Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Presa na Itália, Zambelli pode acumular 16 anos de pena no Brasil

    Presa na Itália, Zambelli pode acumular 16 anos de pena no Brasil

    A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), atualmente presa em Roma, na Itália, será julgada novamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, a Corte retoma, em 15 de agosto, o julgamento da ação penal em que Zambelli é acusada de perseguir, armada, o jornalista Luan Araújo, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

    O julgamento virtual foi iniciado em março deste ano, mas acabou suspenso por um pedido de vista do ministro Nunes Marques. Antes da interrupção, o plenário já havia formado maioria pela condenação de Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto, além de 80 dias-multa.

    Autoridades brasileiras pedem a extradição da deputada que fugiu para a Itália para escapar de prisão.

    Autoridades brasileiras pedem a extradição da deputada que fugiu para a Itália para escapar de prisão.Nino Cirenza/Ato Press/Folhapress

    Penas acumuladas

    Caso a condenação na segunda ação penal seja confirmada e esgotados todos os recursos, Zambelli poderá perder o mandato parlamentar e cumprir, no total, até 16 anos de prisão. Ela só escapará da nova pena se algum dos ministros que votaram pela condenação mudar de posição, cenário considerado improvável diante da fuga da deputada para a Itália, onde buscava evitar o cumprimento de outra pena, de 10 anos, também imposta pelo STF. A Câmara deverá analisar em breve a cassação do mandato da parlamentar.

    A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que a acusa dos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

    O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, votou pela condenação da deputada, sendo acompanhado por Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli – estes dois últimos anteciparam seus votos. Ainda restam votar os ministros Nunes Marques, André Mendonça, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Luiz Fux.

    Em outubro de 2022, Zambelli perseguiu Luan Araújo pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma troca de provocações. Armada com uma pistola 9 mm, ela rendeu o jornalista dentro de uma lanchonete e o obrigou a se deitar no chão. O episódio, amplamente registrado por celulares, teve grande repercussão nacional e também provocou o isolamento de Zambelli dentro do bolsonarismo. O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro atribuiu a ela parte de sua derrota eleitoral, alegando que perdeu votos por causa do episódio.

    Condenação anterior e prisão na Itália

    Este novo julgamento ocorre em um momento crítico da trajetória da parlamentar. Em maio, Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por participação na tentativa de invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em colaboração com o hacker Walter Delgatti. Ela tentou inserir documentos falsos, incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

    Após a condenação, Zambelli fugiu do Brasil e foi localizada na Itália, onde passou a integrar a lista de foragidos da Interpol. Na última terça-feira (29), foi presa em Roma e levada à penitenciária feminina de Rebibbia, onde permanece sob custódia enquanto aguarda o desfecho do pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. Durante a fuga, ainda nos Estados Unidos, Zambelli chegou a afirmar que seria “intocável” na Itália por possuir cidadania italiana.

    A Quarta Seção do Tribunal de Roma decidiu, nesta sexta-feira (1º), manter Zambelli presa até a análise de seu recurso. O pedido de soltura apresentado pela defesa será examinado apenas em meados de agosto. A Procuradoria de Roma defendeu a manutenção da custódia, citando a repercussão internacional do caso e os tratados de cooperação entre os dois países.

    Processo de extradição e perda do mandato

    A extradição da deputada está sendo acompanhada pela Advocacia-Geral da União (AGU), a pedido do ministro Alexandre de Moraes, que determinou atenção especial ao caso. O processo depende de parecer favorável do Judiciário italiano e da posterior autorização do Ministério da Justiça da Itália.

  • Projeto destina prêmios lotéricos para pesquisa em doenças raras

    Projeto destina prêmios lotéricos para pesquisa em doenças raras

    O deputado Charles Fernandes (PSD-BA) propôs, por meio do projeto de lei 409/25, que os prêmios de loteria não resgatados em até 90 dias sejam destinados ao Programa de Fomento à Pesquisa em Saúde, utilizando recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A proposta está sob análise na Câmara dos Deputados.

    A legislação vigente, lei 13.756/18, aloca esses valores ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A proposição busca alterar a lei 11.540/07, que instituiu o FNDCT, e a lei 10.332/01, que criou programas de incentivo à pesquisa no país, especificando a aplicação dos recursos.

    Conforme o texto, a arrecadação deverá ser investida em atividades de desenvolvimento tecnológico de medicamentos, imunobiológicos e produtos de saúde para o tratamento de doenças raras ou negligenciadas. Fernandes argumenta que a carência de dados epidemiológicos sobre doenças raras no Brasil dificulta a implementação de políticas públicas eficazes e a alocação adequada de recursos.

    Dep. Charles Fernandes.

    Dep. Charles Fernandes.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O deputado enfatiza que a falta de investimento em pesquisa restringe o desenvolvimento de novas terapias e a capacitação de profissionais. “Investir em pesquisas voltadas para o tratamento de doenças raras é essencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir a carga sobre o sistema de saúde”, afirmou.

    Fernandes ressaltou que a destinação de recursos para essa finalidade possibilitará avanços no diagnóstico precoce, no desenvolvimento de terapias inovadoras e na formação de profissionais qualificados. “A aprovação é uma medida relevante para fortalecer a saúde pública brasileira e atender de forma adequada a essa parcela significativa da população”, complementou.

    As doenças raras, definidas como aquelas que afetam até 65 pessoas por 100 mil habitantes, atingem cerca de 13 milhões de brasileiros, sendo enfermidades crônicas, progressivas e, muitas vezes, incapacitantes.

    A proposta será analisada pelas comissões de Ciência, Tecnologia e Inovação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, em caráter conclusivo. Para ser convertida em lei, o projeto necessita de aprovação na Câmara e no Senado.

  • Audiência discute fortalecimento das agências reguladoras no Brasil

    Audiência discute fortalecimento das agências reguladoras no Brasil

    Nesta terça-feira (5), as comissões de Minas e Energia, de Saúde, de Viação e Transportes e de Desenvolvimento Urbano da Câmara se reúnem em audiência pública conjunta para examinar estratégias de aprimoramento das agências reguladoras.

    O debate, proposto pelos deputados Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) e Zé Vitor (PL-MG), foi justificado pelo desempenho das agências na regulação e fiscalização dos serviços públicos no Brasil, na autorização e acompanhamento de contratos de parcerias público-privadas (PPPs) e de concessões.

    Foco da reunião é ouvir representantes das principais reguladoras no país e desenvolver mecanismos de fortalecimento.

    Foco da reunião é ouvir representantes das principais reguladoras no país e desenvolver mecanismos de fortalecimento.Sinclair Maia/Anatel

    Segundo o documento, “as agências, entretanto, enfrentam muitas dificuldades, que têm comprometido sua capacidade operacional, como a redução do quadro de pessoal, que restringe sua atuação regulatória e fiscalizadora, e restrições orçamentárias, que dificultam o planejamento e a execução de projetos importantes”.

    Dirigentes das agências têm expressado a importância do fortalecimento dessas instituições e da garantia de recursos adequados para o exercício eficaz de suas funções.

    Estão confirmados representantes das agências nacionais de Energia Elétrica (Aneel); de Aviação Civil (Anac); de Mineração (ANM); do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); de Saúde Suplementar (ANS); de Telecomunicações (Anatel); de Transportes Aquaviários (Antaq); e de Transportes Terrestes (ANTT).

  • Câmara discute regulação da inteligência artificial na saúde

    Câmara discute regulação da inteligência artificial na saúde

    A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados realizará um debate sobre a regulação da Inteligência Artificial (IA) na área da saúde, nesta terça-feira (5). A discussão atende à crescente utilização, que abrange desde o auxílio ao diagnóstico até procedimentos cirúrgicos assistidos por robótica.

    O debate atende a uma solicitação dos deputados Dr. Ismael Alexandrino (PSD-GO), Zé Vitor (PL-MG), Júnior Mano (PSB-CE) e Silvia Cristina (PP-RO).

    A IA generativa já é utilizada na medicina em técnicas como de cirurgias robóticas.

    A IA generativa já é utilizada na medicina em técnicas como de cirurgias robóticas.Freepik

    No requerimento, os parlamentares destacam que “a tecnologia apresenta potencial significativo para, em um futuro próximo, transformar o cuidado ao paciente e a indústria da saúde”.

