Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Projeto cria política nacional de apoio a refugiados e imigrantes

    Projeto cria política nacional de apoio a refugiados e imigrantes

    Tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 4.831/24, que propõe a criação da Política Nacional de Apoio a Refugiados e Imigrantes Vulneráveis. A iniciativa tem como finalidade primordial assegurar a integração social, econômica e cultural das pessoas que buscam refúgio ou imigram para o território brasileiro.

    A política em questão fundamenta-se em princípios basilares, como o respeito à dignidade da pessoa humana, a promoção da igualdade de oportunidades e a estrita observância da não discriminação. Adicionalmente, o projeto prevê a defesa dos direitos fundamentais, tanto aqueles já previstos na Constituição Federal quanto os estabelecidos em tratados internacionais, além de fomentar a cooperação entre órgãos governamentais, a sociedade civil organizada e organismos internacionais.

    As diretrizes estabelecidas para orientar a implementação da política abrangem a facilitação do acesso à documentação migratória, a implementação de programas de acolhimento, o desenvolvimento de iniciativas de capacitação profissional e de aprendizado da língua portuguesa, a ampliação do acesso aos serviços de saúde e assistência social, o apoio à moradia digna e o fomento à participação em atividades culturais e sociais.

    Como instrumentos para a efetiva execução da política, o projeto prevê a criação de um comitê interministerial, o estabelecimento de parcerias estratégicas com governos locais e organizações da sociedade civil, a alocação de recursos orçamentários específicos e a criação de um cadastro nacional de refugiados e imigrantes vulneráveis.

    Max Lemos, autor da proposta.

    Max Lemos, autor da proposta.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Segundo o deputado Max Lemos (PDT-RJ), autor do projeto, o texto reforça os compromissos do Brasil com tratados internacionais de direitos humanos, como a Convenção de Genebra de 1951. “O Brasil possui uma tradição histórica de acolhimento e hospitalidade a refugiados e imigrantes. Entretanto, há necessidade de um arcabouço legal robusto para assegurar a integração plena dessas populações”, afirma o deputado.

    A coordenação, a execução e o monitoramento das medidas propostas serão realizados pelos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, em colaboração com outros órgãos governamentais.

    A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que se torne lei, o texto deverá ser aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.

  • Moraes marca depoimentos de testemunhas dos réus do núcleo 2

    Moraes marca depoimentos de testemunhas dos réus do núcleo 2

    Ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques faz parte do núcleo 2 da trama golpista e terá testemunhas de defesa ouvidas por Alexandre de Moraes.

    Ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques faz parte do núcleo 2 da trama golpista e terá testemunhas de defesa ouvidas por Alexandre de Moraes.Pedro Ladeira/Folhapress

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu para o período de 14 a 21 de julho de 2025 as audiências de instrução da Ação Penal 2693, que investiga seis acusados por suposta tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e atos antidemocráticos relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. As sessões ocorrerão por videoconferência, sem suspensão dos prazos processuais, mesmo durante o recesso forense. Este é o chamado núcleo 2 apontado no processo da trama golpista.

    Entre os réus estão Fernando de Sousa Oliveira (delegado da Polícia Federal), Filipe Garcia Martins Pereira (ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República), Marcelo Costa Câmara (coronel da reserva e ex-assessor da Presidência), Marília Ferreira de Alencar (delegada e ex-diretora de Inteligência da PF), Mário Fernandes (general da reserva) e Silvinei Vasques (ex-diretor-geral da PRF). Eles respondem por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

    Entre as testemunhas relacionadas estão o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), o senador Eduardo Girão (Novo-CE), o vereador carioca Carlos Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ).

    A denúncia aponta que o grupo elaborou a chamada “minuta do golpe”, monitorou atividades do próprio ministro Alexandre de Moraes e articulou, junto à Polícia Rodoviária Federal, ações para dificultar o voto de eleitores do Nordeste nas eleições de 2022.

    As defesas negam participação nos fatos, alegam falhas na cadeia de custódia de dados eletrônicos, como mensagens que teriam sido recuperadas de forma embaralhada, e questionam a validade de provas obtidas em acordos de colaboração premiada, incluindo o depoimento do tenente-coronel Mauro Cid.

    O STF, no entanto, reafirmou a legalidade da colaboração e rejeitou preliminares que pediam absolvição sumária, nulidade do processo ou suspeição de ministros, destacando que tais teses já haviam sido analisadas e afastadas pela 1ª Turma da Corte.

    Segundo a Procuradoria-Geral da República, os réus do núcleo 2 são acusados de organizar ações para “sustentar a permanência ilegítima” de Jair Bolsonaro no poder, em 2022.

    O cronograma prevê que as testemunhas de acusação sejam ouvidas no dia 14 de julho, incluindo Mauro Cid, que firmou acordo de colaboração. Em seguida, serão ouvidas as testemunhas de defesa, num total de 118 pessoas, sendo que algumas foram arroladas por mais de um réu. Autoridades detentoras de prerrogativa de foro poderão escolher local, data e horário para prestar depoimento, e as defesas terão cinco dias para solicitar alterações na agenda.

    Pedidos para ouvir investigados em outros processos, como Jair Bolsonaro, Anderson Torres, generais do Exército e outros corréus, foram indeferidos, pois a jurisprudência do STF impede que réus em ações conexas sejam ouvidos como testemunhas ou informantes.

    Além disso, a Corte autorizou a Polícia Federal a fornecer às defesas, mediante termo de confidencialidade, acesso integral ao material apreendido ainda não juntado aos autos, garantindo sigilo sobre dados pessoais sensíveis.

    Na decisão, Alexandre de Moraes considerou que a denúncia reúne provas suficientes de materialidade e indícios de autoria, permitindo o prosseguimento regular da ação penal e a apuração completa dos fatos.

  • Lula sanciona lei que dispensa registro de cosméticos artesanais

    Lula sanciona lei que dispensa registro de cosméticos artesanais

    Cosméticos e produtos de higiene produzidos de forma artesanal estarão isentos de registro na Anvisa e poderão seguir regras simplificadas a partir de agosto. A mudança foi sancionada nesta segunda-feira (1º) pelo presidente Lula, com a publicação da Lei 15.154 no Diário Oficial da União.

    Nova lei facilita a comercialização de itens como sabonetes, cremes, desodorantes e perfumes feitos por pequenos produtores.

    Nova lei facilita a comercialização de itens como sabonetes, cremes, desodorantes e perfumes feitos por pequenos produtores.Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress

    A medida facilita a formalização e comercialização de itens como sabonetes, cremes, desodorantes e perfumes feitos por pequenos produtores, especialmente empreendedores individuais. Até então, esses produtos estavam sujeitos a exigências mais rígidas da vigilância sanitária, previstas desde 1976 na Lei 6.360.

    O que muda na prática

    A nova lei insere um parágrafo no artigo 27 da norma de 1976, estabelecendo que produtos cosméticos e de higiene pessoal feitos artesanalmente poderão ser dispensados de registro sanitário, desde que cumpram critérios que serão definidos em regulamento específico.

    Com a mudança:

    • Pequenos produtores terão menos burocracia para comercializar seus produtos.
    • A Anvisa seguirá responsável por definir os requisitos para enquadramento como atividade artesanal.
    • A dispensa não elimina exigências mínimas de segurança e qualidade.

    A nova regra entra em vigor 60 dias após a publicação, ou seja, em 30 de agosto.

  • Haddad tem agenda com ministros da Argentina, da China e da Rússia

    Haddad tem agenda com ministros da Argentina, da China e da Rússia

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, iniciou nesta terça-feira (1º) uma série de encontros com ministros da Economia da Argentina, da China e da Rússia. As reuniões fazem parte da cúpula do Mercosul, em Buenos Aires, e da cúpula do Brics, no Rio de Janeiro.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem agenda com autoridades internacionais durante a semana.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem agenda com autoridades internacionais durante a semana.Roberto Casimiro /Fotoarena/Folhapress

    A agenda coincide com o início da presidência brasileira no Mercosul e com os preparativos para a COP30. Temas como o acordo com a União Europeia, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e relações comerciais com países árabes também estão na pauta.

    Encontros bilaterais e agenda econômica

    No Rio, Haddad terá reuniões com os ministros Lan Foan (China), Anton Siluanov (Rússia), Ahmed Kouchouk (Egito) e Mohamed bin Hadi Al Hussaini (Emirados Árabes). Ele também participa da reunião anual dos governadores do NDB e da cúpula de líderes do Brics, ao lado do presidente Lula.

    O ministro permanece no Rio até o dia 8 de julho, quando retorna a Brasília.

  • AGU recebe pareceres que reforçam legalidade de decretos sobre o IOF

    O ministro da AGU, Jorge Messias, na entrevista coletiva em que anunciou a ação do governo para reverter derrubada do decreto presidencial sobre o IOF.

    O ministro da AGU, Jorge Messias, na entrevista coletiva em que anunciou a ação do governo para reverter derrubada do decreto presidencial sobre o IOF.José Cruz/Agência Brasil

    Juristas do Grupo Prerrogativas enviaram pareceres técnicos aos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) confirmando a argumentação do governo de que foi inconstitucional a derrubada, pelo Congresso, do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Professores de Direito, os autores dos pareceres sustentam que o Legislativo usurpou competências do presidente da República ao reverter os decretos presidenciais.

    Os documentos serão anexados pela AGU à ação proposta no Supremo Tribunal Federal (STF), que busca confirmar a validade dos três decretos do presidente Lula que elevaram o imposto. As medidas foram sustadas, na semana passada, por um decreto legislativo aprovado pela maioria da Câmara e do Senado, provocando nova crise entre o Congresso e o Executivo.

    O coordenador do Prerrogativas, advogado Marco Aurélio de Carvalho, reforçou a conclusão dos colegas. “Não há a menor dúvida, houve uma usurpação clara de competência de um poder por outro, e nos cabe reagir para impedir que se forme esse precedente que pode tornar o país ingovernável”, disse ele ao Congresso em Foco. “Como afirmou o ministro Jorge Messias (AGU), não se trata de uma questão política, mas técnica e jurídica. Pode abrir um precedente gravíssimo”, acrescentou (leia a íntegra da entrevista).

    Com dez anos de atuação, o Prerrogativas ganhou notoriedade durante a Operação Lava Jato, ao se posicionar contra o ativismo judicial e a instrumentalização política de órgãos como o Judiciário e o Ministério Público. Entre os integrantes do grupo estão os próprios ministros Fernando Haddad e Jorge Messias.

    Foram três os pareceres encaminhados ao governo: um assinado pela professora Marina Faraco (PUC-SP); outro pelo professor Luiz Guilherme Arcaro Conci (PUC-SP); e um terceiro, subscrito pelos professores Pedro Serrano (PUC-SP), Lenio Streck (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) e Gisele Cittadino (PUC-Rio).

    Todos convergem em considerar inconstitucional o Decreto Legislativo nº 176/25, aprovado e promulgado na semana passada, por violar o artigo 153, 1º da Constituição, que atribui ao Executivo a competência para alterar alíquotas de tributos extrafiscais, como o IOF, sem interferência do Legislativo, salvo eventual controle judicial. Em outras palavras, a Constituição permite ao Executivo ajustar alíquotas por decreto, com vigência imediata, sempre que necessário para atender objetivos de política econômica. O governo argumenta que a medida é essencial para aumentar a arrecadação e equilibrar as contas públicas.


    Os argumentos e as íntegras dos pareceres jurídicos


    Marina Faraco

    Defende que a competência do Congresso para sustar atos do Executivo (art. 49, V) limita-se a normas regulamentares ou delegadas, e que eventuais abusos de alíquota caberiam apenas ao Judiciário.

    Veja a íntegra do parecer dela

    Considera o Decreto Legislativo nº 176/2025 materialmente inconstitucional, por ultrapassar a competência do Congresso e violar a separação de poderes prevista no art. 2º da Constituição.

    Em trecho de seu parecer, afirma: “O decreto também incorre em transgressão ao postulado constitucional da separação dos Poderes, por pretender realizar um controle normativo que a Constituição Federal outorgou com exclusividade ao Poder Judiciário”.


    Luiz Guilherme Arcaro Conci

    Enfatiza a natureza extrafiscal do IOF, que exige flexibilidade e discricionariedade do Executivo para ajustes rápidos de alíquotas, sem necessidade de tramitação legislativa.

    Veja a íntegra do parecer dele

    Aponta que a Constituição (art. 153, 1º) confere ao Executivo não apenas ao presidente, mas a toda sua estrutura a prerrogativa de alterar alíquotas, respeitados os limites legais.

    Destaca que os decretos presidenciais não ultrapassaram os limites previstos em lei. “Dado que não se está a falar em inovação legal, não se criou novas hipóteses de incidência, não se alterou base de cálculo e a finalidade é legítima, não há como entender violada a previsão constitucional”, pontua no documento.

    Sustenta que a competência do Congresso para sustar atos do Executivo somente se aplicaria a excessos de poder regulamentar ou delegação legislativa, o que não ocorreu no caso.

    Considera que a tentativa de sustação fere o equilíbrio do presidencialismo e a separação de poderes.


    Pedro Serrano, Lenio Streck e Gisele Cittadino

    Reforçam a competência privativa do presidente para, dentro dos limites legais, alterar alíquotas do IOF, conforme o art. 153, 1º da Constituição, e a competência do Congresso apenas para sustar atos que exorbitem do poder regulamentar (art. 49, V).

    Veja a íntegra do parecer do trio

    Explicam que a função extrafiscal e regulatória do IOF não impede sua utilização com finalidade arrecadatória acessória, respaldada por precedentes do STF.

    Argumentam que o Congresso se baseou numa suposta finalidade arrecadatória dos decretos presidenciais para justificar a sustação, o que não caracteriza exorbitância de poder regulamentar.

    Avaliam que eventual desvio de finalidade deveria ser apreciado judicialmente, não via decreto legislativo.

    Concluem que o Decreto Legislativo nº 176/2025 viola a separação de poderes e a arquitetura do sistema presidencialista. Segundo os autores: “O Congresso Nacional valeu-se de uma competência constitucional não para corrigir um transbordamento no exercício do poder regulamentar, mas para instabilizar o próprio sistema presidencialista de governo e a arquitetura da Administração pública da União”.

  • Deputada propõe direito ao uso de trajes religiosos na advocacia

    Deputada propõe direito ao uso de trajes religiosos na advocacia

    A deputada Dandara (PT-MG) apresentou o Projeto de Lei 3198/2025, que propõe o direito de advogados e advogadas usarem vestimentas religiosas, tradicionais ou culturais no exercício da profissão. A proposta altera o Estatuto da Advocacia e pretende impedir que trajes não padronizados sejam usados como motivo para constrangimentos em tribunais.

    Pelo texto, essas vestes seriam permitidas desde que não dificultem a identificação da pessoa e respeitem o decoro forense – entendido como urbanidade e dignidade no ambiente profissional.

    Proposta é de autoria da deputada Dandara (PT-MG).

    Proposta é de autoria da deputada Dandara (PT-MG).Renato Araújo/Câmara dos Deputados

    Liberdade religiosa e combate à discriminação

    A iniciativa surge após casos de impedimento a profissionais por usarem trajes religiosos. A deputada argumenta que o projeto reforça a liberdade de crença e combate práticas discriminatórias no Judiciário.

    A proposta também cita decisões do STF e tratados internacionais que garantem a manifestação cultural e religiosa. O projeto ainda será analisado pelas comissões da Câmara.

  • Leite detalha plano do RS para evitar novas tragédias climáticas

    Leite detalha plano do RS para evitar novas tragédias climáticas

    O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou que o Estado vem estruturando uma série de ações para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e evitar que eventos extremos como as enchentes de 2024 voltem a causar destruição. A resposta foi dada em entrevista coletiva durante agenda internacional em Lisboa, Portugal.

    Segundo Leite, o Plano Rio Grande, elaborado pelo governo estadual, conta com um comitê científico formado por mais de 40 especialistas, incluindo hidrólogos, geólogos e meteorologistas. O grupo atua na análise técnica dos projetos e na sustentação das iniciativas previstas pelo Executivo gaúcho. “Não existe uma bala de prata que torne o Estado blindado de eventos climáticos. São várias iniciativas”, afirmou.

    Entre as medidas já em andamento estão o reforço das estruturas da Defesa Civil, batimetrias em rios para planejamento de desassoreamento e dragagem, e a execução de obras de drenagem, alteamento de pontes e contenção de encostas. As intervenções incluem investimentos em parcerias público-privadas e concessões rodoviárias com cláusulas específicas para infraestrutura resiliente.

    Leite também mencionou a destinação de R$ 14 bilhões, recursos que permanecerão no Estado até 2027 em razão de acordo com a União sobre a dívida estadual. Esses valores estão sendo aplicados em obras e ações de recuperação e proteção. Além disso, o governo federal disponibilizou um fundo de R$ 6,5 bilhões para financiar contenções de cheias em municípios atingidos.

    O governador destacou que os projetos são acompanhados por estrutura de governança e transparência. “Tudo está estruturado dentro do Plano Rio Grande, com acompanhamento, com transparência, e ao longo dos anos o Estado vai apresentar […] uma política civil bem estruturada e de capacidade de adaptação climática para todo o Brasil”, concluiu.

  • Receio de ir contra STF vai pesar na votação, diz advogado de Zambelli

    Receio de ir contra STF vai pesar na votação, diz advogado de Zambelli

    O advogado de defesa da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP), Fabio Pagnozzi, disse em entrevista ao Congresso em Foco que o receio dos parlamentares de se opor à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) deve pesar na votação sobre a cassação da parlamentar. Na quarta-feira (2), a defesa apresentou suas teses para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

    É no colegiado que os pares de Zambelli vão decidir pela manutenção ou cassação do mandato parlamentar. A deputada foi condenada pelo Supremo a 10 anos de prisão e perda do mandato por envolvimento nas invasões dos sistemas de justiça, como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A Câmara ainda deve decidir se a congressista mantém ou não a cadeira. O relator da ação no colegiado é o deputado Diego Garcia (Republicanos-PR).

    Uma das táticas apresentadas pela defesa de Zambelli é uma acareação conjunta entre a deputada e o hacker Walter Delgatti Neto. Conforme Fabio Pagnozzi, é provável que Carla Zambelli participe de forma remota. A parlamentar está foragida do país e atualmente se encontra na Itália. O advogado ressalta que essa acareação servirá para mostrar as mentiras do hacker, que também foi condenado pelo STF, por ter sido o responsável pela inserção de informações falsas a mando da deputada.

    “Então, na verdade, o Walter, ele não pode mentir mais, ele não tem mais o que falar para prejudicar a deputada, porque o que a gente tem hoje de prova no processo da Carla é justamente a palavra do hacker condenando a Carla”, argumentou o advogado. “Essa acareação vai servir para isso, ela é para embasar somente esse processo de cassação na Câmara. Não tem nada a ver com o processo judicial”.

    Carla Zambelli

    Carla ZambelliBruno Spada/Câmara dos Deputados

    Receio de parlamentares

    Fabio Pagnozzi explica que é possível certo receio entre os parlamentares de irem contra a decisão do Supremo em relação à cassação de Carla Zambelli. Ele lembra, porém, que há “um peso e contrapeso de equilíbrio entre os poderes”, no qual cada um possui funções institucionais e constitucionais.”Não pode ter um poder, seja ele qual for, exercendo força sobre o outro, eles trabalham harmonicamente, porém independentes”.

    Conforme o artigo 55 da Constituição Federal, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. Por este motivo, a decisão do STF pela perda do mandato precisa ser ratificada na Casa.

    “A gente tem um sistema no Brasil hoje que um [poder] está por cima do outro. Então, o Judiciário causa um medo no Legislativo”, diz o advogado. ” Eu sei que alguns deputados provavelmente vão votar contra por questões, de repente, políticas. Mas eu acho que ali tem muito essa questão do receio de ir contra uma decisão do Supremo. Isso eu acho que vai pesar muito na hora da votação, mas muito mesmo”.

    Outro ponto além de um possível receio de ir contra o Judiciário, de acordo com Fabio Pagnozzi, é que a fuga de Zambelli para Itália pode depor contra a parlamentar. Ele esclarece, no entanto, que assumiu a defesa da parlamentar após ela sair do país e que a viagem da deputada foi motivada, segundo ela, por questões de saúde.

    Mandato mesmo presa

    O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou em coletiva de imprensa que uma possibilidade diante das condenações de Zambelli seria a manutenção do mandato mesmo com a prisão. No caso, Carla Zambelli trabalharia pelo dia e cumpriria a pena à noite. O ex-deputado Celso Jacob (PMDB-RJ) cumpriu em 2017 pena em regime semiaberto e continuou como deputado.

    Para o advogado da deputada, a possibilidade seria até “plausível”. “Eu não vejo isso como um fator impeditivo de ela voltar ao Brasil, eu acho que ela tem vontade mesmo de continuar exercendo o seu mandato, senão ela já teria pedido para sair, ela tem vontade de estar no país dela, que ela tanto ama”, aponta Fabio Pagnozzi.

  • Projeto prevê empréstimo para compensar atrasos em pagamentos do INSS

    Projeto prevê empréstimo para compensar atrasos em pagamentos do INSS

    Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados autoriza bancos públicos federais a concederem empréstimos emergenciais sem juros a segurados do INSS que enfrentarem atraso na liberação dos benefícios. O valor será descontado automaticamente assim que o benefício for pago.

    O deputado Lincoln Portela (PL-MG) é o autor do projeto.

    O deputado Lincoln Portela (PL-MG) é o autor do projeto.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    A proposta, de autoria do deputado Lincoln Portela (PL-MG), busca atender segurados em situação de vulnerabilidade. “A demora na concessão dos benefícios tem deixado milhares sem renda para sustentar suas famílias”, afirmou o parlamentar.

    Como funcionará o empréstimo

    O texto propõe as seguintes regras para o crédito bancário:

    • O valor será baseado na média dos benefícios dos 12 meses anteriores;
    • Sem o histórico, o valor seguirá a média nacional, respeitando o limite devido;
    • O desconto será integral e automático no benefício assim que liberado;
    • Se o benefício for menor que o empréstimo, o saldo será descontado em parcelas mensais, sem juros nem correção.
    • Para ter acesso, o segurado deve apresentar atestado médico de incapacidade, comprovante de requerimento ao INSS e declaração sobre o desconto automático.

    Tramitação

    O projeto será analisado em caráter conclusivo nas comissões da Câmara – ou seja, não precisará ser votado em plenário a não ser que haja um recurso específico para isso. Para virar lei, precisa ser aprovado também no Senado.

  • Projeto na Câmara prevê política nacional para diabetes tipo 1

    Projeto na Câmara prevê política nacional para diabetes tipo 1

    A deputada Renata Abreu (Podemos-SP) apresentou projeto de lei que cria a Política Nacional de Monitoramento e Cuidado Integral à Pessoa com Diabetes Melito Tipo 1. A proposta assegura o fornecimento gratuito de tecnologias como sensores contínuos de glicose, bombas de insulina e insulinas modernas pelo SUS, além de atendimento multiprofissional.

    Projeto na Câmara busca assegurar, pelo SUS, o fornecimento de tecnologias no tratamento da diabetes tipo 1.

    Projeto na Câmara busca assegurar, pelo SUS, o fornecimento de tecnologias no tratamento da diabetes tipo 1.Lucas Seixas/Folhapress

    A proposta reconhece a carga crônica da doença e propõe ações específicas para garantir qualidade de vida. Estudos mostram que o acesso a tecnologias adequadas pode aumentar em quase 19 anos a expectativa de vida de quem tem diabetes tipo 1.

    Prioridade a grupos vulneráveis

    Terão prioridade no atendimento:

    • crianças e adolescentes;
    • gestantes;
    • pacientes com episódios graves de hipoglicemia;
    • pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

    O texto também prevê unidades especializadas, incentivos à pesquisa nacional, parcerias público-privadas e programas-piloto com pâncreas artificiais. O impacto da política será monitorado com indicadores como hemoglobina glicada, internações e qualidade de vida.