Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Congresso desiste de secretaria de orçamento subordinada a Davi

    Congresso desiste de secretaria de orçamento subordinada a Davi

    Após pressão de deputados, servidores e ONGs ligadas à fiscalização do uso de recursos públicos, o Congresso recuou da proposta de criação de um órgão para cuidar das emendas parlamentares. A Secretaria Especial de Orçamento Público ficaria subordinada à presidência do Congresso, atualmente ocupada pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP). 

    A secretaria foi excluída do novo relatório do projeto de resolução que altera as regras de execução orçamentária, cuja votação está prevista para esta quinta-feira (13), a partir das 10h, em sessão conjunta de deputados e senadores.

    O principal argumento para a desistência da ideia foi que a criação do órgão não estava prevista no acordo firmado previamente com o Supremo Tribunal Federal (STF). Também pesou a pressão de deputados de que a mudança fortaleceria Davi, em detrimento do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

    Davi Alcolumbre teria maior poder sobre orçamento do que Hugo Motta caso criação de secretaria prosperasse

    Davi Alcolumbre teria maior poder sobre orçamento do que Hugo Motta caso criação de secretaria prosperassePedro Ladeira/Folhapress

    Em nota conjunta divulgada nessa quarta (12), a Transparência Internacional e o Contas Abertas afirmaram que a criação da secretaria enfraqueceria as consultorias técnicas independentes da Câmara e do Senado, responsáveis por fiscalizar a transparência orçamentária.

    Segundo as entidades, essa medida representaria um retrocesso de 30 anos, recriando condições semelhantes às que levaram ao escândalo dos “Anões do Orçamento” na década de 1990. Naquela ocasião, a comissão parlamentar de inquérito desmontou um esquema de parlamentares que cobrava propinas de prefeitos e empreiteiras para incluir obras no Orçamento da União, desviando recursos por meio de entidades fantasmas. A CPI dos Anões do Orçamento resultou na cassação de deputados e no impulso a reformas para combater a corrupção no processo orçamentário.

    As ONGs afirmaram, ainda, que a medida dificultaria a divulgação de dados, permitindo a ocultação de recursos públicos, como ocorreu com o “Orçamento Secreto” e as “emendas Pix”.

    Acordo

    Com o projeto de resolução, o Congresso valida o plano de trabalho conjunto dos Poderes Legislativo e Executivo, homologado pelo Supremo Tribunal Federal, com o objetivo de aumentar a transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares. A nova regulamentação de divulgação das emendas foi determinada pelo ministro Flávio Dino, do STF. O plano padroniza as informações sobre beneficiários e gastos das emendas no Portal da Transparência, incluindo a identificação dos parlamentares autores de emendas de comissão e de relator, aproximando-as dos padrões já existentes para as emendas do Executivo.

    “Estamos nivelando, dentro do acordo da conciliação na ADPF, que está sendo construída entre o Poder Executivo, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário, essa padronização da transparência, da rastreabilidade e da modernização do sistema de apresentação de emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União, sejam elas discricionárias do Poder Executivo, sejam elas emendas de Comissão, sejam elas emendas de transferência especial, sejam elas emendas de bancada individuais, impositivas ou não impositivas, no âmbito do Orçamento público brasileiro”, declarou Davi Alcolumbre, ao anunciar a votação do projeto.

    A proposta altera o percentual das emendas individuais, fixando-o em 2% da receita corrente líquida do exercício anterior, em vez dos 1,2% atuais. Desse total, 1,55% seriam destinados aos deputados e 0,45% aos senadores. A proposta determina também que as emendas Pix priorizem a conclusão de obras inacabadas.

  • Isenção a alimentos importados “já deu certo”, diz presidente da Abras

    Isenção a alimentos importados “já deu certo”, diz presidente da Abras

    O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, disse ao Congresso em Foco que o governo acerta ao zerar as tarifas de importação para 11 grupos de alimentos. Na última quinta-feira (13), a Câmara de Comércio Exterior (Camex) confirmou a medida, adotada para reduzir a inflação.

    Em conversa rápida, Galassi afirmou que o corte de impostos para alimentos importados já foi usado antes, no governo Bolsonaro, quando os preços do arroz dispararam com o baque econômico da pandemia da covid-19. “A primeira medida que foi feita naquela época foi exatamente a retirada de impostos de importação do arroz, e ali o arroz já se acomodou com o tempo. Isso é uma ferramenta, que deve ser utilizada”, explica.

    Leia trechos da conversa abaixo:

    As medidas de controle de inflação que o governo está tomando agora, com corte de impostos para importação, vão dar certo? O que falta?

    Acho que já deu certo. São iniciativas positivas, você de alguma forma traz ali uma competição do mercado externo com o mercado interno. Isso já foi feito em outros governos. Por exemplo, eu tive essa oportunidade no governo Bolsonaro de debatermos a questão do arroz. A primeira medida que foi feita naquela época foi exatamente a retirada de impostos de importação do arroz, e ali o arroz já se acomodou com o tempo. Isso é uma ferramenta, que deve ser utilizada. A outra iniciativa que eu acho muito positiva é nós, de alguma forma, incentivarmos os governadores dos estados a reduzirem os impostos sobre a cesta básica ou seja, antecipar a reforma tributária que já foi aprovada.

    Mas isso são ações pontuais, dentro de um momento. Nós temos que atuar nas questões que também estão nos custos dos produtos, embutidos ao longo do tempo, como as taxas de alimentação, do voucher alimentação-refeição, que estão embutidas hoje nos produtos pelo alto custo dessas operadoras. Precisamos retirar esses impostos para que nós possamos ter ali alguma forma de repassar esse custo para o consumidor. Há outras ferramentas, como a venda de medicamentos sem receitas. E o país não pode abandonar as reformas estruturantes. Esse é o ponto que de fato leva o país para a frente e que estabiliza tudo de uma única vez.

    Hoje, o mercado projeta que a inflação vai ficar fora da meta em 2025. É hora de rever isso?

    Eu acho que nós temos aí a situação dos juros, que estão sendo colocados nesse momento, e que de fato vai, de alguma forma, conter esse processo. Agora, por outro lado, o aumento dos juros contém também os investimentos. Então nós precisamos analisar até que ponto nós estamos no caminho certo, nesse modelo. O que nós precisamos é reduzir o custo Brasil.

    O presidente da Abras, João Galassi, na tribuna do plenário da Câmara

    O presidente da Abras, João Galassi, na tribuna do plenário da CâmaraKayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Homenagem na Câmara e recondução

    Na terça-feira (11), a Câmara dos Deputados realizou uma sessão em homenagem à Abras. O requerimento teve como primeiro signatário o deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), que presidiu a sessão. O evento também teve a presença dos ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Carlos Fávaro (Agricultura) e Márcio França (Empreendedorismo). No mesmo dia, Galassi foi reconduzido à presidência da instituição, em mandato que vai até 2027.

  • Congresso adia votação do Orçamento para abril

    Congresso adia votação do Orçamento para abril

    A Comissão Mista de Orçamento (CMO) anunciou neste sábado (15) o adiamento da votação do Orçamento de 2025 para a primeira semana de abril. Inicialmente prevista para ocorrer em 18 e 19 de março, a análise do projeto foi postergada devido a pendências no relatório do senador Angelo Coronel (PSD-BA) e à viagem oficial dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ao Japão, onde acompanharão o presidente Lula.

    O senador Angelo Coronel (PSD-BA) é o relator do Orçamento de 2025 no Congresso Nacional

    O senador Angelo Coronel (PSD-BA) é o relator do Orçamento de 2025 no Congresso NacionalGeraldo Magela/Agência Senado

    Com o adiamento, a nova previsão é que o projeto seja votado na CMO no período de 31 de março a 4 de abril, com votação no plenário do Congresso logo em seguida. O Orçamento deveria ter sido aprovado até o final do ano passado, mas divergências entre Legislativo e Judiciário sobre a distribuição de emendas parlamentares atrasaram o processo.

    A proposta orçamentária de 2025 inclui um corte de R$ 7,7 bilhões no Bolsa Família para viabilizar a ampliação de programas como o Auxílio-Gás. O Ministério do Planejamento também propôs um aumento de R$ 8 bilhões nas despesas previdenciárias e um acréscimo de R$ 3 bilhões ao benefício do gás de cozinha.

    Outro ponto de impasse é o programa Pé-de-Meia, voltado para estudantes de baixa renda, que ainda não tem a totalidade dos recursos assegurados no Orçamento. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o governo inclua os valores necessários, estimados em cerca de R$ 12 bilhões, mas a solução pode ficar para depois da votação.

