Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Mudanças na CNH: o que diz projeto que aguarda sanção presidencial

    Mudanças na CNH: o que diz projeto que aguarda sanção presidencial

    Apenas à espera da sanção presidencial para se tornar lei, um projeto aprovado na Câmara dos Deputados na última semana propõe mudanças na emissão da carteira nacional de habilitação (CNH).

    Entre as principais inovações do projeto estão a possibilidade de destinar parte das multas para financiar a habilitação de pessoas de baixa renda e a obrigatoriedade de exame toxicológico para a primeira habilitação da categoria A e B, respectivamente para carro e moto.

    CNH.

    CNH.Marcello Casal Jr./Agência Brasil

    CNH para baixa renda

    De autoria do líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), a proposta prevê que quem estiver inscrito no CadÚnico, o cadastro do governo federal que reúne famílias em situação de vulnerabilidade social, poderá ter despesas do processo de habilitação cobertas com esses recursos. Isso inclui taxas, aulas teóricas e práticas, entre outros custos.

    O objetivo do projeto é incluir a população mais desfavorecida e ajudar no mercado de trabalho. Atualmente o Código de Trânsito Brasileiro prevê que as multas sejam usadas apenas para ações ligadas ao trânsito, como sinalização, fiscalização, renovação de frota e educação. O projeto aprovado altera essa regra para incluir o subsídio à formação de novos motoristas de baixa renda.

    Com a sanção do projeto, estados e municípios poderão usar uma parte das multas de trânsito para ajudar pessoas de baixa renda a tirar a CNH. Isso poderá facilitar o acesso a empregos que exigem habilitação, como motoristas profissionais, entregadores, motoristas de aplicativo, entre outros.

    Exame toxicológico: como era e como vai ficar

    Conforme a legislação vigente, a obrigatoriedade para a realização de exame toxicológico de motoristas só existe nas categorias C, D e E. A exigência vale tanto para a primeira habilitação quanto para as renovações dos motoristas dessas categorias, que contemplam ônibus, caminhões e caminhões articulados. A medida se justifica pelo caráter profissional que os condutores das categorias podem ter.

    Com a sanção da lei, os condutores que vão tirar a primeira habilitação das categorias A e B também deverão realizar exame toxicológico como exigência para garantir a CNH. A exigência, no entanto, não vai valer para as renovações. A alteração na lei foi proposta em uma emenda do Senado, que foi aprovada na Câmara.

    De acordo com o texto, as clínicas que realizam os exames de aptidão física e mental para tirar a habilitação também poderão realizar os exames toxicológicos. No caso, as clínicas ficarão responsáveis pela coleta do material, ao passo que a análise será feita por laboratórios credenciados.

    Apesar da aprovação na Câmara, houve deputados que criticaram a inclusão da emenda. Para Marcel Van Hattem (Novo-RS), o pedido é excessivo no sentido de onerar ainda mais o custo para tirar a primeira habilitação. Já Chico Alencar (Psol-RJ) criticou o trecho pelo fato de o exame ser originalmente exigido apenas para motoristas profissionais.

  • Em meio à crise do IOF, Haddad marca férias para junho

    Em meio à crise do IOF, Haddad marca férias para junho

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, antecipou suas férias para a semana de 16 a 22 de junho, de segunda-feira ao domingo. Antes, elas seriam em 11 a 20 de julho. O despacho autorizando a mudança foi publicado no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (5).

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai tirar uma semana de férias neste mês.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai tirar uma semana de férias neste mês.Ton Molina/Fotoarena/Folhapress

    Com isso, Haddad terá uma semana para articular a aprovação no Congresso das medidas do governo para substituir o aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O anúncio das propostas está marcado para o próximo domingo (8).

    A mudança também coloca o ministro em campo nos dias finais de atividade do Congresso Nacional antes do recesso parlamentar. Pela Constituição, o Legislativo entra em férias no período de 18 a 31 de julho – o que significa que, neste ano, o Congresso vai funcionar até uma quinta-feira, no dia 17.

  • STF impõe nova derrota a Bolsonaro e mantém ação sobre golpe

    STF impõe nova derrota a Bolsonaro e mantém ação sobre golpe

    Bolsonaro e Alexandre de Moraes durante posse do presidente do TST em 2023.

    Bolsonaro e Alexandre de Moraes durante posse do presidente do TST em 2023.Gabriela Biló /Folhapress

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sofreu uma nova derrota no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes rejeitou, nessa quinta-feira (6), o pedido da defesa do ex-presidente para suspender a ação penal que investiga sua participação em uma tentativa de golpe para impedir a posse do presidente Lula.

    Com a decisão, Moraes manteve o cronograma da ação. A partir de segunda-feira (9), começam os interrogatórios dos réus, com depoimentos presenciais na sala da 1ª Turma do Supremo. O primeiro a ser ouvido será Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, delator e figura-chave no caso.

    O que pediu a defesa

    Os advogados do ex-presidente alegaram que não tiveram acesso integral às provas reunidas no inquérito, justificando que a Polícia Federal forneceu um volume gigantesco de dados por meio de links em nuvem e que não houve tempo suficiente para baixar e analisar todos os documentos antes da fase de depoimentos.

    Além disso, a defesa argumentou que Bolsonaro só poderia ser interrogado após serem ouvidas as testemunhas ligadas aos demais núcleos da trama, por se tratar de fatos que, segundo eles, estariam diretamente relacionados ao ex-presidente. Também pediram autorização para participar dessas audiências e inquirir as testemunhas.

    “Não é possível seguir com os interrogatórios sem que seja garantido o acesso completo às provas, um direito básico da defesa”, afirmaram os advogados no pedido.

    A resposta de Moraes

    Em sua decisão, Alexandre de Moraes considerou que não há motivos para adiar a ação. Ele destacou que já havia determinado, em maio, que a PF disponibilizasse o material probatório. “Indefiro os requerimentos formulados pela defesa de Jair Messias Bolsonaro”, escreveu o ministro.

    Na mesma linha, Moraes também negou outro pedido da defesa: o de adiar o próprio depoimento de Bolsonaro para um momento posterior à fase de testemunhas de todos os núcleos do processo.

    Andamento da ação

    A ação penal contra Bolsonaro e outros oito réus no chamado núcleo 1 da trama, considerado o grupo central, segue avançando. Nas últimas duas semanas, o STF ouviu mais de 50 testemunhas. Entre os depoimentos mais relevantes, dois ex-comandantes das Forças Armadas confirmaram à Corte que Bolsonaro teria discutido possíveis medidas para impedir a posse de Lula.

    Com a decisão de Moraes, a expectativa é que a fase de interrogatórios prossiga normalmente a partir da próxima semana. Além de Mauro Cid, Bolsonaro e outros réus do núcleo central devem ser ouvidos ainda em junho.

    A decisão desta quinta marca mais uma derrota jurídica para Bolsonaro no Supremo. Não é a primeira vez que sua defesa, e a de outros réus no caso, tenta suspender ou adiar etapas da ação com o argumento da falta de acesso integral às provas. Até o momento, todas as tentativas foram rejeitadas por Moraes.

  • Justiça em MG confirma condenação de R$ 40 milhões ao Facebook

    Justiça em MG confirma condenação de R$ 40 milhões ao Facebook

    O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ/MG) confirmou, nesta quinta-feira (5), a condenação da Meta, empresa proprietária da plataforma Facebook ao pagamento de R$ 40 milhões por danos morais coletivos, além de R$ 10 mil para cada consumidor afetado pelos vazamentos de dados ocorridos entre 2018 e 2019.

    A decisão mantém a sentença de primeira instância, proferida em julho de 2023, e se refere a dois processos abertos após ações civis públicas movidas pelo Instituto Defesa Coletiva. Os dados expostos pertenciam a usuários do Facebook, do Messenger e do WhatsApp, todos serviços operados pela Meta, empresa controladora da rede social.

    Decisão original foi proferida em 2023, mas a Meta recorreu.

    Decisão original foi proferida em 2023, mas a Meta recorreu.Marcello Casal jr/Agência Brasil

    No entendimento da Justiça, a Meta violou tanto o Código de Defesa do Consumidor quanto o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

    O desembargador Newton Teixeira, relator do caso, determinou que o pagamento seja feito diretamente aos consumidores, sem necessidade de novas ações judiciais. A reparação individual será de R$ 5 mil por processo, totalizando R$ 10 mil por pessoa afetada.

    A advogada Lillian Salgado, presidente do Comitê Técnico do Instituto Defesa Coletiva, comemorou a decisão. “Nenhuma empresa, por maior que seja, está acima da lei. E os direitos digitais são direitos humanos”, disse na sustentação oral.

  • “Oceano está febril”: Lula alerta e propõe ações na ONU sobre os mares

    “Oceano está febril”: Lula alerta e propõe ações na ONU sobre os mares

    Lula, na abertura da Conferência da ONU sobre Oceanos:

    Lula, na abertura da Conferência da ONU sobre Oceanos: “Proteção dos oceanos é essencial para enfrentar a crise climática”.Ricardo Stuckert/PR

    O presidente Lula apresentou, nesta segunda-feira (9), em Nice, na França, sete compromissos voluntários do Brasil para proteção de áreas marinhas. Na abertura da 3ª Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (UNOC3), diante de chefes de Estado e autoridades internacionais, Lula destacou o papel estratégico do Brasil na agenda ambiental global.

    Em seu discurso, Lula destacou que a proteção dos oceanos é essencial para enfrentar a crise climática e detalhou os compromissos brasileiros:

    • Ampliação de áreas marinhas protegidas

    O Brasil vai elevar de 26% para 30% a cobertura de suas áreas marinhas protegidas, cumprindo as metas do Marco Global para a Biodiversidade.

    • Planejamento espacial marinho

    Um programa inédito permitirá o uso equilibrado dos recursos oceânicos, respeitando serviços ecossistêmicos e impactos ambientais.

    • Pesca sustentável

    O país seguirá estimulando práticas sustentáveis e combatendo atividades ilícitas no setor.

    • Preservação de manguezais e recifes de corais

    Serão implementados programas específicos para a conservação desses ecossistemas sensíveis.

    • Combate à poluição plástica

    Lula anunciou a formulação de uma estratégia nacional contra o plástico nos oceanos.

    • Fortalecimento da pesquisa científica

    O Brasil expandirá o Sistema Integrado de Monitoramento e continuará investindo na Estação Comandante Ferraz, na Antártida.

    • Educação oceânica

    Com apoio da Unesco, o país foi o primeiro a incorporar a cultura oceânica nos currículos escolares e, até 2025, contará com 515 Escolas Azuis, beneficiando 160 mil estudantes e 2.600 professores.

    Tratado do Alto Mar

    Lula reafirmou o compromisso brasileiro com o multilateralismo e anunciou que o Brasil pretende ratificar o Tratado do Alto Mar ainda este ano, para assegurar a gestão compartilhada da biodiversidade em águas internacionais. O presidente também alertou para a ameaça do unilateralismo nos mares, defendendo que canais, golfos e estreitos sejam instrumentos de aproximação e não de discórdia geopolítica.

    O oceano está febril“, disse Lula, chamando atenção para o aumento recorde da temperatura das águas e para o avanço da poluição plástica, que hoje representa 80% da poluição marinha. Segundo ele, três bilhões de pessoas dependem diretamente dos recursos marinhos para sobreviver.

    Oceanos em pauta na COP30

    O presidente lembrou que o Brasil é um país oceânico, com 8 mil quilômetros de litoral e uma vasta Amazônia Azul, área marítima de 5,7 milhões de quilômetros quadrados. Lula afirmou que o tema dos oceanos será uma prioridade na COP30, que o Brasil sediará em Belém (PA), em novembro.

    Durante a conferência, está prevista a apresentação de um Balanço Ético Global, iniciativa em parceria com a ONU para mobilizar artistas, intelectuais, lideranças indígenas, jovens e mulheres.

    “Quem quer conhecer e defender a Amazônia precisa estar na Amazônia para ver nossa COP30”, convidou Lula, reforçando o apelo para que os países ricos assumam suas responsabilidades históricas no combate às mudanças climáticas.

    Assista ao pronunciamento de Lula:

    Finanças Azuis e pressão por financiamento

    Nesse domingo (8), Lula participou do Fórum de Economia e Finanças Azuis em Mônaco, onde criticou a redução da ajuda ao desenvolvimento e o aumento das despesas militares por países ricos. Para ele, falta vontade política, não recursos, para financiar a proteção dos oceanos e a implementação de compromissos climáticos.

    “O que falta é vontade política. Dinheiro existe”, afirmou o presidente, apontando para a necessidade de mais financiamento para iniciativas de conservação marinha. O evento contou com discurso do príncipe William, do Reino Unido.

  • “Vai ficar tudo bem”, disse ativista Thiago Ávila em áudio para o pai

    “Vai ficar tudo bem”, disse ativista Thiago Ávila em áudio para o pai

    O aposentado Ivo de Araújo Oliveira Filho fez nesta segunda-feira (9) um apelo emocionado por notícias do filho, o publicitário e ativista pró-Palestina Thiago Ávila, coordenador da Coalizão Flotilha da Liberdade. O grupo, que inclui 12 ativistas de diferentes nacionalidades, entre eles a sueca Greta Thunberg, teve sua embarcação detida por forças israelenses no domingo (8), ao se aproximar da Faixa de Gaza. O último contato entre Thiago e o pai foi às 17h29 (horário de Brasília), pouco antes da interceptação do barco. “Vai ficar tudo bem, amo vocês”, disse o ativista brasiliense de 38 anos, em um áudio enviado pelo Instagram ao pai, à madrasta e à irmã. 

    O áudio foi compartilhado por Ivo com o Congresso em Foco. Em vídeo gravado para este site, o aposentado fez um apelo por informações sobre o paradeiro do filho. Confira:

    Receio do pai

    “A única coisa que estou querendo é notícia do meu filho. Quero uma imagem dele, para ter certeza de que ele está bem, que sua vida está preservada. É só isso que estou pedindo”, disse Ivo. Ele teme que o filho esteja em situação mais delicada do que a dos demais integrantes da embarcação.

    “A preocupação com meu filho é maior porque ele se posicionou de forma mais agressiva do que os outros em relação às ações de Israel. O ministro da Defesa de Israel já o chamou de ‘porta-voz do Hamas’”, afirmou o servidor aposentado do Senado ao Congresso em Foco.

    Para ele, Thiago corre o risco de ser mantido em território israelense, sem deportação para o Brasil: “Israel não está tendo freio, nem limite. Tudo pode acontecer. Precisamos de uma força maior para garantir que nada aconteça com ele além da deportação”.

    Outro motivo de preocupação é a visibilidade: “Os outros são influencers com grande projeção internacional. Com eles não deve acontecer nada. Mas meu filho não tem a mesma visibilidade”.

    Itamaraty

    Thiago é casado e pai de uma menina de um ano e sete meses, que vivem no Brasil. O pai reforça a necessidade de apoio das autoridades brasileiras para garantir sua integridade física. O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota cobrando de Israel a libertação dos ativistas.

    “O governo brasileiro acompanha com atenção a interceptação, pela marinha israelense, da embarcação Madleen […] e cuja tripulação inclui o cidadão brasileiro Thiago Ávila. […] O Brasil insta o governo israelense a libertar os tripulantes detidos.”

    O deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE) telefonou para Ivo e enviou ofício à Embaixada de Israel pedindo a libertação imediata dos ativistas. “Esse é um momento de mobilização para garantir a segurança de todos os tripulantes em respeito aos direitos humanos. Não vamos tolerar o silêncio diante da violência contra ações humanitárias”, declarou o deputado.

    Histórico de ativismo

    Thiago começou a atuar em causas humanitárias ainda adolescente. Aos 17 anos, participou da defesa de moradores do assentamento da Estrutural, no Distrito Federal, e da luta de indígenas no bairro Noroeste, em Brasília.

    Thiago, no alto à esquerda, é o único brasileiro entre os ativistas que tentam furar o bloqueio em Gaza.

    Thiago, no alto à esquerda, é o único brasileiro entre os ativistas que tentam furar o bloqueio em Gaza.Divulgação/Flotilha da Liberdade

    A adesão à causa palestina se intensificou após uma visita a Gaza. “Desde então, ele vem criticando a atuação de Israel”, conta o pai. Para Ivo, a chegada da embarcação nas proximidades da costa de Gaza foi bem-sucedida. “Os mantimentos que levavam tinham caráter simbólico. O objetivo era chamar a atenção do mundo para o que acontece em Gaza.”

    Bloqueio e ação israelense

    A embarcação Madleen, organizada pela Freedom Flotilla Coalition (FFC), partiu da Itália em 1º de junho com arroz e leite em pó para bebês, tentando romper o bloqueio israelense a Gaza, em vigor desde 2007.

    A FFC relatou que o navio foi “atacado em águas internacionais”, cercado por drones e lanchas rápidas. “Drones borrifaram uma substância branca. As comunicações foram bloqueadas”, informou a FFC.

    A relatora da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, confirmou que houve três incidentes durante a travessia. Foto divulgada pela FFC, após a interceptação do barco, mostra os tripulantes com coletes salva-vidas e mãos erguidas.

    O governo israelense afirmou que os passageiros estão “ilesos” e que serão “repatriados para seus países de origem”.

    Além de Thiago, entre outros, estavam a bordo Greta Thunberg, a deputada francesa Rima Hassan e o ator irlandês Liam Cunningham (Game of Thrones).

    O governo de Israel chamou a embarcação de “iate de selfies” e a iniciativa de “provocação midiática”. Alegou ainda que o bloqueio busca impedir armas ao Hamas, mas a ONU e organizações humanitárias o consideram ilegal e agravante da crise em Gaza.

    O Hamas classificou a interceptação como uma “violação flagrante do direito internacional” e pediu a libertação dos ativistas.

    A Organização das Nações Unidas (ONU) acompanha o caso. A ação revive memórias do ataque ao navio turco Mavi Marmara, em 2010, quando dez ativistas foram mortos.

    A crise humanitária em Gaza se intensificou. Segundo o Ministério da Saúde local, mais de 54 mil pessoas morreram desde o início da ofensiva israelense em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

  • Almirante diz ao STF que desfile de tanques não teve nada a ver com voto impresso

    Almirante diz ao STF que desfile de tanques não teve nada a ver com voto impresso

    O almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, disse ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10) que o desfile de veículos militares blindados na Esplanada dos Ministérios realizado em 10 de agosto de 2021 não teve relação com a sessão da Câmara que discutia o voto impresso, marcada para o mesmo dia.

    Almir Garnier prestou depoimento ao STF nesta terça-feira (10).

    Almir Garnier prestou depoimento ao STF nesta terça-feira (10).Gustavo Moreno/STF

    A declaração foi feita em depoimento do militar à 1ª Turma da Suprema Corte. Garnier é réu no processo que apura uma tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder.

    Relembrando

    O voto impresso era uma das pautas da base mais próxima a Bolsonaro no Congresso. O então presidente colocava em dúvida o sistema brasileiro para a apuração e contagem dos votos, defendia que a impressão do voto na urna seria uma forma de tornar o processo de votação auditável.

    Na época, transitava na Câmara a proposta de emenda à Constituição (PEC) 135/2019, de autoria da deputada Bia Kicis (PL-DF), que tornava obrigatória a impressão do voto nas eleições. A pressão política levou à instalação de uma comissão especial na Câmara, que rejeitou a proposta em agosto daquele ano, por 23 votos a 11.

    Após a rejeição, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), levou a PEC ao plenário, marcando a votação para 10 de agosto de 2021. Na manhã daquele dia, um conjunto de blindados e outros veículos militares passou em frente ao Palácio do Planalto, na Esplanada dos Ministérios – ou seja, ao lado do Congresso -,  para entregar um convite a Jair Bolsonaro para um evento das Forças Armadas. O desfile foi entendido como uma tentativa de pressão sobre o Congresso.

    Veículos militares na Esplanada dos Ministérios, em 10 de agosto de 2021.

    Veículos militares na Esplanada dos Ministérios, em 10 de agosto de 2021.Pedro Ladeira/Folhapress

    No mesmo dia, a PEC do voto impresso foi rejeitada no plenário da Câmara, obtendo apenas 229 votos favoráveis dos 308 necessários.

    “Foi uma coincidência”

    Comandante da Marinha naquele momento, Almir Garnier disse no STF que o desfile não teve nada a ver com a questão do voto impresso e que a intenção, na época, era mostrar às capacidades da Marinha ao povo brasileiro.

    “Uma das missões que eu me atribui quando assumi o comando da Marinha é dar a conhecer à sociedade brasileira as capacidades da Marinha”, explicou Almir. Segundo ele, o povo brasileiro “deveria conhecer como o recurso é gasto”.

    Almir disse ainda que o desfile estava planejado com meses de antecedência, muito antes de Arthur Lira levar o voto impresso ao plenário. “Foi uma coincidência”, disse o militar.

  • Augusto Heleno leva “bronca” do advogado e nega tentativa de golpe

    Augusto Heleno leva “bronca” do advogado e nega tentativa de golpe

    Augusto Heleno e o seu advogado Matheus Milanez.

    Augusto Heleno e o seu advogado Matheus Milanez.Gustavo Moreno/Ascom/STF

    O general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Jair Bolsonaro, negou nesta terça-feira (10), em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), qualquer envolvimento em tentativas de manter o ex-presidente no poder após a derrota nas eleições de 2022. “Eu não tinha nem tempo para fazer isso”, afirmou ao ser questionado por seu advogado, Matheus Milanez, sobre possível contribuição, escrita ou verbal, para alguma ação golpista.

    Heleno também rejeitou qualquer relação com o plano “Punhal Verde e Amarelo”, apontado como uma das estratégias para impedir a posse do presidente Lula. Ao iniciar uma resposta mais elaborada sobre o tema, o general foi interrompido pelo próprio advogado: “O ponto é só provar se o senhor tinha conhecimento desse plano. O senhor não tinha. Participou de alguma reunião sobre esse plano?” O general, então, limitou-se a responder: “Não”.

    Tão logo Augusto Heleno foi chamado para o interrogatório pelo ministro Alexandre de Moraes, o advogado informou que seu cliente não responderia às perguntas do relator. O ex-ministro do GSI respondeu apenas a perguntas protocolares. Exercendo o direito da defesa, respondeu a partir dali apenas as perguntas de Milanez.

    Virada de mesa

    O advogado ainda abordou uma declaração do general durante reunião ministerial em julho de 2022, quando Heleno falou em “virar a mesa antes das eleições”. O advogado perguntou se essa fala indicava defesa de alguma atitude ilegal. Heleno respondeu: “Realmente, não havia oportunidade, o presidente, com a declaração dele, cortou essa possibilidade”.

    Temendo que a resposta soasse dúbia, Milanez refez a pergunta e insistiu para que fosse respondida apenas com “sim” ou “não”: “General, vamos lá, só para deixar claro: o senhor, com a sua fala, quis dar a entender para ser realizada alguma ação ilegal?” Heleno, então, respondeu: “Não, lógico que não”.

    O general foi o primeiro réu da ação penal da trama golpista a se recusar a responder a questionamentos de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

    “Sim ou não”

    Durante o interrogatório, Heleno se estendeu em outras respostas, contrariando a orientação da defesa. Ao responder negativamente à pergunta sobre se teria coordenado a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para produzir documentos falsos sobre as eleições, acrescentou: “Não havia clima. O clima da Abin era muito bom”. O advogado o interrompeu imediatamente: “A pergunta é só ‘sim ou ‘não, desculpa”.

    A cena provocou risos na sala. O general reagiu sorrindo e disse: “Porra, desculpa”. O ministro Alexandre de Moraes brincou: “Não fui eu, general Heleno, que fique nos anais aqui do Supremo, foi o seu advogado”. Milanez reforçou então a necessidade de respostas diretas e objetivas.

    Voto impresso

    Mesmo no banco dos réus, Heleno voltou a defender o voto impresso e disse desconfiar das urnas eletrônicas. “Acredito que, no mundo inteiro, há uma desconfiança em relação ao voto em urnas eletrônicas”, declarou. Relatou, ainda, que essa visão vem de experiências no exterior: “Eu enfrentei esse problema no Haiti”. Mais uma vez, foi interrompido pela defesa por fugir do formato de respostas curtas.

    Milanez também questionou se Heleno havia aceitado o resultado das eleições que elegeram Lula. O general respondeu: “Tinha que aceitar. Não havia outra solução”, em linha com a orientação de manter as falas enxutas.

    “Apolítico”

    Em outro trecho do depoimento, o general afirmou que nunca tratou de política com os funcionários do GSI e que fazia questão de manter o órgão distante de disputas ideológicas. “É importante dizer que o presidente Bolsonaro colocou que ia jogar dentro das quatro linhas [da Constituição] e eu segui isso aí rigorosamente durante todo o tempo em que estive na Presidência”, disse. “Nunca levei assuntos políticos. Tinha de 800 a mil funcionários no GSI. Nunca conversei com eles assuntos políticos.”

    Segundo ele, era uma “preocupação muito grande” garantir que o GSI fosse percebido como uma instituição “apolítica e apartidária”.

    Fase final

    O depoimento de Augusto Heleno integra a reta final da fase de instrução processual no STF, quando os réus têm a oportunidade de apresentar suas versões e responder às acusações. Essa etapa visa reunir as provas que embasarão o julgamento da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022.

    Além de Heleno, também foram ouvidos nesta terça-feira o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, e o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres. No dia anterior, prestaram depoimento o tenente-coronel Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. 

    “Núcleo crucial”

    Segundo a Procuradoria-Geral da República, os oito réus ouvidos nesta etapa compõem o “núcleo crucial” da organização criminosa que tentou romper a ordem democrática. A denúncia sustenta que o grupo elaborou medidas autoritárias, pressionou as Forças Armadas e promoveu ataques ao sistema eleitoral para impedir a posse do presidente eleito.

    Após a conclusão dos interrogatórios, o processo pode passar por diligências complementares, caso requisitadas por defesa ou acusação. Em seguida, será aberto o prazo de 15 dias para apresentação das alegações finais. O julgamento caberá à Primeira Turma do STF.

  • Bolsonaro ao STF: “meu temperamento é um pouco explosivo”

    Bolsonaro ao STF: “meu temperamento é um pouco explosivo”

    O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (10), que suas declarações públicas contra ministros da Corte e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decorreram de embates anteriores e de seu perfil impulsivo.

    Ao ser questionado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre falas proferidas em 2021, em que sugeria a necessidade de “dar um último recado” a integrantes do Judiciário e mencionava possíveis consequências se o Supremo não se “enquadrasse”, Bolsonaro negou ter feito ameaças aos Poderes e disse que se tratavam de desabafos. “Desabafei muitas vezes, porque eu entendi que certas decisões a gente tem que respeitar, tem que cumprir, mas eu reagi a essas decisões.”

    Em resposta direta ao procurador, Bolsonaro declarou: “O senhor deve conhecer meu temperamento dentro do Congresso. Eu respondi a uns 20 processos de cassação lá dentro, um pouco explosivo, muitas vezes errei.”

    O ex-presidente afirmou ainda que seu histórico de desentendimentos com o ministro Luís Roberto Barroso remonta ao período em que Barroso atuava como advogado no caso Cesare Battisti, em posição oposta à defendida por Bolsonaro como parlamentar. Disse também que o ministro, em declaração pública posterior, mencionou “derrotamos o bolsonarismo”, o que teria acirrado a relação entre ambos.

  • Governo libera R$ 15 milhões extras para promoção de direitos humanos

    Governo libera R$ 15 milhões extras para promoção de direitos humanos

    O governo federal publicou nesta terça-feira (10) a Medida Provisória 1.302/2025, que libera R$ 15 milhões para o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O valor, classificado como crédito extraordinário, já pode ser começar a ser usado.

    Fachada do Ministério dos Direitos Humanos, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

    Fachada do Ministério dos Direitos Humanos, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

    A medida é importante porque permite ao ministério executar ações emergenciais antes mesmo da aprovação da MP, queocorrer em até 120 dias. Se aprovada, a verba continua disponível até o fim do ano; se não for, perde validade após esse prazo.

    Aplicações possíveis

    Segundo o Siop (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento), os recursos podem ser destinados a:

    • campanhas de conscientização;
    • capacitação de grupos sociais e servidores;
    • combate ao racismo religioso;
    • fortalecimento de ouvidorias e programas de proteção à vida;
    • conferências e estudos sobre direitos humanos.

    A MP não detalha as ações específicas que serão executadas, mas abre margem para uma série de políticas em áreas sensíveis.