Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Câmara aprova endurecimento de penas para crimes hediondos e milícias

    Câmara aprova endurecimento de penas para crimes hediondos e milícias

    A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (2) um projeto de lei que torna mais rígida a progressão de regime para condenados por crimes hediondos e por envolvimento com milícias privadas. O texto aprovado, resultado do Projeto de Lei 1.112/2023, unifica em 80% o tempo mínimo de cumprimento da pena em regime fechado antes que o apenado tenha direito à progressão para o semiaberto. A proposta segue agora para análise do Senado.

    Veja a íntegra do relatório aprovado

    A iniciativa foi apresentada originalmente pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), com o objetivo inicial de endurecer as regras apenas para quem fosse condenado por homicídio de agentes de segurança pública no exercício da função, em razão dela ou contra parentes de até terceiro grau.

    Projeto causou polêmica no plenário: PT e Psol reclamaram que mudança vai sobrecarregar o sistema carcerário.

    Projeto causou polêmica no plenário: PT e Psol reclamaram que mudança vai sobrecarregar o sistema carcerário. Luiz Silveira/Flickr/CNJ

    Porém, durante a tramitação, o relator, deputado Alberto Fraga (PL-DF), ampliou o alcance da medida, aplicando a exigência de 80% do cumprimento da pena para todos os crimes hediondos, independentemente de o réu ser primário ou reincidente. Fraga é o líder da Frente Parlamentar da Segurança Pública, apelidada de “bancada da bala”.

    Além disso, o texto estendeu a mesma regra aos condenados pelo exercício de comando de organizações criminosas estruturadas para a prática de crimes hediondos ou equiparados, bem como aos envolvidos na constituição de milícias privadas. Nessas situações, o benefício do livramento condicional também passa a ser proibido.

    O que muda na lei atual?

    Atualmente, a Lei de Execução Penal estabelece percentuais de progressão que variam entre 40% e 70% do cumprimento da pena para crimes hediondos, considerando a gravidade e características do delito. Esses percentuais se tornaram regra com o objetivo de diferenciar casos mais ou menos graves dentro do rol de crimes hediondos.

    Com o novo texto, esse escalonamento deixa de existir. Todos os crimes hediondos passam a ter como requisito único o cumprimento de 80% da pena em regime fechado, sem direito ao livramento condicional. O substitutivo aprovado também revoga dispositivos anteriores da lei que previam faixas progressivas, criando um parâmetro único mais rigoroso.

    Quais crimes serão atingidos?

    Os crimes hediondos estão previstos na Lei 8.072/90, que considera hediondos delitos como:

    • homicídio qualificado (por motivo fútil, cruel, emboscada ou contra agentes públicos no exercício da função);
    • feminicídio;
    • estupro e estupro de vulnerável;
    • latrocínio (roubo seguido de morte);
    • extorsão mediante sequestro;
    • tráfico de pessoas;
    • posse ou porte de arma de fogo de uso proibido;
    • crimes sexuais contra crianças ou adolescentes (inclusive armazenamento e exibição de pornografia infantil);
    • tráfico internacional de armas;
    • falsificação de produtos medicinais;
    • induzimento ao suicídio ou automutilação pela internet;
    • crimes de organização criminosa voltados a crimes hediondos;
    • formação de milícias privadas.

    Crimes sem resultado morte, como posse de pornografia infantil ou posse de arma proibida, passarão a exigir o cumprimento de 80% da pena para progressão de regime, segundo o texto aprovado.

    Debate e polêmicas no plenário

    A votação no plenário foi marcada por discursos inflamados e posições divergentes. Para os defensores do projeto, endurecer o cumprimento da pena é necessário para conter a escalada da violência e combater o crime organizado. O relator, Alberto Fraga, argumentou que a sociedade não suporta mais a impunidade. “Qual a diferença da vida de um cidadão comum para um delegado? Nenhuma”, declarou.

    O autor do texto original, Alfredo Gaspar, também reforçou que criminosos perigosos não podem receber benefícios precocemente. “Como vamos querer que o criminoso que mata mulher tenha direito a liberdade antecipada? Não”, disse.

    Por outro lado, parlamentares da oposição criticaram o projeto. O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ) afirmou que o endurecimento de penas não resolve os problemas da violência e chamou a proposta de “punitivista”. O líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), alertou para o risco de superlotação carcerária e falta de ressocialização. “Se você pega o crime pequeno e coloca o cara na cadeia, ele será vítima do PCC”, argumentou.

    A deputada Bia Kicis (PL-DF), vice-líder da minoria, rebateu as críticas, defendendo o fim do que chamou de “benefícios frouxos” da lei atual, que, em sua visão, estimulam a reincidência.

  • Moraes suspende decretos e chama governo e Congresso para debater IOF

    Moraes suspende decretos e chama governo e Congresso para debater IOF

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta sexta-feira (4) os efeitos dos decretos sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) – tanto os do governo, que elevaram o imposto, quanto o do Congresso, que derrubou a decisão do governo.

    Com isso, a situação retorna a uma espécie de estaca zero: o IOF deixa de ser elevado, e a votação do Congresso perde os efeitos.

    O ministro Alexandre de Moraes, do STF, vê

    O ministro Alexandre de Moraes, do STF, vê “fundada dúvida” sobre o decreto do IOF.Pedro Ladeira/Folhapress

    Moraes também convocou uma audiência conciliatória sobre o tema entre os Poderes para o dia 15 de julho. Devem participar representantes da Presidência da República, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, da Procuradoria-Geral da República e da Advocacia-Geral da União.

    Ações na Justiça

    A decisão foi dada no âmbito da ADC 96, apresentada pelo governo, e das ADIs 7827 e 7839, movidas pelo PL e pelo Psol, respectivamente. Os processos giram em torno de decretos presidenciais que majoraram o IOF sobre operações de crédito, câmbio, seguro e títulos, com impacto relevante na arrecadação segundo o Ministério da Fazenda, R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026.

    • A ADI 7827 foi aberta pelo PL, que alega desvio de finalidade nos decretos presidenciais, por entender que o aumento do imposto teve motivação arrecadatória, e não regulatória, como exige a Constituição. O partido argumenta que o governo agiu em contradição com programas de crédito anunciados para públicos de baixa renda.
    • A ADI 7839, de autoria do Psol, questiona a constitucionalidade do Decreto Legislativo 176/2025, editado pelo Congresso para sustar os decretos presidenciais. Para o partido, o Legislativo exorbitou suas competências ao anular normas editadas com base direta na Constituição.
    • A ADC 96, por sua vez, foi ajuizada pela Advocacia-Geral da União para confirmar a validade dos decretos presidenciais. A ação defende que o presidente tem competência expressa para ajustar as alíquotas do IOF por ato próprio, conforme previsão do artigo 153, 1º da Constituição, e que por isso a suspensão determinada pelo Congresso é inconstitucional.

    Diante desse impasse institucional, Moraes entendeu que os dois lados levantam dúvidas legítimas e decidiu suspender todos os atos enquanto o STF media uma possível conciliação.

  • Faltam 5 dias para a próxima parcial do Prêmio Congresso em Foco

    Faltam 5 dias para a próxima parcial do Prêmio Congresso em Foco

    O Congresso em Foco divulga na próxima terça-feira (8) a segunda e última parcial da votação popular que irá eleger os melhores parlamentares no Prêmio Congresso em Foco. Nesta semana, já foram divulgados os 30 deputados e senadores mais votados até o momento para a 18ª edição da principal premiação da política brasileira.

    A votação online para eleger os melhores parlamentares segue aberta até o dia 20 de julho. Qualquer pessoa pode votar no site oficial do prêmio. Neste ano, o sistema de votação foi aprimorado para garantir simplicidade, mas com a manutenção da integridade dos padrões de segurança e auditorias interna e externa.

    Após a divulgação do boletim parcial, os resultados serão mantidos sob sigilo até a revelação oficial dos finalistas, marcada para 1º de agosto.

    Última parcial do Prêmio Congresso em Foco será divulgada no dia 8.

    Última parcial do Prêmio Congresso em Foco será divulgada no dia 8.Arte/Congresso em Foco

    A cerimônia de premiação será realizada no dia 20 de agosto, no Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, com transmissão ao vivo pelas plataformas do Congresso em Foco. Os premiados receberão troféus, certificados e selos digitais para divulgação de sua conquista.

    A premiação contempla três frentes: votação popular, júri técnico e júri de jornalistas. Serão escolhidos os melhores da Câmara e do Senado, além de destaques em categorias temáticas como Direitos Humanos, Inovação, Meio Ambiente, Justiça, Agricultura, Cultura, entre outras.

  • PT elege novo presidente do partido neste domingo

    PT elege novo presidente do partido neste domingo

    O Partido dos Trabalhadores (PT), sigla do presidente Lula, realiza neste domingo (6) eleições gerais para definir o novo presidente do partido. O Processo de Eleição Direta (PED) renova a presidência dos diretórios municipais, estaduais e nacional do PT. Caso seja necessário segundo turno nas votações, o pleito ocorrerá no dia 20 de julho.

    Nestas eleições, quatro candidatos disputam a presidência nacional do partido. O ex-prefeito de Araraquara (SP) Edinho Silva é o favorito na disputa. Ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo Dilma, ele faz parte da Corrente CNB (Construindo Novo Brasil), da qual Lula também faz parte.

    Além dele, também disputam o cargo o secretário de Relações Internacionais do PT, Romênio Pereira, o deputado federal Rui Falcão (SP) e o dirigente do partido Valter Pomar. O trio representa, respectivamente, as seguintes chapas: Movimento PT, Novo Rumo e Articulação de Esquerda.

    Edinho Silva e Lula.

    Edinho Silva e Lula.Ricardo Stuckert/Presidência da República

    Presidência interina

    Desde março, o senador Humberto Costa (PT-PE) assumiu a presidência interina do partido após a então deputada e presidente do partido, Gleisi Hoffmann, aceitar o convite para se tornar ministra da Secretaria de Relações Institucionais.

    Pelas regras do PT, filiados não podem ocupar simultaneamente cargos no governo e na direção partidária. Humberto era vice-presidente da sigla, indicado pelo campo majoritário Construindo um Novo Brasil (CNB)

    As eleições

    O processo de eleição dos presidentes dos diretórios acontece na sigla desde 2001. Neste ano, as votações se iniciaram às 9h e vão até às 17h. Quase 3 milhões de filiados ao PT podem ir às urnas para definir o futuro do partido. Os representantes eleitos terão mandato de quatro anos.

    “As direções partidárias, delegações e cargos com função específica de secretarias deverão ter paridade de gênero (50% de mulheres e 50% de homens), além de cotas de, no mínimo, 20% das vagas para jovens com menos de 30 anos de idade e pessoas negras ou indígenas nas chapas, delegações e instâncias de direção”, aponta o partido em nota.

  • Comissão debate novas regras para avaliar imóveis do governo

    Comissão debate novas regras para avaliar imóveis do governo

    A Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara discute nesta terça (8), às 16h30, o projeto de lei que estabelece critérios técnicos para avaliação de imóveis da administração pública federal.

    A proposta, de autoria do deputado Fausto Pinato (PP-SP), obriga vistoria física e laudo técnico elaborado por profissional habilitado, conforme normas da ABNT. A deputada Delegada Ione (Avante-MG), que pediu a audiência, afirma que a medida evita distorções e prejuízos ao erário.

    Audiência foi marcada por iniciativa da deputada Delegada Ione (Avante-MG).

    Audiência foi marcada por iniciativa da deputada Delegada Ione (Avante-MG).Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Projeto detalha procedimentos técnicos

    O Projeto de Lei 2283/21 define regras claras para avaliar imóveis de órgãos da administração direta, autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista federais. O laudo de avaliação deverá ser elaborado por engenheiro, arquiteto ou agrônomo e incluir:

    • Análise documental
    • Vistoria obrigatória do imóvel
    • Coleta e tratamento de dados
    • Diagnóstico de mercado
    • Escolha de metodologia apropriada
    • Apresentação detalhada do resultado

    O laudo também deverá vir acompanhado da Anotação ou Registro de Responsabilidade Técnica (ART ou RRT), emitido por Crea ou CAU.

    Transparência e segurança nas transações

    O autor do projeto destaca que hoje não há lei específica sobre o tema e critica normas do Banco Central que dispensam a vistoria presencial em avaliações feitas por instituições financeiras. Segundo ele, apenas a visita in loco permite identificar condições estruturais, localização e demais fatores que impactam no valor real do bem.

    A proposta busca garantir avaliações mais confiáveis, auditáveis e com segurança jurídica, especialmente em contratos públicos, ações judiciais e processos de compra, venda ou locação de imóveis com recursos da União. A audiência será realizada no plenário 8 da Câmara.

  • Veja reações de autoridades à postagem de Trump defendendo Bolsonaro

    Veja reações de autoridades à postagem de Trump defendendo Bolsonaro

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu em defesa do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro em publicação na rede Truth Social, nesta segunda-feira (7). O chefe do Executivo americano acusou o Brasil de promover uma “caça às bruxas” contra o aliado político e disse que o país está fazendo uma “coisa terrível” ao processar o ex-mandatário.

    “Eu tenho assistido, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de ir atrás dele, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano!”, escreveu Trump. “Ele não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo”, escreveu.

    A manifestação de Donald Trump causou reações na ala governista. O próprio presidente Lula rebateu a publicação e disse: “Dê palpite na sua vida, não na nossa”. A ministra Gleisi Hoffmann também criticou a postagem e reafirmou a soberania brasileira.

    Enquanto a reação do governo foi de críticas à manifestação, autoridades e representantes da oposição comemoraram o aceno do presidente americano. O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde março, afirmou que esta não será a “única novidade” vinda dos EUA. O ex-presidente também reagiu à manifestação de apoio.

    Donald Trump e Jair Bolsonaro.

    Donald Trump e Jair Bolsonaro.Alan Santos/PR

    Veja as reações da oposição:

    Veja as reações do governo:

  • Justiça dos EUA intima Moraes em ação da Trump Media e da Rumble

    Justiça dos EUA intima Moraes em ação da Trump Media e da Rumble

    A Justiça da Flórida intimou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a responder a uma ação movida pelas empresas Trump Media e Rumble. Ambas acusam o magistrado de praticar censura ao determinar o bloqueio de perfis em redes sociais, como os do jornalista Allan dos Santos. As plataformas pedem que as decisões de Moraes não tenham validade nos Estados Unidos.

    A intimação, expedida na segunda-feira (7), estipula um prazo de 21 dias para que Moraes apresente uma resposta formal ou uma moção de contestação. Caso o ministro não se manifeste no período estabelecido, o tribunal americano poderá emitir uma sentença à revelia – ou seja, automaticamente favorável às empresas, com base na petição inicial.

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes é o alvo de ação da plataforma Rumble nos Estados Unidos.

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes é o alvo de ação da plataforma Rumble nos Estados Unidos.Pedro Ladeira/Folhapress

    Empresas alegam censura

    As companhias argumentam que o ministro violou a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade de expressão. Segundo a ação, as ordens do STF estariam impedindo cidadãos norte-americanos de acessar conteúdos políticos legítimos, gerando censura no território dos Estados Unidos.

    O nome de Allan dos Santos é citado como um dos principais alvos da decisão brasileira. Jornalista e nfluenciador político de direita, Allan teve a prisão preventiva decretada por Moraes em 2021 no âmbito do inquérito das fake news. Hoje está foragido e vive nos Estados Unidos.

    O conflito teve início em fevereiro, quando Moraes determinou que a Rumble bloqueasse contas associadas a Allan, interrompesse repasses financeiros ao jornalista e apresentasse um representante legal com poderes no Brasil. A empresa, no entanto, alegou que seus advogados não tinham autoridade formal para agir em nome da companhia no país e se retiraram do caso.

    Rumble suspenso

    Após o não cumprimento da decisão, o STF suspendeu temporariamente a operação do Rumble no Brasil. A plataforma, então, recorreu à Justiça americana pedindo proteção contra o que chamou de abuso de poder por parte do ministro do STF. A Trump Media, empresa ligada ao presidente Donald Trump, aderiu ao processo, alegando defesa da liberdade digital.

    Trump publicou, na segunda-feira (7), uma mensagem em rede social em defesa de Jair Bolsonaro, dizendo que o ex-presidente é alvo de uma “caça às bruxas”. O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Jair Bolsonaro, está nos Estados Unidos, segundo ele próprio, para “buscar as devidas sanções aos violadores de direitos humanos” – termo que, de acordo com ele, decreve o ministro Alexandre de Moraes.

  • Câmara aprova incentivo à industria nacional da saúde

    Câmara aprova incentivo à industria nacional da saúde

    A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (8) o substitutivo (texto com modificações em relação ao original) ao Projeto de Lei 2.583/2020, que institui a Estratégia Nacional de Saúde e cria incentivos à indústria nacional para reduzir a dependência externa em produtos e tecnologias médicas. A proposta agora segue para o Senado.

    O texto aprovado cria um marco legal para fomentar o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), com prioridade para pesquisa, inovação e produção nacional de insumos e equipamentos. A medida visa garantir autonomia em situações de emergência sanitária, como a pandemia de covid-19.

    Projeto visa incentivar indústria da saúde brasileira para garantir autonomia em situações de emergência.

    Projeto visa incentivar indústria da saúde brasileira para garantir autonomia em situações de emergência.Eduardo Knapp/Folhapress

    Regime especial e estímulos

    Entre os principais pontos do projeto estão:

    • criação das Empresas Estratégicas de Saúde (EES), com critérios técnicos e exigência de produção nacional;
    • acesso a crédito favorecido, margem de preferência em compras públicas e isenção de licitação para contratos com o SUS;
    • incentivos à transferência de tecnologia, à produção local e ao registro de produtos prioritários.

    Votação e destaques

    O substitutivo foi aprovado por 352 votos a 63, com rejeição dos destaques apresentados. Deputados do Novo tentaram retirar artigos que tratam da margem de preferência e das licitações exclusivas, mas foram derrotados. O relator Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL) destacou que a proposta é essencial para a soberania sanitária do país.

  • Comissão da Câmara aprova moção de louvor a Donald Trump

    Comissão da Câmara aprova moção de louvor a Donald Trump

    A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, presidida por Filipe Barros (PL-PR), aprovou nesta quarta-feira (9) um requerimento de moção de louvor ao presidente dos Estados Unidos. O gesto do colegiado surge em um momento de tensão entre os EUA e Brasil após Donald Trump atacar o sistema judiciário brasileiro para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    De autoria do líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), a “moção de louvor e regozijo” ao chefe do Executivo americano pelo “brilhante trabalho desenvolvido como presidente da maior nação e pela incansável luta em defesa da democracia e da liberdade de expressão em todo o planeta”. O deputado ainda destacou feitos de Donald Trump nos Estados Unidos.

    “Em seus 100 dias de governo, o Presidente Trump: reduziu a inflação norte-americana, busca reduzir os preços da contas de energia; negocia a paz entre Rússia e Ucrânia; está implementando diversos cortes de impostos; protege os valores e princípios das famílias como pilares centrais de uma boa cidadania”, justificou Sóstenes.

    Sóstenes Cavalcante, autor do requerimento.

    Sóstenes Cavalcante, autor do requerimento.Marina Ramos/Câmara dos Deputados

    Por fim, o congressista ainda acrescentou que Trump deve ser “enaltecido e lembrado como um melhores presidentes do mundo e exemplo a ser seguido para a implementação e manutenção de uma democracia moderna e justa”. O requerimento recebeu assinaturas de Gustavo Gayer (PL-GO) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).

    Defesa de Trump

    Donald Trump saiu em defesa do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro em publicação na rede Truth Social na segunda-feira (7). O chefe do Executivo americano acusou o Brasil de promover uma “caça às bruxas” contra o aliado político e disse que o país está fazendo uma “coisa terrível” ao processar o ex-mandatário.

    “Eu tenho assistido, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de ir atrás dele, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano!”, escreveu Trump. “Ele não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo”, escreveu.

    A manifestação de Donald Trump causou reações na ala governista. O próprio presidente Lula rebateu a publicação e disse: “Dê palpite na sua vida, não na nossa”. A ministra Gleisi Hoffmann também criticou a postagem e reafirmou a soberania brasileira. Por outro lado, a oposição comemorou o aceno.

  • CNI diz que tarifa de Trump é injustificada e defende negociação

    CNI diz que tarifa de Trump é injustificada e defende negociação

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota questionando a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar para 50% as tarifas sobre produtos brasileiros. A entidade classificou a medida como injustificada e prejudicial à relação comercial “robusta e complementar” entre os dois países.

    Segundo o presidente da confederação, Ricardo Alban, a indústria brasileira é fortemente integrada à cadeia produtiva americana e será gravemente afetada. Para ele, a prioridade deve ser intensificar o diálogo entre os governos para reverter a medida.

    Edifício-sede da CNI, em Brasília.

    Edifício-sede da CNI, em Brasília.Pedro Ladeira/Folhapress

    Impactos e números

    A entidade destacou que cerca de 10 mil empresas brasileiras exportam para os EUA e que, para cada R$ 1 bilhão vendido, são gerados 24 mil empregos no país. Também contestou a alegação americana de desequilíbrio comercial, afirmando que os EUA têm superávit acumulado de US$ 256,9 bilhões com o Brasil na última década.

    Leia a íntegra da nota

    Para CNI, não há fato econômico que justifique tarifas de 50% e é preciso preservar relação comercial com os EUA

    Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende intensificar negociação diante de tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil

    A imposição de 50% de tarifas sobre o produto brasileiro por parte dos Estados Unidos foi recebida com preocupação e surpresa pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a instituição, a prioridade deve ser intensificar a negociação com governo de Donald Trump para preservar a relação comercial histórica e complementar entre os países.

    “Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto. Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano. Uma quebra nessa relação traria muitos prejuízos à nossa economia. Por isso, para o setor produtivo, o mais importante agora é intensificar as negociações e o diálogo para reverter essa decisão”, avalia Ricardo Alban, presidente da CNI.

    Brasil e Estados Unidos sustentam uma relação econômica robusta, estratégica e mutuamente benéfica alicerçada em 200 anos de parceria. Os EUA são o 3 principal parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. O aumento da tarifa para 50% terá impacto significativo na competitividade de cerca de 10 mil empresas que exportam para os Estados Unidos.

    Resultados preliminares de consulta realizada pela CNI indicaram que um terço das empresas respondentes que exportam bens e/ou serviços aos EUA tiveram impactos negativos nos seus negócios. O levantamento foi realizado entre os meses de junho e início de julho, ainda no contexto da tarifa básica de 10% e demais medidas comerciais setoriais.

    A CNI reforça a importância de intensificar uma comunicação construtiva e contínua entre os dois governos. “Sempre defendemos o diálogo como o caminho mais eficaz para resolver divergências e buscar soluções que favoreçam ambos os países. É por meio da cooperação que construiremos uma relação comercial mais equilibrada, complementar e benéfica entre o Brasil e os Estados Unidos” destaca Ricardo Alban.

    EUA têm superávit de US$ 256,9 bi com Brasil

    Ao contrário da afirmação do governo dos Estados Unidos, o país norte-americano mantém superávit com o Brasil há mais de 15 anos. Somente na última década, o superávit norte-americano foi de US$ 91,6 bilhões no comércio de bens. Incluindo o comércio de serviços, o superávit americano atinge US$ 256,9 bilhões. Entre as principais economias do mundo, o Brasil é um dos poucos países com superávit a favor dos EUA.

    A CNI aponta que a entrada de produtos norte-americanos no Brasil estava sujeita a uma tarifa real de importação de 2,7% em 2023, o que diverge da declaração da Casa Branca. A tarifa efetiva aplicada pelo Brasil aos Estados Unidos foi quatro vezes menor do que a tarifa nominal de 11,2% assumida no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

    Nova medida impacta relação de forte complementariedade econômica

    A tarifa afeta a economia americana. O relacionamento bilateral é marcado por complementariedade, isto é, o comércio bilateral é composto por fluxos intensos de insumos produtivos. Na última década, esses bens representaram, em média, 61,4% das exportações e 56,5% das importações brasileiras.

    A forte integração econômica entre os dois países é evidenciada pelas 3.662 empresas americanas com investimentos no Brasil e pelas 2.962 empresas brasileiras com presença nos Estados Unidos. Os Estados Unidos foram o principal destino dos anúncios de investimentos greenfield brasileiro no mundo entre 2013 e 2023, concentrando 142 projetos de implantação produtiva.

    As exportações brasileiras para os EUA têm grande relevância para a economia nacional. Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado ao mercado americano foram gerados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil. Portanto, o aumento da tarifa de importação americana para 50% impacta diretamente a economia brasileira e abala a cooperação com os EUA.”