Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Hugo Motta defende diálogo entre entes federativos

    Hugo Motta defende diálogo entre entes federativos

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reafirmou o compromisso da Casa com as pautas defendidas pelos prefeitos, durante a cerimônia de abertura da 26ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.

    Hugo Motta participa da abertura da 26ª Marcha a Brasília e reafirma apoio às demandas dos municípios.

    Hugo Motta participa da abertura da 26ª Marcha a Brasília e reafirma apoio às demandas dos municípios.Ascom/Confederação Nacional de Municípios

    Motta defendeu a necessidade de ampliar o diálogo entre os diferentes níveis de governo como caminho para fortalecer o pacto federativo. Para ele, a mobilização dos prefeitos na capital federal tem papel essencial no funcionamento da democracia.

    “A Câmara dos Deputados renova hoje seu compromisso com o municipalismo brasileiro, não como retórica vazia, mas como prática diária de escuta e diálogo”, afirmou o parlamentar.

    Ao destacar a importância dos municípios no crescimento do país, Hugo ressaltou que transformações de alcance nacional só terão êxito se forem implementadas na realidade local. “O Brasil se constrói a partir dos municípios. Nenhuma transformação nacional será bem-sucedida se não for compreendida e implementada na ponta, onde o cidadão vive e trabalha”, disse.

    Durante o discurso, o presidente da Câmara também reafirmou que a Casa estará com seus gabinetes abertos para receber as demandas de todos os municípios brasileiros que participam da marcha.

    Entre os temas mencionados, ressaltou a importância de avançar no debate da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66/23, que trata do parcelamento das dívidas previdenciárias dos municípios e da definição de regras para o pagamento de precatórios. A comissão especial que discute a matéria foi recentemente instalada.

    Motta defendeu ainda ajustes no modelo atual de pagamento de precatórios. Segundo ele, é necessário encontrar equilíbrio entre a obrigação judicial e a realidade fiscal dos municípios. “É fundamental que o sistema de pagamento de precatórios fortaleça a segurança jurídica e contribua para o desenvolvimento econômico local”, declarou.

    O presidente da Câmara também abordou a substituição do indexador das dívidas previdenciárias municipais. Para ele, é preciso considerar critérios que não comprometam o pagamento de aposentadorias nem a sustentabilidade das contas públicas locais. “Esse debate deve considerar a capacidade contributiva dos municípios e a necessidade de maior previsibilidade no planejamento orçamentário local”, afirmou Hugo.

  • “Não há como se negar a materialidade”, diz Moraes sobre coronéis

    “Não há como se negar a materialidade”, diz Moraes sobre coronéis

    Durante a leitura de seu voto no julgamento do Núcleo 3 da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os indícios de tentativa de golpe de Estado em 2022 por membros do antigo governo, o ministro Alexandre de Moraes classificou como “ilegalidade tão grande” a carta elaborada por coronéis da ativa e da reserva para pressionar o comandante do Exército a aderir à insurreição.

    “A coação ao chefe do Exército, aos oficiais, ao comandante do Exército é tão grande que o comandante do Exército mandou abrir inquérito para apurar exatamente crime militar em relação a isso”, relembrou Moraes.

    Em julgamento do Núcleo 3 do Inquérito do Golpe, Moraes destacou ilegalidade da carta de coronéis para pressionar o Estado Maior do Exército.

    Em julgamento do Núcleo 3 do Inquérito do Golpe, Moraes destacou ilegalidade da carta de coronéis para pressionar o Estado Maior do Exército. Pedro Ladeira/Folhapress

    Segundo o ministro, o documento compartilhado entre os denunciados em novembro de 2022 fere diretamente os pilares da hierarquia e da disciplina, bases das Forças Armadas. Ele apontou que a tentativa de mobilização ilegal dos militares foi formalizada por meio da “carta ao comandante do Exército de oficiais superiores da ativa do Exército brasileiro”. “Não há como se negar a materialidade”, declarou.

    A carta, segundo Moraes, foi parte de uma articulação golpista mais ampla que envolvia a convocação de forças especiais, conhecidas como “kids pretos”, e a elaboração de planos de sequestro e assassinato de autoridades. No documento, os militares alegavam agir em nome da defesa da pátria e do Estado democrático. “Covardia e injustiça são as qualificações mais abominadas por soldados de verdade. Nossa nação (…) sabe que seus militares não a abandonarão”, cita o texto, lido pelo ministro.

    O relator destacou que a ideia de que os militares teriam um papel moderador no sistema político brasileiro é ultrapassada e inconstitucional. “As Forças Armadas não são um poder moderador, elas não substituíram o imperador. (…) Esse poder moderador deixou de existir com a Constituição de 1891”.

    A denúncia envolve 12 acusados, entre eles generais, coronéis e um agente da Polícia Federal, que responderão por crimes como tentativa de golpe, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. As defesas negam o caráter golpista da reunião em que a carta foi debatida e dizem que o encontro era uma “confraternização”, tese reiteradamente negada por Moraes.

  • Comissão aprova revisão de pensões a dependentes de PMs e bombeiros

    Comissão aprova revisão de pensões a dependentes de PMs e bombeiros

    A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 240/24, que estabelece regras de integralidade e paridade para as pensões de dependentes de policiais e bombeiros militares. A medida abrange o período de 2004 até a promulgação de leis estaduais específicas.

    O relator, deputado Coronel Assis (União-MT), recomendou a aprovação da proposta. “Será aberto o caminho para garantir integralidade e a paridade a pensionistas que tiveram os benefícios concedidos entre 1º de janeiro de 2004 e 13 de novembro de 2019”, afirmou Coronel Assis.

    Coronel Assis recomendou a aprovação da proposta.

    Coronel Assis recomendou a aprovação da proposta.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O deputado Sargento Portugal (Pode-RJ), autor da proposta, argumenta que a emenda constitucional 103, que implementou a última reforma da Previdência Social, revogou a fórmula de cálculo dessas pensões militares (EC 41 e EC 47).

    De acordo com Sargento Portugal, a situação vigente contraria o princípio da impessoalidade previsto na Constituição. “O projeto busca reduzir a desigualdade existente entre pensionistas, para que possam sobreviver com a mínima dignidade”, analisou.

    O projeto não apresenta estimativa do impacto financeiro e orçamentário do possível aumento das pensões militares para os Estados ou a União, responsável pelos inativos dos ex-territórios (Amapá, Rondônia e Roraima) e da extinta Guanabara. Até o final de 2003, as pensões correspondiam ao valor do último salário do policial militar (PM) ou bombeiro militar (regra da integralidade), incorporando também os reajustes concedidos aos integrantes da ativa nas duas corporações (regra da paridade).

    A partir de 2004, a pensão passou a ser calculada com base no teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Se a remuneração do PM ou bombeiro ultrapassasse o teto, a pensão recebia um adicional de 70% sobre o excedente. Os reajustes, por sua vez, passaram a seguir os do INSS.

    Em 2019, servidores públicos estaduais, distritais e municipais foram excluídos da reforma da Previdência. Contudo, desde então, a Constituição determina que os entes federativos promovam a reforma do sistema previdenciário local, se houver. Parte da legislação referente às carreiras de PMs e bombeiros militares está prevista no decreto-lei 667/69.

    Essa norma foi modificada em 2019, concomitantemente à reforma do sistema de pensões dos militares das Forças Armadas. No caso dos PMs e bombeiros, a lei 13.954/19 estabelece que as pensões serão equivalentes à remuneração dos militares da ativa ou inativos (integralidade) e terão os mesmos reajustes (paridade) até que leis estaduais definam novas regras.

    O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

  • Comissão de Anistia avalia requerimentos, incluindo de Dilma Rousseff

    Comissão de Anistia avalia requerimentos, incluindo de Dilma Rousseff

    A Comissão de Anistia, subordinada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), iniciará a análise de requerimentos de anistia política nesta quarta-feira (21). O pedido da ex-presidenta Dilma Rousseff será o primeiro a ser analisado na sessão plenária de quinta-feira (22).

    Duas sessões de turma (3ª e 4ª) ocorrerão na quarta-feira (21), e duas sessões plenárias (6ª e 7ª) na quinta (22) e sexta-feira (23), respectivamente. Todas as sessões, exceto a 4ª sessão de turma – devido a questões logísticas -, serão transmitidas ao vivo pelo canal do MDHC no YouTube.

    A Comissão de Anistia tem como objetivo analisar os requerimentos de anistia que apresentem “comprovação inequívoca dos fatos relativos à perseguição sofrida, de caráter exclusivamente político”, além de emitir parecer sobre os pedidos.

    Dilma Rousseff.

    Dilma Rousseff.Ricardo Stuckert/PR

    O requerimento de anistia da ex-presidenta Dilma Rousseff encabeçará a pauta da sessão plenária de quinta-feira (22). O pedido foi protocolado inicialmente em 2002, ano de criação da Comissão, mas o processo foi suspenso a pedido da então ministra e posteriormente presidente da República.

