Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Marcos do Val volta ao Brasil e coloca tornozeleira por ordem do STF

    Marcos do Val volta ao Brasil e coloca tornozeleira por ordem do STF

    O senador Marcos do Val (Podemos-ES) foi abordado por agentes da Polícia Federal (PF) ao desembarcar em Brasília nesta segunda-feira (4), após retornar de uma viagem aos Estados Unidos. A ação cumpriu ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o uso de tornozeleira eletrônica como nova medida cautelar diante do descumprimento de restrições judiciais impostas ao parlamentar.

    Do Val é investigado por ataques feitos em redes sociais contra policiais federais que atuam nas investigações sobre uma tentativa de golpe de Estado. Desde agosto de 2024, ele é alvo de medidas como o bloqueio de suas contas nas redes sociais e a apreensão de seu passaporte. Ainda assim, embarcou para os EUA em 23 de julho, saindo por Manaus (AM), utilizando um passaporte diplomático que não havia sido recolhido pela PF.

    Na semana passada ele pediu ao Supremo para não ser preso ao voltar para o país.

    Marcos do Val viajou para os EUA sem autorização judicial.

    Marcos do Val viajou para os EUA sem autorização judicial.Pedro Ladeira/Folhapress

    Pedido de viagem negado

    Antes de embarcar, a defesa de Do Val protocolou um pedido no STF, em 15 de julho, solicitando autorização para uma viagem de férias a Orlando, na companhia da companheira, da filha e da enteada. O documento incluía datas de ida e volta, hotel e até ingressos para parques temáticos.

    O ministro Alexandre de Moraes, porém, negou o pedido no dia 16 de julho, mantendo as medidas cautelares vigentes. A defesa só foi formalmente notificada da negativa no dia 24, quando o senador já estava em Miami. Por se tratar de um processo sob sigilo, a comunicação foi feita por um oficial de Justiça diretamente aos advogados do parlamentar.

    STF endurece medidas

    Ao tomar conhecimento da viagem sem autorização, Moraes determinou a instalação de tornozeleira eletrônica em Marcos do Val, além do bloqueio das contas bancárias e do cartão de crédito do senador e de sua filha, segundo informou sua defesa ao jornal Folha de S.Paulo.

    Logo após desembarcar, Do Val foi conduzido pela PF ao Centro Integrado de Monitoração Eletrônica, da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, para a instalação do dispositivo de monitoramento. Ele estava acompanhado de seu advogado, Iggor Dantas.

    Senador contesta decisão

    Em nota divulgada por sua assessoria, Marcos do Val negou ter desrespeitado deliberadamente as ordens judiciais. Segundo ele, o passaporte diplomático usado na viagem é válido até 2027 e não possui restrições. Seu visto para entrada nos Estados Unidos também estaria regular, com validade até 2035.

    O senador ainda afirmou, em uma transmissão ao vivo feita durante a estadia nos EUA, que a viagem foi comunicada ao STF, à Polícia Federal e ao Senado. Ele justificou o deslocamento como férias em família, aproveitando o recesso parlamentar:

    “Eu vim passar férias, minha filha está de férias e estamos com recesso parlamentar”, declarou Do Val.

    Histórico e agravamento da situação

    A investigação contra o senador teve início em 2024, quando ele passou a ser monitorado por supostos ataques nas redes sociais contra investigadores da PF que atuam em casos relacionados a atos antidemocráticos. Em agosto daquele ano, o STF determinou o bloqueio de suas redes e a apreensão do passaporte. Um recurso para reverter a medida foi negado em março de 2025.

    Agora, com o novo episódio, o Supremo endureceu o conjunto de restrições. A imposição da tornozeleira é interpretada como um sinal de que o Judiciário vê risco de reincidência e desobediência às ordens judiciais por parte do senador.

    A Polícia Federal informou que outras diligências relacionadas ao caso continuam em andamento. O STF, por sua vez, não comentou o episódio, mantendo o processo sob sigilo.

  • Com licença encerrada, Eduardo Bolsonaro volta a receber salário

    Com licença encerrada, Eduardo Bolsonaro volta a receber salário

    Com o encerramento de sua licença parlamentar, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), mesmo não tendo retornado ao território brasileiro, recebeu salário referente ao mês de julho. Em sua página na Câmara dos Deputados, consta o registro de pagamento de R$ 17 mil pelos dias 20 a 31 do mês, período que sucedeu seu afastamento.

    Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde março, onde tenta articular sanções contra autoridades brasileiras envolvidas no julgamento de réus por participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Em abril, anunciou sua licença parlamentar: período em que não recebe salário, mas suas faltas também não são computadas.

    Eduardo recebeu salário de R$ 17 mil pelo mês de julho.

    Eduardo recebeu salário de R$ 17 mil pelo mês de julho.Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    Sua licença se esgotou no dia 20 de julho, data que coincidiu com o recesso parlamentar. Com isso, os dias de permanência em solo americano não são computados como falta, permitindo com que ele ainda receba salário. O valor recebido foi inferior ao de um mês inteiro, que seria de R$ 46 mil.

    O cenário começa a mudar na terça-feira (5), com o retorno das atividades da Casa. A partir de então, as faltas não justificadas passam a refletir em descontos salariais.

    Além do desconto salarial, o acúmulo de faltas sem justificativa pode colocar seu mandato em jogo: se o acúmulo ultrapassar um terço das sessões em um ano legislativo, ele é automaticamente substituído pelo suplente. Caso se mantenha o ritmo de sessões plenárias do primeiro semestre e o deputado não retorne ao Brasil, sua cassação pode acontecer no início de outubro.

  • Oposição reage à prisão de Bolsonaro com ato em frente ao Congresso

    Oposição reage à prisão de Bolsonaro com ato em frente ao Congresso

    Em resposta à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, a bancada da oposição na Câmara dos Deputados promoveu um ato de protesto na rampa em frente ao Congresso Nacional. O bloco também anunciou que entrará em obstrução nas duas Casas legislativas até que haja uma resposta das presidências às suas pautas.

    No ato, o líder da oposição, Luciano Zucco (PL-RS), se pronunciou a respeito da decisão. De acordo com ele, “hoje se decreta claramente, inclusive via documento, que o nosso país não é mais uma democracia”. O parlamentar parafraseou a justificativa do governo dos Estados Unidos ao sancionar Alexandre de Moraes, afirmando que “nenhum país democrático permite que um juiz investigue, julgue e condene ao mesmo tempo”.

    Deputados da oposição afirmam que

    Deputados da oposição afirmam que “não há democracia no Brasil” após prisão de Bolsonaro.Divulgação/Gabinete Luciano Zucco

    Bolsonaro foi preso preventivamente na noite de segunda-feira (5) por violação de medidas restritivas. Ele estava proibido desde a segunda metade de julho de utilizar redes sociais: seja em perfis próprios, seja por meio de terceiros. Em diversos momentos, porém, participou de vídeos publicados por aliados e por seus próprios filhos. Ele agora está proibido de utilizar o aparelho celular, bem como de receber outras visitas em casa que não de advogados e de pessoas previamente autorizadas.

    As restrições de visitas também foram motivo de protesto por parte de seus aliados no Congresso. “Nenhum país democrático tem um ex-presidente da República preso com tornozeleira [eletrônica], não podendo falar com seus filhos, sem ter sido condenado a nada”, declarou Zucco.

    Cobrança por anistia

    Além de manifestar revolta contra a prisão do ex-presidente, os parlamentares da oposição retomaram a cobrança por anistia aos réus por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. “Dano a patrimônio nunca foi golpe. Essas pessoas tinham que estar em casa com as suas famílias, com seus filhos”, defendeu o líder da oposição.

    De acordo com Zucco, “nenhum país democrático permite, ou melhor, um judiciário condene pessoas a 15, 16, 17 anos”. Ele também exigiu a abertura de um processo de impeachment contra Moraes.

