Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • STF confirma restrição a candidatos que não prestaram contas no prazo

    STF confirma restrição a candidatos que não prestaram contas no prazo

    O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quinta-feira (15) para confirmar uma regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): candidatos em eleições precisam apresentar a prestação de contas das respectivas campanhas no prazo legal para poderem estar quites com a Justiça eleitoral. Sem isso, eles não podem registrar candidatura para a eleição seguinte.

    Ação protocolada pelo PT questionou regra para descumprimento do prazo de prestação de contas nas eleições.

    Ação protocolada pelo PT questionou regra para descumprimento do prazo de prestação de contas nas eleições.Rubens Cavallari/Folhapress

    O julgamento se refere a uma ação proposta pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra a resolução do TSE. O partido sustenta que a regra é inconstitucional e estabelece uma penalidade desproporcional. Como parâmetro, a legenda trouxe um exemplo: partidos políticos que estão inadimplentes com a Justiça têm os seus repasses financeiros suspensos, enquanto os parlamentares eleitos ficam impedidos de obter a quitação eleitoral até o término do mandato, inviabilizando a eleição seguinte.

    O relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, defendeu a resolução. O ministro argumentou que a resolução não cria uma nova hipótese de inelegibilidade, mas só condiciona o registro de candidatura ao cumprimento do prazo para a prestação de contas. Segundo ele, a prestação é essencial para a transparência do processo eleitoral e previne abuso de poder econômico e práticas como o “caixa 2”. Também disse que um candidato não fica impedido de registrar sua candidatura se tiver as contas reprovadas, mas apenas se não fizer a entrega no prazo, e que a regra é de conhecimento prévio de partidos e candidatos.

    O relator foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. O julgamento foi suspenso, faltando os votos da ministra Cármen Lúcia, que é presidente do TSE, e do ministro Gilmar Mendes.

  • AGU deve investigar mais quatro entidades por fraudes no INSS

    AGU deve investigar mais quatro entidades por fraudes no INSS

    O Advogado-Geral da União, Jorge Messias, informou nesta sexta-feira (16) que outras quatro entidades sindicais devem ser incluídas no processo por fraudes envolvendo descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Na última semana, a Advocacia-Geral da União (AGU) bloqueou R$ 2,56 bilhões de 12 entidades sindicais.

    Advogado-Geral da União, Jorge Messias.

    Advogado-Geral da União, Jorge Messias.Renato Menezes/Ascom AGU

    A medida foi justificada pelo órgão como “mitigação dos danos e meio de racionalizar a atuação administrativa e judicial” diante das entidades. “Houve um recorte, realizado pelo INSS, apontando que pesam sobre as entidades rés fortes indícios de terem sido criadas com o único propósito de praticar a fraude (entidade de fachada), com sua constituição utilizando “laranjas”, bem como terem fortes indícios de pagamento de vantagem indevida a agentes públicos para autorizarem os descontos indevidos”, aponta a AGU.

    Veja abaixo quais foram as entidades bloqueadas e quanto receberam em 2024:

    1. Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (AMBEC) – R$ 231,3 milhões
    2. Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (AAPEN) – R$ 178,6 milhões
    3. União Nacional de Auxílio aos Servidores Públicos (UNASPUB) – R$ 141,5 milhões
    4. Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) – R$ 132,8 milhões
    5. Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (CEBAP) – R$ 131,6 milhões
    6. Caixa de Assistência aos Aposentados e Pensionistas (CAAP) – R$ 127,9 milhões
    7. Universo Associação dos Aposentados e Pensionistas dos Regimes Geral da Previdência Social (AAPPS UNIVERSO) – R$ 81,7 milhões
    8. Associação de Proteção e Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (APDAP PREV) – R$ 76,8 milhões
    9. Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB) – R$ 64,6 milhões
    10. Associação no Brasil de Aposentados e Pensionistas da Previdência Social (AP BRASIL) – R$ 37,5 milhões
    11. Associação Brasileira dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (ASBRAPI) – menos de R$ 15 milhões
    12. Associação de Suporte Assistencial e Beneficente para Aposentados Servidores e Pensionistas do Brasil (ASABASP) – menos de R$ 15 milhões

    Conforme Jorge Messias, existe um grande volume de entidades suspeitas que começaram a atuar em 2019, com o propósito de fraudar. A Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU), revelou que, de 2019 a 2023, houve R$ 6,3 bilhões em descontos no INSS. Há suspeita de irregularidades na maior parte dos descontos.

    “Com os dados que os aposentados, que estão colaborando conosco neste momento, estão nos repassando, nós temos condições e elementos de buscar mais bens de outras entidades que também estariam, potencialmente, envolvidas nesta fraude”, disse o ministro à Agência Brasil.

    Até o momento, mais de 1 milhão de beneficiários do INSS já contestaram descontos não autorizados feitos por entidades associativas em seus benefícios. Segundo balanço divulgado pelo INSS nessa quinta-feira (15), 1.051.238 segurados registraram solicitações de reembolso por meio da plataforma Meu INSS ou pelo telefone 135. Outros 17.963 afirmaram que os descontos foram autorizados.

  • STF começa a ouvir testemunhas em ação sobre tentativa de golpe

    STF começa a ouvir testemunhas em ação sobre tentativa de golpe

    Ex-comandante do Exército, Freire Gomes ameaçou prender Bolsonaro caso ele levasse ideia de golpe adiante.

    Ex-comandante do Exército, Freire Gomes ameaçou prender Bolsonaro caso ele levasse ideia de golpe adiante.Gabriela Biló /Folhapress

    O Supremo Tribunal Federal (STF) começa, nesta segunda-feira (19), a fase de oitivas das testemunhas de acusação e defesa no processo que apura a tentativa de golpe de Estado atribuída pela Procuadoria-Geral da República ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a aliados após as eleições de 2022. Ao todo, 82 testemunhas serão ouvidas até 2 de junho, por videoconferência, no processo que envolve o chamado núcleo 1 da trama golpista.

    Entre os depoentes desta segunda-feira, indicados pela PGR, estão:

    • General Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, apontado como peça-chave na resistência à tentativa de golpe. Ele teria ameaçado prender Bolsonaro após este sugerir a adesão das Forças Armadas ao plano golpista;
    • Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal, afastado do cargo após os atos de 8 de janeiro e posteriormente inocentado pela PGR;
    • Eder Lindsay Magalhães Balbino, empresário que teria ajudado o PL a produzir estudo para desacreditar as urnas eletrônicas;
    • Clebson Ferreira de Paula Vieira, servidor do Ministério da Justiça na gestão de Anderson Torres, que teria presenciado uso indevido da PRF no segundo turno da eleição;
    • Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de inteligência da Polícia Rodoviária Federal.

    Quem será ouvido nos próximos dias

    A agenda de depoimentos inclui generais, governadores, ministros, parlamentares e figuras estratégicas do governo Bolsonaro. Entre os destaques estão:

    21 de maio:

    • Carlos Baptista Júnior, tenente-brigadeiro do ar e comandante da FAB em 2022, teria presenciado Bolsonaro sugerir adesão ao golpe.

    23 de maio:

    • Senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente, testemunha de defesa de Bolsonaro e outros militares;
    • Almirante Marcos Sampaio Olsen, atual comandante da Marinha, testemunha de defesa do ex-comandante Almir Garnier.

    26 de maio:

    • Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde, testemunha de defesa do general Braga Netto.

    29 de maio:

    • Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, indicados por Anderson Torres.

    30 de maio:

    • Senadores Ciro Nogueira, Eduardo Girão, Espiridião Amin;
    • Deputados Eduardo Pazuello e Sanderson, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, todos como testemunhas de Bolsonaro;
    • Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ex-ministro e aliado direto de Bolsonaro.

    2 de junho:

    • Senador Rogério Marinho, como testemunha de defesa de Braga Netto.

    O que está em jogo

    Os depoimentos fazem parte do processo penal aberto contra os oito integrantes do núcleo central da chamada trama golpista, que teve a denúncia aceita por unanimidade em março pela 1ª Turma do STF. São eles:

    • Jair Bolsonaro
    • Walter Braga Netto
    • Augusto Heleno
    • Anderson Torres
    • Alexandre Ramagem
    • Paulo Sérgio Nogueira
    • Almir Garnier
    • Mauro Cid

    Eles respondem por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros. As penas podem ultrapassar 30 anos de prisão em caso de condenação.

    STF julga denúncia contra núcleo militar; veja quem pode virar réu

    As audiências são conduzidas por juízes auxiliares do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e serão realizadas por videoconferência, com participação do Ministério Público e das defesas. As gravações não podem ser divulgadas, nem registradas pela imprensa.

    Ao final das oitivas, Moraes deve marcar os interrogatórios dos réus, última etapa antes do julgamento final, que será realizado pela 1ª Turma do STF. A expectativa é que a decisão sobre absolvição ou condenação ocorra ainda neste ano.

  • Câmara instala nesta terça comissão para discutir regulação da IA

    Câmara instala nesta terça comissão para discutir regulação da IA

    A Câmara dos Deputados instala nesta terça-feira (20) a Comissão Especial sobre Inteligência Artificial, que terá como principal missão analisar e debater o Projeto de Lei 2338/2023, do Senado, que trata da regulamentação do uso da inteligência artificial (IA) no Brasil. A reunião de instalação está marcada para as 14 horas, no Plenário 14.

    Luísa Canziani adiantou ao Congresso em Foco que a Câmara deverá dar novo enfoque às discussões.

    Luísa Canziani adiantou ao Congresso em Foco que a Câmara deverá dar novo enfoque às discussões.Zeca Ribeiro/Agência Câmara

    Após a abertura oficial dos trabalhos, os deputados elegerão o presidente e os vice-presidentes da comissão. O colegiado será formado por 33 membros titulares e 33 suplentes, refletindo a relevância estratégica do tema para o futuro da legislação tecnológica no país.

    A presidência ficará com a deputada Luísa Canziani (PSD-PR), enquanto a relatoria será do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Em entrevista ao Congresso em Foco, Luísa adiantou que a Câmara deverá mudar o enfoque dado pelo Senado. A deputada é secretária-geral da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo.

    Projeto nasceu de comissão de juristas

    O PL 2338/23, de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado, é resultado do trabalho de uma comissão de juristas criada especificamente para formular diretrizes sobre o uso ético e responsável da inteligência artificial no Brasil.

    O texto traz propostas para estabelecer princípios, direitos e deveres no desenvolvimento e aplicação de sistemas de IA, com atenção especial à proteção de direitos fundamentais, segurança jurídica, transparência, governança algorítmica e responsabilização de agentes públicos e privados.

    Veja quem serão os titulares da comissão especial:

    Adriana Ventura (Novo-SP)

    Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)

    Alfredo Gaspar (União-AL)

    Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ)

    Bia Kicis (PL-DF)

    Camila Jara (PT-MS)

    Caroline de Toni (PL-SC)

    Celso Russomanno (Republicanos-SP)

    David Soares (União-SP)

    Dimas Fabiano (PP-MG)

    Dorinaldo Malafaia (PDT-AP)

    Fábio Teruel (MDB-SP)

    Fausto Pinato (PP-SP)

    Gilberto Nascimento (PSD-SP)

    Glaustin da Fokus (Podemos-GO)

    Gustavo Gayer (PL-GO)

    Hildo Rocha (MDB-MA)

    Jadyel Alencar (Republicanos-PI)

    Jandira Feghali (PCdoB-RJ)

    Kim Kataguiri (União-SP)

    Lafayette de Andrada (Republicanos-MG)

    Lucas Ramos (PSB-PE)

    Luisa Canziani (PSD-PR)

    Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)

    Mario Frias (PL-SP)

    Mendonça Filho (União-PE)

    Nikolas Ferreira (PL-MG)

    Pedro Uczai (PT-SC)

    Pezenti (MDB-SC)

    Reginaldo Lopes (PT-MG)

    Saulo Pedroso (PSD-SP)

    Vitor Lippi (PSDB-SP)

    Zeca Dirceu (PT-PR)

    Deputado da federação Psol-Rede (não indicado ainda)

  • PGR: oficiais do Exército agiram “concretamente” por golpe de Estado

    PGR: oficiais do Exército agiram “concretamente” por golpe de Estado

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta terça-feira (20) que a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceite a denúncia contra 12 integrantes do chamado “núcleo 3” do plano golpista articulado em 2022. O grupo é composto por 11 militares de alta patente do Exército e um agente da Polícia Federal, acusados de participar das ações táticas da tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

    Durante o julgamento, a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio Marques afirmou que os investigados agiram de maneira concreta para implementar o golpe e defendeu o recebimento integral da denúncia, o que transformaria os acusados em réus e abriria ação penal na Corte. As ações, de acorcom a subprocuradora, começaram logo após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

    Acompanhe a transmissão

    Segundo ela, os acusados “exerceram relevante papel na execução das estratégias de ruptura do regime democrático”. “Tudo foi previsto nos seus mínimos detalhes”, ressaltou.

    “A denúncia descreveu em todos os detalhes os fatos que tiveram início ainda em meados de novembro, com a reunião na residência do general Braga Netto para o planejamento das ações de neutralização de autoridades. A partir daí se viu a compra de celulares, a anonimização dos participantes, o monitoramento das autoridades que seriam eventualmente neutralizadas, presas, enfim. Até o dia 15 de dezembro, data marcada para execução da medida das ações. O evento somente não se realizou porque o então presidente, não obtendo o apoio do comando do Exército da Aeronáutica, desistiu no último momento”, afirmou Cláudia Marques.

    A subprocuradora ressaltou que todos os requisitos legais foram preenchidos pela denúncia apresentada pela PGR, assim como ocorreu nos outros núcleos do processo.

    “A denúncia descreveu minuciosamente fatos que tipificam ação penal, identificou os acusados, qualificou os crimes, permitindo o exercício do direito de defesa”, disse. “Não havendo razão para que em relação a essa denúncia do grupo três tenha o destino diferente da que foi dada a denúncia dos outros núcleos.”

    Quem são os denunciados

    O núcleo 3 é composto por oficiais da ativa e da reserva, entre eles dois generais, quatro coronéis e cinco tenentes-coronéis três desses pertencentes ao grupo de elite do Exército conhecido como “kids pretos”. A lista de denunciados inclui:

    • Estevam Theophilo, general da reserva e ex-chefe do Comando de Operações Terrestres;
    • Nilton Diniz Rodrigues, general do Exército;
    • Bernardo Correa Netto, coronel preso na operação Tempus Veritatis;
    • Cleverson Ney, coronel da reserva e ex-oficial do Comando de Operações Terrestres;
    • Fabrício Moreira de Bastos, coronel envolvido com carta de teor golpista;
    • Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel do Exército;
    • Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel e membro dos “kids pretos”;
    • Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel e membro dos “kids pretos”;
    • Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel e membro dos “kids pretos”;
    • Ronald Ferreira de Araújo Junior, tenente-coronel que teria discutido minuta golpista;
    • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel;
    • Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal.

    Crimes atribuídos

    A PGR acusa o grupo de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

    A atuação do grupo, conforme as investigações, envolvia pressionar os comandos das Forças Armadas para aderirem ao plano golpista, além de preparar ações logísticas e de inteligência para viabilizar a deposição do presidente eleito.

    Julgamento

    O julgamento do recebimento da denúncia está sendo conduzido pela 1ª Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino. Caso a maioria dos ministros concorde com o parecer da PGR, os 12 acusados passarão à condição de réus.

    A análise da denúncia ocorre no contexto da operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal para apurar a tentativa de ruptura institucional nos dias finais do governo Bolsonaro. As apurações apontam que diferentes núcleos civis e militares atuaram de forma coordenada para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito democraticamente em outubro de 2022.

  • Áudio de policial que falou em “cortar cabeça” fica fora de julgamento

    Áudio de policial que falou em “cortar cabeça” fica fora de julgamento

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (20) que os novos áudios do policial federal Wladimir Matos Soares em que o agente fala em “matar meio mundo” e “cortar a cabeça” do magistrado não serão analisados no julgamento que discute o recebimento da denúncia contra ele e outros 11 acusados de tentativa de golpe de Estado. A decisão se deve ao fato de o material ter sido anexado ao processo apenas na semana passada, após a conclusão da perícia no celular de Soares.

    Relator do inquérito da trama golpista, Alexandre de Moraes diz que áudios de policial federal poderão ser analisados posteriormente.

    Relator do inquérito da trama golpista, Alexandre de Moraes diz que áudios de policial federal poderão ser analisados posteriormente.Rosinei Coutinho/Ascom/STF

    Apontado como integrante do chamado “núcleo três” da trama golpista composto majoritariamente por militares conhecidos como “kids pretos” Soares fazia parte da equipe de segurança presidencial. Segundo a Polícia Federal, ele repassava informações sobre a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a outros envolvidos no plano golpista após a vitória eleitoral do petista em 2022. O agente foi preso em novembro do ano passado, e os áudios foram extraídos de seu celular.

    Acompanhe a sessão

    “Prontos para matar meio mundo”

    As gravações reveladas pela PF mostram o policial defendendo ações violentas para manter Jair Bolsonaro no poder, caso houvesse ordem para isso. “Esperávamos só o ok do presidente, uma canetada, para a gente agir. Mas o presidente deu para trás porque, na véspera de agir, foi traído pelo Exército. O PT comprou esses generais”, afirmou em um trecho. “A gente ia matar meio mundo de gente. Tava nem aí já”, declarou.

    Em outro momento, Soares afirma que Moraes deveria ter sido morto em 2020, quando impediu Bolsonaro de nomear Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal. “Tinha que ter cortado a cabeça dele ali. Mas não fez. Foi frouxo”, disse.

    Defesa teve pedido negado

    A defesa de Soares pediu o adiamento do julgamento na Primeira Turma do STF, alegando necessidade de mais tempo para analisar os áudios e indicar novas testemunhas. O pedido, no entanto, foi negado por Moraes, que considerou que o conteúdo das gravações não traz fatos novos, apenas reforça elementos já presentes no processo. “Não cabe análise do material neste momento. Os áudios foram juntados de forma extemporânea”, afirmou.

    A subprocuradora-geral da República, Claudia Marques, também se manifestou contra o uso imediato dos áudios e sugeriu que o conteúdo seja analisado no âmbito da própria Polícia Federal, com eventual abertura de procedimento disciplinar. “Se a autoridade policial se excedeu, tem que se instalar um procedimento disciplinar para apurar”, disse.

    A Procuradoria-Geral da República não aditou a denúncia para incluir os áudios, o que, segundo Moraes, impede sua consideração nesta fase do processo. Caso a denúncia seja aceita, o material poderá ser analisado em momento posterior.

    O grupo julgado nesta terça-feira é acusado de integrar o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa atentados contra o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio Moraes.

  • Senado vota eleição a cada 5 anos e mandato maior para parlamentar

    Senado vota eleição a cada 5 anos e mandato maior para parlamentar

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve votar nesta quarta-feira (22) a proposta de emenda à Constituição (PEC 12/2022) que propõe uma ampla reforma no sistema eleitoral brasileiro. O ponto de partida é o fim da reeleição para prefeitos, governadores e o presidente da República. Mas o texto traz outras mudanças significativas: a ampliação dos mandatos políticos e a unificação de todas as eleições.

    Fachada do Senado.

    Fachada do Senado.Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    Caso a proposta avance no Congresso, o eleitor deixará de votar a cada dois anos para participar de eleições a cada cinco anos. Esse passará a ser o tempo de mandato para prefeitos, vereadores, deputados estaduais, distritais e federais, governadores e presidente da República atualmente fixado em quatro anos. Para senadores, o mandato passaria de oito para dez anos.

    Relatório alternativo

    As mudanças estão previstas no relatório do senador Marcelo Castro (MDB-PI) e provocam controvérsia. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) apresentou um voto alternativo. Ela apoia apenas o fim da reeleição e propõe ampliar os mandatos de presidente, governadores e prefeitos de quatro para seis anos. Para a parlamentar, a unificação das eleições e a extensão dos mandatos de deputados e vereadores seriam prejudiciais ao país.

    Castro, por sua vez, defende a unificação como forma de reduzir custos eleitorais, simplificar o calendário e tornar o processo político mais previsível e racional. Ele argumenta que os ganhos da centralização superam as possíveis desvantagens.

    “De um lado, governantes e opositores poderiam definir estratégias num horizonte estável; de outro, eleitores e movimentos sociais teriam mais tempo para avaliar os mandatários e refletir sobre suas escolhas”, justificou. O relator também rebate críticas sobre a possibilidade de o eleitor confundir temas nacionais e locais nas urnas. “Esses argumentos pressupõem uma incapacidade de discernimento que não condiz com o eleitor brasileiro”, afirmou.

    Unificação das eleições valeria a partir de 2034, segundo PEC

    Unificação das eleições valeria a partir de 2034, segundo PECArte Congresso em Foco

    Eliziane: mais eleições, mais democracia

    Na visão de Eliziane Gama, diminuir a frequência das eleições enfraquece a democracia e reduz a pressão popular sobre os governantes. “Não vejo benefício na unificação das eleições, inclusive legislativas”, diz a senadora. “Pelo contrário, considero a frequência das eleições fundamental como pedagogia democrática, tanto para eleitores quanto para mandatários”, avalia.

    Apesar de divergir da proposta principal, a senadora apoia mudanças estruturais importantes. Eliziane defende o fim da reeleição para o Executivo e o aumento dos mandatos desses cargos para seis anos, com início em 2026 (para presidente e governadores) e 2028 (para prefeitos). Já os mandatos legislativos permaneceriam inalterados.

    A senadora considera fundamental que os eleitores possam se manifestar a cada dois anos para renovar as Casas Legislativas e para sinalizar aos Executivos a opinião pública. “Cabe aos chefes do poder Executivo atenção à vontade popular e reflexão sobre ela, para a manutenção ou correção dos rumos dos governos”, sustenta.

    Resistência do governo

    A PEC escancara divergências entre parlamentares. Para defensores como Marcelo Castro, a unificação das eleições traria economia e eficiência. Já críticos como Eliziane Gama alertam para a perda de pluralidade e do vínculo entre representantes e eleitores.

    O governo também se mostra resistente. Em entrevista ao podcast PodK Liberados, apresentado pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), autor da proposta, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, saiu em defesa da reeleição.

    “A reeleição permite ao eleitor julgar quem está fazendo um bom trabalho. É uma forma de dar continuidade a programas de governo”, afirmou. Segundo ela, mesmo cinco anos de mandato podem ser insuficientes para implementar políticas de impacto.

    O relatório de Marcelo Castro prevê regras de transição para preservar os mandatos em curso. Prefeitos e vereadores eleitos em 2028 terão, excepcionalmente, mandato de seis anos; presidente e governadores eleitos em 2026 e 2030 terão quatro anos de mandato; senadores eleitos em 2026, 2030 e 2034 terão mandatos de 8, 9 e 10 anos, respectivamente. A partir de 2034, todos os mandatos passarão a ser de cinco anos, unificando o ciclo eleitoral;

    Preocupações

    Para a cientista política Joyce Luz, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP), a PEC busca corrigir distorções e racionalizar o sistema, mas também levanta preocupações.

    Ela destaca que o fim da reeleição tende a promover mais isonomia na disputa e alternância de poder, o que fortalece a democracia. Por outro lado, alerta que mandatos mais longos, sem perspectiva de continuidade, podem desestimular gestores a investirem em políticas de longo prazo.

    “Sem a possibilidade de reeleição, prefeitos podem focar em ações imediatistas e de alto apelo simbólico, em vez de projetos robustos e transformadores.”

    A unificação das eleições também preocupa a especialista. Para ela, a concentração dos pleitos em uma única data tende a sufocar o debate sobre questões locais, favorecer grandes partidos e tornar a política ainda mais centralizada. O assunto foi abordado pela cientista política em sua coluna no Congresso em Foco.

    A PEC do fim da reeleição ainda tem um caminho longo a percorrer no Congresso. Se passar pela CCJ, terá de ser analisada pelo plenário do Senado, onde precisará do apoio de ao menos 49 dos 81 senadores, em duas rodadas de votação. Só então o texto será encaminhado à Câmara, onde terá de passar pela Comissão de Constituição e Justiça e por uma comissão especial de mérito antes de chegar ao plenário. Para mudar a Constituição é necessário o apoio de ao menos 308 dos 513 deputados, em dois turnos.

  • Padre Patrick critica influenciadores em CPI das Bets: “Não jogam”

    Padre Patrick critica influenciadores em CPI das Bets: “Não jogam”

    O padre Patrick Fernandes abriu o seu depoimento à CPI das Bets nesta quarta-feira (21) com uma crítica a outros influenciadores online. Segundo ele, as celebridades contratadas por empresas de apostas não são realmente usuários dos aplicativos de bets.

    Patrick, que tem mais de seis milhões de seguidores no Instagram, diz já ter recusado ofertas de empresas de apostas online. O padre está na CPI por iniciativa própria, após se oferecer para depor na comissão com base na própria experiência com o assunto. Outros influenciadores, como a empresária Virgínia Fonseca, foram chamados ao colegiado para explicar contratos de divulgação com as empresas de bets.

    “Essas pessoas, que divulgam esses jogos, eles não jogam isso. Eles ganham, eles faturam”, disse o padre na sua fala inicial. Depois, em resposta a questionamento do senador Izalci (PL-DF), disse que “o máximo que eles vão jogar é nesses cassinos no exterior”.

    “Quem está ficando rico, com certeza, é quem está divulgando”, comentou. “Porque se paga muito”.

    Patrick também relata que, como padre, vem recebendo cada vez mais depoimentos de pessoas envolvidas com o vício em jogo. “Nos últimos tempos, eu tenho percebido que muitas pessoas nos procuram, as famílias, para partilhar situações com essas. Famílias destruídas por conta de jogo”, afirmou.

    Arte Congresso em Foco

    CPI atrasou

    O depoimento começou com quase 50 minutos de atraso. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), na abertura da sessão, disse que isso se deu pela falta de quórum – número mínimo de senadores presentes.

    “Finalmente deram presença para a gente ter quórum. Milagre do padre Patrick”, comentou depois que a sessão começou. “Forças ocultas atuam aqui, e é difícil a gente lidar com tamanho poder”.

  • Reajuste para servidores federais: quem ganha e quanto vai custar

    Reajuste para servidores federais: quem ganha e quanto vai custar

    O projeto de lei aprovado pela Câmara na noite dessa quarta-feira (21) contempla diferentes categorias do Executivo federal, com reajustes que variam entre 9% e 69% até 2026. O texto, que substitui a Medida Provisória 1286/24 e precisa ser aprovado pelo Senado até 2 de junho, prevê aumentos salariais escalonados, reestruturações de carreiras e criação de novos cargos. O impacto estimado no orçamento federal é de R$ 17,9 bilhões em 2025 e R$ 26,7 bilhões em 2026.

    Sessão em que os deputados aprovaram o reajuste para servidores públicos federais.

    Sessão em que os deputados aprovaram o reajuste para servidores públicos federais.Kayo Magalhães/Agência Câmara

    O projeto amplia os salários do funcionalismo federal, especialmente técnicos, professores e servidores de carreiras estratégicas, com percentuais superiores à inflação acumulada. Por outro lado, adia decisões mais polêmicas para a futura reforma administrativa.

    De acordo com o relator da proposta, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), a proposta resulta de dezenas de mesas de negociação com sindicatos e busca atrair e reter talentos na administração pública. O Ministério da Gestão e Inovação fechou 38 acordos com as mais diferentes categorias, com percentuais que variam caso a caso. Aquelas categorias que ficaram sem acordos formais terão reajuste de 9% neste ano e outros 9% em 2026.

    Veja o relatório de Gastão

    Os reajustes começaram a ser pagos em maio, com valores retroativos a janeiro.

    Projeto aprovado pelos deputados será analisado pelos senadores.

    Projeto aprovado pelos deputados será analisado pelos senadores.Arte Congresso em Foco

    Reestruturações aprovadas e fatiamento

    Apesar do avanço, o texto foi fatiado: várias propostas de reestruturação de carreira incluídas durante a tramitação foram deixadas de fora, para serem discutidas no grupo de trabalho da reforma administrativa, que terá 45 dias para apresentar propostas.

    Foram rejeitadas cerca de 60 emendas, incluindo a que previa a inclusão de 27 carreiras no Sistema de Desenvolvimento da Carreira (Sidec), responsável por unificar regras de progressão com base em desempenho. Essa discussão também foi adiada.

    O texto cria duas novas carreiras: Desenvolvimento Socioeconômico e Desenvolvimento das Políticas de Justiça e Defesa.

    Luiz Gastão, relator da proposta, disse que a medida traz padronização e racionalidade à estrutura do serviço público e evita distorções salariais. Ele argumentou que os maiores beneficiados são servidores da base, longe dos super salários do topo do funcionalismo.

    Calendário e próximos passos

    Aprovado na Câmara, o texto segue agora para o Senado. Precisa ser votado antes de 2 de junho, sob pena de perder validade. Se aprovado, os reajustes já iniciados em maio seguem com pagamento retroativo a janeiro de 2024.

    A segunda etapa dos aumentos ocorre em 1º de abril de 2026.

  • Deputada propõe obrigatoriedade de ensino inclusivo na Pedagogia

    Deputada propõe obrigatoriedade de ensino inclusivo na Pedagogia

    A deputada Fernanda Pessoa (União-CE) apresentou à Câmara o projeto de lei 1317/2025, que obriga a inclusão de conteúdos sobre educação inclusiva na grade curricular dos cursos de pedagogia. A formação pedagógica deverá contemplar disciplinas, metodologias e práticas voltadas à inclusão de estudantes com deficiência, transtornos do espectro autista (TEA) e altas habilidades. 

    A intenção, de acordo com a autora, é preparar os futuros professores para atuar na diversidade educacional.

    Projeto da deputada Fernanda Pessoa propõe diretrizes para capacitar professores em práticas inclusivas.

    Projeto da deputada Fernanda Pessoa propõe diretrizes para capacitar professores em práticas inclusivas.José Cruz/Agência Brasil

    A regulamentação e a fiscalização da lei, caso aprovada, ficará sob responsabilidade do Ministério da Educação, em articulação com conselhos estaduais e municipais de educação. A medida entra em vigor a partir da data de sua publicação.

    Diretrizes e obrigações

    O projeto elenca cinco diretrizes principais para orientar a implementação da lei: acessibilidade e equidade; formação continuada; currículo inclusivo; parcerias estratégicas; e mecanismos de monitoramento.

    As instituições de ensino superior deverão adaptar seus currículos, capacitar docentes, garantir infraestrutura acessível e tecnologias assistivas, além de promover estágios em ambientes inclusivos. A proposta também incentiva a pesquisa e a extensão universitária voltadas à inclusão.

    Argumentos da autora

    Na justificativa do projeto, a deputada afirma que a proposta “visa fortalecer a formação de pedagogos no Brasil, garantindo que os profissionais estejam preparados para atuar com inclusão e equidade na educação”.

    Ela acrescenta que a proposta se alinha à Constituição, à Lei de Diretrizes e Bases da Educação e ao Estatuto da Pessoa com Deficiência. Segundo a parlamentar, “a falta de capacitação dos profissionais da educação tem sido um grande desafio para a implementação efetiva de práticas inclusivas”.

    Tramitação

    O projeto se encontra na Comissão de Educação, ainda sem relator definido. Na sequência, deverá passar pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e de Constituição e Justiça (CCJ). O texto segue o rito conclusivo: se aprovado nas comissões, poderá ser enviado diretamente ao Senado, sem a necessidade de votação em Plenário.