Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Em semana de Copom, mercado diminui previsão para inflação e PIB

    Em semana de Copom, mercado diminui previsão para inflação e PIB

    O mercado financeiro ajustou para baixo as previsões do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e da inflação para 2025, segundo o Boletim Focus publicado pelo Banco Central nesta segunda-feira (17). O relatório, que coleta as previsões de analistas do mercado, mostra uma projeção de 1,99% para aumento do PIB e de 5,66% para a inflação oficial do ano, uma oscilação para baixo nos dois valores em comparação à semana anterior, respectivamente de 2,01% e 5,68%.

    O ajuste vem na semana em que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve divulgar um aumento de um ponto percentual na Selic, taxa básica de juros da economia brasileira. Se isso se confirmar, a Selic vai a 14,25% anuais.

    • A alta dos juros visa a combater a inflação para que ela entre no intervalo da meta do governo, que está na faixa de 1,5% a 4,5%. As elevações, no entanto, desaceleram a economia e podem baixar o crescimento do PIB no ano.

    O mercado também projeta que o dólar feche o ano cotado a R$ 5,98, ante R$ 5,99 na semana anterior. A expectativa indicada no Focus é que a Selic feche o ano a 15% anuais.

    Relatório Focus mostra as previsões de especialistas do mercado financeiro para a economia brasileira.

    Relatório Focus mostra as previsões de especialistas do mercado financeiro para a economia brasileira.F1Digitals (via Pixabay)

  • Senado: CRA ouve ministra dos Povos Indígenas sobre acordo com empresa

    Senado: CRA ouve ministra dos Povos Indígenas sobre acordo com empresa

    Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.

    Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.MRE GAVIÃO/Ministério dos Povos Indígenas

    A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal convocou a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, para uma audiência pública nesta terça-feira (18), às 14h. A ministra prestará esclarecimentos sobre um protocolo de intenções firmado entre o Ministério dos Povos Indígenas e a empresa Ambipar, especializada em gestão ambiental. O requerimento para a audiência foi apresentado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, que alega possíveis irregularidades no acordo.

    No requerimento (REQ 4/2025 – CRA), o senador argumenta que o protocolo foi firmado sem o cumprimento dos requisitos legais, incluindo a ausência de licitação para a escolha da empresa. Segundo Marinho, essa falta de transparência pode configurar tratamento privilegiado à Ambipar e violar os princípios da isonomia e impessoalidade na administração pública.

    “O protocolo de intenções, segundo divulgado pela imprensa, abrangeria uma área de aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados, equivalente a 14% do território brasileiro, o que demandaria aprovação legislativa prévia. Além disso, caso a parceria envolva concessão de terras públicas acima de 2.500 hectares, haveria necessidade de autorização específica”, aponta o senador, questionando a constitucionalidade do acordo.

    O senador também levanta preocupações sobre a falta de consulta prévia às comunidades indígenas afetadas, o que, em sua visão, compromete a legitimidade da parceria e desrespeita princípios internacionais de autodeterminação dos povos originários.

    Adicionalmente, Marinho afirma que há previsão de início das atividades antes da conclusão do plano de trabalho, contrariando as normas legais de prestação de contas e previsibilidade orçamentária.

    A audiência pública será interativa, permitindo a participação da sociedade civil. Os cidadãos podem enviar perguntas e comentários por meio da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e-Cidadania. As contribuições podem ser lidas e respondidas pelos senadores e pela ministra durante o evento.

  • Eduardo Bolsonaro fica nos EUA e diz que vai se licenciar da Câmara

    Eduardo Bolsonaro fica nos EUA e diz que vai se licenciar da Câmara

    O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciou nesta terça-feira (18) que vai se licenciar do mandato de deputado e permanecer nos Estados Unidos. O parlamentar fez o anúncio por vídeo publicado no YouTube. Na gravação, Eduardo diz que vai trabalhar no exterior para articular sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes, relator na Suprema Corte das denúncias de réus dos atos golpistas do 8 de janeiro e da denúncia do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

    Eduardo era o nome defendido pelo PL para assumir a presidência da Comissão das Relações Exteriores na Câmara, o que foi recebido com resistência por legendas da esquerda. A bancada do PT na Casa chegou a pedir a retenção do passaporte do deputado na Justiça.

    No vídeo, o parlamentar diz que o deputado Zucco vai assumir a presidência da comissão em seu lugar. Zucco, hoje, é líder da Oposição na Câmara.

  • CCJ do Senado discute aumentar pena para brigas em eventos esportivos

    CCJ do Senado discute aumentar pena para brigas em eventos esportivos

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado tem na sua pauta de quarta-feira (19) um projeto de lei que propõe pena de até oito anos para pessoas envolvidas em brigas durante eventos esportivos. O relator, senador Jorge Kajuru (PSB-GO), emitiu parecer favorável ao projeto, incorporando uma emenda do senador Fabiano Contarato (PT-ES) que estabelece gradações na pena, de acordo com a gravidade do crime. A sessão começa às 9h.

    O senador Jorge Kajuru é o relator da proposta na CCJ.

    O senador Jorge Kajuru é o relator da proposta na CCJ.Jefferson Rudy/Agência Senado

    O projeto prevê as seguintes penas:

    • dois a quatro anos de reclusão para quem causar tumulto ou incitar violência em estádios, ginásios e outros locais de competição.
    • dois a quatro anos para quem invadir áreas restritas aos competidores.
    • três a seis anos para casos de lesão corporal grave.
    • quatro a oito anos, em caso de morte.
    • penas aumentadas em um a dois terços se as ações forem direcionadas a agentes de segurança.

    Além disso, o projeto permite que juízes impeçam indivíduos indiciados ou acusados de comparecer a estádios, determinando que permaneçam em casa ou em locais específicos durante eventos esportivos, como medida para garantir a ordem pública.

    A emenda de Contarato altera o Código Penal de 1940, agravando a pena para o crime de rixa em casos de lesão corporal grave (dois a seis meses de detenção) e morte (dois a quatro anos de detenção). Atualmente, a pena é de seis meses a dois anos. Rixa é definida como a conduta criminosa que envolve três ou mais pessoas praticando atos de violência confusos e recíprocos, em que a identificação das ações individuais se torna difícil devido ao tumulto.

    De autoria do ex-senador Alexandre Silveira (MG), o projeto já passou pela Comissão de Esporte. Após a análise da CCJ, caso aprovado e sem recurso para o Plenário, seguirá para a Câmara dos Deputados.

  • Tributaristas analisam proposta do governo para isenção do IR

    Tributaristas analisam proposta do governo para isenção do IR

    O Congresso Nacional recebeu, na terça-feira (18), proposta do Poder Executivo para dar descontos ou isentar do Imposto de Renda (IR) mais de 90 milhões de brasileiros. Quem recebe até R$ 5 mil por mês não pagará o imposto que também será cobrado em valor reduzido para quem ganha até R$ 7 mil mensais.

    Para compensar os cofres públicos, o projeto de lei 1.087/2025 propõe o estabelecimento de um piso na cobrança de Imposto de Renda de quem recebe mais de R$ 50 mil por mês. O texto prevê que o tributo mínimo ficará entre R$ 18,7 mil e R$ 120 mil por ano.

    O governo espera que as regras de isenções funcionem a partir de 2026. Para isso, Câmara, que está com o texto, e Senado devem aprovar o projeto ainda neste ano.

    Diante da relevância da proposta, o Congresso em Foco consultou especialistas para uma análise detalhada dos impactos da medida.

    Tributaristas emitiram suas opiniões sobre o projeto de isenção do IR.

    Tributaristas emitiram suas opiniões sobre o projeto de isenção do IR.Freepik

    Justiça fiscal e capacidade contributiva

    A tributarista Betina Grupenmacher considera que a isenção atende ao princípio da capacidade contributiva. “Quem ganha até R$ 5 mil não tem mesmo capacidade contributiva para pagar o imposto. Tem apenas o mínimo existencial.”

    Ela também observa que, do ponto de vista da arrecadação, a proposta busca um equilíbrio: “Sob o aspecto das contas públicas também é bom porque vai compensar a arrecadação que será perdida com a isenção dos R$ 5 mil.”

    No entanto, alerta para um problema prático: “Se passar de 34% haverá retenção na fonte e devolução só será feita com o ajuste, e com isso o governo fica ‘trabalhando’ com o dinheiro do contribuinte, o que, no meu entendimento, fere o direito de propriedade.”

    Ela ainda levanta um questionamento relevante sobre a destinação dos recursos arrecadados: “Para onde vai esse dinheiro que vai abastecer ainda mais os cofres públicos? É certo que a tributação deve ser progressiva e observar a capacidade contributiva, mas o governo tem que fazer a sua parte e não faz. Não temos serviços públicos de qualidade, o que compromete o princípio da dignidade humana. Por isso não gostamos de pagar cada vez mais impostos.”

    Lina Santin também avalia positivamente a ampliação da faixa de isenção e destaca que “a medida é bem-vinda pois aumenta a faixa de isenção, que já sofreu duas correções sob a gestão do ministro Fernando Haddad, mas ficou congelada desde 2015 até 2023.”

    Entretanto, ela ressalta a necessidade de clareza no conceito de alíquota efetiva e alerta para possíveis distorções:

    “Se o projeto está chamando de ‘alíquota efetiva’ o que em realidade é ‘carga tributária efetiva’, estaríamos então falando em um limite de alíquota nominal aplicada sobre o faturamento total das empresas que estão no lucro presumido, ignorando assim o percentual da base presumida de lucro estabelecido em lei – e como resultado estaria inviabilizada a restituição de valores retidos de sócios de pessoas jurídicas sujeitas ao lucro presumido ou simples nacional, criando insegurança jurídica e abrindo espaço para contencioso.”

    Impactos na arrecadação e a tributação de dividendos

    Para Luiz Gustavo Bichara, a medida pode resultar em um aumento de arrecadação em vez de neutralidade fiscal. “A proposta acaba por gerar aumento de arrecadação em 2026, ano eleitoral, postergando para depois de abril/2027 o ‘acerto de contas’.”

    Ele também observa que a tributação sobre dividendos pode não cumprir a promessa de neutralidade fiscal: “O documento em questão estima que o IRPF e a retenção sobre dividendos pagos ao exterior gerem uma arrecadação que supera em R$ 10 bilhões anuais os valores da renúncia fiscal resultante da ampliação da faixa de isenção.”

    Além disso, Bichara destaca um aspecto importante da proposta:

    “Estender o limite de isenção até R$ 5 mil mensais é exagerado em um país de renda média como o nosso. Para se ter ideia, um casal sem filhos em que cada um tenha rendimento mensal de R$ 5 mil figura no topo da nossa distribuição de renda, entre os 10% mais ricos. A medida reduz a apenas 10 milhões de cidadãos a base de contribuintes do IRPF em uma população economicamente ativa de 100 milhões de pessoas.”

    Rodrigo Massud destaca que o projeto não propõe uma reforma tributária estruturante e pode incentivar a pejotização:

    “Me parece que essa medida vai acabar induzindo uma pejotização, porque não está previsto ali, aparentemente, a tributação de dividendos entre pessoas jurídicas. Uma pessoa jurídica sócia de outra vai receber dividendos e esses dividendos não estão sendo contemplados nessa alíquota mínima de 10%.”

    Ele também observa que “não há uma garantia efetiva de que terá uma restituição desse imposto mínimo no ajuste anual. Aliás, conforme entrevistas recentes divulgadas pela própria Receita, parece que o que se indica é que a alíquota de 10% de tributação mínima é um piso e não um teto.”

    Consequências fiscais e macroeconômicas

    Massud também alerta para os impactos macroeconômicos da isenção: “Os economistas todos, há uma unanimidade, essa isenção vai estimular consumo, vai injetar dinheiro na economia e fazer mais pressão sobre a inflação e o impacto nos juros que já estão com uma projeção de alta.”

    Ele critica a falta de medidas para reduzir gastos: “O governo continua resistente a fazer cortes de gastos ou reformas administrativas, parece não estar no radar, sobretudo na proximidade de um ano eleitoral.”

    Bichara complementa esse ponto ao indicar que a proposta “ignora os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da progressividade. Embora não se possa negar que o indivíduo que aufira R$ 1,2 milhão anuais esteja em condições privilegiadíssimas quando comparado à esmagadora maioria da nossa população, a aplicação desses postulados demandaria uma gradação de alíquotas que diferenciasse esse contribuinte daqueles cujos rendimentos alcancem R$ 1,2 bilhão ao ano. Trata-se de grandezas completamente distintas, que devem assim ser tratadas pela legislação.”

  • Ao vivo: Comissão mista vota projeto da Lei Orçamentária

    Ao vivo: Comissão mista vota projeto da Lei Orçamentária

    A Comissão Mista de Orçamento vota nesta quinta-feira (20) o projeto da Lei Orçamentária de 2025. O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), pretende submeter o texto a votação ainda hoje em plenário. A votação está atrasada há pelo menos 78 dias. Este é o terceiro maior atraso na análise da proposta nos últimos 20 anos.

    Reunião da Comissão Mista de Orçamento, presidida pelo deputado Júlio Arcoverde

    Reunião da Comissão Mista de Orçamento, presidida pelo deputado Júlio ArcoverdeVinicius Loures/Agência Câmara

  • Gleisi apresenta queixa-crime contra Gustavo Gayer no STF

    Gleisi apresenta queixa-crime contra Gustavo Gayer no STF

    Ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann.

    Ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann.Gil Ferreira/Secretaria de Relações Institucionais

    A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, protocolou uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO). A ação pede a condenação do parlamentar pelos crimes de difamação e injúria, além de uma indenização por danos morais no valor de R$ 30 mil.

    A queixa foi motivada por declarações feitas por Gayer em redes sociais, nas quais ele comparou a ministra a uma garota de programa e sugeriu que ela, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), formariam um trisal.

    As postagens foram feitas em resposta a uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao comentar sua escolha para a articulação política do governo, declarou ter colocado uma mulher bonita no cargo.

    Leia também: Presidente do PT representa contra Gustavo Gayer no Conselho de Ética

    Alegações da defesa de Gleisi

    No documento apresentado ao STF, a defesa da ministra alega que as declarações de Gayer tiveram caráter ofensivo e degradante, configurando uma tentativa de constranger e humilhar Gleisi Hoffmann publicamente. Os advogados argumentam que as falas do deputado extrapolam os limites da imunidade parlamentar, uma vez que não estão relacionadas ao exercício do mandato legislativo.

    “A função legislativa não inclui a disseminação de ofensas e ataques de cunho pessoal contra adversários políticos”, diz trecho da petição.

    Além da queixa-crime no STF, a ministra também apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando a abertura de um inquérito para investigar se o parlamentar cometeu violência política de gênero.

  • Moraes propõe 14 anos a ré que pichou “perdeu, mané” no STF

    Moraes propõe 14 anos a ré que pichou “perdeu, mané” no STF

    A ré pichou a Estátua da Justiça.

    A ré pichou a Estátua da Justiça.Gabriela Biló /Folhapress

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (21) pela condenação da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, de 38 anos, a 14 anos de prisão por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. Ela foi flagrada pichando a frase “perdeu, mané” na estátua da Justiça, que fica em frente ao STF.

    O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma da Corte, que é composta pelos ministros Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux. O prazo para a conclusão da análise é até o dia 28 de março. Débora foi denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e está presa preventivamente desde 17 de março de 2023, por decisão do relator.

    Leia a cobertura completa no Portal Migalhas.

    Segundo o voto de Moraes, a ré deve cumprir 12 anos e 6 meses de reclusão em regime inicialmente fechado e 1 ano e 6 meses de detenção, que deve ser cumprido em regime semiaberto ou aberto. Os crimes atribuídos a Débora pela PGR são:

    • Associação criminosa armada;
    • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
    • Golpe de Estado;
    • Dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União;
    • Deterioração de patrimônio tombado.

    A defesa de Débora afirma que a pichação foi feita com batom e que ela não portava objetos perigosos. A frase escrita por ela faz referência a uma declaração dada pelo atual presidente do STF, Luís Roberto Barroso, em novembro de 2022, após as eleições presidenciais.

    No voto, Moraes afirmou que Débora foi identificada por veículos de imprensa durante os atos, e que houve desrespeito ao STF com a pichação da escultura “A Justiça”, de Alfredo Ceschiatti. O ministro também votou para que a ré e os demais envolvidos paguem, de forma solidária, R$ 30 milhões a título de danos morais coletivos.

    Débora se tornou ré em agosto de 2024, após a Primeira Turma do STF aceitar a denúncia da PGR por unanimidade. Ela tem dois filhos e foi presa na 8ª fase da Operação Lesa Pátria, que investiga envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

  • Chiquinho Brazão, ainda deputado, completa um ano na cadeia

    Chiquinho Brazão, ainda deputado, completa um ano na cadeia

    O deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) completa nesta segunda-feira (24) um ano na cadeia. O parlamentar, apontado pelas investigações como mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) em 2018, foi preso pela Polícia Federal (PF) em 24 de março de 2024. A perda do mandato dele, no entanto, depende do aval do plenário da Câmara dos Deputados.

    O deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), preso há um ano, segue com mandato.

    O deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), preso há um ano, segue com mandato. Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

    O rito para a cassação do deputado travou perto do final:

    • Em 10 de abril de 2024, o plenário da Câmara votou para manter Brazão na cadeia por 277 votos a 129.
    • Em 28 de agosto, o caso de Brazão foi votado pelo Conselho de Ética da Casa. A cassação do mandato do deputado foi aprovada pelos parlamentares membros do conselho, por 14 votos a 1.
    • A etapa seguinte seria o plenário da Casa. O presidente da Câmara precisa pautar o assunto para que ele seja avaliado pelos parlamentares. Isso ainda não aconteceu.

    A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), líder do Psol, partido de Marielle, já disse ao Congresso em Foco que levaria o assunto para as reuniões de líderes da Casa, cobrando que ele fosse pautado em plenário. A definição da data de votação cabe ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que assumiu o cargo em fevereiro de 2025. Talíria relembrou a efeméride neste domingo (23), em publicação feita em seu perfil no X, e cobrou a votação.

    Enquanto o assunto não vai ao plenário, Brazão tecnicamente mantém seu mandato como deputado federal enquanto está preso. A verba de cota parlamentar do deputado está congelada, sem nenhum gasto registrado, desde abril do ano passado. Mas o estrutura do seu gabinete segue empregando 24 pessoas no ano de 2025, segundo o site da Câmara dos Deputados.

  • Secretária defende orçamento climático como estratégia ambiental

    Secretária defende orçamento climático como estratégia ambiental

    A secretária nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), Virgínia de Ângelis, defendeu nesta segunda-feira (24) a relevância de incorporar critérios ambientais à política fiscal e ao planejamento de longo prazo do país. A afirmação foi feita durante o evento Rumos 2025: O Brasil que teremos e o Brasil que queremos, promovido pelo jornal Valor Econômico, em São Paulo (SP).

    Ao participar do painel “Finanças Climáticas”, Ângelis ressaltou que o Brasil já avança na identificação e classificação dos gastos relacionados à agenda ambiental, com ênfase na transparência, eficiência e alinhamento com as prioridades da sociedade.

    O debate contou ainda com a presença do ex-ministro do Planejamento Dyogo Oliveira, atual presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg); Denise Hills, conselheira e especialista em sustentabilidade; Edvaldo Santana, consultor e membro do Instituto Clima e Sociedade (ICS); e Gustavo Pinheiro, associado sênior da organização E3G.

    Virginia de Ângelis Oliveira de Paula, Secretária Nacional de Planejamento.

    Virginia de Ângelis Oliveira de Paula, Secretária Nacional de Planejamento.Washington Costa/Ministério do Planejamento e Orçamento

    Durante a conversa, os participantes discutiram estratégias para integrar as questões climáticas ao planejamento econômico e às estratégias de financiamento do Estado. Um dos pontos centrais foi a necessidade de incluir critérios ambientais, sociais e de governança nas políticas públicas, especialmente no ciclo orçamentário e nas decisões de longo prazo.

    Para Ângelis, enfrentar a crise climática requer ação coordenada, visão de futuro e integração entre diferentes esferas de governo, setor produtivo e sociedade civil. A secretária lembrou que o combate ao desmatamento e o enfrentamento da emergência climática são prioridades do atual governo.

    Ela explicou que a Secretaria de Orçamento Federal, em colaboração com a Secretaria Nacional de Planejamento, tem desenvolvido uma metodologia para identificar e classificar os gastos relacionados à agenda climática. Essa iniciativa permite quantificar e aprimorar esses investimentos, promovendo maior eficiência, identificação de sobreposições e articulação com outros entes federativos.

    “Isso vai nos permitir tanto quantificar o gasto climático quanto monitorar melhor esses gastos. Isso é importante para a questão da transparência, de responsabilização, para identificação de possíveis ganhos de eficiência. […] O orçamento climático é uma prática que dois terços dos países da OCDE já utilizam, e o que estamos fazendo hoje é muito alinhado a essas boas práticas. Na América Latina temos México, Colômbia, Chile, Costa Rica e Jamaica que utilizam. E nós estamos já caminhando.”

    Monitorar o gasto climático possibilitará verificar se os recursos estão, de fato, direcionados às prioridades pactuadas com a sociedade durante a construção do Plano Plurianual 2024-2027. Com o envolvimento de mais de 1,4 milhão de pessoas na plataforma Brasil Participativo, o programa mais votado pela população foi o de combate ao desmatamento e enfrentamento da emergência climática.

    “Essa é uma pauta que conecta a prioridade da sociedade com a prioridade do governo. Com as ferramentas que nós estamos desenvolvendo, nós teremos capacidade de monitorar se essas prioridades estão sendo de fato alcançadas. A gente vem dando passos no sentido de promover avanços institucionais que nos permitam transformar de fato a nossa realidade.”

    A quantificação dos gastos realizados no âmbito dos Orçamentos da União com o enfrentamento das mudanças climáticas, biodiversidade e gestão de desastres também está em linha com outras medidas recentes do governo federal, tais como o desenvolvimento de uma taxonomia das finanças sustentáveis e o lançamento de títulos soberanos sustentáveis.

    Estratégia Brasil 2050

    A secretária também falou sobre o plano de longo prazo para o Brasil. O Estratégia Brasil 2050 começou a ouvir a sociedade em todas as regiões para elaborar até junho um documento com diretrizes que vão nortear o crescimento do país para os próximos 25 anos. Além das discussões presenciais, a população pode contribuir diretamente por meio da consulta pública “Que Brasil queremos nos próximos 25 anos?”. A iniciativa busca captar percepções e expectativas da sociedade sobre desafios e oportunidades para o país, auxiliando na construção de diretrizes para um Brasil mais sustentável e desenvolvido.

    Ângelis explicou que o plano em construção, além das contribuições que a população trará, se apoia ainda em evidências e estudos estratégicos, entre eles os impactos econômicos de eventos climáticos extremos até 2050, considerando diferentes cenários de aquecimento global. Estão sendo avaliados possíveis efeitos sobre os preços de alimentos, o PIB e a geração de empregos. Com todos os insumos, o planejamento de longo prazo contará com uma base sólida do que se pretende fazer ao longo dos próximos 25 anos.

    Isso se traduz, segundo Ângelis, em mais investimentos graças à previsibilidade e aumento da credibilidade do Brasil como ator comprometido com a sustentabilidade ambiental. “Um país que se compromete com a sustentabilidade ambiental, ele precisa comprovar isso e a gente tá gerando os instrumentos, as ferramentas que vão possibilitar avaliar se a gente realmente está comprometido com essa pauta”, completou a secretária.