    O relator Angelo Coronel pretendia apresentar um novo parecer até domingo (16), mas a postergação da votação também deve dar mais tempo para a entrega do texto final.

  • Bolsonaro diz que Kassab e o PSD apoiam anistia ao 8 de janeiro

    Bolsonaro diz que Kassab e o PSD apoiam anistia ao 8 de janeiro

    O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, é a favor da anistia aos presos pelo 8 de janeiro. A declaração foi feita em discurso durante manifestação na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro.

    O presidente do PSD, Gilberto Kassab, que hoje trabalha com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas

    O presidente do PSD, Gilberto Kassab, que hoje trabalha com o governador de São Paulo, Tarcísio de FreitasBruno Santos/Folhapress

    Quando falava com seus apoiadores, Bolsonaro declarou: “Tem gente boa em todos os partidos. Eu, inclusive, há poucos dias, tinha um velho problema e resolvi com o [Gilberto] Kassab em São Paulo. Ele está ao nosso lado, com sua bancada, para aprovar a anistia em Brasília. Todos os partidos estão vindo”.

    Kassab, hoje, é figura central na gestão de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ocupando o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais. Tarcísio costuma ser apontado como possível representante da direita nas eleições presidenciais de 2026, caso Bolsonaro siga inelegível.

    O PSD, porém, tem proximidade com o governo Lula. Hoje o partido tem três ministros na gestão petista: Cárlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e André de Paula (Pesca). Os parlamentares do PSD também costumam servir de apoio para Lula no Congresso: acompanharam a posição do governo em 87% das vezes no Senado e em 81% das vezes na Câmara nos dois primeiros anos de mandato, segundo a ferramenta Radar do Congresso.

    O partido tem bancada expressiva nas duas Casas, com 44 deputados e 15 senadores.

  • Cidadania confirma saída da federação com PSDB para 2026

    Cidadania confirma saída da federação com PSDB para 2026

    O diretório nacional do Cidadania confirmou neste domingo (16) o rompimento da federação partidária com o PSDB. A decisão, já aprovada pela executiva nacional em fevereiro, foi referendada em reunião em Brasília.

    Apesar da decisão, a separação oficial só ocorrerá, na prática, em 2026. A legislação exige que partidos federados permaneçam juntos por ao menos quatro anos, sob pena de restrições como a proibição de integrar novas federações e de formar coligações em eleições majoritárias.

    A aliança entre PSDB e Cidadania foi homologada em 2022 para atender à cláusula de barreira, regra que condiciona o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral ao número de parlamentares eleitos nas urnas.

    Sem o Cidadania, o PSDB segue buscando alternativas para reverter sua crise eleitoral. Entre as possibilidades discutidas, estão fusões ou novas federações com partidos como Podemos, MDB e Republicanos. A sigla, que já foi uma das mais influentes do país, enfrenta dificuldades para superar a cláusula de desempenho e manter sua estrutura política e financeira.

  • Senado pode votar nesta terça projeto que ameniza Lei da Ficha Limpa

    Senado pode votar nesta terça projeto que ameniza Lei da Ficha Limpa

    O Plenário do Senado Federal poderá votar, na terça-feira, 18 de abril de 2024, a redução dos prazos de inelegibilidade de políticos condenados por crimes que impliquem a proibição de disputar eleições. Essa alteração está prevista no projeto de lei complementar (PLP) 192/2023, incluído na pauta da sessão deliberativa. Além deste, a sessão contempla projetos relacionados à alfabetização e à saúde.

    Sessão de votações no plenário do Senado

    Sessão de votações no plenário do SenadoAndressa Anholete/Agência Senado

    O PLP 192/2023, de autoria da deputada federal Dani Cunha (União-RJ), propõe modificar a regra para contagem de prazos da Lei da Ficha Limpa:

    • Hoje, um político declarado inelegível permanece assim por um período de oito anos, acrescido do tempo restante do seu mandato.
    • Pelo projeto no Senado, o prazo passa a ser único, de oito anos. Ele será contado a partir da decisão judicial que decretar a perda do mandato, da eleição na qual ocorreu o ato que levou à condenação, da condenação por órgão colegiado ou da renúncia do mandato.

    Aprovado na Câmara dos Deputados e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o projeto segue para a sanção do presidente Lula se for aprovado pelo Plenário sem alterações. Caso aprovadas, as novas regras poderão ser aplicadas imediatamente após a sanção e poderão afetar condenações já em curso. O relator, senador Weverton (PDT-MA), argumenta que o projeto elimina distorções e garante “isonomia”.

  • Bolsonaro se emociona ao falar de Eduardo e agradece Trump

    Bolsonaro se emociona ao falar de Eduardo e agradece Trump

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se emocionou nesta terça-feira (18) ao comentar o afastamento do filho, Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), que decidiu permanecer nos Estados Unidos por tempo indeterminado. Durante um evento no Senado Federal, Bolsonaro chorou ao afirmar que vive um momento difícil e voltou a criticar a atuação do ministro Alexandre de Moraes, além de agradecer ao presidente norte-americano Donald Trump pelo apoio a Eduardo.

    Bolsonaro chora ao falar sobre afastamento do filho

    Em seu discurso, Bolsonaro se emocionou ao mencionar que Eduardo ficará nos Estados Unidos e lamentou a situação. “Hoje é um dia marcante para mim. O afastamento de um filho. Mas ele se afasta não apenas por patriotismo, mas para combater algo que está avançando no país”, declarou com a voz embargada.

    O ex-presidente também disse que Eduardo tomou essa decisão para atuar contra supostas violações de direitos no Brasil. O deputado federal anunciou sua licença do mandato e afirmou que pode pedir asilo político ao governo dos Estados Unidos.

    Leia também: Após 34 anos, Câmara não terá nenhum Bolsonaro; veja como era o mundo

    Bolsonaro fala sobre licença do Eduardo.

    Bolsonaro fala sobre licença do Eduardo.Ton Molina /Fotoarena/Folhapress

    Agradecimento a Trump

    Ainda durante seu discurso, Bolsonaro agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por, segundo ele, apoiar Eduardo. “Tenho profundo respeito, admiração e gratidão por Trump. Sei que, neste momento, ele continuará abraçando Eduardo”, afirmou.

    Bolsonaro também mencionou a retenção de seu próprio passaporte, determinada pela Justiça após ele ter passado uma noite na embaixada da Hungria. Segundo o ex-presidente, essa restrição o impediu de comparecer a um evento de Trump.

    Críticas ao STF e investigações em andamento

    Bolsonaro aproveitou a ocasião para atacar o ministro Alexandre de Moraes, afirmando que o Brasil vive um momento de escalada autoritária. Sem apresentar provas, sugeriu que há perseguição política contra ele e seus aliados.

  • Filipe Barros assume Credn e defende Eduardo Bolsonaro

    Filipe Barros assume Credn e defende Eduardo Bolsonaro

    O deputado Filipe Barros (PL-PR) assumiu, nesta quarta-feira (19), a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Credn). Ele foi escolhido para o cargo um dia após o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciar licença por tempo indeterminado. Eduardo era o nome preferido do partido para comandar o colegiado, mas a indicação foi inviabilizada pela decisão de não retornar ao país.

    Em seu discurso de posse, Filipe Barros defendeu o colega e reforçou o alinhamento às suas teses.

    Novo presidente da Credn, Filipe Barros chama afastamento de Eduardo de

    Novo presidente da Credn, Filipe Barros chama afastamento de Eduardo de “histórico”.Mário Agra/Câmara dos Deputados

    Licença de Eduardo Bolsonaro

    Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde 27 de fevereiro. Na terça-feira (18), ele anunciou que pediria licença do mandato, alegando receio de ser preso ao retornar ao Brasil. A decisão foi mantida mesmo após a Procuradoria-Geral da República (PGR) negar o pedido de investigação contra ele.

    A iniciativa do deputado ocorreu após uma notícia-crime apresentada pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). O parlamentar petista solicitou que Eduardo fosse investigado e que seu passaporte fosse retido, sob a alegação de que ele agiu contra interesses nacionais.

    O pedido teve como base a articulação do deputado para a aprovação de um projeto aprovado no Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA. A proposta visava impedir a entrada do ministro Alexandre de Moraes no país, em represália ao bloqueio de plataformas de mídias sociais americanas no Brasil.

    Posicionamento de Filipe Barros

    Ao comentar a licença de Eduardo Bolsonaro, Filipe Barros classificou o afastamento como “histórico”, alegando que ele estaria se exilando para evitar uma “perseguição às liberdades e à sua família”. O novo presidente da Credn argumentou que há um movimento para excluir a direita da política nacional e questionou se pode haver democracia sem espaço para esse espectro ideológico.

    Barros criticou o que chamou de “judicialização da política” e afirmou que há um “extremismo da coerção estatal” que estaria suprimindo liberdades e criminalizando opiniões. Segundo ele, assume a comissão com a missão de resgatar “a verdadeira soberania e as liberdades”, destacando que o colegiado será uma “trincheira institucional” para reafirmar a vontade do povo.

    Influência estrangeira

    Durante seu discurso, Barros também criticou a atuação de organizações internacionais na política brasileira, em especial as ONGs que receberam recursos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAid), órgão governamental extinto pelo governo Trump que tinha como função patrocinar instituições voltadas ao desenvolvimento e defesa dos direitos humanos em países parceiros dos EUA.

    “As relações internacionais têm que ser pautadas sobretudo na ideia de Estados-nações fortes, culturalmente soberanos. Hoje, infelizmente, não é o que assistimos no Brasil nas últimas décadas, onde fundações internacionais usam seu poderio econômico para influenciar na política local”, afirmou Barros.

    Disputa pela comissão

    A definição da presidência da Credn ocorreu após semanas de atrito no Colégio de Líderes. O PT tentou impedir que o comando ficasse com o PL, defendendo que a posição fosse ocupada pelo PSDB. A preocupação era que, sob a liderança de Eduardo Bolsonaro, os trabalhos da comissão pudessem comprometer a preparação do Brasil para a COP30 e influenciar disputas comerciais com os Estados Unidos.

    Eduardo Bolsonaro é um dos principais articuladores da oposição em nível internacional. Entusiasta de Donald Trump, chegou a ser cogitado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o cargo de embaixador nos Estados Unidos. No entanto, a indicação não avançou diante de críticas e alegações de nepotismo.

  • Filipe Barros assume Relações Exteriores e defende Eduardo Bolsonaro

    Filipe Barros assume Relações Exteriores e defende Eduardo Bolsonaro

    O deputado Filipe Barros (PL-PR) assumiu, nesta quarta-feira (19), a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Credn). Ele foi escolhido para o cargo um dia após o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciar licença por tempo indeterminado. Eduardo era o nome preferido do partido para comandar o colegiado, mas a indicação foi inviabilizada pela decisão de não retornar ao país.

    Em seu discurso de posse, Filipe Barros defendeu o colega e reforçou o alinhamento às suas teses.

    Novo presidente da Credn, Filipe Barros chama afastamento de Eduardo de

    Novo presidente da Credn, Filipe Barros chama afastamento de Eduardo de “histórico”.Mário Agra/Câmara dos Deputados

    Licença de Eduardo Bolsonaro

    Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde 27 de fevereiro. Na terça-feira (18), ele anunciou que pediria licença do mandato, alegando receio de ser preso ao retornar ao Brasil. A decisão foi mantida mesmo após a Procuradoria-Geral da República (PGR) negar o pedido de investigação contra ele.

    A iniciativa do deputado ocorreu após uma notícia-crime apresentada pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). O parlamentar petista solicitou que Eduardo fosse investigado e que seu passaporte fosse retido, sob a alegação de que ele agiu contra interesses nacionais.

    O pedido teve como base a articulação do deputado para a aprovação de um projeto aprovado no Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA. A proposta visava impedir a entrada do ministro Alexandre de Moraes no país, em represália ao bloqueio de plataformas de mídias sociais americanas no Brasil.

    Posicionamento de Filipe Barros

    Ao comentar a licença de Eduardo Bolsonaro, Filipe Barros classificou o afastamento como “histórico”, alegando que ele estaria se exilando para evitar uma “perseguição às liberdades e à sua família”. O novo presidente da Credn argumentou que há um movimento para excluir a direita da política nacional e questionou se pode haver democracia sem espaço para esse espectro ideológico.

    Barros criticou o que chamou de “judicialização da política” e afirmou que há um “extremismo da coerção estatal” que estaria suprimindo liberdades e criminalizando opiniões. Segundo ele, assume a comissão com a missão de resgatar “a verdadeira soberania e as liberdades”, destacando que o colegiado será uma “trincheira institucional” para reafirmar a vontade do povo.

    Influência estrangeira

    Durante seu discurso, Barros também criticou a atuação de organizações internacionais na política brasileira, em especial as ONGs que receberam recursos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAid), órgão governamental extinto pelo governo Trump que tinha como função patrocinar instituições voltadas ao desenvolvimento e defesa dos direitos humanos em países parceiros dos EUA.

    “As relações internacionais têm que ser pautadas sobretudo na ideia de Estados-nações fortes, culturalmente soberanos. Hoje, infelizmente, não é o que assistimos no Brasil nas últimas décadas, onde fundações internacionais usam seu poderio econômico para influenciar na política local”, afirmou Barros.

    Disputa pela comissão

    A definição da presidência da Credn ocorreu após semanas de atrito no Colégio de Líderes. O PT tentou impedir que o comando ficasse com o PL, defendendo que a posição fosse ocupada pelo PSDB. A preocupação era que, sob a liderança de Eduardo Bolsonaro, os trabalhos da comissão pudessem comprometer a preparação do Brasil para a COP30 e influenciar disputas comerciais com os Estados Unidos.

    Eduardo Bolsonaro é um dos principais articuladores da oposição em nível internacional. Entusiasta de Donald Trump, chegou a ser cogitado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o cargo de embaixador nos Estados Unidos. No entanto, a indicação não avançou diante de críticas e alegações de nepotismo.

  • CDH aprova projeto que pune agentes por negligência infantil

    CDH aprova projeto que pune agentes por negligência infantil

    A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (19), o projeto de lei 5562/2023, que prevê a responsabilização civil, criminal e administrativa de agentes públicos que negligenciarem a aplicação de medidas legais para a proteção de crianças e adolescentes. A proposta, de autoria do senador Carlos Viana (Podemos-MG), recebeu parecer favorável do relator, senador Laércio Oliveira (PP-SE), e segue agora para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

    Texto prevê segurança de crianças e adolescentes contra negligências e crimes

    Texto prevê segurança de crianças e adolescentes contra negligências e crimesRoque de Sá/Agência Senado

    O projeto propõe alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para estabelecer que a responsabilidade administrativa dos agentes públicos será atribuída ao ente federativo ao qual estiverem vinculados – estado, município, Distrito Federal ou União. A responsabilidade civil seguirá as diretrizes do Código Civil. No âmbito penal, a proposta prevê pena de detenção de dois meses a dois anos para agentes que não garantirem os direitos estabelecidos pelo ECA, além de multa diária que pode variar entre R$ 1.000 e R$ 5.000 para aqueles que descumprirem medidas previstas em outras leis.

    Crimes contra menores ainda são desafios

    Carlos Viana defendeu a iniciativa como um reforço ao cumprimento das normas já existentes, visando aprimorar as condições de segurança, educação e saúde das crianças e adolescentes brasileiros. “Assim contribuiremos para melhorar a assistência a crianças e adolescentes e, dessa forma, sem demagogia ou falsas promessas, mas com soluções reais, auxiliar a melhorar esse quadro de crise do sistema de atendimento a esse grupo de pessoas que representam o futuro do país”, afirmou o senador.

    O relator, senador Laércio Oliveira, destacou os avanços trazidos pelo ECA, mas alertou que crimes como abandono de incapaz, abandono material, pornografia infantojuvenil, maus-tratos, exploração sexual infantil e trabalho infantil ainda são desafios a serem enfrentados. “É inadmissível que agentes do Estado, responsáveis pela proteção de nossas crianças e adolescentes, ajam de forma negligente em relação às suas obrigações funcionais de adotar as medidas previstas nesse estatuto ou em outras normas para assegurar os direitos das crianças e dos adolescentes”, pontuou.

    Segundo Laércio, a responsabilização de agentes públicos precisa ser rigorosa, especialmente diante do aumento de crimes contra crianças e adolescentes. Ele citou dados do Anuário de Segurança Pública de 2024, que indicam crescimento nos casos de abandono de incapaz, abandono material, pornografia infantojuvenil, maus-tratos e exploração sexual infantil entre 2022 e 2023.

    Além disso, ressaltou que o trabalho infantil, apesar de estar em queda, ainda atingiu mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos no Brasil em 2023.