência fora do Palácio Apostólico, o uso de roupas mais simples e a linguagem direta em transmissões ao vivo, foi vista por alguns como um rompimento exagerado com a tradição.

    Incômodo

    As reformas administrativas também foram alvo de oposição, segundo o vaticanista. Cernuzio lembra que o papa foi criticado por questionar protocolos antigos, alterar o funcionamento da Cúria Romana, e por sua atuação firme no combate a abusos sexuais cometidos por membros do clero inclusive ao estabelecer regras mais rígidas de responsabilização episcopal.

    Além disso, seu posicionamento em temas políticos e sociais, como o apelo por desarmamento e a crítica aos senhores da guerra, renderam-lhe resistência entre líderes de governo e até mesmo em segmentos eclesiais. Em meio a essas tensões, Francisco manteve o tom firme, recorrendo ao bom humor, que o vaticanista descreve como aquilo que mais se aproxima da graça de Deus.

    Um pontificado que ainda fala

    Para Cernuzio, o legado de Francisco não se mede em números ou decretos, mas no modo como desafiou a Igreja e o mundo a olhar para os que são esquecidos. “Com humor, ternura e coragem, assinala o vaticanista, Jorge Mario Bergoglio renovou a linguagem da fé, sem abrir mão de sua essência. Ele quis uma Igreja que acolhe todos, todos, todos como repetia. E, com isso, abriu portas que dificilmente serão fechadas.”

    Veja algumas das principais viagens do Papa Francisco.

    Lampedusa (2013)

    Na primeira viagem fora de Roma como papa, homenageou os migrantes mortos no Mediterrâneo e lançou uma coroa de flores no mar em memória dos que perderam a vida tentando chegar à Europa.

    Brasil (2013)

    Em sua primeira viagem internacional como papa, visitou o Rio de Janeiro durante a Jornada Mundial da Juventude. A viagem ficou marcada pela imagem do papa cercado pela multidão no papamóvel.

    Terra Santa (2014)

    Visita ecumênica e diplomática com apelo pela paz entre israelenses e palestinos.

    Cuba e Estados Unidos (2015)

    Buscou selar a reaproximação diplomática entre os dois países. Em Havana, teve encontro histórico com o patriarca ortodoxo russo Kirill. Na ocasião, os dois assinaram a Declaração de Havana, em repúdio aos ataques sofridos pela comunidade cristã no Oriente Médio. 

    República Centro-Africana (2015)

    Em meio à guerra civil, abriu ali a Porta Santa do Jubileu da Misericórdia.

    Suécia (2016)

    Participou das comemorações dos 500 anos da Reforma Luterana em Lund, fortalecendo o diálogo com os protestantes.

    Lesbos (2016 e 2021)

    Duas visitas ao campo de refugiados da ilha grega, reforçando sua mensagem sobre acolhimento aos migrantes.

    Emirados Árabes Unidos (2019)

    Assinatura da Declaração sobre a Fraternidade Humana com o Grão Imame de Al-Azhar, Al-Tayeb, considerada um marco do diálogo islâmico-cristão.

    Iraque (2021)

    Na primeira visita de um papa ao país, passou por Bagdá, Ur, Erbil, Mosul e Qaraqosh. Classificou a viagem de risco em plena pandemia como a mais bela.

    Canadá (2022)

    Pedido de perdão às comunidades indígenas pelos abusos cometidos por representantes da Igreja em escolas residenciais.

    África Central (2023)

    Viagem à República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul. Esta última contou com presença de líderes de outras tradições cristãs, simbolizando esforço ecumênico pela paz.

    Sudeste Asiático (2024)

    Viagem mais longa de seu pontificado: Indonésia, Papua-Nova Guiné, Timor-Leste e Cingapura. Envolveu temas como ecologia, diálogo inter-religioso, reconciliação e desenvolvimento sustentável.

  • Lula viajará para acompanhar funeral do Papa Francisco no Vaticano

    Lula viajará para acompanhar funeral do Papa Francisco no Vaticano

    O presidente Lula e a primeira-dama Janja da Silva viajarão para Roma até o fim da semana para acompanhar o sepultamento do Papa Francisco, falecido nessa segunda-feira (21). As cerimônias devem começar no próximo sábado. O corpo do papa será trasladado à Basílica de São Pedro na quarta-feira (23). A Missa das Exéquias será celebrada em 26 de abril, seguida do sepultamento na Basílica de Santa Maria Maior.

    Lula recebeu mensagem de apoio do Papa Francisco quando estava preso e visitou o pontífice no Vaticano

    Lula recebeu mensagem de apoio do Papa Francisco quando estava preso e visitou o pontífice no VaticanoRicardo Stuckert/PR

    Luto de sete dias

    Lula divulgou ontem pela manhã uma mensagem de pesar pela morte de Francisco e decretou sete dias de luto nacional. À noite, voltou a homenagear o sumo pontífice, em vídeo. “Francisco foi o papa do acolhimento, e por isso acordamos hoje um pouco órfãos do seu afeto, um afeto que era livre de preconceitos e julgamentos num mundo que sofre com a discriminação e a intolerância”, declarou o presidente.

    “Embora o dia de hoje seja de muita tristeza, vamos nos lembrar para sempre da alegria do Papa Francisco, do sorriso que iluminava tudo e todos, do entusiasmo pela vida, do bom humor, do otimismo, da paixão pelo futebol qualidade que fazia dele o mais brasileiro dos argentinos”, ressaltou Lula.

    Na primeira mensagem, o presidente desejou consolo a todos que sofrem com a perda do líder religioso: “O Santo Padre se vai, mas suas mensagens seguirão gravadas em nossos corações”. “Francisco foi o Papa da esperança. Em sua despedida, renovou a crença nos seres humanos e previu um futuro melhor para a humanidade”, acrescentou.

    A data da viagem ainda não foi confirmada pelo Palácio do Planalto, que aguarda o protocolo do Vaticano. A lista da comitiva presidencial deve ser divulgada nesta terça-feira (22). O presidente esteve três vezes com o papa e recebeu uma mensagem de apoio em 2019, quando estava preso.

  • Comissão de Educação aprova criação da Carteira Nacional de Docentes

    Comissão de Educação aprova criação da Carteira Nacional de Docentes

    A Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou nesta terça-feira (22) o projeto de lei 41/2025, que cria a Carteira Nacional de Docente no Brasil (CNDB). A proposta, de autoria do ministro da Educação, Camilo Santana, recebeu parecer favorável do senador Cid Gomes (PSB-CE) e segue agora para a análise da Câmara dos Deputados.

    A votação foi unânime, e como o projeto tramita em regime terminativo, não precisará passar por votação em Plenário.

    Texto recebeu parecer favorável do relator Cid Gomes (PSB-CE), e seguirá para a Câmara.

    Texto recebeu parecer favorável do relator Cid Gomes (PSB-CE), e seguirá para a Câmara.Edilson Rodrigues/Agência Senado

    O relator esclareceu que a CNDB visa reconhecer oficialmente os professores das redes pública e privada. “O projeto, aparentemente simples e despretensioso, ajuda a trazer concretude a uma vasta gama de políticas de valorização dos professores, muitas vezes não usufruídas por razões burocráticas”, afirmou Cid Gomes em seu parecer.

    A carteira funcionará como um documento oficial de classe, com fé pública e validade nacional. Ela reunirá dados como nome, data de nascimento, instituição empregadora e QR Code para autenticação digital.

    Acesso a benefícios

    Além da função de identificação, a carteira deverá facilitar o acesso dos docentes a benefícios como descontos em eventos culturais, prioridade em serviços públicos e ofertas do setor privado. Para Cid Gomes, “com acesso prioritário padronizado a serviços públicos e preços diferenciados na aquisição de bens e serviços, inclusive nos períodos de férias e quando em deslocamentos, os professores terão ganhos positivos consideráveis de autoestima”.

    “Não é demais esperar que isso se reverta em prol do trabalho docente cotidiano, menos absenteísmo e até melhoria do padrão e da qualidade das aulas e dos relacionamentos interpessoais”, avaliou o relator.

  • Entidades questionam no STF resolução do CFM sobre crianças trans

    Entidades questionam no STF resolução do CFM sobre crianças trans

    A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat) entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que impõe restrições a terapias e cirurgias de mudança de gênero para crianças e adolescentes. A ação foi distribuída ao ministro Cristiano Zanin.

    Estátua em frente ao prédio do STF, em Brasília: Corte vai decidir sobre resolução do Conselho Federal de Medicina.

    Estátua em frente ao prédio do STF, em Brasília: Corte vai decidir sobre resolução do Conselho Federal de Medicina.Antonio Augusto/STF

    A resolução do CFM (leia aqui na íntegra) proíbe a prescrição de bloqueadores hormonais para crianças transgênero, a administração de hormônios sexuais para induzir características sexuais secundárias compatíveis com a identidade de gênero de pacientes menores de 18 anos e eleva para 21 anos a idade mínima para cirurgias de afirmação de gênero que tenham efeito esterilizador.

    As entidades requerem, em sua ação, o retorno à redação original da resolução, visando a assegurar o direito fundamental ao livre desenvolvimento da personalidade de crianças transgênero por meio do bloqueio hormonal da puberdade, da hormonização a partir dos 16 anos e da cirurgia de afirmação de gênero a partir dos 18 anos. Argumentam que as alterações restritivas desconsideram evidências científicas que demonstram os benefícios psicossociais desses procedimentos para crianças e adolescentes transgênero.

    Além disso, sustentam que tais alterações infringem os princípios da dignidade da pessoa humana, da proteção integral da criança e do direito fundamental à identidade de gênero autopercebida.

  • Senado aprova projeto que cria regras sobre modificações em jipes

    Senado aprova projeto que cria regras sobre modificações em jipes

    O plenário do Senado aprovou na sessão deliberativa desta quarta-feira (23) o projeto de lei 410/2022 que altera o Código de Trânsito Brasileiro para dispor sobre modificações e adequações destinadas ao uso não convencional dos veículos automotores, em especial jipes. A matéria de autoria do ex-deputado Luis Miranda retorna para a Câmara dos Deputados.

    Plenário do Senado

    Plenário do SenadoJefferson Rudy/Agência Senado

    A proposição aponta que modificações nas características de fábrica de veículos não vão mais depender de prévia autorização, mas deverão ser informadas aos órgãos competentes. Além disso, o texto também prevê uma lista de adequações possíveis para o uso não convencional de jipes, como aumento do diâmetro e largura dos pneus e aumento da altura da suspensão, por exemplo, desde que respeitados os limites de altura e peso.

    O prazo para comunicar ao Detran as alterações será de 60 dias, conforme o relatório do senador Jorge Seif (PL-SC). O parlamentar acrescentou que nem todas modificações podem ser realizadas sem autorização prévia, como previa o projeto inicial, e todas devem observar as disposições fixadas pelo Contram. “O entendimento construído durante as discussões sobre este PL é de que muitas alterações podem ser dispensadas de autorização prévia, mas não todas”, aponta.

    A matéria ainda ressalta a necessidade de diferenciação do jipe em relação aos demais veículos utilitários. Dessa forma, o jipe poderá ser um veículo regular ou um veículo especial. “No caso dos veículos regulares, isto é, os veículos de uso misto que sejam de marca-modelo com características de jipe, a reclassificação será automática, desde que não tenham sofrido alterações”, argumenta o senador no relatório.

    Veja quais mudanças serão permitidas em jipes:

    • aumento do diâmetro externo do conjunto de pneus e rodas
    • aumento da largura do conjunto de pneus e rodas, mediante uso de alargadores de para-lamas que encubram o excesso lateral
    • aumento da altura da suspensão
    • substituição dos para-choques dianteiros e traseiros
    • instalação de grade quebra-mato frontal
    • instalação de guincho
    • instalação de equipamento contra infiltração de água no motor (snorkel)
    • instalação ou substituição de bagageiro externo
    • instalação de equipamentos de proteção da parte inferior do veículo
    • adição de sistema de iluminação secundário, mantidas as características do sistema de iluminação obrigatório
    • alteração de combustível, respeitadas as regras relativas ao uso do óleo diesel e do gás liquefeito de petróleo
    • alteração da motorização, desde que a variação em relação à potência original não ultrapasse dez por cento
  • CCJ analisa recurso de Glauber contra cassação no Conselho de Ética

    CCJ analisa recurso de Glauber contra cassação no Conselho de Ética

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara se reúne nesta quinta-feira (24), às 9h, para analisar um único item: o recurso do deputado Glauber Braga (Psol-RJ) contra a aprovação da cassação de seu mandato no Conselho de Ética. Como é provável que seja apresentado um pedido de vista, ou seja, solicitação de mais tempo para avaliar o relatório, a expectativa é de que a votação fique para a próxima semana. O caso é relatado pelo deputado Alex Manente (Cidadania-SP), que ainda não divulgou seu parecer.

    Assista à reunião:

    “Se meus argumentos forem aceitos volta-se ao Conselho de Ética. Se não, mais 60 dias e votação no plenário”, declarou Hugo.

    Glauber fez greve de fome por nove dias em protesto contra decisão do Conselho de Ética

    Glauber fez greve de fome por nove dias em protesto contra decisão do Conselho de ÉticaBruno Spada/Agência Câmara

    O recurso foi apresentado pela defesa de Glauber na última terça-feira (22). O deputado fez greve de fome por nove dias e só suspendeu o protesto após acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que lhe prometeu condições para se defender.

    Glauber questiona a legalidade do processo e aponta supostas irregularidades cometidas pelo relator Paulo Magalhães (PSD-BA), entre elas o indeferimento de testemunhas de defesa, o sigilo do relatório e a alegada parcialidade do relator. A peça também sustenta que o processo desrespeitou normas regimentais e constitucionais, além de apontar desproporcionalidade na penalidade sugerida. Glauber responde a processo por ter empurrado e chutado um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) que insultou sua mãe, a ex-prefeita de Nova Friburgo Saudade Braga, que morreu dias depois do episódio. Na ocasião, ela já estava debilitada pela doença de Alzheimer.

  • 74 deputados que votam com Lula na Câmara assinaram lista da anistia

    74 deputados que votam com Lula na Câmara assinaram lista da anistia

    O requerimento de urgência para o PL da Anistia dependeu da assinatura de parlamentares próximos do governo para avançar. Levantamento do Congresso em Foco mostra que, dos 274 deputados que assinaram a lista, pelo menos 74 votaram com o governo Lula em mais de 80% das vezes nos dois primeiros anos de mandato do presidente. Protocolado em 14 de abril, o pedido segue dividindo a Câmara: na última quarta (23), o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que não permitirá que o tema atrapalhe a votação de projetos importantes e o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), respondeu com um ultimato no plenário.

    Plenário da Câmara dos Deputados: lista do PL da Anistia incluiu nomes que costumam votar com o governo Lula.

    Plenário da Câmara dos Deputados: lista do PL da Anistia incluiu nomes que costumam votar com o governo Lula.Pedro Ladeira/Folhapress

    O levantamento levou em consideração as votações realizadas em 2023 e 2024 na Casa, que estão armazenadas na ferramenta Radar do Congresso, e cruzou a votação dos parlamentares com a orientação do líder do Governo na Câmara. A Câmara, no geral, tem uma taxa de governismo de 72%, o que significa que todos os deputados na lista abaixo têm um perfil de votação mais próximo do governo do que a média na Casa.

    Eis, abaixo, os signatários da anistia que acompanharam o governo em 80% das votações ou mais.

    15% da Câmara

    O requerimento de urgência precisa do apoio da maioria dos deputados da Casa para ser protocolado, o que equivale a 257 assinaturas. Isso significa que, se os deputados na lista acima não tivessem assinado o pedido, ele estaria com 57 assinaturas a menos do que o necessário.

    O número de 74 deputados é expressivo, equivalendo a pouco menos de 15% da Câmara. O grupo supera a quantidade de deputados do PT na Casa, por exemplo, que tem 67 parlamentares.

    A maior parte da lista, 61 deputados, é de partidos próximos ao centro político que comandam pelo menos um ministério no governo Lula – MDB, PP, PSD, Republicanos e União Brasil. Os dois nomes mais governistas, porém, são de outros partidos: João Carlos Bacelar, do PL de Bolsonaro, e Pastor Sargento Isidório, do Avante, são, os dois, eleitos pelo estado da Bahia e marcam um alinhamento de 94% com o governo Lula.

    Ultimato em plenário

    A tramitação do PL da Anistia é uma das pautas defendidas com mais veemência pela oposição na Câmara. Na última quarta-feira (24), o deputado Sóstenes fez uma espécie de ultimato no plenário, demandando que a pauta entre em discussão na reunião de líderes desta quinta (25). Em discurso, o líder do PL disse o partido vai entender que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), estará fazendo um gesto à legenda se não colocar o tema em pauta na reunião.

    Hugo, por sua vez, vem dizendo que a votação da anistia será decidida pela maioria dos deputados e acertada com os líderes na Câmara. Em evento na quarta-feira, o presidente da Casa afirmou que não vai permitir que o andamento da anistia atrapalhe a tramitação de projetos de importância econômica, como o projeto enviado pelo governo Lula que isenta pessoas de renda até R$ 5 mil do pagamento do Imposto de Renda.

  • Bolsonaro apresenta estabilidade e segue sem previsão para sair da UTI

    Bolsonaro apresenta estabilidade e segue sem previsão para sair da UTI

    O ex-presidente Jair Bolsonaro segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, sem previsão de alta. Segundo boletim divulgado pela equipe de médicos nesta sexta-feira (25), Bolsonaro apresentou resultados compatíveis com uma evolução normal do pós-operatório, descartando complicações após realizar exames de tomografia no tórax e no abdômen.

    Bolsonaro está se recuperando após realizar uma cirurgia na região abdominal que, segundo os médicos, está relacionada à facada que recebeu em 2018, quando fazia campanha para a eleição presidencial. De lá para cá, fez pelo menos seis operações no local.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro, internado, em imagem publicada em perfil oficial nas redes sociais.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro, internado, em imagem publicada em perfil oficial nas redes sociais.Reprodução/Instagram (@jairmessiasbolsonaro)

    O boletim de quinta-feira havia detalhado que o ex-presidente tinha apresentado pressão alta e resultados irregulares em exames hepáticos. Segundo o relatório desta sexta, o quadro se estabilizou, sem novos picos de pressão. Bolsonaro segue em jejum oral e, até esta manhã, a alimentação parenteral (por um cateter na veia) estava interrompida.

    Leia abaixo a íntegra do boletim médico divulgado nesta sexta-feira:

    NOTA À IMPRENSA

    Brasília, 25 de abril de 2025 O Hospital DF Star informa que o ex-Presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em acompanhamento pós-operatório. Apresenta-se estável clinicamente e sem novos picos de elevação da pressão arterial. Foram tomadas medidas para controle das alterações dos exames laboratoriais do fígado. Ontem, foi submetido a tomografias de tórax e abdômen, que foram compatíveis com uma evolução normal do pós-operatório, descartando complicações ou necessidade de novos procedimentos. Continua em jejum oral e com pausa temporária da nutrição parenteral. Segue com a fisioterapia motora e as medidas de prevenção de trombose venosa. Persiste a recomendação de não receber visitas e não há previsão de alta da UTI.

    Dr. Cláudio Birolini – Médico chefe da equipe cirúrgica

    Dr. Leandro Echenique – Médico Cardiologista

    Dr. Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Júnior – Coordenador da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital DF Star

    Dr. Brasil Caiado – Médico Cardiologista

    Dr. Guilherme Meyer – Diretor Médico do Hospital DF Star

    Dr. Allisson Barcelos Borges – Diretor Geral do Hospital DF Star

  • PRD expulsa Fernando Collor após condenação no STF

    PRD expulsa Fernando Collor após condenação no STF

    O PRD, partido do ex-presidente Fernando Collor, anunciou oficialmente a sua expulsão nesta sexta-feira (25), após a sua prisão por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a sigla, a decisão foi um gesto de “compromisso com todos os preceitos basilares da democracia brasileira, com a verdade, boa administração e honestidade”.

    A legenda fundamentou a decisão no fato de Collor, com a sentença proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, ter se tornado inelegível, não cabendo a manutenção de um quadro sem direitos políticos no partido.

    Collor foi eleito senador em 2006 pelo PTB, um dos partidos que originaram o PRD. Também disputou o governo de Alagoas pela sigla.

    Collor foi eleito senador em 2006 pelo PTB, um dos partidos que originaram o PRD. Também disputou o governo de Alagoas pela sigla.Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    A executiva acrescentou que não comentará o mérito da condenação. “Mantemos como política partidária não nos manifestarmos a respeito de decisões judiciais vinculadas à terceiros cabendo ao Poder Judiciário a tarefa de interpretar as leis, garantir os direitos individuais e resolver conflitos”, afirma em nota.

    Fernando Collor foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em esquema envolvendo a BR Distribuidora, sendo acusado de receber cerca de R$ 20 milhões em propinas enquanto era senador. Ele ficará em um presídio em seu estado natal, Alagoas.

    Collor tem uma longa passagem no partido: foi eleito senador em 2006 pelo antigo PTB, sigla que se fundiu com o Patriota em 2023 para formar o PRD. Ele havia deixado o PTB em 2017, mas retornou em 2022 para disputar o governo de Alagoas. Após a derrota para Paulo Dantas, permaneceu na legenda, mas sem exercer cargos políticos.

  • Projeto define antissemitismo e veda relativização do Holocausto

    Projeto define antissemitismo e veda relativização do Holocausto

    O projeto de lei 472/25, em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe a adoção da definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). O objetivo é coibir a distorção, negação ou revisionismo do Holocausto, genocídio perpetrado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) que vitimou cerca de seis milhões de pessoas, majoritariamente judeus.

    A IHRA define antissemitismo como uma percepção negativa dos judeus, que pode se manifestar como ódio. As manifestações antissemitas, tanto retóricas quanto físicas, podem ser direcionadas a indivíduos judeus ou não judeus, bem como a seus bens, instituições comunitárias e locais de culto judaicos.

    Dep. General Pazuello (PL - RJ).

    Dep. General Pazuello (PL – RJ).Mário Agra/Câmara dos Deputados

    O deputado General Pazuello (PL-RJ), autor da proposta, ressalta que a definição da IHRA já foi adotada por 31 países. “O antissemitismo acusa frequentemente os judeus de conspirarem para prejudicar a humanidade e é utilizado, muitas vezes, para culpar os judeus pelas ‘coisas que correm mal’”, alerta.

    Ele complementa: “É expresso oralmente, por escrito, sob forma visual e através de ações, utilizando estereótipos sinistros e traços de personalidade negativos”.

    Segundo o parlamentar, o antissemitismo leva a ataques “físicos, morais e psicológicos” contra judeus e locais associados a eles, como edifícios, escolas, locais de culto e cemitérios, causando “medo e terror”. A proposta visa tornar explícito que questionar a legitimidade do Estado de Israel ou minimizar a gravidade do Holocausto será tratado com rigor.

    O projeto seguirá para análise nas comissões de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial; e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Posteriormente, para se tornar lei, precisa ser aprovado também pelo Senado.