    Tarifas dos EUA

    O parlamentar também se pronunciou em defesa do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está desde março nos Estados Unidos articulando sanções, junto ao governo e Congresso americanos, contra Alexandre de Moraes e demais ministros do Supremo. Eduardo é apontado como principal responsável por levar a Casa Branca a impor o pacote tarifário de 50% sobre importações brasileiras, taxas defendidas por ele em suas redes sociais.

    “Temos que falar que o Eduardo Bolsonaro, que tanto criticam, foi lá para denunciar, levar documentos, junto com outros perseguidos. O Eduardo não quer taxação. Nenhum de nós queremos a taxação. Pelo contrário, o que foi feito na Lei Magnitsky é deixar claro que a democracia [no Brasil não existe]”, afirmou.

  • Câmara debate interferência de agência americana na soberania nacional

    Câmara debate interferência de agência americana na soberania nacional

    A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara realizará, nesta quarta-feira (6), uma audiência pública para examinar alegações de interferência da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAid) em território nacional.

    O debate foi solicitado por líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ). Segundo o parlamentar, “recentes denúncias sobre a atuação da USAid no Brasil suscitam preocupações acerca da nossa soberania nacional e integridade de nossos processos democráticos”.

    No inquérito, ex-funcionário relata que ajuda da agência escondia influência nas decisões.

    No inquérito, ex-funcionário relata que ajuda da agência escondia influência nas decisões.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Segundo dados apresentados pelo deputado, entre 2023 e 2024, a agência repassou cerca de 44,8 milhões de dólares a organizações não governamentais brasileiras. “Esses recursos foram direcionados a iniciativas que abrangem desde a preservação ambiental na Amazônia até a defesa de pautas de gênero e combate à desinformação”, afirmou.

    Por meio do Consórcio para Eleições e Fortalecimento do Processo Político, a USAid estabeleceu colaborações com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para “enfrentar a desinformação e promover a integridade do processo eleitoral brasileiro”, destacou o deputado na solicitação.

    O ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA Michael Benz participará da audiência como convidado para contar “a real extensão e os objetivos dos financiamentos e das ações promovidas pela USAid em território nacional”.

    USAid

    Fornecedora de cerca de 40% da ajuda humanitária do mundo, a USAid representou a amplicação da presença americana no mundo durante o governo de John F. Kennedy, na Guerra Fria. Em 1º de julho deste ano, a agência foi fechada por Donald Trump, que apontou irregularidades no órgão.

  • Boulos pede desconto salarial de deputados em protesto na Câmara

    Boulos pede desconto salarial de deputados em protesto na Câmara

    O deputado Guilherme Boulos (Psol-SP) protocolou requerimento, nesta quarta-feira (6), pedindo o desconto proporcional do salário dos deputados em obstrução física do plenário e em ocupação da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Em documento endereçado à Presidência da Casa, ele justifica a medida em razão do impedimento de realização de sessões plenárias.

    “A paralisação intencional dos trabalhos legislativos fere o princípio da eficiência da Administração Pública (art. 37, caput, da CF) e prejudica a tramitação de projetos que beneficiam diretamente o povo brasileiro. Cabe à Presidência desta Casa adotar as providências cabíveis para garantir a regularidade das sessões e a responsabilidade no uso dos recursos públicos”, escreveu o deputado.

    O congressista avaliou as medidas como “conduta incompatível com o exercício regular do mandato parlamentar”. Guilherme Boulos ainda recomendou que o desconto salarial seja remuneração relativa aos dias que os deputados paralisaram os trabalhos legislativos. Ele ainda aponta que o ataque ao Poder Judiciário é também uma “imposição de uma pauta abertamente antidemocrática”.

    Guilherme Boulos.

