Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Acordo sobre serviço aéreo entre Brasil e Israel é aprovado no Senado

    Acordo sobre serviço aéreo entre Brasil e Israel é aprovado no Senado

    O Senado aprovou projeto de decreto legislativo que oficializa acordo sobre serviços aéreos entre Brasil e Israel nesta terça-feira (10). O texto tem como objetivo disciplinar o transporte aéreo de passageiros, de cargas e mala postal, especificando, entre outros pontos, a designação de empresas, rotas, tarifas e segurança.

    Brasil e Israel.

    Brasil e Israel.Reprodução/Secretaria-Geral/Gov.br

    Conforme o relator, senador Marcos Pontes (PL-SP), a matéria visa a “incrementar os laços de amizade, entendimento e cooperação entre Brasil e Israel, que agora passam a contar com um marco legal estável para a operação de serviços aéreos entre seus territórios”. Ele explica ainda que o texto foi feito pela Comissão de Relações Exteriores em conjunto com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

    Apesar de firmar um acordo, o projeto prevê que autoridades aeronáuticas de cada parte podem negar, revogar, suspender ou impor condições para autorizar a operação. O texto também aponta que não haverá imposição de tarifas e demais encargos superiores aos cobrados às suas próprias empresas aéreas que operem serviços aéreos internacionais semelhantes.

    Por fim, a matéria ainda admite às empresas aéreas da outra parte converter e remeter para o exterior, a pedido, todas as receitas locais provenientes da venda de serviços de transporte aéreo e de atividades conexas diretamente vinculadas ao transporte aéreo que excedam as somas localmente desembolsadas.

  • Haddad acusa deputados de “molecagem” e sessão na Câmara termina em tumulto

    Haddad acusa deputados de “molecagem” e sessão na Câmara termina em tumulto

    O debate de deputados com Fernando Haddad nesta quarta-feira (11) acabou em tumulto. Em sessão conjunta das comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle, o ministro da Fazenda se irritou com as manifestações de dois deputados de oposição, que, segundo ele, deixaram o recinto logo depois de fazerem perguntas a ele. Haddad classificou o ato como “molecagem”, o que causou tumulto entre os parlamentares.

    Os deputados que questionaram Haddad e depois saíram da sessão foram Carlos Jordy (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG) – que, depois de serem informados da resposta do ministro, retornaram à comissão para replicar. “Moleque é você”, rebateu Jordy, argumentando que o deslocamento dos deputados entre os colegiados é normal na Casa: “Fazemos parte de várias comissões”.

    Nikolas, de volta à comissão, disse que tinha um pedido de questão de ordem – ou seja, relacionado à aplicação de alguma regra do regimento da Câmara na sessão – e comentou: “Você acha que tem debate sério com alguém que fala que eu não posso ter 300 milhões de visualizações num vídeo porque não tem 330 milhões de pessoas no mundo que falam português? É sério?”. Foi interrompido pelo presidente da Comissão, Rogério Correia (PT-MG): “Qual é a questão de ordem?”

    Dali para diante, a sessão regrediu para um tumulto generalizado, com deputados de correntes distintas pedindo a palavra. Com a confusão, Correia declarou a reunião como encerrada.

    A fala de Haddad

    Leia, abaixo, os trechos-chave da declaração do ministro da Fazenda, que foram replicados pelos deputados:

    “Eu tenho tido o ânimo de debater com os bolsonaristas, e eu não consigo debater. Em 2018, o Bolsonaro fugiu de todos os debates. Eu era candidato a Presidente, estava no segundo turno, e ele correu de debater comigo. E agora aparecem dois deputados, fazem as perguntas e correm do debate. É! Acabaram de falar, e o Nikolas foi um que sumiu. Isso é só para aparecer. Quer dizer, a pessoa fala: ‘Agora eu tenho maturidade. Eu não sou mais aquele… personagem. Agora eu sou um deputado para valer. Vou falar sério com o senhor, e corre daqui. Ele não quer ouvir a explicação”

    […] Eu estou perdendo aqui um minuto para fazer esse desabafo, porque é um pouco de molecagem, sabe? Isso não é bom para a democracia. Já que eles não estão aqui, quem sabe vocês mandam o recado para o Nikolas e para o Jordy aprenderem um pouco das contas públicas brasileiras. Vamos começar a falar sério aqui.