    Em 2016, Dilma solicitou a retomada da tramitação, porém o requerimento foi indeferido em 2022, durante o governo anterior. A ex-presidenta recorreu da decisão, e o recurso será analisado na próxima sessão plenária da Comissão. Na mesma sessão, serão analisados outros 95 pedidos.

    Serviço

    3ª sessão de turma da Comissão de Anistia

    Data: Quarta-feira, 21 de maio de 2025

    Horário: 9h

    Local: Sala de Reuniões Plenária – Edifício Multi Brasil (SAUS Q5, Bloco A – Brasília-DF)

    4ª sessão de turma da Comissão de Anistia

    Data: Quarta-feira, 21 de maio de 2025

    Horário: 9h

    Local: Sala de Reuniões nº 117 – Edifício Multi Brasil (SAUS Q5, Bloco A – Brasília-DF)

    6ª sessão plenária da Comissão de Anistia

    Data: Quinta-feira, 22 de maio de 2025

    Horário: 9h

    Local: Sala de Reuniões Plenária – Edifício Multi Brasil (SAUS Q5, Bloco A – Brasília-DF)

    7ª sessão plenária da Comissão de Anistia

    Data: Sexta-feira, 23 de maio de 2025

    Horário: 9h

    Local: Sala de Reuniões Plenária – Edifício Multi Brasil (SAUS Q5, Bloco A – Brasília-DF)

  • Câmara aprova notificação obrigatória sobre abuso infantil online

    Câmara aprova notificação obrigatória sobre abuso infantil online

    A Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados aprovou proposta que altera o Marco Civil da Internet. O texto obriga plataformas de redes sociais e aplicativos de mensagens a notificar o poder público sobre indícios de abuso sexual de crianças e adolescentes, mesmo que apenas potenciais.

    A medida também determina que empresas de tecnologia voltadas para esse público criem sistemas capazes de identificar conteúdos suspeitos de exploração sexual infantojuvenil. Os casos deverão ser comunicados às autoridades nacionais e internacionais.

    Proposta responsabiliza plataformas por identificar e relatar possíveis casos de abuso infantil, ampliando a proteção digital de crianças e adolescentes.

    Proposta responsabiliza plataformas por identificar e relatar possíveis casos de abuso infantil, ampliando a proteção digital de crianças e adolescentes.Valter Campanato/Agência Brasil

    A proposta exige ainda que os provedores cooperem com investigações criminais. Deverão compartilhar informações quando houver suspeita fundamentada de risco iminente para menores de idade.

    O texto aprovado é um substitutivo do deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF) ao projeto de lei 5956/2023, de autoria de Fred Costa (PRD-MG). O relator ajustou o escopo da proposta, excluindo, por exemplo, as operadoras de telecomunicações, por entender que elas não têm controle direto sobre o conteúdo publicado.

    “As plataformas que hospedam conteúdos têm melhores condições de colaborar”, afirmou Ribeiro. Ele ressaltou que o objetivo não é transformar os provedores em polícia da internet, mas assegurar que suas plataformas não sejam usadas para práticas criminosas.

    Segundo o relator, os serviços já possuem mecanismos de controle e podem adotar rotinas para prevenir e combater crimes contra crianças e adolescentes.

    A proposta segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovada, será enviada ao Senado.

  • Alexandre de Moraes nega soltura de Braga Netto em processo do golpe

    Alexandre de Moraes nega soltura de Braga Netto em processo do golpe

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (22) um pedido pedindo a soltura do general Walter Braga Netto, general da reserva e ex-ministro da Defesa. Braga Netto é réu, junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo que apura tentativa de golpe de Estado.

    O general Braga Netto, preso preventivamente desde dezembro de 2024.

    O general Braga Netto, preso preventivamente desde dezembro de 2024.Pedro Ladeira/Folhapress

    A defesa argumentou pela inexistência de fundamentos para a manutenção da prisão preventiva, solicitando sua revogação ou substituição por medidas cautelares alternativas. Braga Netto foi preso de forma preventiva quanto estava na condição de investigado, antes do STF aceitar a denúncia que tornou o general réu.

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a soltura, afirmando que o fato de a denúncia ter sido aceita não elimina o risco de interferência na instrução criminal – fase em que o processo se encontra.

    Moraes aceitou o argumento. Na decisão, o ministro diz que a “situação fática” continua a mesma, e que o início da instrução processual mostrou que a prisão preventiva é necessária. Na decisão, o ministro fez referência ao depoimento prestado pelo tenente-brigadeiro Baptista Júnior na quarta-feira (21). Baptista relatou que o general Braga Netto quis fazer pressão sobre ele e sua família ao saber da posição do tenente-coronel contra o golpe e, para isso, o general teria passado orientações a militares golpistas.

    Braga Netto está preso desde 14 de dezembro de 2024, por determinação do STF. Ele é acusado de integrar o núcleo central de uma organização criminosa que teria agido para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. A denúncia contra ele e outros sete integrantes do chamado núcleo crucial da trama golpista, entre eles o ex-presidente, foi recebida em março deste ano.

  • Mais três países suspendem importação de frangos do Brasil; veja lista

    Mais três países suspendem importação de frangos do Brasil; veja lista

    O Ministério da Agricultura e Pecuária atualizou nesta sexta-feira (23) a lista dos países que anunciaram suspensão da importação das carnes de aves do Brasil em razão do surto de gripe aviária. Namíbia, Índia e Albânia restringiram a compra de frango de todo o território brasileiro. Já a Angola adotou a suspensão da importação apenas para a carne vinda do Rio Grande do Sul.

    Galinhas.

    Galinhas.Pixabay

    Foi na cidade de Montenegro, localizada no interior do estado, onde registrou-se, na última semana, o primeiro caso de gripe aviária no país. Desde então, o Ministério de Agricultura e Pecuária anunciou suspensão por tempo indeterminado da exportação de carne de aves do Rio Grande do Sul.

    Na quinta-feira, Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão reduziram a restrição para a importação de carne de frango brasileira. Os países haviam restringido a importação de carne de aves brasileiras, agora a suspensão de importação só valerá para frangos vindos do Rio Grande do Sul.

    Veja a lista dos países com suspensão:

    Suspensão total das exportações de carne de aves do Brasil

    1. China
    2. União Europeia
    3. México
    4. Iraque
    5. Coreia do Sul
    6. Chile
    7. Filipinas
    8. África do Sul
    9. Jordânia
    10. Peru
    11. Canadá
    12. República Dominicana
    13. Uruguai
    14. Malásia
    15. Argentina
    16. Timor-Leste
    17. Marrocos
    18. Bolívia
    19. Sri Lanka
    20. Paquistão
    21. Albânia
    22. Namíbia
    23. Índia

    Suspensão restrita ao estado do Rio Grande do Sul:

    1. Arábia Saudita
    2. Turquia
    3. Reino Unido
    4. Bahrein
    5. Cuba
    6. Macedônia
    7. Montenegro
    8. Cazaquistão
    9. Bósnia e Herzegovina
    10. Tajiquistão
    11. Ucrânia
    12. Rússia
    13. Bielorrússia
    14. Armênia
    15. Quirguistão
    16. Angola

    Suspensão limitada ao município de Montenegro (RS):

    1. Emirados Árabes Unidos
    2. Japão
  • Lula defende regulação das redes: “Não é possível não ter controle”

    Lula defende regulação das redes: “Não é possível não ter controle”

    Em visita ao município de Campo Verde (MT) neste sábado (24), o presidente Lula defendeu com firmeza a criação de regras para as plataformas digitais e anunciou novos programas sociais e econômicos, incluindo o lançamento do Programa Solo Vivo, voltado à recuperação de solos degradados em áreas da agricultura familiar.

    O discurso do presidente, feito durante cerimônia no assentamento Santo Antônio da Fartura, girou em torno de três eixos principais: a regulação das redes, a retomada de investimentos públicos no campo e a expansão de políticas sociais para famílias de baixa renda.

    Lula cobrou regulamentação das plataformas durante evento com assentados e pequenos produtores rurais em Mato Grosso.

    Lula cobrou regulamentação das plataformas durante evento com assentados e pequenos produtores rurais em Mato Grosso.Ricardo Stuckert/PR

    Lula voltou a defender a regulação das redes sociais, em especial o funcionamento das empresas que operam os algoritmos das plataformas.

    “É preciso que a gente discuta com o Congresso Nacional a responsabilidade de regular o uso das empresas neste país. Não é possível que tudo tenha controle, menos as empresas de aplicativos”, afirmou. O assunto surgiu quando Lula comentava sobre a necessidade de combater as mentiras usadas na política. O presidente falou sobre a proibição de celulares em escolas de um caso de bullying contra uma estudante propagado pelas redes sociais.

