Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Licença de Eduardo Bolsonaro expira, dando início à contagem de faltas

    Licença de Eduardo Bolsonaro expira, dando início à contagem de faltas

    A licença parlamentar de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) chega ao fim neste domingo (20). O deputado está fora do país desde fevereiro e não indicou se voltará ao Brasil para retomar as atividades legislativas. Com o encerramento do afastamento, as faltas passam a ser contabilizadas e, caso ultrapassem um terço das sessões ordinárias, ele poderá perder o mandato.

    Eduardo pediu 120 dias de licença em março por “interesse pessoal”, além de dois dias por “tratamento de saúde”. O afastamento coincidiu com o avanço de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu na ação penal do golpe. Desde então, o parlamentar registra sua articulação em busca de sanções contra ministros do Supremo.

    Acúmulo de faltas sem justificativa podem levar à perda do mandato na Câmara.

    Acúmulo de faltas sem justificativa podem levar à perda do mandato na Câmara.
    Renato Araujo/Câmara dos Deputados

    Durante o período fora do país, o deputado declarou que pretende permanecer nos Estados Unidos, alegando não haver clima político para retornar. Em duas entrevistas, afirmou estar disposto a “sacrificar o mandato” e disse temer ser preso ao desembarcar em solo brasileiro.

    A permanência de Eduardo no exterior também o colocou na mira da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apura suspeitas de obstrução de justiça e coação no curso de processo penal contra seu pai. Ele também acumula pedidos de representação ao Conselho de Ética da Câmara, apresentados por deputados da liderança do governo.

    Caso Eduardo perca o mandato, será o segundo parlamentar cassado neste ano por excesso de faltas. Em abril, a Mesa Diretora da Câmara declarou a perda do mandato de Chiquinho Brazão, preso sob acusação de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.

    Até o momento, Eduardo Bolsonaro conta com um número pequeno de faltas não justificadas: são quatro em 2025, duas em 2024 e nenhuma em 2023. O fim da licença coincide com um período em que o calendário está em seu favor: o parlamento está em recesso até o dia 31 de julho, não havendo contagem de faltas nesse período.

  • Celso de Mello condena sanções de Trump a ministros do STF

    Celso de Mello condena sanções de Trump a ministros do STF

    O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello divulgou nesta segunda-feira (21) uma nota pública em que critica a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar os vistos de ministros da Corte e de seus familiares. Segundo ele, a iniciativa representa uma violação grave à soberania do país e à integridade das instituições nacionais. “Mais do que uma ofensa sem causa, essa prepotente deliberação governamental americana […] desrespeita profundamente o nosso País e a dignidade do povo brasileiro”, afirmou.

    A revogação dos vistos foi anunciada na última sexta-feira (18) pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A justificativa apresentada foi a suposta perseguição a cidadãos americanos promovida por decisões atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e a seus colegas de tribunal. O governo dos Estados Unidos alega que a atuação do STF teria violado direitos fundamentais e afetado interesses além das fronteiras brasileiras.

    Celso de Mello afirma que ação dos EUA representa ataque à Corte e à democracia brasileira.

    Celso de Mello afirma que ação dos EUA representa ataque à Corte e à democracia brasileira.Pedro Ladeira/Folhapress

    Celso de Mello questiona os fundamentos apresentados pela administração norte-americana. Ele afirma que a ação se apoia em um “falso pretexto ‘de perseguição e censura que violariam direitos básicos de brasileiros e americanos” e a classifica como um ato “extremamente arbitrário”, baseado em alegações “destituídas de veracidade”.

    Articulação política

    Em sua nota, o ex-ministro afirma que o episódio não deve ser interpretado como uma questão de natureza comercial. “Não se trata de mera questão econômico-tarifária, mas, isso sim, de deliberado (e gravíssimo) ataque à democracia brasileira e a suas Instituições, notadamente à Corte Suprema do Brasil”.

    Para Celso de Mello, a decisão dos Estados Unidos integra uma ação coordenada com setores da extrema-direita internacional e nacional, além de grandes empresas de tecnologia. Esses agentes, segundo ele, têm buscado “desestruturar o nosso sistema de governo, legitimado pelo modelo de democracia constitucional que o Povo de nosso País implantou após 21 anos de ditadura militar”.

    Comparação ao nazismo

    Ao tratar da atuação de brasileiros alinhados a esse tipo de ação, o ex-ministro os compara ao político norueguês Vidkun Quisling, que governou a Noruega como ministro de Estado da Alemanha durante a ocupação nazista. “Seu nome tornou-se sinônimo de ‘traidor, pelo comportamento desleal e desonroso com que vilipendiou sua pátria”, afirma, ao se referir a seguidores de Bolsonaro que, segundo ele, colaboram com iniciativas externas contra o país.

    Celso de Mello defende que esses atores, a quem chama de “quislings” sejam responsabilizados judicialmente. “Torna-se necessário identificar, expor e punir, nos termos da lei e respeitado o direito ao ‘due process of law, os ‘quislings nacionais […] com o sórdido (e traiçoeiro) objetivo de submeter nossa pátria […] ao domínio de potestades estrangeiras”.

    Veja aqui a íntegra da nota de Celso de Mello.

  • Lindbergh pede suspensão preventiva do mandato de Eduardo Bolsonaro

    Lindbergh pede suspensão preventiva do mandato de Eduardo Bolsonaro

    O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), formalizou, nesta segunda-feira (21), um pedido à presidência da Casa para a suspensão cautelar do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acompanhado do imediato bloqueio de sua remuneração, abrangendo salário, cota parlamentar e verbas indenizatórias.

    Lindbergh fundamenta sua solicitação na alegação de que Eduardo Bolsonaro obteve uma licença de 120 dias, concedida em 20 de março de 2025, e, desde então, permaneceu fora do território nacional, desenvolvendo atividades de cunho político nos Estados Unidos. O período da referida licença expirou no último domingo, 20 de julho.

    Dep. Lindbergh Farias.

    Dep. Lindbergh Farias.Marina Ramos/Câmara dos Deputados

    O parlamentar declarou que, mesmo durante o período de licença, Eduardo Bolsonaro continuou a utilizar o título e o prestígio político inerentes ao cargo de parlamentar para atuar no exterior, promovendo “campanhas contra o Brasil”, valendo-se de uma “imunidade simbólica” e do “uso informal de seu mandato” para legitimar ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo brasileiro.

    O documento apresentado por Farias menciona que a atuação de Eduardo Bolsonaro motivou a apresentação de duas representações contra o deputado no Conselho de Ética da Câmara, datadas de 25 de maio e 11 de julho de 2025. Ambas as representações solicitam a cassação do mandato do deputado, sob a alegação de violação ao decoro parlamentar, traição à soberania nacional e abuso das prerrogativas constitucionais.

  • MST se queixa de demora em reforma agrária, ministério rebate

    MST se queixa de demora em reforma agrária, ministério rebate

    O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou uma carta nesta segunda-feira, 22, na qual acusa o governo federal de lentidão na reforma agrária. O documento foi publicado durante a Semana Internacional da Agricultura Familiar e associa o tema à soberania nacional, especialmente após o anúncio de um tarifaço por parte do governo norte-americano, que entrará em vigor em 1º de agosto.

    “Após quase três anos de Governo Lula, a Reforma Agrária continua paralisada”, afirma o MST. No texto, o grupo cita a existência de mais de 122 mil famílias acampadas e 400 mil assentadas que, segundo o movimento, esperam políticas públicas que “existem, mas não chegam à base”. A carta critica ainda o que chama de “morosidade do Governo, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra”, e cobra recursos para programas sociais voltados à produção rural.

    Movimento cobra agilidade do governo Lula e cita pacote tarifário de Trump.

    Movimento cobra agilidade do governo Lula e cita pacote tarifário de Trump.Cello Oliver/Thenews2/Folhapress

    O movimento também cita agravamento das relações comerciais com os Estados Unidos. O MST argumenta que “a soberania alimentar se constrói com a agricultura familiar camponesa e com a Reforma Agrária” e reforça a urgência do tema frente ao pacote tarifário de Donald Trump, que impõe sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros a partir do próximo mês.

    Em resposta, o Ministério do Desenvolvimento Agrário afirmou em nota que “ao contrário do que diz a carta do MST, a reforma agrária no Brasil retomou o ritmo dos dois primeiros governos do presidente Lula”. De acordo com o ministério, só em 2025 já foram obtidos e disponibilizados 13,9 mil lotes, e a meta é alcançar 60 mil até o fim do mandato.

    O ministério também rebateu a crítica sobre falta de investimento em programas sociais. Segundo os dados divulgados, o Programa de Aquisição de Alimentos saltou de R$ 90 mil em 2022 para R$ 1,2 bilhão, enquanto os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar tiveram crescimento de 47%. “Respeitamos o papel dos movimentos sociais de reivindicar mas a verdade é que o governo Lula 3 caminha para bater recordes históricos na reforma agrária”, afirmou a pasta.

  • Lula sanciona cota de 30% para mulheres em conselhos de estatais

    Lula sanciona cota de 30% para mulheres em conselhos de estatais

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quarta-feira (23), a lei que estabelece reserva de vagas para mulheres nos conselhos de administração de empresas estatais e sociedades de economia mista controladas pela União, Estados ou municípios. A medida determina que ao menos 30% das vagas de membros titulares nesses colegiados sejam ocupadas por mulheres, com aplicação gradual ao longo das três primeiras eleições após a entrada em vigor da norma.

    A legislação, originada de projeto apresentado pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), também prevê que, dentro do percentual destinado a mulheres, 30% das vagas sejam asseguradas a mulheres negras ou com deficiência. O reconhecimento da identidade racial se dará por autodeclaração.

    Sanção do PL que estabelece a obrigatoriedade de reserva mínima de participação de mulheres em conselhos de administração de sociedades empresárias.

    Sanção do PL que estabelece a obrigatoriedade de reserva mínima de participação de mulheres em conselhos de administração de sociedades empresárias.Ricardo Stuckert/PR

    A nova norma se aplica a empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas, bem como companhias nas quais o poder público detenha a maioria do capital votante. O objetivo é ampliar a diversidade nos espaços de decisão dessas instituições, promovendo maior representatividade de gênero, raça e condição física.

    A ocupação das vagas deverá respeitar um cronograma de transição, sendo implementada progressivamente nas três primeiras eleições para os conselhos de administração realizadas após a sanção da lei. Caso os percentuais mínimos não sejam atendidos, os conselhos ficarão impedidos de deliberar.

    A legislação prevê ainda que o conteúdo será reavaliado após 20 anos de vigência, permitindo eventual revisão das metas estabelecidas.

  • Governo tem plano de contingência para afetados por tarifa, diz Haddad

    Governo tem plano de contingência para afetados por tarifa, diz Haddad

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista na noite de quarta-feira (23) que o governo possui um plano de contingência em análise para ajudar os setores afetados pela tarifa americana. Em 9 de julho, o presidente americano Donald Trump anunciou taxação de 50% a produtos brasileiros, com data para vigência em 1º de agosto.

    De acordo com o chefe da pasta, o plano será apresentado ao presidente Lula apenas na próxima semana. Haddad disse, ainda, que os detalhes do plano de contingência deverão passar pelo crivo dele, do ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do vice-presidente, Geraldo Alckmin, responsável pelo grupo de trabalho do tarifaço, nesta quinta-feira (24).

    “Eu não vou adiantar, porque amanhã é que eu vou conhecer os detalhes do que eu encomendei. Eu, o ministro Mauro e o ministro Alckmin encomendamos de acordo com certos parâmetros. Vou conhecer amanhã e aí vamos levar ao presidente semana que vem”, afirmou.

    Portanto, os detalhes do plano de contingência e da possibilidade de linha de crédito para os setores econômicos afetados pelo anúncio do tarifaço ainda não são públicos. O ministro também acrescentou que o planejamento leva em consideração a condição atual das negociações, mas pode não ser necessário, caso haja recuo da Casa Branca nas medidas anunciadas.

    “Vai passar pelo meu crivo, do Alckmin e do Mauro primeiro. Depois vai lá para o Palácio, onde vai estar o ministro Rui Costa, o presidente Lula, para a gente fazer o balanço do que pode ser acionado, de quais as ofertas podem ser feitas, de se até o dia primeiro vai ter um restabelecimento, um diálogo normal entre dois países que tem 200 anos de relação diplomática”, complementou.

    Ministro Fernando Haddad.

    Ministro Fernando Haddad.Diogo Zacarias/MF

    Negociação com os Estados Unidos

    Fernando Haddad também relatou dificuldades na negociação com o setor técnico do governo americano em razão da “concentração de informações na própria Casa Branca em relação a esse tema”. Segundo o ministro, a Fazenda abriu diálogos com a equipe técnica da Secretaria do Tesouro dos EUA, enquanto Alckmin delibera diretamente com o secretariado americano.

    O chefe da pasta reafirmou a disposição do Brasil em sentar à mesa para negociar. “A informação que chega é que o Brasil tem um ponto, o Brasil tem razão em querer sentar à mesa, mas que o tema está muito concentrado na assessoria da Casa Branca. Daí a dificuldade de entender melhor qual vai ser o movimento de lá”, explicou.

    Apesar do atual clima entre os países, o ministro não descarta um eventual recuo de Donald Trump seja na alíquota anunciada ou na data para vigência do tarifaço. Mas ele argumenta que precisa dos dois lados na mesa. “Não dá para antecipar um movimento que não depende só de nós. O que eu falei para vocês ultimamente eu tenho repetido: O Brasil nunca saiu da mesa de negociação. Em nenhum momento nós abrimos mão de conversar”, disse Haddad.

    Iniciativas estaduais

    Para Haddad, a iniciativa dos governadores de criarem grupos de trabalho para avaliar os impactos da tarifa dos EUA à economia estadual é meritória. Ele também destaca a mudança no posicionamento de alguns governadores, como Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Romeu Zema, de Minas Gerais, em relação ao tarifaço, antes comemorado pelos chefes do Executivo.

    Toda ajuda é bem-vinda, mas são movimentos um pouco restritos, que não têm um alcance É bom saber que os governadores estão mobilizados agora e percebendo finalmente que o problema é o problema do Brasil, não é um problema de governo, é um problema do Estado brasileiro”, disse o ministro. “Mas nós estamos falando de um problema de escala maior. Então, todo mundo que puder se mobilizar é ótimo”.

  • Prêmio Congresso em Foco recebe 400 mil votos em um único dia

    Prêmio Congresso em Foco recebe 400 mil votos em um único dia

    O Prêmio Congresso em Foco 2025 registrou um marco impressionante: 400 mil votos computados em apenas 24 horas. O aumento, que gerou o total acumulado de quase 1,4 milhão de votos, foi impulsionado por uma crescente mobilização nas redes sociais, que levou eleitores de diferentes regiões do país a entrarem em peso na disputa, movimentando os rankings e alterando posições de forma significativa.

    A onda de engajamento tomou conta principalmente do X (antigo Twitter), Instagram e grupos de WhatsApp, onde parlamentares e apoiadores têm convocado os eleitores a participarem ativamente da escolha dos melhores deputados e senadores do ano.

    Com a votação popular aberta desde o dia 23 de junho, o Prêmio já vinha apresentando grandes números, mas a movimentação mais intensa registrada nesta semana revela que a disputa está longe de ser definida. A votação segue até 30 de julho, e qualquer mobilização pontual, como a que se viu nas últimas 24 horas, pode ser decisiva.

    Como votar

    O voto pode ser registrado de forma simples e segura por dois canais:

    • Pelo site oficial: Acesse premio.congressoemfoco.com.br, digite seu nome, informe um e-mail válido, confirme seu cadastro com o código enviado para o e-mail e escolha seus parlamentares favoritos.
    • Pelo WhatsApp: Basta iniciar uma conversa clicando aqui. O sistema interativo guia o eleitor pelo processo de votação.

    Ambas as plataformas passam por rigorosos filtros de segurança, com verificação automática de e-mails temporários e detecção de tentativas de votação automatizada, garantindo a integridade do processo.

    Prêmio Congresso em Foco atinge 1,4 milhão de votos.

    Prêmio Congresso em Foco atinge 1,4 milhão de votos.Arte Congresso em Foco

    O Prêmio Congresso em Foco é considerado a principal premiação da política brasileira e busca reconhecer os parlamentares que mais se destacam no exercício do mandato, com base na qualidade legislativa, na defesa dos direitos fundamentais e no compromisso com a boa governança. 

    A seleção inclui, além da votação popular, avaliações de um júri técnico e de jornalistas especializados que cobrem o Congresso Nacional.

    Patrocinadores do Prêmio Congresso em Foco.

    Patrocinadores do Prêmio Congresso em Foco.Arte Congresso em Foco

  • Bia Kicis propõe legalizar divulgação de gravações de flagrantes

    Bia Kicis propõe legalizar divulgação de gravações de flagrantes

    A deputada Bia Kicis (PL-DF), vice-líder da Minoria na Câmara, apresentou o projeto de lei 3630/2025, que autoriza a divulgação de imagens e áudios de pessoas flagradas cometendo crimes dentro de estabelecimentos comerciais. A proposta altera a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

    Pelo texto, o material poderá ser divulgado com três condições: se a finalidade for identificar o infrator, alertar a população ou colaborar com autoridades; se não houver exposição de terceiros inocentes; e se forem respeitados, sempre que possível, os princípios da necessidade e proporcionalidade.

    Proposta busca reforçar a segurança e facilitar a identificação de infratores.

    Proposta busca reforçar a segurança e facilitar a identificação de infratores.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Argumentos da autora

    A autora afirma que a proposta responde à “crescente incidência de crimes cometidos dentro de estabelecimentos comerciais”, o que, segundo ela, tem gerado “insegurança e prejuízos à população e aos empreendedores”.

    Ela argumenta que a legislação atual pode “restringir ou penalizar a divulgação desses registros, mesmo quando há flagrante da prática criminosa”, o que cria, em sua visão, “um paradoxo jurídico” e “impede que os cidadãos e comerciantes se defendam de forma legítima e colaborem com a identificação dos infratores”.

    A deputada sustenta que o projeto garante “a prevalência do interesse público, da segurança e da justiça sobre o direito individual à privacidade, quando este for usado de forma abusiva para proteger atos ilícitos”.

    Ela também diz que a possibilidade de divulgação pode “exercer um importante efeito inibitório”, ao desestimular ações criminosas, e defende “segurança jurídica a quem busca se proteger, alertar a sociedade ou colaborar com autoridades”.

  • Projeto quer garantir acesso igualitário a evento com dinheiro público

    Projeto quer garantir acesso igualitário a evento com dinheiro público

    O deputado federal Fernando Rodolfo (PL-PE) apresentou o projeto de lei 3.621/2025, que estabelece normas para assegurar acesso democrático a eventos culturais, artísticos e festivos promovidos diretamente pelo poder público e com uso de recursos públicos. A proposta também disciplina a instalação de camarotes nesses eventos e determina a destinação da receita obtida com a venda de ingressos para essas áreas.

    Segundo o texto, será proibida a reserva ou comercialização de áreas no nível da plateia para o público em geral, especialmente nas proximidades dos palcos. O objetivo é garantir que os espaços destinados ao público no plano do chão sejam de acesso gratuito, vedando qualquer tipo de segregação econômica ou espacial.

    A proposta define que somente os eventos cuja organização e execução estejam sob responsabilidade direta de órgãos públicos – ou sob regime de contratação pública com controle total do ente estatal – estarão sujeitos às novas regras. Eventos com apoio logístico ou financeiro, mas sem essa gestão direta, não se enquadram na norma.

    Projeto de lei propõe regras para garantir acesso igualitário a eventos públicos e redistribuir recursos de camarotes para a saúde.

    Projeto de lei propõe regras para garantir acesso igualitário a eventos públicos e redistribuir recursos de camarotes para a saúde.Freepik

    A proposta permite a instalação de camarotes privados, desde que em áreas elevadas ou afastadas do eixo central da plateia. Essas estruturas deverão ser concedidas mediante processo licitatório e a empresa ou pessoa responsável deverá repassar ao menos 50% da receita bruta arrecadada com os ingressos ou locações ao poder público.

    De acordo com o projeto, os valores arrecadados com a concessão desses espaços terão destinação obrigatória: metade deve ser usada no custeio do próprio evento e a outra metade deverá ser repassada para unidades de saúde pública do município onde o evento ocorrer. A prestação de contas deverá ser publicada em até 60 dias após o encerramento do evento, com detalhamento das receitas, dos destinatários das concessões e da aplicação dos recursos arrecadados.

    O descumprimento das disposições poderá resultar em responsabilização administrativa, civil e penal, incluindo enquadramento por improbidade administrativa com base na lei 8.429/1992.

    Na justificativa que acompanha o projeto, o autor afirma que a proposta busca garantir isonomia no uso de espaços públicos em eventos financiados com recursos públicos, além de assegurar que eventuais receitas obtidas com camarotes sejam revertidas em benefício da população, especialmente na área da saúde. O projeto está em tramitação na Câmara dos Deputados.

    Leia a íntegra da proposta.

  • Brasil volta a ficar fora do Mapa da Fome

    Brasil volta a ficar fora do Mapa da Fome

    O Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), segundo relatório divulgado nesta segunda-feira, 28, durante conferência na Etiópia. O estudo mostra que o índice de subalimentação caiu para menos de 2,5% da população, limite usado pelo órgão para caracterizar situações críticas de insegurança alimentar.

    A avaliação leva em conta a média de três anos, entre 2022 e 2024. De acordo com a metodologia da FAO, o indicador de prevalência de subnutrição estima o percentual da população com consumo calórico abaixo do mínimo recomendado para uma vida saudável. O Brasil já havia saído do Mapa em 2014, mas voltou à lista no triênio 2018-2020.

    FAO divulga resultado com base em média trienal de dados entre 2022 e 2024.

    FAO divulga resultado com base em média trienal de dados entre 2022 e 2024.Fernando Frazão/Agência Brasil

    Entre os fatores considerados no cálculo estão a oferta de alimentos no país, a capacidade da população de adquiri-los e a distribuição desse consumo entre os diferentes grupos sociais. Os dados utilizados pela FAO são atualizados anualmente, mas o uso da média trienal busca evitar distorções causadas por variações sazonais ou choques econômicos.

    Segundo o relatório, o país enfrentou um cenário mais crítico em 2022, mas conseguiu reduzir os indicadores nos dois anos seguintes. O relatório da FAO foi elaborado com apoio de outras agências da ONU, como Unicef, OMS e PMA, e acompanha o progresso dos países em relação às metas da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável.

    A nova classificação não elimina os desafios internos. O monitoramento de insegurança alimentar no Brasil continua sendo feito por meio de pesquisas do IBGE e do acompanhamento nutricional de beneficiários de programas sociais. Esses dados permitem mapear as regiões e os grupos mais vulneráveis, orientando ações públicas de combate à fome.

    Veja a íntegra do relatório.