    Guilherme Boulos.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Protesto da oposição

    Com esparadrapos na boca em denúncia a uma suposta “ditadura” do Judiciário, deputados bolsonaristas ocuparam a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e impediram a realização da sessão plenária marcada para esta terça-feira. Ao lado do deputado Zucco (PL-RS), aparecem Marco Feliciano (PL-SP), Marcel van Hattem (Novo-RS), Rodolfo Nogueira (PL-MS), Caroline de Toni (PL-SC), Cabo Gilberto Silva (PL-PB), entre outros.

    No Senado, a Mesa foi ocupada pelos seguintes parlamentares: Jaime Bagattoli (PL-MT), Jorge Seif (PL-SC), Izalci Lucas (PL-DF), Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES), que ocupou a cadeira do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). “A mobilização é uma resposta à escalada de abusos e perseguições políticas. Não vamos nos calar”, escreveu o senador Capixaba.

    Em entrevista coletiva, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), reconheceu a medida como “radical”, mas necessária para conversar com o presidente da Casa a fim de incluir na pauta de votação projetos defendidos pelo grupo. A oposição quer a anistia, impeachment de Alexandre de Moraes, o fim do foro privilegiado e a revisão das sanções impostas ao senador Marcos do Val (Podemos-ES).

    Ação arbitrária

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, considerou a obstrução da oposição como como um “exercício arbitrário” e “algo inusitado e alheio aos princípios democráticos”. Ele também convocou reunião de líderes para retomar o “bom senso”.

    “O Parlamento tem obrigações com o país na apreciação de matérias essenciais ao povo brasileiro”, iniciou Alcolumbre. “Faço, portanto, um chamado à serenidade e ao espírito de cooperação. Precisamos retomar os trabalhos com respeito, civilidade e diálogo, para que o Congresso siga cumprindo sua missão em favor do Brasil e da nossa população”.

  • CCJ quer ouvir Zambelli antes de decidir sobre perda de mandato

    CCJ quer ouvir Zambelli antes de decidir sobre perda de mandato

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados planeja realizar uma audiência por videoconferência com a deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP), que se encontra detida na Itália, aguardando o desfecho do processo de extradição para o Brasil. A iniciativa visa dar andamento à Representação 2/25, relatada pelo deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), em concordância com o presidente da CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA).

    A representação foi encaminhada à comissão pela Mesa Diretora da Casa, considerando que a deputada sofreu uma condenação criminal com sentença transitada em julgado, o que configura uma das hipóteses de perda do mandato, conforme o Regimento Interno. A análise do caso pela CCJ garante à deputada o direito à ampla defesa.

    Carla Zambelli foi capturada pela PF na Itália, após ter fugido para a Europa para tentar escapar de pena de 12 anos de prisão imposta pelo Supremo.

    Carla Zambelli foi capturada pela PF na Itália, após ter fugido para a Europa para tentar escapar de pena de 12 anos de prisão imposta pelo Supremo.Zanone Fraissat/Folhapress

    Além de Zambelli, outras testemunhas serão ouvidas no processo, incluindo o hacker Walter Delgatti Neto, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (ex-ministro da Defesa), Michel Spiero (especialista em provas digitais), Flávio Vieitez Reis (delegado da Polícia Federal) e Felipe Monteiro de Andrade (agente da Polícia Federal).

    “O objetivo é assegurar o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa parlamentar e os ritos regimentais”, declarou o presidente da CCJ, Paulo Azi. A comissão informou que está tomando as providências necessárias para a realização das oitivas e que as datas das reuniões serão divulgadas em breve. O parecer do relator será apresentado após a instrução probatória, dentro do prazo de cinco sessões, conforme o Regimento Interno da Câmara dos Deputados.

    O Regimento Interno da Câmara estabelece que perde o mandato o deputado que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado. O parlamentar condenado, no entanto, tem direito à defesa e o caso precisa ser analisado também pela CCJ.

