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  • Câmara aprova projeto que leva ciência e tecnologia às escolas

    Câmara aprova projeto que leva ciência e tecnologia às escolas

    A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que transforma em legislação federal os programas Pop Ciência e Mais Ciência na Escola, voltados à disseminação do conhecimento científico e à educação digital no ensino básico.

    O Pop Ciência tem como foco levar ciência e saberes tradicionais à população em geral, enquanto o Mais Ciência na Escola busca incentivar a curiosidade científica, o ensino de áreas como tecnologia, engenharia e matemática, e a aproximação entre escolas e instituições de pesquisa.

    Programas fortalecem o ensino de ciência e tecnologia na educação básica, promovendo a aproximação entre escolas e centros de pesquisa.

    Programas fortalecem o ensino de ciência e tecnologia na educação básica, promovendo a aproximação entre escolas e centros de pesquisa.Sumaia Villela/Agência Brasil

    O texto aprovado foi o substitutivo acatado anteriormente pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação ao projeto de lei 674/2024, do deputado Pedro Aihara (PRD-MG), apensado ao texto nº 2.959/2024. O relator na Comissão de Educação, deputado Pastor Gil (PL-MA), ressaltou que os programas já existem por normas do Executivo, e que a institucionalização por lei garante maior estabilidade e continuidade.

    O novo texto prevê premiações para alunos, professores e escolas com bom desempenho em olimpíadas científicas, considerando o impacto positivo na comunidade escolar.

    Financiamento e objetivos

    O Pop Ciência contará com recursos do Orçamento Geral da União e parcerias com entidades públicas e privadas. O programa apoiará o uso de tecnologias digitais, a capacitação de jovens no ensino superior e o estímulo à participação da sociedade em decisões sobre ciência e tecnologia.

    Já o Mais Ciência na Escola busca desenvolver competências em áreas STEAM (ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática), além de fortalecer o vínculo entre educação básica e produção científica.

    Tramitação

    A proposta segue em caráter conclusivo para análise nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, ainda precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

  • Câmara analisa nesta quarta proposta que barra aumento do IOF

    Câmara analisa nesta quarta proposta que barra aumento do IOF

    Deputados não aceitam aumento de imposto, diz Hugo Motta.

    Deputados não aceitam aumento de imposto, diz Hugo Motta.Pedro Ladeira/Folhapress

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou uma sessão deliberativa para esta quarta-feira (26) com foco no projeto que susta o decreto presidencial que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A proposta é de autoria do deputado Zucco (PL-RS) e foi apresentada no mesmo dia da publicação do decreto pelo governo, que integra o pacote fiscal com previsão de arrecadar até R$ 7 bilhões.

    A urgência do projeto foi aprovada no último dia 16 por ampla maioria: 346 votos a favor e 97 contrários. O apoio veio inclusive de partidos que integram a base do governo, como PSD, União Brasil, Republicanos, PP e PDT. A aprovação do regime de urgência permite que a proposta seja votada diretamente em Plenário, sem passar pelas comissões.

    Além do PDL do IOF, Hugo Motta incluiu na pauta outros projetos de impacto fiscal e social:

    • MP 1291/2025, que autoriza o uso de até R$ 15 bilhões por ano do Fundo Social para habitação popular e permite ao governo leiloar óleo e gás excedente, com potencial de arrecadação de até R$ 20 bilhões;
    • MP 1292/2025, que libera a contratação de crédito consignado por trabalhadores do setor privado;
    • PL 2692/2025, que isenta do Imposto de Renda quem ganha até dois salários mínimos.

    Segundo o presidente da Câmara, o Congresso não está disposto a apoiar aumentos de impostos sem uma reavaliação das despesas e das isenções fiscais. A votação do PDL do IOF representa um gesto político de resistência à estratégia fiscal do governo baseada no aumento de tributos em vez da contenção de gastos.

    Leia ainda:

    Veja como cada deputado votou na urgência

  • Para compensar IOF, governo reduz PIS/Cofins de etanol para indústria

    Para compensar IOF, governo reduz PIS/Cofins de etanol para indústria

    Medida não vale para etanol utilizado em combustível de veículos.

    Medida não vale para etanol utilizado em combustível de veículos.Wagner Vilas/Onzex Press e Imagens/Folhapress

    O presidente Lula assinou o Decreto nº 12.525/2025, que reduz as alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins sobre a venda de etanol não combustível, usado como insumo na indústria e não como combustível automotivo. A medida entra em vigor imediatamente.

    A mudança busca compensar parte da perda de arrecadação causada pela provável derrubada do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no Congresso. O projeto que derruba o aumento do IOF será votado nesta quarta-feira (25) na Câmara.

    Segundo a exposição de motivos de uma medida provisória publicada na semana passada, o governo estima arrecadar até R$ 400 milhões com a nova regra ainda neste ano.

    O etanol não combustível é utilizado na fabricação de bebidas, cosméticos, produtos de limpeza, medicamentos, vinagre e também na geração de energia elétrica.

    Como ficam as alíquotas

    Em 2025, a regra varia conforme o regime tributário da empresa:

    • Empresas fora do regime especial: não terão redução; o PIS será de 5,25% e a Cofins de 24,15%.
    • Empresas no regime especial: aplicam coeficiente de 0,7552, com PIS de 1,29% e Cofins de 5,91%.

    A partir de 1º de janeiro de 2026, o coeficiente de 0,7552 será aplicado a todas as empresas, unificando o tratamento tributário.

    Consolidação legal

    O decreto também revoga quatro normas anteriores sobre o tema, entre elas os decretos nº 6.573/2008 e nº 8.164/2013, com o objetivo de simplificar a legislação e dar maior previsibilidade ao setor.

    A medida integra a estratégia do governo de reorganizar incentivos fiscais e calibrar a arrecadação com base na revisão de gastos e isenções, sem depender exclusivamente do aumento de impostos.

    A nova política de alíquotas segue o plano do governo de ajustar incentivos fiscais e tornar mais previsível a tributação sobre energias alternativas e insumos industriais, com impactos diretos sobre os setores químico, farmacêutico e de bebidas, principais consumidores de etanol não combustível.

    Para conter eventuais impactos da guerra no Oriente Médio, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu nesta terça-feira elevar o percentual de mistura do etanol na gasolina de 27% para 30%, enquanto no biodiesel o percentual vai subir de 14% para 15%.

  • STF retoma julgamento sobre responsabilização das redes sociais

    STF retoma julgamento sobre responsabilização das redes sociais

    O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (25) o julgamento que pode mudar o regime de responsabilidade das plataformas digitais por postagens ilegais feitas por usuários. A análise foi suspensa no último dia 12, quando se formou maioria de 7 votos a 1 pela inconstitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014).

    Cármen Lúcia deve votar nesta quarta-feira. Além dela, também vão se posicionar os ministros Edson Fachin e Nunes Marques.

    Cármen Lúcia deve votar nesta quarta-feira. Além dela, também vão se posicionar os ministros Edson Fachin e Nunes Marques.Ton Molina /Fotoarena/Folhapress

    Com os votos de Edson Fachin, Cármen Lúcia e Nunes Marques ainda pendentes, a expectativa é de que o julgamento se encerre nesta semana, com potencial de criar um novo marco regulatório para a responsabilidade das redes sociais no Brasil.

    O dispositivo em questão impede a responsabilização das redes sociais por conteúdos publicados por terceiros, exceto se houver descumprimento de ordem judicial para remoção. Para os ministros que votaram contra o artigo, a regra atual transfere aos cidadãos o ônus de acionar a Justiça para retirar conteúdos ofensivos ou ilegais, o que comprometeria a proteção de direitos fundamentais.

    Apesar da maioria formada, a tese jurídica com os parâmetros da decisão ainda não foi definida. Essa tese orientará como as plataformas devem agir diante de conteúdos ilícitos e será crucial para a aplicação da decisão nos tribunais e no funcionamento das redes.

    Votos já proferidos

    Entre os votos mais duros, Alexandre de Moraes defendeu que as big techs não podem ser uma “terra sem lei” e criticou o modelo de negócios das plataformas. Flávio Dino afirmou que as empresas devem sim ser responsabilizadas civilmente pelos danos causados por conteúdos de terceiros.

    Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Luiz Fux também se posicionaram contra a exigência de ordem judicial prévia, embora com nuances:

    • Fux e Toffoli apoiam a exclusão de conteúdos com base em notificações extrajudiciais, feitas diretamente pelos atingidos;
    • Barroso defende que apenas em casos de crimes contra a honra (como calúnia e difamação) é necessária ordem judicial. Nos demais casos, bastaria a notificação e o dever de cuidado das plataformas;
    • O único voto divergente até agora foi o de André Mendonça, que defendeu a manutenção das regras atuais do Marco Civil.

