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  • Félix Mendonça Jr. nega ligação com esquema de desvio de emendas

    Félix Mendonça Jr. nega ligação com esquema de desvio de emendas

    O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) afirmou ter sido surpreendido ao ser citado na quarta fase da Operação Overclean, deflagrada nesta sexta-feira (27) pela Polícia Federal para investigar desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares na Bahia. Em nota, ele negou qualquer irregularidade, tanto de sua parte quanto de integrantes de seu gabinete, e disse colaborar com a investigação.

    Félix Mendonça Jr. está em seu quarto mandato de deputado federal.

    Félix Mendonça Jr. está em seu quarto mandato de deputado federal.Zeca Ribeiro/Agência Câmara

    “O deputado ressalta que as emendas para custeio ou investimentos nos municípios são solicitadas por prefeitos ou lideranças, sendo esperado que os recursos sejam aplicados de forma lícita, com a obtenção de ganho exclusivamente político”, disse o pedetista em nota divulgada por sua assessoria. “Félix Mendonça, que sempre atuou na vida pública com correção, ética e seriedade, está colaborando com as investigações para que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos o mais rápido possível, acrescentou.

    Apesar de não ser alvo de mandado de busca, o parlamentar teve o sigilo telefônico quebrado por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O principal investigado nesta fase é o seu assessor Marcelo Chaves Gomes, afastado do cargo por suspeita de operar financeiramente o esquema que direcionava verbas de emendas a Boquira, Ibipitanga e Paratinga entre 2021 e 2024.

    Operação mira prefeitos e empresas

    A ação, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em Salvador, Camaçari e outras cidades do interior baiano. Além do assessor de Mendonça Jr., foram afastados cautelarmente os prefeitos Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira (PT), de Ibipitanga, e Alan Machado França (PSB), de Boquira. O ex-prefeito de Paratinga, Marcel José Carneiro de Carvalho (PT), também foi alvo de buscas.

    Na casa do ex-prefeito de Paratinga, a PF localizou dinheiro guardado em armários, sem divulgar ainda o valor apreendido. Em Salvador, os mandados se concentraram nos bairros do Comércio, Patamares e Horto Bela Vista.

    Crimes investigados

    Segundo a Polícia Federal, o grupo usava propinas para garantir a liberação de emendas e direcionar contratos por meio de fraudes em licitações, além de possíveis crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

    Félix Mendonça Júnior cumpre o quarto mandato consecutivo na Câmara, integra a base governista e, de acordo com o Radar do Congresso, vota alinhado ao governo Lula na maioria das vezes (seu índice de governismo é de 87%). Ele também atua como secretário de Relações Internacionais da Câmara e preside grupos parlamentares bilaterais com diversos países.

  • Hugo Motta decide não ir a audiência do STF sobre emendas

    Hugo Motta decide não ir a audiência do STF sobre emendas

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não irá à audiência do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito de emendas parlamentares nesta sexta-feira (27). A Casa será representada pelo advogado Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.

    Mudança de planos: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não estará no STF.

    Mudança de planos: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não estará no STF.Pedro Ladeira/Folhapress

    O nome de Hugo estava na programação oficial divulgada pela Suprema Corte.

  • Por determinação de Lula, AGU inicia estudos para judicializar IOF

    Por determinação de Lula, AGU inicia estudos para judicializar IOF

    A Advocacia-Geral da União (AGU) começou a avaliar juridicamente nesta quinta-feira (27) a possibilidade de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para manter o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Segundo a autarquia, a orientação partiu do próprio presidente Lula.

    A iniciativa busca preservar a vigência do decreto derrubado nesta semana pelo Congresso Nacional. O texto, editado pelo Ministério da Fazenda, era parte da estratégia para alcançar a meta fiscal. A AGU solicitou informações técnicas à equipe econômica para concluir o estudo jurídico sobre a questão.

    AGU abriu consulta econômica para embasar eventual processo.

    AGU abriu consulta econômica para embasar eventual processo.Pedro Ladeira/Folhapress

    Na véspera, a própria AGU havia informado que não havia qualquer decisão tomada sobre a judicialização e que uma eventual ação dependeria da análise conjunta com o Ministério da Fazenda.

    A derrubada do decreto foi aprovada em votações expressivas na Câmara e no Senado, com ampla adesão de partidos da base governista. O impacto orçamentário da revogação é estimado em até R$ 7 bilhões até 2026.

    Sem essa fonte de arrecadação, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, retomou o discurso de alerta sobre a necessidade de contingenciamentos orçamentários, com risco de afetar diretamente a execução de emendas parlamentares.

  • Hugo e Davi participarão de audiência sobre emendas impositivas no STF

    Hugo e Davi participarão de audiência sobre emendas impositivas no STF

    Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vão participar juntos ns sexta-feira,(27) de uma audiência pública convocada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir constitucionalidade do modelo vigente de distribuição de emendas parlamentares.

    Dino é relator das ações que questionam a constitucionalidade das emendas impositivas, respectivamente as individuais e de bancada. O PSOL e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) argumentam que essas emendas transferem ao Congresso o controle de uma parcela significativa do orçamento da União, o que chamam de “captura orçamentária”.

    Debate no Supremo trata da obrigatoriedade do atual modelo de emendas parlamentares.

    Debate no Supremo trata da obrigatoriedade do atual modelo de emendas parlamentares.Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    No despacho de convocação, Dino afirmou que o objetivo é reunir elementos técnicos para o julgamento das ações em curso. O ministro citou estudos comparativos internacionais e apontou que o modelo brasileiro dá ao Legislativo um poder orçamentário acima da média de países da OCDE.

    A expectativa é de que Hugo Motta e Davi Alcolumbre se pronunciem em defesa do atual modelo de emendas, do qual ambos são entusiastas. Desde que assumiram a presidência das duas Casas legislativas, os dois parlamentares avançaram com resoluções voltadas à adequação do sistema de distribuição de emendas às determinações do STF.

    Além dos presidentes da Câmara e do Senado, participará o advogado-geral da União, Jorge Messias, outro aliado recorrente do Congresso nas disputas judiciais a respeito da constitucionalidade das emendas. Também está na lista de participantes o ministro Jorge Oliveira, vice-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU).

    Veja a íntegra do despacho.

    Leia mais: entenda o que são as emendas parlamentares, os R$ 50 bilhões nas mãos do Congresso.

    Veja também: a disputa pelo controle das emendas não é recente: o Congresso reivindica sua parcela do orçamento há quase 80 anos.

  • Câmara aprova projeto de crédito para empreendedores com deficiência

    Câmara aprova projeto de crédito para empreendedores com deficiência

    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que cria condições diferenciadas de crédito para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte sob gestão de pessoas com deficiência.

    O texto estabelece medidas como taxas de juros reduzidas, sujeitas à viabilidade econômico-financeira e às regras dos bancos públicos federais. Também prevê a criação de linhas de crédito incentivadas no BNDES com duração mínima de cinco anos, priorizando esses empreendimentos.

    A deputada Silvia Cristina (PP-RO) é a relatora do projeto de lei.

    A deputada Silvia Cristina (PP-RO) é a relatora do projeto de lei.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Além disso, parte dos recursos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) será destinada a negócios liderados por pessoas com deficiência, em percentual a ser definido por regulamento.

    A relatora, deputada Silvia Cristina (PP-RO), recomendou a aprovação do substitutivo da Comissão de Indústria, Comércio e Serviços ao projeto de lei 4.971/2023, de autoria do deputado Eriberto Medeiros (PSB-PE). Ela acrescentou uma medida que obriga o Poder Executivo, em até 180 dias, a coletar dados sobre sexo, cor ou raça, baixa renda e deficiência para compor uma base de consulta das instituições financeiras.

    “Essa mudança busca garantir que a base de dados considere marcadores sociais de desigualdade, que somados à deficiência, dificultam ainda mais o acesso ao crédito e ao empreendedorismo”, afirmou a relatora.

    A proposta segue para análise conclusiva nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovada, será encaminhada ao Senado.

  • Novo Código Eleitoral com normas sobre IA está na pauta da CCJ

    Novo Código Eleitoral com normas sobre IA está na pauta da CCJ

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado agendou para o dia 9 de julho a votação do projeto do novo Código Eleitoral (PLP 112/2021). O relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI), inseriu no texto diversas medidas para coibir o uso indevido de ferramentas de inteligência artificial em campanhas eleitorais.

    O novo Código Eleitoral estabelece normas para o uso de influenciadores, perfis falsos e robôs na promoção de conteúdo em redes sociais, bem como para a aplicação de inteligência artificial. Segundo Marcelo Castro, o tema é complexo e demanda cautela. Ele declarou à TV Senado que o objetivo é impedir o uso da IA para distorcer, desinformar e manipular a opinião pública, garantindo que qualquer conteúdo gerado por IA seja claramente identificado como tal.

    O projeto concede à Justiça Eleitoral o poder de determinar a remoção de publicações que violem as regras estabelecidas. Adicionalmente, prevê a suspensão de contas de candidatos em casos de reincidência na publicação de conteúdo considerado ilegal.

    Em discurso, à tribuna, senador Marcelo Castro (MDB-PI).

    Em discurso, à tribuna, senador Marcelo Castro (MDB-PI).Waldemir Barreto/Agência Senado

    O senador Rogério Marinho (PL-RN) questiona alguns pontos do relatório, argumentando que certas medidas podem ampliar excessivamente o papel do Poder Judiciário na definição do que é lícito ou não, restringindo o debate público e penalizando a discordância.

    O projeto já havia sido pautado na CCJ em 11 de junho, mas a votação foi adiada por falta de acordo. O prazo para apresentação de emendas se estende até 2 de julho. Até o dia 26 de junho, o PLP 112/2021 recebeu mais de 350 emendas. Na versão mais recente do relatório, Marcelo Castro incorporou duas sugestões que visam regular o uso da inteligência artificial nas eleições.

    A primeira emenda acolhida, proposta pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), proíbe o uso de técnicas de inteligência artificial para simular a voz ou imagem de pessoas, vivas ou falecidas, em campanhas, independentemente de autorização ou intenção de enganar o eleitor. Embora a emenda original também previsse a remoção de conteúdo manipulado pelas plataformas digitais em 24 horas, essa parte não foi aceita pelo relator, que a considerou ainda não suficientemente madura.

    A segunda emenda acolhida, proposta pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE) e adaptada por Marcelo Castro, tipifica como crime a criação e divulgação de conteúdo de cunho sexual gerado por inteligência artificial para prejudicar a imagem de um candidato. A pena prevista é de um a quatro anos de reclusão. Castro incluiu a sugestão em um artigo do Código Eleitoral que já pune a divulgação de fatos inverídicos com a mesma pena, aumentando a pena em um terço até a metade se o fato inverídico envolver o uso de inteligência artificial para simular a participação do candidato em situação de cunho sexual explícito.

  • Câmara homenageia Miguel Arraes ao nomear sala do Colégio de Líderes

    Câmara homenageia Miguel Arraes ao nomear sala do Colégio de Líderes

    A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Resolução 27/2025, que denomina a sala de reuniões do Colégio de Líderes como Sala Miguel Arraes. A proposta, de autoria da deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE), foi aprovada em Plenário nesta quarta-feira (25) e transformada na Resolução 20/2025.

    Miguel Arraes de Alencar (19162005) foi governador de Pernambuco em três mandatos, prefeito do Recife e deputado federal e estadual em diversas legislaturas. “Sua trajetória é amplamente reconhecida por seu compromisso com a democracia e o desenvolvimento social”, justificou a deputada.

    Miguel Arraes foi deputado brasileiro e lutou pelo processo de redemocratização do Brasil.

    Miguel Arraes foi deputado brasileiro e lutou pelo processo de redemocratização do Brasil.Instituto Miguel Arraes

    O relator da proposta, deputado Pedro Campos (PSB-PE), destacou o legado de Arraes na luta contra a ditadura militar, que resultou em sua prisão e exílio. “Ele continuou sua atuação mesmo no exílio, com foco na redemocratização do país. Essa homenagem reconhece sua contribuição à história brasileira”, afirmou.

    Tanto Maria Arraes quanto Pedro Campos são netos do homenageado.

    Críticas e defesa

    A deputada Bia Kicis (PL-DF) criticou a homenagem, alegando que a sala representa um espaço plural e não deveria ser associada a uma ideologia específica. A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) reforçou o argumento, pedindo respeito à diversidade ideológica.

    Em resposta, Maria Arraes destacou que o avô é reconhecido como Herói da Pátria. “Miguel Arraes não representa apenas uma ideologia, mas políticas públicas concretas, como os programas Luz para Todos e Farmácia Popular, que inspiram até hoje”, afirmou.

    A resolução foi promulgada após a aprovação em Plenário.

  • Câmara aprova projeto de incentivo salarial para enfermeiros do SUS

    Câmara aprova projeto de incentivo salarial para enfermeiros do SUS

    A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 422/2025, que permite a concessão de incentivos salariais a profissionais de enfermagem que atuam em salas de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS).

    A proposta prevê que União, estados e municípios definam as gratificações. Para profissionais da rede privada, os incentivos poderão ser acordados por negociação coletiva entre patrões e empregados.

    A deputada Enfermeira Ana Paula (PDT-CE) é a relatora do projeto.

    A deputada Enfermeira Ana Paula (PDT-CE) é a relatora do projeto.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    De autoria do deputado Geraldo Resende (PSDB-MS), o projeto recebeu parecer favorável da relatora, deputada Enfermeira Ana Paula (Podemos-CE). Ela destacou que a medida valoriza a categoria, qualifica o atendimento e contribui para ampliar a cobertura vacinal. “É uma iniciativa oportuna, desde que compatível com o orçamento local”, afirmou.

    O texto altera a lei 7.498/1986, que regulamenta o exercício da enfermagem.

    A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada agora pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovada, segue para o Senado.

  • Hugo: “Câmara precisa estar sintonizada com a população brasileira”

    Hugo: “Câmara precisa estar sintonizada com a população brasileira”

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou, por meio das redes sociais, a importância de uma pauta legislativa produtiva, que mantenha diálogo com o país e esteja alinhada às demandas da população. A manifestação ocorreu após a aprovação, tanto na Câmara quanto no Senado, do projeto que revogou o aumento do IOF.

    “Foi uma construção suprapartidária, com a maioria expressiva. A Câmara e o Senado derrubaram o decreto para evitar o aumento do Estado”, afirmou Motta.

    O presidente da Câmara também mencionou a aprovação de outras matérias, entre elas a medida provisória 1.291/25, que destina recursos ao financiamento de projetos habitacionais.

    “Aprovamos uma MP que trata do Fundo Social da Habitação para incentivar a habitação no país e permitir que se possa vender o excedente do petróleo, para ajudar o governo sem aumentar imposto”, declarou.

    Outras propostas aprovadas incluem a MP 1.292/25, que regulamenta o empréstimo consignado para trabalhadores com carteira assinada, e o projeto de lei 2.692/25, que estabelece isenção do Imposto de Renda, em 2025, para quem recebe até dois salários-mínimos.

  • IOF: o que muda para cartão, câmbio e crédito com a derrubada de decretos

    IOF: o que muda para cartão, câmbio e crédito com a derrubada de decretos

    Com derrubada de decretos, governo deixará de arrecadar R$ 10 bilhões.

    Com derrubada de decretos, governo deixará de arrecadar R$ 10 bilhões. Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress

    O Congresso Nacional derrubou, nessa quarta-feira (25), os decretos do governo que aumentavam o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), restaurando as alíquotas anteriores e mais baixas para operações como cartões de crédito e débito internacionais, compras de moeda estrangeira em espécie, remessas para o exterior e operações de crédito para empresas.

    A decisão representa uma derrota política para o Executivo, que estimava arrecadar até R$ 10 bilhões em 2025 com a medida. A revogação se deu por meio de um projeto de decreto legislativo, aprovado em votação simbólica no Senado, depois de passar com ampla vantagem na Câmara. O texto foi promulgado nesta quinta-feira (26) pelo Congresso, sem necessidade de passar por sanção presidencial.

    O que muda na prática?

    As novas alíquotas que haviam sido estabelecidas em maio e “recalibradas” em junho perdem validade imediata. Abaixo, veja um comparativo entre o que estava valendo com os decretos e como fica agora:

    Derrubada de decreto barrou aumento do IOF.

    Derrubada de decreto barrou aumento do IOF.Arte Congresso em Foco

    * As plataformas financeiras e bancos ainda estão ajustando seus sistemas, então é possível que, por alguns dias, ainda apareçam as alíquotas erradas.

    Impacto nas contas públicas

    A expectativa do governo era arrecadar até R$ 10 bilhões em 2025 com o aumento do IOF. Essa receita ajudaria a cumprir o novo arcabouço fiscal sem cortar gastos sociais, segundo o Ministério da Fazenda. A derrota no Congresso, portanto, compromete esse plano e agrava o desafio fiscal do governo.

    Como alternativas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Executivo estuda três caminhos:

    • Acionar o STF para reverter a decisão do Congresso;
    • Aumentar o contingenciamento de gastos, incluindo áreas como saúde e educação;
    • Avançar com a taxação de dividendos, tema já discutido com o Congresso.

    Por que o Congresso derrubou os decretos?

    A movimentação no Legislativo foi rápida e inesperada até mesmo para o Planalto. O presidente da Câmara, Hugo Motta (RepublicanosPB), pautou a votação às 23h da véspera, surpreendendo aliados do governo. O texto foi votado pelos senadores logo depois de passar peo crivo dos deputados.

    Parlamentares reclamam do ritmo de liberação de emendas e criticaram declarações recentes do governo, o que ajudou a formar um clima desfavorável à proposta.

    Além disso, setores produtivos, especialmente do comércio exterior, turismo e tecnologia, vinham pressionando contra o aumento do IOF, alegando que isso encarece operações legítimas e prejudica a competitividade internacional do Brasil.

    O que ainda pode mudar?

    A derrubada dos decretos não afeta diretamente a Medida Provisória 1303, que trata da tributação sobre investimentos (como LCI, LCA e debêntures incentivadas) e do aumento de impostos sobre apostas e fintechs. Essa MP continua em tramitação no Congresso e pode sofrer alterações.

    Já em relação ao IOF, o governo pode tentar recompor parte da arrecadação por meio de novos projetos, mas enfrenta resistência crescente no Congresso a qualquer aumento de tributo.

    Entenda o que é o IOF

    O IOF é um imposto federal cobrado pelo governo brasileiro sobre uma série de operações financeiras. Ele incide toda vez que uma pessoa física ou jurídica realiza movimentações envolvendo crédito, câmbio, seguros ou investimentos.

    O tributo tem dupla função:

    • Arrecadatória: gera receita para o governo.
    • Regulatória: ajuda o governo a controlar o fluxo de dinheiro na economia, por exemplo, desestimulando o consumo em determinados momentos.

    Em quais situações o IOF é cobrado?

    Veja os principais casos em que o IOF aparece:

    Crédito

    • Empréstimos pessoais e financiamentos
    • Uso do cheque especial
    • Crédito para empresas

    Câmbio

    • Compra de moeda estrangeira
    • Remessas para o exterior
    • Uso de cartão de crédito internacional

    Seguros

    • Seguros de vida, automóveis e outros ramos

    Investimentos

    • Aplicações e resgates em títulos e fundos de investimento

    Como o IOF é calculado?

    O valor do IOF varia conforme o tipo de operação e pode incluir:

    • Uma alíquota fixa (por exemplo, 0,38% sobre o valor do empréstimo)
    • Uma alíquota diária proporcional ao prazo da operação (por exemplo, 0,0082% ao dia)

    No caso de cartões internacionais, por exemplo, o IOF incide sobre o valor gasto na fatura, com uma alíquota fixa.

    O IOF aparece na fatura?

    Sim! Em transações como:

    • Compra com cartão internacional
    • Compra de dólar ou euro
    • Empréstimos e financiamentos

    O IOF costuma ser discriminado no extrato ou na fatura, aparecendo como um valor adicional à operação.

    Exemplo prático: se você comprar R$ 1.000 em dólar para uma viagem e o IOF for 1,1%, você pagará R$ 1.011 no total sendo R$ 11 de imposto.

    Como o IOF afeta os investimentos

    O IOF é cobrado principalmente sobre aplicações de curto prazo. Ele incide quando você resgata seu dinheiro antes de 30 dias em alguns tipos de investimento. A alíquota do IOF diminui diariamente nesse período, até chegar a zero no 30º dia.

    Isso vale para:

    • Fundos de investimento
    • Tesouro Direto
    • CDBs
    • LCIs/LCAs (em alguns casos específicos)
    • Poupança (não tem IOF)

    O IOF não substitui o Imposto de Renda (IR). Se seu investimento tiver ambos, o IOF é cobrado primeiro (se aplicável), e depois o IR sobre o rendimento.

    Tabela regressiva do IOF

    Abaixo, veja quanto você paga de IOF sobre o rendimento, se sacar antes de 30 dias:

    Dias de aplicação – alíquota do IOF

    1 dia – 96%

    5 dias – 86%

    10 dias – 73%

    15 dias – 60%

    20 dias – 46%

    25 dias – 26%

    29 dias – 3%

    30 dias ou mais – 0%

    Leia ainda:

    Da direita à esquerda: como cada partido votou na queda do IOF 

    Leia aqui como cada deputado votou no plenário