  • Comissão aprova projeto que amplia atuação de organizações sociais

    Comissão aprova projeto que amplia atuação de organizações sociais

    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados deu parecer favorável ao projeto de lei 5924/2023, que amplia a atuação de organizações sociais que executam serviços públicos em nome do Estado para permitir atendimento especializado a pessoas com deficiência. A aprovação ocorreu com concordância do relator, deputado Bruno Farias (Avante-MG).

    O parlamentar argumenta que a proposta do deputado Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP) visa fortalecer rede de apoio a pessoas com deficiência. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), citados no parecer, o Brasil possuía cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, 8,9% da população em 2023. “Trata-se de medida que poderá ampliar o alcance das políticas públicas, assegurando serviços de maior qualidade e adequados às necessidades específicas das pessoas com deficiência”, afirmou.

    O relator disse haver

    O relator disse haver “urgência de aperfeiçoamento das
    políticas públicas voltadas a esse segmento da população”.
    Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O projeto também busca aprimorar a qualificação e a gestão das organizações sociais ao exigir maior transparência nos contratos com o poder público. Entre os pontos destacados, Barbosa prevê que a capacitação das entidades seja pública, objetiva e impessoal.

    Criadas pela Lei 9.637/98, as organizações sociais prestam serviços em nome do Estado em áreas de pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, preservação ambiental, cultura e saúde.

    A proposta tramita ainda em caráter conclusivo pelas comissões de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

  • Dino reage a ameaças da embaixada dos EUA e cobra respeito à soberania

    Dino reage a ameaças da embaixada dos EUA e cobra respeito à soberania

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino criticou, nesta sexta-feira (8), uma publicação da embaixada dos Estados Unidos no Brasil que ameaça aliados do ministro Alexandre de Moraes. Em postagem no Instagram, Dino afirmou que, de acordo com o Direito Internacional, não cabe a representações estrangeiras “avisar” ou “monitorar” a atuação de magistrados brasileiros.

    “Lembro que, à luz do Direito Internacional, não se inclui nas atribuições da embaixada de nenhum país estrangeiro ‘avisar ou ‘monitorar o que um magistrado do Supremo Tribunal Federal, ou de qualquer outro tribunal brasileiro, deve fazer”, escreveu o ministro. Ele disse ainda que respeito à soberania nacional, moderação, bom senso e boa educação são “requisitos fundamentais na diplomacia” e defendeu que as relações amistosas entre Brasil e Estados Unidos sejam retomadas. “É o melhor para todos”, completou.

    Veja a publicação do ministro no Instagram:

    Publicações e sanções

    A manifestação de Dino ocorre um dia após a embaixada americana acusar Moraes de ser “o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores” e advertir que “aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas” também podem ser punidos. A nota ainda destacou que as supostas violações de direitos humanos atribuídas ao ministro levaram à aplicação da Lei Magnitsky, sancionada pelo presidente Donald Trump na semana passada.

    Não cabe a qualquer embaixada monitorar ou avisar ministros do Supremo, diz Flávio Dino.

    Não cabe a qualquer embaixada monitorar ou avisar ministros do Supremo, diz Flávio Dino.Pedro Ladeira/Folhapress

    A Lei Magnitsky permite que os Estados Unidos punam cidadãos estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou corrupção em larga escala.

    Reação do Itamaraty

    Também nesta sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores convocou o encarregado de negócios da embaixada, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre as novas ameaças. Escobar foi recebido pelo embaixador Flavio Goldman, que expressou “profunda indignação” com o conteúdo das postagens e classificou as declarações como ingerência e ataque à soberania nacional.

    Esta foi a quarta convocação desde o início da crise diplomática, que se intensificou com as tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros e os ataques reiterados ao STF.

    Desde que Trump reassumiu a Casa Branca, em janeiro, a representação diplomática em Brasília tem publicado mensagens de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e de críticas ao STF. Sem embaixador americano no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, Escobar atua interinamente e é o principal interlocutor em um dos períodos mais tensos da relação bilateral.

