Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Lula relembra referendo por desarmamento em 2005: “O povo queria arma”

    Lula relembra referendo por desarmamento em 2005: “O povo queria arma”

    O presidente Lula relembrou em entrevista o referendo de 2005, quando os brasileiros foram se manifestar sobre o comércio de armas de fogo no Brasil. Naquele momento, no primeiro mandato do petista, o governo sofreu uma derrota política: os eleitores rejeitaram a adição do artigo 35 no Estatuto do Desarmamento, que vetaria a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional.

    “Nós aprovamos a lei, fizemos um referendo e perdemos o referendo, cara! O povo queria arma!”, relembrou o presidente no podcast Mano a Mano. O entrevistador Mano Brown, apresentador do programa e integrante do grupo de rap Racionais MCs, emendou: “Já era um sinal”.

    “Aí o que o Bolsonaro fez: o Bolsonaro escancarou. Escancarou”, seguiu o presidente. “Cheio de decreto, liberando arma para tudo quanto é lado, ou seja… nego podia ter 10, 12, 14 armas. Podia ter duas mil balas, quantos cartuchos quisessem. Quando nós entramos, o Flávio Dino começou a desmontar, decreto por decreto, para que a gente pudesse tirar essas armas das pessoas”.

    Na entrevista, Lula reiterou a posição desarmamentista do governo e disse que a venda de armas de fogo abastece o crime organizado. “Que o cidadão queira ter uma arma, tudo bem. Agora, todo mundo sabe que se o cidadão tiver uma arma, ele vai poder ser vítima de um assalto só para roubar a arma dele”.

  • Após tragédias, governo vai discutir regras para o balonismo

    Após tragédias, governo vai discutir regras para o balonismo

    Campeonato brasileiro de balonismo no município de Boituva.

    Campeonato brasileiro de balonismo no município de Boituva. Edi Sousa/Ato Press/Folhapress

    Após dois acidentes com balões em menos de uma semana no Brasil, o Ministério do Turismo anunciou que pretende discutir a criação de uma regulamentação específica para o balonismo turístico no país. O mais recente deles, ocorrido neste sábado (21) em Praia Grande (SC), resultou na morte de oito pessoas e deixou outras 13 feridas.

    De acordo com nota divulgada pela pasta, uma reunião com entidades do setor deve ocorrer na próxima semana. O objetivo, segundo o ministério, é “avançar significativamente no processo de regulamentação” e garantir maior segurança para os praticantes e turistas.

    Atualmente, o balonismo é reconhecido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como uma atividade desportiva, considerada de alto risco e que ocorre “por conta e risco dos envolvidos”. Não há regulamentação específica para a atividade turística nem exigência de certificação de aeronavegabilidade para os balões usados nesses voos.

    Falta de legislação no Congresso

    Embora os recentes acidentes tenham acendido o alerta sobre a segurança da atividade, não há, até o momento, projetos em tramitação no Congresso Nacional que tratem da regulamentação do balonismo. As propostas existentes no Legislativo são apenas simbólicas, destinadas a conceder títulos de “Capital Nacional do Balonismo” a municípios como Boituva (SP) e Iperó (SP).

    A ausência de um marco legal específico para o setor aumenta a pressão sobre o governo federal para estabelecer regras claras, especialmente em relação à operação de voos com fins turísticos.

    Acidentes recentes reforçam urgência

    O acidente em Santa Catarina ocorreu poucos dias depois de outro caso grave em Capela do Alto (SP), no dia 15 de junho. Na ocasião, uma mulher morreu e 11 pessoas ficaram feridas após a queda de um balão que transportava 35 passageiros.

    Segundo a Polícia Civil, o acidente em Praia Grande foi provocado por um incêndio no maçarico da aeronave, que atingiu o cesto em pleno voo. Imagens registradas por moradores mostraram o balão em chamas e passageiros pulando desesperadamente para tentar sobreviver.

    Próximos passos

    Além da reunião com entidades do setor, o Ministério do Turismo afirmou que já vinha, desde o início do ano, dialogando com a Anac e o Sebrae para avançar na elaboração de uma regulamentação para o balonismo turístico.

    A expectativa é que o debate evolua rapidamente, impulsionado pela repercussão nacional dos acidentes. A Anac, por sua vez, reforçou que continuará atuando na fiscalização da atividade dentro das suas competências.

    Quais são as regras

    A prática do balonismo no Brasil é regulamentada pela Anac e segue regras específicas dependendo da finalidade da atividade: comercial, instrucional ou puramente desportiva.

    Para operar um balão, o piloto deve possuir a Licença de Piloto de Balão Livre (PBL), emitida pela Anac. A única exceção é para os casos de balonismo desportivo, que seguem o RBAC nº 103, um regulamento que dispensa a licença formal, exigindo apenas o cadastro do balão e do desportista junto a uma associação reconhecida pela Anac.

    Quem deseja se habilitar deve procurar centros de instrução de aviação civil autorizados ou associações aerodesportivas credenciadas, onde são oferecidos cursos teóricos, práticos e os exames necessários para obtenção e renovação da PBL.

    Requisitos para operar balões

    As regras para operação variam conforme a finalidade:

    • Atividades comerciais e instrucionais:
    • Seguem o RBAC nº 91, que exige:
    • Licença de piloto
    • Matrícula da aeronave no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB)
    • Certificado de aeronavegabilidade válido

    Atividades desportivas (não comerciais):

    Seguem o RBAC nº 103, que exige apenas:

    • Cadastro do balão e do praticante
    • Realização das atividades por conta e risco dos envolvidos, sem garantia formal de segurança pela Anac.

    A exploração comercial sem autorização é proibida por lei. Empresas que queiram oferecer voos turísticos remunerados precisam ser prestadoras de serviço aéreo especializado e obter autorização formal da Anac.

    Onde é permitido voar

    A prática do balonismo só pode ocorrer em espaços de voo autorizados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), respeitando as normas de segurança do espaço aéreo.

    Instrução para desportistas

    A formação de pilotos desportivos, dentro das regras do RBAC nº 103, não é regulamentada pela Anac e ocorre livremente nas comunidades praticantes. No entanto, a Agência recomenda que os interessados procurem centros de instrução autorizados para maior segurança. A Anac deixa claro que não garante a segurança de atividades realizadas sob o RBAC nº 103, por se tratar de prática desportiva realizada por conta e risco dos praticantes.

    Desde o século XVIII

    O balonismo é considerado a forma mais antiga de voo tripulado da história da humanidade. Seu surgimento remonta ao final do século XVIII, num período de grandes avanços científicos e tecnológicos. Em 21 de novembro de 1783, em Paris, os franceses Jean-François Pilâtre de Rozier e François Laurent d’Arlandes realizaram o primeiro voo tripulado da história, a bordo de um balão de ar quente desenvolvido pelos irmãos Joseph-Michel e Jacques-Étienne Montgolfier.

    O voo, que percorreu cerca de 9 quilômetros a uma altitude aproximada de 1.000 metros, foi um marco da Revolução Científica, despertando enorme curiosidade em toda a Europa. Ainda naquele ano, outro avanço veio com o físico Jacques Charles e os irmãos Robert, que realizaram o primeiro voo com um balão de hidrogênio, abrindo uma nova linha de desenvolvimento no setor.

    Mais recentemente, os voos de balão se popularizaram como atividade de lazer, atraindo turistas em diversas regiões do mundo. O balão de ar quente, pela sua simplicidade técnica e custo operacional mais baixo, manteve-se como o modelo mais comum e acessível, sendo o preferido em passeios turísticos.

    Balonismo no Brasil

    No Brasil, o primeiro voo tripulado de balão aconteceu apenas em 1885, no Rio de Janeiro, quando o aeronauta francês Edouard Heilt realizou um breve sobrevoo no bairro Saco dos Alferes.

    O balonismo esportivo começou a se estruturar de forma mais organizada no país apenas no final dos anos 1980, com a fundação da Confederação Brasileira de Balonismo (CBB), em 1987. A partir dos anos 1990, a prática passou a ganhar espaço como atividade de lazer e turismo, com destaque para cidades como Boituva (SP) e Torres (RS), que se tornaram polos importantes para o balonismo recreativo.

    Hoje, o balonismo segue encantando o público brasileiro, seja pela emoção dos voos de aventura, seja pela beleza das paisagens vistas do alto. No entanto, recentes acidentes reacenderam o debate sobre a necessidade de regulamentação da atividade no país, especialmente no que diz respeito à segurança de passageiros e tripulações em voos turísticos.

  • Festas juninas esvaziam semana na Câmara; veja o que pode ser votado

    Festas juninas esvaziam semana na Câmara; veja o que pode ser votado

    As Festas Juninas esvaziaram a pauta da Câmara dos Deputados nessa semana. Com o Dia de São João na terça-feira (24), a tendência é que os deputados fiquem em seus estados e vão interagir com seus eleitores – sem muito espaço para aprovar projetos importantes no plenário.

    Com o clima de recesso informal, a Câmara tem uma reunião plenária semipresencial agendada para quarta-feira (25), na ressaca da festa junina. Leia abaixo o que pode ser votado.

    Pauta da Câmara

    Eis, abaixo, a lista dos projetos que podem ser votados no plenário da Câmara na próxima quarta:

    • Um requerimento de urgência para o PL 892/2025, que institui o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq). Com isso, o projeto pode tramitar de forma mais rápida, sem passar por comissões.
    • O PL 4035/2023, que institui agosto como mês de combate às desigualdades.
    • O PL 6020/2023, que torna a lei mais rigorosa contra agressores que tenham medida protetiva. Pela regra instituída pelo texto, a lei vai considerar que o agressor descumprirá a medida protetiva se houver alguma aproximação com a vítima, mesmo que ela concorde com isso.
    • O PL 3118/2024, que estabelece a destinação recursos do Fundo Social para políticas de assistência estudantil e ações afirmativas de ingresso na educação superior e profissional pública. Também modifica a lei da Política Nacional de Assistência Estudantil para permitir o uso desses recursos no atendimento a estudantes beneficiados por reserva de vagas em instituições públicas federais.
    • O PL 2692/2025, que atualiza a tabela do Imposto de Renda para seguir isentando as pessoas que ganham até dois salários mínimos.
    • Um projeto que muda o nome da sala de reuniões do colégio de líderes para “Sala Miguel Arraes”.
    • O PDL 405/2023, que suspende a portaria do governo Lula que passava a exigir autorização em convenção coletiva para o trabalho em feriados no setor do comércio.
    • O PL 2583/2020, que institui a Estratégia Nacional de Saúde, para incentivo às indústrias que produzam equipamento para o setor de saúde no Brasil.
    • O PL 2767/2023, que regulamenta os programas de milhagem das companhias aéreas.
    • O PL 458/2021, que cria o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (Rearp). Com ele, pessoas físicas vão, por um imposto menor, poder atualizar o valor de bens móveis e imóveis no Brasil para declaração no Imposto de Renda. O texto também autoriza a regularização de bens que tenham sido declarados de forma incorreta.
    • O PL 2978/2023, que altera a Lei das SAFs, as Sociedades Anônimas do Futebol. A ideia do texto é mudar regras de governança para resguardar os investidores e preservar os direitos dos clubes.
    • O PL 1546/2024, que aperta as regras para autorização de descontos na folha de pagamentos dos aposentados, objetivando o combate a fraudes. Na proposta, os descontos só poderão ser feitos de houver autorização por escritura pública, instrumento particular com firma reconhecida ou assinatura eletrônica qualificada.
    • O PL 769/2024, que cria cargos comissionados nos gabinetes de ministros do STF.
    • O PL 3391/2020, que institui o Dia Nacional do Orgulho Autista.
  • Brasil promulga acordo aéreo com Israel em momento de tensão diplomática

    Brasil promulga acordo aéreo com Israel em momento de tensão diplomática

    O Congresso Nacional promulgou o acordo aéreo entre Brasil e Israel assinado em 2019, no governo Bolsonaro. O texto disciplina as operações aéreas entre os dois países, estabelecendo regras para o transporte de cargas e passageiros.

    Plenário do Congresso Nacional.

    Plenário do Congresso Nacional.Pedro Ladeira/Folhapress

    O decreto de promulgação foi publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira (24). Leia aqui.

    Pelo texto, Brasil e Israel passam a se conceder direitos para operar serviços aéreos internacionais em determinadas rotas e abrem mais opções para empresas aéreas, como de sobrevoar o território do outro país sem pousar, ou de fazer escalas sem fins comerciais. No Senado, o texto foi relatado pelo senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), que à época disse que o texto reforçava os “laços de amizade” entre os dois países.

    A promulgação vem em um momento de tensão diplomática. O presidente Lula vem sendo um crítico do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por conta da guerra na Faixa de Gaza, chegando a descrever a ação israelense como “genocídio”. O Itamaraty também condenou os ataques de Israel ao Irã nos últimos dias.

  • Senador Romário lamenta morte de Juliana Marins em trilha na Indonésia

    Senador Romário lamenta morte de Juliana Marins em trilha na Indonésia

    O senador Romário (PL-RJ) divulgou nota de pesar pela morte de Juliana Marins, jovem niteroiense que desapareceu durante trilha no Monte Rinjani, na Indonésia. O corpo da brasileira foi encontrado nesta terça-feira (24).

    O senador Romário (PL-RJ) chegou a cobrar o Itamaraty pelo resgate da jovem.

    O senador Romário (PL-RJ) chegou a cobrar o Itamaraty pelo resgate da jovem.Waldemir Barreto/Agência Senado

    “Recebi com muita tristeza a notícia da morte da Juliana Marins”, escreveu o senador. Ele destacou os sonhos da jovem e disse que ela será lembrada pela coragem e amor à vida. Romário também se colocou à disposição da família.

    Na segunda (23), o senador havia enviado um ofício ao Ministerio das Relações Exteriores cobrando providências do governo brasileiro. Naquele momento, sabia-se que a jovem estava presa em um paredão, a cerca de 600 metros abaixo da trilha original, em área de difícil acesso e sob condições climáticas severas.

    Família vê falhas no resgate

    Juliana, de 26 anos, caiu em um penhasco após ser deixada para trás por um guia turístico. Ela fazia um mochilão pela Ásia desde fevereiro. A família denunciou falhas no resgate e informações falsas durante os dias de busca.

    Nota de pesar

    Leia abaixo a nota divulgada pelo senador:

    “NOTA DE PESAR

    Recebi com muita tristeza a notícia da morte da Juliana Marins. Uma jovem cheia de sonhos, que partiu cedo demais. Meus sentimentos à família e aos amigos. Que ela descanse em paz e seja sempre lembrada por sua coragem e amor pela vida.

    Seguimos à disposição para o que a família precisar.

    Senador Romário (PL-RJ)”

  • Comissão aprova ampliação do prazo para queixa de violência doméstica

    Comissão aprova ampliação do prazo para queixa de violência doméstica

    A Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado aprovou, nesta terça-feira (24), o projeto de lei que visa ampliar o prazo para que vítimas de violência doméstica formalizem queixa ou representação contra o agressor, estendendo-o de seis meses para um ano.

    O PL 421/2023, originário da Câmara dos Deputados, obteve parecer favorável da senadora Margareth Buzetti (PSD-MT), cuja leitura foi realizada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) durante a reunião. A matéria segue agora para apreciação da Comissão de Direitos Humanos (CDH).

    A proposta legislativa promove alterações no Código Penal, na Lei Maria da Penha e no Código de Processo Penal. As normas vigentes estabelecem que a vítima perde o direito de queixa ou de representação após seis meses, contados a partir do término do prazo para o oferecimento da denúncia ou da data em que tomar conhecimento da autoria do crime.

    Damares Alves leu o relatório favorável à proposta na reunião desta terça, presidida por Flávio Bolsonaro.

    Damares Alves leu o relatório favorável à proposta na reunião desta terça, presidida por Flávio Bolsonaro.Freepik

    Em sua argumentação em defesa da proposta, a relatora destaca que, diferentemente de outros delitos, os crimes praticados no âmbito doméstico e familiar apresentam a particularidade de a vítima coabitar com o agressor, o que dificulta a busca por assistência jurídica.

    “É igualmente comum, nas relações afetivas, que as pessoas se aproximem e se afastem, de forma contínua, ainda que violenta, dada a dependência econômica e mesmo afetiva do parceiro que sofre agressões”, observa a senadora Buzetti em seu parecer.

    A senadora ressalta que a conscientização sobre a violência sofrida e o fortalecimento moral da vítima demandam tempo. “Assim, nada mais razoável que o direito de queixa possa ser exercido dentro do período de 12 meses”, conclui.

    A reunião foi conduzida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

  • Comissão aprova símbolo nacional para identificação da pessoa idosa

    Comissão aprova símbolo nacional para identificação da pessoa idosa

    A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa apresentou parecer favorável ao projeto de lei 1084/25, do deputado Gabriel Nunes (PSD-BA), que propõe a instituição em estabelecimentos públicos e privados do símbolo nacional da pessoa idosa, representado pela imagem de um indivíduo em postura ereta, acompanhado da inscrição “60+”. O projeto também determina a utilização do símbolo para identificar direitos inerentes a este segmento da população.

    O deputado Zé Haroldo Cathedral (PSD-PR) foi relator da matéria.

    O deputado Zé Haroldo Cathedral (PSD-PR) foi relator da matéria. Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O texto foi relatado pelo deputado Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR). O relator argumentou que o símbolo atualmente em uso para identificar a pessoa idosa no Brasil (indivíduo curvado, apoiado em uma bengala) se tornou uma representação incompatível com a realidade dessa parcela da população.

    “A [atual] imagem possui cunho pejorativo, etarista e gera desconforto, não apenas para as pessoas idosas, mas também para o público em geral”, afirmou Cathedral. O relator complementou que a proposição ajuda a suprir a ausência de uma norma legal que estabeleça oficialmente o símbolo nacional da pessoa idosa.

    O texto seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele tramita em caráter conclusivo: se aprovado no colegiado, poderá seguir diretamente ao Senado, sem a necessidade de votação em Plenário.

  • Em derrota para o governo, Senado aprova derrubada do aumento do IOF

    Em derrota para o governo, Senado aprova derrubada do aumento do IOF

    O Senado Federal votou nesta quarta-feira (25) a derrubada do decreto do governo para aumentar o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). O projeto de decreto legislativo (PDL) 214/2025 foi apresentado pelo líder da oposição na Câmara dos Deputados, Zucco (PL-RS), e representa uma derrota para o Executivo na tentativa de aumentar a arrecadação.

    Senadores Davi Alcolumbre, Randolfe Rodrigues e Jaques Wagner.

    Senadores Davi Alcolumbre, Randolfe Rodrigues e Jaques Wagner.Andressa Anholete/Agência Senado

    O texto foi aprovado também nesta noite pela Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), pegou a base do governo de surpresa ao pautar a derrubada. A expectativa era de que o Ministério da Fazenda apresentasse alternativa para evitar a derrubada do decreto.

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), submeteu a matéria à votação simbólica. Ou seja, não houve registro nominal dos senadores. Ainda assim, os seguintes parlamentares registraram voto contrário:Jaques Wagner (PT-BA), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Rogério Carvalho (PT-SE), Paulo Paim (PT-RS), Fabiano Contarato (PT-ES), Teresa Leitão (PT-PE) , Beto Faro (PT-PA), Humberto Costa (PT-PE) e Weverton (PDT-MA).

    A estimativa inicial do Ministério da Fazenda era arrecadar R$ 19 bilhões até 2026 com o aumento. Após críticas, parte do ajuste foi revogada e a projeção caiu para R$ 7 bilhões. Para compensar as perdas, a pasta apresentou medida provisória com:

    • fim da isenção de Imposto de Renda para títulos de renda fixa como LCI e LCA, com alíquota de 5%;
    • aumento da taxação das apostas esportivas de 12% para 18%;
    • corte de 10% nos gastos tributários;
    • revisão do risco sacado, que afeta pequenas empresas;
    • unificação das alíquotas da CSLL sobre instituições financeiras.

    Um decreto presidencial não era derrubado desde o governo Collor.

  • “Prefeito tiktoker” vira alvo do MP após denúncia de Erika Hilton

    “Prefeito tiktoker” vira alvo do MP após denúncia de Erika Hilton

    O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação contra a Prefeitura de Sorocaba por suspeita de omissão na divulgação da fila do SUS, em descumprimento à Lei Municipal nº 10.528/2013, que exige transparência na ordem de espera por consultas, exames e cirurgias. A apuração foi provocada por denúncia da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), após revelação do Portal Porque sobre a existência de mais de 200 mil atendimentos acumulados sem qualquer publicidade oficial.

    O caso aumenta a lista de problemas do prefeito da cidade, Rodrigo Manga (Republicanos), conhecido como “prefeito tiktoker” por causa dos vídeos que publica na rede social. Recentemente, ele foi denunciado por superfaturamento e alvo de uma operação policial. Manga anunciou há dois meses que é pré-candidato à Presidência da República.

    Rodrigo Manga afirma que é pré-candidato a presidente e que buscará vaga caso Jair Bolsonaro e Tarcisio de Freitas não disputem a eleição em 2026.

    Rodrigo Manga afirma que é pré-candidato a presidente e que buscará vaga caso Jair Bolsonaro e Tarcisio de Freitas não disputem a eleição em 2026.Zanone Fraissat/Folhapress

    Segundo o MP, a Secretaria Municipal de Saúde tem 20 dias para apresentar informações detalhadas sobre a fila, incluindo tempo de espera e justificativas para o não cumprimento da legislação. A Promotoria também avalia abrir um processo por improbidade administrativa contra o prefeito.

    “A fila invisível do SUS em Sorocaba tem nome, dor e urgência. E agora tem resposta”, disse Erika Hilton. “Transparência não é favor, é obrigação.”

    Nessa terça-feira (24), a Câmara Municipal manteve o veto do prefeito a um projeto de lei que previa a divulgação mensal das filas. O projeto foi aprovado pelos vereadores em abril.

    Fila invisível

    A denúncia de Erika Hilton se baseia em dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, após recurso apresentado pelo Portal Porque. O levantamento revelou:

    • 97.558 pacientes aguardando consultas;
    • 80.914 exames na fila;
    • 16.119 cirurgias pendentes.

    Sem divulgação pública, os pacientes não têm acesso à sua posição na fila, o que, segundo o MP, fragiliza o controle social e pode abrir espaço para favorecimentos políticos.

    Vetos e novo projeto engavetado

    A proposta de transparência, aprovada pela Câmara em 29 de abril, previa a publicação de relatórios mensais com o total de pacientes e a posição na fila. O prefeito vetou a medida poucos dias depois, alegando que a regulação do SUS exige articulação entre os entes federativos e que a lei municipal ultrapassaria sua competência. O veto foi mantido por 16 votos a 9 com apoio da base aliada.

    Diante da repercussão negativa, Manga apresentou um novo projeto sobre o mesmo tema no dia 10 de junho. O texto promete divulgar informações básicas sobre a fila, com respeito à privacidade dos pacientes. Contudo, o projeto ainda não começou a tramitar na Câmara.

    Inquérito

    Em seu despacho, ao qual o Congresso em Foco teve acesso, o Ministério Público de São Paulo alega que a ausência de uma ferramenta que permita à população acompanhar sua posição na fila do SUS não apenas fere a legislação local, mas também compromete o controle social e abre brechas para favorecimentos políticos ou pessoais. De acordo com o MPSP, o inquérito visa garantir o cumprimento da lei, restaurar a transparência na saúde municipal e proteger o direito fundamental à informação e à saúde pública.

    Principais pontos da investigação

    • Descumprimento legal: a lei que exige transparência das filas do SUS não foi implementada até hoje.
    • Resposta insatisfatória da Prefeitura: a Secretaria Municipal de Saúde alegou, em 2025, estar em processo de migração tecnológica, sem fornecer detalhes ou prazos.
    • Vetos do Executivo: o prefeito Rodrigo Manga vetou integralmente um projeto de lei aprovado pela Câmara em abril de 2025, que reforçava a transparência das filas com publicação mensal de relatórios detalhados.
    • Atrasos no acesso à informação: pedidos feitos com base na Lei de Acesso à Informação enfrentaram atrasos de até 40 dias e respostas genéricas.
    • Colapso no sistema de regulação: dados parciais revelam mais de 160 mil procedimentos médicos pendentes em 2024, o dobro do registrado em 2012.

    Providências do Ministério Público

    Para apurar a possível omissão administrativa e eventual ato de improbidade, a Promotoria de Justiça de Sorocaba decidiu instaurar um inquérito civil, tomando as seguintes providências:

    • Requisição à Secretaria Municipal de Saúde de todas as listas de espera por procedimento e data de inclusão do paciente;
    • Solicitação de explicações sobre a ausência de acesso público e individualizado às filas;
    • Encaminhamento da denúncia à promotoria responsável por analisar casos de improbidade administrativa;
    • Avaliação de eventual responsabilização por violação aos princípios da administração pública.

    Outras complicações

    A crise na saúde não é o único problema enfrentado por Rodrigo Manga. Ele e o ex-secretário de Educação de Sorocaba Márcio Carrara se tornaram réus em uma ação de improbidade administrativa por suposto superfaturamento de R$ 11 milhões na compra de lousas digitais em 2021. Segundo o Tribunal de Contas do Estado, cada equipamento foi adquirido por R$ 26 mil, 56% a mais do que o valor pago por outra prefeitura à mesma fornecedora no mesmo período.

    Além disso, o prefeito foi alvo recente da Operação Copia e Cola, deflagrada pela Polícia Federal, que apura fraudes na contratação de uma organização social para administrar serviços de saúde. A investigação começou em 2022 e apura crimes como corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e frustração de licitação. Durante as buscas, foram apreendidos dinheiro em espécie, armas de alto calibre e um Porsche de R$ 700 mil na casa de um dos investigados.

    Na ocasião, o “prefeito tiktoker” ironizou a operação da PF nas redes sociais, dizendo que a ação era uma retaliação à sua projeção nacional. Em tom de deboche, afirmou que os agentes “só encontraram bolo de cenoura e Nutella” em sua casa, mencionando também sua pré-candidatura à Presidência em 2026, caso Jair Bolsonaro siga inelegível e Tarcísio de Freitas dispute a reeleição ao governo paulista.

  • Câmara homenageia Miguel Arraes ao nomear sala do Colégio de Líderes

    Câmara homenageia Miguel Arraes ao nomear sala do Colégio de Líderes

    A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Resolução 27/2025, que denomina a sala de reuniões do Colégio de Líderes como Sala Miguel Arraes. A proposta, de autoria da deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE), foi aprovada em Plenário nesta quarta-feira (25) e transformada na Resolução 20/2025.

    Miguel Arraes de Alencar (19162005) foi governador de Pernambuco em três mandatos, prefeito do Recife e deputado federal e estadual em diversas legislaturas. “Sua trajetória é amplamente reconhecida por seu compromisso com a democracia e o desenvolvimento social”, justificou a deputada.

    Miguel Arraes foi deputado brasileiro e lutou pelo processo de redemocratização do Brasil.

    Miguel Arraes foi deputado brasileiro e lutou pelo processo de redemocratização do Brasil.Instituto Miguel Arraes

    O relator da proposta, deputado Pedro Campos (PSB-PE), destacou o legado de Arraes na luta contra a ditadura militar, que resultou em sua prisão e exílio. “Ele continuou sua atuação mesmo no exílio, com foco na redemocratização do país. Essa homenagem reconhece sua contribuição à história brasileira”, afirmou.

    Tanto Maria Arraes quanto Pedro Campos são netos do homenageado.

    Críticas e defesa

    A deputada Bia Kicis (PL-DF) criticou a homenagem, alegando que a sala representa um espaço plural e não deveria ser associada a uma ideologia específica. A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) reforçou o argumento, pedindo respeito à diversidade ideológica.

    Em resposta, Maria Arraes destacou que o avô é reconhecido como Herói da Pátria. “Miguel Arraes não representa apenas uma ideologia, mas políticas públicas concretas, como os programas Luz para Todos e Farmácia Popular, que inspiram até hoje”, afirmou.

    A resolução foi promulgada após a aprovação em Plenário.