Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Partidos indicam presidentes das comissões; veja a lista

    Partidos indicam presidentes das comissões; veja a lista

    Filipe Barros foi indicado pelo PL para presidir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional

    Filipe Barros foi indicado pelo PL para presidir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa NacionalMário Agra/Agência Câmara

    Depois de muitas negociações, os partidos começam a indicar os presidentes das comissões temáticas na Câmara. Até o final da manhã, desta quarta-feira (19), cerca de 20 deputados haviam sido indicados pelos seus líderes para comandar os colegiados. Os nomes precisam ser confirmados em eleição dos colegiados, mas, em geral, são respeitadas as escolhas feitas pelos partidos. O rateio das comissões entre as bancadas foi definido na noite dessa terça-feira (18).

    O deputado Filipe Barros (PL-PR) assumirá a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. O principal cotado para o cargo era o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro enfrentou grande resistência da base governista. Eduardo anunciou nessa terça-feira que vai se licenciar do mandato e permanecer nos Estados Unidos para articular politicamente em favor de seu pai. O deputado chegou a informar que o líder da oposição, Zucco (PL-RS), assumiria o comando da comissão. Zuco, no entanto, preferiu seguir à frente da oposição.

    A mais poderosa das comissões, a de Constituição e Justiça (CCJ), será presidia pelo deputado Paulo Azi (União-BA), ex-presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. O PT priorizou a escolha da Comissão de Finanças e Tributação, responsável pela fiscalização das ações do governo, com o deputado Rogério Correia (MG).

    Veja quem já foi indicado para presidência de comissão até agora:

    • Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural Rodolfo Nogueira (PL-MS)
    • Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais Dandara (PT-MG)
    • Ciência, Tecnologia e Inovação Ricardo Barros (PP-PR)
    • Comunicação Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF)
    • Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ) Paulo Azi (União Brasil-BA)
    • Cultura Denise Pessôa (PT-RS)
    • Defesa do Consumidor Daniel Almeida (PCdoB-BA)
    • Defesa dos Direitos das Pessoas Idosas Zé Silva (Solidariedade-MG)
    • Direitos das Pessoas com Deficiência Duarte Jr. (PSB-MA)
    • Direitos da Mulher – Célia Xakriabá (Psol-MG)
    • Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial Reimont (PT-RJ)
    • Desenvolvimento Econômico Lafayette de Andrada (Republicanos-MG)
    • Educação Maurício Carvalho (União-RO)
    • Esporte Laura Carneiro (PSD-RJ)
    • Finanças e Tributação Rogério Correia (PT-MG)
    • Fiscalização Financeira e Controle Bacelar (PV-BA)
    • Indústria, Comércio e Serviços Beto Richa (PSDB-PR)
    • Integração e Desenvolvimento Regional Yandra Moura (União-SE)
    • Legislação Participativa Fred Costa (PRD-MG)
    • Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Elcione Barbalho (MDB-PA)
    • Minas e Energia Diego Andrade (PSD-MG)
    • Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família Ruy Carneiro (Pode-PB)
    • Relações Exteriores e Defesa Nacional Filipe Barros (PL-PR)
    • Saúde Zé Vitor (PL-MG)
    • Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado Paulo Bilynskyj (PL-SP)
    • Trabalho Leo Prates (PDT-BA)
    • Turismo Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG)
    • Viação e Transportes Maurício Neves (PP-SP)

    Veja abaixo a distribuição das comissões entre os partidos:

