Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Deputado propõe perda automática de cargo por condenação criminal

    Deputado propõe perda automática de cargo por condenação criminal

    O deputado Duda Ramos (MDB-RR) apresentou o projeto de lei complementar 154/2025 para regulamentar a perda automática da função pública de agentes condenados definitivamente por crimes dolosos contra a administração pública. O texto atende ao que já prevê o 4º do artigo 37 da Constituição, mas busca estabelecer um procedimento direto e uniforme para sua aplicação.

    Pela proposta, a perda da função não dependeria mais de decisão adicional da Justiça ou da abertura de processo administrativo disciplinar. Ela ocorreria automaticamente com o trânsito em julgado da sentença penal, além de prever a inabilitação do condenado para qualquer cargo ou função pública por oito anos após o cumprimento da pena.

    Proposta de Duda Ramos atinge todos os tipos de agentes públicos e lista crimes previstos.

    Proposta de Duda Ramos atinge todos os tipos de agentes públicos e lista crimes previstos.Divulgação

    “A proposta visa dar efetividade e clareza ao mandamento constitucional [] que prevê a perda da função pública como uma das sanções aplicáveis à prática de atos de improbidade ou crimes contra a administração”, argumenta o deputado na justificativa.

    O projeto estabelece que a medida se aplicaria a todos os agentes públicos, incluindo servidores concursados, ocupantes de cargos comissionados, contratados temporariamente e até detentores de mandato eletivo, “no que couber”.

    Entre os crimes listados como causa para perda automática estão:

    • Corrupção ativa e passiva
    • Peculato
    • Concussão
    • Prevaricação
    • Advocacia administrativa
    • Inserção de dados falsos em sistemas públicos
    • Fraudes em licitações e contratos administrativos

    O órgão ao qual o agente estiver vinculado deverá ser notificado em até cinco dias úteis após o trânsito em julgado da sentença, para que providencie a exoneração e atualize os registros funcionais.

    A justificativa do projeto destaca que, embora o STF reconheça a possibilidade de a perda do cargo ser declarada na sentença penal, ainda não há previsão legal que torne isso obrigatório. O deputado defende que a proposta corrige essa lacuna e combate a morosidade e a impunidade.

    O projeto aguarda encaminhamento às comissões da Câmara dos Deputados.

  • Flávio Bolsonaro protocola pedido de impeachment contra Moraes

    Flávio Bolsonaro protocola pedido de impeachment contra Moraes

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou nesta quarta-feira (23) pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a representação do parlamentar, o número de pedidos de impeachment contra o magistrado chega a 29 solicitações protocoladas por senadores, deputados e cidadãos.

    Nas redes sociais, o congressista afirmou que “Alexandre de Moraes cruzou todos os limites”. Para Flávio Bolsonaro, o ministro “se tornou uma ameaça às liberdades individuais e criou um ordenamento jurídico próprio”. O tom crítico da oposição contra o magistrado se acentuou após decisão na semana passada que autorizou operação da Polícia Federal de busca e apreensão contra Jair Bolsonaro.

    Além disso, Moraes também impôs medidas cautelares ao ex-presidente, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de conversar com Eduardo Bolsonaro e utilizar redes sociais. Neste último ponto, a vedação também se estende a conceder entrevistas.

    Nesta semana, Jair Bolsonaro esteve no Congresso Nacional, mostrou a tornozeleira e deu breves declarações. Moraes exigiu explicações sobre a veiculação das referidas imagens. A defesa do ex-presidente negou irregularidades e violação das medidas cautelares.

    Flávio Bolsonaro.

    Flávio Bolsonaro.Lula Marques/Agência Brasil

    “Como é dever do Senado, protocolei um pedido de impeachment contra o ministro. O Senado tem obrigação de julgar os atos de Moraes”, escreveu Flávio Bolsonaro em publicação no Instagram. Apesar da iniciativa, o senador foi criticado por aliados por ter viajado a Portugal no dia em que a Polícia Federal realizou operação na casa do pai dele. 

    Foco no impeachment

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou na segunda-feira (21) que o principal objetivo da oposição do Senado para o segundo semestre é o impeachment de Alexandre de Moraes. Além do pedido de Flávio Bolsonaro, pelo menos outros 28 já foram protocolados no Senado Federal.

    Apenas neste ano, houve seis petições com representações contra o ministro. Entre os pedidos, cinco são de cidadãos e um do deputado Bibo Nunes (PL-RS). Em 2024, os parlamentares Marcel Van Hattem (Novo-RS), Caroline de Toni (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF) apresentaram petição com o mesmo intuito de destituir Alexandre de Moraes.

    No Senado, Eduardo Girão (Novo-CE), Jorge Kajuru (PSB-GO), Alessandro Vieira (MDB-SE), Styvenson Valentim (PSDB-RN), Luís Carlos Heinze (PP-RS) e o ex-senador Lasier Martins também apresentaram pedidos de impeachment. Entre os pedidos assinados por cidadãos destacam-se petição de 2021 de autoria de Jair Bolsonaro, uma representação de 2022 de Daniel Silveira e um pedido de 2021 feito por Roberto Jefferson.

  • Eduardo Bolsonaro retoma ofensiva contra Tarcísio nas redes sociais

    Eduardo Bolsonaro retoma ofensiva contra Tarcísio nas redes sociais

    O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a atacar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (24), questionou a escolha do ex-ministro ao deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), como vice-líder de seu governo na Assembleia Legislativa de São Paulo.

    “Por que o Tarcísio Gomes de Freitas mantém como vice-líder uma pessoa do MBL [Movimento Brasil Livre], um grupo que defende a minha prisão, a prisão de meu pai, a prisão de jornalistas exilados, gente que ficou anos sem ver os filhos como o Allan dos Santos?”, escreveu.

    Tarcísio retorna à mira de Eduardo Bolsonaro após tentativa do pai de colocar panos quentes na relação.

    Tarcísio retorna à mira de Eduardo Bolsonaro após tentativa do pai de colocar panos quentes na relação.Marcelo Camargo/Agência Brasil e Zeca Ribeiro/CâmaradosDeputados

    A crítica foi feita após a divulgação de um vídeo em que Guto Zacarias afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Eduardo, indicou nomes que, segundo ele, deram poder ao Supremo Tribunal Federal (STF), acabaram com a Operação Lava Jato e ajudaram Lula a recuperar seus direitos políticos.

    Veja a íntegra da fala de Eduardo:

    Fogo amigo contra governadores

    No último dia 15, Eduardo já criticava Tarcísio por se reunir com representantes da embaixada americana para tratar das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil. Crítico à imposição norte-americana, Tarcísio havia dito que o papel do governo paulista era limitado e que cabia ao Planalto conduzir as tratativas com Washington.

    Eduardo reagiu cobrando reconhecimento por sua atuação no tema, e provocou Tarcísio por se opor ao tarifaço. Disse que o governador agia com “subserviência servil às elites” e escreveu: “Não espero que entenda”. Dias depois, Jair Bolsonaro tentou aliviar a relação elogiando publicamente a atuação de Tarcísio.

    Mais tarde, na última quarta (23), outro governador aliado à família Bolsonaro entrou na mira de Eduardo: Romeu Zema, de Minas Gerais, pré-candidato ao Planalto pelo Novo. Zema afirmou que a atuação do deputado nos Estados Unidos criou um problema para a direita no Brasil. Eduardo rebateu acusando o político mineiro de agir em conivência com o STF, e de se preocupar mais com “sua turminha da elite financeira” do que com os interesses do campo conservador.

  • Comitiva de senadores parte aos EUA nesta sexta para negociar tarifas

    Comitiva de senadores parte aos EUA nesta sexta para negociar tarifas

    Uma comitiva de senadores da comissão externa encarregada de negociar com o Congresso americano a respeito do pacote tarifário de 50% sobre importações brasileiras parte para Washington nesta sexta-feira (28). A delegação, formada por oito parlamentares de diferentes partidos, cumprirá agenda de segunda (28) a quarta-feira, em reuniões tanto com setores políticos quanto empresariais dos Estados Unidos.

    A programação começa na Embaixada do Brasil em Washington e inclui reuniões com parlamentares americanos, representantes da Câmara de Comércio dos Estados Unidos e o Conselho Comercial Brasil-EUA. A missão busca preservar cadeias produtivas e postos de trabalho ameaçados pelas novas tarifas. “Preservar empregos. Este é o nosso norte”, disse o presidente da comissão, deputado Nelsinho Trad (PSD-MS).