    Casos em julgamento

    O debate ocorre no julgamento de dois recursos:

    •  Caso Facebook Relatado por Dias Toffoli, trata da condenação da plataforma por danos morais devido à criação de um perfil falso. A empresa tenta reverter a decisão com base na proteção do Artigo 19.
    • Caso Google Relatado por Luiz Fux, discute se uma empresa provedora de site tem o dever de fiscalizar e remover conteúdo ofensivo sem ordem judicial.
  • Boca de urna: Parlamentares pedem votos no Prêmio Congresso em Foco

    Boca de urna: Parlamentares pedem votos no Prêmio Congresso em Foco

    A votação para o Prêmio Congresso em Foco já começou e os parlamentares não perdem tempo. A distribuição de santinhos virtuais já começou nas principais redes sociais, com senadores, deputados e até partidos buscando os eleitores na premiação mais importante da política brasileira.

    Deputados e senadores já começaram a fazer campanha pelo voto popular no Prêmio Congresso em Foco.

    Deputados e senadores já começaram a fazer campanha pelo voto popular no Prêmio Congresso em Foco.Arte Congresso em Foco

    A votação popular vai eleger 10 parlamentares como os Melhores na Câmara dos Deputados e 5 como os Melhores no Senado Federal. A eleição, como indica o regulamento, vai passar por uma auditoria externa.

    A disputa pelo voto popular é, tradicionalmente, a categoria mais competitiva do Prêmio. É o momento que os representantes eleitos pela população acionam as suas redes sociais em busca do apoio dos seguidores. Só não vale showmício e fake news.

    Veja abaixo as manifestações dos parlamentares até agora em busca do voto popular.

    Reprodução/Instagram

  • Governo propõe pena maior para furto e receptação de celular

    Governo propõe pena maior para furto e receptação de celular

    O governo federal enviou ao Congresso um projeto de lei que aumenta as penas para o furto de celulares e a receptação desses aparelhos, especialmente quando praticados por organizações criminosas especializadas.

    Projeto que aumenta pena para furtos de celulares foi enviado ao Congresso.

    Projeto que aumenta pena para furtos de celulares foi enviado ao Congresso.Diego Padgurschi/Folhapress

    A proposta cria uma nova forma de furto qualificado, com pena dobrada, para casos cometidos com objetivo de revenda ou por encomenda. Também amplia a pena de receptação qualificada de celulares, que poderá chegar a 12 anos de prisão.

    Foco nas quadrilhas

    Segundo o Ministério da Justiça, o objetivo é combater o furto em larga escala, como no caso da quadrilha da “mainha do crime”, que atuava em São Paulo. O texto não altera penas para roubo, que já são mais severas.

    A proposta ainda não tem data para ser votada no Congresso.

  • Justiça obriga bets a divulgarem proibição do Bolsa Família em apostas

    Justiça obriga bets a divulgarem proibição do Bolsa Família em apostas

    Avanço de jogos online compromete gastos do consumidor, aponta estudo.

    Avanço de jogos online compromete gastos do consumidor, aponta estudo.Laryssa Toratti/Folhapress

    A Justiça Federal de São Paulo determinou que as dez maiores empresas de apostas esportivas online em operação no país incluam, em até 45 dias, alertas permanentes e visíveis em todas as interfaces de suas plataformas sobre a proibição do uso de recursos de programas sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), para apostas. A decisão liminar foi proferida no último dia 13 de junho pelo juiz Gabriel Hillen Albernaz Andrade, da 13ª Vara Cível Federal.

    Veja a liminar concedida

    A medida atende parcialmente a uma ação civil pública proposta pelo Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Mônica Paião Trevisan (Cedeca) e pela ONG Francisco de Assis: Educação, Cidadania, Inclusão e Direitos Humanos. As entidades alegam que milhões de reais em benefícios sociais vêm sendo desviados para apostas online, colocando em risco a segurança alimentar de famílias em situação de vulnerabilidade.

    Jogo responsável

    Para o juiz, a exigência de inserção de alertas nas plataformas das empresas de apostas sobre a ilegalidade do uso de recursos de programas sociais é coerente com a legislação vigente e reforça a política de “jogo responsável”, prevista em normas como a Portaria SPA/MF 1231/2024.

    Ainda segundo o magistrado, a imposição judicial se alinha à jurisprudência do STF e serve como medida educativa e preventiva, sem violar direitos constitucionais. Ao determinar a inclusão dos alertas, Gabriel Hillen citou o risco de continuidade do desvio de recursos assistenciais até que soluções técnicas mais robustas sejam implementadas pelo governo federal.

    Do Bolsa Família para as bets

    Segundo dados do Banco Central, só no mês de agosto de 2024, mais de R$ 3 bilhões foram transferidos via Pix por cerca de 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família para casas de apostas. O valor médio por apostador foi de R$ 100, o que representa aproximadamente 15% do benefício mensal, de R$ 682 por família. Em 70% dos casos, os apostadores eram os próprios responsáveis legais pelos núcleos familiares.

    Embora tenha reconhecido a gravidade da situação, o juiz indeferiu a maior parte dos pedidos feitos pelas entidades. Ele rejeitou, por exemplo, a exigência de bloqueio automático de acesso às plataformas por usuários do CadÚnico e a suspensão de campanhas publicitárias voltadas ao público de baixa renda. Na avaliação do magistrado, essas medidas seriam excessivamente paternalistas e comprometeriam a autonomia individual das pessoas em situação de pobreza.

    “Pretende-se proteger o mínimo existencial dessas pessoas ao custo de sacrificar parte de sua liberdade de escolha”, escreveu o juiz. Para ele, restringir judicialmente o acesso de determinados grupos populacionais a conteúdos de marketing ou à possibilidade de gerir seus próprios recursos fere a dignidade da pessoa humana, tal como definida pela Constituição.

    O magistrado também considerou que parte das medidas já está sendo contemplada por decisão do Supremo Tribunal Federal, que, nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7721 e 7723, obrigou a União a impedir que recursos do Bolsa Família e do BPC sejam transferidos a contas vinculadas a empresas de apostas.

    Empresas citadas e valores cobrados

    A ação judicial tem como alvos a União Federal, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e as casas de apostas online Bet365, Betano, Betfair, Sportingbet, EstrelaBet, KTO, Superbet, VBET, Novibet e Betnacional.

    As entidades autoras acusam essas empresas de não adotarem qualquer medida para coibir o uso de recursos de famílias inscritas no CadÚnico. Elas pedem à Justiça:

    • Condenação solidária das rés ao pagamento de R$ 500 milhões por danos morais coletivos, a serem revertidos ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) ou para políticas públicas de combate à ludopatia e proteção social;
    • Devolução integral, ao Ministério do Desenvolvimento Social, dos valores obtidos com transações feitas por beneficiários do CadÚnico desde dezembro de 2024;
    • Implementação de mecanismos para limitar depósitos, conforme critérios de renda;
    • Campanhas educativas e de conscientização em massa.

    Segundo um levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) citado na ação, o redirecionamento de renda para apostas online provocou um prejuízo estimado de R$ 103 bilhões ao varejo brasileiro em 2024, contribuindo para a perda de 420 mil empregos e R$ 18,5 bilhões em arrecadação tributária.

  • Deputado Fausto Pinato nega relação com investigado por fraude no INSS

    Deputado Fausto Pinato nega relação com investigado por fraude no INSS

    O deputado federal Fausto Pinato (PP-SP) foi citado em ofício da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme o órgão, o parlamentar realizou transação financeira com Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da associação Amar Brasil Clube de Beneficiários (ABCB), uma das entidades investigadas nas fraudes no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Em nota desta terça-feira (24), o deputado negou a relação.

    Deputado Fausto Pinato.

    Deputado Fausto Pinato.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    “Não tenho qualquer envolvimento com os fatos investigados. A citação à minha pessoa se dá unicamente pela localização do meu escritório político, alugado em janeiro de 2024, no mesmo endereço onde anteriormente funcionou uma empresa supostamente ligada ao caso”, iniciou Fausto Pinato.

    O congressista ainda afirmou que a transação citada pela PF se trata de uma “infeliz coincidência”, uma vez que a referida empresa encerrou as atividades em agosto de 2023, portanto, antes de Fausto Pinato alugar o escritório para fins do mandato parlamentar. A empresa em questão é Fae Magazine Virtual, da qual o investigado Felipe Macedo Gomes era sócio-proprietário.

    “Estou absolutamente tranquilo quanto à lisura da minha conduta e à regularidade de todos os meus atos públicos e privados. Reitero meu compromisso com a ética, a transparência e o respeito às instituições”, complementou. “Coloco-me à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.

    Fraudes no INSS

    A Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU), revelou que os descontos associativos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024 somam R$ 6,3 bilhões. Desse valor, a investigação aponta irregularidades e aumento expressivo no registro de descontos.

    O INSS iniciou a devolução de R$ 292,7 milhões a aposentados e pensionistas entre os dias 26 de maio e 6 de junho. O montante é referente a mensalidades descontadas em abril por associações e sindicatos, mesmo após o bloqueio determinado pelo órgão. Conforme o instituto, a folha de bloqueio já havia sido processada antes da suspensão.

    De acordo com as investigações da PF e da CGU, o valor estimado de descontos associativos realizados pela ABCB, que foi presidida por Felipe Macedo Gomes, foi de R$ 95,8 milhões em 2024. O número corresponde a quase o dobro do valor descontado em 2023, R$ 50,2 milhões. Se comparado com 2022, quando os descontos somaram R$ 1,8 milhão, o crescimento chega a mais de 5.000%.

  • INSS quer ressarcir vítimas de fraude a partir de 24 de julho

    INSS quer ressarcir vítimas de fraude a partir de 24 de julho

    O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pretende iniciar em 24 de julho os pagamentos para vítimas de descontos irregulares nos benefícios de aposentados e pensionistas. A estimativa foi apresentada em audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal, na última terça-feira, com apoio da Advocacia-Geral da União e do Ministério da Previdência Social.

    A operação envolverá lotes quinzenais, cada um com cerca de 1,5 milhão de beneficiários. Os valores serão corrigidos pela inflação e não dependerão da responsabilização prévia das associações envolvidas. Até o momento, mais de 3,4 milhões de pessoas já solicitaram ressarcimento por meio dos canais oficiais do INSS.

    Primeiro lote pode beneficiar até 1,5 milhão de aposentados e pensionistas.

    Primeiro lote pode beneficiar até 1,5 milhão de aposentados e pensionistas.Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

    Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller, a divisão em lotes respeita o prazo de 15 dias úteis dado às entidades para responder às contestações dos segurados. A devolução integral está assegurada, e o governo avalia alternativas para ampliar o acesso, como o uso de agências dos Correios e embarcações flutuantes que atendem comunidades quilombolas e indígenas.

    A operação Sem Desconto, deflagrada em abril pela Polícia Federal e pela Corregedoria-Geral da União (CGU) revelou que até 6 milhões de aposentados podem ter sido lesados por associações que fraudaram acordos técnicos com o INSS para realizar descontos sem autorização. Estima-se que os valores desviados somem cerca de R$ 6,3 bilhões, dos quais R$ 2,8 bilhões já foram bloqueados pela Justiça Federal.

    A efetivação dos reembolsos ainda depende de homologação judicial, mas a proposta do governo é concluir os pagamentos até o fim de 2025. O Executivo busca encontrar uma forma reparar os danos causados sem sobrecarregar o orçamento, enquanto ações judiciais seguem em curso para responsabilizar os envolvidos.

  • IFI prevê que dívida bruta vai chegar a 100% do PIB em 2030

    IFI prevê que dívida bruta vai chegar a 100% do PIB em 2030

    A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado prevê que a dívida bruta do governo chegará a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2030 e a 77,6% já em 2025. A projeção consta no novo Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), divulgado nesta terça-feira (24), que também alerta para a insustentabilidade do atual arcabouço fiscal.

    O estudo indica o risco de colapso da regra fiscal aprovada em 2023. Segundo o relatório, só uma ampla reforma poderá conter o crescimento da dívida e recuperar a capacidade de investimento da União, dos estados e dos municípios.

    Relatório da IFI aponta possibilidade de colapso do arcabouço fiscal.

    Relatório da IFI aponta possibilidade de colapso do arcabouço fiscal.Saulo Angelo/Thenews2/Folhapress

    Gastos crescentes e receitas em queda

    De acordo com a IFI, os gastos públicos devem saltar de 18,9% do PIB em 2025 para 20,4% em 2035, enquanto a arrecadação cai de 18,3% para 17,7%. O desequilíbrio levaria a déficits primários crescentes: 0,66% do PIB em 2025 e 2,7% em 2035.

    A projeção da IFI para a dívida diverge da do governo federal, que espera 81,6% do PIB em 2035. A diferença se explica, entre outros fatores, por expectativas de receitas frustradas e desonerações em vigor, que a IFI já desconsidera.

    Para os diretores Marcus Pestana e Alexandre Andrade, o cenário fiscal exige soluções políticas. Eles defendem “amplo diálogo entre Congresso, governo e sociedade” para aprovar medidas duras, como aumento de tributos e corte de despesas, e reverter o quadro de desequilíbrio estrutural das contas públicas.