    […] Esse tipo de postura, esse tipo de molecagem de Nikolas e Jordy, que correram do debate, não vai adiantar. Quem sabe, eles apareçam aqui ou ouçam essa gravação no YouTube, para ver se aprendem um pouco de conta pública. É muito indigno esse tipo de coisa.”

    O ministro Fernando Haddad em debate na Câmara dos Deputados. Reunião acabou em tumulto.

    O ministro Fernando Haddad em debate na Câmara dos Deputados. Reunião acabou em tumulto.Gabriela Biló/Folhapress

    Sessão demorou a acontecer

    O debate com o ministro Haddad demorou algumas semanas para acontecer. Antes, estava marcada para 11 de junho, mas foi cancelada. Naquela semana, o ministério estava para publicar o relatório de Avaliação de Receitas e despesas primárias, com o anúncio de bloqueios e contingenciamentos para cumprir a meta fiscal do ano.

  • Plural, auditado e respeitado: o prêmio que aproxima povo e Parlamento

    Plural, auditado e respeitado: o prêmio que aproxima povo e Parlamento

    Prêmio Congresso em Foco reconhece os melhores parlamentares do ano.

    Prêmio Congresso em Foco reconhece os melhores parlamentares do ano.Arte Congresso em Foco

    Prêmio Congresso em Foco chega à sua 18ª edição como a mais longeva e respeitada premiação da política brasileira. Popularmente conhecido como o “Oscar da política”, consagrou-se como símbolo de transparência e pluralidade de vozes e pelo amplo alcance social, em um cenário político frequentemente desafiado pela desconfiança nas instituições.

    Com várias novidades em 2025, a premiação reafirma-se como um instrumento de valorização da boa política. Ao reconhecer parlamentares que honram seus mandatos e atuam com responsabilidade, aproxima o cidadão do Congresso Nacional e estimula a participação democrática.

    Acesse a página do prêmio

    Processo plural e auditado

    A escolha dos premiados é feita por meio de um processo diverso e rigorosamente auditado:

    • Voto popular pela internet (de 23 de junho a 20 de julho), com ferramentas antifraude e auditorias interna e externa
    • Júri especializado, formado por representantes da sociedade civil
    • Votação de jornalistas que cobrem o Congresso

    Essa combinação confere credibilidade, equilíbrio e pluralidade à premiação, evitando distorções. Parlamentares de todas as correntes ideológicas, raças, gêneros, orientações sexuais, faixas etárias e regiões do país já foram reconhecidos uma amostra da diversidade que compõe o Parlamento brasileiro.

    Veja o regulamento do prêmio

    Categorias temáticas e regionais ampliam a representatividade

    Além da votação nacional, o prêmio contempla categorias temáticas especiais, como:

    • Parlamentar Revelação
    • Direitos Humanos e Cidadania
    • Inovação e Tecnologia
    • Agricultura e Desenvolvimento Rural
    • Desenvolvimento Sustentável e Clima
    • Regulação e Acesso à Saúde
    • Diplomacia Cidadã
    • Incentivo à Cultura
    • Apoio ao Comércio, Indústria e Serviços
    • Acesso à Justiça

    Há também prêmios regionais, que reconhecem os cinco deputados e três senadores mais votados em cada uma das regiões do país (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul). Com isso, o prêmio valoriza lideranças locais e amplia a visibilidade de parlamentares fora do eixo político tradicional.

    Prestígio que se traduz em números

    O reconhecimento do Prêmio Congresso em Foco é valorizado por deputados e senadores, que frequentemente destacam a premiação em seus perfis nas redes sociais e promovem campanhas digitais durante o processo de votação.

    Em 2024, a presença de parlamentares na cerimônia foi recorde: dos 80 premiados, 54 compareceram pessoalmente ao evento para receber troféus e certificados.

    A repercussão pública também foi impressionante: 61 milhões de brasileiros foram impactados por conteúdos relacionados ao prêmio o equivalente à população da Itália e um crescimento de 57% em relação a 2023. Entre os dados de alcance:

    • 746 reportagens publicadas em veículos de imprensa
    • 14 milhões de visualizações nas redes do Congresso em Foco
    • 32 milhões de pessoas impactadas por notícias em portais e jornais
    • Quase 3 milhões de ouvintes de rádio
    • 2 milhões de pessoas impactadas por painéis de rua em Brasília

    Mulheres ganham espaço

    Apesar de ocuparem menos de 20% do Congresso, as mulheres vêm ampliando sua presença entre os premiados. Nos últimos dois anos, conquistaram quase metade das categorias em disputa, dividindo o palco em pé de igualdade com seus colegas homens um sinal claro de avanço na representatividade feminina.

    Calendário

    • Até 15 de junho: prazo para contestação ou pedido de exclusão de nomes da lista preliminar de elegíveis
    • 19 de junho: publicação da lista definitiva dos parlamentares aptos
    • 23 de junho a 20 de julho: período de votação popular
    • 1º de agosto: divulgação da lista de finalistas
    • 20 de agosto: cerimônia de premiação no Teatro Nacional Cláudio Santoro (Sala Martins Pena), em Brasília, com transmissão ao vivo.

    Leia ainda:

    A lista preliminar dos aptos ao Prêmio Congresso em Foco

    Apoiadores do Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Apoiadores do Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

  • Carla Zambelli tem salário e verbas de gabinete bloqueados

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ofício em que cumpre com o pedido de bloqueio de vencimentos e verbas de gabinete da deputada Carla Zambelli (PL-SP). O documento enviado na terça-feira (10) cumpre uma das medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes na decisão.

    Deputada Carla Zambelli.

    Deputada Carla Zambelli.Nino Cirenza/Ato Press/Folhapress

    A deputada federal foi condenada a dez anos de prisão, cassação do mandato parlamentar e ao pagamento de 200 dias-multa. Além disso, o magistrado determinou o bloqueio dos passaportes da deputada, dos vencimentos e da verba de gabinete parlamentar para fins de pagamento da multa integral. O bloqueio também se estendeu a bens, ativos, contas bancárias e às redes sociais da parlamentar.

    Carla Zambelli está foragida do Brasil na Itália e foi incluída na lista vermelha da Interpol. O Ministério da Justiça enviou nesta quarta-feira (11) ao Itamaraty o pedido de extradição da deputada. O encaminhamento é parte do rito legal: cabe ao Ministério das Relações Exteriores comunicar oficialmente às autoridades italianas.

    Zambelli foi condenada pela invasão aos sistemas virtuais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde tentou inserir documentos falsos. Após a rejeição unânime dos recursos no STF, o ministro Alexandre de Moraes determinou a execução imediata da pena e solicitou à Câmara que declarasse a perda do mandato.

    O presidente Hugo Motta, por sua vez, afirmou nesta semana que a decisão sobre a cassação do mandato de Carla Zambelli será levada ao plenário. Hugo Motta garantiu que a decisão será compartilhada com o conjunto dos deputados. “Essa decisão poderia ser cumprida pela mesa ou pelo plenário. O plenário é que tem a legitimidade dessa casa. É o plenário que decide para onde essa casa vai.

  • “Fez-se Justiça”, diz defesa após recusa de indiciamento de Virgínia

    “Fez-se Justiça”, diz defesa após recusa de indiciamento de Virgínia

    Com a rejeição do relatório final da CPI das Apostas Esportivas (CPI das Bets) nesta quinta-feira (12), a defesa da influenciadora digital Virgínia Fonseca divulgou nota pública em que afirma que “fez-se Justiça”. A manifestação ocorre após a comissão do Senado Federal descartar o pedido de indiciamento da empresária, que constava da proposta apresentada pela relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).

    A nota, assinada pelo advogado Michel Saliba, destaca que Virgínia recebeu a decisão com “tranquilidade e confiança nas instituições”, ressaltando que o resultado reflete uma “votação legítima procedida pela maioria da Comissão Parlamentar de Inquérito”.

    O texto também reconhece a importância dos trabalhos da CPI no que se refere ao debate sobre a regulamentação da divulgação de jogos online.

    Leia a íntegra da nota.

    A influencer Virgínia Fonseca depõe na CPI das Bets.

    A influencer Virgínia Fonseca depõe na CPI das Bets.Gabriela Biló/Folhapress

    Relatório rejeitado

    O relatório da CPI foi derrotado por 4 votos a 3, em sessão esvaziada. O parecer recomendava o indiciamento de 16 pessoas físicas e duas empresas por supostas irregularidades relacionadas à promoção de casas de apostas. Sem aprovação, o documento não será encaminhado formalmente a órgãos como o Ministério Público, a Polícia Federal ou o Ministério da Fazenda.

    Apesar da rejeição, a senadora Soraya Thronicke afirmou que remeterá o conteúdo do relatório diretamente a autoridades como o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

  • Congresso pode ter sessão conjunta na terça e instalar CPMI do INSS

    Congresso pode ter sessão conjunta na terça e instalar CPMI do INSS

    O Congresso Nacional pode realizar na próxima terça-feira (17) sessão conjunta para analisar vetos presidenciais, conforme afirmou o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). Além da análise dos vetos, a sessão pode também selar o futuro da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) acerca dos descontos indevidos em pensões e aposentadorias do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).

    Plenário do Senado.

    Plenário do Senado.Marcos Oliveira/Agência Senado

    Apesar de a informação da realização da sessão conjunta ter sido confirmada por senadores após a reunião de líderes na quinta-feira (12), até o momento, a agenda do Senado não apresenta a confirmação.

    A eventual instalação da CPMI depende de leitura do relatório por parte do presidente do Congresso Nacional, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O requerimento por si só, mesmo com as assinaturas, não é suficiente para instalar o colegiado, de acordo com o regimento interno.

    Protocolado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pela deputada Coronel Fernanda (PL-MT), o pedido de abertura da CPMI já ultrapassou a quantidade suficiente de assinaturas. Era necessária a adesão de 171 deputados federais e de 27 senadores. O apoio, porém, foi muito maior, inclusive com assinaturas de parlamentares da base, como o senador Fabiano Contarato (PT-ES).

    A Comissão Parlamentar pretende apurar os desvios realizados por entidades e associações sindicais entre 2019 e 2024. Conforme investigação da Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União (CGU) foram descontados, no período, R$ 6,3 bilhões de aposentadorias e pensões.

    Vetos presidenciais

    Objetivo principal da sessão conjunta, os deputados e senadores se reúnem em plenário para votar se vão acolher ou não os vetos presidenciais do presidente a leis sancionadas. Dessa forma, há possibilidade de os congressistas derrubarem os vetos do presidente Lula e deixarem o texto mais próximo do que foi aprovado nas Casas.

    Entre os vetos a serem analisados está a derrubada do veto ao projeto que previa pensão mensal, até o fim da vida, de R$ 7.786,02 a pessoas que nasceram com deficiência causada pelo vírus Zika durante a gestação. O governo barrou integralmente a proposta.

    Outro veto diz respeito a exclusão da previsão de que, no Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais, o nome de pessoas condenadas por pedofilia seriam mantidos durante dez anos após o cumprimento integral da pena.

  • Moraes pede à Meta para analisar perfis atribuídos a Mauro Cid

    Moraes pede à Meta para analisar perfis atribuídos a Mauro Cid

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (13) que a Meta preserve os perfis atribuídos ao ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid. O magistrado ainda pediu à plataforma para informar os dados do cadastro dos perfis, assim como os logins realizados nas contas.

    Alexandre de Moraes.

    Alexandre de Moraes.Marcelo Camargo/Agência Brasil

    A decisão de Moraes se deu após Mauro Cid, réu e delator do Núcleo 1 da trama golpista, requerer apuração para determinar a titularidade dos perfis Gabriela R. ou @gabrielar702. Matéria jornalística atribuiu as contas ao ex-ajudante de ordens. Ele rebateu as acusações e disse se tratar de “total falsidade da matéria e de seu conteúdo”, apontando ser “mais uma miserável fake news que é tão combatidas por esse Supremo Tribunal”.

    “E é por conta disso, pela gravidade da matéria dentro do contexto processual a partir dos termos da colaboração premiada homologada por essa Corte Suprema, que a defesa de Mauro Cid, vem, afirmar a total falsidade da matéria e de seu conteúdo. E o faz, afirmando que esse perfil não é e nunca foi utilizado por Mauro Cid, pois, ainda que seja coincidente com o nome de sua esposa (Gabriela), com ela não guarda qualquer relação”, disse a defesa.

    Os advogados de Mauro Cid ainda afastaram a autoria argumentando que há assuntos como a quantidade de anexos contidos na colaboração premiada que nunca foram tratados quando dos depoimentos na Polícia Federal. Além disso, os “erros crassos de concordância verbal, a forma equivocada de se referir aos Generais da Forças Armadas” não teriam sido realizados pelo tenente-coronel.

    Alexandre de Moraes deu 24h para a Meta apresentar os seguintes resultados à Suprema Corte:

    1. todos os dados cadastrais, incluindo o responsável, o email e o número de telefone celular e eventuais outros dados cadastrados no respectivo login de usuário,
    2. a informação se existem outros logins vinculados e se foram acessados por meio de navegadores de internet em notebooks ou computadores;
    3. todas as mensagens enviadas e recebidas no período de 1º/5/2023 até 13/6/2025
  • Câmara vota fim da regra que exige acordo para trabalho em feriados

    Câmara vota fim da regra que exige acordo para trabalho em feriados

    A Câmara dos Deputados pode votar nesta segunda-feira (16) um projeto que derruba a portaria do governo Lula que restringe o funcionamento de comércios em feriados. A norma estabeleceu para 1º de julho o prazo para que empresas como supermercados, farmácias e concessionárias possam abrir nesses dias só com convenção coletiva.

    Portaria do governo Lula se aplica ao trabalho em supermercados.

    Portaria do governo Lula se aplica ao trabalho em supermercados.Rivaldo Gomes/Folhapress

    A regra dá mais poder aos sindicatos e anula parte de uma portaria de 2021 editada por Jair Bolsonaro, que dispensava a negociação entre patrões e empregados. Parlamentares ligados ao setor empresarial tentam evitar o novo modelo e pressionam o governo por uma contraproposta.

    Impacto político e disputa jurídica

    A portaria reacendeu o embate entre governo e setor privado sobre a regulação do trabalho em feriados. O ministro Luiz Marinho sinalizou que pode adiar a entrada em vigor, mas negociações com o Congresso seguem em curso. A oposição acusa o governo de criar obstáculos ao comércio, enquanto centrais sindicais defendem a regra.

    O que muda com a portaria

    • 12 atividades do comércio passam a precisar de convenção coletiva;
    • hotéis, construção civil, call centers e educação seguem liberados;
    • empresas que descumprirem podem ser multadas;
    • trabalhadores ganham poder de negociação por benefícios em feriados.
  • Há 71 anos, Vargas escapou do impeachment, mas não da crise

    Há 71 anos, Vargas escapou do impeachment, mas não da crise

    Getúlio Vargas e José Carneiro da Gama Malcher na inauguração do busto de Getúlio Vargas.

    Getúlio Vargas e José Carneiro da Gama Malcher na inauguração do busto de Getúlio Vargas.Coleção Getúlio Vargas – Museu da República/IBRAM GV-IC-FT-004(54)

    Em 16 de junho de 1954, a Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de impeachment do presidente Getúlio Vargas. Apresentado sob acusações controversas e frágeis do ponto de vista jurídico, o processo não prosperou, mas serviu para alimentar um ambiente de desestabilização institucional. Esse modelo – de uso político do impeachment para enfraquecer governos – voltaria a se repetir em momentos-chave da história brasileira, como na queda de João Goulart e no afastamento de Dilma Rousseff.

    O pedido foi protocolado em 1953 pelo deputado Wilson Leite Passos (UDN), com base na recém-aprovada Lei do Impeachment (Lei nº 1.079/1950). Vargas era acusado de crime de responsabilidade por supostamente beneficiar o jornal Última Hora com recursos do Banco do Brasil, além de ser criticado por sua política trabalhista, como o aumento de 100% do salário mínimo, e sua aliança com setores nacionalistas e trabalhistas.

    O relatório contrário à denúncia, assinado pelo deputado Vieira Lins (PTB), sustentou que não havia elementos jurídicos que justificassem o afastamento do presidente. Ainda assim, a oposição forçou a votação em plenário. O resultado da sessão de 16 de junho de 1954 foi:

    • 136 votos contra o impeachment,
    • 35 a favor,
    • 40 abstenções.

    Mesmo derrotado, o processo ajudou a “criar um clima” de insustentabilidade política. Dois meses depois, sob intensa pressão e após o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, Getúlio Vargas tiraria a própria vida no Palácio do Catete, marcando um dos momentos mais dramáticos da história republicana.

    Padrão se repete: da crise de Goulart à queda de Dilma

    A instrumentalização política do impeachment observada em 1954 voltaria a ocorrer uma década depois, com o presidente João Goulart. Sem base para um afastamento legal, Goulart foi alvo de acusações semelhantes às que atingiram Vargas: aproximação com sindicatos, defesa de reformas sociais e suposta ameaça à ordem econômica. A pressão culminou no golpe militar de 1964, sem que houvesse qualquer processo constitucional de impedimento. O discurso, no entanto, seguiu o mesmo roteiro: alegações de ilegitimidade, radicalização política e risco institucional.

    Em 2016, a presidente Dilma Rousseff foi afastada por impeachment após ser acusada de praticar “pedaladas fiscais” e editar decretos orçamentários sem autorização do Congresso. Juristas e acadêmicos divergem até hoje sobre a existência de crime de responsabilidade. Embora o processo tenha seguido o rito constitucional, parte expressiva da sociedade civil e da classe política interpretou o episódio como uma resposta à crise política, econômica e à perda de apoio parlamentar – e não à prática de um crime claro.

    Assim como em 1954 e 1964, o impeachment foi usado como solução política para um impasse institucional, em meio a forte polarização, mobilização midiática e instabilidade econômica.

    Os impeachments efetivos: Collor e Dilma

    Até hoje, dois presidentes da República foram oficialmente afastados por meio de impeachment:

    Fernando Collor de Mello (1992): acusado de corrupção, foi investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurou o esquema liderado por PC Farias. A tramitação seguiu com forte apoio da opinião pública e respaldo jurídico. Collor renunciou antes da votação final no Senado, mas teve os direitos políticos cassados.

    Dilma Rousseff (2016): afastada com base em argumentos fiscais que já haviam sido utilizados por outros governos sem questionamento legal. O julgamento dividiu juristas e é frequentemente citado como um caso de impeachment sem crime claro, com forte componente político.

    Legado de 1954: quando o impeachment vira ferramenta de pressão

    A tentativa de impeachment de Getúlio Vargas inaugurou um padrão recorrente na política brasileira: o uso do processo legal como meio de fragilizar presidentes impopulares ou desalinhados com forças políticas dominantes. Ainda que juridicamente rejeitada, a denúncia contra Vargas cumpriu um papel estratégico no processo de desgaste político, alimentando uma crise que evoluiu para uma ruptura institucional.

  • Congresso adia votação de vetos da lei das eólicas offshore

    Congresso adia votação de vetos da lei das eólicas offshore

    O Congresso Nacional adiou nesta terça-feira (17) a votação do item 1 do veto 3/2024, que trata de partes excluídas da nova lei voltada à regulamentação das usinas eólicas offshore. Entre os trechos vetados estão dispositivos que previam a contratação de térmicas a gás em regiões com menor infraestrutura, a prorrogação de contratos de pequenas centrais hidrelétricas e incentivos para usinas a biomassa e eólicas já existentes. A análise foi postergada para sessão futura, ainda sem data definida.

    A lei original, aprovada pelo Congresso em 2024, estabelece regras para exploração da energia eólica no mar. Durante sua tramitação, o texto recebeu emendas que ampliaram seu escopo, incluindo medidas voltadas à segurança do sistema elétrico e à atração de investimentos para áreas menos atendidas. O governo, ao vetar esses trechos, alegou que eles extrapolavam o objetivo inicial do projeto.

    Proposta busca ampliar a segurança energética e atrair investimentos para regiões pouco atendidas.

    Proposta busca ampliar a segurança energética e atrair investimentos para regiões pouco atendidas.Divulgação/Ari Versiani/PAC

    Estudos técnicos apontam que a eventual derrubada do veto poderia gerar impactos positivos na economia. Um levantamento da consultoria Thymos projeta ganhos de até R$ 311 bilhões até 2054, incluindo a criação estimada de 200 mil novos empregos por ano e a movimentação de R$ 68 bilhões em investimentos privados. Parte dessas medidas também prevê a substituição gradual de fontes previstas em legislações anteriores por alternativas com menor custo de geração.

    Os dispositivos vetados também envolvem a contratação de usinas com capacidade para fornecer energia de forma contínua, o que é apontado por especialistas como necessário para complementar fontes intermitentes, como as eólicas offshore. Segundo entidades do setor, essa combinação pode garantir maior estabilidade ao sistema nacional enquanto a participação das fontes renováveis cresce.

    Com o adiamento, a decisão sobre os vetos permanece em aberto. Parlamentares favoráveis à inclusão das medidas argumentam que elas podem contribuir para a expansão equilibrada da matriz energética e para o desenvolvimento de regiões que ainda enfrentam limitações na oferta de energia.