    Grupo defende articulação suprapartidária para preservar empregos e exportações brasileiras.

    Grupo defende articulação suprapartidária para preservar empregos e exportações brasileiras.Saulo Cruz/Agência Senado

    A delegação é composta tanto por senadores governistas, como Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e Rogério Carvalho (PT-SE), líder do PT no Senado; quanto oposicionistas, quanto por ex-ministros do governo Bolsonaro, como Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) [Ciência e Tecnologia] e Tereza Cristina (PP-MS) [Agricultura]. Também compõem o colegiado Carlos Viana (Podemos-MG), Fernando Farias (MDB-AL), Esperidião Amin (PP-SC) e o próprio Nelsinho Trad.

    Impacto comercial

    A abordagem da comitiva será, além da busca pelo estreitamento de laços com atores políticos americanos dispostos a negociar institucionalmente com o Brasil, a exposição de dados que demonstram as perdas comerciais dos dois lados da balança caso se mantenham as tarifas.

    Estudos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) estimam que as perdas causadas pelas tarifas unilaterais impostas pelos EUA podem chegar a R$ 175 bilhões em dez anos, com recuo de 1,49% no PIB brasileiro no longo prazo. Se o Brasil reagir com todos os instrumentos da Lei de Reciprocidade, o impacto seria ainda maior: R$ 259 bilhões de prejuízo e retração de 2,21% no produto interno bruto nacional.

    Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta redução de R$ 52 bilhões nas exportações e queda de R$ 19,2 bilhões no PIB. O estudo não estabelece um horizonte temporal para esses efeitos, mas aponta impacto direto nos setores de tratores, aeronaves e carnes. A produção de tratores e máquinas agrícolas pode cair 1,86%, enquanto a fabricação de aeronaves deve recuar 9,2%.

    Nos Estados Unidos, os impactos também são significativos. Segundo projeções da Bloomberg, o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano pode cair 1,6% em três anos, como consequência direta da escalada tarifária. Ainda em 2025, a estimativa é de retração de 0,37% no PIB e aumento de 0,9 ponto percentual na inflação ao consumidor.

    A tarifa média paga pelos consumidores quintuplicou, atingindo 13%. Estados como Califórnia, Flórida e Texas, que concentram quase metade das importações de produtos brasileiros, devem sentir efeitos imediatos, como encarecimento de insumos, aumento do custo de vida e perda de competitividade industrial.

  • Deputados acampam em frente ao STF, e Moraes pede desocupação

    Deputados acampam em frente ao STF, e Moraes pede desocupação

    Os deputados federais Hélio Lopes (PL-RJ) e Coronel Chrisóstomo (PL-RO) acamparam na última sexta-feira (25) em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar fluminense anunciou nas redes um “jejum de palavras” contra a Corte. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a desocupação da área da Praça dos Três Poderes, incluindo a remoção das barracas montadas pelos parlamentares e apoiadores.

    Em publicação no X (antigo Twitter), Hélio Lopes anunciou que está em “jejum de palavras” e com a boca coberta como símbolo de “resistência” contra o Supremo. “Há momentos em que o silêncio fala mais alto que qualquer discurso. Quando a verdade é sufocada e a justiça vira espetáculo, as palavras se tornam reféns e o silêncio, um ato de resistência!”, escreveu.

    O parlamentar também relatou que a Polícia Militar do Distrito Federal o abordou por diversas vezes para retirá-lo do acampamento montado. Durante a noite, viaturas cercaram o perímetro e a corporação bloqueou o sinal de telefone. Após a iniciativa de Hélio Lopes, o vice-líder da oposição, Coronel Chrisóstomo, juntou-se à Praça dos Três Poderes e também levantou acampamento em frente ao STF.

    Veja abaixo publicação do deputado:

    Decisão de Moraes

    Antes de o ministro pedir a desocupação dos deputados federais, a Secretaria de Segurança do Distrito Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) já haviam se manifestado neste sentido. Em representação, a PGR argumenta que a desobstrução de espaços públicos, dentro do direito de reunião, não ampara a prática de atos abusivos e violentos, com a intenção de atacar o Estado Democrático de Direito. Por isso, recomendou medidas cautelares contra os parlamentares.