    A justificativa é que a discussão é importante para “prover ao povo brasileiro acesso aos benefícios que o uso da IA pode trazer e, por outro lado, resguardar nosso povo dos riscos trazidos pelo uso dessa tecnologia”.

  • Conselho de Ética instaura processo contra André Janones

    Conselho de Ética instaura processo contra André Janones

    O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaurou nesta terça-feira (5) um processo disciplinar contra André Janones (Avante-MG). A apuração decorre de ofensas proferidas contra Nikolas Ferreira (PL-MG) durante a sessão plenária realizada no último dia 9. Segundo a acusação, as declarações de Janones teriam configuraram “xingamentos ultrajantes, com expressões de baixo calão, desonrosas e depreciativas”, violando o decoro parlamentar.

    Janones já cumpre suspensão cautelar de três meses desde julho.

    Janones já cumpre suspensão cautelar de três meses desde julho.
    Mario Agra / Câmara dos Deputados

    A representação foi apresentada pelo PL e formalizada pela Mesa Diretora da Câmara. Os integrantes do partido alegam que Janones excedeu os limites da imunidade parlamentar e agiu de forma incompatível com o decoro exigido pelo cargo. O deputado, que já está afastado provisoriamente por decisão anterior do conselho, pode agora enfrentar punições mais severas, incluindo a cassação do mandato.

    Os nomes sorteados para assumir a relatoria foram Júlio Arcoverde (PP-PI), Zé Haroldo Catedral (PSD-RR) e A.J. Albuquerque (PP-CE). O presidente do conselho, deputado Fabio Schiochet (União-SC), afirmou que ainda decidirá quem conduzirá o caso. Uma vez escolhido, o relator terá dez dias úteis para propor o arquivamento ou o prosseguimento das investigações.

  • Protesto de bolsonaristas trava indicações para agências reguladoras

    Protesto de bolsonaristas trava indicações para agências reguladoras

    A ofensiva de senadores bolsonaristas em protesto à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já provoca efeitos práticos no Senado. A Comissão de Infraestrutura (CI), presidida por Marcos Rogério (PL-RO), suspendeu a tramitação de indicações a oito agências reguladoras, travando a análise de pelo menos 17 nomes enviados pelo governo ao Congresso desde dezembro do ano passado.

    A decisão, confirmada nesta terça-feira (5), contraria o cronograma acordado em julho pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que previa sabatinas e votações concentradas entre os dias 11 e 15 de agosto. Ao todo, são 39 indicações para órgãos como o Superior Tribunal de Justiça (SJT), o Superior Tribunal Militar (STM) e agências reguladoras (veja a lista).

    Presidente da Comissão de Infraestrutura, senador Marcos Rogério diz não haver

    Presidente da Comissão de Infraestrutura, senador Marcos Rogério diz não haver “clima” político para votação de indicações por causa da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.Marcos Oliveira/Agência Senado

    Obstrução como protesto político

    Marcos Rogério, um dos principais aliados de Bolsonaro, afirmou a indicados que buscavam informações que o atual momento é “sensível” e que sabatinas poderiam resultar em rejeições motivadas politicamente.

    O gesto é visto como uma resposta direta à decisão judicial que colocou Bolsonaro em prisão domiciliar, sob a justificativa de obstrução de investigações sobre uma possível tentativa de golpe. A oposição tomou as mesas dos plenários da Câmara e do Senado, nessa terça, e ameaça impedir votações enquanto a prisão de Bolsonaro não for revogada. Eles alegam que o ex-presidente, acusado de tramar um golpe e de obstruir a Justiça, é alvo de perseguição política.

    Trava atinge órgãos essenciais

    Estão entre as agências afetadas pela paralisia:

    • Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN)
    • Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)
    • Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)
    • Agência Nacional do Petróleo (ANP)
    • Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
    • Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq)
    • Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
    • Agência Nacional de Mineração (ANM)

    Muitas dessas instituições operam com diretores substitutos ou com colegiados incompletos, o que compromete decisões regulatórias estratégicas para setores como energia, transporte, telecomunicações e petróleo.

    Governo e Senado tentam manter cronograma

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já comunicou o impasse ao líder do governo na Casa, senador Jaques Wagner (PT-BA). A expectativa era de que os indicados fossem votados em bloco, após sabatinas simultâneas nas comissões. Sem a leitura dos pareceres, entretanto, os nomes não podem sequer ser votados em comissão, muito menos levados ao plenário.

    A paralisia é mais um episódio da disputa entre a cúpula do Senado e o governo federal, especialmente em torno de nomes ligados ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), adversário político de Alcolumbre.

    Agências em colapso de governança

    Desde o fim de 2024, o governo tenta avançar com as indicações. Mas, sem consenso, as sabatinas foram sendo adiadas. O problema se agrava com a situação crítica em algumas agências, como a Anvisa, que está com três das cinco diretorias vagas.

    O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) chegou a denunciar à Procuradoria-Geral da República (PGR) o acúmulo de funções na diretoria colegiada da Anvisa, alegando que a prática fere a Lei nº 9.986/2000, que rege a gestão dessas autarquias.

    Veja as indicações que passam pela Comissão de Infraestrutura e, por isso, correm o risco de não serem votadas com as demais:

    Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)

    • Edson Victor Eugênio de Holanda, para membro do Conselho Diretor;
    • Octavio Penna Pieranti, para membro do Conselho Diretor.

    Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)

    • Antônio Mathias Nogueira Moreira, para o cargo de diretor;
    • Rui Chagas Mesquita, para o cargo de diretor;
    • Tiago Chagas Faierstein, para o cargo de diretor-presidente.

    Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq)

    • Frederico Carvalho Dias, para o cargo de diretor-geral;
    • Renata Sousa Cordeiro, para o cargo de ouvidora.

    Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)

    • Gentil Nogueira de Sá Júnior, para o cargo de diretor;
    • Willamy Moreira Frota, para o cargo de diretor.

    Agência Nacional de Mineração (ANM)

    • José Fernando de Mendonça Gomes Júnior, para o cargo de diretor.

    Agência Nacional do Petróleo (ANP)

    • Artur Watt Neto, para o cargo de diretor-geral;
    • Pietro Adamo Sampaio Mendes, para o cargo de diretor.

    Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

    • Alex Antônio de Azevedo Cruz, para o cargo de diretor;
    • Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio, para o cargo de diretor-geral.

    Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN)

    • Ailton Fernando Dias, para o cargo de diretor de Instalações Nucleares e Salvaguardas;
    • Alessandro Facure Neves de Salles Soares, para o cargo de diretor-presidente;
    • Lorena Pozzo, para o cargo de diretora de Instalações Radioativas e Controle;
  • Congresso realiza cúpula sobre clima e COP 30 com líderes latinos

    Congresso realiza cúpula sobre clima e COP 30 com líderes latinos

    Nesta quarta-feira (6), o Congresso iniciou a segunda Cúpula Parlamentar de Mudança Climática e Transição Justa da América Latina e do Caribe, em preparação à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), que ocorrerá em Belém (PA), entre 10 e 21 de novembro.

    Proposta pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) e pelo deputado Nilto Tatto (PT-SP), a sessão reuniu parlamentares nacionais e internacionais sob o tema “A COP 30: 33 anos depois da Cúpula da Terra, 20 anos depois do Protocolo de Quioto e 10 anos depois do Acordo de Paris”. O evento alinha prioridades e estratégias parlamentares em prol da conferência mundial.

    Na sessão solene de abertura, congressistas brasileiros entregaram Carta de Apoio à COP 30 ao presidente da Conferência, embaixador André Corrêa. “Papel dos legisladores no enfrentamento da crise climática é essencial para transformar compromissos e metas internacionais em ações concretas, legítimas e sustentáveis, por meio de leis e normas no âmbito nacional e subnacional”, diz o documento, assinado em conjunto com titulares e co-titulares do Observatório Parlamentar de Mudanças Climáticas e Transição Justa (OPCC) por iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) das Nações Unidas. A carta enfatiza a possibilidade da COP 30 “marcar um ponto de virada”.

    Segundo o senador, a COP será guiada pelos princípios de mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação.

