Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • PF e CGU fazem operação para apurar desvio de emendas parlamentares

    PF e CGU fazem operação para apurar desvio de emendas parlamentares

    A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta terça-feira (29) a Operação Korban, com o objetivo de investigar o desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinados à realização de eventos de esportes digitais.

    Estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos Estados do Acre, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. Além disso, foram determinadas medidas de sequestro de bens, como veículos e imóveis, e o bloqueio de contas bancárias de empresas investigadas. As ações de indisponibilidade patrimonial podem atingir o montante de R$ 25 milhões.

    Operação Korban investiga associação que recebeu recursos para eventos estudantis de esportes digitais.

    Operação Korban investiga associação que recebeu recursos para eventos estudantis de esportes digitais.Reprodução/PF

    A apuração foca em possíveis irregularidades na execução de aproximadamente R$ 15 milhões em recursos federais, repassados a uma associação com sede no Distrito Federal por meio de termos de fomento firmados com o Ministério do Esporte, viabilizados por emendas parlamentares, para a realização de jogos estudantis de esportes digitais entre os anos de 2023 e 2024.

    Entre as determinações judiciais, estão a suspensão de novos repasses federais à associação investigada e a proibição de transferência de valores às empresas subcontratadas no contexto dos termos de fomento analisados.

  • Foragida da Justiça, Carla Zambelli é presa na Itália

    Foragida da Justiça, Carla Zambelli é presa na Itália

    A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29) na Itália, segundo informou o Ministério da Justiça. A parlamentar havia fugido do Brasil após ser condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal no caso da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    A prisão foi possível graças ao deputado italiano Angelo Bonelli, que na véspera publicou em sua conta no X o endereço onde Zambelli estaria. Ele afirmou que a deputada se encontrava em um apartamento em Roma e que a polícia realizava sua identificação.

    Zambelli havia fugido à Itália após condenação no STF.

    Zambelli havia fugido à Itália após condenação no STF. Mário Agra/Câmara dos Deputados

    Confira a publicação que entregou a localização de Zambelli:

  • Reação do Brasil a tarifa dos EUA pode impactar preço de remédios

    Reação do Brasil a tarifa dos EUA pode impactar preço de remédios

    Os medicamentos e produtos farmacêuticos são os principais itens importados pelo Brasil dos Estados Unidos neste ano. Inicialmente, tais produtos não serão impactados pelas tarifas impostas por Donald Trump aos produtos brasileiros. Contudo, uma possível retaliação por parte do Brasil poderá encarecer produtos essenciais, como medicamentos destinados ao tratamento de câncer e doenças raras.

    No ano passado, o Brasil importou aproximadamente US$ 10 bilhões em itens da área médica, incluindo produtos utilizados em procedimentos cirúrgicos, reagentes para a detecção de doenças, instrumentos e aparelhos para uso médico. Uma parcela significativa desses produtos tem origem nos Estados Unidos. A possibilidade de uma resposta brasileira às tarifas americanas suscita preocupação no setor.

    Conforme declarações do CEO da Associação Brasileira de Indústria de Dispositivos Médicos, Paulo Fraccaro, alternativas para o Brasil seriam a China, a Índia e a Turquia. “Se nós adotarmos a reciprocidade, esses produtos chegarão mais caros nas prateleiras, na ordem de 30%, e o Brasil vai ter que procurar alternativas”, afirma.

    Medicamentos e produtos farmacêuticos são os principais itens importados pelo Brasil dos EUA.

    Medicamentos e produtos farmacêuticos são os principais itens importados pelo Brasil dos EUA.Joédson Alves/Agência Brasil

    O Brasil também importa medicamentos patenteados, especialmente aqueles destinados ao tratamento de doenças raras ou que incorporam tecnologias avançadas, sendo os Estados Unidos um dos principais fornecedores. Em um cenário de guerra tarifária, o custo desses medicamentos no Brasil poderia aumentar ainda mais.

    No primeiro semestre deste ano, foram importados US$ 4,3 bilhões em medicamentos de alto custo e produtos farmacêuticos, representando um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. A União Europeia é o principal fornecedor, respondendo por cerca de 60% do total, enquanto Alemanha e Estados Unidos contribuem com aproximadamente 15% cada.

    A maior parte dos medicamentos de uso comum, especialmente os genéricos, é produzida no Brasil. Entretanto, 95% dos insumos farmacêuticos necessários para essa produção são provenientes da China. Para o presidente-executivo da Associação Brasileira de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), Norberto Prestes, é fundamental investir em pesquisa e produção nacional. “Temos a capacidade, temos pesquisadores brilhantes, que acabam indo para o exterior. Nós deveríamos reter esses talentos aqui e desenvolver nosso sistema para aumentar a nossa soberania nesse quesito”, avalia.

  • Ministério dos Transportes quer reduzir custo da CNH em até 80%

    Ministério dos Transportes quer reduzir custo da CNH em até 80%

    O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), anunciou nesta semana um projeto da pasta para reduzir os custos da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Para isso, a matéria prevê a suspensão da obrigatoriedade de frequentar autoescolas para obter carteira de motorista nas categorias A (motocicletas) e B (veículos de passeio).

    A pasta justifica a medida com base no alto custo para obter a CNH, que pode ultrapassar R$ 3 mil, o dobro do salário mínimo. “Prova disso é que, atualmente, cerca de 40 milhões de brasileiros estão em idade legal para dirigir, mas muitos ainda não possuem habilitação, em grande parte devido ao alto custo do processo atual”, aponta o ministério em nota.

    Apesar de a proposta prever a suspensão da obrigatoriedade de frequentar autoescolas, o ministro Renan Filho ressalta que as empresas continuarão funcionando e que “a exigência de aprovação nas provas teórica e prática dos Detrans será mantida”.

    Conforme o ministério, o novo modelo pode reduzir em até 80% o custo para conseguir a habilitação. A matéria, no entanto, ainda está sob análise da Casa Civil. Se aprovado, o texto será regulamentado por resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

    Renan Filho.

    Renan Filho.Marcio Ferreira/MT

    “Isso vai ser produtivo para o Brasil, vai incluir as pessoas, porque dentro do recorte há outras exclusões ainda mais cruéis. Por exemplo, se a família tivesse o dinheiro para tirar só uma carteira, e como tirar uma custa em torno de R$3 a R$4 mil, ela escolhe tirar só do homem e muitas vezes a mulher fica inabilitada, excluída, justamente por essa condição. Então a gente precisa criar um ambiente para que as pessoas tenham condição de se formalizar, de serem incluídas”, defende o ministro dos Transportes.

    A medida também visa regularizar a situação de motoristas e motociclistas que conduzem sem habilitação. O Ministério dos Transportes estima que 54% da população não dirige ou dirige sem CNH. Além disso, cerca de 39% dos proprietários de carro não possuem habilitação e 45% dos donos de moto pilotam sem a documentação.

    “A gente precisa baratear, utilizar as novas tecnologias, dar condição ao cidadão de ter formação digital, para que ele tenha conhecimento, porque o pior condutor é aquele que está no trânsito agora e não teve nenhuma condição de ser habilitado”, conclui Renan Filho.

    Outra modificação na proposta é o caráter opcional das aulas práticas. Atualmente, a exigência mínima é de 20 horas-aula. Dessa forma, o candidato poderá contratar um centro de formação ou um instrutor autônomo credenciado nos Detrans e na Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), obtendo sua formação da forma que achar mais adequada e minimizando os custos.

  • Prêmio Congresso em Foco é o 15º maior colégio eleitoral do país

    Prêmio Congresso em Foco é o 15º maior colégio eleitoral do país

    A votação popular do Prêmio Congresso em Foco 2025 foi encerrada às 23h59 desta quarta-feira (30) com um resultado impressionante: 2,8 milhões de votos válidos. O número, que representa o maior já registrado no voto popular, consolida o Prêmio como uma das maiores mobilizações cívicas do país.

    Se fosse um Estado brasileiro, o colégio eleitoral formado pelos participantes da votação ocuparia o 15º lugar no ranking nacional, à frente de unidades federativas como Piauí, Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Alagoas. Com 2.800.000 votos, o Prêmio Congresso em Foco ultrapassou inclusive o total de eleitores do Amazonas (2.749.346).

    A seguir, a posição no ranking com base no número de eleitores por Estado:

    Prêmio Congresso em Foco encerra votação popular com quase 3 milhões de votos.

    Prêmio Congresso em Foco encerra votação popular com quase 3 milhões de votos.Arte Congresso em Foco

    Ao longo de mais de um mês, eleitores de todo o Brasil participaram da escolha dos parlamentares que mais se destacaram no exercício do mandato no Congresso Nacional.

    A mobilização se intensificou nos últimos dias, com campanhas acirradas, envolvimento direto de eleitores nas redes sociais e até a liberação da votação via WhatsApp, novidade que ampliou ainda mais o alcance do prêmio.

    Prêmio Congresso em Foco

    A cerimônia de entrega do Prêmio Congresso em Foco será realizada em 20 de agosto, em Brasília. O evento reunirá parlamentares, autoridades, representantes da sociedade civil e convidados especiais, com transmissão ao vivo pelo YouTube e pelo Instagram do Congresso em Foco.

    Criado em 2006, o prêmio valoriza mandatos exemplares, aproxima os cidadãos do Parlamento e estimula uma cultura de acompanhamento político mais qualificado. Além da votação popular, o processo de escolha inclui a avaliação de um júri técnico e a votação de jornalistas que cobrem o Congresso Nacional.

    Patrocinadores do Prêmio Congresso em Foco.

    Patrocinadores do Prêmio Congresso em Foco.Arte Congresso em Foco

  • Barroso discursa contra ditadura e em defesa de Moraes: “bravura”

    Barroso discursa contra ditadura e em defesa de Moraes: “bravura”

    Na abertura do segundo semestre do Judiciário, nesta sexta-feira (1º), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, fez um pronunciamento incisivo em defesa da democracia brasileira e do colega Alexandre de Moraes. Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, que nesta semana impuseram sanções a Moraes, Barroso prestou um desagravo público ao ministro, elogiando sua “bravura” e seu “inexcedível empenho” na condução das investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

    Assista ao pronunciamento do ministro:

    “Faz-se aqui o reconhecimento ao relator das diversas ações penais, ministro Alexandre de Moraes. Com inexcedível empenho, bravura e custos pessoais elevados, conduziu ele as apurações e os processos relacionados aos fatos acima descritos”, afirmou. “Nem todos compreendem os riscos que o país correu e a importância de uma atuação firme e rigorosa, mas sempre dentro do devido processo legal.”

    Barroso também exaltou o protagonismo do STF na preservação da ordem constitucional diante das ameaças recentes. Segundo ele, o Brasil é um dos raros exemplos no mundo onde o sistema de justiça conseguiu conter uma tentativa de ruptura democrática sem provocar abalos institucionais.

    “Somos um dos poucos casos no mundo em que um tribunal, ao lado da sociedade civil, da imprensa e da maior parte da classe política, conseguiu evitar uma grave erosão democrática, sem nenhum abalo às instituições.”

    Uma República marcada por tentativas de ruptura

    Em sua fala, Barroso fez um minucioso panorama da história brasileira, ressaltando como a República, desde sua origem, foi marcada por presidentes autoritários, intervenções militares e ameaças ao Supremo. De Floriano Peixoto ao AI-5, ele traçou uma cronologia das sucessivas investidas contra a institucionalidade e a Constituição.

    “Do início da República até o final do regime militar, a história do Brasil foi a história de golpes, contragolpes, intervenções militares, rupturas ou tentativas de ruptura da legalidade constitucional. […] Presidentes autoritários, militares envolvidos em política e ameaças ao Supremo Tribunal Federal.”

    O ministro também relembrou perseguições ao STF, como a aposentadoria compulsória de ministros, o aumento do número de cadeiras para favorecer o regime militar e a tentativa, durante o Estado Novo, de submeter decisões da Corte ao Congresso. Ele também citou os horrores da ditadura (censura, tortura, desaparecimentos e execuções): “Nós vivemos uma ditadura. Ninguém me contou. Eu estava lá. […] Conhecemos pessoas que foram torturadas, jornalistas que foram censurados, compositores que tiveram suas músicas proibidas”.

    A Constituição de 1988 como antídoto

    Barroso destacou a Constituição de 1988 como o divisor de águas que garantiu ao país o mais longo período de estabilidade institucional de sua história. Mesmo em meio a crises econômicas, escândalos de corrupção e dois processos de impeachment, a democracia se manteve viva.

    “A Constituição de 1988, no entanto, tem proporcionado ao País o mais longo período de estabilidade institucional da nossa história republicana, e não foram tempos banais. […] Ninguém, diante de todas essas vicissitudes, cogitou, em qualquer momento, de uma solução que não fosse o respeito à legalidade constitucional.”

    O ministro listou as ameaças recentes: tentativas de explosão no STF e no aeroporto de Brasília, fake news sobre as urnas eletrônicas, ameaças a ministros, acampamentos golpistas e, por fim, os ataques de 8 de janeiro. Segundo ele, foi o funcionamento independente e vigoroso do Supremo que impediu o colapso institucional:

    “Foi necessário um tribunal independente e atuante para evitar o colapso das instituições, como ocorreu em vários países do mundo, do Leste Europeu à América Latina.”

    “A democracia tem lugar para todos”

    Ao encerrar o discurso, Barroso reiterou sua confiança na democracia constitucional como uma “fé racional” inegociável. Rejeitou qualquer tipo de intolerância política e defendeu o convívio democrático entre diferentes correntes ideológicas.

    “A democracia tem lugar para todos, conservadores, liberais e progressistas. Ninguém tem o monopólio da virtude e ninguém tem o monopólio do amor ao Brasil. […] Isso é que é uma democracia constitucional. Essa é a nossa causa, essa é a nossa fé racional e como toda fé sinceramente cultivada não pode ser negociada.”

  • Veja quais deputados gastaram menos cota parlamentar no 1º semestre

    Veja quais deputados gastaram menos cota parlamentar no 1º semestre

    Terminado o primeiro semestre das atividades parlamentares, o Congresso em Foco realizou levantamento, com dados oficiais da Câmara dos Deputados coletados em 25 de julho na página de cada deputado, a fim de listar os congressistas que menos utilizaram a cota parlamentar. Entre os dez deputados mais econômicos, três são do PL. A lista também possui representantes dos seguintes partidos: Cidadania, União Brasil, MDB, Novo, PT, PSD e PC do B.

    O uso da cota parlamentar é legal e previsto pelo regimento interno da Câmara dos Deputados para gastos com despesas típicas do mandato. O intuito do levantamento não é contrastar ou rivalizar os deputados que mais gastaram com os que menos gastaram. O objetivo, portanto, é monitorar, fiscalizar e informar os eleitores sobre os gastos dos congressistas.

    O líder do ranking é o deputado amazonense Amom Mandel (Cidadania-AM). No último ano, o parlamentar também figurou no topo da lista. Ao lado dele aparece o deputado Missionário José Olímpio (PL-SP), suplente que assumiu o cargo após a licença de Eduardo Bolsonaro em março. Completa o pódio Márcio Alvino (PL-SP).

    Veja a lista completa abaixo: ao lado do gasto, aparece a porcentagem que representa o quanto do total da cota disponível foi utilizado por cada parlamentar.

    Menos gastos com cota.

    Menos gastos com cota.Arte/Congresso em Foco

    O que é cota parlamentar

    A cota parlamentar é um benefício dado aos deputados para custear despesas típicas do exercício do mandato parlamentar, como aluguel de escritório de apoio ao mandato no estado, passagens aéreas, alimentação, aluguel de carro, combustível, entre outras.

    O saldo mensal não utilizado não é acumulável para o mês seguinte e os parlamentares têm até 90 dias para solicitar o reembolso. Dessa forma, os valores gastos apontados neste levantamento podem ser alterados, uma vez que os deputados podem declarar os gastos de períodos anteriores a qualquer momento dentro do intervalo de três meses.

    Além disso, o valor da cota parlamentar é diferente para cada estado, pois leva em consideração o valor da passagem de Brasília até a capital do estado onde o parlamentar foi eleito. Assim, a maior cota é destinada aos congressistas de Roraima, no valor de R$ 51.406,33 e a menor, aos do Distrito Federal, no valor de R$ 36.582,46.

    Cota por estado.

    Cota por estado.Arte/Congresso em Foco

    Detalhamento dos gastos

    O deputado Amom Mandel gastou quase a totalidade da cota com passagens aéreas de Manaus para Brasília. O Missionário José Olímpio, por sua vez, teve como maior rubrica os gastos com divulgação da atividade parlamentar. Já para Márcio Alvino, cerca de da cota parlamentar também foi destinada a arcar com os custos de passagens aéreas.

    Deputados com menos gastos de cota.

    Deputados com menos gastos de cota.Arte/Congresso em Foco

    Os gastos de Kim Kataguiri (União Brasil-SP), quarto colocado na lista, dividem-se entre manutenção de escritório e passagens aéreas. Elcione Barbalho (MDB-PA) tem como maior gasto passagens aéreas. Já Adriana Ventura (Novo) também tem como principais gastos as mesmas rubricas de Kataguiri.

    O maior gasto do deputado Delegado Caveira (PL-PA) foi com divulgação do mandato parlamentar. A deputada Lenir de Assis (PT-PR), que assumiu a cadeira após Gleisi Hoffmann ser nomeada ministra, gastou mais com a manutenção do escritório. Por fim, Caio Vianna (PSD-RJ) teve mais gastos com fretamento de veículos e passagens aéreas, e Enfermeira Rejane (PCdoB) utilizou a maior parte da cota para fretar veículos.

  • Governo Lula é reprovado por 40%; aprovação é de 29%, mostra Datafolha

    Governo Lula é reprovado por 40%; aprovação é de 29%, mostra Datafolha

    A expectativa do Planalto de que a crise diplomática com os Estados Unidos trouxesse ganhos políticos imediatos para o presidente Lula ainda não se confirmou. É o que indica pesquisa Datafolha realizada nos dias 29 e 30 de julho, que mostra que a avaliação do governo permanece estável: 40% dos brasileiros reprovam a gestão, enquanto 29% aprovam.

    Os números praticamente repetem os da rodada anterior, feita em junho, quando Lula registrava 28% de ótimo ou bom e os mesmos 40% de ruim ou péssimo. A avaliação regular caiu de 31% para 29%, e apenas 1% dos entrevistados não opinou. Ao todo, foram ouvidos 2.004 eleitores em 130 cidades, com margem de erro de dois pontos percentuais.

    Trump

    O levantamento foi realizado no auge do confronto diplomático entre os governos de Lula e Donald Trump. No dia (30), o último da realização do levantamento, o republicano aplicou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, retaliando o que classificou como perseguição judicial a seu aliado Jair Bolsonaro. Trump também sancionou o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que trata da tentativa de golpe de 2022.

    Em resposta, o presidente brasileiro adotou um discurso enfático em defesa da soberania nacional.

    Reprovação ao governo Lula persiste, de acordo com o Datafolha.

    Reprovação ao governo Lula persiste, de acordo com o Datafolha.Fatima Meira/Agencia Enquadrar/Folhapress

    Efeitos eleitorais ainda incertos

    Por outro lado, a estratégia do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se apresenta como articulador das sanções junto ao governo dos Estados Unidos de desgastar Lula, também não se refletiu na popularidade do presidente.

    Desde fevereiro, quando Lula atingiu sua pior avaliação (24% de ótimo/bom e 41% de ruim/péssimo), o governo conseguiu certa estabilização. Ainda assim, a aprovação segue abaixo da registrada em seus mandatos anteriores.

    Quem aprova e quem desaprova

    A pesquisa mostra que a aprovação de Lula se concentra em dois segmentos: entre os eleitores com menor escolaridade (42% de ótimo/bom) e na região Nordeste (38%). Já a rejeição é mais intensa entre eleitores de perfil bolsonarista, como:

    • Classe média baixa (62% de ruim/péssimo)
    • Ricos (57%)
    • Evangélicos (55%)
    • Sulistas (51%)
    • Mais escolarizados (49%)
    • Pessoas entre 35 e 44 anos (48%)

    Outra pesquisa

    Na quinta-feira (31), pesquisa AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, mostrou ligeira recuperação da popularidade do presidente. O levantamento indica que 50,2% dos entrevistados aprovam a gestão, enquanto 49,7% a desaprovam.

    Na pesquisa anterior, realizada em 13 de julho, os números mostravam o cenário inverso: 50,3% de desaprovação e 49,7% de aprovação. A virada ocorre dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. Esta, no entanto, foi a primeira vez este ano em que a aprovação ao governo superou a reprovação nas pesquisas do instituto.

  • Sem Bolsonaro, oposição faz atos por anistia e contra Moraes

    Sem Bolsonaro, oposição faz atos por anistia e contra Moraes

    Manifestantes bolsonaristas saem às ruas neste domingo (3) em 62 cidades brasileiras para pedir anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os atos foram convocados nas redes sociais pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e ocorrem simultaneamente em todas as regiões do país.

    As mobilizações acontecem em meio ao avanço da ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado, na qual Bolsonaro é réu no Supremo, além de outros envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. Os apoiadores pedem anistia para o ex-presidente e para demais investigados, tentando impedir condenações e prisões.

    Manifestantes bolsonaristas em ato do dia 29 de junho de 2025 na Avenida Paulista.

    Manifestantes bolsonaristas em ato do dia 29 de junho de 2025 na Avenida Paulista.Nino Cirenza/Ato Press/Folhapress

    As manifestações também ocorrem em um momento em que Bolsonaro está sujeito a medidas cautelares impostas pelo STF, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de sair de casa nos fins de semana, o que impede sua participação direta nos atos.

    Outra motivação é o recente conflito diplomático envolvendo Alexandre de Moraes e o governo dos Estados Unidos. Moraes foi alvo de sanções simbólicas promovidas por aliados de Donald Trump, que o acusam de censura e violação à liberdade de expressão no Brasil.

    Sul lidera número de cidades com atos

    A região Sul concentra a maior parte das manifestações, com destaque para Santa Catarina, que reúne 26 cidades mobilizadas. O Nordeste aparece em seguida, com protestos previstos em 12 cidades. No Rio de Janeiro, o pastor Silas Malafaia lidera o ato em Copacabana, às 11h. Em São Paulo, a manifestação está marcada para as 14h na Avenida Paulista, mas sem a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    Confira a lista completa de cidades e locais dos protestos:

    Sudeste

    São Paulo (SP) – Avenida Paulista – 14h

    Sorocaba – Campolim – 10h

    São José do Rio Preto – Praça Dom José Marcondes – 15h

    Bauru – Av. Getúlio Vargas, quadra 19 – 10h

    Araçatuba – Av. Pompeu – 10h

    Rio de Janeiro (RJ) – Copacabana – 11h

    Cabo Frio – Praia do Forte – 10h

    Belo Horizonte – Praça da Liberdade – 10h

    Uberlândia – Praça Tubal Vilela – 10h

    Vila Velha – Posto Moby Dick – 12h

    Centro-Oeste

    Brasília – Banco Central – 10h

    Goiânia – Praça Tamandaré – 10h

    Campo Grande – Praça do Rádio – 10h

    Dourados – Parque do Lago – 10h

    Bonito – Praça do Rotary – 10h

    Rondonópolis – Av. Lions – 16h

    Cuiabá – Praça do Chopão – 16h

    Sul

    Curitiba – Boca Maldita – 14h

    Porto Alegre – Parção – 15h

    Erechim – Praça da Bandeira – 15h

    Florianópolis – Trapiche da Beiramar – 16h

    Joinville – Praça da Bandeira – 15h

    Blumenau – Alameda Duque de Caxias – 15h

    Chapecó – Av. Getúlio Vargas – 9h

    Criciúma – Ao lado do Criciúma Shopping – 10h

    Balneário Camboriú – Praça Tamandaré – 10h

    Itajaí – Praça da Beira Rio – 15h

    Brusque – Praça do Sesquicentenário – 15h

    São João Batista – Trevo da Via Scarpa – 15h

    Itapema – Trevo das Peixarias – 9h30

    Rio do Sul – Praça Emerbengo Pellizetti – 16h

    Concórdia – Parque de Exposições – 9h

    Caçador – Parque Central – 15h

    São José do Cedro – Churrascaria Gerelli – 15h

    Joaçaba – Praça da Catedral – 14h

    São Bento do Sul – Praça Central – 14h

    Lages – Praça da Bandeira – 14h

    São Francisco do Sul – Trevo do Rocio Grande – 10h

    Imbituba – Passarela do KM 290 – 15h

    Campos Novos – Em frente à Rodoviária – 10h

    Indaial – Em frente à Havan – 15h

    Timbó – Saída do Parque Central para Indaial – 14h30

    Rio dos Cedros – Igreja Matriz – 14h

    Rodeio – Posto Rodeio – 14h

    Pedrinho – Centro de Eventos – 13h30

    Benedito Novo – Praça Central – 14h

    Nordeste

    Salvador – Farol da Barra – 9h

    Simões Filho – Vila Serena Cia 1 – 9h

    Feira de Santana – Av. Getúlio Vargas – 15h

    Fortaleza – Praça Portugal – 15h

    Juazeiro do Norte – Praça do Giradouro – 16h

    Recife – Padaria Boa Viagem – 14h

    São Luís – Praça do Foguete – 9h

    João Pessoa – Busto de Tamandaré – 14h

    Natal – Shopping Midway – 14h

    Teresina – Av. Raul Lopes (Ponte Estaiada) – 16h

    Aracaju – Arcos da Orla – 14h

    Maceió – Corredor Vera Arruda – 9h

    Norte

    Rio Branco – Palácio Rio Branco – 8h

    Manaus – Ponta Negra – 16h

    Boa Vista – Praça do Centro Cívico – 17h

    Belém – Sede do Novo – 8h

    Palmas – Praça dos Girassóis – 16h

    Porto Velho – Espaço Alternativo (sem horário informado)

  • Senado analisa projeto que proíbe uso e fabricação de narguilés

    Senado analisa projeto que proíbe uso e fabricação de narguilés

    O senador Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou o projeto de lei 3.267/2025, que propõe a interdição da fabricação, comercialização e utilização de narguilés e seus respectivos acessórios em todo o Brasil. A justificativa seria os perigos à saúde inerentes ao consumo.

    A proposta acrescenta a proibição à Lei nº 9294/1996, responsável pelas restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígenos, bebidas alcóolicas e outros artigos de alto risco de dependência.

    Veja a íntegra da proposta.

    “A literatura científica é clara ao apontar que o uso de narguilé acarreta riscos semelhantes ou superiores aos do cigarro, incluindo […] as doenças respiratórias, cardiovasculares e diversos tipos de câncer, exigindo medidas regulatórias urgentes para a proteção da saúde pública”, justifica Girão no documento.

    Para o senador, existe uma falsa sensação de que o narguilé é menos prejudicial do que o cigarro tradicional.

    Para o senador, existe uma falsa sensação de que o narguilé é menos prejudicial do que o cigarro tradicional.Carlos Moura/Agência Senado

    Segundo o parlamentar, é consenso entre pesquisadores de que um único uso corresponde à inalação de dezenas de cigarros. Um estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), citado no projeto, estima gasto estatal de R$ 153 bilhões por ano com tratamentos à doenças decorrentes do uso de derivados da nicotina.

    Quanto à publicidade, o argumento é de que a disseminação do narguilé é, em parte, impulsionada “por uma estratégia de marketing sutil que o posiciona como um produto de lazer e socialização, frequentemente associado a ambientes de entretenimento e a um estilo de vida moderno”. Influenciadores digitais e a presença do narguilé em estabelecimentos comerciais amplificam o consumo.

    O projeto seguirá em análise no Senado.