    Hélio Lopes e Coronel Chrisóstomo.

    Hélio Lopes e Coronel Chrisóstomo.Reprodução/X

    “Na hipótese sob exame, evidencia-se risco concreto à ordem pública, em especial diante do atual julgamento de fatos diretamente relacionados à atuação de movimentos que, no passado recente, resultaram em episódios de descontrole institucional e radicalização política, como os ocorridos em 8 de janeiro de 2023”, aponta a Procuradoria.

    Alexandre de Moraes afirmou na decisão que não será permitido que os deputados organizem novos acampamentos ilegais para coagir os ministros da Corte. O magistrado ainda definiu que os parlamentares e os manifestantes em questão são “apoiadores de diversos réus, que estão sendo processados e serão julgados no segundo semestre deste ano pelo STF”.

    Na decisão desta sexta-feira, divulgada nas redes pelos deputados na madrugada deste sábado (26), o ministro determinou a remoção imediata dos deputados presentes em frente ao STF e a prisão em flagrante caso haja resistência ou desobediência ao ato de autoridade pública. Além disso, Moraes também notificou a PMDF e a Polícia Federal para o cumprimento imediato da medida e intimou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

    “A REMOÇÃO DEVER SER REALIZADA IMEDIATAMENTE. DETERMINO, ainda, que o Governador do Distrito Federal seja pessoalmente intimado com a DETERMINAÇÃO DE NÃO PERMITIR NENHUM NOVO ACAMPAMENTO NA PRAÇA DOS 3 PODERES APÓS O CUMPRIMENTO DA PRESENTE DECISÃO”, escreveu.

    Entre os deputados citados na decisão, estão Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e Rodrigo da Zaeli (PL-MT). Os parlamentares, no entanto, não estavam acampados na Praça dos Três Poderes, apenas foram marcados nas postagens de Hélio Lopes e Coronel Chrisóstomo.

    “Avisem o ministro Alexandre de Moraes que ele deve estar confundindo os fatos ou surtando. Estou no Rio de Janeiro, trabalhando na minha base eleitoral. Não estou em frente ao STF, como ele decidiu afirmar em sua decisão de me retirar”, respondeu Sóstenes, no X.

  • Debate do IOF segue na pauta do Congresso para o segundo semestre

    Debate do IOF segue na pauta do Congresso para o segundo semestre

    As discussões em torno das estratégias do governo federal para ampliar a arrecadação, que marcaram o primeiro semestre legislativo, devem se intensificar na segunda metade do ano. Um dos pontos centrais será a definição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a análise da Medida Provisória 1.303/2025, que também representa uma alternativa para arrecadação, após o recuo inicial do Executivo.

    Em 16 de julho, o ministro Alexandre de Moraes decidiu, em caráter liminar, que o decreto presidencial não excedeu sua competência na maioria dos dispositivos, restaurando a validade dessas normas. Apenas o trecho que trata da incidência do IOF sobre as chamadas operações de “risco sacado” (uma forma de antecipação de crédito) foi suspenso, por exigir, segundo Moraes, alteração via lei formal.

    O IOF incide sobre diversas operações financeiras rotineiras, como crédito, câmbio, seguros, investimentos e transações com títulos e valores mobiliários, com alíquotas variáveis conforme o tipo de operação. Em maio, o Executivo editou decretos para aumentar a alíquota do tributo, mas sofreu resistência do Congresso e do setor empresarial

    Diante disso, o Executivo recuou parcialmente em junho, publicando o decreto 12.499, que suavizou os aumentos, mas manteve parte das elevações. A medida foi acompanhada da edição da MP 1.303/2025, como forma de compensar a retirada das medidas anteriores e garantir a arrecadação estimada pela Fazenda com o aumento inicial do IOF.

    Plenário do Senado.

    Plenário do Senado.Andressa Anholete/Agência Senado

    Reação do Congresso e STF

    A insatisfação parlamentar resultou na apresentação de projetos para anular o novo decreto. Em 25 de junho, o Senado Federal confirmou a decisão da Câmara dos Deputados ao aprovar o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 214/2025, que susta parcialmente os efeitos do decreto presidencial. No entanto, o decreto foi restabelecido por Moraes e aguarda definição do STF.

