Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Bolsonaro ironiza julgamento no STF durante sessão

    Bolsonaro ironiza julgamento no STF durante sessão

    Durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode torná-lo réu por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para criticar a atuação do Judiciário. Em publicação feita no X (antigo Twitter), enquanto a sessão ocorre, Bolsonaro escreveu:

    “Brasil e Argentina em campo hoje às 21h no Monumental de Núñez. Vamos torcer pelos nossos garotos voltarem com a vitória. Já no meu caso, o juiz apita contra antes mesmo do jogo começar e ainda é o VAR, o bandeirinha, o técnico e o artilheiro do time adversário; tudo numa pessoa só.”

    O julgamento na Primeira Turma do STF analisa a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa Bolsonaro de liderar uma articulação golpista para se manter no poder após a derrota nas eleições de 2022. O processo inclui outros sete investigados, entre ex-ministros e militares ligados ao ex-presidente.

    Em meio a julgamento, Bolsonaro critica Justiça nas redes

    Em meio a julgamento, Bolsonaro critica Justiça nas redesPedro Ladeira/Folhapress

  • “Não se achou nada contra Bolsonaro”, diz defesa

    “Não se achou nada contra Bolsonaro”, diz defesa

    O advogado Celso Sanchez Vilardi, responsável pela defesa de Jair Bolsonaro, disse que o seu cliente é o “presidente mais investigado da história” do Brasil. Segundo ele, a Procuradoria-Geral da República denunciou Bolsonaro com base em “narrativa” e “conjecturas” que tentam incriminá-lo. “Não se achou nada contra o presidente”, declarou Vilardi. A argumentação da defesa do ex-presidente era a mais aguardada no julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), da denúncia contra Bolsonaro e outros sete aliados acusados de tramar um golpe de Estado.

    Vilardi contesta conclusões da denúncia de Paulo Gonet contra Bolsonaro

    Vilardi contesta conclusões da denúncia de Paulo Gonet contra BolsonaroAntonio Augusto/Ascom/STF

    Enquanto a Polícia Federal fala possivelmente, enquanto a denúncia traz conjecturas, como a impressão de um documento no Palácio do Planalto, o fato concreto é que o acusado de liderar uma organização criminosa para dar golpes socorreu o ministro da Defesa nomeado pelo presidente Lula porque o comando militar não o atendia. Foi o presidente (Bolsonaro) que determinou a transição, rebateu o advogado.

    Vilardi reconheceu a “gravidade” dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, mas isentou o ex-presidente de responsabilidade pelo caso. “Eu entendo a gravidade de tudo que aconteceu no 8 de janeiro, mas não é possível que se queira imputar a responsabilidade ao Presidente da República, ou colocando como lider quando ele não participou dessa questão do 8 de janeiro, pelo contrário, ele repudiou”, sustentou o defensor.

    O advogado também contestou a utilização de pronunciamentos públicos de Bolsonaro na denúncia e negou que o ex-presidente soubesse da existência de qualquer plano para matar o presidente Lula, o vice-presidenten Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, conforme apontado pela Polícia Federal e pela PGR na denúncia. 

    “A Polícia Federal utilizou mais de 90 vezes a expressão ‘possivelmente’, porque não havia certeza [da participação de Bolsonaro]. nem a Polícia Federal, que se utilizou dessas possibilidades, afirmou a participação dele no 8 de janeiro. Não há unico elemento, nem na delação. Nem o delator fez qualquer relação, não há uma única evidência a esse respeito”, declarou.

    Assista ao julgamento:

  • STF marca julgamento do núcleo 4 da denúncia sobre trama golpista

    STF marca julgamento do núcleo 4 da denúncia sobre trama golpista

    O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para os dias 6 e 7 de maio o julgamento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra sete acusados ligados ao núcleo 4 da suposta trama golpista investigada no âmbito do inquérito que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A análise será conduzida pela Primeira Turma da Corte, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Também integram o colegiado os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino.

    Sessão foi agendada para os dias 6 e 7 de maio pela Primeira Turma do Supremo

    Sessão foi agendada para os dias 6 e 7 de maio pela Primeira Turma do SupremoPedro Ladeira/Folhapress

    Núcleo de comunicação

    Segundo a PGR, os integrantes do núcleo 4 teriam participado da difusão de desinformação com foco no sistema eleitoral, por meio de publicações nas redes sociais e outros canais de comunicação. O objetivo seria desacreditar a lisura das eleições e promover ataques a instituições e autoridades públicas.

    Entre os denunciados estão militares da reserva e da ativa, além de um agente da Polícia Federal e o presidente do instituto contratado pelo PL na ação de alegação de fraude nas eleições de 2022. São eles: Ailton Gonçalves Moraes Barros (major da reserva do Exército), Ângelo Martins Denicoli (major da reserva), Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente), Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel), Reginaldo Vieira de Abreu (coronel), Marcelo Araújo Bormevet (policial federal) e Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (presidente do Instituto Voto Legal).

    Caso a maioria dos ministros aceite a denúncia, os investigados se tornarão réus e responderão a ação penal no STF.

    Demais julgamentos

    O julgamento faz parte de uma série de processos que envolvem diferentes núcleos da acusação apresentada pela PGR. O núcleo 1 foi analisado nesta quarta-feira (26), com o recebimento da denúncia por unanimidade. Entre os acusados está o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A análise do núcleo 2 está prevista para os dias 29 e 30 de abril, e a do núcleo 3 para os dias 8 e 9 do mesmo mês. Cada grupo é acusado de desempenhar papéis específicos na organização do suposto plano para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, após as eleições de 2022.

  • Tentativa de golpe: entenda a corrida de obstáculos para a anistia

    Tentativa de golpe: entenda a corrida de obstáculos para a anistia

    Para cruzar a linha de chegada da anistia dos envolvidos nos atos golpistas, os apoiadores da medida terão de vencer uma corrida de obstáculos no Congresso. Cada vez considerada mais prioritária pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, a proposta terá de superar barreiras legislativas, políticas e jurídicas para se tornar realidade.

    A medida estará sujeita, inclusive, ao crivo dos dois principais alvos dos bolsonaristas: o presidente Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF), responsáveis, respectivamente, pela sanção da lei e pela palavra final sobre a constitucionalidade da anistia aos acusados de planejar o golpe de Estado.

    Milhares de pessoas invadiram e depredaram o Congresso, o Supremo e o Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023

    Milhares de pessoas invadiram e depredaram o Congresso, o Supremo e o Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O Código Penal define anistia como o perdão dado a um ou mais indivíduos que respondem por crimes na Justiça. Na prática, o Estado perde o direito de punir quem praticou os atos considerados criminosos mencionados.

    Sanção de Lula

    O artigo 48 da Constituição Federal, que trata das atribuições do Congresso Nacional, estabelece que cabe à Câmara e ao Senado a aprovação de anistia, por meio de projeto de lei, com a sanção do presidente da República. Ou seja, se for aprovada, a proposta será submetida a Lula, que terá 15 dias úteis para concordar ou não com a medida.

    “Projeto de lei ordinária ou complementar, que tem tramitação nas duas Casas, tem de ser sancionado ou vetado pelo presidente da República”, explica o professor de Processo Legislativo Miguel Gerônimo, especialista nos regimentos da Câmara, do Senado e do Congresso.

    “Sendo uma lei, ela tem de ser sancionada. Toda lei é fruto do Congresso. Caso contrário, é outro ato normativo”, reforça a professora Eneá Stutz e Almeida, da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), ao refutar o argumento de que, por ser um ato do Congresso, a anistia estaria sujeita a promulgação, sem necessidade de passar pelo crivo presidencial.

    No caso de vetos, deputados e senadores são obrigados a se reunir em sessão conjunta para analisar a decisão presidencial. O presidente tem 48 horas para enviar suas justificativas ao presidente do Congresso. A partir desse momento, começa a contar o prazo de 30 dias corridos para a deliberação. O prazo, no entanto, nem sempre é respeitado. Para derrubar um veto é necessário o apoio de pelo menos 257 deputados e 41 senadores. Se uma das Casas não alcançar a maioria, a decisão do presidente é mantida.

    Artigo 48 da Constituição Federal prevê sanção para projeto de lei da anistia

    Artigo 48 da Constituição Federal prevê sanção para projeto de lei da anistiaReprodução

    Pressão sobre Hugo Motta

    Tramitam nas duas Casas, atualmente, dez projetos de lei que concedem anistia aos acusados de tentativa de golpe. O clamor pela aprovação da proposta tende a crescer, no Parlamento, com a provável aceitação da denúncia do Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro e outros sete aliados do chamado núcleo crucial da trama golpista. Depois de um longo dia de discussões nessa terça-feira (25), os ministros devem decidir se aceitam ou não abrir ação penal contra eles nesta quarta-feira (26).

    A oposição aguarda o retorno do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de viagem com o presidente Lula à Ásia, para apresentar na próxima semana um requerimento de urgência para acelerar o andamento do projeto de lei de anistia. A intenção é trazer a votação da proposta (PL 2858/22) diretamente para o plenário da Câmara. O requerimento de urgência, por si só, não é garantia de votação. “Há centenas deles no plenário”, lembra Miguel Gerônimo. 

    Sóstenes Cavalcante encabeça movimento pró-anistia na Câmara

    Sóstenes Cavalcante encabeça movimento pró-anistia na CâmaraBruno Spada/Agência Câmara

    O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que Hugo se reunirá no próximo dia 1º com outras lideranças que apoiam a anistia para avaliar a possibilidade de incluir o item na pauta na semana seguinte. Caso contrário, adiantou, a bancada usará o regimento interno para impedir as votações. O partido de Bolsonaro tem a maior representação na Casa, com 92 deputados.

    Sóstenes afirma que cerca de 300 dos 513 deputados são favoráveis à anistia, número que garante uma maioria folgada. Para a aprovação de projeto de lei, basta haver maioria de votos entre os parlamentares presentes.

    Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) considera que não há apoio suficiente para se aprovar uma anistia pura. “Para a moderação das penas”, sim, disse ele ao Congresso em Foco. “Nesse caso, se o Bolsonaro for retirado do projeto, fica mais fácil ainda”, acrescentou.

    Comissão especial

    Junto com o PL 2858, de autoria do ex-deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), que foi líder do governo Bolsonaro, há outras cinco propostas de teor semelhante na Câmara. Em outubro do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), então liderada pela deputada Caroline de Toni (PL-SC), chegou a pautar a votação do projeto.

    A proposta de Major Vitor Hugo prevê:

    • perdão por crimes previstos no Código Penal relacionados às manifestações;
    • o cancelamento de multas aplicadas pela Justiça;
    • a manutenção dos direitos políticos;
    • a revogação de medidas, transitadas em julgado ou não, que limitem a liberdade de expressão em meios de comunicação social e em redes sociais.

    No papel

    De olho na pressão popular e nas articulações pela disputa da presidência da Câmara, o então presidente, Arthur Lira (PP-AL), retirou o texto da CCJ poucos minutos antes da votação e determinou a criação de uma comissão especial para analisar o assunto. Cinco meses depois, o colegiado não foi instalado.

    Hugo Motta deve decidir o andamento do projeto na Câmara nas próximas semanas

    Hugo Motta deve decidir o andamento do projeto na Câmara nas próximas semanasMarina Ramos/Agência Câmara

    O tema deve ser devidamente debatido pela Casa. Mas não pode jamais, pela sua complexidade, se converter em indevido elemento de disputa política, especialmente no contexto das eleições futuras para a Mesa Diretora da Câmara, disse Lira.

    Cautela

    Sucessor e aliado de Lira, Hugo Motta tem adotado discurso cauteloso sobre o assunto, evitando criar briga com o governo e com o Judiciário, mas sem desagradar também aos bolsonaristas que apoiaram sua candidatura.

    Em uma de suas declarações mais abertas sobre a anistia, Hugo defendeu a tese de que não houve tentativa de golpe no 8 de janeiro de 2023. “O que aconteceu não pode ser admitido novamente, foi uma agressão às instituições. Agora, querer dizer que foi um golpe Golpe tem que ter um líder, uma pessoa estimulando, tem que ter apoio de outras instituições interessadas, e não houve isso”, declarou ele em entrevista à rádio Arapuan, da Paraíba, em 7 de fevereiro.

    Ainda assim, ressaltou, é preciso tranquilidade antes de levar o projeto a votação. “É um assunto que divide a Casa, que gera tensionamento com o Judiciário e com o Executivo. Por isso, o nosso cuidado em tratar sobre o tema. Eu não posso chegar aqui dizendo que vou pautar a anistia na semana que vem ou não vou pautar de jeito nenhum”, afirmou na mesma ocasião.

    Resistência de Davi

    Se passar pela Câmara, o projeto deve enfrentar maior resistência no Senado a começar pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AC). O senador já disse que não considera a votação da proposta prioritária nem para o Congresso nem para o Brasil.

    “A agenda do brasileiro não é essa. É preciso trabalhar todos os dias, incansavelmente, para diminuir a pobreza no país”, disse logo após sua eleição e posse como presidente, em 1º de fevereiro.

    Divisão

    Três semanas depois, Davi voltou a se posicionar. Isso não é um assunto que nós estamos debatendo. “Quando a gente fala desse assunto em todo instante, a gente está dando, de novo, a oportunidade de nós ficarmos, na nossa sociedade, dividindo um assunto que não é um assunto dos brasileiros”, afirmou.

    Em entrevista à RedeTV!, em 27 de fevereiro, o presidente do Senado defendeu uma “mediação e modulação” nas penas impostas pelo Supremo aos envolvidos no 8 de janeiro. “Ela não pode ser uma anistia para todos de maneira igual. E ela também não pode nas decisões do Judiciário ser uma punibilidade para todos na mesma gravidade”, avaliou.

    Na gaveta

    No Senado, há quatro projetos de lei sobre anistia apresentados após os atos golpistas. Entre eles está o PL 5064/23, de autoria do ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O senador e general propõe perdão para aqueles acusados ou condenados pelos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito em razão dos atos de 8 de janeiro.

    Outras três propostas tramitam em conjunto. Uma delas, do senador Márcio Bittar (União-AC), vai além ao tentar revogar a inelegibilidade de Bolsonaro e reabilitar seus direitos políticos imediatamente.

    Voto declarado

    O pacote, no entanto, está parado na Comissão de Defesa da Democracia desde outubro de 2023. A relatoria está nas mãos do senador Humberto Costa (PE), atual presidente do PT. A posição do petista é clara. “Golpistas não merecem anistia, merecem justiça. Quem ataca a democracia deve responder por cada ato de violência e destruição”, escreveu Humberto em suas redes no último dia 18.

    Se for analisado pela Comissão de Defesa da Democracia, o texto será submetido ainda à Comissão de Direitos Humanos e, posteriormente, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No Senado, diferentemente da Câmara, a oposição avalia que terá de trabalhar mais para alcançar os votos necessários para aprovar a proposta.

    Obstáculos no Supremo

    Caso vença a corrida de obstáculos na Câmara, a anistia ainda estará sujeita a contestações no Supremo Tribunal Federal a respeito de sua constitucionalidade. De acordo com um balanço divulgado pelo Supremo no início do ano, 497 pessoas já haviam sido condenadas pelos atos de 8 de janeiro em dois anos. A denúncia em análise pelo Supremo sobre a trama golpista envolve 34 pessoas ao todo.

    A anistia é geralmente aplicada a crimes políticos, mas é vedada para crimes como tortura, tráfico de drogas, terrorismo e aqueles definidos como hediondos, como estupro, e inafiançáveis, como racismo.

    O criminalista Alberto Toron disse ao site Migalhas, em dezembro, que, como os crimes contra o Estado Democrático de Direito não estão entre os vedados pelo Código Penal, há margem para uma lei de anistia, conforme o apoio político recebido pela medida.

    Relator dos processos sobre a trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes, em decisões sobre os atos antidemocráticos, levantou a possibilidade de alguns deles serem classificados como terrorismo, utilizando os termos “ato terrorista” e “criminosos terroristas”.

    Inconstitucionalidade

    A professora de Direito da UnB, Eneá Stutz e Almeida, conselheira e ex-presidente da Comissão de Anistia, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, entende que não há possibilidade de o STF manter a anistia caso ela seja aprovada pelo Congresso.

    Eneá Stutz, da UnB e da Comissão de Anistia, vê inconstitucionalidade em proposta

    Eneá Stutz, da UnB e da Comissão de Anistia, vê inconstitucionalidade em propostaLula Marques/Agência Brasil

    Segundo ela, o que os parlamentares discutem nos projetos apresentados é uma anistia política de esquecimento. Esse instrumento, frisa ela, contraria convenções de direitos humanos das quais o Brasil é signatário e a própria Constituição.

    Eles pedem anistia política de esquecimento. É por isso que o próprio ex-presidente fala em passar uma borracha em tudo que aconteceu para podermos nos reconciliar. Em síntese, a Constituição não admite leis de anistia política de esquecimento, em especial por causa do art. 8º do ADCT, que comanda a Justiça de transição no Brasil.

    O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, ao qual a professora de Direito se refere, é um conjunto de normas que regulam transições e adaptações da Constituição brasileira.

    Memória x esquecimento

    “Eu defendo que a anistia política de 1979 foi uma anistia política de memória e não de esquecimento. É por isso que eu defendo que o STF, em 2010, afirmou isso, que a lei de 1979 foi uma lei de memória e não de esquecimento”, defende a jurista.

    Em 2010, por 7 votos a 2, o Supremo arquivou ação proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que questionava a abrangência da Lei da Anistia para casos de tortura e crimes comuns, cometidos por civis e agentes do Estado durante a ditadura militar. A lei de 1979, construída no governo de Ernesto Geisel e assinada pelo então presidente João Batista Figueiredo, permitiu o retorno de exilados e a libertação de presos políticos, mas também anistiou militares que cometeram graves violações de direitos humanos. Uma discussão que se arrasta ainda hoje.

  • “Perdeu, mané”: ré do 8/1 se diz cristã, arrependida e traumatizada

    “Perdeu, mané”: ré do 8/1 se diz cristã, arrependida e traumatizada

    Débora dos Santos, acusada de escrever com batom “perdeu, mané” na estátua da Justiça durante os atos de 8 de janeiro, pediu perdão em audiência e disse que se arrependeu profundamente. “Eu nunca mais me envolvo com política. Isso me traumatizou. Não me representa, não sou essa pessoa”, afirmou.

    Conforme noticiou o Migalhas, o vídeo com o depoimento foi liberado após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, levantar o sigilo do processo. Durante a audiência, Débora disse que não teve intenção de atacar o Estado Democrático de Direito e que só ajudou a completar a frase que já estava sendo escrita por um desconhecido. “Foi um erro, me arrependo muito.”

    Segundo ela, a viagem para Brasília foi feita de ônibus e custou R$ 50, pagos do próprio bolso. Débora contou que saiu de Campinas (SP), cidade vizinha a Paulínia, onde mora, e que se hospedou com um grupo em frente ao QG do Exército. Ela negou envolvimento com qualquer organização e disse que não conhece quem organizou a caravana.

    “Sou cristã, sempre fui correta. Uma semana antes, falei pro meu filho que pichar muro era errado. Eu não sei o que aconteceu comigo naquele momento. Foi no calor da situação”, desabafou.

    No fim da audiência, ela pediu perdão mais uma vez. “Entendi que tudo tem um processo, uma hierarquia. Jamais quis ferir isso. Só quero voltar pra minha família.”

    Leia também: “Não sabia do valor”, diz pichadora de estátua no STF. Veja carta

    O que aconteceu com Débora

    Débora está presa desde março de 2023, quando foi alvo da oitava fase da Operação Lesa Pátria, que investiga quem participou e financiou os atos golpistas. Em julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra ela por cinco crimes: associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de bem tombado.

    Apesar de muita gente nas redes sociais ter dito que ela pode pegar 14 anos de prisão por escrever com batom, o caso envolve muito mais do que isso. A pena proposta pelo ministro Alexandre de Moraes considera todos os crimes. Só os de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático somam quase 10 anos. Entenda melhor, clique aqui.

  • Líder do PT liga alerta e estima pelo menos 200 votos para anistia

    Líder do PT liga alerta e estima pelo menos 200 votos para anistia

    O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), declarou que a base governista está atenta ao número de parlamentares que podem apoiar projeto de lei para garantir anistia aos acusados de participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e em uma trama golpista para impedir a posse do presidente Lula.

    Lindbergh Farias:

    Lindbergh Farias: “Articulação da oposição é muito pesada”Pedro Ladeira/Folhapress

    Em entrevista ao jornal O Globo, Lindbergh estimou que aproximadamente 200 deputados federais demonstram um perfil político similar ao do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que, por isso, na avaliação dele, devem votar a favor da proposta e da sua tramitação em regime de urgência. A Câmara é composta por 513 deputados. Para aprovar um projeto de lei, é necessário o apoio da maioria dos parlamentares presentes à votação. 

    O número estimado pelo petista é inferior aos 300 votos dados como certos pelo líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ).

    O parlamentar petista salientou sua intenção de alertar os partidos do centro sobre os perigos de desestabilização institucional e o potencial de gerar conflitos com o Judiciário caso a medida seja aprovada.

    “Não adianta dizer que não tem essa possibilidade (de pautar a anistia), porque a articulação deles é muito pesada, é uma matéria arriscada e estamos mapeando os votos. Estamos mapeando algo em torno de 200 deputados que poderiam votar favoráveis. Os deputados acabariam votando de acordo com as eleições do ano que vem, porque o deputado conservador não quer perder o seu eleitor”, afirmou.

    A proposta ainda aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Apesar da promessa do ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) de criar uma comissão especial para debater o projeto, tal iniciativa não se concretizou. O atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sido reticente a pautar a proposição.

    Pressão

    Na última terça-feira, Sóstenes Cavalcante afirmou que Hugo aceitou se reunir com ele e outras lideranças partidárias na próxima semana, ao voltar da viagem que faz à Ásia, para tratar do assunto. A pressão tende a crescer nos próximos dias depois que o Supremo aceitou denúncia por tentativa de golpe contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados.

    “Vamos argumentar com os partidos de centro que essa não é uma pauta adequada para a Câmara assumir. Estaríamos desencadeando uma grave crise institucional no país. Estamos examinando as vias jurídicas, tanto preventivas quanto para o caso de uma eventual aprovação. Essa lei é inconstitucional, pois representa uma ingerência indevida no Poder Judiciário e atenta contra a independência entre os Três Poderes, conforme previsto no artigo 2º da Constituição”, afirmou Lindbergh. “Seria um instrumento legislativo utilizado exclusivamente para prejudicar um julgamento”, acrescentou.

    Como mostrou o Congresso em Foco, ao menos dez projetos de lei em tramitação na Câmara e no Senado preveem anistia para os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Para virar realidade, a proposta terá de vencer uma corrida de obstáculos nos Três Poderes

  • Academia Brasileira de Letras perde dois imortais em 24 horas

    Academia Brasileira de Letras perde dois imortais em 24 horas

    Heloisa Teixeira era imortal desde o ano passado, enquanto Marcos Vilaça era da ABL desde 1985

    Heloisa Teixeira era imortal desde o ano passado, enquanto Marcos Vilaça era da ABL desde 1985ABL e Lucia Ourique/MinC/Congresso em Foco

    O Brasil vive um fim de semana de luto com a perda de dois imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), em menos de 24 horas. Morreu neste sábado (29), no Recife, o professor, advogado, jornalista, ensaísta e poeta Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça, aos 85 anos. Um dia antes, na sexta-feira (28), faleceu no Rio de Janeiro a escritora e crítica literária Heloisa Teixeira, também aos 85 anos. As mortes causaram grande comoção na ABL e no meio intelectual brasileiro.

    Marcos Vinicios Vilaça morreu de falência múltipla de órgãos na Clínica Florença, no bairro das Graças, no Recife. Ocupante da cadeira nº 26 desde 1985, foi presidente da ABL em dois períodos (2006-2007 e 2010-2011) e teve uma trajetória marcante na cultura brasileira e na vida pública. Natural de Nazaré da Mata (PE), Vilaça foi ministro e presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), presidiu a Funarte e a Fundação Pró-Memória, e foi um pensador ativo em debates sobre política cultural.

    Entre suas obras destacam-se Nordeste: Secos & Molhados (1972), O tempo e o sonho (1984), Recife Azul, líquido do céu (1972) e Por uma Política Nacional de Cultura (1984). Sua produção literária começou ainda na juventude, com obras como A Escola e Limoeiro (1958) e Em torno da Sociologia do Caminhão (1961), premiada pela Academia Pernambucana de Letras.

    Marcos Vilaça será cremado, e as cinzas serão jogadas na Praia de Boa Viagem, em Recife, onde já repousam as da esposa, Maria do Carmo, atendendo a um desejo antigo do casal. Eles eram pais do artista plástico e colecionador de arte Marcantônio Vilaça, falecido em 2000.

    Feminismo

    Já Heloisa Teixeira, falecida na sexta-feira (28), foi uma das intelectuais mais influentes da crítica literária brasileira e uma das principais vozes do feminismo no país. Eleita para a ABL em 2023, ela ocupava a cadeira nº 30, sucedendo Nélida Piñon. Morreu no Rio de Janeiro, vítima de complicações de uma pneumonia e insuficiência respiratória aguda.

    Professora, pesquisadora e autora de obras essenciais sobre literatura e gênero, Heloisa foi a décima mulher a integrar a ABL, abrindo ainda mais espaço para a participação feminina em uma das instituições culturais mais tradicionais do país. Atuou também no Conselho Curador da Fundação Roberto Marinho entre 2021 e 2023.

    Em nota, a ABL lamentou a partida de seus membros e exaltou os legados de ambos: “Perdemos duas vozes fundamentais para a cultura brasileira. Suas trajetórias, ideias e contribuições ficarão marcadas na história da Academia e do país”.

    Política

    Marcos Vilaça começou sua trajetória na vida política em 1966, quando se tornou chefe da Casa Civil de Pernambuco no governo Paulo Guerra e, nos anos 1970, comandou secretarias na gestão de Eraldo Gueiros Leite. Foi membro da Arena, seu 1º secretário, depois integrou o PDS e ajudou a fundar o PFL.

    Na década de 1980, presidiu a Legião Brasileira de Assistência e foi nomeado secretário para Assuntos Especiais pelo presidente José Sarney, que também o indicou ao TCU em 1988. No TCU, ampliou as relações internacionais da instituição, firmando acordos de cooperação técnica e cultural que fortaleceram a presença do Brasil em debates globais sobre auditoria.

  • Câmara deve votar projetos de meio ambiente e saúde nesta semana

    Câmara deve votar projetos de meio ambiente e saúde nesta semana

    O Plenário da Câmara deverá analisar, a partir da próxima terça-feira (1º), projetos que tratam de meio ambiente, saúde e outros temas. Um dos principais itens da pauta é o projeto de lei 6969/13, conhecido como Lei do Mar.

    Essa proposta visa estabelecer a Política Nacional para a Gestão Integrada, a Conservação e o Uso Sustentável do Sistema Costeiro-Marinho (PNGCMar). O objetivo é criar diretrizes que conciliem a proteção ambiental com o desenvolvimento sustentável dessas áreas.

    Cúpula da Câmara dos Deputados, obra de Oscar Niemeyer

    Cúpula da Câmara dos Deputados, obra de Oscar NiemeyerLeonardo Sá/Agência Senado

    De iniciativa dos ex-deputados Sarney Filho e Alessandro Molon, o projeto recebeu um parecer preliminar favorável do deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE). A proposta define princípios, metas e ferramentas para a política, como a criação de indicadores de qualidade ambiental baseados em pesquisas científicas e no conhecimento de comunidades tradicionais, além de buscar a melhoria da qualidade de vida das populações costeiras.

    A gestão proposta também inclui o uso de dados de monitoramento para controlar o lançamento de poluentes, como metais pesados e compostos orgânicos persistentes. Em caso de acidentes com petróleo em águas brasileiras, o Plano Nacional de Contingência (PNC) será acionado, com a formação de um grupo de acompanhamento e a aplicação das medidas previstas.

    Segundo Túlio, a proposta não impõe proibições ou autorizações para atividades específicas no litoral, mas sim estabelece uma gestão bem estruturada, com princípios e responsabilidades claramente definidas.

    Não é uma lei que proíbe nada, mas que traz uma série de cuidados e princípios, explicou o deputado, citando os princípios do protetor-recebedor e do poluidor-pagador.

    Crimes ambientais

    Na área de crimes ambientais, outro projeto com potencial para votação é o PL 3339/24, do deputado Gervásio Maia (PSB-PB). Essa proposta busca aumentar a severidade das punições para crimes ambientais e impedir, por um período de cinco anos após condenação definitiva, que indivíduos envolvidos em incêndios florestais ou outras formas de degradação da vegetação firmem contratos com o poder público ou recebam benefícios como incentivos, subsídios ou doações públicas.

    O texto, que conta com parecer preliminar do deputado Patrus Ananias (PT-MG), tem como base o PL 4000/24, de autoria do Poder Executivo. O substitutivo apresentado propõe ainda que impactos que dificultem a prestação de serviços públicos, como queimadas que afetem o tráfego em rodovias ou o funcionamento de aeroportos, sejam considerados como agravantes para todos os tipos de crimes ambientais.

    CNH

    A pauta também inclui a análise de emendas do Senado ao PL 3965/21, do deputado José Guimarães (PT-CE). Esse projeto visa direcionar parte dos recursos provenientes de multas de trânsito para a formação de condutores de baixa renda.

    O relator, deputado Alencar Santana (PT-SP), recomendou a rejeição de todas as emendas, com exceção de uma. Essa emenda específica autoriza os Departamentos de Trânsito (Detrans) a realizarem a transferência eletrônica de veículos por meio de contratos assinados com certificações digitais avançadas ou qualificadas, em conformidade com a Lei 14.063/20.

    A transferência poderá ser realizada tanto pelas plataformas dos Detrans quanto pela plataforma da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). As transferências feitas pela Senatran terão validade em todo o território nacional e deverão ser reconhecidas por todos os Detrans.

    Saúde

    Na área da saúde, outro item a ser votado é o PL 2583/20, que propõe a criação da Estratégia Nacional de Saúde. O projeto, de autoria do deputado Doutor Luizinho (PP-RJ) e outros parlamentares, tem o objetivo de incentivar parcerias com empresas que desenvolvam dispositivos e insumos médico-hospitalares para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS).

    De acordo com o texto, as chamadas Empresas Estratégicas de Saúde (EES) terão prioridade nas compras públicas dos produtos e serviços incluídos no Plano Estratégico em Saúde. Os editais deverão estipular que, mesmo que os preços das EES sejam até 20% superiores ao menor valor oferecido por concorrentes que não se enquadrem como EES, essas empresas ainda assim terão preferência na contratação.

  • Democracia ainda enfrenta ameaças, diz Lula sobre ditadura militar

    Democracia ainda enfrenta ameaças, diz Lula sobre ditadura militar

    Em nota de lembrança sobre a ditadura militar, o presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (31) em suas redes sociais que a democracia ainda enfrenta ameaças no País. O chefe de governo ressaltou que, apesar da democracia ter retornado em 1985, ainda lida com “ameaças autoritárias que, infelizmente, ainda insistem em sobreviver”.

    “Nosso povo, com muita luta, superou os períodos sombrios de sua história”, disse Lula.Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    A manifestação foi publicada no aniversário de 61 anos do golpe militar de 1964. “Hoje é dia de lembrarmos da importância da democracia, dos direitos humanos e da soberania do povo para escolher nas urnas seus líderes e traçar o seu futuro”, escreveu. “E de seguirmos fortes e unidos em sua defesa”, acrescentou.

    Segundo o presidente, “não existe, fora da democracia, caminhos para que o Brasil seja um país mais justo e menos desigual”. Ele citou o processo de redemocratização iniciado em 1985 e destacou o papel da Constituição de 1988 no fortalecimento do regime democrático. “Esta é uma trajetória que, tenho certeza, continuaremos seguindo. Sem nunca retroceder”, concluiu.

    Foi durante a ditadura militar que o presidente Lula se consolidou como liderança sindical. Chegou a ser preso pelo regime em abril de 1980, enquanto liderava uma greve de metalúrgicos no ABC paulista.

  • Deputados cobram redução da taxa de juros durante sessão com Galípolo

    Deputados cobram redução da taxa de juros durante sessão com Galípolo

    Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo.

    Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou nesta terça-feira (1º) de uma sessão especial na Câmara dos Deputados em homenagem aos 60 anos da autoridade monetária. Parlamentares aproveitaram a ocasião para fazer críticas à taxa básica de juros, atualmente fixada em 14,25% ao ano, e pedir sua redução.

    Durante os discursos, o deputado Heitor Schuch (PSB-RS) afirmou que a taxa elevada tem impacto direto no setor da agricultura familiar. Segundo ele, a alta dos juros tem desestimulado a compra de equipamentos. “Semana passada teve a maior feira de agricultura familiar em Rio Pardo e não deu um negócio porque ninguém se atreve a comprar uma máquina, por maior ou menor que seja, pagando 15% de juros”, declarou.

    Schuch também classificou a situação do agronegócio como dramática e sugeriu a ampliação do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

    Leia também: Setores reagem à decisão do Copom de subir juros para 14,25% ao ano

    Já o deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR), um dos formuladores da reforma tributária, considerou a atual taxa inaceitável e defendeu que ela seja reduzida pela metade, para cerca de 7%. Ele argumentou que o país possui uma moeda estável e que a inflação tem se mantido em média em 6% desde o Plano Real. “É inaceitável, presidente Gabriel Galípolo, você seguir a mesma metodologia do Roberto Campos [Neto]. Você foi nomeado pelo presidente Lula”, afirmou.

    Galípolo foi o último a discursar na sessão. Em sua fala, lembrou do histórico inflacionário brasileiro, principalmente entre 1980 e 1994, e destacou o papel do Banco Central na estabilidade econômica. Segundo ele, o debate sobre a política monetária é bem-vindo e deve ser ampliado no debate público. O presidente do BC defendeu que cabe à instituição comunicar suas decisões de forma clara à sociedade.

    Em março, o Banco Central elevou a taxa Selic pela quinta vez consecutiva, atingindo 14,25% ao ano, maior patamar desde 2016. A medida tem como objetivo principal o controle da inflação.

    A sessão contou ainda com a presença de integrantes da diretoria colegiada do Banco Central, além de ex-dirigentes da instituição e representantes do setor financeiro, como o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (CNF), Isaac Sidney (Febraban), Alexandre Tombini (ex-presidente do BC), Marcos Pinto (Ministério da Fazenda) e Felipe Prince (Banco do Brasil).