A solução de conflitos judiciais na área da saúde tem sido um desafio para o Poder Judiciário. Dados do Painel e-NATJUS Nacional (Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário) dão conta de que, até junho de 2024, mais de 800 mil processos que requeriam acessos a serviços de saúde pública ou suplementar estavam aguardando julgamento.
Diante dessa questão, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF5, através da Escola de Magistratura Federal da 5ª Região (Esmafe) e do Núcleo pernambucano da Escola, promoveu, nesta terça-feira (08/04), uma roda de conversa e um workshop sobre as Súmulas vinculantes 60 e 61 do Supremo Tribunal Federal (STF), que tratam da competência e dos requisitos para a concessão de medicamentos através de decisões judiciais. O encontro, que integra a programação da Semana Nacional da Saúde, aconteceu na Sala Capibaribe (edifício-sede do TRF5).
A roda de conversa ocorreu pela manhã. Participaram o juiz federal Clenio Schulze, da Justiça Federal de Santa Catarina (JFSC), e os representantes dos comitês de saúde da Justiça Federal da 5ª Região, entre eles o juiz federal João Pereira (JFPB) e as juízas federais Marina Cofferri (JFPE) e Niliane Meira Lima (JFCE).
Marina Cofferi abriu os debates, apontando que a Semana da Saúde envolve uma série de ações e medidas, não apenas informativas, mas de prestação de serviços à população. A magistrada, porém, destacou a importância do tema discutido nesse encontro. “Dentre todas as medidas, evento de hoje tem uma importância, ao meu ver, ímpar. Muito mais do que falar sobre a compreensão e aplicação de um precedente, estamos falando da mudança de paradigma na judicialização da saúde ”, assegurou.
Em seguida, Schulze fez uma apresentação dos pontos mais relevantes acerca dos Temas 1.234 e 6 e das Súmulas 60 e 61, destacando os requisitos para obtenção de medicamentos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), mas não incorporados às listas do Sistema Único de Saúde (SUS), sob pena de nulidade da decisão; a negativa prévia de fornecimento do medicamento na via administrativa; a comprovação da eficácia, acurácia, efetividade e segurança do fármaco; a imprescindibilidade clínica do tratamento; e a incapacidade financeira de arcar com o custeio do medicamento.
Outros assuntos debatidos foram a competência da Justiça Federal, restrita a causas cujo tratamento anual tenham custo igual ou superior a 210 salários mínimos, e a possibilidade de a União incluir estados e municípios no polo passivo do processo, sem, no entanto, serem obrigados a arcar com o ônus de sucumbência.
Natjus
À tarde, foi a vez da plateia, composta por magistrados(as) e servidores(as), acompanhar um workshop sobre o NATJUS, órgão que fornece informações técnicas a juízes para análise e julgamento de casos envolvendo saúde. Participaram da mesa o juiz federal João Pereira e as juízas federais Marina Cofferri e Niliane Meira Lima. Pereira abriu o encontro, fazendo uma retrospectiva da história da judicialização da saúde, desde o início até os dias atuais, que tem como marco a publicação dessas Súmulas do STF, em 19/09/2024. O magistrado salientou o aumento quantitativo e qualitativo das demandas, bem como as respostas do Judiciário a esse crescimento.
Entre os temas que foram abordados no workshop estão: “NATJUS na prática: funcionamento e impacto à luz do Tema 1.234 do STF”; “Histórico e contexto de criação dos NATJUS”; “Núcleos De Assessoramento Técnico Ao Poder Judiciário (NATJUS): funções e composição”; “Da solicitação de Nota Técnica: passo a passo”; entre outros.
Para finalizar o encontro, as médicas integrantes do NATJUS-Pernambuco Mirella Rebello, Jéssica Celestino Ferreira e Fabiana Toledo falaram sobre assuntos como “Saúde Baseada em Evidências e o SUS: Caminhos para Decisões Justas”; “E-NATJUS: O que é e Como Solicitar Pareceres Técnicos; “Elaboração de um Parecer Favorável: Critérios e Argumentação”; e “Elaboração de um Parecer Desfavorável: Quando e Como Justificar”.
Semana Nacional de Saúde
A Semana Nacional de Saúde foi instituída pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Resolução nº 576/2024, com o objetivo de promover saúde, acesso à Justiça e integração entre instituições públicas e privadas.
No TRF5, a programação conta com campanha de vacinação, mutirão para exames periódicos de saúde e serviços diversos, como, por exemplo, aferição de pressão. Além disso, o prédio do TRF5 estará iluminado com a cor verde durante o período. Essas ações serão oferecidas pelo Núcleo de Assistência à Saúde (NAS) da Corte.
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Por: Divisão de Comunicação Social do TRF5