    1. Relações Exteriores – PL

    2. Saúde- PL

    3. Fiscalização e Controle – PT

    4. Agricultura – PL

    5. Finanças e Tributação – PT

    6. Constituição e Justiça – União Brasil

    7. Segurança – PL

    8. Aviação e Transporte – PP

    9. Direitos Humanos – PT

    10. Meio Ambiente – MDB

    11. Minas e Energia – PSD

    12. Educação – União Brasil

    13. Comunicação – Republicanos

    14. Turismo – PL

    15. Ciência e Tecnologia – PP

    16. Cultura – PT

    17. Desenvolvimento Urbano – MDB

    18. Esporte – PSD

    19. Integração e Desenvolvimento Regional – União Brasil

    20. Desenvolvimento Econômico – Republicanos

    21. Previdência – Podemos

    22. Indústria e Comércio – PSDB/Cidadania

    23. Trabalho – PDT

    24. Pessoa com Deficiência – PSB

    25. Administração – Avante

    26. Idoso – Solidariedade

    27. Consumidor – PCdoB

    28. Povos Originários – PV

    29. Legislação Participativa – PRD

    30. Mulher – Psol

  • Relatório do Orçamento de 2025 projeta superavit de R$ 15 bilhões

    Relatório do Orçamento de 2025 projeta superavit de R$ 15 bilhões

    O relatório final do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLN 26/24) de 2025, de autoria do senador Angelo Coronel (PSD-BA), projeta um superávit de R$ 15 bilhões para o exercício financeiro, superando a estimativa inicial do governo de R$ 3,7 bilhões. Esses valores não incluem os R$ 44,1 bilhões referentes à despesa com precatórios, dedução autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A meta fiscal para o ano é de déficit zero, com margem de tolerância para um déficit de até R$ 31 bilhões.

    Sessão da CMO analisa o projeto para o Orçamento federal em 2025.

    Sessão da CMO analisa o projeto para o Orçamento federal em 2025.Roque de Sá/Agência Senado

    O senador Angelo Coronel atribui o superávit projetado à reestimativa de receitas realizada pela Comissão Mista de Orçamento, que resultou em um acréscimo de R$ 22,5 bilhões. “Em razão do teto de gastos em vigor, o excesso de arrecadação estimado no relatório da receita, após a repartição tributária com estados, Distrito Federal e municípios e a complementação da União ao Fundeb, contribui para melhorar a projeção desse resultado”, esclareceu.

    Em relação às emendas parlamentares, o relatório adotou as regras aprovadas pelo Congresso em 2024 para o crescimento geral das despesas. Considerando a decisão do ministro do STF, Flávio Dino, o aumento das emendas não pode exceder o aumento das despesas não obrigatórias do Executivo, nem o limite de crescimento do teto de gastos do arcabouço fiscal ou a variação da Receita Corrente Líquida, o que for menor. Essa regra permanece válida até que o STF julgue a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7697, que trata da execução de emendas parlamentares. “Nosso entendimento, certamente compartilhado pelos membros dessa comissão, é de que a lei orçamentária poderá ser aprovada com os limites estabelecidos na Lei Complementar 210/24”, afirmou o senador Coronel.

    Com isso, as emendas não impositivas ficam limitadas a R$ 11,5 bilhões para emendas não impositivas. Durante a execução orçamentária, o Poder Executivo avaliará a necessidade de bloquear parte das emendas que ultrapassarem o menor dos limites definidos pelo STF.

    Foram apresentadas um total de 6.959 emendas, totalizando R$ 50,4 bilhões. A despesa total prevista no Orçamento de 2025 é de R$ 5,9 trilhões, incluindo R$ 1,6 trilhão para refinanciamento da dívida pública. Excluindo-se esse valor, o Orçamento compreende R$ 166,5 bilhões para investimentos de estatais e R$ 4,1 trilhões para os orçamentos fiscal e da seguridade social. O teto de gastos para 2025 é de R$ 2,2 trilhões.

    Para a área da Saúde, a aplicação mínima prevista é de R$ 228 bilhões (15% da receita líquida), mas o relatório prevê R$ 232,6 bilhões. Em relação às despesas com pessoal, o relator incorporou os ajustes solicitados pelo Executivo, resultando em um aumento de R$ 27,9 bilhões. O arcabouço fiscal determina um piso de investimentos de 0,6% do PIB estimado, que, para 2025, corresponde a R$ 74,3 bilhões. O relatório, no entanto, prevê R$ 89,4 bilhões.

    O relatório também atendeu a pedidos da ministra Simone Tebet, realizando ajustes como acréscimos em despesas previdenciárias, seguro-desemprego, abono salarial, auxílio gás e benefício de prestação continuada, e reduções no apoio à implantação de escolas em tempo integral e no programa Bolsa Família.

  • No STF, Gilmar, Moraes e Cármen Lúcia votam pela cassação de Zambelli

    No STF, Gilmar, Moraes e Cármen Lúcia votam pela cassação de Zambelli

    O julgamento da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) teve início nesta sexta-feira (21) no Supremo Tribunal Federal (STF), com o voto do relator, ministro Gilmar Mendes, pela condenação da parlamentar. Os ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia acompanharam integralmente o voto do relator, abrindo o placar em 3 a zero pela condenação. Se chegar a seis votos na mesma direção, a deputada será condenada e poderá ter o mandato cassado.

    A ação penal trata dos fatos ocorridos em 29 de outubro de 2022, véspera do segundo turno das eleições presidenciais, quando Zambelli sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma discussão hostil entre os dois.

    Zambelli é acusada de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma de fogo.

    Zambelli é acusada de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma de fogo.Mário Agra/Câmara dos Deputados

    A defesa de Carla Zambelli alegou que, durante os acontecimentos, a parlamentar visualizou um “volume atípico na cintura” de Luan Araújo e que, ao ouvir um estampido interpretado como disparo de arma de fogo teria presumido que ele estaria armado. Argumentou também que ela reagiu sob forte abalo emocional, após receber ameaças na véspera e diante do temor por sua segurança e a do filho, presente no local. Gilmar Mendes avaliou que as provas não corroboram para sua versão.

    Voto do relator

    No voto, Gilmar Mendes afirmou que houve violação ao Estatuto do Desarmamento. Embora Zambelli tivesse autorização para porte de arma, o uso em via pública e de forma ostensiva não está contemplado na autorização legal. “A acusada não sacou a arma de fogo e passou a conduzi-la ostensivamente em via pública para garantir sua segurança e integridade física, mas, sim, para perseguir o ofendido já em rota de fuga”, escreveu o ministro relator.

    O ministro também considerou que a deputada cometeu constrangimento ilegal com o uso de arma de fogo, ao perseguir Luan até uma lanchonete e determinar que ele se deitasse no chão. “A acusada, ao perseguir Luan Araújo com arma em punho, infligiu sobre ele fundado temor por sua integridade física, diminuindo notoriamente sua capacidade de resistência, afirmou Gilmar Mendes. Ele acrescentou que a ofensa verbal, por si só, jamais poderia justificar uma retaliação armada”.

    Penalidade

    Na dosimetria da pena, o relator fixou 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto e 80 dias-multa. Mendes também decretou a perda do mandato parlamentar de Zambelli como efeito da condenação, bem como a revogação de sua permissão de posse e porte de arma de fogo.

    O julgamento prossegue no Plenário Virtual do STF e ainda aguarda os votos dos demais ministros. Sua conclusão está agendada para até o dia 28.

  • Deputado propõe vacinação gratuita de cães e gatos no País

    Deputado propõe vacinação gratuita de cães e gatos no País

    O deputado Felipe Becari (União-SP) apresentou à Câmara dos Deputados o projeto de lei 436/2025 para garantir o fornecimento gratuito de vacinas essenciais a animais domésticos em todo o território nacional. A proposta prioriza tutores de baixa renda cadastrados no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal).

    Pelo texto, a vacinação poderá ser executada por meio de parcerias entre o poder público e entidades privadas, com ou sem fins lucrativos. A União será responsável pela aquisição e distribuição dos imunizantes aos estados e municípios, que deverão aplicar as doses gratuitamente.

    União cuidará da logística; estados e municípios aplicarão os imunizantes.

    União cuidará da logística; estados e municípios aplicarão os imunizantes.Pixabay

    A proposta define como essenciais as vacinas contra cinomose, parvovirose, adenovirose, leptospirose, raiva e as polivalentes V8 ou V10 para cães. Para gatos, estão incluídas as vacinas contra parvovírus felino, calicivírus, herpesvírus, raiva e as versões tríplice ou quádrupla felina. O projeto também cita imunizantes para outros animais domésticos, conforme necessidade sanitária.

    Benefício comunitário

    Na justificativa, o parlamentar afirma que “a saúde dos animais domésticos é uma questão de bem-estar e de saúde pública”. Ele argumenta que doenças que afetam cães e gatos podem causar sofrimento aos animais e custos elevados para seus tutores.

    O parlamentar ressalta que vacinação é considerada “a forma mais eficaz de prevenir doenças”. Entre os exemplos, a proposta menciona a cinomose, definida como “uma doença viral altamente contagiosa, com síndromes respiratórias, gastrointestinais e neurológicas, sem tratamento específico e com elevada taxa de mortalidade”.

    Becari também afirma que “a gratuidade do fornecimento, associada a campanhas educativas, assegura que mais animais sejam vacinados, beneficiando não apenas os tutores, mas toda a comunidade”.

    Tramitação

    O projeto se encontra na Comissão de Saúde, ainda sem relator definido. Em seguida, passará pelas de Meio Ambiente, Finanças e Tributação, e Constituição e Justiça. Ele tramita em caráter conclusivo: se for aprovado em todos os colegiados, poderá ser enviado ao Senado sem a necessidade de votação em Plenário.

  • Fux pede vista e adia julgamento de acusada de pichar estátua do STF

    Fux pede vista e adia julgamento de acusada de pichar estátua do STF

    O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista (mais tempo para análise) e suspendeu o julgamento de Débora Rodrigues dos Santos, acusada de pichar a frase “Perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, em frente à sede da Corte, durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Até a paralisação, dois ministros haviam votado pela condenação, incluindo o relator, Alexandre de Moraes.

    Débora dos Santos, que ficou conhecida por pichar a estátua do STF com a mensagem

    Débora dos Santos, que ficou conhecida por pichar a estátua do STF com a mensagem “Perdeu, Mané”, responde por cinco crimes em denúncia da PGR.Gabriela Biló/Folhapress

    Embora a pichação com o batom tenha ganhado maior projeção midática, Débora responde por uma lista de cinco crimes, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR): abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Débora foi presa em março de 2023, na oitava fase da Operação Lesa Pátria, e permanece detida.

    No voto apresentado na última sexta-feira (21), Moraes propôs pena de 14 anos de prisão em regime fechado, além de R$ 30 milhões em indenização por danos morais coletivos, valor a ser pago de forma solidária com outros condenados pelos ataques. Para o ministro, Débora aderiu de forma dolosa a uma tentativa de ruptura institucional e depredação de patrimônio público.

    A defesa da acusada afirma que o caso não deveria ser julgado pelo STF, alega ausência de justa causa na denúncia e pede absolvição.

    O caso estava no plenário virtual da Primeira Turma da Suprema Corte. Com o pedido de Fux, ainda não há data para a retomada do julgamento.

  • Moraes diz que STF não está condenando “velhinhas com a Bíblia na mão”

    Moraes diz que STF não está condenando “velhinhas com a Bíblia na mão”

    Ministro Alexandre de Moraes na sessão de hoje.

    Ministro Alexandre de Moraes na sessão de hoje.Rosinei Coutinho/STF

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu nesta terça-feira (25) críticas à atuação da Corte nos julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. Durante análise das chamadas preliminares fase em que o STF decide sobre aspectos técnicos antes de avaliar o mérito das acusações , Moraes rejeitou a ideia de que pessoas inocentes estariam sendo punidas injustamente.

    “Se cria uma narrativa assim como a Terra seria plana: o Supremo Tribunal Federal estaria condenando, abre aspas, ‘velhinhas com a Bíblia na mão’, fecha aspas, que estariam passeando num domingo ensolarado pelo Supremo Tribunal Federal, pelo Congresso Nacional e pelo Palácio do Planalto. Nada mais mentiroso do que isso”, afirmou o ministro.

    Segundo ele, as imagens do ocorrido e os dados dos processos desmentem essa versão. “Ninguém lá estava passeando, e as imagens demonstram isso”, completou.

    Moraes também apresentou um balanço das decisões já tomadas pelo STF sobre o tema. De acordo com o ministro, foram julgadas 497 ações penais relacionadas aos atos antidemocráticos, das quais todas resultaram em condenações. Entre os réus, 240 foram sentenciados a penas de um ano de prisão. Outras 102 pessoas receberam penas de 14 anos, 58 foram condenadas a 16 anos e seis meses, e 44 receberam penas iguais ou superiores a 17 anos de reclusão.

  • Golpe de Estado: por que caso de Bolsonaro está na 1ª Turma, e outros no plenário do STF?

    Golpe de Estado: por que caso de Bolsonaro está na 1ª Turma, e outros no plenário do STF?

    A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro começou a ser julgada nesta terça-feira (25) pela Primeira Turma do STF. Isso significa que são cinco dos 11 ministros da Corte que vão decidir se Bolsonaro e mais sete acusados vão se tornar réus por uma tentativa de golpe de Estado, em vez do conjunto completo do plenário.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro compareceu pessoalmente para assistir ao julgamento da sua denúncia na Primeira Turma do STF

    O ex-presidente Jair Bolsonaro compareceu pessoalmente para assistir ao julgamento da sua denúncia na Primeira Turma do STFAntonio Augusto/STF

    Isso não é o que aconteceu com todos os acusados por tentativa de golpe de Estado: em 14 de novembro de 2023, por exemplo, a Suprema Corte condenou Aécio Lúcio Costa Pereira, primeiro réu pelos atos golpistas de 8 de janeiro, a 17 anos de cadeia em sessão onde todos os ministros votaram. A defesa de Bolsonaro pede que as sessões envolvendo suas acusações sejam feitas nessa mesma condição.

    A avaliação do caso de Bolsonaro e dos outros acusados, porém, não é feita na Primeira Turma por causa das suas especificidades. Isso se sustenta no regimento do STF, que sofreu uma alteração em dezembro de 2023.

    A resolução regimental 59/2023

    Na manhã desta terça-feira, o STF divulgou na rede social Instagram uma publicação explicando a norma que coloca o caso de Bolsonaro na Primeira Turma.

    A resolução regimental 59/2023 (leia aqui na íntegra) devolveu às Turmas do STF a atribuição de julgar ações penais, que apuram a ocorrência de um crime ou contravenção, de modo a diminuir os julgamentos feitos pelos 11 ministros:

    • O plenário da Corte passou a ser responsável pelas ações envolvendo presidente ou vice-presidente da República, presidentes da Câmara ou do Senado, ministros do próprio STF ou o procurador-geral da República.
    • Com isso, as Turmas ficam com as outras ações penais no Supremo, incluindo casos que envolvam crimes contra parlamentares ou com envolvimento de ministros de Estado, comandantes de alguma das Forças Armadas, integrantes de tribunais superiores ou do TCU e chefes de missões diplomáticas.

    A alteração foi aprovada depois de 8 de janeiro por causa do alto número de ações penais geradas, que ameaçavam congestionar o plenário da Suprema Corte. De acordo com o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, o risco era de um “panorama de excesso de processos e de possível lentidão na sua tramitação e julgamento”. O uso das Turmas é por celeridade, liberando o plenário da Corte para o julgamento de outras ações.

    A denúncia contra Bolsonaro foi para a Primeira Turma porque ela é integrada pelo relator do caso do STF, o ministro Alexandre de Moraes.

    Estratégia

    Existem ainda razões políticas para que Bolsonaro busque um julgamento em plenário, com todos os 11 ministros:

    • A composição da Primeira Turma do STF é considerada por aliados do ex-presidente como altamente desfavorável a ele: além de Alexandre de Moraes, estão nela os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, os dois indicados pelo presidente Lula, em seu atual mandato.
    • Um processo mais célere aumenta as chances de Bolsonaro receber uma eventual condenação muito antes das eleições de 2026. O ex-presidente, hoje, se diz candidato à Presidência da República, embora já tenha duas condenações no TSE que o tornam inelegível até 2030. Uma condenação no STF tornaria ainda mais difícil a reversão desse cenário.

    Na sessão desta terça-feira (25), os ministros da Primeira Turma rejeitaram o argumento das defesas por um julgamento em plenário e reafirmou a competência do colegiado para julgar o caso.

  • Flávio Dino dá o segundo voto a favor de denúncia contra Bolsonaro

    Flávio Dino dá o segundo voto a favor de denúncia contra Bolsonaro

    O ministro Flávio Dino deu o segundo voto na Primeira Turma da Corte do Supremo Tribunal Federal (STF) a favor da aceitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete acusados de uma tentativa de golpe de Estado. Com isso, o placar fica em 2 a 0, a um voto de atingir a maioria dos cinco ministros da Turma pela aceitação da denúncia.

    “Golpe de Estado mata”, disse o ministro em seu voto. “Aqueles que nos anos 20 e 30 do século 20 normalizaram a chegada de Mussolini e Hitler ao poder, dizendo este é um processo normal, certamente se arrependeram”.

    Dino acompanhou o relator Alexandre de Moraes.

    Voto do ministro Flávio Dino deixa o placar em 2 a 0 pela aceitação da denuncia contra Bolsonaro:

    Voto do ministro Flávio Dino deixa o placar em 2 a 0 pela aceitação da denuncia contra Bolsonaro: “Golpe de Estado é coisa séria”Rosinei Coutinho/STF

  • Lula explica presença de Lira e Pacheco no Japão: “Rei é sempre rei”

    Lula explica presença de Lira e Pacheco no Japão: “Rei é sempre rei”

    O presidente Lula defendeu na noite de quarta-feira a presença do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e do deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidentes da Câmara e do Senado, na comitiva da sua viagem a Tóquio, no Japão. Segundo Lula, os antigos comandantes do Legislativo foram chamados porque “na minha cabeça, rei morto não é rei posto. Rei é sempre rei”.

    Lula viajou ao Japão com uma comitiva que reuniu ministros de Estado, parlamentares do Congresso Nacional e líderes de entidades sindicais. Os atuais presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também estavam na viagem.

    Questionado sobre o que foi conversado no translado até a Ásia, Lula desconversou: “Fiz questão que a gente não fizesse nenhuma discussão no avião que a gente pudesse fazer em terra”.

    “Não seria prudente”, completou. “Imagina todo mundo viajar de cara feia no avião”.

    Lula entre os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL):

    Lula entre os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL): “Rei morto não é rei posto”Pedro Ladeira/Folhapress

  • Câmara dos Deputados convoca ministros para audiências públicas

    Câmara dos Deputados convoca ministros para audiências públicas

    Lewandowski se antecipou e se ofereceu para comparecer à comissão no dia 29 de abril.

    Lewandowski se antecipou e se ofereceu para comparecer à comissão no dia 29 de abril.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Na primeira semana de funcionamento das comissões permanentes da Câmara dos Deputados, foram aprovados pelo menos 28 requerimentos que convocam ministros ou solicitam esclarecimentos a autoridades do Executivo. Ao todo, 13 ministros foram convidados a participar de audiências nos próximos dias. A maioria dos ministros foi chamada para apresentar suas prioridades para o ano, enquanto alguns, como o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, foram convocados para esclarecer questões específicas.

    A Comissão de Segurança Pública da Câmara tinha em pauta alguns requerimentos para convocar Lewandowski. Contudo, o presidente do colegiado, deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), informou que o ministro se antecipou e se ofereceu para comparecer à comissão no dia 29 de abril. Assim, os requerimentos foram convertidos em convites, com a condição de que o ministro permaneça à disposição da comissão pelo tempo que for necessário no dia da audiência. Quando um ministro é convocado pela comissão, ele é obrigado a comparecer, diferentemente de quando é apenas convidado.

    O deputado Sanderson (PL-RS) expressou a necessidade de explicações do ministro sobre a minuta de proposta de emenda à Constituição referente à segurança pública. “Vai terminar de acabar com a segurança pública no Brasil. Nós já estamos em petição de miséria. Com essa proposta, aí sim será o fim”, criticou.

    Sanderson argumentou que a intenção do governo é “concentrar poder em Brasília, alijando as polícias militares e as polícias civis dos Estados”. “Ele [o ministro Lewandowski] que venha já preparado para responder efetivamente às perguntas dos deputados, porque na outra vez ele não respondeu nenhuma”, reclamou.

    O ministro da Justiça também foi alvo de moções de repúdio na comissão devido a uma declaração em que afirmou que a polícia prenderia pessoas de forma errada e o Judiciário seria obrigado a soltar.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também devem participar de audiência na Comissão de Finanças e Tributação, onde discutirão suas prioridades e o projeto (PL 1.087/25) que eleva o limite de isenção do Imposto de Renda da pessoa física para R$ 5 mil a partir de 2026.

    O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) questionou o impacto da medida nas contas dos municípios, que recebem parte da arrecadação do imposto. Ele mencionou que tem recebido contas de Estados e municípios demonstrando o prejuízo.

    “Se há compensação para o Imposto de Renda, para os cofres, para o Tesouro da União, por que os seus sócios, que são os Estados e municípios, não têm essa compensação?”, indagou Pedro Paulo.

    Outro requerimento aprovado na Comissão de Finanças e Tributação solicita a presença do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “O Banco Central não pode ser um órgão ou uma instituição acima de qualquer legislação, tendo em vista que suas ações estão sendo direcionadas sobre a economia do país”, afirmou a deputada Camila Jara (PT-MS), que defendeu o convite de Galípolo.

    O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, também deve comparecer à comissão para discutir os aspectos econômicos e financeiros relacionados à realização da COP30 no Brasil.

    Na Comissão de Defesa do Consumidor, o diretor-geral da Agência Nacional de Transporte Terrestre, Guilherme Sampaio, deverá prestar esclarecimentos sobre as providências adotadas em relação às longas filas e ao tempo excessivo de espera nos pedágios administrados pelas concessionárias de rodovias federais em Santa Catarina.

    Lista completa

    Veja a lista de todos os ministros convidados, nesta semana, para participar de audiências na Câmara dos Deputados:

    • a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação chamou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos;
    • a Comissão do Esporte convidou o ministro do Esporte, André Fufuca;
    • a Comissão de Finanças e Tributação aprovou convite para ouvir os ministros da Fazenda, Fernando Haddad; da Secretaria-Geral da Presidência, Marcio Macedo; e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann;
    • a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável chamou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva;
    • a Comissão de Previdência, Assistência Social, Infància, Adolescência e Família convidou os ministros do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias; da Previdência Social, Carlos Lupi; e a a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo;
    • a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional deve ouvir os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; e da Defesa, José Múcio;
    • a Comissão de Turismo aprovou convite para ouvir o ministro do Turismo, Celso Sabino;
    • a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência também chamou a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo;
    • a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado convidou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.