    Segundo o senador, a COP será guiada pelos princípios de mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação. Edilson Rodrigues/Agência Senado

    Jaques Wagner, líder do governo no Senado e membro-fundador do OPCC, ressaltou a importância deste momento diante dos eventos climáticos extremos: “Não há futuro sustentável sem justiça social” e “não há transição justa sem financiamento adequado”. Ele relembrou a meta de financiamento climático estabelecida em 2024, de pelo menos US$ 300 bilhões por ano para ações climáticas nos países em desenvolvimento até 2035.

    Segundo o deputado Nilto Tatto (PT-SP), a cúpula vai avançar com a próxima declaração conjunta do OPCC. A ideia é definir temas prioritários e pontos de convergência para criação de estratégia de desenvolvimento produtivo verde.

    O embaixador André Corrêa defendeu esforço global na preparação da conferência. “Tudo vai residir em como nós podemos conquistar a todos nessa agenda pela transição justa […] Nos nossos países em desenvolvimento, a eliminação de certas atividades que criam desemprego”, disse.

  • Bacelar defende auxílio de R$ 5.100 a famílias em regiões áridas

    Bacelar defende auxílio de R$ 5.100 a famílias em regiões áridas

    Famílias beneficiárias do Bolsa Família que vivem há pelo menos dois anos em municípios do norte da Bahia e do sul de Pernambuco, áreas já classificadas oficialmente como de clima árido, poderão receber um apoio emergencial de R$ 5.100. A medida está prevista em projeto de lei apresentado pelo deputado Bacelar (PV/BA), que propõe um pacote de ações voltadas ao enfrentamento da calamidade pública provocada pela aridez prolongada.

    Além do auxílio financeiro, o texto prevê antecipação de aposentadorias e benefícios assistenciais, suspensão temporária de contribuições previdenciárias, prioridade no atendimento do INSS e adiamento das parcelas de crédito rural contratadas por produtores da região. O pagamento seria feito pela mesma conta já usada para o repasse do Bolsa Família, com preferência para mulheres chefes de família.

    O valor, em parcela única, tem como objetivo compensar perdas sociais e econômicas provocadas pela falta de chuvas. O apoio será concedido exclusivamente a famílias já cadastradas no programa social e residentes em municípios com estado de calamidade pública reconhecido pelo governo federal.

    “O objetivo é enfrentar a calamidade pública e as consequências sociais e econômicas decorrentes da aridez”, afirma o deputado. A proposta também impede que o valor recebido entre no cálculo de renda familiar para outros programas sociais.

    Projeto prevê proteção social e econômica para famílias do Bolsa Família afetadas por seca extrema.

    Projeto prevê proteção social e econômica para famílias do Bolsa Família afetadas por seca extrema.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O projeto detalha ainda que os beneficiários do INSS poderão solicitar o adiantamento de uma mensalidade, com desconto posterior limitado a 30% do benefício. Já os municípios afetados poderão suspender recolhimentos ao INSS e aos regimes próprios de previdência, desde que haja garantia de equilíbrio financeiro e atuarial.

    Outro ponto importante da proposta é a suspensão temporária das parcelas de crédito rural em municípios da região. O pagamento dessas dívidas será retomado apenas um ano após o vencimento da última parcela original, sem cobrança de multas ou encargos por inadimplência.

    A proposta busca repetir, no semiárido nordestino, medidas semelhantes às adotadas em resposta às enchentes do Rio Grande do Sul. Para isso, o texto prevê acionamento automático das medidas sempre que o governo federal reconhecer estado de calamidade por aridez.

    Segundo Bacelar, a criação de um mecanismo permanente permitirá resposta rápida e previsível diante de desastres climáticos extremos. “Queremos proteger a renda, o crédito e a dignidade de quem vive em uma das regiões mais vulneráveis do país”, afirma.

  • Motta avalia punição a deputados que ocuparam Mesa Diretora

    Motta avalia punição a deputados que ocuparam Mesa Diretora

    Em entrevista ao portal Metrópoles nesta quinta-feira (7), o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou que ele e os demais membros da Mesa Diretora ainda consideram a possibilidade de punição aos parlamentares que participaram da ocupação nos dois últimos dias. Ele havia comunicado essa possibilidade na quarta (6), antes da abertura da sessão plenária.

    “Existem já alguns pedidos de lideranças para punir esse ou aquele deputado que se excedeu. Nós estamos avaliando. É uma decisão conjunta da Mesa para que a partir daí possamos nos manifestar”, disse. O instrumento de punição em questão é a suspensão de mandatos, acompanhada de representação ao Conselho de Ética.

    Decisão sobre suspensões de mandatos será colegiada, disse Hugo Motta.

    Decisão sobre suspensões de mandatos será colegiada, disse Hugo Motta.Marina Ramos/Câmara dos Deputados

    A suspensão de mandatos foi invocada diante da resistência de parlamentares da oposição em liberar o espaço da Mesa Diretora, mesmo após o anúncio de realização da sessão. Se os mandatos dos deputados fossem suspensos, a Polícia Legislativa estaria autorizada a desocupar o local com uso da força.

    Motta relembrou que esse cenário foi evitado. “Ontem eu fiz questão de reafirmar porque não cabe a esse presidente usar da força física para poder garantir a normalidade dos trabalhos. Nós não estamos num ringue de boxe que se resolve na pancadaria as coisas”, afirmou.

    Ocupação por anistia

    A ocupação da Mesa começou na terça-feira, como ato de protesto dos deputados próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, contrários à sua prisão. Eles condicionaram a própria saída à inclusão em pauta de dois projetos há muito tempo demandados: a anistia aos réus por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e o fim do foro privilegiado a parlamentares.

    Hugo Motta passou o dia e noite de quarta em negociação com os parlamentares. Mesmo sem acordo, conseguiu dar início aos trabalhos na Câmara, e os ocupantes se retiraram. Questionado sobre a possibilidade de votação da anistia, respondeu que respeitará “a vontade da maioria”, independentemente se é uma matéria de interesse da oposição ou do governo.

  • 15 deputados podem ter mandatos suspensos; veja quais são

    15 deputados podem ter mandatos suspensos; veja quais são

    Com a decisão da Mesa Diretora da Câmara de enviar à Corregedoria Parlamentar as denúncias contra envolvidos no protesto que resultou no atraso da abertura dos trabalhos da Casa, 15 parlamentares podem ter seus mandatos suspensos. Os casos serão analisados até a quarta-feira (13), cabendo ao Conselho de Ética tomar ou não a decisão.

    Muitas das representações são contra líderes partidários: o do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), o do Novo, Marcel van Hattem (Novo-RS), o da oposição, Luciano Zucco (PL-RS), e dois vice-líderes do bloco: Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carlos Jordy (PL-RJ). Está também o presidente da Comissão de Segurança Pública, Paulo Bilynskyj (PL-SP).

    Lista contém líderes partidários e presidente de comissão que protagonizaram tumulto na Câmara.

    Lista contém líderes partidários e presidente de comissão que protagonizaram tumulto na Câmara.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Os parlamentares foram filmados participando da ocupação da Mesa Diretora ao longo da semana e tumultuando a entrada do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), alegando que não sairiam enquanto ele não se comprometesse a pautar a anistia aos réus por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O local foi desocupado sem acordo com Motta, mas com sinalização de parte do Colégio de Líderes de que a maioria dos partidos apoiariam o projeto.

    Ao todo, foram 14 oposicionistas denunciados. Do outro lado, a governista Camila Jara (PT-MS) também foi alvo de representação, apresentada por Sóstenes Cavalcante. O deputado a acusou de ter, durante a reabertura dos trabalhos, empurrado o deputado Nikolas Ferreira no chão.

    Confira a lista de deputados representados à Corregedoria Parlamentar:

    Nikolas Ferreira (PL-MG)

    Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

    Carlos Jordy (PL-RJ)

    Zucco (PL-RS)

    Marcel van Hattem (Novo-RS)

    Zé Trovão (PL-SC)

    Bia Kicis (PL-DF)

    Paulo Bilynskyj (PL-SP)

    Marcos Pollon (PL-MS)

    Júlia Zanatta (PL-SC)

    Allan Garcês (PP-MA)

    Caroline de Toni (PL-SC)

    Marco Feliciano (PL-SP)

    Domingos Sávio (PL-MG)

    Camila Jara (PT-MS)