Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • CCJ decidirá sobre recurso de parecer pela cassação de Glauber Braga

    CCJ decidirá sobre recurso de parecer pela cassação de Glauber Braga

    A Câmara dos Deputados tem uma semana cheia antes do feriado de 1º de maio, com antecipação de trabalhos. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) realizará uma reunião na terça-feira (29) para julgar o recurso do deputado Glauber Braga (Psol-RJ) contra sua cassação.

    O parlamentar é acusado de quebra de decoro por agredir e expulsar um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) das instalações do prédio da Câmara, em abril de 2024, após este ter tecido ofensas à sua falecida mãe, até então internada com problemas cardiorrespiratórios. Se o recurso for rejeitado, o caso seguirá para deliberação no plenário, havendo acordo para que não seja pautado antes do fim do semestre.

    O relator do caso na CCJ é o deputado Alex Manente (Cidadania-SP), que manifestou seu voto pela rejeição do recurso.

    Discussão sobre cassação de Glauber começou na semana anterior, e foi interrompida após pedido de vistas.

    Discussão sobre cassação de Glauber começou na semana anterior, e foi interrompida após pedido de vistas.VInicius Loures / Câmara dos Deputados

    Itens em pauta

    Na pauta do Plenário, entram projetos de combate aos incêndios florestais ilegais. Entre os itens está o projeto de lei 3469/2024, de autoria do deputado José Guimarães (PT-CE). O texto propõe facilitar o combate a incêndios florestais e queimadas. Ele reúne medidas provisórias editadas ao longo de 2024 e prevê que áreas de vegetação nativa afetadas por incêndios não autorizados mantenham seu grau de proteção ambiental original, ficando vedada qualquer atividade comercial nesses locais. A oposição apresentou destaque para tentar retirar essa regra do projeto.

    Outro item previsto é o projeto de lei 5669/2023, da deputada Luísa Canziani (PSD-PR), que institui a Política de Prevenção e Combate à Violência em Âmbito Escolar. A medida propõe ações coordenadas entre União, estados e municípios, voltadas principalmente para escolas públicas da educação básica.

    Também pode ser votado o projeto de lei 3224/2024, do deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP), que cria uma campanha nacional de conscientização sobre o uso responsável de tecnologias digitais, incluindo redes sociais e jogos eletrônicos. O parecer preliminar da relatora, deputada Duda Salabert (PDT-MG), prevê que as ações ocorram anualmente no mês de abril.

  • Defesa de Collor pede prisão domiciliar em razão de comorbidades

    Defesa de Collor pede prisão domiciliar em razão de comorbidades

    A defesa do ex-presidente Fernando Collor de Mello, durante audiência nesta segunda-feira (28), solicitou a concessão de prisão domiciliar humanitária, em virtude da idade avançada (75 anos) e comorbidades graves. Conforme os advogados, o ex-mandatário possui Doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar.

    Ex-presidente Fernando Collor

    Ex-presidente Fernando CollorAntônio Cruz/Agência Brasil

    Collor foi preso na última sexta-feira (25), após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou os recursos da defesa. O ex-presidente foi condenado a oito anos e 10 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro e 90 dias-multa, em um desdobramento da Operação Lava-Jato.

    Desde então, o ex-presidente está preso na Ala Especial no Presídio Baldomero Cavalcanti de Oliveira, em Maceió, Alagoas. Por se tratar de um ex-presidente preso, foi concedido o cumprimento da pena em Ala Especial, com cela individual.

    Após o pedido da defesa para o cumprimento da pena em prisão domiciliar, o ministro Alexandre de Moraes permitiu que a defesa apresente os documentos comprobatórios das alegações de doenças, com prontuários, histórico médico e exames. O prazo para apresentação é de 48 horas. Além disso, definiu-se o sigilo dos documentos.

    O magistrado também propôs que a análise de pedido de oitiva com o médico de Collor acontecerá depois da apresentação da documentação necessária.

    O STF retomou o julgamento de Collor nesta segunda-feira, já com a maioria para manter a prisão do ex-presidente. O placar é de seis votos a zero. Votaram: Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia e Dias Toffoli.

    Os ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça ainda não votaram, e Cristiano Zanin se declarou impedido por ter atuado como advogado durante a Operação Lava-Jato.

    Por que Collor foi preso?

    A prisão decretada contra o ex-presidente é resultado de uma condenação em segunda instância, sem possibilidade de recursos, em que foi condenado pelo STF em 2023. Os crimes foram lavagem de dinheiro e corrupção passiva, envolvendo contratos da BR Distribuidora, à época subsidiária da Petrobras.

    Segundo as investigações, ele recebeu R$ 20 milhões em propina entre 2010 e 2014, quando era senador pelo PTB de Alagoas. O dinheiro teria sido pago pela UTC Engenharia em troca de sua influência política para facilitar contratos com a BR Distribuidora.

    As acusações se baseiam nos acordos de delação premiada da Operação Lava-Jato. Entre eles, os depoimentos de Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, Alberto Youssef e Rafael Ângulo, auxiliar do doleiro.

  • Camisa vermelha da seleção é alvo de protestos de parlamentares

    Camisa vermelha da seleção é alvo de protestos de parlamentares

    A notícia de que a seleção brasileira vai ganhar um traje vermelho como segundo uniforme na Copa do Mundo de 2026 foi recebida com ataques por parlamentares da oposição. A informação, que foi publicada na segunda-feira (28) pelo site especializado Footy Headlines, rendeu acusações de uso político e exumou o lema “Nossa bandeira jamais será vermelha”.

    Usuários de redes sociais vêm compartilhando imagens que simulam como seria o uniforme vermelho da seleção.

    Usuários de redes sociais vêm compartilhando imagens que simulam como seria o uniforme vermelho da seleção.Reprodução/X

    O traje oficial da seleção só deve ser lançado oficialmente em março do ano que vem, segundo o Globo Esporte. No uniforme, a Nike usará a logomarca Jordan, referência ao lendário jogador de basquete Michael Jordan.

    Leia abaixo as manifestações de parlamentares contra o uniforme vermelho da seleção.

  • “Comunista”: veja os memes sobre o uniforme vermelho da seleção

    “Comunista”: veja os memes sobre o uniforme vermelho da seleção

    O uniforme vermelho da seleção brasileira, que deve ser adotado em 2026 como segundo traje na Copa do Mundo, rendeu uma enxurrada de memes nas redes sociais. Na noite de segunda-feira (29) e na manhã de terça (30), usuários brasileiros fizeram a festa, com imagens geradas por inteligência artificial e alusões a nomes históricos do comunismo.

    Imagens geradas por inteligência artificial mostram o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-presidente Dilma Rousseff com o uniforme vermelho.

    Imagens geradas por inteligência artificial mostram o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-presidente Dilma Rousseff com o uniforme vermelho.Reprodução/X (gerada por inteligência artificial)

    Leia abaixo o que foi publicado de lá para cá.

  • Senado aprova projeto que permite realocação de recursos da educação

    Senado aprova projeto que permite realocação de recursos da educação

    O Senado aprovou nesta terça-feira (29) o projeto de lei complementar (PLP) 48/2023 que permite a realocação de recursos transferidos pelo governo para programas de educação, que estejam parados em programas inativos, possam ser usados em outras ações na área de educação. O texto de autoria do senador Laércio Oliveira (PP-ES) modifica a Lei de Responsabilidade Fiscal e vai para a Câmara dos Deputados.

    Senador Laércio Oliveira

    Senador Laércio OliveiraWaldemir Barreto/Agência Senado

    Na justificativa, o parlamentar aponta que haverá maior flexibilidade para usar recursos parados em programas extintos, o que pode ajudar outros programas que estão ativos e necessitando de recursos. “Os entes subnacionais possuem milhares de obras escolares paralisadas por não disporem de recursos financeiros suficientes. A incorporação do presente projeto ao nosso ordenamento legal permitirá que essas obras sejam retomadas”.

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) argumentou no parecer que “a proposta não traz qualquer impacto econômico financeiro para a União, tendo em vista que não há aumento de despesas, trata-se de remanejamento de recursos já previamente alocados pela Lei Orçamentária Anual (LOA)”. A parlamentar também destacou o mérito da proposta e lamentou os níveis educacionais no país.

    “As condições da oferta de ensino em muitas escolas públicas espalhadas pelo País ainda carecem de reparos, os recursos didáticos são precários e os profissionais da educação são submetidos a condições insalubres de trabalho. Tal fato pôde ser observado nos resultados do último resultado do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), em setembro de 2021: o desempenho dos alunos em português e matemática caiu em todas as etapas de ensino analisadas com relação ao de 2019”, escreveu a congressista.

    Ela ainda afirmou que a atual redação da Lei de Responsabilidade Fiscal, no que diz respeito à vedação à utilização de recursos transferidos em finalidade diversa da pactuada, apesar de ser importante dispositivo na responsabilidade fiscal, ao impor o respeito às finalidades consignadas na lei orçamentária, “provoca o efeito colateral de empoçar os recursos de programas declarados inativos”.

  • Bolsonaro deixa UTI depois de 17 dias da cirurgia

    Bolsonaro deixa UTI depois de 17 dias da cirurgia

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou a Unidade de Terapia Intensiva do hospital DF Star, em Brasília, nesta quarta-feira (30). Internado desde o dia 11 de abril, ele passou por uma cirurgia no dia 13 para tratar uma obstrução intestinal e segue agora em uma unidade semi-intensiva.

    Médicos relatam melhora intestinal e envio à unidade semi-intensiva.

    Médicos relatam melhora intestinal e envio à unidade semi-intensiva.Divulgação/Jair Bolsonaro/Twitter

    A equipe médica informou que Bolsonaro apresentou melhora clínica nos últimos dias. Começou a ingerir líquidos, sem apresentar febre ou dor, e retirou a sonda nasogástrica. A pressão arterial também está controlada. Ele permanecerá sob vigilância clínica.

    O procedimento cirúrgico serviu para remover aderências no intestino decorrentes das operações realizadas após a facada sofrida na campanha eleitoral de 2018. Segundo os médicos, a evolução é positiva, mas o paciente ainda requer monitoramento contínuo e recebe nutrição intravenosa, além de sessões de fisioterapia.

  • Reforma do IR pode tirar R$ 2,9 bi de estados e municípios, diz Conof

    Reforma do IR pode tirar R$ 2,9 bi de estados e municípios, diz Conof

    A proposta do governo de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, pode provocar perdas de R$ 2,9 bilhões para estados e municípios, segundo estudo da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara (Conof).

    A principal fonte do prejuízo seria a queda na arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre salários de servidores públicos. A estimativa é de perda total de R$ 11,2 bilhões, sendo R$ 5,7 bilhões nos estados e R$ 5,5 bilhões nos municípios. Por outro lado, a isenção pode resultar no aumento de R$ 8,2 bilhões nas transferências da União aos fundos de participação dos estados (FPE) e dos municípios (FPM), reduzindo o prejuízo total aos entes federados.

    Perda estimada pela Conof é menor do que a estimada pelo governo.

    Perda estimada pela Conof é menor do que a estimada pelo governo.Joédson Alves/Agência Brasil

    Outras estimativas divergem quanto ao impacto total. O Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários Estaduais de Fazenda) projeta perda de quase R$ 12 bilhões, concentrada nas grandes cidades. O governo federal calcula um prejuízo menor, próximo de R$ 5 bilhões.

    Para conter os efeitos negativos, o deputado Pauderney Avelino (União-AM) apresentou emenda ao projeto propondo que a União compense financeiramente os entes federativos. Segundo o parlamentar, a mudança é necessária para garantir autonomia financeira dos governos locais e preservar serviços públicos.

    A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil é a principal proposta legislativa do governo na área econômica para 2025. Ela tramita sob relatoria do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em uma comissão especial prevista para instalação na terça-feira (6).

  • Inquérito do INSS começou a partir de reportagem do site Metrópoles

    Inquérito do INSS começou a partir de reportagem do site Metrópoles

    Uma série de reportagens do portal Metrópoles sobre descontos não autorizados em aposentadorias motivaram a abertura do inquérito sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que vem tomando espaço no noticiário. O material revelou que associações como a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) vinham descontando mensalidades diretamente dos benefícios de aposentados, sem consentimento, por meio de acordos firmados com o próprio INSS.

    Reportagens do portal Metrópoles embasaram investigação sobre esquema de desvio no INSS.

    Reportagens do portal Metrópoles embasaram investigação sobre esquema de desvio no INSS.Pedro Ladeira/Folhapress

    Em 23 de abril de 2025, a Polícia Federal deflagrou uma operação que identificou movimentações milionárias e a existência de entidades de fachada utilizadas para aplicar os descontos. O prejuízo estimado, segundo os investigadores, pode chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Somente a Ambec movimentou cerca de R$ 228 milhões em menos de um ano, valor considerado incompatível com sua estrutura declarada.

    O que foi publicado

    As reportagens do Metrópoles, já em 2023, detalhavam como essas associações foram habilitadas a operar por meio de acordos de cooperação técnica firmados com o INSS. Os documentos obtidos pelo portal apontam o envolvimento de figuras com ligações políticas e contratos públicos, como o empresário José Hermicesar e o lobista Maurício Camisotti e Antonio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como o “careca do INSS”.

    Reprodução

    O Ministério Público Federal, a Controladoria-Geral da União e o Tribunal de Contas da União passaram a investigar o caso. As ações resultaram no afastamento de servidores e na exoneração de diretores do INSS, incluindo André Fidelis, responsável por assinar novos convênios com as entidades suspeitas.

    O Metrópoles também havia noticiado que o esquema de descontos em aposentadorias, já apelidado em 2024 de “farra do INSS”, rendera um faturamento de R$ 2 bilhões para as associações desde janeiro do ano anterior. Também noticiou que as entidades respondiam a um total de 62 mil processos judiciais em todo o país.

    Depois da operação da PF, o governo federal suspendeu os descontos associativos e prometeu a devolução dos valores indevidamente retidos dos beneficiários. O então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido no mesmo dia em que a operação foi deflagrada.

  • Do Imposto de Renda ao INSS: veja os 5 assuntos da semana no Congresso

    Do Imposto de Renda ao INSS: veja os 5 assuntos da semana no Congresso

    O Congresso Nacional engrena um ritmo mais intenso a partir desta segunda-feira (4), depois de uma semana abreviada pelo 1º de Maio da última quinta.

    Os próximos dias serão definidores para o governo e para a oposição. Esse é o momento que vai se começar a entender o andamento das propostas centrais do governo federal, em especial o projeto de isenção do Imposto de Renda para os que ganham até R$ 5 mil. Enquanto isso, a investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que resultou na demissão do ministro Carlos Lupi (Previdência Social) dividiu, nos últimos dias, o espaço do noticiário com a ida da cantora Lady Gaga ao Rio de Janeiro. Na Câmara, deputados da oposição pressionam pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o esquema de corrupção.

    Fachada do Congresso Nacional, em Brasília.

    Fachada do Congresso Nacional, em Brasília.Jefferson Rudy/Agência Senado

    Leia, a seguir, cinco assuntos que devem dar o tom da próxima semana nas duas Casas legislativas.

    1. A fraude no INSS

    As operações foram deflagradas e o ministro, substituído, mas a temperatura deve seguir alta:

    • Na Câmara, foi protocolado um requerimento, já com as assinaturas necessárias, para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para a investigação de fraudes no INSS. Isso, porém, esbarra no regimento: há outros 12 pedidos de CPI na frente, na Câmara, e a Casa só pode ter 5 instaladas por vez. Isso significa que a Mesa Diretora tem que se manifestar sobre uma série de outros requerimentos antes – seja instalando as CPIs ou devolvendo os pedidos – antes que a do INSS tenha a chance de sair.
    • O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), porém, também falou que deve entrar com pedido para uma Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) sobre o assunto, ou seja, envolvendo as duas Casas, com a participação de senadores e deputados. Isso “driblaria” a fila da Câmara, mas a instalação do colegiado dependeria do aval de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado e do Congresso.

    Diz o clichê que nunca se sabe como uma CPI vai acabar. Mas é certo que o colegiado colocaria governistas e oposição em uma arena para disputar a narrativa, mantendo o caso em evidência. O pronunciamento do presidente Lula em 1º de Maio já indicou a linha que o governo deve seguir: as fraudes começaram antes, e a gestão Lula desmontou o esquema.

    2. Imposto de renda

    O projeto do governo que isenta as pessoas que ganham até R$ 5 mil por mês de pagar o Imposto de Renda deve andar nesta semana com a instalação da comissão especial para debater o texto na Câmara dos Deputados. É uma agenda positiva para o Planalto, em um momento que o governo precisa disso.

    A instalação é na terça-feira (6). O relator é o deputado Arthur Lira (PP-AL). O projeto vem sendo comentado de forma positiva pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas deve sofrer modificações durante a tramitação.

    3. Fim da escala 6×1

    Deve ganhar tração no Legislativo o debate sobre o fim da jornada de trabalho 6×1, quando um funcionário trabalha seis dias e tem um de descanso. Colocado em evidência pela deputada Érika Hilton (Psol-SP), o tema deve avançar com um apoio mais explícito do governo federal – o que também foi indicado no discurso de Lula no 1º de Maio.

    Na Câmara, Hugo Motta diz que a discussão deve começar a ser feita em breve, mas de forma cuidadosa. Também é possível que o assunto ganhe força no Senado a partir de um projeto protocolado pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA).

    4. Reforma tributária

    Começam também nesta semana as audiências na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado para o segundo projeto de regulamentação da reforma tributária. Agora, a discussão é sobre as regras do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que vai deliberar sobre distribuição e fiscalização do imposto criado pela reforma.

    Na terça-feira (6), a primeira audiência deve ser ocupada por um impasse entre os municípios, a respeito da forma que eles serão representados no comitê. Estarão presentes os representantes da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), que hoje protagonizam um impasse.

    5. Oposição turbinada

    A reivindicação do PL da Anistia perdeu a força que tinha há algumas semanas, depois que começou a circular a notícia de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, iria protocolar um texto alternativo. Mas, em outras frentes, o cenário indica que o governo Lula vai ter que fazer um esforço extra para não perder o controle das coisas no Congresso:

    • Jair Bolsonaro recebeu alta e deixou o hospital neste domingo (4), recuperado de uma cirurgia abdominal. Durante dias, o noticiário veio acompanhando a evolução do estado de saúde do ex-presidente no hospital; agora, do lado de fora, ele deve intensificar as convocações para uma manifestação em seu favor na quarta-feira (7), em Brasília. A presença física de Bolsonaro no evento é incerta: embora a recomendação seja de repouso após a cirurgia, não seria a primeira vez que o ex-presidente contraria uma ordem médica.
    • O anúncio de uma federação entre os partidos PP e União Brasil, na prática, significa o anúncio do que pode ser o grupo partidário mais forte na configuração atual do Congresso. As duas legendas têm ministros no governo Lula, mas abrigam parlamentares que costumam votar contra ele – o Congresso em Foco já noticiou como, por exemplo, o PP é na prática um partido de oposição no Senado. Dificilmente essa federação estará com Lula em 2026. Até lá, o governo precisa da cooperação desse grupo para aprovar projetos importantes no Congresso.
  • Lula trocou 12 dos 37 ministros desde o início do governo; veja lista

    Lula trocou 12 dos 37 ministros desde o início do governo; veja lista

    Márcia Lopes assina o termo de posse como ministra das Mulheres diante de Lula e Cida Gonçalves, que deixa a pasta

    Márcia Lopes assina o termo de posse como ministra das Mulheres diante de Lula e Cida Gonçalves, que deixa a pastaRicardo Stuckert/PR

    Com a nomeação nesta segunda-feira (5) de Márcia Lopes para o Ministério das Mulheres, o presidente Lula realiza a 12ª troca em seu ministério desde o início do governo. Márcia assume a vaga antes ocupada por Cida Gonçalves ambas filiadas ao PT. Nessa dança das cadeiras, apenas dois partidos, Republicanos e PP, ganharam um ministério cada em relação à configuração inicial. Nos demais casos, tratou-se de um jogo de soma zero: partidos como PT, União Brasil, PDT, PCdoB e Psol mantiveram o mesmo espaço. O PSB perdeu uma pasta, com a saída de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal.

    A substituição de Cida por Márcia foi a terceira mudança feita por Lula nas últimas quatro semanas.

    Veja quem entrou e quem saiu do governo:

    Dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios no terceiro governo Lula

    Dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios no terceiro governo LulaArte Congresso em Foco

    Lula iniciou o governo com 37 ministros. Em setembro de 2023, criou o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, para acomodar Márcio França (PSB), então ministro de Portos e Aeroportos.

    Veja o motivo de cada troca:

    General Gonçalves Dias perdeu o cargo no Gabinete de Segurança Institucional após ser flagrado, em vídeo, interagindo com participantes dos atos de 8 de janeiro no Palácio do Planalto.

    Daniela Carneiro deixou o Ministério do Turismo após forte pressão do União Brasil, partido pelo qual se elegeu, mas com o qual estava em litígio.

    Márcio França saiu de Portos e Aeroportos para abrir espaço ao Republicanos, de Silvio Costa Filho. Foi contemplado com o novo Ministério do Empreendedorismo, criado em setembro de 2023.

    Ana Moser foi retirada do Ministério dos Esportes para que Lula pudesse incluir o PP, representado por André Fufuca, no governo.

    Flávio Dino deixou o Ministério da Justiça e Segurança Pública após ser indicado para o Supremo Tribunal Federal.

    Silvio Almeida foi exonerado do Ministério dos Direitos Humanos após ser acusado de assédio sexual pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

    Paulo Pimenta foi substituído por Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, após reiteradas manifestações de descontentamento de Lula com a comunicação do governo.

    Alexandre Padilha saiu da Secretaria de Relações Institucionais em meio ao desgaste com o então presidente da Câmara, Arthur Lira. Foi deslocado para o Ministério da Saúde.

    Nísia Trindade deu lugar a Padilha na Saúde após críticas internas à sua gestão.

    Juscelino Filho foi demitido das Comunicações após denúncia da Procuradoria-Geral da República por corrupção. Embora o novo ministro, Frederico Siqueira, não seja filiado ao União Brasil, sua nomeação foi indicação do partido.

    Carlos Lupi foi exonerado da Previdência Social após investigações apontarem um esquema bilionário de desvios em aposentadorias e pensões do INSS.

    Cida Gonçalves deixou o Ministério das Mulheres em meio a críticas internas à sua gestão, sendo substituída por Márcia Lopes.

    Novos tempos

    Para o analista político Antônio Augusto de Queiroz, Lula promove uma reforma ministerial a conta-gotas. “As mudanças ocorrem à medida que surgem os problemas, seja de natureza política, seja por ineficiência governamental”, observa.

    Segundo o colunista do Congresso em Foco, a possibilidade de comandar um ministério já não seduz os partidos como em governos anteriores, inclusive de Lula, devido ao poder acumulado por deputados e senadores sobre o orçamento, por meio das emendas parlamentares.

    “Do ponto de vista de agregar mais apoio, esse tipo de reforma já não funciona, porque há falta de clareza ideológica nos partidos, uma polarização crescente na sociedade e grande autonomia dos parlamentares, graças às emendas”, pondera.