Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • STF dá andamento ao julgamento do marco civil da internet

    STF dá andamento ao julgamento do marco civil da internet

    O Supremo Tribunal Federal retoma nesta quarta-feira (6) o julgamento sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet. O dispositivo prevê que plataformas só podem ser responsabilizadas por conteúdos de terceiros se descumprirem ordem judicial para removê-los. O caso foi interrompido em 2024, após pedido de vista do ministro André Mendonça, que apresenta seu voto na sessão de hoje.

    Até agora, Dias Toffoli e Luiz Fux consideraram o artigo inconstitucional, enquanto Luís Roberto Barroso propôs uma solução intermediária, com exceções para situações graves. Confira o julgamento:

    O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta (3), o julgamento que discute a validade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. A norma estabelece que plataformas digitais só podem ser responsabilizadas civilmente por danos causados por terceiros quando descumprem uma ordem judicial que determine a retirada do conteúdo ofensivo. O debate começou em dezembro do ano passado e foi interrompido após pedido de vista do ministro André Mendonça, que apresenta seu voto na sessão de hoje.

    O caso é tratado em dois processos com repercussão geral reconhecida. Um deles, relatado pelo ministro Dias Toffoli, trata da exclusão de um perfil falso criado no Facebook. O outro, sob relatoria do ministro Luiz Fux, discute a responsabilização do Google pela manutenção de uma comunidade ofensiva no antigo Orkut. Ambos os recursos questionam se a exigência de decisão judicial prévia para remoção de conteúdo viola a Constituição.

    Até o momento, três ministros já votaram. Toffoli e Fux consideraram o artigo inconstitucional, por entenderem que ele impede uma resposta ágil a violações de direitos fundamentais. O presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, divergiu em parte: manteve a exigência de decisão judicial para certos casos, mas propôs exceções em situações criminais.

    Voto de Dias Toffoli

    Relator do Recurso Extraordinário 1.037.396, o ministro Dias Toffoli entendeu que o artigo 19 do Marco Civil da Internet deve ser considerado inconstitucional. Segundo ele, a exigência de ordem judicial prévia cria um obstáculo jurídico excessivo à tutela dos direitos de personalidade, como a honra, a imagem e a privacidade. Para o ministro, essa regra transfere ao Judiciário uma função que deveria ser compartilhada com as próprias plataformas.

    Toffoli defendeu que notificações extrajudiciais, feitas pelas vítimas ou por seus representantes, devem ser suficientes para obrigar as plataformas a removerem conteúdos ofensivos. Em casos mais graves, como contas falsas, ameaças a direitos fundamentais ou disseminação de desinformação em período eleitoral, propôs que a responsabilização seja objetiva. Nesses cenários, as empresas teriam o dever de agir imediatamente, mesmo sem notificação formal.

    Posição de Luiz Fux

    No Recurso Extraordinário 1.057.258, o ministro Luiz Fux também votou pela inconstitucionalidade do artigo 19. Relator do processo, ele considerou que a norma cria uma “zona de conforto” para as plataformas digitais, ao afastar delas o dever de remover conteúdos ilegais assim que tomam conhecimento da situação. Para Fux, conteúdos que envolvam discurso de ódio, racismo, apologia ao golpe de Estado, pedofilia ou incitação à violência devem ser retirados do ar sem necessidade de ordem judicial.

    Fux afirmou que a responsabilidade das plataformas se impõe quando há ciência inequívoca da ilicitude, seja por evidente gravidade ou por denúncia formal. O ministro defendeu ainda que, nos casos de conteúdos ofensivos contra a honra, a notificação extrajudicial deve ser suficiente para obrigar a retirada. Ele também destacou que publicações impulsionadas ou pagas devem ter sua ilicitude presumida e que as empresas devem criar canais sigilosos para denúncias de usuários.

    Proposta de Luís Roberto Barroso

    O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, apresentou um voto intermediário. Para ele, o artigo 19 é apenas parcialmente inconstitucional. Barroso manteve a exigência de ordem judicial para a remoção de conteúdos nos casos de crimes contra a honra, como injúria, calúnia e difamação. No entanto, afirmou que, em outras situações criminais, a notificação extrajudicial deve bastar.

    Barroso propôs um modelo baseado em três frentes. A primeira é a responsabilização com base em decisão judicial. A segunda prevê a remoção após notificação, em casos como tráfico de pessoas, pornografia infantil e apologia ao terrorismo. A terceira diz respeito a um dever geral de cuidado das plataformas, que inclui a implementação de mecanismos para evitar a disseminação de conteúdos extremamente graves. Nesses casos, a responsabilização só ocorre em caso de falha sistêmica, como omissões generalizadas na moderação ou falhas de algoritmo.

    O ministro também sugeriu que, quando o conteúdo ilícito for impulsionado por publicidade paga, a ciência da plataforma seja presumida desde a aprovação do anúncio. Nessas situações, a empresa poderá ser responsabilizada independentemente de notificação ou decisão judicial.

    Casos concretos

    Os dois recursos discutem situações distintas, mas com temas convergentes. No processo relatado por Toffoli, uma mulher ajuizou ação após descobrir um perfil falso com seu nome e imagem no Facebook. A Justiça determinou a exclusão do perfil, mas inicialmente negou o pedido de indenização. A decisão foi reformada, e o Facebook recorreu ao STF.

    No caso relatado por Fux, o Google foi condenado a remover uma comunidade no Orkut que continha mensagens ofensivas a uma usuária. Mesmo notificado, o conteúdo permaneceu no ar, o que levou à condenação por danos morais. O STF analisa se a empresa pode ser responsabilizada sem a existência de ordem judicial prévia.

  • Interpol inclui Zambelli em lista de foragidos internacionais

    Interpol inclui Zambelli em lista de foragidos internacionais

    A deputada Carla Zambelli (PL-SP) teve seu nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, a pedido da Polícia Federal e por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O alerta internacional, que visa à localização e prisão de foragidos, foi acionado após a parlamentar deixar o Brasil dias depois de ser condenada a 10 anos de prisão.

    Carla Zambelli é a sétima brasileira a integrar atualmente a lista de procurados da Interpol.

    Carla Zambelli é a sétima brasileira a integrar atualmente a lista de procurados da Interpol.Arte Congresso em Foco

    Com a inclusão, Zambelli se torna a sétima brasileira e a mais recente figura pública a integrar a lista vermelha da organização internacional, que atualmente reúne 72 cidadãos brasileiros, sendo 65 homens e sete mulheres, procurados por crimes que variam de tráfico internacional de drogas a homicídio qualificado e tortura.

    A deputada foi condenada pelo STF em maio por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o próprio Moraes, no Banco Nacional de Mandados de Prisão. Após a decisão da Primeira Turma, Zambelli deixou o país pela fronteira com a Argentina, na região de Foz do Iguaçu. Segundo sua assessoria, ela se encontrava na Flórida, nos Estados Unidos, na manhã de quarta-feira (4). Não há informações sobre o paradeiro dela nesta quinta-feira.

    Prisão preventiva

    A deputada afirmou que se mudaria para a Itália, por ter cidadania italiana. De acordo com ela, esse fato impede eventual extradição dela. Juristas, no entanto, divergem dessa interpretação. A avaliação é de que a cidadania europeia pode dificultar uma eventual prisão da parlamentar, mas não a impede de ocorrer.

    Ainda na quarta, Moraes atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e determinou a prisão preventiva da parlamentar, além do bloqueio do pagamento de contas, salários e outras verbas da Câmara.

    Em nota, Zambelli criticou a decisão e classificou-a como “monocrática”, afirmando que recorrerá em fóruns internacionais. “Essa perseguição política está apenas começando a ser exposta”, declarou.

    O ministro Alexandre de Moraes abriu novo inquérito para investigar a fuga dela do país.

    Como funciona a difusão vermelha

    A difusão vermelha da Interpol não é um mandado de prisão internacional, mas um alerta dirigido às autoridades policiais dos 196 países-membros da organização. O aviso solicita colaboração internacional para localizar e prender provisoriamente o indivíduo enquanto se aguardam procedimentos de extradição, entrega ou outras medidas legais.

    Cada país decide, com base em sua legislação interna, se cumpre ou não o pedido de prisão. Muitos dos avisos são restritos ao uso policial, mas, em casos considerados de interesse público ou segurança, podem ser publicados. Atualmente, há 6.569 difusões vermelhas públicas em circulação.

    Negativas para outros bolsonaristas

    Embora a inclusão de Zambelli tenha sido aceita, pedidos semelhantes relacionados a outras figuras do bolsonarismo foram negados pela Interpol nos últimos anos. Foi o caso dos blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, ambos alvos de mandados de prisão expedidos por Moraes.

    No caso de Allan dos Santos, que vive nos Estados Unidos desde 2020, a Interpol solicitou informações complementares, julgando pouco claras as acusações de lavagem de dinheiro apresentadas inicialmente. Em dezembro de 2022, a organização decidiu não incluir o nome do influenciador na lista vermelha.

    Quanto a Oswaldo Eustáquio, o pedido foi rejeitado em 2023. Segundo a Polícia Federal, a negativa ocorreu porque Eustáquio havia solicitado refúgio ou asilo político em outro país, o que impede a inclusão do nome na lista vermelha, conforme as normas da Interpol.

  • Câmara formaliza licença de 127 dias para Carla Zambelli

    Câmara formaliza licença de 127 dias para Carla Zambelli

    A Câmara dos Deputados autorizou uma licença de 127 dias para a deputada Carla Zambelli (PL-SP), dividida entre sete dias para tratamento de saúde e 120 dias por interesse particular. O afastamento foi publicado em edição extra do Diário da Câmara e já está em vigor desde 29 de maio.

    A deputada Carla Zambelli (PL-SP), agora de licença.

    A deputada Carla Zambelli (PL-SP), agora de licença.Gabriela Biló/Folhapress

    Zambelli foi condenada a dez anos de prisão e à perda do mandato por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após o julgamento, ela deixou o Brasil e anunciou que se refugiaria na Itália, onde possui cidadania.

    Ordem de prisão e inclusão na lista da Interpol

    A decisão da Câmara foi formalizada antes da ordem de prisão preventiva emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quarta-feira (4). O nome de Zambelli foi incluído na lista vermelha da Interpol, o que pode levar à sua prisão fora do país.

    Segundo Moraes, o pedido da Procuradoria-Geral da República se justifica porque a deputada deixou o país após a condenação. O bloqueio do salário de Zambelli também foi solicitado pelo Supremo.

    Parlamentar alega perseguição

    Em nota divulgada na internet, Zambelli alegou estar sendo vítima de perseguição política. “Denunciarei esse abuso e essa escalada autoritária em todos os fóruns internacionais possíveis”, afirmou. Ela também criticou o fato de a decisão ter sido tomada individualmente por um ministro do STF.

    Com o afastamento, quem assume temporariamente o mandato é o deputado Coronel Tadeu (PL-SP). A Câmara informou que ainda não foi notificada oficialmente sobre os demais efeitos da decisão do Supremo.

  • Prêmio Congresso em Foco vai escolher parlamentares revelação de 2025

    Prêmio Congresso em Foco vai escolher parlamentares revelação de 2025

    Deputados federais e senadores em início de mandato terão uma oportunidade inédita de reconhecimento nacional em 2025. A categoria Parlamentar Revelação, incluída na edição deste ano do Prêmio Congresso em Foco, vai distinguir os estreantes que mais se destacaram no exercício do cargo nessa legislatura mais recente.

    O prêmio será entregue a três congressistas, que podem ser da Câmara ou do Senado. Os vencedores serão escolhidos por um júri técnico, com base em critérios de mérito.

    A categoria Parlamentar Revelação é uma das novidades desta edição.

    A categoria Parlamentar Revelação é uma das novidades desta edição.Arte/ Congresso em Foco

    Ao destacar novatos com boa performance, o Prêmio Congresso em Foco busca estimular uma nova geração de políticos comprometidos com a ética, a democracia e o interesse público. A nova categoria é, ao mesmo tempo, um termômetro e um incentivo para quem está começando no Parlamento brasileiro.

    Conheça aqui a página oficial do Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Novas regras

    A 18ª edição do Prêmio Congresso em Foco marca uma reformulação completa da premiação mais importante da política brasileira, com a inclusão de novas categorias e maior representatividade. A cerimônia de premiação está marcada para 20 de agosto, em Brasília, no Teatro Nacional Claudio Santoro, com transmissão ao vivo pelos canais oficiais do site Congresso em Foco.

    Criado para valorizar o bom desempenho parlamentar, o prêmio se consolidou como um dos eventos mais respeitados no calendário político nacional. A nova categoria dedicada a parlamentares novatos reforça esse objetivo: incentivar a excelência legislativa no Congresso, já desde os primeiros anos de atuação.

    Para concorrer, o parlamentar precisa cumprir uma série de requisitos:

    • Ter exercido o mandato por pelo menos 60 dias até 31 de maio de 2025.
    • Não ter condenações criminais transitadas em julgado, nem condenações definitivas por improbidade administrativa.
    • Não estar respondendo a processos judiciais por violência doméstica, racismo, homofobia ou crimes contra o Estado Democrático de Direito.
    • Não ter histórico, por atos públicos ou declarações, de apologia à violência ou a práticas incompatíveis com a democracia e direitos fundamentais.

    Leia aqui o regulamento do Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Categorias repaginadas

    O Prêmio Congresso em Foco entra no ano de 2025 com uma lista renovada de modalidades, mas sem esquecer o modelo já consagrado. As categorias tradicionais Melhores na Câmara e Melhores no Senado seguem em realização, e serão definidas tanto pela análise do júri quanto pela votação popular na internet, que anualmente mobiliza as redes sociais dos parlamentares.

    Outras premiações temáticas também farão parte da cerimônia, todas atribuídas com base em avaliação técnica pelo júri:

    • Direitos Humanos e Cidadania
    • Inovação e Tecnologia
    • Agricultura e Desenvolvimento Rural
    • Desenvolvimento Sustentável e Clima
    • Regulação e Acesso à Saúde
    • Diplomacia Cidadã
    • Incentivo à Cultura
    • Apoio ao Comércio, Indústria e Serviços
    • Acesso à Justiça

    A votação popular será de 23 de junho a 20 de julho. O Prêmio também manterá a tradicional votação dos melhores pela imprensa, realizada por um colégio eleitoral de jornalistas com cerca de uma dezena de veículos jornalísticos atuantes no Congresso Nacional. A votação será secreta.

    O júri técnico, por sua vez, será composto por representantes da academia, do setor produtivo, de organizações da sociedade civil e da equipe do Congresso em Foco. Esses jurados avaliarão critérios objetivos e qualitativos da atuação parlamentar.

    A lista com os finalistas da votação popular será divulgada no dia 1º de agosto. A cerimônia de entrega dos prêmios ocorrerá 19 dias depois.

  • Congresso não se comprometeu a aprovar “calibragem” do IOF, diz Hugo

    Congresso não se comprometeu a aprovar “calibragem” do IOF, diz Hugo

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta segunda-feira (9) que o Congresso Nacional não se comprometeu a aprovar a medida provisória que o governo Lula vai publicar para compensar a alta no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

    “Não há do Congresso, é importante aqui registrar, o compromisso de aprovar essas medidas que vêm na medida provisória” explicou Hugo no evento Agenda Brasil, organizado pelos jornais O Globo e Valor Econômico. “A medida provisória será enviada apenas para que, no ponto de vista contábil, não se tenha que aumentar o contingenciamento [de verbas no orçamento federal]”.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende um debate

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende um debate “estruturante” das contas públicas.Mateus Bonomi/Agif/Folhapress

    MP deve ser o início do debate

    O anúncio da medida provisória foi feito na noite deste domingo (8), na saída de uma reunião do presidente da Câmara com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e líderes partidários. A ideia foi de buscar uma solução que compensasse o decreto publicado pelo governo Lula que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), recebido com resistência pelo Congresso.

    Na saída da reunião, Haddad anunciou uma série de medidas para uma “calibragem” da arrecadação, a serem publicadas em medida provisória, compensando a retirada do decreto:

    • fim da isenção de Imposto de Renda para títulos de renda fixa como LCI e LCA, com alíquota de 5%;
    • aumento da taxação das apostas esportivas de 12% para 18%;
    • corte de 10% nos gastos tributários;
    • revisão do risco sacado, que afeta pequenas empresas;
    • unificação das alíquotas da CSLL sobre instituições financeiras.

    As medidas provisórias são atos do governo que entram em vigor imediatamente, mas que perdem a validade depois de 120 dias se não forem aprovados pelo Congresso. A declaração de Hugo Motta indica que a “MP da compensação” não é um texto a ser aceito como definitivo pelo Congresso, mas antes um instrumento que vai 1) ajustar as contas em 2025, de forma provisória, e 2) servir como impulso para um debate mais amplo de ajuste fiscal.

    “A medida provisória vem para que possamos discutir os efeitos daquilo que está sendo trazido pelo governo” disse Hugo. “E o Congresso terá o tempo de debate para avaliar quais dessas medidas deverá ser levada em consideração.”

    Debate “estruturante”

    O presidente da Câmara reiterou no evento que seguirá defendendo um debate “estruturante” para as contas públicas. Segundo ele, a tensão com o decreto do IOF serviu para trazer o governo a esse terreno, para que a discussão também se volte para o controle dos gastos públicos e não apenas ao aumento da arrecadação.

    “Há um esgotamento no país sobre essas medidas [de aumento de arrecadação]”, disse Hugo. Segundo ele, o governo federal hoje está “admitindo fazer o debate do corte das isenções fiscais”.

  • Mercado aumenta projeção do PIB de 2025 para 2,18%

    Mercado aumenta projeção do PIB de 2025 para 2,18%

    O mercado financeiro melhorou as expectativas para o crescimento da economia brasileira e para a inflação em 2025, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (9). O relatório indica que hoje os analistas esperam uma alta de 2,18% no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e uma alta de 5,44% no IPCA, índice do IBGE considerado como inflação oficial.

    Há uma semana, os números eram de 2,13% e de 5,46%, respectivamente – ou seja, houve alta na estimativa para o PIB e baixa na de inflação. A previsão para o IPCA, porém, ainda indica um resultado foram da meta fiscal, que tem seu teto em 4,5%.

    Previsões do Focus para o PIB e a inflação em 2025 são mais otimistas que as da semana anterior.

    Previsões do Focus para o PIB e a inflação em 2025 são mais otimistas que as da semana anterior.Saulo Angelo/Thenews2/Folhapress

    O Focus é um relatório divulgado periodicamente com estimativas de analistas do mercado financeiro para os principais números da economia. Como a frequência do boletim é semanal, as variações tendem a ser de pequena magnitude.

    O relatório manteve as previsões da semana anterior a respeito do dólar (R$ 5,80) e da taxa Selic (14,75% ao ano) para o final de 2025.

  • Ramagem acusa PF de ocultação de provas e de induzir PGR ao erro

    Ramagem acusa PF de ocultação de provas e de induzir PGR ao erro

    O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) acusou a Polícia Federal (PF) de omitir informações relevantes e de induzir a Procuradoria-Geral da República (PGR) ao erro em sua investigação. Réu no processo que apura tentativa de golpe de Estado, ele prestou depoimento nesta segunda-feira (9) ao Supremo Tribunal Federal (STF), dentro da fase final de instrução da ação penal que investiga aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro .

    “Eu venho trazer para os senhores uma questão que eu acredito que, aparentemente, a Polícia Federal induziu a erro a PGR e esse órgão, essa primeira turma do STF”, disse Ramagem durante seu interrogatório. Segundo o deputado, a única mensagem que ele de fato encaminhou ao então presidente Bolsonaro foi um vídeo público de uma audiência no STF sobre testes de segurança nas urnas eletrônicas.

    Ex-diretor da Abin sustenta que única mensagem enviada a Bolsonaro tratava de audiência pública no STF sobre segurança eleitoral.

    Ex-diretor da Abin sustenta que única mensagem enviada a Bolsonaro tratava de audiência pública no STF sobre segurança eleitoral.Fellipe Sampaio/STF

    Ramagem contestou a inclusão no relatório da PF de um documento com conteúdo crítico ao sistema eleitoral, citado como prova de tentativa de ataque às urnas. “Essa mensagem que está aqui, ela está no relatório (…). Eu expliquei na Polícia Federal (…). Isso aqui é ipsis litris, literal, de um vídeo de uma audiência aqui no pleno do Supremo Tribunal Federal”, afirmou. Para ele, houve manipulação do conteúdo ao omitir que o vídeo estava disponível publicamente e se tratava de uma sessão institucional do STF.

    Ainda segundo o deputado, o documento “Presidente TSE informa.docx”, citado pela PF como mensagem enviada a Bolsonaro, era apenas uma anotação pessoal. “Esse é um arquivo exclusivo meu, é um arquivo de diversas anotações, uma atrás da outra”, declarou. Questionado sobre trechos do texto que sugerem fraude nas eleições de 2018, Ramagem disse que se tratava de uma “desconfiança privada” e negou ter encaminhado o conteúdo a terceiros.

    Durante o depoimento, o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, questionou o deputado sobre provas da alegada fraude eleitoral. Ramagem respondeu: “Não, e mais? O que eu quero colocar, senhor ministro, é que colocam que eu estava construindo uma mensagem (…). Eu não estava construindo nada novo, eu não estava levando ao conhecimento nada novo”. Ele afirmou que as ideias expressas eram reflexo de debates já existentes e citou a própria denúncia da PGR, segundo a qual Bolsonaro iniciou seus ataques ao sistema eleitoral ainda em 2018.

    Ramagem também negou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sob sua gestão, tenha realizado qualquer operação de inteligência para apurar ou comprovar fraudes nas urnas eletrônicas. “Toda essa questão é uma questão…” afirmou, deixando a frase incompleta após longa exposição sobre a natureza dos documentos e sua interpretação pela PF.

  • Venda de remédios em supermercados será tema de audiência no Senado

    Venda de remédios em supermercados será tema de audiência no Senado

    A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado realiza, na quarta-feira (11), às 14h, audiência pública para discutir a liberação da venda de medicamentos sem prescrição médica em supermercados.

    O debate foi proposto pelo senador Humberto Costa (PT-PE), relator do projeto de lei 2.158/2025. De autoria do senador Efraim Filho (União-PB), o texto autoriza a comercialização de remédios isentos de receita médica fora de farmácias.

    Requerimento motivou audiência no Senado sobre liberação da venda de medicamentos em mercados.

    Requerimento motivou audiência no Senado sobre liberação da venda de medicamentos em mercados.Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    Entre os convidados para a audiência estão o presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter da Silva Jorge João, e a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição, Cibele Zanotta.

    Também devem participar o representante da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias, Sergio Mena Barreto, o advogado Cacito Augusto Esteves, o economista Ivo Bucaresky e um representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Essa será a segunda audiência promovida pela comissão sobre o tema. Em 27 de maio, especialistas e representantes do setor se dividiram quanto aos efeitos do projeto. Os defensores alegaram que a medida amplia o acesso da população aos medicamentos e pode reduzir preços. Os críticos alertaram para os riscos de intoxicação e o impacto sobre os serviços públicos de saúde.

  • Comissão aprova projeto que retira preferência da Petrobras no pré-sal

    Comissão aprova projeto que retira preferência da Petrobras no pré-sal

    A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado aprovou, nesta terça-feira (10), o projeto de lei 3.178/2019, que revoga o direito de preferência da Petrobras nos leilões de blocos do pré-sal sob o regime de partilha. A proposta segue agora para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

    O texto, de autoria do ex-senador José Serra e relatado pelo senador Marcos Rogério (PL-RO), transfere ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) a responsabilidade de decidir, caso a caso, se a exploração de petróleo ocorrerá sob o modelo de partilha ou de concessão.

    Exploraçãodo pré-sal pode seguir novos critérios com a mudança na legislação.

    Exploraçãodo pré-sal pode seguir novos critérios com a mudança na legislação.

    Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Segundo Marcos Rogério, o projeto corrige distorções e aumenta a competitividade nos leilões. “Trata-se de transformar petróleo enterrado em riqueza de fato”, afirmou.

    A medida altera a lei 12.351/2010, que garantia à Petrobras participação mínima de 30% nos consórcios e o direito de operar os blocos licitados, mesmo sem apresentar a melhor oferta.

    Para o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), a mudança representa avanço estratégico e econômico. Ele defendeu que o Brasil possui tecnologia suficiente para garantir a exploração com segurança ambiental. “O projeto melhora o que tem sido feito, para que possamos partilhar a riqueza do petróleo com mais equilíbrio”, disse.

    O projeto também estabelece que o CNPE, com apoio técnico da Agência Nacional do Petróleo (ANP), defina o modelo mais vantajoso para cada área, com base em critérios geológicos, econômicos e sociais.

    Marcos Rogério destacou que as últimas rodadas sob o regime de partilha tiveram baixa adesão. Para ele, a mudança pode atrair mais investimentos e impulsionar a exploração do pré-sal, especialmente na Margem Equatorial.

    “Estamos destravando um tema essencial ao desenvolvimento nacional”, concluiu o relator.

  • Israel decide deportar ativista brasileiro, informa advogada à família

    Israel decide deportar ativista brasileiro, informa advogada à família

    O governo de Israel reviu sua posição e decidiu deportar os oito ativistas pró-palestinos detidos ao tentarem levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza a bordo de uma embarcação. Entre eles está o brasileiro Thiago Ávila, coordenador da chamada Coalizão Flotilha da Liberdade, que se recusou a assinar os termos de deportação propostos pelas autoridades israelenses. A informação foi repassada à família de Thiago por representantes da Adalah, organização de direitos humanos responsável por sua defesa. Em contato nesta manhã com a família do brasiliense, a advogada da entidade que cuida do caso dele afirmou que os presos não precisarão assinar os termos impostos por Israel para serem liberados.

    Ativistas de coalizão foram detidos no último domingo por forças israelenses. Desde então, oito dos 12 militantes que estavam no barco estão presos.

    Ativistas de coalizão foram detidos no último domingo por forças israelenses. Desde então, oito dos 12 militantes que estavam no barco estão presos.Reprodução/Instagram

    O grupo foi levado para a prisão de Givon, na cidade de Ramla, após a interceptação da embarcação Madleen pela marinha israelense. Dos 12 ativistas originalmente a bordo, quatro aceitaram a deportação e já retornaram a seus países, incluindo a ativista climática Greta Thunberg. Os outros oito se recusaram a admitir que cometeram qualquer crime ao navegarem rumo ao enclave palestino. Em protesto, Thiago iniciou uma greve de fome nessa terça-feira (10).

    Termos para deportação

    “Eles disseram que não vão assinar porque entendem que não cometeram o crime que Israel está tentando imputar a eles. Estavam apenas levando ajuda humanitária para Gaza”, declarou ao Congresso em Foco o pai de Thiago, Ivo de Araújo Oliveira Filho. Segundo ele, o grupo está unido: “Ninguém aceitará a deportação individualmente se não for para todos”.

    As entidades que apoiam a Flotilha sustentam que a embarcação estava em águas internacionais no momento da abordagem pelas forças israelenses, o que torna a detenção ilegal, segundo os ativistas. Eles levavam mantimentos e medicamentos para moradores da Faixa de Gaza.

    Na segunda-feira (horário de Brasília), os oito militantes que permanecem detidos chegaram a ser levados ao aeroporto de Tel Aviv, onde deveriam assinar os termos de deportação. Segundo a família, os interrogatórios individuais geraram preocupação com o paradeiro de alguns dos companheiros. A saída dos quatro primeiros ativistas, incluindo Greta, já estava planejada como parte da estratégia de comunicação do grupo.

    “A ideia era que esses quatro, por serem influenciadores, deixassem Israel para contar ao mundo o que ocorreu lá”, explicou Lara Souza, psicóloga e esposa de Thiago.

    O prazo padrão para deportações em Israel é de até 72 horas após a detenção, o que indica que Thiago e os demais podem deixar o país até quinta-feira (12). A família, no entanto, segue apreensiva com o destino do brasileiro, já que ele exerce papel de liderança na coalizão.

    Bloqueio israelense

    A Flotilha da Liberdade, da qual Thiago é um dos coordenadores, surgiu em 2010 como uma iniciativa internacional de desobediência civil contra o bloqueio israelense à Faixa de Gaza. Organizada por uma rede de entidades civis de diferentes países, a flotilha opera sem vínculo com partidos ou governos. Seu objetivo é chamar atenção global para as restrições impostas à população palestina e pressionar por sua suspensão com base no direito internacional humanitário.

    Mais do que transportar ajuda simbólica, como medicamentos, alimentos e itens infantis, as missões visam expor o bloqueio como uma forma de punição coletiva. A escolha dos tripulantes e das embarcações tem, muitas vezes, um forte componente simbólico. É o caso do barco Madleen, nome que homenageia a única mulher pescadora de Gaza, figura que, segundo os organizadores, encarna a resistência diária das mulheres sob o cerco israelense.

    A presença de ativistas de países como França, Alemanha, Holanda, Suécia, Espanha e Turquia ampliou a dimensão diplomática da iniciativa. Ao reunir cidadãos de diversas nacionalidades, os organizadores esperam constranger Israel e forçar a comunidade internacional a se posicionar.

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