  • Embaixada dos EUA retoma críticas a Moraes e o chama de “tirano”

    Embaixada dos EUA retoma críticas a Moraes e o chama de “tirano”

    A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil publicou neste domingo (10) novas declarações contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em texto replicado nas redes sociais, o vice-secretário de Estado Christopher Landau afirmou que “um único ministro do STF usurpou poder ditatorial ao ameaçar líderes dos outros poderes, ou suas famílias, com detenção, prisão ou outras penalidades”.

    Landau disse que a atuação de Moraes “destruiu a relação histórica de proximidade entre Brasil e os Estados Unidos” e que a situação seria “sem precedentes e anômala” pelo fato de “essa pessoa vestir uma toga judicial”. Ele também acusou o ministro de tentar aplicar a lei brasileira para “silenciar indivíduos e empresas em solo americano”.

    Diplomacia americana mantém postura agressiva contra Moraes desde o fim da fase de instrução na ação penal contra Bolsonaro.

    Diplomacia americana mantém postura agressiva contra Moraes desde o fim da fase de instrução na ação penal contra Bolsonaro.Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    A ofensiva da representação diplomática norte-americana se intensificou após o avanço da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no STF. Moraes, relator do caso, é acusado pelos EUA de conduzir uma “perseguição política” contra o ex-mandatário, o que motivou a aplicação de sanções e a publicação de notas e declarações críticas de autoridades norte-americanas.

    As críticas se somam às feitas no dia 7 pela própria embaixada, que afirmou que “o ministro Moraes é o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores” e declarou que “os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes”.

    As manifestações ocorrem após o governo norte-americano sancionar Moraes com base na Lei Magnitsky, que bloqueia bens nos EUA e impede transações com cidadãos e empresas norte-americanas.

    A postura da embaixada já começou a gerar incômodo entre autoridades brasileiras: na sexta-feira (8), o ministro Flávio Dino se pronunciou em plenário no STF rebatendo os ataques da representação diplomática, enquanto o Ministério das Relações Exteriores convocou o encarregado de negócios da embaixada, Gabriel Escobar, para dar explicações sobre as declarações recentes.

    Veja a publicação original da embaixada:

  • Lindbergh aciona PGR contra deputados que ocuparam a Mesa Diretora

    Lindbergh aciona PGR contra deputados que ocuparam a Mesa Diretora

    O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), apresentou à Procuradoria-Geral da República uma representação contra os parlamentares que, na semana anterior, ocuparam em protesto a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados de modo a forçar o adiamento da abertura dos trabalhos da Casa no semestre.

    No documento, o petista alega que o grupo “tomou de assalto e sequestrou de forma ilícita e coordenada a Mesa Diretora do Plenário da Câmara dos Deputados, impedindo/restringindo o funcionamento regular de um Poder da República”.

    Deputado pede apuração sobre protesto que impediu a abertura dos trabalhos da Câmara.

    Deputado pede apuração sobre protesto que impediu a abertura dos trabalhos da Câmara.Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    A ocupação ocorreu após a decisão judicial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Deputados da oposição permaneceram no espaço reservado à presidência da Casa e exigiram a votação de proposta de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

    Na representação, Lindbergh pede a abertura de inquérito para investigar a possível prática do crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O parlamentar sustenta que “não se tratou de simples manifestação política ou manobra regimental, mas de restrição material e absoluta ao funcionamento de um Poder da República”.

    O deputado também relembra que houve uso de força e bloqueio físico do espaço institucional, impedindo o acesso do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de servidores. Segundo ele, a ação “a ocupação contou com comportamentos que revelam prévia articulação” com o objetivo de condicionar a Presidência da Casa à votação de projetos específicos.

    Em coletiva, Lindbergh declarou que “o que houve aqui na semana passada foi a continuidade do 8 de janeiro, foi o 8 de janeiro dos engravatados”. Ele disse ainda que a mobilização buscou “paralisar também as atividades legislativas” e que “essa semana não pode ser a semana da impunidade”.

    Veja a íntegra da representação.