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  • COP 30: Alta no preço de hotéis em Belém gera alertas e insatisfação

    COP 30: Alta no preço de hotéis em Belém gera alertas e insatisfação

    A alta nas diárias de hotéis em Belém do Pará para a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) gerou insatisfação nos países participantes, que se manifestaram de forma contundente. As delegações de nações com menor poder aquisitivo, inclusive, sugeriram a mudança da sede da conferência. O presidente da COP 30, embaixador André Corrêa Lago, afirmou nesta sexta-feira (1º) que não há “plano B” para o evento.

    “Mais de dois terços dos países da ONU são consideravelmente mais pobres que o Brasil. Eles esperam vir para um país em desenvolvimento e encontrar uma maneira de poder estar presentes com os preços que podem pagar”, disse o embaixador em reunião virtual com jornalistas.

    Os preços defendidos pelos membros das delegações de países mais pobres são de US$ 50 e US$ 70 por diária. Cada participante recebe um valor diário de 143 dólares na COP 30. André Corrêa Lago aponta que esses preços recomendados pelos membros estão dentro dos valores de diárias de hotéis em Belém atualmente. Para as datas próximas à realização da COP 30, no entanto, os valores disparam. Em alguns casos, o preço é multiplicado por 15.

    “Queremos uma COP inclusiva, com todos os países membros […] A ausência dos países mais pobres comprometeria a legitimidade da conferência”, afirmou o presidente da COP 30. “Há uma sensação de revolta, sobretudo por parte dos países em desenvolvimento, que estão dizendo que não poderão vir à COP por causa dos preços extorsivos que estão sendo cobrados”.

    Cidade de Belém.

    Cidade de Belém.Fernanda Frazão/Agência Brasil

    Investigação

    O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) começou a apurar, de ofício, os preços excessivos cobrados pelo setor hoteleiro de Belém. Em junho, a Secretaria Nacional de Direitos do Consumidor (Senacon) notificou o setor, por meio da Secretaria Extraordinária para a COP 30, a fim de “garantir que um evento da dimensão da COP seja também um espaço de justiça econômica e respeito aos consumidores”.

    A notificação determinou o detalhamento dos valores aplicados ou reservados para o período da COP30, com comparação aos anos anteriores, e apresentadas justificativas para eventuais aumentos superiores a 50%, acompanhadas de documentação que comprove elevação de custos ou novos investimentos.

    Presidente da Comissão do Meio Ambiente (CMA) do Senado, senador Fabiano Contarato (PT-ES) reforçou que o colegiado vai fiscalizar as práticas anticoncorrenciais e abusivas do setor hoteleiro da capital paraense. “Não há espaço para oportunismo quando se trata de discutir cooperação e compromisso”, declarou.

  • Entenda o embate fiscal entre BYD e fabricantes nacionais

    Entenda o embate fiscal entre BYD e fabricantes nacionais

    A entrada em operação da fábrica da montadora chinesa BYD, em Camaçari (BA), deu início a uma batalha interna no setor automotivo brasileiro. A empresa, que ocupa o antigo complexo da Ford, iniciou a montagem de carros elétricos com peças vindas da China, prática apontada como desleal por concorrentes estabelecidos no país. A controvérsia chegou ao Palácio do Planalto, forçado a intermediar a disputa que pode definir o futuro do setor no país.

    O centro da controvérsia está no modelo de produção adotado pela BYD. Os veículos são montados a partir de kits importados, em uma etapa que antecede a nacionalização da produção. As rivais, representadas por executivos da Volkswagen, General Motors, Toyota e Stellantis, afirmam que esse formato gera poucos empregos e ameaça os investimentos industriais feitos nas últimas décadas.

    Nova fábrica da BYD na Bahia reacende debate sobre produção local.

    Nova fábrica da BYD na Bahia reacende debate sobre produção local.BYD/Divulgação

    Os dois lados exigem incentivos fiscais para a plena continuidade de seus investimentos, empurrando um impasse ao presidente Lula: defender um parque industrial robusto estabelecido ao longo de décadas ou facilitar a entrada de um novo ator que promete uma inovação tecnológica intensa.

    Veículos semimontados

    Ainda em processo de construção, a fábrica da BYD começou a operar em caráter experimental no início de julho, com linhas de produção dos modelos Dolphin Mini e ao Song Plus, os mais consumidos no mercado brasileiro. Os carros chegaram com carroceria armada e pintada. As peças são apenas encaixadas no Brasil, sem que processos como pintura ou soldagem ocorram no território nacional.

    Esse formato é conhecido como SKD (sigla em inglês para Semi Knocked Down). A produção local ainda não está em processo de licenciamento para venda, e a promessa da gigante chinesa é gradualmente transitar para um formato com maior participação nacional. O contrato com o governo da Bahia prevê um prazo de um ano para essa transformação.

    Reação de concorrentes

    Com o início das operações da planta, a BYD solicitou a redução de tarifas para a importação dos carros SKD. Em resposta, os presidentes da Volkswagen, General Motors, Toyota e Stellantis enviaram uma carta ao presidente Lula contestando o incentivo ao formato.

    No texto, afirmam que a concessão de incentivos à importação de kits desmontados compromete a indústria nacional. “Essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria”, escreveram os executivos.

    Segundo a carta, o sistema adotado pela BYD reduz o valor agregado dos veículos produzidos no País, além de afetar o emprego e a engenharia local. “Representaria, na verdade, um legado de desemprego, desequilíbrio da balança comercial e dependência tecnológica”

    As montadoras pediram que o governo federal assegure “igualdade de condições na competição pelo mercado”, vetando “privilégios para a importação de veículos desmontados ou produzidos no exterior com subsídios”.