    Editada em junho, a MP 1.303/2025, traz outras medidas para ampliar a arrecadação. Entre os principais pontos estão: tributação de apostas esportivas online (bets); cobrança de IR (5%) sobre títulos antes isentos, como:

    • Letra de Crédito Agrícola (LCA),
    • Letra de Crédito Imobiliário (LCI),
    • Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI),
    • Certificados do Agronegócio (CRA),
    • Debêntures incentivadas.

    A MP, que tem vigência até 8 de outubro, está sob análise de uma comissão mista presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) e relatada pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP). Estão previstas quatro audiências públicas, com votação estimada para 26 de agosto, antes de seguir para os plenários da Câmara e do Senado.

  • Brasil tenta reabrir diálogo com os EUA para evitar tarifaço de Trump

    Brasil tenta reabrir diálogo com os EUA para evitar tarifaço de Trump

    Às vésperas da entrada em vigor do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros anunciado por Donald Trump, o governo Lula intensifica as articulações diplomáticas para tentar reverter a decisão. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou nesse domingo (27) em Nova York, onde participa de uma conferência da ONU sobre a criação do Estado palestino. A missão oficial se estende até terça-feira (29), mas Vieira já sinalizou que está disposto a viajar a Washington, desde que haja alguma abertura por parte do governo americano para discutir as tarifas.

    A medida anunciada por Trump deve entrar em vigor no dia 1º de agosto e representa a mais grave crise comercial entre os dois países em décadas. O presidente americano justificou a sanção como uma resposta ao tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu por tentativa de golpe de Estado. Trump chamou o processo de “caça às bruxas” e tem sido acusado por parlamentares democratas de tentar interferir na Justiça brasileira.

    Mauro Vieira busca diálogo com o governo norte-americano, que, até o momento, não demonstra interesse em negociar tarifas.

    Mauro Vieira busca diálogo com o governo norte-americano, que, até o momento, não demonstra interesse em negociar tarifas.Renan Areias/Agência Enquadrar/Folhapress

    Governo brasileiro encontra resistência

    Apesar de ter informado oficialmente sua presença nos Estados Unidos e reforçado a disposição para negociar, o Brasil até agora enfrenta resistência. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou no fim de semana, em entrevista à Fox News, que não haverá prorrogação no prazo para adoção das tarifas. Antes disso, o vice-presidente Geraldo Alckmin havia tentado dialogar com o secretário, também sem sucesso.

    Internamente, Mauro Vieira reuniu-se com a embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, e com técnicos dos ministérios da Indústria e do Planejamento. Segundo interlocutores, o chanceler afirmou que o Brasil não aceitará sanções econômicas motivadas por decisões judiciais internas.

    Caso não haja resposta positiva do governo dos EUA, Vieira deve retornar ao Brasil na quarta-feira (30), mantendo, no entanto, os esforços por meio de canais diplomáticos multilaterais e bilaterais.

    Congresso atua em paralelo

    Em outra frente, uma comitiva de oito senadores brasileiros está em Washington desde o fim de semana para pressionar contra o tarifaço. O grupo é liderado por Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e conta com parlamentares de diferentes partidos e espectros ideológicos, como Tereza Cristina (PP-MS), Jacques Wagner (PT-BA), Marcos Pontes (PL-SP), entre outros.

    A agenda dos senadores inclui encontros com congressistas americanos, lideranças empresariais e representantes da sociedade civil. Nos bastidores, há consenso de que Trump tenta usar o Brasil como peça em sua estratégia eleitoral, ao explorar o apoio a Bolsonaro como ativo político.

    Escalada da tensão

    A decisão de Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros já gerou forte reação em Brasília e mobilizou o Itamaraty, que agora busca uma saída diplomática para a crise. A expectativa é que a presença de Vieira nos Estados Unidos funcione como um gesto de boa vontade para a retomada do diálogo, embora o cenário siga incerto.

    Com a aproximação do prazo final e sem sinais de flexibilização por parte dos Estados Unidos, o risco de danos à economia brasileira aumenta, especialmente para setores exportadores estratégicos.

  • Eduardo diz que trabalha para impedir diálogo entre senadores e equipe de Trump

    Eduardo diz que trabalha para impedir diálogo entre senadores e equipe de Trump

    O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que tem atuado para impedir que a comitiva de senadores brasileiros que está nos Estados Unidos consiga estabelecer diálogo com o ex-presidente Donald Trump e seus aliados. A declaração foi feita durante entrevista ao SBT News e integra a mais recente série de críticas do parlamentar à missão diplomática que tenta reverter a taxação de 50% imposta por Trump a produtos brasileiros.

    “Essa comitiva de senadores ignora a questão mais básica, que é a crise institucional”, afirmou. “Eu trabalho para que eles não encontrem diálogo, porque eu sei que vindo desse tipo de pessoa, só haverá acordos de meio termo, que não é nem certo nem errado”, disse o deputado.

    Segundo Eduardo Bolsonaro, o tarifaço americano não tem origem apenas comercial, mas política: seria uma resposta à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e, em especial, ao ministro Alexandre de Moraes. “Trump não está atacando a soberania do Brasil. Ele está defendendo a soberania dele, os interesses dos americanos e dando tratamento ao Brasil como uma ditadura, que é o que tem sido no país.”

    A comitiva criticada por Eduardo é formada por senadores como Tereza Cristina (PP-MS) e Marcos Pontes (PL-SP), ambos ex-ministros do governo Bolsonaro. Pontes, inclusive, já afirmou ser contrário às tarifas, mas disse considerar legítimas as pressões de Trump sobre o Judiciário brasileiro.

    Durante a entrevista, Eduardo afirmou que não é mais momento de buscar moderação política. “Nós estamos em guerra, e é tudo ou nada.”

    Sanções contra Moraes e outras autoridades

    Na mesma entrevista, Eduardo Bolsonaro afirmou esperar que os Estados Unidos adotem sanções internacionais contra o ministro Alexandre de Moraes e outras autoridades brasileiras, com base em legislações como a Lei Magnitsky e o IEPA (International Emergency Economic Powers Act).

    “O sentimento e a expectativa é de que venham sanções Magnitsky contra o Alexandre de Moraes e talvez outras autoridades. […] O Brasil não tem se comportado como uma democracia ocidental”, disse. Ele acusou o Judiciário brasileiro de perseguir opositores e afirmou que há risco de as eleições de 2026 não ocorrerem com liberdade: “Esse regime não vai permitir que a gente tenha eleições livres ano que vem”.

    Ele alegou ainda que é alvo de perseguição política: disse ter suas contas bancárias congeladas, assim como as da esposa, e mencionou um processo que, segundo ele, pode resultar em pena de até 20 anos de prisão. “O Alexandre de Moraes encontrou um adversário à altura”, declarou, em tom de confronto.

  • Flávio Dino torna pública decisão que autorizou Operação Korban

    Flávio Dino torna pública decisão que autorizou Operação Korban

    O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou pública nesta quarta-feira (30) a decisão que autorizou a deflagração da Operação Korban, realizada na véspera pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). A operação investiga o suposto desvio de recursos públicos federais, provenientes de emendas parlamentares, destinados à realização de eventos estudantis de esportes digitais, entre os anos de 2023 e 2024.

    Na Petição 13.949/DF, o relator acolheu o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizou o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão nos estados do Acre, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. A decisão também determinou a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de investigados, além do sequestro de bens e valores até o limite de R$ 25 milhões. Os alvos são pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar esquema de fraude na aplicação de verbas públicas vinculadas a termos de fomento com o Ministério do Esporte.

    Segundo os autos, cerca de R$ 15 milhões em recursos foram repassados a uma associação privada sediada no Distrito Federal por meio de emendas parlamentares. A entidade teria subcontratado diversas empresas para executar os eventos, havendo indícios de conluio e superfaturamento nos contratos firmados. A decisão aponta elementos preliminares que indicam a destinação irregular dos valores, ausência de execução efetiva dos objetos pactuados e possível simulação de serviços prestados.

    Ministro Flávio Dino, do STF.

    Ministro Flávio Dino, do STF.Antonio Augusto/STF

    Além das medidas de busca e apreensão, o ministro Flávio Dino autorizou a suspensão de novos repasses federais à associação investigada e proibiu a transferência de recursos a empresas subcontratadas no âmbito dos mesmos termos de fomento. Segundo a decisão, as medidas visam garantir a integridade das investigações e prevenir novos prejuízos ao erário.

    A decisão estava sob sigilo até a deflagração da operação, ocorrida na terça-feira (29), e foi disponibilizada publicamente após o cumprimento das diligências.

    Leia a íntegra da decisão.

  • Comitiva brasileira enfrenta cobrança dos EUA por laços com Rússia

    Comitiva brasileira enfrenta cobrança dos EUA por laços com Rússia

    Às vésperas da entrada em vigor da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, senadores dos Estados Unidos e do Brasil se reuniram nessa terça-feira (29), em Washington, para discutir os rumos da relação bilateral. E dois temas dominaram os encontros: a pressão americana para que o Brasil reduza a importação de combustíveis russos e a tentativa de barrar ou adiar o tarifaço anunciado por Donald Trump.

    A comitiva brasileira, liderada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, participou de reuniões com parlamentares democratas e republicanos no Capitólio. Apesar da proximidade do recesso legislativo, a missão contou com presença expressiva de congressistas norte-americanos, o que foi interpretado como sinal do peso estratégico atribuído à parceria com o Brasil.

    Comitiva brasileira é recebida por parlamentares dos Estados Unidos.

    Comitiva brasileira é recebida por parlamentares dos Estados Unidos.Ascom/Nelsinho Trad

    Petróleo russo no centro das preocupações

    A principal cobrança dos americanos foi sobre o petróleo russo. Senadores dos partidos Democrata e Republicano pediram que o Brasil reavalie suas compras de combustível vindo da Rússia. Sugeriram inclusive a criação de um sistema de rastreabilidade da origem dos insumos, de modo a evitar o uso indireto de recursos que sustentem a economia de guerra de Moscou.

    Em resposta, a delegação brasileira propôs alternativas técnicas e reiterou que o país já conta com regras regulatórias transparentes para importação de combustíveis.

    Críticas à tarifa e apoio ao Brasil

    Durante os encontros, diversos parlamentares americanos criticaram abertamente a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Trump. O senador Martin Heinrich (Democrata) disse que não vê benefícios práticos na medida e alertou que ela já começa a afetar o consumidor americano. Citou o café brasileiro como exemplo de insumo insubstituível, cuja escassez tem provocado alta de preços. Também mencionou o setor madeireiro e seus reflexos no custo da habitação.

    Já o senador Thom Tillis (Republicano) foi além: declarou ver possibilidade de adiamento da tarifa, diante de ações judiciais em andamento, e considerou a medida um erro político. Disse ter defendido o Brasil em conversas com interlocutores do Departamento de Comércio e lamentou o uso da economia como instrumento de disputa política por parte de Trump.

    Mobilização legislativa contra tarifa

    Democratas como Tim Kaine e Ed Markey também se posicionaram contra a alíquota adicional. Markey revelou que prepara um projeto legislativo para responder à imposição da tarifa. Kaine, por sua vez, prometeu forçar uma deliberação do Senado caso o governo insista na medida unilateral.

    A deputada Sydney Kamlager-Dove, copresidente do Brazil Caucus e representante da Califórnia, criticou a politização do comércio e sugeriu acionar outros caucuses legislativos para ampliar a reação. Ela também avaliou que a crise pode ser revertida judicialmente e publicou vídeo nas redes sociais demonstrando apoio à comunidade brasileira e preocupação com o impacto da tarifa sobre produtos como suco de laranja e café.

    Propostas de cooperação

    Outros senadores, como Mark Kelly, Chris Coons e Jeanne Shaheen, também participaram das discussões e sugeriram abordagens alternativas para reduzir tensões bilaterais. Foi mencionado que o Congresso americano discute sanções secundárias contra países que mantêm relações comerciais com a Rússia, e o nome do Brasil apareceu entre os temas em debate.

    A delegação brasileira reafirmou a autonomia dos poderes e propôs uma iniciativa legislativa conjunta entre os dois parlamentos para fortalecer mecanismos de rastreamento do petróleo e derivados. Formada por oito senadores, a comitiva do Senado está desde o início da semana nos Estados Unidos, em articulação política para tentar barrar a entrada em vigor, na próxima sexta-feira (1), da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos.