Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Ato de Bolsonaro na Paulista reúne 44,9 mil pessoas, diz USP

    Ato de Bolsonaro na Paulista reúne 44,9 mil pessoas, diz USP

    A manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro neste domingo (6), na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu cerca de 44,9 mil pessoas, segundo estimativa da Universidade de São Paulo (USP). O cálculo foi feito com imagens aéreas analisadas por inteligência artificial pelo grupo Monitor do Debate Político, em parceria com o Cebrap e a ONG More in Common.

    • O número mais que dobra o registrado no último ato do ex-presidente, em Copacabana, no Rio, que reuniu 18,3 mil pessoas. O auge da concentração ocorreu às 15h44, no momento em que Bolsonaro discursava ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e de lideranças do PL.
    • O público, porém, ficou aquém do registrado em outros atos convocados pelo ex-presidente. Em 25 de janeiro de 2024, por exemplo, a Avenida Paulista chegou a reunir 185 mil pessoas em manifestação pró-Bolsonaro.

    Vista aérea da Avenida Paulista durante manifestação neste domingo (6) convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Vista aérea da Avenida Paulista durante manifestação neste domingo (6) convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.Eduardo Knapp/Folhapress

    A manifestação teve como principal bandeira a defesa da anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Sete governadores compareceram ao ato, incluindo Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO). Também participaram deputados federais e dirigentes partidários, como Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

    Durante o discurso, Bolsonaro voltou a atacar o STF, criticou sua inelegibilidade e afirmou que, se estivesse no Brasil na época dos atos golpistas, estaria preso ou assassinado. Michelle Bolsonaro pediu “anistia humanitária” e manifestantes exibiram batons em apoio à cabeleireira que pichou o Supremo com a frase “perdeu, mané”.

    De acordo com pesquisa Quaest, hoje 56% dos brasileiros são contra a anistia aos condenados por participação nos atos antidemocráticos.

  • Relator da ONU critica perdão a crimes da ditadura militar

    Relator da ONU critica perdão a crimes da ditadura militar

    O jurista canadense Bernard Duhaime, relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a promoção da verdade e da justiça, cobrou do Estado brasileiro o fim da anistia a agentes da ditadura militar. Em declaração pública nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro, ele alega que a interpretação atual da Lei de Anistia impede a responsabilização por crimes como tortura e desaparecimento forçado, e estimula a impunidade.

    Duhaime apontou que o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal em 2010 ao considerar anistiáveis os crimes praticados por agentes do regime viola tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. “Essa interpretação cria dois grupos opostos sujeitos ao perdão, tornou-se um dos obstáculos mais significativos à justiça de transição e à não repetição”, afirmou o relator.

    Declaração foi feita no Rio, ao fim de missão oficial sobre justiça de transição no Brasil.

    Declaração foi feita no Rio, ao fim de missão oficial sobre justiça de transição no Brasil.UN Photo/Rick Bajornas

    Violações e consequências

    Segundo ele, a ausência de punição por violações cometidas entre 1964 e 1985 enfraquece a confiança da sociedade nas instituições e favorece a repetição de abusos. Duhaime mencionou os ataques às sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023 como reflexo direto da falta de responsabilização por crimes do passado, “demonstrando os efeitos perigosos de um modelo incompleto de justiça de transição”.

    O relator destacou que mais de 50 denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal contra ex-agentes da repressão foram barradas com base na Lei de Anistia. Para ele, a anulação da possibilidade de julgamento desses crimes contradiz as decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que já condenou o Brasil em casos como o da repressão à Guerrilha do Araguaia e o assassinato do jornalista Vladimir Herzog.

    Recomendações à Justiça brasileira

    Duhaime pediu que o Brasil promova mudanças legais para garantir a punição de crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura. Ele defendeu que o desaparecimento forçado seja tratado como crime permanente e que não haja prescrição para esse tipo de violação.

    Também recomendou que a Justiça brasileira desconsidere alegações de ordens superiores como justificativa para absolvições e aplique o princípio da responsabilidade de comando nos casos envolvendo chefias militares ou civis.

    “As sanções judiciais para crimes internacionais cometidos durante a ditadura devem ser proporcionais à sua gravidade e nunca devem ser objeto de indultos ou semelhantes procedimentos discricionários”, destacou.

    Missão e relatório final

    O relator realizou uma série de reuniões com representantes dos Três Poderes, vítimas, entidades civis e organismos internacionais. A visita faz parte de um processo de avaliação das políticas de justiça de transição adotadas pelo Brasil desde o fim do regime militar.

    As conclusões de Duhaime serão reunidas em um relatório oficial, que será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em setembro. O documento trará um conjunto de recomendações aos governos federal, estaduais e municipais, com foco na responsabilização por crimes da ditadura, no fortalecimento da democracia e na prevenção de novas violações.

    “Enquanto o direito à verdade e à justiça não for assegurado a todas as vítimas da ditadura, essa divisa pode persistir e a história tende a se repetir”, alertou.

  • BNDES libera R$20 milhões para aquisição de equipamentos para o SUS

    BNDES libera R$20 milhões para aquisição de equipamentos para o SUS

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 20 milhões para a compra de stents coronários, cateteres, fios guias para angioplastia e balões periféricos. Os stents, usados em artérias, ajudam a manter o fluxo sanguíneo e são essenciais no tratamento de doenças cardiovasculares.

    Banco é responsável por financiar setores estratégicos da economia, como a indústria da saúde

    Banco é responsável por financiar setores estratégicos da economia, como a indústria da saúdeRafael Andrade/Folhapress

    O financiamento faz parte do programa Fornecedores SUS, voltado ao fortalecimento da indústria nacional e ao atendimento da rede pública. O banco libera crédito único com base no histórico de fornecimento da empresa ao SUS. Em contrapartida, a fornecedora deve entregar ao sistema o mesmo valor em produtos fabricados no Brasil, no prazo de dois anos.

    “O financiamento contribui para que o país amplie a participação da produção no país de 42% para 70% das necessidades nacionais em medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos, materiais e outros insumos e tecnologias em saúde”, destaca o diretor do BNDES, José Luís Gordon.

  • Deputada propõe seguro climático para indígenas e comunidades rurais

    Deputada propõe seguro climático para indígenas e comunidades rurais

    A deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) apresentou à Câmara dos Deputados o projeto de lei 1528/2025, que inclui indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e pescadores artesanais entre os beneficiários do Fundo Garantia-Safra. Hoje, o programa atende agricultores familiares de áreas específicas, sem mencionar essas comunidades.

    O texto garante o pagamento do benefício a quem tiver perda de pelo menos 50% da produção por causa de seca ou excesso de chuvas. Além da agricultura, o projeto considera atividades extrativistas e pesqueiras nas regras de acesso.

    Texto é de iniciativa da deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) durante homenagem à 21ª Edição do Acampamento Terra Livre.

    Texto é de iniciativa da deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) durante homenagem à 21ª Edição do Acampamento Terra Livre.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O projeto ainda será analisado pela Mesa Diretora da Casa para que seja definido seu rito de tramitação, bem como por quais comissões deverá ser apreciado.

    Condições de adesão e valor do benefício

    Pelo projeto, o valor do benefício pode chegar a até dois salários mínimos, pagos em até seis parcelas. O valor poderá ser reajustado de acordo com o IPCA. A contribuição do beneficiário ao fundo será limitada a 2% do total anual previsto.

    A adesão deve ser feita antes do plantio, extração ou pesca. O texto ainda propõe ações de apoio, como acesso ao crédito rural, uso de tecnologias adaptadas às realidades locais e capacitação técnica para enfrentar os efeitos do clima.

    Impacto das mudanças climáticas

    Na justificativa, Célia Xakriabá afirma que o projeto responde a “uma demanda urgente dos povos e comunidades tradicionais, especialmente os agricultores familiares, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, produtores de castanhas e outros extrativistas, que enfrentam vulnerabilidade socioeconômica e são severamente afetados por eventos climáticos extremos”.

    Ela cita os dois anos de seca consecutiva na Amazônia e seus efeitos sobre o manejo do pirarucu e a colheita da castanha. “A produção de castanha-da-Amazônia sofreu forte queda e neste ano de 2025 tem uma das piores previsões de safra já registradas”, diz a deputada.

    No Cerrado, a estiagem atingiu cultivos como milho e feijão e a coleta de frutos nativos. “A escassez de chuvas reduz em até 60% a produtividade das lavouras em anos críticos, comprometendo a segurança alimentar e a renda de mais de 300 mil famílias rurais”, aponta.

    Segundo a parlamentar, a inclusão desses grupos no Fundo Garantia-Safra “fortalece a adaptação climática e assegura que possam continuar contribuindo para a preservação dos ecossistemas, ao mesmo tempo em que minimiza sua vulnerabilidade econômica diante de eventos climáticos extremos”, conclui.

  • Câmara aprova pena maior para crimes contra agentes da Justiça

    Câmara aprova pena maior para crimes contra agentes da Justiça

    Dep. Rubens Pereira Júnior (PT - MA)

    Dep. Rubens Pereira Júnior (PT – MA)Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que qualifica os crimes de homicídio e lesão corporal dolosa praticados contra membros do Ministério Público, da magistratura, da Advocacia-Geral da União (AGU), procuradores estaduais e do Distrito Federal, oficiais de Justiça e defensores públicos, quando relacionados ao exercício de suas funções. A proposta agora será submetida à sanção presidencial.

    O projeto, originado do PL 4.015/23, do ex-deputado Roman (PR), teve como relator o deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA). Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta, a inclusão dessas categorias reconhece sua importância para o Judiciário. “Incluir os oficiais de Justiça, os defensores públicos e os advogados públicos é uma maneira de igualar as carreiras e reconhecer a importância desses homens e mulheres ajudando em um Judiciário mais eficiente”, afirmou.

    O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), destacou a mobilização das categorias para a aprovação do texto, afirmando que “quem ganha com isso é a democracia brasileira, porque não se faz democracia sem Justiça”. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) ressaltou o consenso em torno da proposta, considerando todas as atividades de risco. O relator, Rubens Pereira Júnior, complementou que a aprovação foi resultado da “luta incessante dessas categorias”.

    O Código Penal prevê pena de 12 a 30 anos para homicídio qualificado. O projeto agrava a pena quando o crime é cometido contra cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau dos agentes públicos citados. A lesão dolosa terá aumento de 1/3 a 2/3 nas mesmas situações. O homicídio qualificado, a lesão corporal gravíssima e a lesão seguida de morte contra essas pessoas passam a ser considerados crimes hediondos.

    As emendas aprovadas garantem a confidencialidade de informações cadastrais e dados pessoais de familiares dos magistrados, defensores públicos, membros do Ministério Público e oficiais de Justiça. A proteção especial, que inclui escolta e aparatos de segurança, deverá ser solicitada à polícia judiciária, com tramitação prioritária e sigilosa. Membros da AGU e das procuradorias estaduais não foram contemplados com essas medidas de proteção.

    O projeto altera a lei 12.694/12, que trata de crimes praticados por organizações criminosas. Juízes, membros do Ministério Público, defensores públicos e oficiais de justiça poderão solicitar medidas como reforço de segurança, escolta, colete à prova de balas, veículo blindado, trabalho remoto e remoção provisória com auxílio para mudança, transporte e garantia de vaga em escolas para filhos e dependentes. Em caso de negativa na solicitação de proteção, os agentes poderão recorrer ao superior hierárquico ou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ou Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

    A Lei Geral de Proteção de Dados também foi alterada, determinando que o tratamento de dados pessoais desses agentes leve em conta o risco inerente às suas funções. Vazamentos ou acessos não autorizados que representem risco serão comunicados à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). As multas por descumprimento das regras serão dobradas nesses casos.

  • Como votaram os deputados no parecer pela cassação de Glauber Braga

    Como votaram os deputados no parecer pela cassação de Glauber Braga

    O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou o parecer pela cassação de Glauber Braga (Psol-RJ) nesta quarta-feira (9). O relatório de Paulo Magalhães (PSD-BA) foi aprovado por 13 votos a 5.

    Glauber Braga

    Glauber BragaGabriela Biló/Folhapress

    O deputado psolista é acusado de quebra de decoro parlamentar após expulsar, com chutes, um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) da Câmara em abril de 2024. Com o resultado, o processo vai ao plenário, mas a defesa do parlamentar ainda pode apresentar recursos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para tratar de eventuais vícios no processo.

    Veja como votaram os deputados:

    1. Delegado Ramagem (PL-RJ) -votou Sim
    2. Domingos Sávio (PL-MG) -votou Sim
    3. Luciano Vieira (REPUBLICANOS-RJ) -votou Sim
    4. Marcos Pollon (PL-MS) -votou Sim
    5. Gutemberg Reis (MDB-RJ) -votou Sim
    6. Ricardo Maia (MDB-BA) -votou Sim
    7. Jack Rocha (PT-ES) -votou Não
    8. Natália Bonavides (PT-RN) -votou Não
    9. Joseildo Ramos (PT-BA) -votou Não
    10. João Leão (PP-BA) -votou Sim
    11. Julio Arcoverde (PP-PI) -votou Sim
    12. Paulo Magalhães (PSD-BA) -votou Sim
    13. Albuquerque (REPUBLICANOS-RR) -votou Sim
    14. Márcio Marinho (REPUBLICANOS-BA) -votou Sim
    15. Junior Lourenço (PL-MA) -votou Sim
    16. Josenildo (PDT-AP) -votou Não
    17. Bruno Ganem (PODE-SP) -votou Sim
    18. Chico Alencar (PSOL-RJ) -votou Não
  • Câmara aprova cirurgia para lábio leporino pelo SUS

    Câmara aprova cirurgia para lábio leporino pelo SUS

    A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 3526/19, que determina a oferta gratuita, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de cirurgias reconstrutivas para casos de lábio leporino e fenda palatina. O texto, de autoria do deputado Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS), que já havia sido aprovado pelo Senado, segue agora para sanção presidencial.

    Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS) é o autor da proposta

    Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS) é o autor da propostaVinicius Loures/ Câmara dos Deputados

    A proposta também prevê tratamento pós-operatório completo, com atendimento em fonoaudiologia, psicologia, ortodontia e outras especialidades necessárias para a recuperação dos pacientes.

    O autor do projeto justificou que a medida representa uma nova chance de vida para muitas famílias brasileiras. O relator, deputado Dr. Ismael Alexandrino (PSD-GO), explicou que cerca de 15 crianças nascem por dia no país com esse tipo de malformação. “Quanto mais tarde a criança é operada, mais complicações surgem, como dificuldades de alimentação, infecções e bullying”, alertou o relator.

    Os deputados também aprovaram duas emendas do Senado. Uma delas estabelece o encaminhamento imediato de recém-nascidos diagnosticados com a condição para centros especializados. A outra retira a palavra plástica do termo cirurgia reconstrutiva (antes chamada cirurgia plástica reconstrutiva), permitindo que médicos de diferentes especialidades realizem o procedimento.

  • Comitê gestor do IBS: impasse entre municípios vai parar no Congresso

    Comitê gestor do IBS: impasse entre municípios vai parar no Congresso

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM) pode entrar nas discussões da próxima etapa da regulamentação da reforma tributária já com um conflito para mediar. A primeira audiência do plano de trabalho, ainda sem data marcada, deve reunir as duas maiores entidades representativas dos municípios no Brasil, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), que vivem uma disputa pelas cadeiras destinadas na eleição do Comitê Gestor do IBS – e, pelo andar da carruagem, o assunto não deve se resolver até lá.

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator dos projetos de reforma tributária no Senado, vai sendo chamado por prefeitos para o papel de mediador.

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator dos projetos de reforma tributária no Senado, vai sendo chamado por prefeitos para o papel de mediador.Roque de Sá/Agência Senado

    Criado com a aprovação da reforma tributária em 2023, o Comitê Gestor tem a função de fiscalizar e distribuir o dinheiro arrecadado com o novo Imposto sobre Bens e Serviços, que substituirá o ICMS e o ISS a partir de 2026. O comitê terá 54 cadeiras, sendo 27 ocupadas por representantes dos estados – uma para cada unidade federativa – e as outras 27, dos municípios. É nesse último grupo que se dá o conflito.

    O impasse

    Pelo texto aprovado no Congresso Nacional, a composição das 27 vagas para municípios no comitê gestor será votada em uma eleição, com a participação de cada um dos prefeitos das 5.570 cidades do Brasil. Cada prefeito vota duas vezes:

    • O primeiro voto se dará em uma chapa para ocupar 14 cadeiras do comitê. Nessa eleição, o voto é igualitário: cada prefeito tem direito a um voto, e ganha a chapa que tiver mais votos.
    • O segundo voto serve para eleger os ocupantes das 13 cadeiras restantes no colegiado. Aqui, o voto é proporcional à população. Cidades com mais habitantes têm um peso maior na votação.

    Os votos dos prefeitos não vão para um candidato, mas para uma chapa completa; ou seja, cada prefeito vota em um grupo fechado de 14 pessoas, e, depois, em outro de 13 integrantes para o conselho. As regras foram combinadas na tramitação da PEC 45, que instituiu a reforma tributária. O PLP 108/2024, que está no Senado com a relatoria de Eduardo Braga, dá as regras definitivas para o comitê, mas, antes disso, é preciso que ele comece a funcionar com as regras provisórias.

    É aí que entra o impasse.

    • A Frente Nacional dos Prefeitos alega que havia um acordo político para o preenchimento das vagas: a CNM, que reúne pouco mais de 5.300 cidades, ficaria com as 14 cadeiras do voto paritário, enquanto caberia à FNP indicar as 13 proporcionais. Isso, segundo a Frente, reflete a atuação das duas entidades, com a CNM representando o conjunto total dos municípios, e a FNP as cidades mais populosas do país.
    • A Confederação Nacional dos Municípios já diz que esse acordo nunca foi feito nem fez parte das tratativas entre as entidades. Com base nisso, a CNM pretende inscrever duas chapas na eleição, uma para as 14 vagas de um voto por município e outra para as 13 eleitas por voto proporcional. Se tiver sucesso, a confederação pode conseguir todas as cadeiras do comitê, sem deixar uma vaga para a concorrente.

    Acordo político ou não

    “Nunca houve esse acordo. Nunca houve. Mentira de quem está dizendo”, disse o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, ao Congresso em Foco. “Estão empurrando para cima do [Eduardo] Braga, dizendo que vai mediar. Só se mudar a lei”. De acordo com Ziulkoski, a primeira menção a um suposto acordo veio só em março de 2025, em uma reunião das duas entidades com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, convocada já para pacificar o tema.

    A FNP, de fato, pretende que o senador intermedie o impasse. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que tomou posse em 7 de abril como presidente da entidade, disse em evento da frente que “tanto o ministro Fernando Haddad quanto o senador Eduardo Braga confirmaram o acordo” na reunião no Ministério da Fazenda. “Não tem um TSE para estabelecer as regras. Se não há acordo, não tem regra. Se não tem regra, não dá para ter eleição”, disse o prefeito. No evento, Paes disse ainda que fez um pedido formal para que o assunto seja debatido em audiência convocada pelo senador Braga.

    Por meio da sua assessoria, o senador Eduardo Braga informou que não comentaria o assunto nesse momento. Mas os dois grupos já têm encontro marcado, embora ainda sem data: a primeira audiência para a discussão do segundo projeto de regulamentação de reforma tributária, que trata justamente do Comitê Gestor do IBS, tem a previsão de participação da CNM e da FNP. A disputa deve dar o tom da discussão.

    Os prazos correm

    A eleição para o comitê gestor, a princípio, seria realizada em 16 de abril de 2025. O imbróglio entre as duas entidades adiou a votação. A CNM já disse em nota que a comissão eleitoral marcou a eleição para 23, 24 e 25 de abril, mas o Congresso em Foco apurou que a FNP não trabalha com a possibilidade de que o pleito seja realizado antes da audiência que vai juntar as duas entidades no Senado.

    O calendário é apertado. O prazo legal para a instalação do comitê é até 15 de maio. A audiência no Senado será realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que nas próximas semanas deve seguir se ocupando com as audiências sobre o novo código eleitoral, relatado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI).

    A função da reunião, em teoria, não é discutir a eleição de 2025, e sim as regras definitivas para o comitê gestor, que só entrariam em vigor após toda a tramitação do projeto – que ainda precisaria passar pelo crivo da CCJ, do plenário do Senado e depois ainda tenha que voltar para a Câmara, sofra alguma modificação. Mas a Frente Nacional de Prefeitos vê margem para que o debate e a adoção de novas normas possam ensejar uma revisão nas regras temporárias da eleição neste ano.

    O IBS começa a ser cobrado já em 2026, gradativamente substituindo os impostos ICMS e ISS. O comitê gestor do IBS é bicameral: cada decisão precisa ser avalizada separadamente, por estados e municípios. Isso significa que, enquanto o impasse não se resolver, o comitê fica impedido de tomar decisões.

