Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • “Não quero fazer opção entre Estados Unidos ou China”, diz Lula

    “Não quero fazer opção entre Estados Unidos ou China”, diz Lula

    Após se reunir em Brasília com o presidente do Chile, Gabriel Boric, o presidente Lula voltou a criticar o protecionismo e a guerra comercial instaurados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China e demais países vistos como concorrentes. O chefe de Estado brasileiro afirmou que não deseja escolher com quem manter parcerias e que espera preservar acordos com os dois lados.

    “Eu quero ter relações com os Estados Unidos e quero ter relações com a China. Eu não quero ter preferência por um ou outro. Quem tem que ter preferência são os meus empresários, que querem negociar com os seus empresários. Mas eu, não. Eu quero negociar com todo mundo”, disse Lula.

    Na presença de Gabriel Boric, Lula ressaltou contrariedade à

    Na presença de Gabriel Boric, Lula ressaltou contrariedade à “guerra fria” entre Estados Unidos e China.Ton Molina /Fotoarena/Folhapress

    Lula destacou que nem ele nem Boric desejam uma guerra fria entre Estados Unidos e China, e que o protecionismo adotado por Trump é “contrário a tudo o que foi falado para nós desde os anos 1980”, por romper com os valores vigentes de livre comércio e globalização.

    Pressão mútua

    O pronunciamento ocorreu em um momento de pressão mútua entre Estados Unidos e China para que seus parceiros se posicionem na guerra comercial.

    Desde antes da posse, Trump tenta deixar claro que o alinhamento comercial com a China resultará em retaliações tarifárias aos respectivos países, citando o próprio bloco dos Brics como exemplo, anunciando a implementação de barreiras caso avançassem com o projeto de moeda comum.

    Essa abordagem foi reforçada por Washington na última quinta-feira (17), quando o governo americano informou à imprensa que tentaria utilizar os acordos bilaterais com países que buscam escapar das tarifas de importação para restringir o consumo de produtos chineses.

    Em resposta, o Ministério do Comércio da China anunciou nesta segunda-feira (22) que se opõe à iniciativa de qualquer parte que “firmar acordos às custas dos interesses chineses” e que adotará contramedidas contra aqueles que assim procederem.

  • STF torna réus seis acusados de compor “núcleo 2” da tentativa de golpe

    STF torna réus seis acusados de compor “núcleo 2” da tentativa de golpe

    Primeira Turma do STF julga denúncia sobre o núcleo 2.

    Primeira Turma do STF julga denúncia sobre o núcleo 2.Antonio Augusto/STF

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu, nesta terça-feira (22), a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra seis investigados no chamado “núcleo 2” da tentativa de golpe de Estado supostamente articulada no fim do governo Jair Bolsonaro. Com a decisão, os denunciados passam à condição de réus e responderão à ação penal no STF.

    Entre os acusados estão Filipe Martins e Marcelo Câmara, ambos ex-assessores de Bolsonaro; Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal; o general Mário Fernandes; e os ex-diretores do Ministério da Justiça Marília de Alencar e Fernando de Sousa Oliveira, ligados ao então ministro Anderson Torres, já denunciado e tornado réu em ação anterior.

    Leia também: Veja quem são os denunciados no “núcleo 2” da tentativa de golpe

    Segundo a PGR, o grupo teria atuado para dar sustentação a uma tentativa de permanência ilegítima de Bolsonaro na Presidência da República após as eleições de 2022.

    As investigações apontam envolvimento dos réus na elaboração de uma minuta de decreto de estado de defesa, que buscava embasar juridicamente a contestação do resultado eleitoral, além de ações para monitorar autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes, e restringir o deslocamento de eleitores, especialmente no Nordeste, por meio de operações da PRF no segundo turno das eleições.

    Os agora réus são acusados de cinco crimes:

    • Organização criminosa armada (pena de 3 a 8 anos);
    • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (4 a 8 anos);
    • Golpe de Estado (4 a 12 anos);
    • Dano qualificado pela violência e grave ameaça (6 meses a 3 anos);
    • Deterioração de patrimônio tombado (1 a 3 anos).

    A soma das penas pode ultrapassar 30 anos de prisão.

    A denúncia foi analisada pela Primeira Turma da Corte, composta pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux. A decisão foi unânime.

    Em março, o STF já havia aceitado a denúncia contra integrantes do chamado núcleo 1, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda estão pendentes de análise outras três denúncias relacionadas à tentativa de golpe.

  • Congresso retoma rito e instala três comissões para analisar MPs

    Congresso retoma rito e instala três comissões para analisar MPs

    O Congresso Nacional instala nesta quarta-feira (23) três comissões mistas responsáveis pela análise de medidas provisórias (MPs). A instalação dos colegiados marca a retomada do rito usual para a tramitação das MPs, encerrando um impasse entre Câmara e Senado nos últimos anos.

    Câmara e Senado vão retomar o rito usual para a tramitação de medidas provisórias, com a instalação de comissões especiais.

    Câmara e Senado vão retomar o rito usual para a tramitação de medidas provisórias, com a instalação de comissões especiais.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Os colegiados terão 13 deputados e 13 senadores cada e serão instalados a partir das 15h. A expectativa é de que também sejam eleitos os presidentes e vice-presidentes das comissões.

    • Uma das comissões analisará a MP que cria uma nova linha de crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada (leia a íntegra aqui). A proposta, editada em março pelo governo Lula (PT), permite que formais, domésticos, rurais e microempreendedores individuais usem a Carteira de Trabalho Digital para contratar empréstimos com taxas reduzidas.
    • Outro colegiado discutirá a MP que prevê reajuste de 9% para integrantes das Forças Armadas, escalonado entre 2025 e 2026 (íntegra). O aumento leva os vencimentos das patentes mais altas a R$ 14.711, enquanto os menores salários sobem para R$ 1.177.
    • A terceira comissão vai avaliar a ampliação do uso de recursos do Fundo Social do pré-sal (íntegra). Atualmente, os valores são destinados a áreas como educação, cultura e meio ambiente. Com a nova MP, o fundo poderá financiar também projetos de habitação popular, infraestrutura social e ações emergenciais.

    A volta das comissões mistas põe fim a um impasse iniciado durante a pandemia, quando as MPs passaram a ser votadas diretamente em plenário, sem análise prévia dos colegiados. Divergências entre os ex-presidentes Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) mantiveram a paralisação até agora. O novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articulou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a retomada do rito constitucional.

  • Associação lança Gasto Brasil para monitorar despesas públicas

    Associação lança Gasto Brasil para monitorar despesas públicas

    Painel com os dados de impostos pagos pelos contribuintes brasileiros.

    Painel com os dados de impostos pagos pelos contribuintes brasileiros.Divulgação/ACSP

    A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) lançou nesta quarta-feira (23) a plataforma Gasto Brasil, que permite acompanhar em tempo real os gastos públicos da União, Estados e municípios. A ferramenta foi apresentada durante o evento que marcou os 20 anos do Impostômetro, painel eletrônico instalado no centro histórico de São Paulo que exibe a arrecadação de tributos no país desde 2005.

    O Gasto Brasil se propõe a complementar o Impostômetro, ampliando a transparência ao mostrar como os recursos arrecadados são utilizados. A nova plataforma permite a consulta por tipo de despesa, região geográfica e nível de governo. Estão incluídos, por exemplo, dados sobre benefícios previdenciários, programas de transferência de renda como o Bolsa Família e créditos extraordinários.

    De acordo com a ACSP, a metodologia utilizada no Gasto Brasil incorpora, além das despesas do Tesouro Nacional, os gastos do Banco Central, o que, segundo a entidade, torna a ferramenta mais abrangente. Os dados são atualizados com base em informações públicas disponibilizadas pelo governo federal.

    Durante a cerimônia de lançamento, também foi divulgado um estudo que analisa os 20 anos de arrecadação tributária no país. Desde a sua criação, o Impostômetro já registrou cerca de R$ 40 trilhões em impostos pagos pela população. Em 2025, o painel atingiu a marca de R$ 1 trilhão arrecadado no dia 30 de março – cinco dias antes do que no ano anterior. Em 2024, a arrecadação total chegou a R$ 3,6 trilhões, a maior desde o início da série histórica.

    A nova ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e conta com o apoio do governo estadual de São Paulo.

  • Governo cria prova nacional obrigatória para formação de médicos

    Governo cria prova nacional obrigatória para formação de médicos

    O Ministério da Educação instituiu oficialmente, por meio de portaria publicada nesta quinta-feira (24) no Diário Oficial da União, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A nova prova será obrigatória para todos os estudantes concluintes de cursos de Medicina e tem como objetivo avaliar o desempenho acadêmico e a adequação da formação médica às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Primeira edição do Enamed deve reuniua aproximadamente 42 mil candidatos, incluindo estudantes e médicos já formados, segundo o Ministério da Educação.

    Primeira edição do Enamed deve reuniua aproximadamente 42 mil candidatos, incluindo estudantes e médicos já formados, segundo o Ministério da Educação.Parentingupstream (via Pixabay)

    Com aplicação anual e descentralizada, o Enamed funcionará como uma modalidade específica do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) voltada exclusivamente aos cursos de Medicina. A prova será realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e não terá cobrança de taxa de inscrição para os concluintes.

    Como vai funcionar

    Além de aferir conhecimentos, habilidades e competências essenciais para o exercício profissional, os resultados do Enamed também poderão ser aproveitados por quem deseja concorrer a uma vaga no Exame Nacional de Residência (Enare), voltado a especialidades de acesso direto. Para esse fim, os candidatos deverão seguir os editais específicos do Inep e da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), com inscrição separada e pagamento de taxa.

    Segundo o MEC, a primeira edição do Enamed está prevista ainda para 2025, com aplicação em cerca de 200 municípios e expectativa de participação de aproximadamente 42 mil candidatos, incluindo estudantes e médicos já formados. A prova deve conter 100 questões de múltipla escolha abordando áreas como clínica médica, cirurgia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, saúde coletiva, medicina da família e saúde mental.

    A pasta também informou que uma segunda etapa do exame está em desenvolvimento, voltada a alunos que ainda não concluíram a graduação. Contudo, não há previsão de data para sua implementação.

    O Inep será responsável por emitir os boletins individuais de resultados, bem como relatórios gerais para subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à formação médica no país.

  • Veja quem vai com Lula ao funeral do papa Francisco

    Veja quem vai com Lula ao funeral do papa Francisco

    O corpo do Papa Francisco é velado em um caixão na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

    O corpo do Papa Francisco é velado em um caixão na Basílica de São Pedro, no Vaticano.Cecilia Fabiano/LaPresse/DiaEsportivo/Folhapress

    O Palácio do Planalto divulgou, nesta quinta-feira (24), a lista de autoridades que acompanharão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no funeral do papa Francisco, marcado para o sábado (26), na Itália. O chefe do Executivo embarca ainda nesta quinta em avião da Força Aérea Brasileira (FAB), acompanhado da primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), e de outras autoridades dos Três Poderes.

    Entre os integrantes da comitiva estão os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso; do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Também participam os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Ricardo Lewandowski (Justiça), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos).

    O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, integra a delegação, ao lado de senadores e deputados de diferentes partidos.

    O papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, morreu na segunda-feira (21), aos 88 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral e apresentar quadro de insuficiência cardíaca, segundo informações divulgadas pelo Vaticano.

    Confira a lista completa da comitiva:

    • Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)
    • Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores
    • Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública
    • Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
    • Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e Cidadania
    • Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado Federal
    • Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados
    • Renan Calheiros (MDB-AL), senador
    • Leila Barros (PDT-DF), senadora
    • Soraya Thronicke (Podemos-MS), senadora
    • Luis Tibé (Avante-MG), deputado federal
    • Odair Cunha (PT-MG), deputado federal
    • Padre João (PT-MG), deputado federal
    • Reimont (PT-RJ), deputado federal
    • Luiz Gastão (PSD-CE), deputado federal
    • Dagoberto Nogueira (PSDB-MS), deputado federal
    • Professora Goreth (PDT-AP), deputada federal
    • Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente
  • Parlamentares repercutem prisão de Fernando Collor nas redes

    Parlamentares repercutem prisão de Fernando Collor nas redes

    A decisão de Alexandre de Moraes que determinou a prisão do ex-presidente Fernando Collor teve repercussão entre parlamentares nas redes sociais. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou recursos da defesa e decidiu pela prisão de Collor na noite de quinta-feira (24). O ex-presidente foi preso na madrugada desta sexta (25), em Maceió (AL).

    O assunto foi comentado por parlamentares nas redes sociais. Políticos ligados à esquerda comemoraram o acontecimento e manifestaram o desejo de que o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no STF, seja o próximo. No lado da direita, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) lembrou que Lula também respondeu a acusações na Operação Lava Jato: Eu lembro de outros que foram condenados na Lava Jato. Moraes vai mandar prender também?.

    Os deputados André Janones (Avante-MG) e Nikolas Ferreira (PL-MG) se manifestaram a respeito da prisão de Collor.

    Os deputados André Janones (Avante-MG) e Nikolas Ferreira (PL-MG) se manifestaram a respeito da prisão de Collor.Billy Boss/Câmara dos Deputados e Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Leia abaixo as manifestações de parlamentares na rede social X.

  • Quem é Ricardo Abrão, que assume vaga de Brazão na Câmara

    Quem é Ricardo Abrão, que assume vaga de Brazão na Câmara

    Acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereador Marielle Franco, em 2018, o deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) teve seu mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados na noite de quinta-feira (24). A cassação, após mais de um ano da prisão preventiva do ex-parlamentar, aconteceu em razão do número de faltas. Com isso, Ricardo Abrão (União Brasil-RJ), primeiro suplente do partido no Rio de Janeiro, assume a cadeira na Casa.

    Deputado Ricardo Abrão

    Deputado Ricardo AbrãoZeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    Ex-deputado estadual do Rio de Janeiro com dois mandatos, Ricardo Abrão recebeu 43.219 votos nas eleições de 2022 e garantiu a primeira suplência do União Brasil. Ao longo desta legislatura, exerceu o cargo de deputado federal por três vezes. De 3 de fevereiro de 2023 até 17 de julho do mesmo ano, reassumiu em 3 de outubro de 2023 e continuou até 21 de novembro. Por fim, a última passagem se deu de 23 de dezembro de 2023 até 1º de fevereiro de 2024.

    Durante seu mandato, foi autor de oito projetos de lei. Uma das proposições de Ricardo determina a obrigatoriedade de contratação de jovens aprendizes pelas prefeituras municipais. A matéria foi apensada, isto é, anexada a outro projeto mais antigo que dispõe sobre o mesmo tema. Atualmente, o texto aguarda a criação de uma comissão temporária.

    Filho de Farid Abrão David, ex-prefeito de Nilópolis, Ricardo foi presidente da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis de 2017 a 2021. O deputado também é sobrinho de Anísio Abraão David, preso pela Polícia Federal por envolvimento com jogo do bicho.

    Cassação

    O ato de cassação se baseia no artigo 55 da Constituição Federal, que determina a perda de mandato de parlamentares que faltarem a mais de um terço das sessões ordinárias sem justificativa válida, como licença médica ou missão oficial. Em 2024, Brazão acumulou 73 faltas não justificadas contra apenas 12 presenças, além de duas ausências justificadas. Mesmo após a prisão, ele não se afastou formalmente do mandato, o que levou ao acúmulo das faltas.

    Embora o deputado fosse alvo de um processo de cassação por quebra de decoro parlamentar, aprovado no Conselho de Ética e com recurso rejeitado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o caso jamais foi pautado para votação no plenário, o que teria exigido maioria absoluta (257 votos). Com a decisão da Mesa, esse processo será arquivado, já que perdeu o objeto.

  • Projeto na Câmara cria política de proteção a pessoas com Tourette

    Projeto na Câmara cria política de proteção a pessoas com Tourette

    A deputada Delegada Katarina (PSD-SE) apresentou o Projeto de Lei 1376/25, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Síndrome de Tourette. O projeto visa a estimular o diagnóstico precoce da síndrome e propõe medidas para garantir o acesso a tratamentos adequados, além de promover a inclusão social no mercado de trabalho e no ambiente escolar.

    A Síndrome de Tourette, um transtorno neuropsiquiátrico caracterizado por tiques motores e vocais involuntários que se manifestam antes dos 18 anos, afeta cerca de 1% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

    A deputada Delegada Katarina (PSD-SE) é a autora do projeto.

    A deputada Delegada Katarina (PSD-SE) é a autora do projeto.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    O projeto de lei recebeu o nome “Nicolas Matias”, em homenagem a uma criança de Belém do Pará que utiliza as redes sociais para disseminar informações e conscientizar a população sobre a Síndrome de Tourette. “A atuação de Nicolas tem sido fundamental para levar informação e combater o preconceito em relação à condição, demonstrando a importância da representatividade e da conscientização na sociedade”, afirmou a deputada Delegada Katarina.

    A proposta considera a pessoa com Síndrome de Tourette como pessoa com deficiência nos casos em que os sintomas afetem significativamente sua funcionalidade e participação social, mediante avaliação biopsicossocial. A política a ser implementada buscará assegurar a atenção integral às necessidades de saúde, com foco no diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional e acesso a tratamentos médicos e terapias complementares.

    Além disso, o projeto prevê ações educativas e de conscientização para profissionais da saúde e para a população em geral, com o intuito de combater o preconceito e a desinformação. Também busca incentivar a pesquisa científica sobre a síndrome para aprimorar o conhecimento e a eficácia dos tratamentos.

    O projeto tramitará em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

  • No encontro do Brics, Brasil defende fim de guerras e tensões

    No encontro do Brics, Brasil defende fim de guerras e tensões

    O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu nesta segunda-feira (28) que os países do Brics atuem diplomaticamente para buscar soluções para conflitos regionais e guerras. A declaração foi feita na abertura do encontro de ministros de Relações Exteriores do grupo, que reúne 11 países emergentes e em desenvolvimento, no Rio de Janeiro.

    Entre os presentes estava Sergey Lavrov, chanceler da Rússia, país envolvido na guerra com a Ucrânia desde fevereiro de 2022. No discurso, Vieira evitou citar a Rússia diretamente, mas afirmou que o conflito na Ucrânia continua a causar pesado impacto humanitário, ressaltando a necessidade urgente de uma solução diplomática que defenda os princípios e os propósitos da Carta das Nações Unidas.

    O chanceler brasileiro também recordou a iniciativa conjunta entre Brasil e China, em setembro de 2023, para a criação do Grupo de Amigos da Paz, reunindo países do Sul Global com o objetivo de promover negociações para o fim do conflito. “Permanecemos comprometidos em continuar trabalhando pela paz e por uma solução política para o conflito”, reforçou Vieira.

    O Ministro Mauro Vieira abre a primeira sessão da Reunião de Chanceleres do Brics.

    O Ministro Mauro Vieira abre a primeira sessão da Reunião de Chanceleres do Brics.Letícia Clemente/Ministério das Relações Exteriores

    Multilateralismo e reforma da ONU

    Em sua fala, Mauro Vieira destacou que o encontro dos chanceleres ocorre em um momento de múltiplas crises globais e regionais, com emergências humanitárias, instabilidade política e a erosão do multilateralismo. “Com onze estados-membros representando quase metade da humanidade, o Brics está em uma posição única para promover a paz e a estabilidade baseadas no diálogo, no desenvolvimento e na cooperação multilateral”, afirmou.

    O ministro também enfatizou a defesa do multilateralismo pelo Brics e criticou, ainda que de forma implícita, as políticas protecionistas, numa referência indireta aos Estados Unidos. Segundo Vieira, o Brics reconhece os interesses estratégicos e os legítimos interesses econômicos e de segurança de cada membro, e que a paz deve ser construída, não imposta.

    Durante a presidência brasileira no Brics, o governo tem priorizado temas como a cooperação do Sul Global e a defesa de mudanças na governança internacional. Vieira reiterou o compromisso do Brasil com a reforma e ampliação do Conselho de Segurança da ONU, para “melhor refletir as realidades geopolíticas contemporâneas”.

    Conflito em Gaza e outras crises

    Vieira também abordou outros conflitos, como a situação humanitária em Gaza. Criticou os bombardeios israelenses e o bloqueio à ajuda humanitária, afirmando que “o colapso do cessar-fogo anunciado em 15 de janeiro é deplorável” e defendeu a solução de dois Estados, com uma Palestina independente e Jerusalém Oriental como capital.

    O ministro mencionou ainda a crise no Haiti e tensões no Sudão, na região dos Grandes Lagos e no Chifre da África, defendendo que o acesso humanitário em zonas de conflito deve ser “incondicional e imparcial”.

    Encerrando seu discurso, Mauro Vieira disse que o Brics deve atuar como uma força para o bem, “não como um bloco de confronto, mas como uma coalizão de cooperação”, liderando pelo exemplo em defesa de um mundo multipolar.

    Entenda o Brics

    O Brics é um foro de articulação política formado atualmente por 11 países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Fundado em 2006, o grupo visa fortalecer a cooperação entre países em desenvolvimento.

    Com cerca de 48,5% da população mundial e 39% da economia global, o bloco tem papel relevante em temas energéticos e tecnológicos, controlando 43,6% da produção mundial de petróleo e 72% das reservas de terras raras.

    A presidência rotativa do Brics em 2024 está a cargo do Brasil, que será sucedido pela Índia em 2026. O ponto alto da presidência brasileira será a cúpula de chefes de Estado nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.

    Ainda nesta segunda-feira, Mauro Vieira manteve reuniões bilaterais com representantes da Indonésia, Rússia, China, Etiópia, Tailândia, Nigéria e Cuba, que participam do encontro com status de países-parceiros.