Categoria: SAÚDE GOV

  • Ministro da Saúde anuncia fortalecimento de parcerias para produção nacional de vacinas com RNA mensageiro

    O Brasil vive uma oportunidade histórica de se consolidar como protagonista global na produção científica, tecnológica e industrial no campo da saúde. Durante a Plenária do Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Geceis), nesta quinta-feira (29), em Brasília, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou o fortalecimento de parcerias com instituições de excelência para desenvolvimento de tecnologias de ponta.  Ele declarou que a Fiocruz e o Instituto Butantan – para os quais estão destinados R$ 150 milhões do Novo PAC Saúde –  e a Embrapii – que contará com R$ 60 milhões para a criação de centros de competência – vão atuar em parceria com a Pasta para viabilizar a produção nacional de vacinas com RNA mensageiro (mRNA). Uma das maiores inovações da biomedicina, essas vacinas serão utilizadas para tratar doenças como covid-19, leishmaniose, câncer, influenza, Zika, chikungunya e doenças respiratórias causadas por vírus sincicial respiratório. 

    As vacinas produzidas com base no RNA Mensageiro preparam o corpo humano, dando instruções ao sistema imunológico sobre como combater um vírus específico.  No caso da covid-19, por exemplo, elas ensinam a combater o coronavírus, simulando o mesmo processo de exposição ao vírus sem causar a doença. “Hoje, estamos garantindo todos os investimentos necessários para que o Instituto Butantan e a Fiocruz possam avançar com a implantação da plataforma de produção de vacinas com tecnologia que utiliza o RNA mensageiro. Estamos completando o que falta para que o Brasil tenha o protagonismo dessa tecnologia estratégica para a saúde pública”, afirmou. 

    Quanto à Embrapii, Padilha disse que a iniciativa para a construção de núcleos de excelência para mRNA e Insumos Farmacêuticos Ativos (IFA)  vai ajudar o Brasil a identificar os melhores patógenos e projetos para que o país seja uma referência mundial nessa área. “A gente pode atrair pesquisadores para participarem em rede e colaborarem com a saúde, mesmo que remotamente, além de envolver, sobretudo, o marco regulatório da pesquisa clínica para atrair investimentos”, afirmou. 

    Os dois centros de competência visam gerar conhecimento, formar recursos humanos altamente qualificados e fortalecer a capacidade nacional em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I): um será voltado para a plataforma de mRNA e outro para tecnologias relacionadas a IFA baseados na biodiversidade brasileira. Esses núcleos de excelência vão atuar como polos de articulação com agências de fomento e fundações estaduais, ampliando o impacto nacional da iniciativa. 

    Medicamentos essenciais para tratar doenças raras e produtos inovadores em saúde

    Na ocasião, Alexandre Padilha também assinou duas portarias que autorizam 29 projetos para ampliar a capacidade de produção local de medicamentos e o desenvolvimento de novas tecnologias para vacinas, testes, equipamentos médicos e saúde digital. As propostas foram selecionadas por meio do programa de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (Pdil). 

    Entre os 29 projetos selecionados, sete são referentes a novas PDPs, que vão movimentar cerca de R$ 2 bilhões ao ano para a produção local de medicamentos essenciais para tratar doenças raras, como esclerose múltipla, fibrose cística e atrofia muscular espinhal (AME)

    Para a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (SECTICS), Fernanda De Negri, é muito importante que o Brasil tenha competência para produzir medicamentos e vacinas. “Nós vimos, no caso da covid-19, que a dependência em relação a produtos de outros lugares nos deixa mais vulneráveis. Então, é importante a gente ter essa competência tecnológica para produzir, desenvolver medicamentos, vacinas e produtos de saúde. Isso também ajuda a alavancar o desenvolvimento do país, pois o setor de saúde tem peso na economia brasileira, que investe muito em inovação e gera mais renda e acesso à saúde para a população brasileira”, destacou.

    Já os outros 22 projetos do Pdil envolvem investimentos de aproximadamente R$ 378 milhões para o desenvolvimento de produtos inovadores nas áreas de saúde digital, vacina, equipamentos médicos e testes diagnósticos. Desse total, mais de R$ 99 milhões são voltados a oito iniciativas em saúde digital, que vão contribuir para a modernização do Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo que a rede pública de saúde chegue a lugares mais remotos, assistindo populações mais vulneráveis. 

    Entre os projetos, destaca-se o desenvolvimento de um ultrassom point-of-care (POC), que permitirá a realização de exames diretamente nos locais de atendimento, como blocos cirúrgicos e unidades de saúde. Além disso, uma nova tecnologia de xenotransplante será desenvolvido para ampliar a disponibilidade de órgãos. O objetivo é reduzir as filas no Sistema Nacional de Transplantes (SNT)

    Destaca-se, ainda, o desenvolvimento de um teste de ácido nucleico (NAT) que intensifica a segurança transfusional – de sangue ou seus complementos -, possibilitando a detecção de vírus e bactérias, inclusive no período de janela imunológica (antes de o portador da doença desenvolver anticorpos). A iniciativa visa ampliar a segurança do doador, do receptor e do profissional que realiza o procedimento. 

    Brasil protagonista em saúde e inovação 

    Em 2023, o governo federal lançou a Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, a fim de garantir que o SUS produza insumos farmacêuticos, medicamentos, vacinas, dispositivos médicos e outras tecnologias em saúde de modo sustentável. Busca-se, assim, reduzir a vulnerabilidade do país diante de oscilações e crises do mercado internacional. 

    O objetivo é inserir o Brasil na vanguarda da pesquisa em saúde e, para isso, o Geceis atua como espaço de articulação governamental e formulação de medidas e ações para fortalecer a produção e a inovação a fim de atender as prioridades do SUS. A iniciativa reúne 11 ministérios, nove órgãos públicos, sociedade civil e setor produtivo. Entre as principais iniciativas alinhadas à Estratégia, estão a Nova Indústria Brasil (NIB), o Novo PAC Saúde e os investimentos do BNDES e da FINEP voltados ao fortalecimento do Complexo. 

    Taís Nascimento
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde atualiza projetos referenciados para construção de CAPS na saúde mental

    Ministério da Saúde atualiza projetos referenciados para construção de CAPS na saúde mental

    Os novos Projetos Referenciados dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), abrangendo os modelos de Porte I, II e III, feito pelo Ministério da Saúde já está disponível. O objetivo do projeto é servir como referência para que os entes possam agilizar os processos de licitação e entregar equipamentos públicos de saúde em consonância com as políticas públicas de saúde mental. O projeto atualizado pode ser usado pelos entes subnacionais para obras apoiadas no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) ou financiadas com recursos próprios. 

    Os CAPS estão mais acessíveis e funcionais, reforçando o papel deles como referência no cuidado em saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS). O novo projeto apresenta melhorias para as instalações prediais, incluindo ambientes mais acolhedores para os CAPS de porte III, que funcionam 24 horas com oferta de acolhimento noturno. São serviços estratégicos no cuidado de pessoas em sofrimento psíquico intenso, decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, uso abusivo de álcool e outras drogas, e demais condições que impactam a autonomia e os vínculos sociais. 

    A atualização do projeto referenciado para os CAPS visa estimular a criação de espaços de convívio, vistos como fundamentais na criação de laços entre os profissionais de saúde e as pessoas usuárias. A ação intensifica a relação terapêutica, o acolhimento e a independência na utilização dos espaços de assistência. São espaços mais acolhedores para as pessoas que participam do cotidiano dos Centros de Atenção Psicossocial, facultando o desenvolvimento de atividades terapêuticas individuais e coletivas e promovendo maior integração entre pessoas e ambientes. 

    A premissa é fomentar o cuidado em liberdade, diverso, inclusivo e participativo para toda a população brasileira com necessidades de saúde mental. A iniciativa visa aprimorar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), fortalecendo a política de saúde mental no país com diretrizes atualizadas para cada modalidade de atendimento. 

    Com esse lançamento, o Ministério da Saúde reforça seu compromisso com uma política pública de saúde mental mais eficaz, territorializada, humanizada e centrada na recuperação da autonomia e da dignidade dos usuários.

    Os projetos arquitetônicos de CAPS do Ministério da Saúde anteriores a 2025 permanecem válidos no Ministério da Saúde para as obras selecionadas em 2023/2024 por meio do PAC-Seleções. Ou seja, os entes já selecionados com obras podem continuar a utilizar os projetos referenciais antigos no Novo PAC. Para os casos em que o gestor não tenha licitado a obra, o Ministério da Saúde sugere que se utilizem os novos projetos referenciais.

    Da seleção do ano passado, está prevista a construção de 200 novas unidades e para a seleção de 2025 a expectativa é de mais 100 unidades. O Novo PAC Saúde integra um conjunto de ações estratégicas para qualificar e expandir os serviços do SUS, reafirmando o compromisso do governo com a melhoria do atendimento e a promoção da equidade no acesso à saúde no Brasil.

    Confira o que cada porte contempla: 

    CAPS I: Indicado para municípios ou regiões com população acima de 15 mil habitantes, atende pessoas de todas as idades com intenso sofrimento psíquico, promovendo cuidado contínuo, reinserção social e apoio psicossocial, inclusive para aqueles com uso prejudicial de substâncias psicoativas.

    CAPS II: Voltado a municípios com mais de 70 mil habitantes, mantém o foco no atendimento diário a pessoas com transtornos mentais severos e persistentes, inclusive com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, garantindo uma estrutura mais robusta para regiões com maior demanda.

    CAPS III: Indicado para regiões com alta complexidade em saúde mental, oferece atendimento intensivo e contínuo, funcionando 24 horas por dia, inclusive com acolhimento noturno e permanência breve, voltado a pessoas em grave sofrimento psíquico.

  • Edital do Ministério da Saúde destinará R$ 6 milhões a eventos técnico-científicos

    Edital do Ministério da Saúde destinará R$ 6 milhões a eventos técnico-científicos

    O Ministério da Saúde lançou, no dia 19/05, a Chamada de Apoio a Eventos Técnico-Científicos, com investimento de R$ 6 milhões. O objetivo da iniciativa é fomentar a realização de encontros entre pesquisadores, gestores e sociedade, para que os resultados de pesquisas contribuam diretamente para a tomada de decisões e o aprimoramento do Sistema Único de Saúde (SUS).

    A ação busca também promover ações de educação, popularização e divulgação científica, estimulando o uso prático das evidências produzidas, por meio de eventos na área de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde. Os valores são de até R$ 100 mil para eventos de pequeno porte, de até R$ 150 mil para os de médio porte e de até R$ 250 mil para os de grande porte. As atividades devem ocorrer entre 1º de março de 2026 e 28 de fevereiro de 2027. 

    Para saber os detalhes sobre a submissão de projetos, os interessados devem acessar o edital da Chamada Pública Nº 008/2025 Apoio a Eventos Técnico-Científicos em Saúde. 

    Novos critérios

    Uma novidade de 2025 é a avaliação das propostas em duas fases: a primeira pelo Comitê de Mérito Técnico-Científico; e a segunda pelo Comitê de Relevância Social. Isso permitirá que os pesquisadores recorram dos resultados preliminares ainda na primeira etapa — uma mudança em relação ao edital anterior, que previa recurso somente no resultado final.

    Vicente Ramos
    Ministério da Saúde

  • Para cada R$ 1 de lucro da indústria do tabaco, Brasil gasta cinco vezes mais com doenças relacionadas ao tabaco

    Para cada R$ 1 de lucro da indústria do tabaco, Brasil gasta cinco vezes mais com doenças relacionadas ao tabaco

    Para cada R$ 1 de lucro da indústria do tabaco, o Governo Federal gasta R$ 5 com doenças causadas pelo fumo. Referência internacional em políticas públicas de controle do tabaco e tratamento contra o tabagismo, o Ministério da Saúde apresentou esses dados que compõem o estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) “A Conta que a Indústria do Tabaco Não Conta”, divulgado nesta quarta-feira (28). Promovido pela pasta, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Brasília, o evento marcou o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado oficialmente em 31 de maio.

    A pasta também lançou a campanha nacional “Sem Cigarro, Mais Vida”, que visa conscientizar a população, especialmente os jovens, sobre os riscos que os cigarros trazem para a saúde, com foco nos dispositivos eletrônicos e aditivos.  

    “Esse é um desafio para toda a sociedade brasileira. Precisamos sensibilizar cada vez mais a população de que o cigarro continua sendo extremamente nocivo. Ele faz mal à saúde, sobrecarrega o sistema público de saúde e impacta negativamente a economia, já que o adoecimento reduz a capacidade de trabalho e leva à ausência no emprego. Isso afeta diretamente a vida das pessoas e das famílias. Por isso, combater o uso do cigarro é uma responsabilidade coletiva”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    O evento também chamou a atenção para os impactos causados pelo uso de produtos derivados do tabaco e reforça as ações do Ministério da Saúde para proteger a saúde da população. Uma delas é o atendimento voltado à cessação do tabagismo, que teve crescimento expressivo, segundo dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab).

    Entre 2022 e 2024, as terapias com abordagem cognitivo-comportamental prestadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) saltaram de 42,3 mil para 83 mil atendimentos, um aumento de 96,4%; a participação dos usuários da rede pública de saúde em atividades coletivas passou de 124 mil para 266 mil (+114%); as visitas domiciliares, de 1,28 milhão para 2,25 milhões (+75%); e as consultas clínicas, de 13,6 milhões para 14,4 milhões (+5,6%). Esses resultados refletem o fortalecimento das ações de prevenção e tratamento ofertadas pelo Ministério da Saúde na Atenção Primária à Saúde, com foco no cuidado humanizado, apoio psicológico e orientação clínica.

    Recentemente, os avanços do Brasil no controle da epidemia do tabagismo ganharam reconhecimento internacional na 78ª Assembleia Mundial da Saúde (AMS/OMS), realizada em Genebra, neste mês. O reconhecimento foi conferido aos Ministérios da Saúde e da Fazenda, com destaque para a inclusão na Reforma Tributária dos impostos saudáveis, aqueles que incidem sobre produtos não saudáveis, a exemplo do tabaco.

    “A tributação elevada salva vidas. Aumentar o preço do cigarro reduz o consumo, especialmente entre os mais jovens — e não há qualquer relação entre isso e o aumento do contrabando” esclareceu Padilha. Para finalizar, o ministro lembrou que o Brasil é referência global no combate ao tabaco. “Somos um dos poucos países que conseguiram reduzir drasticamente o consumo com políticas públicas firmes e coragem para enfrentar a indústria”, disse o ministro da Saúde”, disse.

    Lucro de cigarros legais x mortes

    Segundo o estudo, publicado na forma de artigo, em 2019, cada R$ 0,156 milhão de lucro de empresas de tabaco estabelecidas no Brasil com a venda de cigarros legais foi equivalente a uma morte por doenças cardíacas isquêmicas, AVC, DPOC ou câncer de pulmão atribuível ao tabagismo.

    O custo direto médio e o custo total médio (direto e indireto) equivalentes a uma morte pelas doenças selecionadas foram estimados em R$ 0,361 milhão e R$ 0,796 milhão, respectivamente. Ao combinar essas duas equivalências, obtém-se que, para cada R$ 1 lucro obtido pela indústria do tabaco, o Brasil gasta 2,3 vezes esse valor com custo direto do tratamento de doenças relacionadas ao tabaco e 5,1 vezes esse valor com o custo total (direto e indireto) dessas doenças.

    “É fundamental mensurar o impacto da comercialização dos produtos da indústria do tabaco sobre os custos atuais para a sociedade brasileira para buscar sua responsabilização e ressarcimentos. Uma parcela do lucro obtida com essa venda pode ser usada pela indústria do tabaco em ações de estímulo à iniciação de jovens e crianças no tabagismo, a fim de repor os usuários atuais que vão adoecer ou falecer. Isso, por sua vez, também vai gerar custos futuros”, afirma o epidemiologista e pesquisador do Inca André Szklo, um dos autores do estudo. 

    Custos com danos provocados pelo tabagismo

    Outro dado do Inca, não relacionado ao estudo, aponta que o Brasil gasta R$ 153,5 bilhões por ano com os danos provocados pelo tabagismo, somando custos com tratamento médico e perdas econômicas por morte prematura, incapacidades e cuidados informais. Esse valor equivale a 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A arrecadação de impostos federais com o setor alcançou R$ 8 bilhões em 2022, o que cobre apenas 5,2% dos custos totais causados pelo tabagismo ao país. 

    Desse total, R$ 67,2 bilhões são gastos diretamente com tratamento de doenças relacionadas ao tabaco, como câncer, doenças cardíacas, respiratórias e AVC. Já os custos indiretos — como perda de produtividade e afastamentos do trabalho — somam R$ 86,3 bilhões. 

    Segundo o Inca, o tabagismo é responsável por 477 mortes por dia no Brasil, o que representa 174 mil óbitos evitáveis por ano. Entre as principais causas estão a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), doenças cardíacas, diversos tipos de câncer, AVC, diabetes tipo 2 e fumo passivo, que sozinho responde por cerca de 20 mil mortes anuais. 

    Alerta sobre os cigarros eletrônicos

    Apesar de proibidos no Brasil desde 2009, os dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) seguem atraindo adolescentes e jovens por meio de estratégias de marketing e apelo tecnológico, aponta a Organização Mundial de Saúde (OMS). Esses produtos, também conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes, estão no centro da campanha de 2025 do Ministério da Saúde.

    Segundo a última Pesquisa Vigitel – inquérito telefônico realizado pelo Ministério da Saúde em todas as capitais brasileiras -, 2,1% da população adulta usou cigarros eletrônicos em 2023. Contudo, a maior prevalência está entre os jovens de 18 a 24 anos, que respondem por 6,1% dos entrevistados. Por isso, o foco da campanha do Ministério da Saúde é direcionado a esse público.

    Em 2024, a Anvisa reforçou a proibição da comercialização, importação e propaganda dos DEFs, por meio da Resolução RDC nº 855/2024. Trata-se de uma medida de proteção à saúde pública, especialmente das novas gerações.

    “No Dia Mundial Sem Tabaco, renovamos nosso compromisso com a saúde pública e com políticas que salvam vidas. O desafio hoje é proteger as novas gerações do cigarro eletrônico, estratégia da indústria para formar novos dependentes”, destaca o diretorgeral do Inca, Roberto Gil.

    Mais brasileiros buscam ajuda do SUS para deixar o cigarro

    No Brasil, 9,3% da população brasileira, ou seja, 19,6 milhões de pessoas, se declarou fumante, sendo a prevalência maior entre os homens (11,7%) do que entre as mulheres (7,2%), conforme dados da Pesquisa Vigitel 2023.

    Para mudar essa realidade, o SUS disponibiliza tratamento gratuito para a dependência da nicotina em todo o país. O atendimento é realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e inclui acompanhamento profissional, orientação individual e em grupo, além da oferta de medicamentos.

    Entre os recursos disponíveis estão a terapia de reposição de nicotina, com adesivos transdérmicos e goma de mascar, e o cloridrato de bupropiona, medicamento que auxilia no processo de cessação do tabagismo.

    Para iniciar o tratamento, basta procurar a UBS mais próxima ou entrar em contato com a secretaria de saúde do seu município ou estado. O serviço é aberto a todas as pessoas que desejam abandonar o cigarro e melhorar sua qualidade de vida.

    Protagonismo internacional

    O Brasil é referência global no controle do tabaco, com políticas reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O país foi um dos primeiros a aderir à Convenção-Quadro sobre Controle do Uso do Tabaco, que orienta ações de prevenção e redução da demanda por produtos derivados do tabaco.

    Desde os anos 1980, o Ministério da Saúde, por meio do Inca, coordena políticas públicas como proibição da propaganda de cigarros, campanhas educativas, ambientes livres de fumaça. Além disso, implementou a o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), articulando ações em parceria com os estados, o Distrito Federal e os municípios.

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde

  • Aquisição de equipamentos para Unidades Básicas de Saúde é tema de consulta pública

    O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vai distribuir 10 mil combos de equipamentos para modernizar e melhorar o atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) espalhadas por todo o Brasil. Antes de iniciar o processo, o Ministério da Saúde abriu uma consulta pública para ouvir fornecedores, gestores e a sociedade sobre o tema.

    A iniciativa busca aprimorar as especificações técnicas dos equipamentos e avaliar a logística de entrega. Em 2025, o PAC Saúde pretende atualizar a infraestrutura das UBS com itens como eletrocardiógrafos, dermatoscópio, câmara fria para vacinas, retinógrafo, desfibriladores, cadeira de rodas, ultrassons portáteis e outros itens essenciais para o cuidado integral, qualificado e resolutivo à população. 

    Segundo a secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas, a disponibilização de combos de equipamentos às UBS é uma estratégia estruturante, que auxiliará na integração das principais políticas e programas do Ministério da Saúde. “Com UBS equipadas, serão ampliadas as ações de vacinação, enfrentamento das arboviroses urbanas, abrangência da resolutividade do cuidado ofertado na Estratégia Saúde da Família, redução da mortalidade materna, e o fortalecimento do SUS Digital nos territórios”, explica.

    Como participar

    As contribuições devem ser enviadas até 2 de junho. Baixe o Caderno da Consulta Pública na plataforma Participa+ Brasil, preencha o modelo de proposta, que se encontra no final do documento, e envie o arquivo preenchido para o e-mail informado.

    Para participar, acesse o Participa + Brasil.

    As contribuições serão analisadas considerando critérios de relevância técnica, viabilidade econômica, adequação às necessidades do SUS e conformidade com as normas vigentes. 

    PAC Saúde – Combo de Equipamentos

    A iniciativa do governo federal voltada ao fortalecimento da infraestrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) busca ampliar a qualidade na prestação de serviços, o acesso ao SUS, com mais cobertura, e a equidade, com investimentos prioritários nos locais que mais precisam. 

    Para mais informações acesse o Manual de Seleção do Novo PAC – Saúde 2025 e a página PAC Saúde Equipamentos

    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde inicia liberação de recursos do Novo Acordo do Rio  Doce

    Ministério da Saúde inicia liberação de recursos do Novo Acordo do Rio Doce

    O Ministério da Saúde começa a liberar os recursos destinados ao fortalecimento do SUS nos 49 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. A primeira etapa prevê o repasse de R$ 825 milhões a partir da apresentação dos planos de ação por parte dos gestores locais, que participam nesta semana, em Brasília, de oficina sobre as propostas.

    Esses recursos devem ser aplicados até o fim de 2026. O Ministério da Saúde destinará ainda este ano mais R$ 400 milhões para a construção de pelo menos 60 unidades de atendimento (confira abaixo).

    Durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou acordo de cooperação com a Fiocruz para a realização de Pesquisa em Saúde do Rio Doce, com foco em epidemiológicos, toxicológicos e de avaliação de risco à saúde humana por exposição a substâncias químicas nos territórios atingidos pelo rompimento da barragem. O investimento será de R$ 300 milhões e os estudos terão duração de 15 anos. “São 300 milhões de reais para a gente constituir aquilo que, sem dúvida nenhuma, será a maior e melhor pesquisa sobre acidentes e crimes ambientais de impacto na saúde e no meio ambiente que o mundo já realizou. Não tenho dúvidas da qualidade da Fundação Oswaldo Cruz para coordenar essa rede de pesquisas”, destacou.

    Acordo fechado pelo Governo Federal garante R$ 12 bilhões O montante a ser liberado aos 49 municípios faz parte do novo Acordo da Bacia do Rio Doce, assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 6 de novembro de 2024. O acordo prevê o pagamento de R$ 12 bilhões pelas empresas Vale, Samarco e BHP Billiton para ações de saúde e pesquisa nos territórios afetados pela tragédia ambiental. Representa um avanço significativo em relação à proposta de 2016, que previa R$ 750 milhões.

    Do total, R$ 3,6 bilhões serão destinados pelo Ministério da Saúde para medidas em até cinco anos, incluindo a ampliação da infraestrutura dos serviços de saúde nas regiões atingidas — como hospitais, policlínicas, laboratórios de saúde pública, SAMU e Unidades Básicas de Saúde (UBS) —, além da implementação da Rede de Pesquisa em Saúde do Rio Doce. O plano também prevê a qualificação profissional e o fortalecimento da gestão do SUS nos territórios impactados.

    Os R$ 8,4 bilhões restantes serão depositados em um fundo perpétuo, gerido pelo Fundo Rio Doce/BNDES, que garantirá a manutenção e sustentabilidade das ações do SUS a médio e longo prazo nas cidades afetadas pelo rompimento da barragem. O fundo também financiará o monitoramento contínuo dos danos e impactos à saúde, bem como medidas de intervenção e mitigação.

    O Programa Especial de Saúde do Rio Doce contempla sete linhas de atuação: Ampliação e aprimoramento dos serviços de assistência à saúde; Expansão da infraestrutura de saúde; Melhorias nas práticas de gestão em saúde; Ações de inteligência e ciências de dados em saúde; Ensino, pesquisa e inovação em saúde; Comunicação em saúde; e Engajamento da comunidade e fortalecimento do controle social.

    Ministério da Saúde garante a construção de unidades de atendimento

    • 20 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS)
    • 20 Unidades Odontológicas Móveis
    • 3 Policlínicas
    • 3 Centros de Referência em Exposição Substâncias Químicas
    • 14 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
    • Reforço nas equipes do SAMU

    O que diz o novo acordo

    As empresas Vale, Samarco e BHP Billiton são responsáveis pela implementação de medidas de indenização dos atingidos pelo rompimento da barragem e a reparação ao meio ambiente. Para isso, as mineradoras terão que pagar R$ 32 bilhões a título de indenização aos atingidos, além do repasse de R$ 100 bilhões aos governos federal, estaduais (MG e ES) e municipais ao longo de 20 anos. O acordo prevê a quitação apenas dos danos coletivos conhecidos, não incluindo a responsabilização aos danos individuais, desconhecidos, futuros e supervenientes.

    O acordo inicial, firmado em 2016, previa a destinação de R$ 750 milhões para ações de saúde coletiva e isentava as mineradoras das obrigações e responsabilidades, sem um diagnóstico dos danos e impactos na saúde.

    O coordenador nacional do Movimento de Atingidos por Barragens, Joceli Andrioli, destacou a importância do acordo para a população afetada. “É a primeira vez que o Brasil tem uma política nacional que prevê o direito das populações atingidas por barragens. O ministro Alexandre Padilha e o presidente Lula foram fundamentais nesse processo”, afirmou.

    Municípios beneficiados pelo novo Acordo da Bacia do Rio Doce

    Espírito Santo: Anchieta, Aracruz, Baixo Guandu, Colatina, Conceição da Barra, Fundão, Linhares, Marilândia, São Mateus, Serra e Sooretama.

    Minas Gerais: Aimorés, Alpercata, Barra Longa, Belo Oriente, Bom Jesus do Galho, Bugre, Caratinga, Conselheiro Pena, Coronel Fabriciano, Córrego Novo, Dionísio, Fernandes Tourinho, Galiléia, Governador Valadares, Iapu, Ipaba, Ipatinga, Itueta, Mariana, Marliéria, Naque, Ouro Preto, Periquito, Pingo D’água, Ponte Nova, Raul Soares, Resplendor, Rio Casca, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado, Santana do Paraíso, São Domingos do Prata, São José do Goiabal, São Pedro dos Ferros, Sem Peixe, Sobrália, Timóteo e Tumiritinga.

    Planos de Ação em Saúde

    Para receberem e executarem os recursos previstos no novo Acordo da Bacia do Rio Doce, os municípios deverão elaborar e pactuar Planos de Ação nas instâncias de governança do Programa estabelecidas no Acordo Judicial Homologado. O documento prevê que 50 % dos recursos da saúde deverão ser destinados para execução dos Planos de Ação dos municípios atingidos.

    Os prefeitos, secretários municipais de Saúde e demais gestores municipais participarão de reuniões com as equipes técnicas do Ministério da Saúde, nesta terça-feira (27/05) e quarta-feira (28/5), para elucidar dúvidas sobre a elaboração e a execução dos Planos de Ação em Saúde.

    Liberação de recursos

    A governança do Programa Especial de Saúde do Rio Doce será estruturada pela Câmara Técnica e pelo Comitê Especial Tripartite (CET). A Câmara atuará na formulação, planejamento e controle das propostas de execução, enquanto o Comitê será responsável pela aprovação dos Planos de Ação em Saúde e a liberação dos recursos. As duas instâncias são coordenadas pelo Ministério da Saúde e contam com representantes das secretarias estaduais de Saúde, dos municípios atingidos e do controle social.

    Composição da Câmara Técnica:

    • 5 representantes do Ministério da Saúde (SE, SVSA; SAES; SAPS e SESAI – Adjuntos);
    • 1 representante da SES-MG;
    • 1 representante da SESA-ES;
    • 1 representante do CNS;
    • 1 representante do CONDISI-MG/ES;
    • 1 representante dos municípios de Minas Gerais;
    • 1 representante dos municípios do Espírito Santo;

    Composição do Comitê Especial Tripartite:

    • 2 representantes do Ministério da Saúde (SE e SVSA);
    • 1 representante da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais;
    • 1 representante da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo;
    • 1 representante dos municípios de Minas Gerais;
    • 1 representante dos municípios do Espírito Santo.
  • Ministério da Saúde credencia 3,9 mil novas equipes e serviços na atenção primária do SUS

    Ministério da Saúde credencia 3,9 mil novas equipes e serviços na atenção primária do SUS

    Para ampliar o acesso e a oferta de cuidados para a população, o Ministério da Saúde credenciou 3.953 novas equipes, serviços, programas e incentivos em 1.878 municípios brasileiros. Todos eles vão integrar a atenção primária, que representa o primeiro contato do cidadão com o Sistema Único de Saúde (SUS). Os recursos aplicados são de R$ 362 milhões neste ano e R$ 640,4 milhões em 2026. Os municípios têm até o mês de junho para concluir o cadastro das novas equipes no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

    “Este é o credenciamento mais importante que fizemos em 2025, com previsão de novas adesões ao longo do ano. Estamos ampliando a presença da atenção primária em todo o país, com foco nos territórios e nas populações que mais precisam”, destaca a secretária de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Ana Luiza Caldas. Além da criação de novas equipes, a iniciativa possibilita a inclusão de municípios com equipes existentes, mas até então sem o repasse federal, no cofinanciamento. “É o caso de oito municípios que passam a receber custeio mensal para equipes de Consultório na Rua para a continuidade e a qualificação do cuidado com pessoas em situação de maior vulnerabilidade social”, acrescenta.

    Os novos credenciamentos são de equipes de Saúde da Família (410), de Saúde da Família Ribeirinha (3), de Atenção Primária (510), de Saúde Bucal (893), de Atenção Primária Prisional (3) e de Consultório na Rua (11), além das multiprofissionais (eMulti), que concentram a maior quantidade: 1.216 novas eMulti. No total, são 3.046 novas equipes, a maioria delas atuando nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

    As portarias publicadas no Diário Oficial da União ainda contemplam o credenciamento de outras estratégias, entre elas, 2 novas Unidades Básicas de Saúde Fluvial (UBSFs). Essas grandes embarcações adaptadas para a assistência em saúde têm como objetivo atender as populações ribeirinhas da Amazônia Legal e do Pantanal Sul-Mato-Grossense.

    Além disso, foi publicado um incentivo financeiro destinado aos municípios que contam com residentes integrando equipes da atenção primária à saúde (APS). Ao todo, foram registradas 344 novas adesões ao Programa de Formação Profissional da APS, que abrange médicos, enfermeiros e cirurgiões-dentistas. Também foram habilitados quatro municípios para receber o custeio de ações de atenção integral à saúde de 184 adolescentes em conflito com a lei, em regime de internação ou semiliberdade.

    Estratégia Saúde da Família

    Atualmente, o país conta com um total de 53.795 equipes de Saúde da Família homologadas e pagas pelo Ministério da Saúde. A centralidade da Estratégia Saúde da Família (ESF) na organização da atenção primária tem orientado as principais iniciativas de credenciamento do governo federal. Todas as estratégias são estruturadas a partir da presença e expansão das equipes de Saúde da Família nos territórios.  

    Brasil Sorridente

    Além das equipes de Saúde Bucal que que atuam junto às equipes de Saúde da Família, a portaria contempla o cofinanciamento de 3 novas unidades odontológicas móveis, 105 serviços especializados em Saúde Bucal, 22 Centros de Especialidades Odontológicas e 61 Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias. Os novos serviços ampliam a cobertura da Política Nacional de Saúde Bucal  – o Brasil Sorridente no SUS – e têm o potencial de impactar mais de 3 milhões de pessoas.

    Atividade física

    Também foram credenciados 366 novos polos do Programa Academia da Saúde, com impacto previsto de R$ 7,6 milhões em 2025 e de R$ 13,1 milhões em 2026. Lançada em 2011, essa estratégia funciona a partir da implantação de espaços públicos (polos) onde são ofertadas práticas corporais e atividades físicas para a população, com o acompanhamento de profissionais qualificados. O Programa Academia da Saúde ainda promove alimentação saudável, práticas integrativas e complementares (Pics), atividades artísticas e culturais e educação em saúde, entre outras ações.

    As regiões com as maiores concentrações de estratégias credenciadas, de acordo com as duas portarias,  são o Sudeste (1.589) e o Nordeste (1.169); seguidos pelo Sul (631), Norte (287) e Centro-Oeste (277).

    Sobre o cadastro no CNES

    Os municípios têm até 3 competências para cadastrar as novas equipes credenciadas no CNES, conforme as normas vigentes. Os prazos, portarias e homologações podem ser acompanhados no Painel de Novos Credenciamentos da Atenção Primária à Saúde.

    Laísa Queiroz
    Ministério da Saúde

  • Lei sancionada pelo presidente Lula garante tratamento para luto parental no SUS

    Lei sancionada pelo presidente Lula garante tratamento para luto parental no SUS

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei que cria a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (26). O tratamento e acolhimento a famílias que enfrentam a perda de um filho durante ou depois da gestação passará a fazer parte do Sistema Único de Saúde (SUS).

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi um dos autores do PL 1.640/2022 enquanto atuava como deputado federal. “Em 2019, construímos um projeto de lei que foi fruto do diálogo com várias mulheres. Estou muito emocionado porque essa política define o que as maternidades precisam ter para cuidar daquelas mães e pais que perdem os filhos antes ou após o parto”, destaca.

    Atualmente, apenas três hospitais no Brasil oferecem este atendimento: Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), o Hospital Materno de Ribeirão Preto (SP), e a Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão (PI).

    Outro destaque é a alteração da Lei nº 6.015/1973, de Registros Públicos, para permitir que os natimortos sejam registrados de forma oficial. Até então, as certidões eram emitidas apenas com informações técnicas, como sexo, data de nascimento, local e filiação. Com a mudança, os filhos serão registrados com os nomes que as mães e os pais planejaram durante a gestação.

    O que muda com a aprovação da lei

    O texto do PL 1.640/2022 prevê a oferta de apoio psicológico especializado, exames para investigar a causa do óbito, acompanhamento de gestações futuras e espaços reservados às pessoas enlutadas. Além disso, será possível criar protocolos clínicos e treinar as equipes para um acolhimento adequado.

    O ministro Padilha entende que a aprovação do projeto é a garantia de uma assistência qualificada às gestantes. “Nós sabemos que o luto materno e parental é uma dor silenciosa, mas que grita no coração das famílias. O Ministério da Saúde está do lado dessas pessoas para acolher, respeitar e humanizar essa perda”, destacou.

    Ações do Ministério da Saúde

    Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou 172.257 óbitos fetais. Com 40.840 natimortos, a região Sudeste foi a que mais notificou casos no período. Em 2024, de acordo com dados preliminares do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), 22.919 óbitos fetais e 19.997 óbitos neonatais – com 28 dias ou menos de vida – foram registrados no país.

    O Ministério da Saúde articula com instituições parceiras e universidades públicas a construção de uma proposta de diretrizes para a área de forma participativa. Além disso, o tratamento ao luto tem sido inserido gradualmente em ações da pasta que estão em processo de atualização, reforçando o compromisso do Ministério da Saúde em promover um cuidado mais acolhedor, respeitoso e sensível às famílias que enfrentam perdas gestacionais, neonatais ou infantis.

    Importância do tratamento ao luto parental

    O ambulatório de luto parental do HMIB, que funciona desde 2013, tem por objetivo acolher, avaliar, dar suporte terapêutico e tratamento de transtornos mentais decorrentes do trauma enfrentado pelas famílias que perderam seus filhos.

    Com uma média de 50 atendimentos por mês, o serviço é integrado à equipe de Cuidados Paliativos Perinatais e Pediátricos, e recebe pessoas encaminhadas pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Após avaliação psiquiátrica, as famílias são acolhidas pelos grupos e dão início ao tratamento com equipes multidisciplinares, com psicólogo, enfermeiro e assistente social.

    “O que eu aprendo com essas famílias, nenhum livro ensina. A gente não tem o poder de curar o luto de ninguém. O que a gente faz é dar a mão e caminhar junto”. É assim que a médica psiquiatra Maria Marta Freire, responsável pelo ambulatório de luto parental do HMIB define a assistência prestada na unidade.

    Para a médica, a falta de acolhimento adequado aumenta o risco dessas pessoas desenvolverem transtornos mentais graves, como a depressão. “O momento da despedida é muito importante no processo de luto. Às vezes, a mãe não consegue ver o bebê logo após o parto, mas, passado o choque inicial, ela quer ter esse momento. E nem sempre temos um espaço adequado para isso”, explicou.

    Acolhimento na maternidade

    Atendida pelo ambulatório há dois anos, a conselheira tutelar Elem Andrade, 45 anos, diz que se sentiu amparada e fortalecida pelo grupo. “Sou muito grata à toda a equipe pela melhora que tive, porque naquele primeiro momento você está no fundo de um poço. Então, com a fala, aconselhamento e apoio deles, você começa a enxergar o mundo de uma outra forma. Hoje eu tenho mais sentimento e amor ao próximo”, reforçou.

    De acordo com a médica Maria Marta, o luto perinatal é invisível. “Muitas vezes, essas mulheres escutam frases como ‘Daqui a pouco você engravida de novo’, como se um filho substituísse o outro, mas não substitui”. E complementa: “Quando a gente perde o marido, vira viúva. Quando perde os pais, vira órfão. Mas não existe um nome para quem perde um filho. Porque é o inverso da ordem natural da vida.”

    Julenir dos Santos, 39 anos, frequenta o ambulatório há seis meses. Moradora de Planaltina (DF), ela foi encaminhada para o grupo após a quarta perda de um filho. Segundo a operadora de caixa, essa é a primeira vez que sentiu sua dor acolhida com a alteração na lei de Registros Públicos. “Na minha última perda, eu estava com cinco meses. Já tinha nome para ela, mas na certidão não constava. Agora, com essa mudança, outras mães poderão dar nome à história delas”.

    Ana Freire
    Ministério da Saúde

  • Nota de pesar e homenagem ao Dr. Ricardo Gouveia

    Hoje nos despedimos de um verdadeiro herói do Sistema Único de Saúde: Dr. Ricardo Gouveia.

    Um cidadão brasileiro de alma generosa. Um filho, irmão, esposo e pai amoroso. Um médico anestesista e emergencista apaixonado pela vida e pelo serviço público. Um sonhador que idealizou o SUS como parte da sua própria família.

    Em Salvador, entre plantões e corredores de hospital, dividia sua paixão pelas urgências com a construção de um país mais justo. Foi um dos idealizadores do SAMU Salvador, junto a um grupo comprometido de visionários da saúde pública. Desde então, sua missão o levou a Brasília, onde passou a integrar a Coordenação de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde (CHUE/MS), atuando diretamente na construção de políticas que mudariam para sempre o enfrentamento das emergências no Brasil.

    Após as enchentes no Rio de Janeiro em 2011, Dr. Ricardo foi peça-chave na elaboração do projeto que daria origem à Força Nacional do SUS (FNSUS), sob a liderança do então ministro Alexandre Padilha e do atual secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda. Com coragem e persistência, dividiu sua vida entre a família na Bahia e noites incansáveis em Brasília, muitas vezes dormindo em uma pequena kitnet partilhada com outros heróis silenciosos, para fazer avançar um sonho coletivo.

    Era conhecido por sua lealdade e disposição incansável para o trabalho. Em uma das primeiras grandes crises, articulou em poucas horas com a Polícia Federal a liberação de uma aeronave para salvar vidas indígenas no Acre e no Amazonas — mostrando ao Brasil o que significa servir com amor e espírito público.

    Seu orgulho era vestir a jaqueta da Força. Guardava com carinho os copos, bonés e camisetas da FNSUS — dizia que eram seus troféus, sua segunda pele. “A Força é meu filho mais novo”, repetia com brilho nos olhos.

    Hoje, Dr. Ricardo Gouveia nos deixa fisicamente. Mas seu espírito permanece entre nós — na coragem dos que seguem em campo, nas políticas públicas que ajudou a construir e no legado vivo de um SUS mais forte, humano e preparado para cuidar do povo brasileiro.

    Rodrigo Stabeli – Coordenador da Força Nacional do SUS

    “Ricardo foi um dos maiores construtores da história da FNSUS. Um amigo, um irmão, um farol em muitas madrugadas difíceis. Ele nos ensinou a sonhar com um SUS mais ágil, humano e preparado — e a lutar todos os dias por ele. Sua ausência física dói, mas sua presença é eterna no que somos e no que ainda construiremos.

    Nos últimos tempos, expressou o desejo de ser enterrado com a farda do SAMU e da Força. Para nós, isso é mais do que um símbolo — é uma honra. É a prova de que ele viveu e partiu com o coração totalmente entregue à missão de salvar vidas. Vá em paz. A Força segue contigo.”

    Mozart Sales – Secretário de Atenção Especializada à Saúde

    “O SUS perde um de seus mais leais defensores. O Brasil perde um servidor exemplar. Nós perdemos um amigo querido. A memória de Ricardo será honrada com trabalho, afeto e compromisso. Ele nos ensinou o caminho.”

    Adriano Massuda – Secretário-Executivo do Ministério da Saúde

    “Ricardo foi um dos pilares na concepção da FNSUS. Sempre acreditou que o SUS precisava estar preparado para responder a qualquer emergência, em qualquer lugar. Sua entrega, inteligência prática e espírito público serão eternamente lembrados. É uma perda imensa para todos nós.”

    Alexandre Padilha – Ministro da Saúde

    “A Força Nacional do SUS carrega a alma de pessoas como o Ricardo. Ele acreditava no projeto antes mesmo de ele existir. É por servidores como ele que seguimos em frente. Hoje, a saúde pública brasileira se curva em reverência.”

  • Ministério da Saúde apoia Dia D de vacinação contra a gripe para trabalhadores da indústria e do setor bancário

    Ministério da Saúde apoia Dia D de vacinação contra a gripe para trabalhadores da indústria e do setor bancário

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, nesta sexta-feira (23), do Dia D de vacinação contra a gripe voltado a trabalhadores da indústria e do setor bancário, promovido pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), com apoio da pasta. Na abertura da mobilização do SESI, o ministro acompanhou as ações com trabalhadores da construção civil. Em seguida, participou da vacinação de bancários na sede do Banco do Brasil, também em Brasília (DF). A iniciativa integra as mobilizações nacionais pela vacinação, retomadas pelo atual governo e fortalecidas com o apoio do setor privado.

    “Essa parceria com o SESI e com a Febraban parte do nosso esforço para garantir que mais brasileiros estejam imunizados, antes da intensificação das temperaturas. Já observamos, desde abril, um aumento no número de internações, casos graves e óbitos por gripe e síndrome respiratória aguda grave, com o vírus influenza sendo o principal responsável por esses quadros”, afirmou o ministro Padilha.

    Com campanhas ativas em 25 estados e no Distrito Federal, o SESI tem como meta vacinar até 1 milhão de trabalhadores da indústria até o fim deste ano. A Febraban prevê imunizar 365 mil bancárias e bancários em todo o país. O Dia D reforça as grandes campanhas de vacinação, que buscam ampliar a cobertura contra a gripe e outras doenças entre os trabalhadores.

    Para as ações do SESI, o Ministério da Saúde disponibilizou 22 mil doses das vacinas contra febre amarela, tríplice viral, dT e Hepatite B previstas no Calendário Nacional de Vacinação do Adulto. O fornecimento das doses contra a gripe foi alinhado entre o SESI e as secretarias estaduais de saúde.

    O ministro também reforçou que “o Banco do Brasil é um parceiro histórico das campanhas de vacinação desde 2009 e, hoje, mais uma vez, dá exemplo ao abrir as portas para proteger seus trabalhadores e contribuir com a saúde pública. Essa mobilização conjunta com empresas, como o Banco do Brasil, da Febraban e outros bancos, reforça a importância da vacinação contra a gripe para evitar internações e óbitos”.

    A vacinação foi iniciada em áreas de construção civil, indústria fabril, metalúrgica, agência bancária, dentre outros. A expectativa é garantir o máximo de trabalhadores imunizados ao longo do dia.

    Retomada das grandes mobilizações nacionais

    No dia 10 de maio, o Ministério da Saúde, em parceria com os estados e municípios, mobilizou o Brasil e marcou o retorno das grandes mobilizações nacionais no SUS: o Dia D de vacinação contra a gripe. Em um único dia, foram aplicadas 1,5 milhão de doses, número três vezes superior à média diária, evidenciando a força do SUS e o engajamento da população na prevenção de doenças respiratórias.

    Com o avanço da vacinação, o Ministério da Saúde orienta que estados e municípios realizem a busca ativa dos grupos prioritários. Além disso, recomenda a vacinação de todas as pessoas que procurarem as Unidades Básicas de Saúde (UBS), mesmo que não pertençam aos grupos prioritários — desde que haja disponibilidade de doses e conforme a situação epidemiológica local e as estratégias definidas pelas secretarias estaduais e municipais de saúde.

    Referência em vacinação no setor produtivo

    A participação do Ministério da Saúde na ação faz parte do Acordo de Cooperação Técnica assinado com o SESI durante o 14º Encontro Nacional da Indústria (ENAI), em novembro de 2024. O acordo prevê a oferta de vacinas, a ampliação da telessaúde e o fortalecimento da atenção primária nos locais de trabalho, com aporte de R$ 45 milhões.

    Referência em vacinação no setor produtivo, “o SESI é hoje o maior vacinador privado do país, atrás apenas do Governo Federal. Essa parceria com o Ministério da Saúde reforça nosso compromisso com o bem-estar dos trabalhadores da indústria”, afirmou o diretor-superintendente do SESI, Paulo Mól.

    Já para o presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, “levar a vacinação até as empresas é uma forma concreta de chegar aos trabalhadores. Fortalecer a prevenção em saúde exige presença nos territórios, diálogo e compromisso com o cuidado contínuo”, disse.

    Maior campanha privada do país

    Forte incentivadora da vacinação no Brasil, “a Febraban está feliz por ajudar a coordenar o maior programa privado de vacinação de todo o país. O setor bancário sempre será parceiro de ações de saúde pública, e essa iniciativa é mais um esforço conjunto em benefício não só dos nossos colaboradores, mas de toda a população — especialmente para conscientizar melhor a todos sobre as medidas de prevenção de doenças”, afirma o presidente da Febraban, Isaac Sidney.

    As equipes de vacinação da Febraban, que lidera a 28ª Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe no setor bancário, percorrem todo o país e atuam em sistema drive-thru. Para os casos em que o trabalhador não estiver presente no momento da aplicação, a Febraban credenciou 227 clínicas privadas para garantir o acesso à imunização.

    Cenário epidemiológico

    Até a Semana Epidemiológica – SE 19 (15 de maio), foram notificados 63.664 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil, sendo cerca de 29.379 por vírus respiratórios – predomínio do vírus sincicial respiratório (50%), Influenza A (30%), seguido pelo Rinovírus (13%). 
    No mesmo período, foram registrados 2.966 óbitos por SRAG, sendo 1.333 com identificação de vírus respiratórios – predomínio de Influenza A (69%), SRAG por VSR (16%) e Rinovírus (7%). 

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde