Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Entenda a MP Brasil Soberano, resposta de R$ 30 bi ao tarifaço dos EUA

    Entenda a MP Brasil Soberano, resposta de R$ 30 bi ao tarifaço dos EUA

    O presidente Lula assinou a Medida Provisória nº 1.309/2025, que institui o Plano Brasil Soberano, um pacote emergencial para apoiar exportadores e produtores afetados pela decisão dos Estados Unidos de sobretaxar produtos brasileiros em até 50%.

    A iniciativa prevê até R$ 30 bilhões em linhas de financiamento e reúne medidas de crédito, garantias, prorrogação de tributos e até compras públicas de alimentos que perderam mercado externo, numa tentativa de conter os impactos da crise comercial.

    Segundo o governo, trata-se de uma resposta à “taxação unilateral e desproporcional” do país norte-americano e um esforço para proteger empregos, manter a produção e preservar a balança comercial.

    Lula reuniu ministros e os presidentes da Câmara e do Senado para a assinatura da MP Brasil Soberano.

    Lula reuniu ministros e os presidentes da Câmara e do Senado para a assinatura da MP Brasil Soberano.Ricardo Stuckert/PR

    O que é a MP Brasil Soberano?

    É a Medida Provisória nº 1.309/2025, assinada na última quarta-feira (13), que cria o Plano Brasil Soberano, um conjunto de medidas emergenciais para proteger empresas e produtores brasileiros prejudicados pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre exportações nacionais.

    Por que o governo editou essa medida?

    No fim de julho, os EUA decidiram aumentar em até 50% as tarifas sobre produtos brasileiros, afetando especialmente setores agrícolas e industriais. O governo brasileiro considera essa medida uma “agressão comercial injustificada” e argumenta que a sobretaxa ameaça:

    • a balança comercial (entrada de dólares via exportação),
    • a produção nacional, e
    • a manutenção de empregos.

    Nas palavras do governo, a MP busca “mitigar os impactos econômicos causados pela taxação unilateral e desproporcional”, preservando exportadores e trabalhadores.

    Quem será beneficiado?

    • Exportadores brasileiros de produtos atingidos pelas tarifas.
    • Fornecedores dessas empresas, como indústrias que fornecem insumos ou serviços.
    • Produtores rurais que não conseguem vender sua produção ao exterior por causa da sobretaxa.
    • Pequenas e médias empresas, que terão acesso a garantias de crédito e seguros de exportação.

    Quais são as medidas de apoio?

    • Linhas de financiamento especiais

    Recursos para capital de giro (dinheiro para manter a produção e pagar despesas).

    Investimentos em adaptação produtiva, inovação tecnológica e abertura de novos mercados.

    Dinheiro poderá ser liberado via BNDES e bancos credenciados.

    Contratos terão exigência de manutenção de empregos ou compromissos equivalentes.

    • Seguros e garantias para exportações

    Ampliação da cobertura do Seguro de Crédito à Exportação (SCE).

    Reforço no Fundo de Garantia à Exportação (FGE).

    Permite proteger empresas contra riscos comerciais e financeiros, incluindo micro, pequenas e médias.

    • Prorrogação de tributos no regime de drawback

    Empresas que não conseguiram exportar por causa das tarifas poderão adiar o pagamento de impostos suspensos, sem multa.

    Evita que produtores paguem tributos de mercadorias que seriam destinadas ao exterior.

    • Compras governamentais de alimentos

    O governo poderá comprar diretamente (sem licitação) alimentos que perderam mercado externo.

    Exemplo: produtores de carne, frutas ou grãos que não conseguem vender aos EUA poderão vender ao governo.

    Esses produtos poderão abastecer escolas, hospitais, programas de combate à fome e estoques públicos.

    • Crédito emergencial – Peac-FGI Solidário

    Nova modalidade dentro do Programa Emergencial de Acesso a Crédito.

    Garante empréstimos para empresas e produtores afetados.

    Diferente dos financiamentos comuns, o risco é dividido com o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), administrado pelo BNDES.

    O que é o Plano Brasil Soberano?

    É o “guarda-chuva” que organiza todas essas medidas. Ele inclui ainda a criação de um Comitê de Acompanhamento das Relações Comerciais com os EUA, que vai:

    • monitorar o impacto das sobretaxas,
    • avaliar resultados das medidas,
    • e propor novos ajustes ou ações diplomáticas.

    Como as medidas ajudam na prática?

    Uma empresa de calçados que exportava 70% da produção para os EUA poderá acessar linhas de crédito para buscar novos mercados na Europa ou América Latina.

    Um produtor rural de soja que perdeu contratos poderá vender parte da safra ao governo, evitando prejuízos e desperdício.

    Pequenas fábricas que fornecem peças a exportadores terão acesso a garantias para manter seus financiamentos em dia.

    Há impacto nas contas públicas?

    O governo diz que não. A MP não cria gastos automáticos nem renúncia de receita. Ela apenas abre caminho para o uso de fundos já existentes (como o FGE) e autoriza o governo a realizar despesas, que dependerão de regulamentação e liberação posterior.

    Essa medida é definitiva?

    Ainda não. A MP tem validade imediata, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para virar lei. Se não for votada nesse prazo, perde a validade.

    O que acontece se nada for feito?

    Sem medidas de apoio, setores que dependem fortemente do mercado norte-americano poderiam reduzir a produção, demitir trabalhadores e perder competitividade internacional. Por isso, o governo fala em resposta rápida e “tempestiva e eficaz” para proteger a economia.


    Linha do tempo – sobretaxas dos EUA e a MP Brasil Soberano


    30 de julho de 2025

    Governo dos Estados Unidos anuncia sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros. Setores do agronegócio, siderurgia e indústria são os mais afetados.

    31 de julho a 10 de agosto de 2025

    Empresários e entidades pressionam o governo brasileiro por medidas emergenciais. Fazenda e MDIC começam a elaborar um pacote de respostas.

    13 de agosto de 2025

    Presidente Lula assina a MP nº 1.309, criando o Plano Brasil Soberano.

    Principais pontos: linhas de financiamento, reforço no seguro de exportação, prorrogação de tributos (drawback), compras emergenciais de alimentos e criação do Peac-FGI Solidário.

    Agosto de 2025 em diante

    Ministérios regulamentam as medidas. BNDES e bancos credenciados se preparam para oferecer crédito especial a exportadores.

    Até 120 dias

    O Congresso Nacional deve votar a MP. Sem aprovação, a medida perde validade.

    Se aprovada, a MP cria um modelo de resposta rápida a crises comerciais futuras.


    Leia ainda:

    Datafolha: 39% culpam família Bolsonaro por tarifaço; 35%, Lula

  • Dino veda ações de estados e municípios em tribunais estrangeiros

    Dino veda ações de estados e municípios em tribunais estrangeiros

    O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu nesta segunda-feira (18) que estados e municípios brasileiros ingressem com novas ações judiciais em tribunais estrangeiros. A decisão também torna sem efeito decisões judiciais estrangeiras que não tenham sido homologadas pelo STF.

    A controvérsia teve início após o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) questionar a atuação de dezenas de municípios que contrataram escritórios de advocacia no exterior para processar empresas por danos ambientais. Essas prefeituras buscavam obter indenizações fora do Brasil, com base em contratos que previam pagamento por êxito. O Ibram alegou que essa prática submete o Estado brasileiro à jurisdição estrangeira, violando a soberania nacional e ultrapassando os limites da autonomia municipal.

    Decisão barra validade automática de sentenças estrangeiras no Brasil.

    Decisão barra validade automática de sentenças estrangeiras no Brasil.Andressa Anholete/SCO/STF

    Segundo Dino, a prática compromete “a soberania nacional ao permitir que entes subnacionais submetam-se à jurisdição de Estados estrangeiros, renunciando à imunidade de jurisdição do Estado brasileiro em face de outros Estados nacionais”. Para ele, municípios não têm competência para atuar em processos internacionais, pois “são autônomos, mas não soberanos”.

    Validade de decisões estrangeiras

    O ministro declarou que ordens judiciais de outros países não têm validade no Brasil, salvo quando homologadas por autoridade brasileira. “Decisões judiciais estrangeiras só podem ser executadas no Brasil mediante a devida homologação, ou observância dos mecanismos de cooperação judiciária internacional”.

    Ele também rejeitou os efeitos de uma liminar da Justiça inglesa que determinava ao Ibram desistir de questionar a atuação de escritórios estrangeiros contratados por municípios. Segundo o despacho, “fica declarada a ineficácia, em território nacional, da medida cautelar concedida pela Justiça inglesa”.

    Soberania e patrimônio público

    Dino afirmou que ações movidas por entes locais no exterior podem colocar em risco o patrimônio público. Ele mencionou contratos com cláusulas de pagamento por êxito firmados por municípios com escritórios estrangeiros, considerados lesivos ao interesse coletivo. A decisão suspende esses pagamentos, salvo se houver aprovação prévia do STF.

    Em trecho do despacho, o ministro observa que há um “altíssimo risco de demandas patrocinadas por entes subnacionais em tribunais estrangeiros servirem de veículo ou pretexto para sanções e medidas contra o patrimônio nacional”.

    Casos futuros

    A decisão se aplica também a qualquer outra situação em que atos de países estrangeiros sejam impostos no Brasil sem autorização judicial. Dino escreveu que “atos unilaterais estrangeiros que contrariem a ordem pública e a soberania brasileira presumem-se ineficazes”.

    Esses atos incluem bloqueios de contas, transferências de valores ou cancelamentos de contratos por ordem de autoridades estrangeiras. Nessas situações, segundo o ministro, caberá ao Supremo deliberar, mediante provocação.

    Por fim, Dino convocou uma audiência pública para aprofundar a discussão sobre o tema. O evento será presidido por ele e coordenado pela juíza Amanda Thomé, com data ainda a ser anunciada.

    Veja a íntegra da decisão.

  • Auditoria da APCF assegura transparência no Prêmio Congresso em Foco

    Auditoria da APCF assegura transparência no Prêmio Congresso em Foco

    A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) desempenha papel central na credibilidade do Prêmio Congresso em Foco, atuando como responsável pela auditoria de todo o processo de votação. O trabalho envolve desde a análise minuciosa do sistema que gerencia os votos até a verificação final dos registros, garantindo que apenas votos legítimos sejam contabilizados e que o resultado reflita fielmente a escolha dos participantes.

    Durante a fase de votação, os peritos realizaram testes e simulações para identificar eventuais vulnerabilidades do sistema. Ao final, é feita uma auditoria detalhada, cruzando dados como identificação do votante, tempo de acesso e tipo de dispositivo utilizado. Essa análise permite identificar e excluir votos inválidos, como aqueles gerados por robôs ou que apresentem inconsistências técnicas.

    Segundo o presidente da APCF, Marcos Camargo, o compromisso com a transparência está no centro dessa atuação. “Essa é a nossa contribuição direta para que a vontade popular seja respeitada e que o resultado reflita, de fato, a escolha das pessoas”, afirma.

    Presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Marcelo Camargo.

    Presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Marcelo Camargo.Raul Spinassé/Novo Selo Comunicação

    Valorização da boa política

    Apoiar o Prêmio, segundo Camargo, é também uma forma de reconhecer parlamentares que atuam com ética e responsabilidade. “Bons políticos e boas políticas precisam ser incentivados e reconhecidos. Apoiar essa iniciativa é contribuir para fortalecer a confiança nas instituições e estimular a participação cidadã”, diz o presidente.

    A APCF acompanha a premiação desde suas primeiras edições e avalia que, ao longo dos anos, o evento conquistou maior relevância e amadureceu como referência no cenário político nacional. “O engajamento popular aumentou, o alcance da premiação cresceu e a pluralidade de jurados e categorias mostra que o Prêmio está atento à realidade e à diversidade da política brasileira”, avalia Camargo.

    Para a entidade, o Prêmio Congresso em Foco cumpre um papel de ponte entre o Parlamento e a sociedade, estimulando o acompanhamento da atuação dos parlamentares e mostrando que a boa política existe e pode ser fortalecida. “O Prêmio é um elo entre os cidadãos e seus representantes, incentivando a vigilância democrática e o reconhecimento do trabalho daqueles que se destacam positivamente”, afirma o presidente da APCF.

    Com a auditoria da Associação, o resultado da votação é assegurado contra fraudes e manipulações, consolidando a imagem do Prêmio como uma das iniciativas mais respeitadas no campo da valorização parlamentar.

    Óscar da política

    A cerimônia de entrega do Prêmio Congresso em Foco 2025 será realizada nesta quarta-feira (20), às 18h, no Teatro Nacional Claudio Santoro, símbolo arquitetônico e cultural de Brasília. O evento reunirá parlamentares, autoridades, representantes da sociedade civil e convidados especiais, com transmissão ao vivo pelo YouTube e pelo Instagram do Congresso em Foco.

  • Câmara cria comissão para analisar isenção de IPVA  em veículos antigos

    Câmara cria comissão para analisar isenção de IPVA em veículos antigos

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), estabeleceu uma comissão especial para examinar a possibilidade de isenção do Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores (IPVA) sobre veículos com mais de 20 anos de fabricação. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 72/2023 já obteve aprovação no Senado Federal.

    A comissão especial será integrada por 20 deputados titulares, com número equivalente de suplentes. A data para a instalação formal do colegiado ainda será definida em momento oportuno, quando presidente e relator serão eleitos.

    Proposta altera Artigo 155 da Constituição Federal.

    Proposta altera Artigo 155 da Constituição Federal.Freepik

    Apresentada pelo senador Cleitinho (Republicanos-MG), a proposta foi criada para abranger principalmente estados que ainda não isentam esses veículos: Minas Gerais, Pernambuco, Tocantins, Alagoas e Santa Catarina. A medida não se estende a micro-ônibus, ônibus e reboques.

    Após a aprovação do parecer pela comissão, a proposta irá para votação no Plenário da Câmara dos Deputados.

  • Melhor deputado federal de MG em 2025 é Nikolas Ferreira

    Melhor deputado federal de MG em 2025 é Nikolas Ferreira

    O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi eleito como melhor deputado federal de Minas Gerais no Prêmio Congresso em Foco 2025, reconhecimento por sua expressiva votação e atuação política.

    Natural de Belo Horizonte, nasceu em 30 de maio de 1996, e é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Antes de assumir o mandato, foi vereador de Belo Horizonte entre 2021 e 2022.

    Deputados agraciados na votação popular do Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Deputados agraciados na votação popular do Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

    Em 2022, tornou-se o deputado federal mais votado do país e o mais votado da história de Minas Gerais, ao conquistar cerca de 1,49 milhão de votos.

    Na Câmara dos Deputados, destacou-se como vice-líder da oposição e atuou como presidente da Comissão de Educação. Assume posição de influência nas pautas conservadoras, sendo frequentemente ativo em temas relacionados à família, educação e segurança pública.

    Quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

  • Alice Portugal conquista prêmio de melhor deputada federal da Bahia

    Alice Portugal conquista prêmio de melhor deputada federal da Bahia

    A deputada federal Alice Mazzuco Portugal (PCdoB-BA) foi eleita como melhor deputada federal da Bahia no Prêmio Congresso em Foco 2025, reconhecimento por sua atuação parlamentar comprometida com os direitos sociais e a democracia.

    Nasceu em Salvador em 16 de maio de 1959 e é farmacêutica e bioquímica formada pela Universidade Federal da Bahia. Iniciou sua vida pública ainda na universidade, militando no movimento estudantil e integrando o Diretório Central dos Estudantes.

    Deputados agraciados na votação popular do Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Deputados agraciados na votação popular do Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

    Ingressou na carreira política como deputada estadual em 1995, sendo reeleita até 2003, quando passou a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Está em seu quinto mandato consecutivo como deputada federal, eleita pela Bahia desde 2003.

    Na Câmara, tem se destacado por sua atuação em defesa da cultura, da educação, dos trabalhadores e pela promoção de políticas públicas. Preside a Comissão de Cultura, é vice-líder de seu bloco político, e participa ativamente de frentes parlamentares voltadas aos direitos das mulheres, à educação e à valorização dos servidores públicos.

    Quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

  • Melhores em Agricultura e Desenvolvimento Rural são anunciados

    Melhores em Agricultura e Desenvolvimento Rural são anunciados

    O Prêmio Congresso em Foco 2025 apontou como melhores em Agricultura e Desenvolvimento Rural o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), o senador Jader Barbalho (MDB-PA) e o deputado Pedro Lupion (PP-PR).

    A categoria premia parlamentares cuja atuação se destacou no fortalecimento da agricultura, da pecuária e de políticas voltadas ao desenvolvimento rural sustentável.

    Parlamentares destaque na área de Agricultura e Desenvolvimento Rural por análise do júri técnico do Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Parlamentares destaque na área de Agricultura e Desenvolvimento Rural por análise do júri técnico do Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

    De acordo com o regulamento, os vencedores foram escolhidos pelo júri técnico, formado por representantes do terceiro setor, da academia, do empresariado, dos trabalhadores e do próprio Congresso em Foco.

    A cerimônia de entrega está sendo realizada nesta quarta-feira (20), no Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, com transmissão ao vivo.

    Quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

  • Após indiciamento, STF dá 48h para Bolsonaro se explicar

    Após indiciamento, STF dá 48h para Bolsonaro se explicar

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (20) que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresente explicações, no prazo de 48 horas, sobre trechos do relatório da Polícia Federal (PF) que apontam o risco de fuga do país e descumprimentos reiterados de medidas cautelares impostas pela Corte.

    A decisão de Moraes ocorre no mesmo dia em que Bolsonaro e o filho dele, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram indiciados pela PF sob suspeita de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, no âmbito das investigações da trama golpista que tentou reverter o resultado das eleições de 2022.

    Eduardo e Jair Bolsonaro foram indiciados pela PF.

    Eduardo e Jair Bolsonaro foram indiciados pela PF.Vitor Souza/Agencia Enquadrar/Folhapress

    Pedido de asilo a Milei

    Entre os elementos destacados pela PF está a descoberta de uma carta encontrada no celular de Jair Bolsonaro dirigida ao presidente da Argentina, Javier Milei, na qual o ex-presidente solicita asilo político. Segundo os investigadores, o documento foi produzido pela esposa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e salvo no aparelho do pai em 10 de fevereiro de 2024, apenas dois dias após a deflagração da Operação Tempus Veritatis, que apura a participação de militares e civis em uma conspiração golpista.

    Moraes afirmou que a existência do pedido de asilo reforça o risco de fuga e evidencia a intenção de Bolsonaro de se esquivar das investigações. “Intime-se a defesa de Jair Messias Bolsonaro para que, no prazo de 48 horas, preste esclarecimentos sobre os reiterados descumprimentos das medidas cautelares impostas, a reiteração das condutas ilícitas e a existência de comprovado risco de fuga”, escreveu o ministro.

    Violações de cautelares

    No despacho, Moraes também citou descumprimentos sistemáticos das restrições determinadas pelo STF, como a proibição de uso de redes sociais e contatos com aliados políticos. De acordo com a PF, Bolsonaro manteve trocas de mensagens com o pastor Silas Malafaia, o advogado americano Martin de Luca e o ex-ministro da Defesa e candidato a vice em 2022, Walter Braga Netto. Além disso, continuou a alimentar grupos digitais com mensagens políticas, em “clara afronta” às ordens judiciais.

    Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, medida decretada pelo Supremo após sucessivas violações de cautelares. Diferente de decisões anteriores, Moraes não afirmou neste despacho que o descumprimento poderia levar ao endurecimento das restrições, mas o risco segue em análise.

    Indiciamento pela PF

    Em paralelo, a Polícia Federal concluiu o relatório da investigação sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior. Segundo os agentes, o deputado deixou suas atividades parlamentares em fevereiro e mudou-se para os Estados Unidos, onde passou a articular, junto ao governo de Donald Trump, medidas de retaliação contra o Brasil. Entre as iniciativas defendidas, estavam a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky contra ministros do STF, em especial Alexandre de Moraes.

    O relatório aponta que Jair Bolsonaro enviou ao filho R$ 2 milhões, oriundos de uma campanha de arrecadação via Pix que recebeu mais de R$ 18 milhões em doações de apoiadores, para custear sua estadia no exterior. A PF concluiu que pai e filho atuaram de forma coordenada para pressionar o Supremo e tentar interferir nas investigações da tentativa de golpe de Estado.

    Reações e próximos passos

    A Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, recebeu as conclusões da PF e deve decidir nas próximas semanas se apresentará denúncia contra Jair e Eduardo Bolsonaro.

    Enquanto isso, a situação política de Eduardo se agrava: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou à Comissão de Ética pedido de cassação do mandato do deputado, com base em representações apresentadas por PT e Psol.

    Jair Bolsonaro é réu em outra ação penal no STF que trata do núcleo central da trama golpista de 2022. O julgamento está marcado para 2 de setembro e colocará o ex-presidente e sete de seus principais aliados no banco dos réus por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

    Até a conclusão desta reportagem, a defesa de Jair Bolsonaro não havia se manifestado sobre a intimação de Moraes nem sobre o indiciamento. Eduardo, por sua vez, classificou a investigação como um “crime absolutamente delirante” e criticou o que chamou de vazamento de conversas privadas entre pai e filho.

  • Senador Flávio Bolsonaro diz que críticas fortalecem o mandato

    Senador Flávio Bolsonaro diz que críticas fortalecem o mandato

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou na quarta-feira (20), em entrevista durante o Prêmio Congresso em Foco 2025, que considera a fiscalização e as críticas fundamentais para o exercício da atividade política. Para ele, mesmo avaliações negativas podem contribuir para que parlamentares deixem a “zona de conforto” e reforcem a prestação de contas à sociedade.

    “Acho que toda a fiscalização é bem-vinda. Óbvio que muitas vezes as críticas são encaradas por alguns como algo agressivo, algo ofensivo. E como eu falei, eu estou há 22 anos na política. Já ouvi muitas críticas, já ouvi também muitos elogios. O reconhecimento existe, a cobrança existe. Então é fundamental para que muitas vezes o parlamentar saia da zona de conforto e se esforce não apenas para aprovar matérias importantes ou participar da aprovação de matérias importantes, mas também prestar contas para os seus eleitores, inclusive para aqueles também que porventura ainda não sejam eleitores dele”, declarou o parlamentar ao Congresso em Foco.

    O senador acrescentou que sua atuação não se baseia apenas em buscar votos, mas em seguir convicções. “A gente tem que ter a tranquilidade que a gente não faz algo pensando em ter de volta o reconhecimento por intermédio do voto. A gente faz acreditando que está fazendo a coisa certa e a consequência disso é as pessoas te olharem diferente, às vezes até quebrarem alguns preconceitos que têm com a sua imagem porque não te conheciam e passam a conhecer através do seu trabalho”, afirmou.

    Flávio concluiu dizendo que está sempre disposto a receber retornos da população. “Para mim é fundamental e sempre recebi bem, sejam críticas, quer sejam elogios”, completou.

    Na cerimônia, Flávio Bolsonaro foi escolhido “Melhor Senador de 2025” pelo voto popular, ficando em 1º lugar entre os senadores na eleição que somou 2,8 milhões de votos válidos. Ele também integrou a lista dos Melhores Senadores do Sudeste (categoria regional definida pelo voto popular), ao lado de Cleitinho (Republicanos-MG) e Fabiano Contarato (PT-ES).

  • Mensagens de Bolsonaro reacendem dilema da imprensa na Lava Jato

    Mensagens de Bolsonaro reacendem dilema da imprensa na Lava Jato

    A imprensa brasileira se refestelou, nesta semana, com as mensagens e áudios extraídos do celular do ex-presidente Jair Bolsonaro. O material, que inclui conversas virtuais com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o pastor Silas Malafaia, abasteceu o noticiário político com novos elementos sobre bastidores, disputas e pressões para tentar impedir a condenação e a prisão do ex-presidente. Os diálogos foram expostos em larga escala, inclusive (fazemos mea culpa) pelo Congresso em Foco. Esse movimento midiático não é inédito.

    A Operação Lava Jato, ao longo de quase uma década, também viveu de vazamentos, áudios e mensagens que se transformaram em manchetes diárias e moldaram a percepção pública sobre personagens investigados. Mais tarde, as revelações da Vaza Jato inverteram esse quadro, ao mostrar a seletividade das informações.

    Mas é sempre bom lembrar que a revelação de alguns diálogos, nem sempre contextualizadas, recomenda prudência.

    Em prisão domiciliar, Bolsonaro é acusado de descumprir restrições impostas pela Justiça.

    Em prisão domiciliar, Bolsonaro é acusado de descumprir restrições impostas pela Justiça.André Coelho/Folhapress

    Lava Jato: quando o grampo virou manchete

    Durante a Lava Jato, qualquer delação, planilha ou interceptação bastava para abrir telejornais e ocupar capas de jornais. O episódio mais emblemático foi o vazamento, em março de 2016, de uma conversa entre a então presidente Dilma Rousseff e Lula. Na ligação, Dilma avisava que enviaria ao petista um termo de posse para que ele pudesse assinar “em caso de necessidade”.

    A imprensa repercutiu imediatamente, e já com a interpretação de que haveria uma tentativa de garantir foro privilegiado a Lula, caso ele fosse nomeado ministro da Casa Civil. O efeito político foi devastador: a nomeação foi suspensa pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, e Lula não assumiu o cargo.

    Analistas apontam que, se tivesse ocupado a Casa Civil, Lula poderia ter ajudado a reorganizar a base governista e dificultado o processo de impeachment. O “caso Bessias” – referência a Jorge Messias, assessor jurídico que levaria o documento – tornou-se um dos pontos de virada na crise política.

    A gravação acabou derrubada no curso do processo por ter sido feita quando já havia acabado o prazo legal para a interceptação telefônica.

    E, como o mundo dá voltas, Messias é hoje, como se sabe, o advogado-geral da União e forte candidato a ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

    Vazamentos sem relação com os processos

    As investigações e os áudios divulgados desde quarta-feira (20) pela imprensa revelaram fatos relevantes: Bolsonaro teria recebido R$ 44 milhões, desde 2023, e orientado o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a procurar o ministro Gilmar Mendes, do STF, para pedir autorização a fim de viajar aos Estados Unidos e negociar pessoalmente com Donald Trump a revisão do tarifaço.

    A informação foi mencionada pelo próprio Malafaia em uma das gravações. Também veio à tona a existência de uma minuta de pedido de asilo político à Argentina.

    No material apreendido no celular de Bolsonaro há trechos em que Eduardo Bolsonaro chama o pai de “ingrato”, em meio a palavrões, por elogiar Tarcísio de Freitas, além de áudios triviais, como um em que o ex-presidente diz não poder gravar um vídeo solicitado por Malafaia porque estava com uma crise de soluços. Nenhum desses trechos guarda relação direta com os crimes de coação ou tentativa de abolição do Estado democrático de Direito. Mesmo assim foram incluídos nos autos do processo e enviados à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal.

    Na Lava Jato, algo semelhante ocorreu quando diálogos familiares de Marisa Letícia, esposa de Lula, foram tornados públicos. Em um dos trechos, ela conversava com um filho sobre assuntos pessoais que nada tinham a ver com a investigação, mas que ainda assim ganharam espaço em veículos de imprensa. O caso gerou críticas de juristas e reforçou a percepção de excesso na divulgação de conteúdos privados.

    O dilema recorrente

    O professor de Direito Davi Tangerino (UERJ) defendeu, em entrevista à Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (22), que o Brasil precisa de uma norma que obrigue o descarte de diálogos sem valor probatório, como forma de proteger a privacidade e evitar o uso político de investigações.

    Já Gustavo Badaró (USP) alertou, também em declaração ao jornal paulista, que discussões familiares ou críticas pessoais não interferem no processo judicial e não deveriam ser tornadas públicas, embora possam ter interesse sociológico ou midiático.