  • Fátima Bezerra cedeu helicóptero para transporte de Bolsonaro

    Fátima Bezerra cedeu helicóptero para transporte de Bolsonaro

    Durante a emergência de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro na manhã desta sexta-feira (11), a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, do PT, cedeu um helicóptero da Secretaria de Segurança Pública do estado para realizar seu translado até o hospital, mesmo pertencendo ao grupo político rival.

    A informação foi confirmada pelo governo, que também “orientou os gestores da Secretaria de Saúde que adotassem todas as providências necessárias ao eventual atendimento”.

    Veja o vídeo do embarque de Bolsonaro:

    Bolsonaro, durante uma série de encontros no interior de RN, sofreu fortes dores abdominais pela manhã, e precisou ser enviado à capital, Natal, para receber atendimento médico. Seus aliados atribuem o episódio às consequências da facada sofrida na campanha eleitoral de 2018.

  • Caderneta da Criança agora pode ser acessada pelo Meu SUS Digital

    Caderneta da Criança agora pode ser acessada pelo Meu SUS Digital

    Caderneta de Saúde da Criança agora está disponível no aplicativo Meu SUS Digital.

    Caderneta de Saúde da Criança agora está disponível no aplicativo Meu SUS Digital.Divulgação/Ministério da Saúde

    O Ministério da Saúde disponibilizou, na quinta-feira (10), a versão digital da Caderneta de Saúde da Criança no aplicativo Meu SUS Digital. A medida visa simplificar o acesso a informações relevantes sobre os cuidados infantis. Pela primeira vez, pais e responsáveis podem acompanhar o histórico de vacinação, com previsão de doses futuras e notificações com lembretes. Os dados são registrados em tempo real pela Rede Nacional de Dados em Saúde.

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou os benefícios e a praticidade da tecnologia, enfatizando sua contribuição para facilitar o cotidiano das famílias e fortalecer o cuidado infantil.

    “São duas novidades que vêm com a caderneta digital, duas grandes vantagens para os pais. A primeira é o simples fato de ela existir: aquela situação em que o pai ou a mãe chega à unidade de saúde ou à escola e esquece a caderneta física, agora está resolvida – ela estará disponível no aplicativo. A outra é que a caderneta digital terá mensagens ativas, ou seja, vai enviar alertas para o responsável informando que chegou a hora de vacinar ou de tomar uma dose de reforço.”

    “A caderneta da criança sempre foi uma aliada das famílias brasileiras. Agora, com a transformação digital do SUS, ela se torna mais moderna, interativa, acessível, e vem apoiar mães, pais, cuidadores e profissionais de saúde em todo o país no cuidado com as nossas crianças”, afirmou Ana Estela Haddad, Secretária de Informação e Saúde Digital.

    A caderneta física continuará sendo distribuída nas unidades de saúde, sendo a versão digital um complemento para pais, mães, responsáveis e cuidadores acessarem informações cruciais sobre os cuidados e o desenvolvimento infantil desde o nascimento. O documento abrange duas áreas essenciais da atenção à saúde infantil: Registros de Saúde e Cuidados da Família.

    A funcionalidade de registro de saúde da Caderneta Digital oferece ferramentas para o acompanhamento da vacinação, crescimento e desenvolvimento infantil, além do histórico clínico com informações sobre consultas e atendimentos. Ana Luiza Caldas, Secretária de Atenção Primária à Saúde, destacou a possibilidade de participação ativa das famílias, que podem inserir informações no aplicativo, como observações e alertas sobre a saúde da criança.

    “Por exemplo, é possível registrar que um dentinho está para cair. Essa informação fica salva no aplicativo e, no dia da consulta, mesmo que a caderneta física tenha sido esquecida, ela estará acessível para os profissionais de saúde. Pai, mãe e responsáveis terão, na palma da mão, dados importantes sobre a criança, que poderão ser apresentados durante o atendimento e também compartilhados com outros serviços de saúde, se necessário.”

    A área de Cuidados da Família disponibiliza conteúdos interativos e educativos, com orientações sobre amamentação, alimentação saudável, prevenção de acidentes, uso consciente de eletrônicos, combate à violência, prematuridade e outros aspectos relevantes para o bem-estar infantil. Todo o conteúdo educativo da versão física da Caderneta está disponível digitalmente e de forma interativa no aplicativo.

    Para acessar a Caderneta Digital da Saúde da Criança no aplicativo Conecte SUS, é necessário que o responsável e a criança possuam contas ativas no Gov.br.