Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • FPA solicita R$ 1 bilhão para reforço no Seguro Rural

    FPA solicita R$ 1 bilhão para reforço no Seguro Rural

    FPA pede reforço de pelo menos R$ 1 bi em recursos para subvenção ao prêmio do seguro rural.

    FPA pede reforço de pelo menos R$ 1 bi em recursos para subvenção ao prêmio do seguro rural.Freepik

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) encaminhou ao governo federal um pedido de inclusão orçamentária de R$ 1,05 bilhão para o Seguro Rural. O pedido, assinado pelo presidente da bancada, deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), foi direcionado aos Ministérios da Casa Civil, Fazenda e Planejamento.

    A solicitação busca ampliar a política de segurança da produção agropecuária, assegurando suporte financeiro aos produtores. Segundo Lupion, o reforço orçamentário é essencial para a manutenção das políticas públicas voltadas ao setor e para a continuidade dos programas de crédito rural.

    Importância do Seguro Rural

    A cobertura do seguro rural tem se reduzido, apesar da crescente ocorrência de eventos climáticos extremos, como El Niño e La Niña. A falta de uma política eficaz de mitigação de riscos tem impactado a inadimplência no crédito rural, que triplicou em operações de mercado no último ano, dificultando ainda mais o acesso ao financiamento para os produtores.

    Ao mesmo tempo, programas como o Proagro apresentam altos custos e baixa eficiência. Em 2023, a sinistralidade do Proagro foi de 428%, tornando o programa dez vezes mais oneroso para o governo do que o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), apesar de cobrir uma área menor.

    Para 2024, o setor agropecuário solicitou R$ 2,1 bilhões para o Seguro Rural. No entanto, a Lei Orçamentária Anual (LOA) aprovou R$ 964,5 milhões, valor que, após contingenciamento, foi reduzido para R$ 820,2 milhões menos de 60% do montante originalmente solicitado.

    Lupion defendeu a necessidade de fortalecer o Seguro Rural para impulsionar a competitividade do setor agropecuário brasileiro. “Se compararmos o modelo de seguro dos Estados Unidos com o nosso, vemos uma disparidade gigantesca em relação à cobertura, à obrigatoriedade, ao tipo de seguro e aos subsídios. Estamos muito atrás e não podemos transformar em secundário o que é fundamental para o desenvolvimento do agro e do Brasil”, afirmou o parlamentar.

  • Comissão aprova projeto que penaliza agressores de mulheres

    Comissão aprova projeto que penaliza agressores de mulheres

    A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (19), o projeto de lei 4781/2023, que determina a perda de bens para indivíduos condenados por estupro e violência doméstica e familiar contra a mulher. De autoria do senador Carlos Viana (Podemos-MG), a proposta segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

    Senador Sergio Moro (União-PR) é o relator da proposta

    Senador Sergio Moro (União-PR) é o relator da propostaFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    De acordo com o texto, os condenados por esses crimes estarão sujeitos tanto à pena privativa de liberdade quanto à perda de bens e valores que variam de um a cem salários mínimos. Os recursos arrecadados com a medida serão direcionados às vítimas, seus descendentes ou instituições que prestam acolhimento a mulheres em situação de violência.

    O relator da proposta, senador Sergio Moro (União-PR), acatou uma emenda do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que vincula o valor da penalidade ao salário mínimo, evitando a desvalorização do montante devido à inflação. “Estamos de acordo, por entender que a proposta visa a evitar que a quantia relativa à perda de bens sofra desvalorização inflacionária”, afirmou Moro.

  • Governo ajusta Bolsa Família para evitar exclusão por aumento de renda

    Governo ajusta Bolsa Família para evitar exclusão por aumento de renda

    O governo federal reforçou os mecanismos de proteção a famílias que vivem em situação de pobreza e são beneficiárias do Bolsa Família. Decreto publicado no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (24) ajusta em normas para evitar o desligamento automático de quem teve aumento de renda e aperta as regras para o ingresso de famílias compostas por apenas uma pessoa.