    Segundo o presidente, há uma “obrigação moral” de fazer com que “a verdade derrote a mentira”. “Não é possível. Já tomamos a decisão de não deixar entrar telefone nas escolas de ensino fundamental e médio. Porque se não, ninguém presta atenção na aula. E nós sabemos o malefício que faz. Esses dias vi uma menina que quase se matou, porque foi acusada, quase torturada por amiguinhos pela internet. Sabe quantas ofensas você recebe? Quantas provocações?”

    A fala ocorre em meio à elaboração de um projeto de lei pelo governo federal que pretende transferir à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a função de fiscalizar e aplicar sanções às big techs. O texto está sendo elaborado por um grupo interministerial com nove pastas envolvidas, e deve ser enviado ao Congresso ainda neste semestre. A proposta prevê que a ANPD possa multar ou até bloquear plataformas que descumpram ordens judiciais de remoção de conteúdo.

    A discussão ganhou novo fôlego após relatos de que a primeira-dama, Janja da Silva, teria alertado sobre o funcionamento do algoritmo do TikTok durante jantar oficial com o presidente da China, Xi Jinping, há duas semanas.

    Chegou a hora de a gente assumir a responsabilidade e não permitir que a mentira, a canalhice, a fake news ganhe espaço e a verdade seja soterrada nesse país, acrescentou Lula ainda no discurso em Mato Grosso.

    Solo Vivo: nova aposta para o campo

    O destaque da agenda no Mato Grosso foi o lançamento do programa Solo Vivo, que terá investimento inicial de R$ 43 milhões e pretende recuperar áreas degradadas em dez assentamentos no estado. A iniciativa é voltada à agricultura familiar e prevê:

    • Análise e recuperação de solos em municípios como Alto Araguaia, Poconé, Juína e Rosário Oeste;
    • Parceria com a Embrapa e o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT);
    • Entrega de máquinas agrícolas e 78 títulos de domínio para assentados.

    “Estamos trazendo a Embrapa para a baixada cuiabana. O pequeno produtor merece ter a mesma tecnologia do grande”, declarou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que é senador licenciado do estado.

    “Fortalecer a agricultura familiar é garantir alimento barato e saudável na mesa do povo”, completou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira.

    Infraestrutura e integração

    Além do Solo Vivo, Lula anunciou R$ 5 bilhões do BNDES para a pavimentação da BR-163, rodovia estratégica que liga o sul ao norte do país, cortando zonas de produção e escoamento agrícola.

    “É um novo começo. Nunca houve um governo tão republicano em transferir recursos aos estados”, afirmou Lula, em referência à liberação de verbas independentemente da filiação política de governadores.

    Gás de cozinha

    O presidente também criticou a diferença entre o preço de venda do botijão de gás pela Petrobras (R$ 37) e o valor pago pela população, que pode ultrapassar os R$ 130.

    “Vamos garantir que o gás chegue de graça para 22 milhões de famílias do CadÚnico. Já está em preparação e será anunciado ainda este mês”, prometeu.

    Lula relembrou a venda da antiga Liquigás, estatal comprada durante seu primeiro mandato para regular o preço do gás, e afirmou que o atual governo busca criar uma nova forma de regulação do setor. “O rico compra energia no mercado aberto. Quem paga caro é o povo. Isso vai mudar”, disse.

    Apesar do clima festivo, o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil) apoiador de Jair Bolsonaro , foi vaiado em três momentos de seu discurso. Ainda assim, Lula reforçou o compromisso do governo federal de repassar recursos aos estados, mesmo aos governados por adversários políticos. “No governo anterior, o Nordeste não recebeu nem uma agulha. Aqui não fazemos isso”, disparou.

  • Mercado eleva para 2,14% a previsão de aumento do PIB em 2025

    Mercado eleva para 2,14% a previsão de aumento do PIB em 2025

    A projeção do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 deu um pulo na edição mais recente do Boletim Focus: foi dos 2,02% da semana passada para 2,14% na edição publicada nesta segunda-feira (26).

    O Focus é um relatório divulgado periodicamente pelo Banco Central, compilando as projeções de analistas do mercado financeiro para os principais números da economia. Como a frequência de publicação é alta (semanal) e o relatório exibe a mediana dentre um alto número de projeções, as oscilações nos números entre um relatório e outro tendem a ser de pequena escala.

    Aumento na previsão para o PIB foi o segundo consecutivo no Boletim Focus.

    Aumento na previsão para o PIB foi o segundo consecutivo no Boletim Focus.Gabriel Cabral/Folhapress

    Nesse contexto, a variação de 0,12 ponto percentual registrada da semana anterior para cá é expressiva, indicando que o mercado absorveu indícios que apontam para uma economia mais aquecida do que se esperava antes. Na semana anterior, a prévia do PIB acima do previsto apontou nessa direção.

    O relatório também aponta outras previsões para a economia em 2025:

    • Depois de uma sequência de cinco quedas, a previsão para a inflação oficial, representada pelo IPCA, ficou estacionada em 5,55% ao ano – acima da meta estabelecida pela equipe econômica.
    • O dólar, segundo o mercado, deve fechar o ano a R$ 5,80. Há uma semana, a previsão era de R$ 5,82; há quatro semanas, estava em R$ 5,90.
    • Para o mercado, a taxa Selic de juros deve fechar o ano no patamar atual, de 14,75% anuais.
  • PGR pede inquérito contra Eduardo Bolsonaro por obstrução de justiça

    PGR pede inquérito contra Eduardo Bolsonaro por obstrução de justiça

    A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito contra o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos Estados Unidos. O pedido, assinado por Paulo Gonet, foi protocolado no sábado (25) e vincula a atuação de Eduardo à tentativa de obstruir investigações e pressionar autoridades do Judiciário e do Ministério Público Federal.

    De acordo com o procurador-geral, o parlamentar tem promovido articulações junto ao governo norte-americano para impor sanções contra integrantes do STF, da PGR e da Polícia Federal. Essas ações teriam como pano de fundo o avanço de processos que investigam Jair Bolsonaro, entre eles a ação penal por golpe de Estado, que tramita na 1ª Turma da Corte.

    PGR vê tentativa de coação, obstrução e ameaça ao funcionamento do Judiciário brasileiro.

    PGR vê tentativa de coação, obstrução e ameaça ao funcionamento do Judiciário brasileiro.Mario Agra / Câmara dos Deputados

    Ao justificar a gravidade do pedido, Gonet afirma:

    “A atuação decisiva do sr. Eduardo Bolsonaro para que as medidas agressivas sejam tomadas pelo governo estrangeiro contra autoridades que exercem e conduzem poderes da República está retratada em elementos de fato e em pronunciamentos abertos, diretos e inequívocos”.

    Pressão institucional

    A PGR vê nas ações de Eduardo uma tentativa deliberada de intimidação institucional. O pedido afirma que o parlamentar age com propósito de retaliação, transmitindo ameaças públicas contra autoridades diretamente ligadas às investigações e aos julgamentos em curso.

    Além de mencionar o uso de redes sociais e entrevistas para difundir suas intenções, Gonet destaca o caráter extremo das medidas promovidas pelo deputado, como bloqueio de bens e restrições financeiras impostas por outro país. O próprio Eduardo teria qualificado essas sanções como “uma pena de morte civil internacional”.

    Segundo o procurador, o risco à normalidade democrática se intensifica com o fato de Eduardo divulgar os avanços dessas tratativas com entusiasmo: “O progresso na consecução dessa trama é noticiado pelo Sr. Bolsonaro nas suas redes sociais com desataviada expressão de júbilo e elação”.

    Diligências e providências

    No pedido, Gonet solicita que a Polícia Federal ouça o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), autor da representação que motivou a apuração, e colha possíveis documentos que sustentem os fatos. A PGR também recomenda que Jair Bolsonaro seja ouvido, apontando o vínculo direto com o caso:

    “(…) dada a circunstância de ser diretamente beneficiado pela conduta descrita e já haver declarado ser o responsável financeiro pela manutenção do sr. Eduardo Bolsonaro em território americano”.

    A Procuradoria ainda pede que Eduardo Bolsonaro seja notificado oficialmente para apresentar sua versão dos fatos. A manifestação, sugere Gonet, deve ocorrer por escrito e por meio eletrônico, em razão da permanência do parlamentar no exterior.

    Além disso, o pedido requer o monitoramento das redes sociais de Eduardo e a oitiva de diplomatas brasileiros nos EUA que possam esclarecer aspectos da articulação internacional conduzida por ele. “Essas providências são requeridas, sem embargo de outras, até de índole cautelar, que o desenvolvimento dos acontecimentos possa recomendar”.

    A decisão sobre o pedido está agora nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, relator dos dois processos dos quais o documento está vinculado.

    Veja a íntegra do pedido: