Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Réu, Bolsonaro ataca Moraes e defende anistia para “pacificar o país”

    Réu, Bolsonaro ataca Moraes e defende anistia para “pacificar o país”

    O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a negar participação em uma trama golpista para continuar no poder. No primeiro pronunciamento após virar réu no Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe, Bolsonaro disse que a decisão dos ministros é fruto da “criatividade de alguns”. Ele voltou a criticar o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes. “Ele [Moraes] bota o que ele quer lá, por isso que os inquéritos dele são secretos”, declarou. 

    Bolsonaro também defendeu a aprovação de anistia política para “passar uma borracha” no caso e “pacificar” o país. O pronunciamento foi no Senado, de onde acompanhou, no gabinete do filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao julgamento desta quarta-feira (26).

    Bolsonaro se pronunciou no Senado logo após virar réu no Supremo

    Bolsonaro se pronunciou no Senado logo após virar réu no SupremoPedro Ladeira/Folhapress

    Nessa terça, o ex-presidente assistiu às sessões da Primeira Turma sentado ao lado dos advogados dos acusados. “Ontem fui ao Supremo, foi uma decisão de última hora. Hoje resolvi não ir, motivo: obviamente sabia o que ia acontecer”, justificou. “Parece que eles têm algo pessoal contra mim, e as acusações são muito graves e infundadas”, acrescentou.

    Bolsonaro afirmou que, se tivesse a intenção de impedir a posse de Lula, teria negado o pedido do presidente Lula para nomear os comandantes das Forças Armadas antes da posse. O ex-presidente declarou que, no dia 2 de novembro de 2022, fez um pronunciamento à nação em que pediu a caminhoneiros que bloquearam as rodovias em protesto contra a eleição de Lula. 

    “Eu não tinha intenção nenhuma em parar o Brasil, criar o caos”, disse. “Não convoquei os conselhos da república, nem atos preparatórios houve para isso. Se é que você trabalhar com o dispositivo constitucional, é sinal de golpe. Golpe não tem lei, não tem norma”, declarou.

    “Muita pressa”

    Antes de falar, Bolsonaro reclamou, no X, da “pressa” com que o Supremo tem conduzido o processo contra ele. “Estão com pressa. Muita pressa. O processo contra mim avança a uma velocidade 14 vezes maior que o do Mensalão e pelo menos dez vezes mais rápida que o de Lula na Lava Jato”, escreveu, reproduzindo levantamento da Folha de S.Paulo.

    Cinco a zero

    O ex-presidente se tornou réu por tentativa de golpe de Estado, por decisão unânime dos cinco ministros da Primeira Turma do STF. Votaram pelo recebimento da denúncia contra ele e outros sete aliados os ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

    Em seu voto, Moraes sustentou que há elementos “mais do que suficientes” de que Bolsonaro tinha conhecimento da “minuta do golpe” e que se articulou, buscando apoio das Forças Armadas, para tentar se manter no poder depois de ter perdido as eleições.

    “Não há dúvida que Bolsonaro tinha ciência e manuseou o documento, afirmou. Segundo, o documento foi encontrado na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. O relator ressaltou que os depoimentos dos comandantes das Forças Armadas indicam que Bolsonaro discutiu e alterou o documento. A intenção dele, no caso, será discutida no julgamento da ação penal, pontuou.

  • Senado aprova uso de tornozeleira eletrônica para agressor de mulher

    Senado aprova uso de tornozeleira eletrônica para agressor de mulher

    Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária

    Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordináriaJefferson Rudy/Agência Senado

    O Senado aprovou nesta quarta-feira (26) o projeto de lei 5.427/2023, que amplia a proteção a mulheres vítimas de violência doméstica ao permitir o uso de tornozeleira eletrônica para monitorar os agressores. A proposta, de origem na Câmara dos Deputados, altera a Lei Maria da Penha (lei 11.340/2006) para prever a monitoração eletrônica como parte das medidas protetivas de urgência. A proposta será enviada à sanção presidencial.

    O texto determina que, durante a vigência da medida protetiva, o agressor poderá ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica. Além disso, a proposta prevê que tanto a vítima quanto as autoridades policiais sejam alertadas em caso de aproximação indevida, por meio de um dispositivo de segurança.

    O relator da matéria na Comissão de Direitos Humanos (CDH), senador Paulo Paim (PT-RS), também presidente do colegiado, apresentou um substitutivo ao texto original. Ele retirou a exigência de que o dispositivo de segurança fosse necessariamente vinculado a um telefone celular, considerando a proposta excessivamente detalhada. Em vez disso, deixou a definição da tecnologia a cargo dos órgãos de segurança pública. Paim aproveitou parte do texto do PL 5.512/2023, do senador Magno Malta (PL-ES) – os projetos tramitam em conjunto.

    Para Paim, o monitoramento eletrônico fortalece a eficácia das medidas protetivas e pode salvar vidas. Ele destacou que o instrumento permitirá que a vítima seja alertada com antecedência em caso de risco iminente.

    “Infelizmente, não é raro assistirmos nos noticiários casos de mulheres assassinadas mesmo após a imposição de medidas protetivas contra o agressor”, lamentou o senador.

    Medida protetiva não pode ser só um pedaço de papel. É preciso garantir que ela realmente proteja quem está em risco, afirmou a líder da bancada feminina no Senado, Leila Barros (PDT-DF). “Com esse sistema de monitoramento e alerta, a vítima poderá ter a chance de procurar um local seguro e acionar as autoridades”, acrescentou.

    O uso da tornozeleira eletrônica como ferramenta de proteção às mulheres também é tema de outro projeto em análise no Senado, o PL 1.781/2022.

  • Grupo Prerrogativas promove ato contra anistia em lançamento de livro

    Grupo Prerrogativas promove ato contra anistia em lançamento de livro

    O Grupo Prerrogativas promove um ato contra a anistia política de acusados de tentativa de golpe de Estado durante o lançamento do livro Ainda não mudou: Direito e (In)Justiça no Brasil, do advogado e promotor de Justiça aposentado Roberto Tardelli. O evento, que também marca os 61 anos do golpe militar de 1964, será realizado na PUC-SP, na próxima segunda-feira (31), às 19h. Na próxima semana a oposição promete elevar a pressão no Congresso para tentar aprovar um perdão para os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023

    Em sua nova obra, Tardelli revisita seu livro de 2007, A arte de julgar alguém, e analisa as mudanças ocorridas no Brasil, criticando o sistema de justiça e defendendo uma atuação mais humana do Ministério Público. A publicação aborda temas como encarceramento automático, superlotação carcerária e racismo estrutural.

    Roberto Tardelli relata sua experiência profissional no sistema judicial brasileiro

    Roberto Tardelli relata sua experiência profissional no sistema judicial brasileiroReprodução/Youtube/Migalhas

    Autor do posfácio da obra, o coordenador do Prerrogativas, Marco Aurélio Carvalho, diz que o livro é um convite à reflexão sobre as contradições gritantes do país e um sopro de esperança para quem deseja um sistema de justiça mais humano e equilibrado.

    É um mergulho na alma do sistema criminal brasileiro e, sobretudo, em suas falhas. Como observa o autor, nesses quase 20 anos, a lei mudou, a interpretação da lei pelos tribunais mudou, os acusadores mudaram. O momento histórico vivido pela sociedade se transformou, e novos medos foram agregados, destaca Marco Aurélio.

    Mudanças que, segundo Marco Aurélio, tornaram a realidade ainda mais complexa. As redes sociais alteraram profundamente as relações e a forma como a justiça é percebida. Uma pandemia mundial confinou a sociedade, deixando sequelas sociais que ainda se fazem sentir. O processo eletrônico foi criado, trazendo inúmeras vantagens, mas também afastando as partes, tornando a presença humana uma ausência latente, ressalta.

    Tardelli foi promotor de Justiça por 30 anos e atuou na acusação contra Suzane von Richtofen. No livro, ele arra sua decisão de não denunciar um catador de latinhas, enxergando nele não um réu, mas uma vítima da própria sociedade. A justiça, para ser justa, precisa ir além da aplicação fria da lei, afirma o autor.

    Ainda em seu livro, Tardelli questiona o encarceramento automático, a superlotação carcerária, o racismo estrutural e o uso indiscriminado do poder punitivo. Para ele, o papel do Ministério Público deve ser o de zelar pela legalidade, e não apenas punir.

    Com dez anos de existência, o Prerrogativas ganhou notoriedade durante a Operação Lava Jato, ao se posicionar contra o avanço do ativismo judicial e a instrumentalização política e eleitoral de órgãos como o Judiciário e o Ministério Público.

    Veja a íntegra do posfácio de Marco Aurélio Carvalho:

    “A coragem de não acusar

    Como já se disse, o Tribunal do Júri é um lugar onde as emoções valem tanto quanto provas concretas. Nele, expressam-se de forma intensa as angústias e esperanças do sistema de Justiça. Poucos viveram e compreenderam essa dinâmica com tanta profundidade e coerência quanto Roberto Tardelli.

    Na trajetória desse advogado e ex-procurador de Justiça, há um compromisso constante com a justiça, mas também com a humanidade. Tardelli nunca se limitou a acusar ou defender; ele sempre buscou compreender. Isso ficou evidente, por exemplo, no episódio em que se recusou a denunciar um catador de latinhas. Diante de um homem reduzido praticamente à condição de semovente, privado da mínima possibilidade de autodeterminação, Tardelli experimentou um alumbramento: a percepção de que a sociedade já havia imposto a esse homem uma condenação muito mais severa do que qualquer pena prevista no Código Penal. Como acusá-lo? Como enxergar ali um réu, quando tudo ao redor gritava que ele era, antes de tudo, uma vítima?

    Espera-se que o promotor cumpra um “dever contratual” de condenar aqueles que se sentam no banco dos réus. Tardelli se negou a assumir esse dever. Para ele, o compromisso maior não era com a punição, mas com a verdade e a justiça. Sua coragem é um exemplo necessário em um tempo em que se acredita cada vez mais na prisão como solução para todos os males. Quando o encarceramento se torna a resposta automática da sociedade para problemas sociais complexos, a postura de Tardelli nos lembra que a justiça deve ser um ato de discernimento, e não de automatismo punitivo.

    A cena o marcou profundamente. Nas palavras de Tardelli, o catador, curvado sob o peso de sua carroça de sucatas, arrastava o próprio destino pelas ruas da cidade. Era um homem, mas também um animal de carga, um ser exaurido pela miséria, alguém a quem a sociedade negou não apenas direitos, mas até mesmo a condição de sujeito moral. Naquele instante, Tardelli compreendeu que a justiça, para ser justa, precisa ser maior que a aplicação fria da lei. A equidade exige um olhar para além dos códigos, uma leitura do humano que existe em cada acusado. Se a sociedade já havia transformado aquele homem em algo menor que um cidadão, qual seria o sentido de empunhar contra ele o rigor do Estado? Não foi apenas um momento de lucidez, mas uma epifania: perceber que o papel do operador do direito não pode se limitar a cumprir ritos e processar papéis. Ele deve enxergar, sentir, interpretar a realidade e, sempre que possível, reverter a injustiça naturalizada.

    É dessa mesma percepção aguda sobre os abismos sociais do Brasil que nasce a força deste livro, que chega agora à sua segunda edição. Publicado originalmente em 2007, quando quase tudo era diferente, Tribunal do Júri A Arte de Julgar o Próximo não é apenas um relato técnico sobre a atuação no plenário. É um mergulho na alma do sistema criminal brasileiro e, sobretudo, em suas falhas. Como observa o autor, nesses quase 20 anos, a lei mudou, a interpretação da lei pelos tribunais mudou, os acusadores mudaram. O momento histórico vivido pela sociedade se transformou, e novos medos foram agregados. As redes sociais alteraram profundamente as relações e a forma como a justiça é percebida. Uma pandemia mundial confinou a sociedade, deixando sequelas sociais que ainda se fazem sentir. O processo eletrônico foi criado, trazendo inúmeras vantagens, mas também distanciando as partes, tornando a presença humana uma ausência latente.

    Como promotor de Justiça, Tardelli se fez conhecido nacionalmente por sua atuação no caso de Suzane von Richthofen, mas sua verdadeira marca vai muito além desse julgamento emblemático. Ao longo da carreira, ele transitou entre papéis de acusador e defensor, mantendo sempre um olhar crítico sobre os mecanismos do Estado e sua tendência punitivista.

    A experiência moldou um profissional inquieto. Em suas palavras: O direito penal, quando se torna apenas um instrumento de repressão, falha em sua missão maior, que é a de preservar a dignidade humana. Essa indignação o levou a questionar não apenas a superlotação carcerária que ele chama de epidemiologia processual , mas também o racismo estrutural que permeia as decisões judiciais e a facilidade com que a privacidade dos marginalizados é violada, enquanto os privilegiados seguem protegidos por muros invisíveis de impunidade.

    Tardelli não apenas denuncia esses problemas, mas propõe caminhos. Defende, por exemplo, que nenhum novo preso seja admitido enquanto os presídios estiverem além de sua capacidade, pois encarcerar além do limite é um crime de Estado contra a própria sociedade. Critica a aceitação automática de provas colhidas pela polícia e alerta para os perigos de um Ministério Público que, em sua ânsia acusatória, esquece-se de seu dever de zelar pela legalidade e pela justiça. O MP tem poderes enormes, mas a grandeza de sua missão reside em usá-los com responsabilidade, não com voracidade, afirma.

    Mais do que um livro, esta obra é um convite à reflexão. Ao lê-la, não apenas se aprende sobre o Tribunal do Júri, mas sobre o Brasil um país de fossos profundos, de contradições gritantes, mas que ainda guarda, em figuras como Roberto Tardelli, a esperança de um sistema de Justiça mais humano e equilibrado.

    Marco Aurélio de Carvalho

    Advogado e Coordenador do Grupo Prerrogativas”

  • Reajuste de servidores federais será pago em maio, afirma governo

    Reajuste de servidores federais será pago em maio, afirma governo

    O governo federal confirmou, nessa quinta-feira (27), que o reajuste salarial dos servidores públicos será incluído na folha de pagamento de abril, com os valores sendo pagos em maio. A medida estava condicionada à aprovação do Orçamento Geral da União de 2025, aprovado semana passada pelo Congresso com três meses de atraso.

    A Medida Provisória (MP) 1.286/25, que formalizou os aumentos salariais negociados com diversas categorias ao longo do último ano, será prorrogada por mais 60 dias a partir de 2 de abril. Apesar da prorrogação, o governo informou que enviará um projeto de lei (PL) para substituir a MP.

    Enquanto o PL não for aprovado pelo Congresso, a MP continuará em vigor, conforme nota divulgada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

    Mudança no cronograma se deve a atraso na votação do orçamento de 2025, aprovado com três meses de atraso

    Mudança no cronograma se deve a atraso na votação do orçamento de 2025, aprovado com três meses de atrasoFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    Retroativo

    A medida também contempla ocupantes de cargos comissionados e funções de confiança, cujos reajustes passaram a valer a partir de 1º de fevereiro e não retroativamente a 1º de janeiro, como no caso dos servidores efetivos.

    A Lei Orçamentária Anual (LOA) foi aprovada pelo Congresso na semana passada e aguarda sanção presidencial, prevista para as próximas semanas. O reajuste será pago de forma retroativa a janeiro, ou seja, os valores referentes aos meses anteriores também serão incluídos no pagamento de maio.

    “Considerando o prazo para a sanção da LOA e os procedimentos operacionais necessários para processar a folha de pagamento, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, juntamente com os demais órgãos da administração federal, está tomando todas as providências para efetuar o pagamento do salário de abril e dos valores retroativos no dia 2 de maio”, informou a pasta.

    38 acordos

    A MP formaliza os termos de 38 acordos firmados pelo Ministério da Gestão nas Mesas de Negociação com as carreiras civis do funcionalismo federal ao longo de 2024. Somados a acordos anteriores, esses termos asseguram a recomposição salarial para 100% dos servidores ativos, aposentados e pensionistas da União.

    Além da reestruturação das remunerações, as medidas incluem a transformação de cargos considerados obsoletos em funções mais alinhadas às demandas de um setor público moderno. Destaca-se, ainda, a criação de duas carreiras transversais, que poderão ser utilizadas por diversos órgãos e entidades da administração federal, sem gerar impacto no orçamento.

    A maior parte das novas vagas transformadas será destinada à área da educação, com foco na expansão dos institutos federais. A medida provisória também estabelece novos mecanismos para avaliação de desempenho e progressão funcional.

    Reestruturação

    A reestruturação abrange cargos efetivos e comissionados, funções e gratificações, envolvendo tanto alterações nas tabelas salariais quanto o alongamento das carreiras 86% delas passarão a contar com 20 níveis de progressão. Os reajustes salariais ocorrerão em duas etapas: a primeira em janeiro de 2025 e a segunda em abril de 2026, com percentuais variáveis conforme a carreira e o cargo.

    Em 2025, o impacto fiscal dessas mudanças na folha de pagamento do Poder Executivo federal será de R$ 16,2 bilhões valor já previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2025). Para 2026, a segunda parcela da reestruturação representará um impacto estimado em R$ 8 bilhões.

    Veja abaixo a nota divulgada pelo Ministério de Gestão:

    “O governo, em acordo com o Congresso Nacional, vai enviar um Projeto de Lei para substituir a Medida Provisória 1286, editada em 31 de dezembro de 2024, que formalizou os termos de acordos firmados pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) nas Mesas de Negociação com as carreiras civis do funcionalismo federal ao longo de 2024. Essas negociações, junto com acordos anteriores, garantiram recomposição salarial para 100% dos servidores ativos, aposentados e pensionistas da União.

    A Medida Provisória será prorrogada em 2 de abril e o trabalho junto ao Congresso Nacional será no sentido de que o PL seja aprovado durante o prazo de vigência da MP, que continuará vigente sem que haja prejuízo para o pagamento dos salários com aumento e dos salários retroativos.

    Dado o prazo para sanção da LOA, e os procedimentos necessários para operacionalizar a folha de pagamentos, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e os demais órgãos da administração federal estão adotando todos os procedimentos para realizar o pagamento do salário de abril e dos salários retroativos no dia 2 de maio.”

  • Congresso tem mais de dez projetos de anistia a réus pelo 8 de janeiro

    Congresso tem mais de dez projetos de anistia a réus pelo 8 de janeiro

    Tema constantemente levantado pela oposição desde o início da atual legislatura, a anistia aos réus e condenados por participação ou organização dos ataques às sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023 ganhou novo fôlego na última semana. 

    A aceitação no Supremo Tribunal Federal (STF) da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe antes e após as eleições de 2022 levou a liderança do governo na Câmara dos Deputados a, pela primeira vez, temer a aprovação de um projeto nesse sentido. Somando Câmara e Senado, ao menos 11 textos propõem a anistia política.

    Alguns deles beneficiam não apenas os presos pela depredação, mas também Bolsonaro e seus aliados. A constitucionalidade do assunto, no entanto, deve gerar intensa discussão no própro Supremo Tribunal Federal (STF) caso a medida vire lei. A oposição vai aumentar a pressão sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nos próximos dias, para pautar o perdão aos acusados de atentar contra a democracia e ameaça atrapalhar as votações enquanto o o tema não for incluído em votação.

    Propostas de anistia ganharam força depois que o STF acatou a denúncia da PGR contra Bolsonaro.

    Propostas de anistia ganharam força depois que o STF acatou a denúncia da PGR contra Bolsonaro.Gabriela Biló/Folhapress

    Debate postergado

    A Câmara conta com ao menos sete projetos de anistia a réus, denunciados e condenados por participação nos ataques de 8 de janeiro. Em 2024, um projeto do ex-deputado Major Vitor Hugo, o 2858/2022, chegou perto da aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Quando todos os instrumentos de obstrução do governo se esgotaram, o então presidente Arthur Lira (PP-AL) retirou o item dos cuidados do colegiado, e o transferiu a uma comissão especial que nunca foi instalada.

    O texto prevê um amplo leque temporal de anistias, perdoando todos os atos de protesto ao resultado eleitoral desde o segundo turno das eleições de 2022. Com isso, ficam incluídos os participantes dos bloqueios rodoviários, bem como dos acampamentos montados em frente aos quartéis cobrando a intervenção das Forças Armadas sobre o resultado eleitoral.

    Durante os debates na CCJ, seu relator, Rodrigo Valadares (União-SE), afirmou que o projeto não incluiria acusações contra Bolsonaro ou outras lideranças políticas, restringindo-se apenas aos manifestantes. Outros projetos, porém, podem afetar o processo.

    Mudança no código penal

    De todos os projetos em tramitação a respeito da anistia, o mais abrangente veio de outro réu no mesmo processo de Bolsonaro: o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).

    O projeto de lei 5793/2023, apresentado por lee, altera no Código Penal os crimes contra o Estado de Direito para exigir que os crimes em questão envolvam violência contra pessoa ou grave ameaça. Também impede o uso da teoria do crime multitudinário, exige individualização da conduta e concede anistia para quatro tipos penais: incitação ao crime, associação criminosa, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A medida prevê ainda a libertação de todos os presos com base nesses crimes.

    Outra proposta com potencial de beneficiar o ex-presidente é o projeto de lei 4485/2024, do deputado Marcos Pollon (PL-MS). Ele extingue, para atos cometidos nos dias 8 e 9 de janeiro de 2023, a punibilidade de condenados por associação criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta da ordem democrática e incitação ao crime. Também determina a anulação dos registros criminais relativos a esses delitos.

    Além deste, tramita o projeto de lei 5643/2023 de autoria do deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que também pode afetar o processo contra Bolsonaro. Ele concede anistia penal a “todos que tenham sido ou venham a ser acusados ou condenados” em razão dos ataques de 8 de janeiro por abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado, excluindo outros crimes eventualmente imputados aos manifestantes.

    As outras propostas, como os projetos 2162/2023, 2858/2022, 3312/2023 e 1216/2024 já trabalham com objetivos mais restritos, com menor potencial de atingir diretamente Jair Bolsonaro ou outros atores políticos.

    Projetos no Senado

    No Senado, existem ao menos outros quatro projetos nesse sentido.

    A proposta mais abrangente é de Marcio Bittar (União-AC). O projeto de lei 1068/2024 concede anistia a todos os crimes e contravenções penais ligados aos protestos, restabelece direitos políticos de inelegíveis e determina a reintegração de eventuais mandatos perdidos por atos relacionados às eleições de 2022. O texto também impede novas cassações com base nas mesmas condutas. Bolsonaro está inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos ataques sistemáticos feitos ao sistema de votação do país. Ataques estes que, que conforme denúncia da Procuradoria-Geral da República, faziam parte da trama golpista, pela qual ele virou réu no Supremo.

    Outras três propostas têm escopo mais restrito. São os projetos de Rosana Martinelli (PL-MT), Ireneu Orth (PP-RS) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS), identificados como os números 2706/2024, 2987/2024 e 5064/2023, respectivamente. Eles limitam a anistia aos crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Ficam de fora delitos como dano ao patrimônio público e associação criminosa.

    Embora não citem diretamente Jair Bolsonaro, os textos podem impactar o processo no qual o ex-presidente é réu no STF: ele responde por golpe de Estado, abolição violenta do Estado de Direito e organização criminosa. Dentre os três crimes, dois podem ser anulados com esses projetos.

    Outros obstáculos

    Apesar de muitos dos projetos em tramitação sobre anistia a atos relacionados aos ataques de 8 de janeiro poderem impactar o processo contra Jair Bolsonaro, eles não necessariamente serão aprovados desta forma.

    Desde o início do debate na Câmara, a ideia de incluir o perdão ao ex-presidente enfrenta resistência entre parlamentares. Propostas voltadas aos presos por participação direta seja nos ataques, seja nos acampamentos em frente aos quartéis, é mais popular na Casa, tendo em vista a discordância de parte dos congressistas a respeito das penas impostas.

    A margem de mudança se estende ao presidente Lula: todas as iniciativas tramitam na forma de lei ordinária, devendo portanto passar pela sanção ou veto presidencial. Com o veto de Lula, o Congresso terá de reunir os apoios necessárioss para derrubar a decisão, tarefa que demanda muita tensão política. Mesmo os parlamentares que apoiam a anistia reconhecem que a discussão não tem caminho fácil e será submetida ao Supremo, que seria o principal órgão contrariado com o eventual perdão aos participantes da tentativa de golpe. 

  • PGR fez acordo com 546 réus do 8 de janeiro; 237 recusaram

    PGR fez acordo com 546 réus do 8 de janeiro; 237 recusaram

    Entre os 1.604 réus processados por participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, 546 fecharam acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para evitar condenações e antecedentes criminais. Outros 500 já foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sendo 237 sentenciados a um ano de prisão, com penas convertidas em medidas alternativas, e 11 condenados a dois anos e meio ou três anos de reclusão. Há ainda condenações mais severas, de até 17 anos de prisão, para acusados de envolvimento direto na depredação das sedes dos Três Poderes.

    Penas para participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 chegam até a 17 anos de prisão

    Penas para participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 chegam até a 17 anos de prisãoJoedson Alves/Agência Brasil

    Os acordos de não persecução penal (ANPP) firmados pela PGR se aplicam a réus sem antecedentes e cujos crimes tenham pena mínima inferior a quatro anos. Para aderir, os envolvidos devem confessar o crime e pagar multa de R$ 5 mil a R$ 50 mil, embora, em alguns casos, a multa tenha sido dispensada. Em troca, o processo é suspenso, com a possibilidade de arquivamento definitivo em caso de cumprimento integral das condições.

    De acordo com o Supremo, os 237 réus que rejeitaram o acordo e foram condenados a um ano de prisão terão a pena substituída por serviços comunitários e restrição ao uso de redes sociais, mas ficarão com condenação criminal com antecedentes. Além disso, estão sujeitos a medidas como proibição de sair do local de residência, suspensão de passaporte e perda do porte ou posse de arma de fogo. Eles também deverão arcar com uma indenização coletiva de R$ 5 milhões, a ser dividida entre os condenados.

    Tanto os que firmaram acordo quanto os que foram condenados deverão assistir ao curso obrigatório “Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado”, elaborado pela PGR.

    As penas, informa a Folha de S.Paulo, foram determinadas majoritariamente pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos, e acompanhadas pela maioria dos ministros do STF em julgamentos realizados no plenário virtual. Em casos mais graves, os réus têm sido responsabilizados por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de Direito, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

    Entre os condenados por esses crimes mais graves está a bolsonarista Débora Rodrigues dos Santos, que pichou a estátua “A Justiça” com batom durante os ataques em Brasília. Moraes votou pela condenação dela a 17 anos de prisão. O ministro Luiz Fux suspendeu o julgamento e anunciou que proporia a revisão da pena. Atendendo a pedido da defesa e recomendação da Procuradoria-Geral da República, Moraes autorizou que ela passe à prisão domiciliar. 

    No fim de 2023, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, informou que mais de 1.200 propostas de acordo haviam sido oferecidas, mas mais da metade foi recusada pelos réus.

  • ICMS de compras internacionais sobe para 20% em dez estados na terça

    ICMS de compras internacionais sobe para 20% em dez estados na terça

    Começa a valer nesta terça-feira (1º) o aumento do ICMS sobre compras internacionais em dez estados brasileiros. A alíquota passa de 17% para 20% e afeta encomendas recebidas por consumidores em Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. A decisão foi aprovada em dezembro de 2024 pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), mas só entra em vigor agora.

    Vitrine de loja de roupas, no Rio de Janeiro.

    Vitrine de loja de roupas, no Rio de Janeiro.Fernando Frazão/Agência Brasil

    Com a mudança, o custo final de importações de até US$ 50 como roupas, eletrônicos e acessórios pode subir consideravelmente. Isso porque essas compras já estão sujeitas a uma alíquota de 20% do Imposto de Importação, estabelecida em agosto passado. Assim, a carga tributária total pode chegar a 50% do valor do produto.

    A medida é justificada pelos estados como uma tentativa de garantir isonomia com o comércio nacional e proteger o mercado interno diante do crescimento das compras em plataformas internacionais. O Comsefaz afirmou que a alta do ICMS contribui para uma tributação mais justa e para o fortalecimento da indústria e do varejo locais.

    Para compras acima de US$ 50, a tributação federal salta para 60%, mantendo-se os mesmos 20% de ICMS. O programa Remessa Conforme, da Receita Federal, continua oferecendo benefícios fiscais às plataformas que aderirem às regras brasileiras, mas o ICMS permanece sendo cobrado integralmente pelos estados.

  • Conselho de Ética marca julgamento de Glauber Braga para quarta-feira

    Conselho de Ética marca julgamento de Glauber Braga para quarta-feira

    O presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Leur Lomanto Júnior (União-BA), agendou para quarta-feira (2) a reunião para deliberar sobre o processo contra o deputado Glauber Braga (Psol-RJ), que responde desde abril por quebra de decoro. O parecer, elaborado pelo relator Paulo Magalhães (PSD-BA), foi apresentado em dezembro de 2024, pouco antes do início do recesso legislativo.

    O Conselho pode votar o relatório ainda nesta sessão. Caso o colegiado decida pela cassação, a decisão final ficará sob responsabilidade do Plenário.

    Parecer foi apresentado em dezembro, e tramita sob sigilo.

    Parecer foi apresentado em dezembro, e tramita sob sigilo.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    “Amanhã finalmente saberei o resultado do processo contra mim que foi movido pelo partido Novo no Conselho de Ética. O relator já colocou o voto no sistema desde dezembro mas está sob sigilo. Esse mês completa 1 ano que essa representação tá rolando. Tô preparado para o que vier”, disse o deputado em suas redes sociais.

    Disputa de narrativas

    Braga é acusado de ter expulsado com empurrões e chutes o militante Gabriel Costenaro, do Movimento Brasil Livre (MBL), de dentro das instalações da Câmara em abril de 2024. O caso motivou uma representação do Partido Novo, acolhida com dez votos favoráveis e dois contrários.

    O episódio ocorreu durante uma audiência sobre projeto que regulamenta o trabalho de motoristas de aplicativo. Segundo o relator, após uma troca de provocações, o deputado agrediu Costenaro mesmo após intervenção da Polícia Legislativa.

    A defesa sustenta que o militante dirigiu ofensas pessoais à mãe de Braga, Saudade Braga, internada até então por problemas respiratórios. Ela veio a falecer menos de um mês depois.

    Durante o processo, Braga renunciou à presidência da Comissão de Legislação Participativa e anunciou que abriria mão de recursos regimentais, como o direito de recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em caso de eventual recomendação de cassação.

  • Comissão de segurança cria grupo para monitorar presos de 8 de janeiro

    Comissão de segurança cria grupo para monitorar presos de 8 de janeiro

    A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (1º) a criação de uma subcomissão especial para apurar, in loco, denúncias de violações de direitos humanos contra presos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

    O requerimento foi apresentado pelo líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), e aprovado no mesmo dia em que líderes oposicionistas se reuniram com o ex-presidente Jair Bolsonaro para discutir estratégias de avanço dos projetos voltados à anistia.

    Requerimento foi apresentado pelo líder da oposição, Zucco (PL-RS), e aprovado em votação simbólica.

    Requerimento foi apresentado pelo líder da oposição, Zucco (PL-RS), e aprovado em votação simbólica.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    A subcomissão será composta por 12 membros titulares e igual número de suplentes. A comissão deverá apresentar um relatório circunstanciado até o fim da atual legislatura. Não constitui mérito desta Subcomissão o exame do conteúdo das decisões jurisdicionais que determinaram o encarceramento dessas pessoas, apontou o autor.

    O requerimento foi aprovado em votação simbólica. O presidente da comissão, Paulo Bilynskyj (PL-SP) se pronunciou em seguida, afirmando que a aprovação demonstra o total apoio do PL e da presidência da Comissão de Segurança Pública à anistia aos presos do 8 de janeiro.

  • CCJ do Senado inicia discussão do novo Código Eleitoral

    CCJ do Senado inicia discussão do novo Código Eleitoral

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) começa a discutir nesta quarta-feira (2) o projeto de lei complementar 112/2021, que atualiza do Código Eleitoral. Na sessão, está marcada a leitura do parecer do senador Marcelo Castro (MDB-PI), relator da proposta na Casa.

    O senador Marcelo Castro (MDB-PI) é o relator do Novo Código Eleitoral no Senado.

    O senador Marcelo Castro (MDB-PI) é o relator do Novo Código Eleitoral no Senado.Geraldo Magela/Agência Senado

    “Este agora é o quarto relatório que eu apresento. Neste dois anos, eu recebi e estive a disposição de toda a sociedade brasileira, especialmente os senadores e deputados”, disse o senador no início da sessão.

    O texto relatado por Marcelo Castro busca unificar, em uma única lei, toda a legislação eleitoral dispersa no Código Eleitoral e em uma série de leis que estabelecem regras eleitorais e partidárias. O relator do projeto disse ainda defender que a comissão conceda vista coletiva (mais tempo para que os senadores analisem o projeto) por um “prazo mais dilatado”

    O novo Código Eleitoral já foi aprovado na Câmara dos Deputados. Se for aprovado na CCJ, ele segue para o plenário do Senado. Depois de passar pelo crivo dos senadores, ainda precisa voltar ao plenário da Câmara, que vai deliberar sobre as mudanças no texto feitas pelo Senado.