    Pelas novas regras, as famílias cuja renda mensal por pessoa ultrapassar o limite de R$ 218 (linha oficial da pobreza) poderão continuar no programa por um período determinado, que será fixado por ato do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias. Essa medida, conhecida como “regra de proteção”, busca acomodar variações de renda temporárias, como empregos sazonais ou informais.

    Além disso, o decreto prevê prioridade no reingresso ao programa, dentro de até 36 meses, para famílias que tiverem os benefícios cancelados ao fim desse período de proteção. A medida pretende evitar rupturas prolongadas no acesso à transferência de renda para quem volte a se enquadrar nos critérios de elegibilidade.

    Aplicativo do programa Bolsa Família em celular.

    Aplicativo do programa Bolsa Família em celular.Caio Rocha/iShoot/Folhapress

    Outro ponto de destaque é o endurecimento das exigências para famílias unipessoais. A partir de agora, pessoas que vivem sozinhas só poderão entrar no Bolsa Família após serem cadastradas ou atualizarem seus dados no CadÚnico por meio de entrevista presencial em domicílio. Essa verificação também será necessária para manter o benefício, salvo em casos de exceção que serão definidos pelo ministério.

    O texto também autoriza o governo federal a fixar um teto para a participação de famílias unipessoais no programa, a fim de evitar distorções. Essas mudanças ocorrem em meio a esforços do Executivo para qualificar o público atendido e conter fraudes no sistema de transferência de renda.

  • Leia a íntegra da sustentação oral de Paulo Gonet

    Leia a íntegra da sustentação oral de Paulo Gonet

    O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou por cerca de 30 minutos, oralmente, a denúncia feita contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados. Gonet detalhou o que chamou de plano golpista que visava a manutenção de Bolsonaro no poder através de métodos ilegais e antidemocráticos.

    Leia a íntegra da sustentação de Gonet

    A denúncia acusa Jair Bolsonaro e outros de formar uma organização criminosa com o objetivo de se manter no poder após as eleições de 2022, independentemente do resultado. De acordo com Gonet, a organização incluía civis e militares, liderada pelo próprio Bolsonaro e seu candidato a vice-presidente, general Braga Netto. O procurador afirma que a trama golpista foi documentada.

    Em sentido horário: Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma

    Em sentido horário: Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Cristiano Zanin, presidente da Primeira TurmaAntonio Augusto/Ascom/STF

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    A denúncia detalha uma série de ações empreendidas pela organização. Segundo a PGR:

    Discurso de ruptura com a normalidade institucional: A partir de 2021, Bolsonaro proferiu discursos com um tom crescente de ruptura com a normalidade institucional, demonstrando descontentamento com decisões de tribunais superiores e o sistema eleitoral.

    Planos articulados para a manutenção do poder: A organização elaborou planos para manter Bolsonaro no poder, a todo custo. Documentos, manuscritos, arquivos digitais e mensagens revelaram a marcha da ruptura da ordem democrática.

    Ataques ao sistema eleitoral: A organização criminosa buscou minar a credibilidade do sistema eletrônico de votação, disseminando informações falsas e promovendo ataques às urnas eletrônicas.

    Desacato às decisões judiciais: A organização planejou descumprir decisões judiciais, com a intenção de prender agentes públicos que executassem ordens judiciais desautorizadas pelo Executivo.

    Pressão internacional: A organização tentou atrair a boa vontade da comunidade internacional para seus atos de rebeldia.

    Eventos de 7 de setembro de 2021: Em São Paulo, Bolsonaro declarou seu propósito de não se submeter às decisões da Suprema Corte.

    Reunião ministerial e encontro com embaixadores: Bolsonaro convocou uma reunião ministerial para planejar ataques às urnas e a difusão de notícias falsas. Ele também convocou embaixadores para apresentar acusações falsas de fraude eleitoral.

    Ações para dificultar as eleições de 2022: A Polícia Rodoviária Federal foi instrumentalizada para dificultar o acesso de eleitores a locais de votação.

    Eventos de 8 de janeiro de 2023: A invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília, com a participação de policiais militares do Distrito Federal.

    • A denúncia destaca que a organização criminosa:
    • Preparou material inverídico sobre urnas eletrônicas.
    • Postergou e minimizou a divulgação do relatório das Forças Armadas atestando a higidez do processo eleitoral.
    • Ordenou a emissão de nota oficial a favor da “liberdade de expressão” para dar aos apoiadores a impressão de apoio das Forças Armadas.
    • Incentivou acampamentos em todo o país, pedindo uma intervenção militar ou federal.

    A denúncia conclui que:

    • Apesar da tentativa de golpe, a decisão dos comandantes militares de se manterem no seu papel constitucional foi determinante para impedir que o golpe prosperasse.
    • Crimes ocorreram, incluindo tentativas contra as instituições democráticas, mesmo sem a consumação do golpe.
    • A denúncia atende aos requisitos legais, fornecendo as fontes dos elementos informativos.
  • Advogado de Mauro Cid diz que seu cliente “apenas serviu a Justiça”

    Advogado de Mauro Cid diz que seu cliente “apenas serviu a Justiça”

    O advogado Cezar Roberto Bitencourt, defensor do tenente-coronel Mauro Cid, afirmou à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que espera a rejeição da denúncia com o seu cliente. Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Cid realizou uma delação premiada que ajudou a embasar a acusação contra o presidente Jair Bolsonaro e aliados por uma suposta operação de tentativa de golpe de Estado.

    Em seu pronunciamento, Bitencourt disse que tem uma “missão relativamente simples, porque é o Cid, o delator”, e disse que gostaria de “apenas destacar a sua dignidade, a sua grandeza, a sua participação nos fatos como testemunha, como intermediário”. Também afirmou que “as circunstâncias o colocaram nessa situação” e que o seu cliente “apenas serviu a Justiça”.

    “Ele está realmente protegido. Nós não temos necessidade de estender a sustentação”, disse Bitencourt. Com base nisso, afirmou que espera pela rejeição da denúncia contra seu cliente.

    O tenente-coronel Mauro Cid fez uma delação premiada que ajudou a embasar a denúncia da PGR

    O tenente-coronel Mauro Cid fez uma delação premiada que ajudou a embasar a denúncia da PGRPedro Ladeira/Folhapress

  • Fiscalizar as urnas não é função da Abin, diz Alexandre de Moraes

    Fiscalizar as urnas não é função da Abin, diz Alexandre de Moraes

    O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, relator de denúncia contra Bolsonaro e mais sete acusados por tentativa de golpe de Estado, afirmou em sessão na Primeira Turma da Corte que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não tem a atribuição de fiscalizar as urnas eleitorais. A declaração rebate uma frase da defesa do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da instituição que enfrenta a acusação de criar uma narrativa contra a eficácia das urnas para colocar em dúvida o resultado das eleições de 2022.

    O ministro Alexandre de Moraes é o relator do caso no STF.

    O ministro Alexandre de Moraes é o relator do caso no STF.Antonio Augusto/STF

    “Não é função da Abin fiscalizar as urnas”, disse Moraes, antes de pontuar que, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Ramagem “organizou e direcionou mensagens”, “que passaram a ser difundidas em larga escala pelo denunciado Jair Messias Bolsonaro e replicadas utilizando as denominadas milicias digitais nas redes sociais”.

    O debate sobre o papel da Abin nas eleições foi assunto de uma troca de frases entre o advogado de Ramagem, Paulo Renato Pinto, e a ministra Cármen Lúcia. Paulo Renato defendia que trabalhar pela segurança das urnas eletrônicas e do processo de votação faz parte das atribuições da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); Cármen, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), retrucou: “Vossa Excelência anotou ‘urnas’. E urnas são de outro Poder”.

  • Prefeito de BH, Fuad Noman teve parada cardiorrespiratória à noite

    Prefeito de BH, Fuad Noman teve parada cardiorrespiratória à noite

    O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), 77 anos, está internado em estado grave após sofrer uma parada cardiorrespiratória na noite de terça-feira (25). Segundo boletim médico divulgado na manhã desta quarta (26), ele foi reanimado, mas evoluiu para um quadro de choque cardiogênico, necessitando de altas doses de medicamentos para manter a pressão arterial.

    O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, foi reeleito em 2024 para o comando da capital mineira.

    O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, foi reeleito em 2024 para o comando da capital mineira.Alexandre Rezende/Folhapress

    Ainda de acordo com o boletim, Noman está com insuficiência renal aguda e respira com auxílio de aparelhos. Ele segue internado no Hospital Mater Dei, na região Centro-Sul da capital mineira, onde está desde 3 de janeiro para acompanhamento de seu tratamento oncológico.

    Durante o afastamento do titular, o vice-prefeito Álvaro Damião (União Brasil) permanece como prefeito interino. Em 2023, Fuad revelou publicamente que enfrentava um linfoma abdominal e passou por quimioterapia durante a pré-campanha eleitoral. Foi declarado curado pouco antes da eleição.

    Esta é a quinta internação do prefeito desde que assumiu o cargo em substituição a Alexandre Kalil, que deixou a prefeitura para disputar o governo de Minas em 2022.

  • Debora do “perdeu, mané” não recebeu proposta de acordo, afirma PGR

    Debora do “perdeu, mané” não recebeu proposta de acordo, afirma PGR

    Ao contrário da maioria dos presos denunciados por participação nos ataques às sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023, a cabeleireira Debora Rodrigues dos Santos, conhecida por ter deixado escrito “Perdeu, mané” com batom na Estátua da Justiça durante os atos de depredação, não recebeu uma proposta de acordo de Não-Persecução Penal. Em nota, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que a denunciada não cumpre os requisitos para o recebimento da oferta.

    Debora Rodrigues dos Santos ficou conhecida ao escrever

    Debora Rodrigues dos Santos ficou conhecida ao escrever “Perdeu, Mané” na Estátua da Justiça durante atos de 8 de janeiro.Gabriela Biló/Folhapress

    Acordos de 8 de janeiro

    Dentre os cerca de 1,5 mil processos contra os presos por participação nos ataques às sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023, cerca de um terço foram encerrados sem a necessidade de julgamento. Até o mês de fevereiro, 527 acusados haviam firmado Acordos de Não-Persecução Penal (ANPPs) junto à Procuradoria-Geral da República.

    ANPPs são acordos oferecidos pelo Ministério Público para encerrar uma disputa quando o acusado responde por um crime de baixo potencial ofensivo: o denunciado admite ter cometido o crime e é dispensado do cumprimento da pena em troca do cumprimento dos termos. Cerca de mil denunciados pelos atos de 8 de janeiro receberam a oferta, mas metade não aceitou.

    Os termos oferecidos pela PGR no caso dos presos de 8 de janeiro foram, além da confissão, o pagamento de uma multa de R$ 5 mil, a vedação ao uso de redes sociais ao longo de dois anos e a realização de um curso sobre democracia, fornecido gratuitamente pelo próprio Ministério Público. Na visão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, o grande número de recusas demonstra a postura radical de muitos dos denunciados.

    Oferta negada

    Entre os requisitos para que uma pessoa possa ter direito a firmar um ANPP, está a necessidade de o crime ser de pena inferior a quatro anos de prisão e sem o uso de violência ou grave ameaça. De acordo com a PGR, esse foi o motivo pelo qual Debora ficou de fora da lista.

    Os crimes pelos quais ela responde são os de associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima, além de deterioração de patrimônio tombado. “A gravidade dos crimes imputados na denúncia, bem como as penas mínimas relacionadas ao caso não são condizentes com a formalização de ANPP”, afirma o Ministério Público.

    Julgamento

    O julgamento de Debora ocorre no plenário virtual do STF, onde o relator, ministro Alexandre de Moraes, propõe a pena de 14 anos de prisão. Seu voto é acompanhado pelo ministro Flávio Dino. O processo está suspenso desde segunda-feira (24) graças a um pedido de vistas do ministro Luiz Fux, que afirmou nesta quarta (26) que fará uma revisão da dosimetria da pena, propondo uma menor.

  • Saiba como vão ficar os salários dos militares após reajuste

    Saiba como vão ficar os salários dos militares após reajuste

    O governo federal publicou nesta quinta-feira (28) uma medida provisória que atualiza a tabela de soldos dos militares das Forças Armadas. Os novos valores passam a valer a partir de 1º de abril e terão um segundo reajuste em janeiro de 2026. A MP foi assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que ocupa o cargo de presidente enquanto Lula está em viagem pela Ásia.

    A medida altera a Lei 13.954/2019, que reestruturou a carreira militar e instituiu o Sistema de Proteção Social dos Militares. De acordo com a MP, o aumento está condicionado à vigência da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025.

    Reajuste nos soldos das Forças Armadas será dividido em duas etapas.

    Reajuste nos soldos das Forças Armadas será dividido em duas etapas.Paulo Pinto/Agência Brasil

    O reajuste será de 9%, sendo 4,5% em abril e 4,5% em janeiro de 2026. Pela nova tabela, o soldo de um general de exército (ou equivalente na Marinha e na Aeronáutica) passará de R$ 13.471 para R$ 14.077 em abril, e para R$ 14.711 em janeiro de 2026. Já o de um terceiro-sargento, hoje em R$ 3.825, subirá para R$ 3.997 no próximo mês e R$ 4.177 no início do próximo ano (leia a tabela completa mais abaixo).

    Por ser uma medida próvisória, a nova tabela entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias, ou perde a validade.

  • Argentina sob Milei quer novo empréstimo do FMI de US$ 20 bilhões

    Argentina sob Milei quer novo empréstimo do FMI de US$ 20 bilhões

    O presidente da Argentina Javier Milei

    O presidente da Argentina Javier MileiEduardo Anizelli/Folhapress

    A Argentina está em busca de um novo empréstimo junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de US$ 20 bilhões, com o objetivo, segundo o governo de Javier Milei, de reforçar as reservas do Banco Central (BC) do país. Críticos afirmam que essa medida visa evitar o aumento da inflação devido à escassez de dólares.

    Historicamente, a Argentina já realizou 23 empréstimos com o FMI. “O montante que nós acordamos com o staff [equipe técnica do FMI], que o board [diretoria-executiva do Fundo] ainda precisa decidir se aprova ou não, é de US$ 20 bilhões. É muito superior ao montante que se vem escutando de algumas pessoas”, declarou o ministro da Economia, Luis Caputo, nesta quinta-feira (27), durante um evento do setor de seguros latino-americanos.

    Até o momento, não há informações sobre as exigências que o FMI poderá impor para a concessão do novo empréstimo. O chefe da política econômica do governo argentino mencionou que está em negociação com outras instituições financeiras, como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), para obter empréstimos “de livre disponibilidade”. O anúncio do ministro ocorre poucos dias após ele ter se recusado a fornecer detalhes sobre as negociações com o FMI.

    O diretor do Observatório da Dívida Pública Argentina, o historiador Alejandro Olmos Gaona, comentou que Caputo buscou acalmar o mercado financeiro, que tem enfrentado pressão cambial nos últimos dias, resultado de especulações sobre o acordo com o Fundo. “Em um mês, US$ 1,4 bilhão foi gasto para acalmar o mercado de câmbio, e agora o dólar continua subindo. Esta declaração do ministro certamente, como ele disse, visa acalmar um pouco a taxa de câmbio e os mercados”, afirmou o diretor à Agência Brasil.

    Olmos Gaona também avaliou que o empréstimo é uma resposta à necessidade do governo de manter um câmbio artificialmente baixo por meio da venda de dólares no mercado. “O governo precisa desesperadamente de dólares para fortalecer o Banco Central e seguir controlando a inflação [por meio da injeção de dólares na economia], porque esse é o único elemento que tem dado muito apoio ao presidente Milei. O que não se sabe é quanto vão mandar, que condições vão impor e o que vão fazer, depois, com esse dinheiro”, comentou o especialista.

    A inflação na Argentina, em decorrência da recessão que o país enfrentou, caiu de 287% ao ano, em março de 2024, para 66% ao ano, em fevereiro de 2025, conforme dados oficiais. O diretor do Observatório da Dívida Argentina destacou que as reservas do BC têm diminuído constantemente. “Isso não permite ao governo seguir mantendo uma ficção de um dólar que não sobe”, disse.

    A imprensa argentina tem noticiado que uma das exigências que o FMI pode fazer é a redução ou eliminação dos controles cambiais existentes no país, como a proibição de que as pessoas comprem mais de US$ 200 por mês. A possibilidade de instituir um câmbio totalmente livre tem elevado a procura por dólares.

    A expectativa do governo de Javier Milei é fechar o acordo até a metade de abril. Se concretizado, este será o terceiro empréstimo com o Fundo desde que o governo de Maurício Macri firmou um acordo em 2018, que envolveu empréstimos de US$ 56 bilhões. O governo Milei argumenta que o objetivo é “sanear” as reservas do Banco Central (BC), que atualmente estão baseadas em títulos do Tesouro, trocando esses títulos por dólares. Com isso, em vez de dever ao BC, o governo argentino passaria a dever ao FMI, e o BC teria suas reservas em dólares, e não mais em títulos do Tesouro.

    A operação, segundo o ministro da Economia, Luis Caputo, proporcionaria maior estabilidade à moeda local, o peso argentino, fortalecendo o controle inflacionário sem aumentar o total da dívida do país. “[O dinheiro] não é para financiar gastos, nem para financiar déficits, mas para recapitalizar o ativo do Banco Central. O que nós buscamos com este acordo é que a gente possa ficar tranquila que, finalmente, os pesos tenham respaldo no BC”, afirmou o ministro.

    Caputo espera que, com o empréstimo, as reservas do BC argentino cheguem a US$ 50 bilhões. Atualmente, o banco possui reservas estimadas em US$ 26 bilhões. Para efeito de comparação, o Banco Central do Brasil encerrou 2024 com reservas na ordem de US$ 329,7 bilhões.

    O diretor do Observatório da Dívida Pública da Argentina, Alejandro Olmos, questiona o argumento de Caputo de que o novo empréstimo não traz riscos por não aumentar nominalmente a dívida do governo. “Não é o mesmo dever ao BC, que é da estrutura do Estado, que não faz exigências, não pede ajustes. Além disso, a dívida com o BC pode ser refinanciada permanentemente. Já o FMI estabelece condições muito restritas, exige regulamentações econômicas, monitorando e controlando a economia do país”, ponderou.

    Olmos destacou que, atualmente, a dívida argentina está em torno de US$ 471 bilhões, exigindo um pagamento de juros anuais na casa dos US$ 22 bilhões. Ao contrário da Argentina, o Brasil possui sua dívida pública quase toda em reais, o que facilita o pagamento e o refinanciamento dos passivos.

    Para o especialista Alejandro Olmos, o novo empréstimo não é sustentável, e ele defende uma estratégia para resolver o problema da dívida pública. “O problema é que o poder econômico, os economistas, os teóricos, insistem que a única via possível para o desenvolvimento de um país é por meio do endividamento. Entendem que a única solução é seguir se endividando e, lamentavelmente, a história da Argentina demonstra que todos esses acordos com FMI sempre fracassaram”, concluiu o historiador.

    Por outro lado, existe a expectativa de que a exploração das reservas de petróleo e gás na região de Vaca Muerta traga receitas e dólares, o que pode permitir que a Argentina continue financiando suas dívidas. “O que passa é que são políticas conjunturais, não há planificação do Estado para um desenvolvimento sustentável”, finalizou Olmos.