    Reação da BYD

    A BYD respondeu publicamente por meio de um comunicado. No texto, nega que esteja em busca de tratamento especial. A empresa afirma que está dentro do planejamento previsto e critica o teor da carta enviada ao governo. “A carta tem o tom dramático de quem acaba de ver um meteoro no céu”, diz a marca, comparando os signatários da carta a “dinossauros”.

    A montadora afirma que sua proposta segue práticas adotadas anteriormente por outras fabricantes. “A redução temporária de imposto que a BYD pleiteia segue uma lógica simples e razoável: não faz sentido aplicar o mesmo nível de tributação sobre veículos 100% prontos trazidos do exterior e sobre veículos que são montados no Brasil”.

    No mesmo texto, a empresa questiona os motivos da reação. “O incômodo das concorrentes não tem a ver com impostos, nem com montagem, nem com empregos. Tem a ver com a perda de protagonismo”.

    Meio-termo

    A disputa foi encerrada, ao menos por ora, com uma resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex) estabelecendo um meio termo entre os dois lados.

    Hoje, veículos importados em kits SKD pagam uma tarifa de 18% para modelos elétricos e de 20% para híbridos: valor abaixo da tarifa padrão de 35%. Esse incentivo estava originalmente previsto para durar até 2018. A BYD havia pedido que esses percentuais fossem reduzidos temporariamente para 10% e 5%. Por outro lado, os fabricantes locais cobraram a adoção imediata da tarifa padrão de 35% sobre veículos importados.

    O governo negou as duas demandas. Na nova resolução, a Camex autorizou que carros desmontados possam ser importados por apenas seis meses sem precisar pagar impostos, dentro de um teto de até US$ 463 milhões. Depois desse período, a isenção se encerra. Em seguida, as tarifas voltarão a subir de forma escalonada, até atingir 35% em janeiro de 2027. Antes, esse aumento estava previsto apenas para julho de 2028.

    A solução do Executivo foi aceita sem entusiasmo pela indústria local. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) chamou de “máximo aceitável” o limite de seis meses de isenção fiscal para SDKs. Do outro lado, a BYD optou por não se manifestar a respeito. O embate fiscal entre gigantes do setor automotivo entra em fase de cessar-fogo.

  • Veja quais deputados gastaram menos cota parlamentar no 1º semestre

    Veja quais deputados gastaram menos cota parlamentar no 1º semestre

    Terminado o primeiro semestre das atividades parlamentares, o Congresso em Foco realizou levantamento, com dados oficiais da Câmara dos Deputados coletados em 25 de julho na página de cada deputado, a fim de listar os congressistas que menos utilizaram a cota parlamentar. Entre os dez deputados mais econômicos, três são do PL. A lista também possui representantes dos seguintes partidos: Cidadania, União Brasil, MDB, Novo, PT, PSD e PC do B.

    O uso da cota parlamentar é legal e previsto pelo regimento interno da Câmara dos Deputados para gastos com despesas típicas do mandato. O intuito do levantamento não é contrastar ou rivalizar os deputados que mais gastaram com os que menos gastaram. O objetivo, portanto, é monitorar, fiscalizar e informar os eleitores sobre os gastos dos congressistas.

    O líder do ranking é o deputado amazonense Amom Mandel (Cidadania-AM). No último ano, o parlamentar também figurou no topo da lista. Ao lado dele aparece o deputado Missionário José Olímpio (PL-SP), suplente que assumiu o cargo após a licença de Eduardo Bolsonaro em março. Completa o pódio Márcio Alvino (PL-SP).

    Veja a lista completa abaixo: ao lado do gasto, aparece a porcentagem que representa o quanto do total da cota disponível foi utilizado por cada parlamentar.

    Menos gastos com cota.

    Menos gastos com cota.Arte/Congresso em Foco

    O que é cota parlamentar

    A cota parlamentar é um benefício dado aos deputados para custear despesas típicas do exercício do mandato parlamentar, como aluguel de escritório de apoio ao mandato no estado, passagens aéreas, alimentação, aluguel de carro, combustível, entre outras.

    O saldo mensal não utilizado não é acumulável para o mês seguinte e os parlamentares têm até 90 dias para solicitar o reembolso. Dessa forma, os valores gastos apontados neste levantamento podem ser alterados, uma vez que os deputados podem declarar os gastos de períodos anteriores a qualquer momento dentro do intervalo de três meses.

    Além disso, o valor da cota parlamentar é diferente para cada estado, pois leva em consideração o valor da passagem de Brasília até a capital do estado onde o parlamentar foi eleito. Assim, a maior cota é destinada aos congressistas de Roraima, no valor de R$ 51.406,33 e a menor, aos do Distrito Federal, no valor de R$ 36.582,46.

    Cota por estado.

    Cota por estado.Arte/Congresso em Foco

    Detalhamento dos gastos

    O deputado Amom Mandel gastou quase a totalidade da cota com passagens aéreas de Manaus para Brasília. O Missionário José Olímpio, por sua vez, teve como maior rubrica os gastos com divulgação da atividade parlamentar. Já para Márcio Alvino, cerca de da cota parlamentar também foi destinada a arcar com os custos de passagens aéreas.

    Deputados com menos gastos de cota.

    Deputados com menos gastos de cota.Arte/Congresso em Foco

    Os gastos de Kim Kataguiri (União Brasil-SP), quarto colocado na lista, dividem-se entre manutenção de escritório e passagens aéreas. Elcione Barbalho (MDB-PA) tem como maior gasto passagens aéreas. Já Adriana Ventura (Novo) também tem como principais gastos as mesmas rubricas de Kataguiri.

    O maior gasto do deputado Delegado Caveira (PL-PA) foi com divulgação do mandato parlamentar. A deputada Lenir de Assis (PT-PR), que assumiu a cadeira após Gleisi Hoffmann ser nomeada ministra, gastou mais com a manutenção do escritório. Por fim, Caio Vianna (PSD-RJ) teve mais gastos com fretamento de veículos e passagens aéreas, e Enfermeira Rejane (PCdoB) utilizou a maior parte da cota para fretar veículos.

  • Gilmar defende Moraes e critica Eduardo: “fugiu para lesar a pátria”

    Gilmar defende Moraes e critica Eduardo: “fugiu para lesar a pátria”

    Em discurso firme nesta sexta-feira (1º), o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, saiu em defesa de Alexandre de Moraes e criticou duramente os ataques que a Corte vem sofrendo nas últimas semanas. Sem mencionar diretamente Eduardo Bolsonaro (PL-SP), mas em referência direta ao deputado, Gilmar afirmou que um parlamentar “fugiu do país para covardemente difundir aleivosias contra o Supremo Tribunal Federal, num verdadeiro ato de lesa-pátria”.

    A fala foi feita durante sessão no STF, no contexto da escalada de tensões entre o Judiciário brasileiro e autoridades americanas. Na véspera, o governo dos Estados Unidos aplicou a chamada Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, sob acusações unilaterais de violação de direitos humanos, decisão que gerou indignação entre membros do Judiciário, do Executivo e do Legislativo.

    “Resposta à altura”

    Gilmar Mendes classificou as críticas e sanções como uma tentativa de deslegitimar o Judiciário brasileiro e afirmou que “o Supremo Tribunal Federal não se dobra a intimidações”. Ele destacou que as acusações partem de setores radicais inconformados com a derrota nas eleições presidenciais de 2022 e que agora tentam descredibilizar as instituições democráticas.

    “É preciso deixar claro à nação: este Supremo Tribunal Federal não se curvou à ditadura militar nas décadas de escuridão que mancham a história nacional; […] esta mesma Corte não haverá de submeter-se agora, e está preparada para enfrentar, uma vez mais e sempre, com altivez e resiliência, todas as ameaças – venham de onde vierem.”

    Críticas a Eduardo e empresas de tecnologia

    Ao criticar “pessoas avessas à democracia” que vêm articulando ataques internacionais contra o STF, Gilmar apontou o dedo para parlamentares que “trabalham abertamente contra os interesses de seu próprio país”, numa clara referência ao deputado Eduardo Bolsonaro, que tem articulado nos EUA medidas de pressão contra o Judiciário brasileiro.

    O ministro também acusou plataformas digitais de permitirem a disseminação de conteúdos ilícitos e de resistirem às decisões judiciais. Ele reiterou que a responsabilização das big techs pelo conteúdo veiculado é essencial para preservar a democracia.

    Solidariedade a Moraes

    Gilmar finalizou o discurso com palavras de apoio ao ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de “prudente e assertivo” na condução das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.

    “Ministro Alexandre, Vossa Excelência tem prestado um serviço fundamental ao Estado brasileiro. Aos propagadores da instabilidade e do caos, irresponsáveis e pusilânimes: não tenham dúvida de que seus atos criminosos contra autoridades constituídas e contra o povo brasileiro receberão uma resposta à altura.”

    O pronunciamento é mais um marco na ofensiva institucional contra o que os ministros do STF classificam como uma tentativa coordenada de minar a independência do Judiciário brasileiro. Ao colocar a atuação da Corte no centro da defesa da soberania nacional, Gilmar elevou o tom contra o que chamou de “entreguismo” e reafirmou o compromisso da Corte com a Constituição.

  • Para Moraes, “pseudo-patriotas” agem de maneira “covarde” contra país

    Para Moraes, “pseudo-patriotas” agem de maneira “covarde” contra país

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez duras críticas nesta sexta-feira (1º) a ações que, segundo ele, partem de uma “organização criminosa” com o objetivo de chantagear o Judiciário e o próprio Brasil por meio de sanções econômicas articuladas por um governo estrangeiro, na tentativa de evitar condenações por tentativa de golpe. A intenção da estratégia, segundo ele, é gerar uma crise econômica para tentar coagir o Supremo a absolver os réus no processo por tentativa de golpe de Estado.

    Durante a abertura do semestre judiciário, Moraes enviou um recado direto ao deputado Eduardo Bolsonaro, embora não tenha citado seu nome. Referindo-se às articulações promovidas pelo parlamentar nos Estados Unidos contra o STF e o Brasil, o ministro classificou tais ações como “covardes e traiçoeiras”.

    Assista ao trecho:

    “Temos visto recentemente as ações de diversos brasileiros que estão sendo ou processados pela Procuradoria-Geral da República ou investigados pela Polícia Federal. Estamos verificando diversas condutas dolosas, conscientes, de uma verdadeira organização criminosa que, de forma jamais anteriormente vista em nosso país, age de maneira covarde e traiçoeira com a finalidade de tentar submeter o funcionamento deste Supremo ao crivo de um Estado estrangeiro”, afirmou.

    Na sequência, Moraes justificou o uso dos dois adjetivos.

    “Covarde porque esses brasileiros, pseudopatriotas, encontram-se foragidos e escondidos fora do território nacional. Não tiveram coragem de continuar no território nacional. Traiçoeiras essas condutas porque atuam por meio de atos hostis, mentirosos, derivados de negociações espúrias e criminosas, com a patente finalidade de obstrução à Justiça e a clara e flagrante finalidade de coagir esta Corte no julgamento da Ação Penal 2668”, disse ele, referindo-se ao processo que investiga os atos golpistas de 2022, envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

    Na última quarta-feira (30), Alexandre de Moraes foi alvo de sanções impostas pelo governo Donald Trump, com base em uma lei americana voltada a punir, com restrições econômicas, indivíduos acusados de atos autoritários ou de violação dos direitos humanos. No mesmo dia, Trump assinou um decreto aumentando para 50% a tarifa sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos.

    “A ideia é gerar uma grave crise econômica no Brasil para gerar uma pressão política e social sobre um caso que já chega nas alegações finais”, ressaltou. “Não houve no mundo tanta transparência em uma ação penal como essa. Nenhum país do mundo transmite para toda a sociedade acompanhar. É o STF atuando dentro dos limites republicanos e garantindo o processo legal”, seguiu.

    Antes de Moraes, o presidente do Supremo, Luis Roberto Barroso, e o ministro Gilmar Mendes fizeram um ato de desagravo ao colega. Condenaram a tentativa de golpe e defenderam sua atuação e coragem à frente do processo da trama golpista.

    Moraes finalizou apontando que tais manobras são motivadas exclusivamente por “interesses pessoais”, e que não se pode utilizar esse tipo de pressão para prejudicar “o trabalho das pessoas, com a tarifa de 50%”.

  • “Acham que estão lidando com pessoas da laia deles”, diz Moraes

    “Acham que estão lidando com pessoas da laia deles”, diz Moraes

    Em discurso incisivo nesta sexta-feira (1º), o ministro Alexandre de Moraes afirmou que o Supremo Tribunal Federal não cederá a pressões, intimidações ou chantagens de grupos que classificou como uma “organização criminosa miliciana”. A fala foi feita durante sessão da Corte, em meio à crise diplomática envolvendo a aplicação de sanções pelo governo dos Estados Unidos contra o próprio Moraes.

    Sem citar nomes, mas com alvos evidentes, o ministro acusou o grupo de agir com “ousadia e covardia” ao tentar constranger autoridades brasileiras por meio de postagens ameaçadoras e articulações internacionais.

    “Acham que estão lidando com pessoas da laia deles. Acham que estão lidando também com milicianos, mas não estão. Estão lidando com ministros da Suprema Corte Brasileira.”

    Resposta institucional

    Moraes afirmou que a tentativa de intimidação será integralmente responsabilizada, ecoando a fala do ministro Gilmar Mendes, que também se manifestou nesta quinta contra o que classificou como “ato de lesa-pátria” de parlamentares que atacam o STF no exterior.

    “Enganam-se essa organização criminosa miliciana e aqueles brasileiros escondidos e foragidos […] em esperar fraqueza institucional ou debilidade democrática.”

    Para o ministro, o Supremo é forjado no “mais puro espírito democrático da Constituição de 1988” e está preparado para enfrentar qualquer tentativa de desestabilização institucional. Ele reiterou que a Corte seguirá firme em sua missão de garantir a democracia e não aceitará “coações, obstruções ou tentativas de novos golpes de Estado”.

    8 de janeiro como marco

    Moraes também citou os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 como exemplo de até onde esses grupos estão dispostos a ir e reforçou que o Brasil não admitirá repetição daquele episódio.

    “Coragem institucional e defesa à soberania nacional fazem parte do universo republicano desta Suprema Corte.”

    A manifestação de Moraes se soma a uma série de pronunciamentos feitos por ministros do STF em resposta à inclusão de seu nome na lista de sanções unilaterais dos EUA. As falas evidenciam o fechamento de fileiras da Corte em torno de seu colega, em uma defesa ampla da soberania nacional e da independência do Judiciário brasileiro.

  • No plenário do STF, Moraes afirma que vai “ignorar” sanções dos EUA

    No plenário do STF, Moraes afirma que vai “ignorar” sanções dos EUA

    Durante seu discurso em resposta às sanções impostas ao seu nome pelo governo dos Estados Unidos, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expressou que não interromperá as ações penais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados, conforme exigido pelo presidente americano Donald Trump. O magistrado afirma que pretende “ignorar” as sanções.

    “As ações prosseguirão. O rito processual do Supremo Tribunal Federal não se adiantará,não se atrasará. O rito processual do Supremo Tribunal Federal irá ignorar as sanções praticadas. Esse relator vai ignorar as sanções que foram aplicadas e continuar trabalhando como vem fazendo, tanto no plenário quanto na 1ª Turma, sempre de forma colegiada”, declarou.

    Ministro também criticou a articulação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos para aprovar sanções ao seu nome.

    Ministro também criticou a articulação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos para aprovar sanções ao seu nome.Antonio Augusto/STF

    Moraes é alvo das sanções previstas na Lei Magnitsky, legislação norte-americana que veda a entrada de autoridades estrangeiras acusadas de violação de direitos humanos, além de proibir empresas e cidadãos americanos de manterem relações comerciais com o alvo da implementação. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, acusou Moraes de “promover a censura” e “uma caça às bruxas” ao ex-presidente Bolsonaro.

    Recado a Eduardo Bolsonaro

    Em sua fala, deixou reforçou que “o poder Judiciário não permitirá qualquer tentativa de submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de outro Estado”. Sem citar nomes, criticou também o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde março, tendo articulado a implementação das sanções.

    Moraes considerou a atuação do parlamentar como “clara, flagrante, finalidade de coagir essa Suprema Corte no julgamento da ação penal 2668 [ação penal do golpe], para criar, e esta grande finalidade, para criar verdadeira impunidade penal e impedir análise pelo poder judiciário, por meio do devido processo legal de uma imputação criminal feita pela Procuradoria Geral da República”.

    A conduta de Eduardo, de acordo com o ministro, é “costumeiramente afeta a milicianos do submundo do crime, que atacam as autoridades e atacam os familiares das autoridades” e “caracterizam claros e expressos atos executórios de traição ao Brasil e flagrantes confissões da prática dos atos criminosos, em especial dos crimes de coação no curso do processo ou obstrução de investigação de infração penal”.

  • Moraes repudia ameaças de Eduardo Bolsonaro a Hugo Motta e Alcolumbre

    Moraes repudia ameaças de Eduardo Bolsonaro a Hugo Motta e Alcolumbre

    Durante pronunciamento na sessão de abertura das atividades do segundo semestre no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes se pronunciou sobre as sanções impostas ao seu nome pelo governo dos Estados Unidos após articulação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ao longo do discurso, criticou também a pressão realizada pelo parlamentar sobre os presidentes da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

    “Pasmem que um dos brasileiros investigado e foragido, recentemente, nessa semana, dirigiu ameaças diretas aos presidentes da Câmara dos Deputados (…) e do Senado Federal. (…) ‘Ou vocês votam a anistia, ou as tarifas vão continuar, ou vocês votam a anistia, ou vocês também terão aplicada a lei da morte financeira. Ameaças aos presidentes das casas congressuais brasileiras, sem o menor respeito institucional, sem o menor pudor, sem a menor vergonha”, acusou.

    Veja o trecho de sua fala:

    Moraes foi alvo, na última quarta-feira (30), das sanções norte-americanas previstas na Lei Magnitsky, que impõe penalidades comerciais e diplomáticas a autoridades estrangeiras acusadas por violações de direitos humanos. Eduardo Bolsonaro clamou para si a decisão do governo dos Estados Unidos, e afirmou que Motta e Alcolumbre seriam os próximos se não houvesse a aprovação de uma anistia aos réus por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, bem como do impeachment do ministro do STF.

    O ministro chamou de “explícita chantagem” a pressão de Eduardo para obter “uma inconstitucional anistia” e para derrubar um ministro da “sem a existência de qualquer indício de crime de responsabilidade, mas sim por discordarem da legítima atuação deste Supremo Tribunal Federal no exercício de sua competência jurisdicional”.

    A articulação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, segundo o magistrado, é uma “tentativa patética de de tentar afastar seus ministros do cumprimento de sua missão institucional e favorecer réus em ações penais”.

  • CDH quer permitir que partidos destinem recursos a emergências

    CDH quer permitir que partidos destinem recursos a emergências

    A Comissão dos Direitos Humanos (CDH) do Senado apresentou o projeto de lei 3081/2025 com o objetivo de permitir que partidos políticos direcionem uma parcela do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário a emergências e calamidades que aconteçam no Brasil. A proposta tramita sob relatoria da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

    A Lei Geral das Eleições (9.504/1997) já prevê a possibilidade de renúncia dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), mas sem que os partidos escolham destinação específica. A nova proposta legislativa busca que sejam, em parte, transferidos para o Fundo Nacional para Calamidades Públicas, Proteção e Defesa Civil (Funcap).

    A senadora preside a Comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa.

    A senadora preside a Comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa.Pedro França/Agência Senado

    A ideia surgiu de registro no portal e-Cidadania, que possibilita à população enviar novas propostas legislativas e opinar sobre leis vigentes. Envios com mais de 20 mil respostas positivas são encaminhados à CDH. Damares Alves identificou “forte apelo popular” no projeto.

    Leia aqui a íntegra do projeto.

  • Veja a íntegra do pronunciamento de Alexandre de Moraes no STF

    Veja a íntegra do pronunciamento de Alexandre de Moraes no STF

    Durante sessão de abertura do segundo semestre do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (1º), o ministro Alexandre de Moraes se pronunciou sobre as sanções impostas pelos Estados Unidos a ele. Nesta semana, o governo americano sancionou o magistrado com a Lei Magnitsky, que prevê bloqueio de bens no país, proíbe a entrada nos EUA e veda que empresas e cidadãos americanos mantenham relações comerciais com os sancionados.

    No discurso, Alexandre de Moraes afirmou que vai “ignorar” as sanções impostas por Donald Trump e assegurou que a Corte continuará com seus trabalhos normalmente. Além disso, o ministro também criticou a articulação de “pseudo-patriotas” para sancionar autoridades brasileiras e a economia do país. Por fim, rechaçou as ameaças de sanções aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.

    Ministro Alexandre de Moraes.

    Ministro Alexandre de Moraes.Antonio Augusto/STF

    Leia a íntegra do discurso:

    Inicio, presidente, agradecendo as palavras de Vossa Excelência, as palavras do eminente ministro Gilmar Mendes. E as recebo não só pessoalmente, mas principalmente, recebo-as institucionalmente como ministro do Supremo Tribunal Federal.

    Presidente, temos visto recentemente as ações de diversos brasileiros, que estão sendo ou processados pela Procuradoria-Geral da República ou investigados pela Polícia Federal. Estamos verificando diversas condutas dolosas e conscientes de uma verdadeira organização criminosa que, de forma jamais anteriormente vista em nosso país. Age de maneira covarde e traiçoeira, com a finalidade de tentar submeter o funcionamento deste Supremo Tribunal Federal ao crivo de um Estado estrangeiro. Age, repito, de maneira covarde e traiçoeira. Covarde, porque esses brasileiros pseudo-patriotas encontram-se foragidos e escondidos. Fora do território nacional. Não tiveram coragem de continuar no território nacional. E traiçoeira essas condutas porque atuam por meio de atos hostis, mentirosos, derivados de negociações, espúrias e criminosas, com a patente, finalidade de obstrução à justiça. E a clara, flagrante finalidade de coagir essa corte no julgamento da Ação Penal 2668, ação penal do núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado do dia 8 de janeiro.

    Gerando presidente, ministra, ministros, gerando com essa maneira covarde, traiçoeira de atuar, gerando reflexos nocivos. A economia e a sociedade brasileira. Como disse o ministro Gilmar Mendes, é uma verdadeira traição à pátria, uma traição covarde e traiçoeira. Há fartas provas nas investigações comprovando essas condutas ilícitas. Não só induzimento, instigação e auxílio. Na tentativa de submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de um outro Estado, ao Estado estrangeiro, com clara afronta à soberania nacional, mas também fartas provas demonstrando auxílio na negociação espúria, vil, traiçoeira com autoridades estrangeiras para que se pratique atos hostis a economia do Brasil.

    Porém, presidente, mais do que esses ataques, criminosos, o que se observa são condutas ilícitas e imorais de brasileiros, flagrantemente essas condutas impregnadas com a cor ocre, da defesa de escusos interesses pessoais e o sabor amargo da traição à pátria e ao povo brasileiro, com constante atuação e seguidas afirmações, como se glória houvesse nisso, como se glória houvesse na traição, seguidas afirmações, principalmente nas redes sociais, assumindo a autoria de verdadeira intermediação com o governo estrangeiro para a imposição de medidas econômicas contra o próprio país, que resultaram em taxação de 50% dos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos da América. Tendo como consequência, assim que se iniciar, na verdade, a consequência já se iniciou, um grandioso prejuízo aos nossos empresários e a possibilidade de perda de milhares e milhares de empregos de brasileiros e brasileiras.

    A insistência dessa organização criminosa na implementação de medidas nocivas ao Brasil, com a implementação e o incentivo à implementação dessas tarifas e agressões espúrias, agressões internacionalmente consideradas espúrias e ilegais contra autoridades públicas brasileiras, tem por finalidade a criação de uma grave crise econômica no Brasil. E que, para desgosto desses brasileiros traidores, não ocorrerá, mas a ideia de gerar uma grave crise econômica no Brasil, para que com isso, haja uma pressão política e social contra os Poderes Judiciário e Legislativo, com consequente interferência no andamento das ações penais, em andamento, que já se encontram em fase de alegações finais. O modus operandi é o mesmo. Antes, acampamentos na frente dos quartéis, invasão na Praça dos Três Poderes, para que, com isso, houvesse, como mais de 500 réus confessaram, houvesse a convocação de GLO e das Forças Armadas, gerando uma comoção nacional. E aí houvesse a possibilidade do golpe.

    Repito, modus operandi, o mesmo. Incentivo a taxações ao Brasil, incentivo a crise econômica que gera crise social, que, por sua vez, gera crise política, para que, novamente haja uma instabilidade social e a possibilidade de um novo ataque. Ataque golpista. E essa geração de pressão política e social contra os Poderes Judiciário e Legislativo tem claramente a finalidade ilícita de favorecer interesses pessoais. E digo, coação contra o Poder Legislativo também. Pasmem! Pasmem que um dos brasileiros, investigado e foragido, recentemente nessa semana, dirigiu ameaças diretas aos presidentes da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Mota, e do Senado Federal, Senador Davi Alcolumbre. Ameaças diretas: ou vocês votam em anistia, ou as tarifas vão continuar. Ou vocês votam em anistia, ou vocês também terão aplicada a lei da morte financeira. Ameaças aos presidentes das casas congressuais brasileiras sem o menor respeito institucional, sem o menor pudor, sem a menor vergonha. Na explícita chantagem para tentar obter uma inconstitucional anistia, ou em relação ao presidente do Senado Federal, o senador Davi Alcolumbre, obter o início de procedimento de impeachment contra ministros desta Suprema Corte. Sem existência de qualquer indício de crime de responsabilidade, mas sim por discordarem da legítima atuação deste Supremo Tribunal Federal no exercício de sua competência jurisdicional, concedida diretamente pela Constituição Federal, em uma tentativa patética de tentar afastar seus ministros do cumprimento de sua missão institucional e favorecer réus em ações penais.

    Ameaça essa aos presidentes das Casas, que já foi repudiada por ambos os presidentes anteontem com as notas da Presidência da Câmara e do Senado Federal. Mas também e principalmente, coação contra o Poder Judiciário, em especial contra o Supremo Tribunal Federal, com a única e exclusiva finalidade de obter um súbito, inexistente, inconstitucional, arquivamento imediato de ações penais. Ações penais que foram devidamente propostas pela Procuradoria-Geral da República. Pelo Procurador-Geral da República, que aqui se encontra, titular constitucional e privativo dessa iniciativa, em virtude da tentativa de golpe de Estado do dia 8 de janeiro de 2023, eu reafirmo tentativa de golpe de Estado, porque esse Supremo Tribunal Federal já condenou mais de 700 pessoas por tentativa de golpe de Estado. Então, há ainda ações penais em andamento, propostas devidamente pelo Procurador-Geral da República, que tem total autonomia e independência constitucional, derivadas de investigações da Polícia Federal e cujos atos processuais vêm sendo realizados dentro do devido processo legal. Rigorosamente observado pelo Supremo Tribunal Federal, com a participação, fiscalização e acompanhamento, tanto do Procurador-Geral da República, como por 96 advogados.

    Noventa e seis advogados estão habilitados nos autos dos quatro núcleos denunciados pelo Procurador-Geral da República, com um amplo e irrestrito acesso a todas as provas. Devido ao processo legal realizado com oitiva, já de oito testemunhas de acusação e 149 testemunhas de defesa, Ministra Cármen. Foram ouvidas 149 testemunhas de defesa em respeito à ampla defesa. Em respeito ao contraditório. Foram interrogados os 31 réus desses quatro núcleos, sempre de forma absolutamente pública e transparente, com todos os atos gravados em áudio e vídeo. E disponibilizados a toda a imprensa e para toda a sociedade. E ainda todos os interrogatórios transmitidos ao vivo pela TV Justiça,e pela mídia em geral. Eu aqui afirmo sem medo de errar, não houve no mundo uma ação penal com tanta transparência e publicidade, como essa ação penal. Nenhum país do mundo transmite interrogatórios, oitiva de testemunhas para toda a imprensa e sociedade acompanharem.

    É o Supremo Tribunal Federal atuando dentro da Constituição, dentro dos princípios republicanos e garantindo o devido processo legal. Não é possível pressões, coações, No sentido de querer obter, repito, entre aspas, um espúrio o arquivamento imediato dessas ações penais, sob pena de se prejudicar a economia brasileira, o sustento das pessoas, o trabalho dos brasileiros e das brasileiras. Essas coações, essas tentativas de obstrução à Justiça realizadas por esses brasileiros, supostamente, patriotas, a favor de interesses estrangeiros, tem, eu repito, uma única finalidade. A finalidade de substituir o devido processo legal, com a ampla participação do Ministério Público, repito, de 96 advogados constituídos, com acompanhamento da mídia, com acompanhamento da sociedade, substituir o devido processo legal, a análise justa e imparcial das denúncias oferecidas, substituir por um tirânico arquivamento para beneficiar determinadas pessoas que se acham acima da Constituição, acima da lei, acima das instituições.

    Esses réus investigados, brasileiros que estão induzindo, instigando e auxiliando a prática dessas condutas nefastas contra a sociedade brasileira, criminosas contra as autoridades públicas. Não estão só ameaçando, coagindo autoridades públicas, ministros do Supremo Tribunal Federal, mas também, e fazem isso diariamente nas redes sociais, ameaçando as famílias dos ministros do Supremo Tribunal Federal, do Procurador-Geral da República, em uma atitude costumeiramente, afeta a milicianos do submundo do crime, que atacam as autoridades e atacam os familiares das autoridades.

    Essas condutas dessa organização criminosa caracterizam claros e expressos atos executórios de traição ao Brasil e flagrantes confissões da prática de atos criminosos, em especial dos crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa e, principalmente, atentado à soberania nacional, pois continuam, dia após dia, ao verificarem que esta Corte, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal não se vergarão a essas ameaças. Em virtude disso, dia após dia, esses brasileiros traidores da pátria continuam a incentivar, instigar, auxiliar a prática de atividades e atos hostis ao Brasil. A ousadia criminosa parece não ter limites, com as diversas e contínuas postagens em redes sociais e declarações na imprensa, declarações atentatórias à soberania nacional, à independência do Congresso Nacional e à independência do Poder Judiciário. Repita-se: não só, como citei anteriormente, com as recentes ameaças aos presidentes Hugo Mota e Davi Alcolumbre, da Câmara e do Senado Federal, com a ameaça de aplicação de um possível mau futuro à Lei magnística, como a minha aplicada, caso eles não façam o que se exige, o que essa organização miliciana exige. Mas, da mesma forma, essas ameaças covardes, infrutíferas, também continuam sendo dirigidas a membros desta Corte. Esta semana, dirigidas ao eminente ministro-presidente Luís Roberto Barroso, ao nosso decano, ministro Gilmar Mendes, ao ministro Cristiano Zanin. Mais grave, patético: desses traidores, também de viva voz, áudio e vídeo, ameaças às esposas e familiares, citando nominalmente as esposas do ministro Gilmar, do ministro Cristiano Zanin, demonstrando não existir limites para a ousadia e covardia dessa organização criminosa, que será, como bem disse o ministro Gilmar Mendes, será responsabilizada. Será integralmente responsabilizada.

    E, na mais característica criminosa dessa verdadeira organização miliciana, ao fazerem as postagens, dizem: ainda há tempo. Ainda há tempo, caso você aceite a torpe coação. Acham que estão lidando com pessoas da laia deles. Acham que estão lidando também com milicianos, mas não estão. Estão lidando com ministros da Suprema Corte brasileira. Enganam-se. Engana se essa organização criminosa ao esperar que a permanência e continuidade dessa torpe coação possa, de alguma forma, gerar uma covarde rendição dos poderes constituídos brasileiros. Engana-se essa organização criminosa miliciana e aqueles brasileiros escondidos e foragidos do território nacional. Engana-se em esperar fraqueza institucional ou debilidade democrática. As instituições brasileiras são fortes e sólidas. E seus integrantes, principalmente aqui no Supremo Tribunal Federal, foram forjados no mais puro espírito democrático da Constituição de 1988. Coragem institucional e defesa à soberania nacional fazem parte do universo republicano desta Suprema Corte, que não aceitará coações, obstruções ou tentativas de novos golpes de Estado, como ocorrido em 8 de janeiro de 2023.

    Recentemente, citei o imortal Machado de Assis ao proclamar que a soberania nacional é a coisa mais bela do mundo, com a condição de ser soberania e de ser nacional. A soberania nacional, digo eu agora, não pode, não deve e jamais será vilipendiada, negociada ou extorquida, pois é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, expressamente previsto no inciso I do artigo 1º da Constituição Federal. O Supremo Tribunal Federal sempre será absolutamente inflexível na defesa da soberania nacional e em seu compromisso com a democracia, os direitos fundamentais e o Estado de Direito, no seu compromisso com a independência do Poder Judiciário e os princípios constitucionais brasileiros.

    Eu vi na mídia que, na quarta-feira, o eminente ministro Flávio Dino, numa cerimônia no Maranhão, rememorou Hamilton, um dos federalistas, junto com Jay e Madison. Ele disse da dificuldade que os juristas norte-americanos devem estar. Eu complemento aqui citando Abraham Lincoln, também advogado, 16º presidente dos Estados Unidos, responsável pela manutenção da União dos Estados Unidos e pela proclamação da emancipação, que afirmava: os princípios mais importantes podem – e devem – ser inflexíveis. A independência judicial é um desses princípios que não só pode, não só deve, mas também será inflexível e defendido por este Supremo Tribunal Federal. A independência judicial não é um direito do magistrado. A independência judicial constitui um direito fundamental dos cidadãos, que têm o direito a uma tutela judicial efetiva, ao processo e julgamento por um tribunal independente e imparcial, pois não se consegue, em lugar nenhum do mundo, conceituar um verdadeiro Estado Democrático de Direito sem a existência de um Poder Judiciário autônomo, para que exerça sua função de guardião da Constituição e das leis. Isso é um princípio inflexível. É um princípio inflexível da Constituição brasileira: a independência do Poder Judiciário em defesa da Constituição brasileira.

    E a história deste Supremo Tribunal Federal demonstra que jamais faltou – e jamais faltará – coragem aos seus membros para repudiar as agressões contra os inimigos da soberania nacional, inimigos da democracia e inimigos do Estado de Direito. Um país soberano, como o Brasil, sempre saberá defender a sua democracia e soberania. E o Poder Judiciário não permitirá qualquer tentativa de submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de outro Estado, por meio de atos hostis, derivados de negociações espúrias e criminosas de agentes e políticos brasileiros foragidos com o Estado estrangeiro, com patente obstrução à Justiça e clara, flagrante finalidade de coagir esta Suprema Corte no julgamento da Ação Penal 2668, para criar – e esta é a grande finalidade – para criar verdadeira impunidade penal e impedir análise, análise pelo Poder Judiciário, repito, por meio do devido processo legal de uma imputação criminal feita pela Procuradoria-Geral da República.

    A possibilidade que garante a Constituição de análise da responsabilidade ou não – responsabilidade penal ou não – de cada um dos réus, como já feito em 638 ações penais julgadas. E essa ação penal pretende ter um súbito arquivamento. Repito, como já o fizemos em 638 ações penais julgadas, sempre colegiadamente: 370 ações penais julgadas pelo Plenário; 268 ações penais julgadas pela Primeira Turma, onde ainda estão em andamento 204 ações penais. Além, como já disse, dos 551 acordos de não persecução penal celebrados entre a Procuradoria-Geral da República e os réus que reconheceram sua responsabilidade penal.

    As ações prosseguirão. O rito processual do Supremo Tribunal Federal não se adiantará, não se atrasará. O rito processual do Supremo Tribunal Federal irá ignorar as sanções praticadas. Este relator vai ignorar as sanções que foram aplicadas e continuará trabalhando, como vem fazendo, tanto no Plenário quanto na Primeira Turma, sempre de forma colegiada. Diferentemente das mentiras, inverdades, da desinformação – e bem citou o ministro, nosso decano, ministro Gilmar Mendes -, a desinformação das redes sociais. O devido processo legal no Supremo Tribunal Federal é sempre realizado pelo colegiado.

    E trago um dado aqui que talvez nenhum outro conjunto de ações penais no mundo tenha esse número, ministra Cármen: durante as investigações e as ações penais relacionadas à tentativa do golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 – investigações e ações penais -, foram interpostos, contra decisões minhas, monocráticas, 707 recursos. Setecentos e sete recursos. Todos, absolutamente todos, foram improvidos, e os colegiados mantiveram as decisões proferidas. Foram julgados, desses 707 recursos, 413 no Plenário e 294 pela Primeira Turma. A demonstrar que o devido processo legal nas ações penais, neste Supremo Tribunal Federal, é o resultado do colegiado. É o resultado da vontade do colegiado, seja do Plenário, quando sua competência for, seja das Turmas, quando a competência lá estiver estabelecida. Setecentos e sete recursos interpostos.

    Esta Corte vem e continuará realizando sua missão constitucional. Em especial, neste segundo semestre, realizará os julgamentos e as conclusões dos quatro núcleos das importantes ações penais relacionadas à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Os quatro núcleos tiveram encerradas as suas instruções, ouvidas suas testemunhas. Um deles já quase em fase final de alegações finais; os outros iniciarão a fase das alegações finais e, ainda neste semestre – obviamente pedindo pauta ao eminente presidente da Turma, ministro Cristiano Zanin -, nós julgaremos todos os responsáveis: absolvendo aqueles onde não houver prova de responsabilidade, condenando aqueles onde houver prova. Mas julgando. Exercendo a nossa função jurisdicional e não nos acovardando em virtude de ameaças, seja daqui ou de qualquer outro lugar.

    O Supremo Tribunal Federal continuará a exercer seu papel de guardião da Constituição. Continuará exercendo seu papel nas ações penais para que dê uma resposta final, à toda a sociedade brasileira, sobre quem realmente foi – ou quais foram – os responsáveis pela tentativa de golpe, dentro do devido processo legal, do respeito à ampla defesa, do contraditório, inadmitindo qualquer ingerência interna ou externa na independência do Poder Judiciário, com serenidade, competência e coragem. Obrigado, presidente.