Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • STF retoma julgamento sobre responsabilidade das redes nesta quarta

    STF retoma julgamento sobre responsabilidade das redes nesta quarta

    O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta quarta-feira (11) duas sessões dedicadas ao julgamento sobre a responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos publicados por terceiros. Pela manhã, os ministros se reúnem a partir das 10h; a sessão da tarde começa às 14h.

    Sete dos 11 ministros do STF ainda vão se manifestar sobre a responsabilização das redes sociais.

    Sete dos 11 ministros do STF ainda vão se manifestar sobre a responsabilização das redes sociais.Pedro Ladeira/Folhapress

    Estão em análise dois recursos com repercussão geral reconhecida, o que significa que o entendimento firmado pelo STF terá que ser seguido em todos os tribunais do país. Os processos discutem se as redes sociais podem ser responsabilizadas por danos causados por postagens ofensivas mesmo sem a existência de ordem judicial prévia para a remoção do conteúdo.

    O que dizem os recursos

    • RE 1037396 (Tema 987): trata de ação contra o Facebook. O relator, ministro Dias Toffoli, discute a validade do artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), que condiciona a responsabilização das plataformas a uma decisão judicial.
    • RE 1057258 (Tema 533): movido contra o Google, é relatado pelo ministro Luiz Fux e aborda se as plataformas devem agir diretamente diante de postagens ofensivas ou se devem sempre aguardar o Judiciário.

    Os ministros discutem se as plataformas devem ser responsabilizadas por danos causados por publicações de usuários mesmo sem ordem da Justiça em casos, por exemplo, de discurso de ódio, racismo, ameaças ou fake news que atentem contra a democracia.

    Debate técnico e político

    O julgamento foi retomado na semana passada com o voto do ministro André Mendonça e continua nesta quarta com a manifestação dos demais ministros. A decisão pode redefinir o equilíbrio entre liberdade de expressão e dever de moderação das empresas de tecnologia, afetando diretamente o funcionamento de plataformas como YouTube, Meta e X no Brasil.

    Até agora, quatro ministros já votaram:

    • Dias Toffoli e Luiz Fux: votaram pela inconstitucionalidade do artigo 19, permitindo que vítimas possam exigir a remoção de conteúdo com base em notificações extrajudiciais.
    • Luís Roberto Barroso: defendeu solução intermediária, com remoção imediata apenas em casos graves como pornografia infantil ou incentivo ao suicídio. Para calúnia e difamação, seria necessária ordem judicial.
    • André Mendonça: divergiu e votou pela constitucionalidade integral do artigo. Para ele, responsabilizar plataformas por opiniões de usuários sem decisão judicial compromete a liberdade de expressão e a segurança jurídica. Também criticou suspensões arbitrárias de perfis.

    O próximo a votar é o ministro Flávio Dino, que se manifesta pela primeira vez do caso. Também devem se manifestar Cristiano Zanin, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. O desfecho pode alterar de forma duradoura as regras sobre moderação de conteúdo no Brasil e o grau de autonomia das plataformas.

  • CCJ discute novo Código Eleitoral

    CCJ discute novo Código Eleitoral

    Otto Alencar é o presidente da CCJ, responsável pela análise da proposta.

    Otto Alencar é o presidente da CCJ, responsável pela análise da proposta.Edilson Rodrigues/Agência Senado

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado discute a proposta de novo Código Eleitoral. O relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI), apresentou nesta quarta-feira (11) seu parecer sobre as emendas apresentadas recentemente pelos colegas. O texto foi aprovado pela Câmara em 2021, mas o relator fez mudanças. Algumas delas enfrentam resistências de senadores e entidades. Acompanhe a reunião:

    No início da reunião, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) pediu o adiamento da votação. Marcelo Castro defendeu a manutenção da análise do texto para hoje. “A minha posição é que a gente vote hoje. Não há motivo para adiamento”, declarou o relator. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), submeterá o requerimento de Girão em votação. O senador cearense pede que a votação só ocorra em 22 de julho, período em que os senadores estarão em recesso parlamentar.

    Leia ainda:

    Confira os principais pontos do relatório de Marcelo Castro

  • Filipe Barros rebate Lindbergh após pedido de abertura de investigação

    Filipe Barros rebate Lindbergh após pedido de abertura de investigação

    O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Filipe Barros (PL-PR), rebateu nesta quarta-feira (11) as acusações de ter articulado com Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos para impor sanções contra autoridades brasileiras. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), protocolou na última semana pedido de investigação à Polícia Federal para incluir Barros no inquérito contra Eduardo Bolsonaro.

    Deputado Filipe Barros.

    Deputado Filipe Barros.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    O deputado disse que não vai aceitar a tentativa de criminalizar “atividade parlamentar” por meio da representação. “Fui surpreendido pelas declarações do deputado Lindbergh Farias, em que ele afirmou que estive nos Estados Unidos conspirando contra o Brasil. De fato, como relatei, eu cumpri agenda nos Estados Unidos visitando a comunidade brasileira na Flórida”, afirmou Filipe Barros.

    O parlamentar também complementou outras atividades na missão oficial, incluindo reunião com deputados americanos. Filipe Barros disse que, apesar de ter tratado da questão da “liberdade” no Brasil entre as discussões sobre Relações Exteriores, todos os encontros foram agendados, nenhum foi “clandestino”.

    “Denuncio com firmeza e responsabilidade as tentativas coordenadas de intimidação contra o exercício legítimo da função parlamentar. Quando membros do PT saíram do país dezenas de vezes para falar mal do Brasil, discordamos, mas respeitamos. Agora, querem criminalizar o diálogo diplomático que fazemos em defesa da nossa nação? Isso não é justiça. É perseguição. Isso não é democracia. É censura. Isso não é investigação. É chantagem disfarçada”, escreveu o deputado nas redes sociais.

    Ele acrescentou, ainda, que embaixadores se sentiram constrangidos em procurar a Comissão de Relações Exteriores após as petições de Lindbergh Farias. Por isso, ele propôs resolução para proteger o exercício da atividade parlamentar.

    Acusações de Lindbergh

    Segundo Lindbergh, Filipe Barros teria participado, ao lado de Eduardo Bolsonaro, de reuniões nos Estados Unidos com parlamentares estrangeiros. Nessas ocasiões, os envolvidos teriam discutido caminhos para aprovar sanções contra autoridades brasileiras. “A campanha de articulação de sanções para interferir no Judiciário brasileiro tem a parceria do deputado federal Filipe Barros e do comunicador Paulo Figueiredo”, escreveu o petista.

    A peça relata ainda que Barros teria se reunido com o deputado americano Cory Mills, com quem teria acertado a criação de um grupo voltado à troca de informações sobre o sistema eleitoral brasileiro. Segundo o texto, o próprio Filipe Barros declarou que “combinou com Cory Mills de criarem um grupo de trabalho que trocará informações importantes sobre a democracia brasileira e possíveis interferências no nosso processo eleitoral”.

  • Entenda as medidas de corte de gastos no novo pacote fiscal

    Entenda as medidas de corte de gastos no novo pacote fiscal

    “Se não arrumarmos as contas pelo lado da receita e pelo lado da despesa, nós vamos ter dificuldade”. A frase, pronunciada na manhã desta quinta-feira (12) pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda), indica o que parece ser um ponto de concordância entre o chefe da equipe econômica e o setor produtivo: o acerto das contas do governo federal não deve vir só pela arrecadação, mas também pelo corte de gastos.

    Haddad:

    Haddad: “Não tenho nenhum problema com a agenda de gastos primários. Mateus Bonomi/AGIF/Folhapress

    A cobrança ao governo por uma tesourada nas contas do governo aumentou nos últimos dias, depois do anúncio da alta do IOF, que foi derrubada e compensada com o novo pacote fiscal depois da revolta de setores com o aumento na carga tributária – fala-se em um Estado mais enxuto, e que o governo precisa fazer a parte dele. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sido um dos nomes mais proemimentes da política a vocalizar essa questão, enfatizando que, sem reformas “estruturantes”, a máquina pública logo vai quebrar. “Apresentar soluções aumentando arrecadação sem corte de gastos não funciona”, publicou Hugo em seu perfil no X.

    “Eu não tenho nenhum problema com a agenda de gastos primários”, disse Haddad, apontando que o pacote fiscal já tem um conjunto de medidas para a redução de gastos. De fato, as medidas estão lá, embora o impacto fiscal de cada uma delas ainda seja incerto. Veja abaixo o que o governo propôs, nesse momento, para cortar os custos.

    Limite para o auxílio-doença por atestado

    O pacote cria uma limitação no benefício por incapacidade temporária, conhecido como auxílio-doença, que poderá ser concedido por meio de atestado médico analisado à distância só por até 30 dias. A partir desse prazo, será exigida perícia presencial ou por telemedicina. Hoje, esse limite não existe.

    A medida busca evitar o prolongamento indevido de benefícios, reduzindo o número de casos em que trabalhadores permanecem afastados por longos períodos sem perícia do INSS.

    Teto para compensação previdenciária

    A MP cria um limite para os repasses feitos pelo governo federal a estados e municípios para cobrir aposentadorias pagas a servidores que contribuíram para o INSS antes de migrarem aos regimes próprios. Com a mudança, esses repasses ficam condicionados ao valor previsto na lei orçamentária de cada ano. Isso impede que a União seja obrigada a cobrir valores maiores que o planejado, mesmo que haja demanda.

    Aperto na fiscalização do seguro-defeso

    O seguro pago a pescadores durante o período de defeso – quando a pesca é proibida para preservação das espécies – só será concedido após a homologação do registro pelo governo municipal.

    O objetivo é evitar fraudes, como concessões para quem não exerce de fato a atividade pesqueira. A exigência de validação local torna mais rigoroso o processo de identificação dos beneficiários.

    Transformação de cargos comissionados

    A MP ainda extingue 1.821 Funções Gratificadas (FGs) e as substitui por Funções Comissionadas Executivas (FCEs), mais baratas para a administração pública. A mudança depende de decreto do governo federal para entrar em vigor.

    Ao trocar as funções antigas pelas novas, o governo busca manter a estrutura administrativa sem os custos associados às gratificações extintas.

    Teto orçamentário para benefícios

    O pagamento de benefícios como o seguro-defeso e o auxílio-doença ficará limitado à dotação prevista na Lei Orçamentária de cada ano. Se não houver recursos previstos, o benefício não poderá ser concedido. Na prática, a medida reforça o controle sobre os gastos sociais, alinhando as despesas obrigatórias aos limites do orçamento aprovado pelo Congresso.

    Programa Pé-de-Meia entra no piso da educação

    A MP também determina que os recursos do programa Pé-de-Meia que oferece poupança para estudantes do ensino médio público sejam contabilizados dentro do piso constitucional da educação.

    Com isso, o programa deixa de ser uma despesa adicional e passa a compor os investimentos mínimos obrigatórios. Isso reduz a pressão sobre o restante do orçamento federal: uma parte menor do orçamento fica travada pelo piso. 

  • Itália diz que busca Zambelli e que Bolsonaro não pediu cidadania

    Itália diz que busca Zambelli e que Bolsonaro não pediu cidadania

    O governo da Itália admitiu, nesta sext-feira (13), que não sabe o paradeiro da deputada brasileira Carla Zambelli (PL-SP), condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e à perda do mandato. “Prosseguem, entretanto, as atividades de busca, também por meio de cooperação internacional com as autoridades brasileiras”, informou o Ministério do Interior. 

    Zambelli entrou na Itália pouco antes de chegar a notificação da Interpol de que ela estava foragida, informou o governo italiano.

    Zambelli entrou na Itália pouco antes de chegar a notificação da Interpol de que ela estava foragida, informou o governo italiano.Gabriela Biló/Folhapress

    A declaração foi feita em resposta a um requerimento do deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, que questionou a entrada da parlamentar no país e a ausência de medidas para detê-la. O Itamaraty deu início ao pedido de extradição da paulista, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

    O governo da Itália também informou, respondendo a outra pergunta do deputado, que o ex-presidente Jair Bolsonaro não solicitou cidadania italiana, diferentemente de seus filhos Carlos, Eduardo e Flávio, que a receberam.

    Salva por horas

    Segundo documento oficial do Ministério do Interior da Itália, Zambelli desembarcou em Roma no dia 5 de junho, por volta das 11h40, em voo vindo de Miami, portando passaporte italiano válido emitido no consulado em São Paulo. No momento da entrada, no entanto, não havia alerta internacional ativo contra ela, uma vez que a notificação vermelha da Interpol só foi publicada naquele mesmo dia, às 16h46, quase cinco horas depois da sua chegada ao território italiano.

    Por causa desse desencontro temporal, as autoridades de fronteira italianas não puderam detê-la, já que Zambelli não constava em nenhuma base de dados criminal, nem nacional nem internacional, no momento da checagem. Desde então, ela está foragida, e não foi localizada apesar dos esforços das forças de segurança italianas, com apoio da Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais (Digos) de Roma.

    Segundo o Ministério do Interior, a busca segue com cooperação internacional com o Brasil e o Ministério Público da República italiano foi acionado, O governo reiterou que nenhum antecedente criminal foi detectado no nome da deputada nos sistemas S.D.I., S.I.S. e Interpol, o que impossibilitou qualquer ação imediata no aeroporto.

    Veja a íntegra da resposta do Ministério do Interior (traduzida livremente para o português) a respeito de Zambelli:

    “Ministério do Interior da Itália

    Senhor Presidente, Ilustres Deputados,

    O parlamentar interpelante faz referência ao caso da deputada brasileira, também cidadã ítalo-brasileira, Carla Zambelli Salgado, eleita em 2022 pelo partido ‘PL-SP’.

    Após sua eleição, ela foi declarada inelegível por oito anos pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, com a anulação de seu mandato, e condenada pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil a dez anos de reclusão.

    Posteriormente, no último dia 25 de maio, a Sra. Zambelli teria deixado o Brasil, viajando inicialmente para Miami e depois para a Itália, tornando-se, em seguida, inlocalizável.

    A esse respeito, com base em investigação conduzida pelas forças policiais, foi verificado que a Sra. Zambelli Salgado viajou em voo proveniente de Miami, chegando a Roma no dia 5 de junho, às 11h40, com um passaporte válido emitido pelas autoridades consulares italianas em São Paulo.

    A análise de risco associada à pré-verificação das listas de passageiros por meio do sistema API/PNR indicou que o nome da Sra. Zambelli não apresentou resultado positivo nos bancos de dados nacionais e internacionais das forças policiais (S.D.I., S.I.S., Interpol).

    A falta de resultado positivo se deve ao fato de que a solicitação de publicação, por parte das autoridades brasileiras competentes, de uma Notificação Vermelha da INTERPOL destinada a divulgar, a nível mundial, a solicitação de prisão para fins de extradição foi aprovada pela INTERPOL também no dia 5 de junho, mas publicada apenas às 16h24 (hora italiana) do mesmo dia, e tornada visível aos Escritórios Centrais Nacionais da INTERPOL somente após às 16h46.

    O intervalo de tempo entre a chegada da Sra. Zambelli e a publicação da notificação da INTERPOL não permitiu às autoridades policiais de fronteira italianas efetuar a prisão, pois no momento do controle ela não apresentava antecedentes policiais no território nacional nem evidências desfavoráveis identificáveis nos registros.

    As verificações policiais realizadas até o momento, ainda em andamento, não conseguiram localizar a Sra. Zambelli.

    Prosseguem, entretanto, as atividades de busca, também por meio de cooperação internacional com as autoridades brasileiras, e os dados reunidos até agora pela DIGOS de Roma foram compartilhados com o Ministério Público da República.

    Sobre Jair Bolsonaro e os filhos

    No que diz respeito ao ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, o Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália comunicou que nenhum pedido de reconhecimento de cidadania italiana por parte dele foi recebido pelas autoridades italianas.

    Já seus filhos, Flávio, Eduardo e Carlos, iniciaram o procedimento junto à Embaixada da Itália no Brasil e o concluíram com êxito, obtendo a cidadania italiana: Flávio e Eduardo em 2023, e Carlos em 2024.

    Dispositivo Legal da Cidadania Italiana

    Do ponto de vista jurídico, o Ministério das Relações Exteriores especificou que o reconhecimento da cidadania italiana iure sanguinis (por descendência sanguínea), conforme a legislação vigente, não prevê nenhuma avaliação discricionária por parte da administração responsável, mas apenas a verificação de que os interessados cumpram os requisitos legais estabelecidos.”

    Questionamentos

    A solicitação de esclarecimentos feita por Bonelli foi direcionada aos ministros italianos das Relações Exteriores, da Justiça e do Interior. No ofício, ele lista as acusações contra Zambelli, menciona sua condenação pelo STF, e lembra que a própria parlamentar afirmou ter recorrido à cidadania italiana como estratégia para fugir da pena de prisão no Brasil. Após deixar o país, ela solicitou licença da Câmara por 127 dias para tratar de “assuntos particulares”.

    Entre outros pontos, Bonelli questionou:

    • Como Zambelli conseguiu entrar no país mesmo com um mandado internacional de prisão;
    • Por que ela não foi monitorada pelas autoridades italianas;
    • Se ela recebe algum tipo de proteção na Itália;
    • Se o governo pretende impedir a entrada de foragidos acusados de tentativa de golpe, como é o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Cidadania italiana

    No mesmo documento, o Ministério do Interior confirmou que Bolsonaro não pediu reconhecimento de cidadania italiana, ao contrário de seus filhos Flávio, Eduardo e Carlos, que obtiveram a cidadania respectivamente em 2023 (os dois primeiros) e 2024 (o terceiro).

    O governo da Itália ressaltou que o reconhecimento de cidadania iure sanguinis (por descendência) não depende de decisão política, mas sim de requisitos legais objetivos, e que, portanto, não cabe à administração italiana fazer qualquer juízo discricionário nesses casos.

    O Ministério da Justiça brasileiro, por sua vez, já acionou o Itamaraty para que inicie os trâmites de extradição de Carla Zambelli junto ao governo italiano. Bonelli, que havia alertado previamente sobre o caso, disse que a Itália não pode se tornar um refúgio para criminosos condenados.

    Condenada e “intocável”

    Zambelli foi condenada pelo STF, em maio, a 10 anos de prisão por participar da invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto. O objetivo seria inserir documentos forjados, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. A Corte também determinou a cassação de seu mandato, que ainda precisa ser ratificada pelo Plenário da Câmara, segundo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

    A deputada responde ainda a processo por ter apontado uma arma contra um adversário político durante a campanha eleitoral de 2022. Ela deixou o Brasil no dia 25 de maio rumo aos Estados Unidos. Em entrevista à CNN, declarou que seguiria para a Itália: “Tenho passaporte italiano… podem acionar a Interpol, mas na Itália sou intocável”. Disse também que buscava atendimento médico mais acessível, alegando que o sistema de saúde italiano seria mais barato do que o norte-americano.

  • Ex-ministro da Defesa pede perdão ao advogado após depoimento no STF

    Ex-ministro da Defesa pede perdão ao advogado após depoimento no STF

    O general da reserva e ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira divulgou uma carta aberta nesta sexta-feira (13) para pedir perdão ao advogado Andrew Fernandes Farias, após um episódio de constrangimento protagonizado por ele durante audiência no Supremo Tribunal Federal (STF).

    No depoimento da última terça-feira (10), transmitido ao vivo, Nogueira se irritou com uma pergunta de Farias sobre a reunião ministerial de dezembro de 2022, interrompendo-o: “Vai perguntar sobre a reunião, cara?”.

    Carta aberta do general reconhece falas

    Carta aberta do general reconhece falas “não apropriadas” e elogia atuação da defesa.Fellipe Sampaio/STF

    No mesmo interrogatório, Nogueira reiterou a insatisfação: “Você não combinou comigo, mas tudo bem”, e ainda rebateu: “Andrew, eu já respondi tudo isso ao nobre presidente Alexandre de Moraes. Certo. Ok?”. O incidente gerou incômodos entre os advogados dos demais réus da ação penal, que enxergaram as falas do general como grosseiras.

    Diante da repercussão negativa, o general divulgou uma nota pública afirmando que o advogado e sua equipe o prepararam com profissionalismo para o depoimento. “Desde fevereiro de 2024, o Dr. Andrew e sua equipe têm sido extremamente competentes e dedicados, mostrando-se excelentes profissionais”, escreveu.

    Na carta, Nogueira reconhece os excessos e se retrata: “As falas que fiz em alguns momentos não foram apropriadas”. Ele também agradece à equipe jurídica pela condução da sua defesa: “Apresento minhas escusas ao Dr. Andrew e manifesto a elevada estima e o agradecimento a toda a sua equipe pelo proficiente trabalho, cuja excelência tem fortalecido a confiança na solidez da minha defesa”.

    Veja a íntegra da carta:

    CARTA ABERTA

    Acerca das minhas falas ao meu advogado, Dr. Andrew Fernandes Farias, por ocasião do meu depoimento em audiência de instrução processual, no Supremo Tribunal Federal, em 10/06/2025, esclareço o que se segue.

    1. O Dr. Andrew e sua equipe me prepararam extensa e acuradamente para o depoimento, elencando as perguntas a serem feitas pela defesa e os pontos a serem por mim ressaltados.

    2. Desde fevereiro de 2024, o Dr. Andrew e sua equipe têm sido extremamente competentes e dedicados, mostrando-se excelentes profissionais.

    3. Portanto, as falas que fiz em alguns momentos não foram apropriadas.

    4. Por fim, apresento minhas escusas ao Dr. Andrew e manifesto a elevada estima e o agradecimento a toda a sua equipe pelo proficiente trabalho, cuja excelência tem fortalecido a confiança na solidez da minha defesa.

    Brasília, 13 de junho de 2025

    PAULO SÉRGIO NOGUEIRA DE OLIVEIRA

  • Congresso marca sessão conjunta para discutir vetos presidenciais

    Congresso marca sessão conjunta para discutir vetos presidenciais

    O Congresso Nacional se reunirá na terça-feira (17) para discutir vetos presidenciais. Será a primeira sessão conjunta com esse foco em mais de um ano. Na pauta, 60 vetos aguardam deliberação. A expectativa é que também ocorra a leitura do pedido de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar fraudes no INSS.

    Entre os vetos que concentram maior atenção está o veto 47/2024, que impediu a proibição de bloqueios de emendas impositivas. O trecho vetado vedava o contingenciamento de recursos de emendas individuais e de bancadas, mesmo em situações de ajuste fiscal. O veto 48/2024 teve efeito semelhante, ao blindar essas emendas contra cortes.

    Pauta inclui vetos sobre execução de emendas parlamentares impositivas.

    Pauta inclui vetos sobre execução de emendas parlamentares impositivas.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Outro ponto de destaque é o projeto de resolução 03/2025, que altera regras para a destinação de emendas de comissões e bancadas. A proposta exige comprovação técnica de entidades privadas para receber recursos e determina que toda modificação seja acompanhada da identificação do parlamentar responsável, buscando atender as exigências do Supremo Tribunal Federal (STF).

    CPMI do INSS

    Também deve ser lido o requerimento de criação da CPMI do INSS. O pedido tem apoio de mais de um terço das duas Casas e trata de denúncias sobre descontos irregulares em benefícios previdenciários. De acordo com investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, o esquema desviou cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. A comissão é defendida pela oposição e conta com respaldo de parte da base governista.

    No governo, a proposta divide opiniões. Há quem veja na CPMI uma oportunidade para expor falhas de gestões anteriores, mas também há receios de desgaste político e de interferência nas apurações. A leitura do requerimento é necessária para que a comissão seja formalmente instaurada.

    Vetos acumulados

    Entre os demais vetos, chama atenção 02/2025, que barrou a concessão de pensão vitalícia de R$ 7 mil e indenização de R$ 50 mil para vítimas do Zika vírus. O governo alegou que a medida criaria despesa obrigatória contínua sem indicar fonte de custeio.

    Além dele, outros vetos atingem áreas como agricultura, segurança, habitação e meio ambiente. O acúmulo atual é o maior desde 2018, e a sessão desta semana pode destravar uma pauta represada e sinalizar reequilíbrio entre Executivo e Legislativo.

    Veja mais: confira a íntegra da pauta do Congresso Nacional.

  • Comitiva brasileira em Israel chega em segurança à Jordânia

    Comitiva brasileira em Israel chega em segurança à Jordânia

    O grupo de 12 prefeitos e gestores públicos que saiu de Israel na manhã desta segunda-feira (16) atravessou com segurança a fronteira com a Jordânia, fora da zona de conflito. A informação foi confirmada por Nélio Aguiar, tesoureiro da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que integra o grupo.

    O deslocamento ocorre após o agravamento do conflito entre Israel e Irã, que levou ao fechamento do espaço aéreo israelense e à suspensão de voos comerciais. Ao todo, 12 políticos iniciaram a retirada. Inicialmente, eram 13, mas um deles desistiu da viagem por receio de bombardeios.

    Deslocamento foi confirmado por integrante da comitiva.

    Deslocamento foi confirmado por integrante da comitiva.Mapa: Google Maps (Acesso em 16/06/2025)

    Após entrar em território jordaniano, o grupo segue em deslocamento interno e aguarda definição sobre o voo de retorno ao Brasil. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou estar de prontidão, mas ainda não foi acionada.

    A comitiva é formada por prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e secretários municipais de diversas cidades. Entre os nomes estão os prefeitos Álvaro Damião (Belo Horizonte), Cícero Lucena (João Pessoa), Welberth Porto (Macaé) e a vice-prefeita de Goiânia, Cláudia da Silva. Eles participavam da Expo Muni Israel 2025, feira internacional de tecnologia voltada à gestão pública, interrompida por causa do conflito.

  • Dois ex-ministros de Lula votaram por urgência de derrubar alta do IOF

    Dois ex-ministros de Lula votaram por urgência de derrubar alta do IOF

    Os deputados Daniela do Waguinho (União Brasil-RJ) e Juscelino Filho (União Brasil-MA), ex-ministros de Lula, contrariaram o governo federal e votaram a favor do regime de urgência para o projeto que derruba o decreto de aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O texto foi aprovado em plenário na noite de segunda-feira (16).

    Juscelino Filho e Daniela do Waguinho comandaram, respectivamente, as pastas das Comunicações e do Turismo.

    Juscelino Filho e Daniela do Waguinho comandaram, respectivamente, as pastas das Comunicações e do Turismo.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados | Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

    Daniela foi ministra do Turismo no início da gestão Lula. Ocupou a pasta até 14 de julho, data em que foi exonerada para dar lugar a Celso Sabino, que também era deputado pelo União Brasil. Os desentendimentos da então ministra com o próprio partido aceleraram a demissão.

    Juscelino era comandante da pasta das Comunicações. Deixou o cargo após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em um caso de suposta corrução envolvendo emendas parlamentares. Foi substituído por Frederico de Siqueira Filho.

    Os dois parlamentares são do União Brasil, partido que mantém uma relação difícil com o Planalto. No geral, Daniela e Juscelino costumam se posicionar na ala mais governista do partido: segundo a ferramenta Radar do Congresso, os dois costumam acompanhar o governo, respectivamente, em 99% e em 93% das votações em plenário. A média da Câmara é de 72%.

    Daniela e Juscelino são dois dos três ex-ministros do governo Lula que têm mandato na Câmara. Também é o caso de Paulo Pimenta (PT-RS), ex-chefe da Secom, que votou contra o requerimento de urgência e, até agora, acompanhou o governo Lula em 100% das votações.

  • Congresso combina queda de vetos sobre restos a pagar de emendas

    Congresso combina queda de vetos sobre restos a pagar de emendas

    O Congresso Nacional deve derrubar nesta terça-feira (17) quatro vetos do presidente Lula que impedem a reutilização de restos a pagar vinculados a emendas parlamentares.

    Sessão do Congresso será no plenário da Câmara dos Deputados:

    Sessão do Congresso será no plenário da Câmara dos Deputados:Lula Marques/Folhapress

    A articulação inclui os itens 33, 34, 45 e 46 da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025, todos relacionados à execução de emendas cujo recurso já foi empenhado, mas ainda não pago. São os chamados “restos a pagar”.

    As normas vetadas permitiam, por exemplo, que os recursos fossem reaproveitados em caso de desistência do conveniado original ou em nova licitação para o mesmo objeto. A derrubada desses trechos atende à pressão de parlamentares para evitar a perda de verbas alocadas por emenda por questões burocráticas ou operacionais.

    Vetos sobre bloqueio de emendas ficam para depois

    Outros dispositivos da LDO e da Lei Complementar 210/2024 que tratam de emendas parlamentares – como a proibição de bloqueios de emendas impositivas, a limitação do contingenciamento das discricionárias e a exigência de execução por ordem de prioridade – devem ficar fora da votação de hoje.

    A análise desses trechos, vetados sob o argumento de inconstitucionalidade e restrição à gestão fiscal, segue sem data definida.