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  • Conciliação do IOF termina sem acordo e depende de decisão de Moraes

    Conciliação do IOF termina sem acordo e depende de decisão de Moraes

    A audiência de conciliação do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15) para deliberar sobre o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) terminou sem acordo. Os advogados do Psol e do PL, partidos autores de ações diretas de inconstitucionalidade na Corte sobre o imposto, não chegaram a um consenso.

    O encontro reuniu as partes autoras das ações, os representantes do Legislativo e o representante do Executivo. Os presidentes das Casas não estiveram presentes e foram representados pelos advogados-gerais do Senado Federal, Gabrielle Tatith Pereira, e da Câmara dos Deputados, Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. O Poder Executivo, por sua vez, foi representado pelo Advogado Geral da União, Ministro Jorge Messias.

    Conforme a ata de audiência, os advogados das siglas reiteraram as ações. No caso, o PL ingressou com ação no STF contra o decreto de Lula para aumentar o tributo, ao passo que o Psol representou pela inconstitucionalidade do projeto de lei para suspender o decreto presidencial.

    Fachada STF.

    Fachada STF.Dorivan Marinho/SCO/STF

    O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação do IOF, perguntou às partes se poderiam realizar concessões a fim de resultar na conciliação. Os advogados, no entanto, preferiram aguardar a decisão judicial do magistrado sobre o imbróglio. Eles ainda reconheceram a importância do diálogo, mesmo sem as concessões.

    A advogada-geral do Senado Federal, Gabrielle Tatith Pereira, solicitou a possibilidade de um prazo maior para a continuidade das negociações. Para além da manifestação dos advogados dos partidos para a decisão ficar por conta do STF, o Advogado Geral da União, Jorge Messias, também defendeu a ideia.

    “Em virtude da suspensão do Decreto Presidencial e, consequentemente, da vigência da majoração do IOF, tanto o Advogado Geral da União, Ministro Jorge Messias, quanto o Dr. Raphael Sodré Cittadino [advogado do Psol] entenderam que a decisão judicial seria o melhor caminho para dirimir esse conflito”, diz trecho da ata da reunião.

  • Senado aprova inclusão de municípios do RJ no Benefício Garantia-Safra

    Senado aprova inclusão de municípios do RJ no Benefício Garantia-Safra

    O Senador Federal aprovou, nesta terça-feira (15), projeto de lei que estabelece a área do semiárido no Rio de Janeiro para estender a 22 municípios a abrangência do Benefício Garantia-Safra. A proposta de autoria do ex-deputado Wladimir Garotinho, filho do ex-governador do Estado Anthony Garotinho, vai à sanção presidencial.

    Conforme o projeto, o objetivo é garantir o benefício aos referidos municípios ao enquadrá-los como parte da área do semiárido no Rio de Janeiro. Além disso, a proposta cria o Fundo de Desenvolvimento Econômico do Norte e do Noroeste Fluminense. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) foi o relator ad hoc no plenário, substituindo o relator original.

    Carlos Portinho.

    Carlos Portinho.Jefferson Rudy/Agência Senado

    Veja quais municípios serão parte da área do semiárido:

    • Italva
    • Cardoso Moreira
    • Campos dos Goytacazes
    • São João da Barra
    • São Fidélis
    • São Francisco de Itabapoana
    • Porciúncula
    • Natividade
    • Laje do Muriaé
    • Itaperuna
    • Bom Jesus do Itabapoana
    • Varre-Sai
    • São José de Ubá
    • Miracema
    • Itaocara
    • Cambuci
    • Aperibé
    • Santo Antônio de Pádua
    • Carapebus
    • Conceição do Macabu
    • Macaé
    • Quissamã

    O Benefício Garantia-Safra será destinado a agricultores familiares vitimados pelo fenômeno da estiagem, nas regiões que especifica, para distribuir as regiões a área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Por fim, o Fundo de Desenvolvimento Econômico do Norte e do Noroeste Fluminense, de natureza contábil, terá como objetivo apoiar as atividades produtivas e o desenvolvimento dos Municípios referidos.

    “A criação de um fundo contábil com o intuito de destinar recursos para atividades produtivas visando o desenvolvimento da Mesorregião Geográfica Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, e o estabelecimento das mesorregiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro como áreas que apresentam entraves inalteráveis para a produção agrícola são, portanto, medidas inadiáveis para direcionar políticas públicas voltadas para o seu desenvolvimento”, defende o senador Romário (PL-RJ), relator da proposta.

  • Vídeo: Janones diz que deputados do PL o apalparam nas partes íntimas

    Vídeo: Janones diz que deputados do PL o apalparam nas partes íntimas

    O deputado federal André Janones (Avante-MG) relatou, nesta terça-feira (15) durante a sessão do Conselho de Ética que culminou na suspensão de três meses do mandato, que foi apalpado nas partes íntimas por deputados do PL. Conforme o parlamentar, o episódio aconteceu após ele gravar vídeo com críticas a Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele aponta ter sido cercado, agredido e assediado por congressistas bolsonaristas.

    “Eles começaram a dizer: ‘Você não vai filmar o Nikolas. Começaram a me empurrar de corpo […] e eu falei: ‘Vocês não vão me intimidar”, iniciou André Janones. “Eu começo a levar socos sem nenhuma força, até o momento, nem encarei como agressão física. Eles começam a me xingar e eu devolvo os xingamentos. Quando de repente, eu começo a levar chutes muito forte, até que em um determinado momento, eles começaram a me apalpar, a pegar no meu pênis”.

    Após Janones fazer o relato, a comissão foi tomada por cochichos e posteriormente risadas, inclusive do presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, deputado Fábio Schiochet (União Brasil-SC). O parlamentar mineiro afirmou que possui gravações que comprovam o relato e posteriormente rebateu as acusações de homofobia.

    “Não ser homofóbico não significa permitir que homens com orientações sexuais divergentes da minha me toquem nas minhas partes íntimas sem a minha autorização”, disse o deputado.

    Assista ao vídeo:

    Suspensão do mandato

    A representação contra Janones foi fundamentada em uma denúncia apresentada pelo Partido Liberal. De acordo com a legenda, durante a sessão ocorrida na última quarta-feira (9), o deputado teria proferido “xingamentos ultrajantes, com expressões de baixo calão, desonrosas e depreciativas” direcionados ao deputado Nikolas Ferreira, que discursava na tribuna.

    André Janones.

    André Janones.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Na ocasião, Janones se referiu aos bolsonaristas como “capachos” e “vira-latas” em razão da posição defendida diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Além disso, segundo a representação, o parlamentar mineiro também fez ofensas de cunho homofóbico contra Nikolas Ferreira ao se referir a ele como “Nikole”, em referência ao episódio que o deputado usou peruca na tribuna para debochar de transexuais.

    A Mesa solicitou a suspensão por seis meses do mandato, porém a decisão do relator foi de reduzir para três meses, levando em consideração a proporcionalidade e gravidade da conduta.

    Em sua defesa, André Janones apresentou um vídeo no qual é cercado por deputados do PL após suas manifestações contra Nikolas. Ele relata, ainda, que foi agredido por eles e que eles violaram o Código de Ética e Decoro Parlamentar.

  • Câmara aprova atuação permanente da Força Nacional do SUS

    Câmara aprova atuação permanente da Força Nacional do SUS

    A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (14) um projeto que transforma em lei a Força Nacional do SUS (FN-SUS), responsável por ações emergenciais em saúde pública. Criada por decreto em 2011, a FN-SUS passará a ter respaldo legal, com estrutura e equipe permanentes. O texto vai ao Senado.

    A medida consolida o programa como política de Estado. A relatora Ana Pimentel (PT-MG) destacou os ganhos para a rede básica e a integração com outras ações do SUS. A proposta é de autoria do deputado licenciado e hoje ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP).

    A deputada Ana Pimentel (PT-MG) foi a relatora do projeto.

    A deputada Ana Pimentel (PT-MG) foi a relatora do projeto.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Atuação em desastres e eventos

    A FN-SUS é acionada por estados e municípios em situações como desastres naturais, epidemias e desassistência. Já atuou em Mariana, em Brumadinho, na pandemia de covid-19 e na crise Yanomami. Também esteve presente na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.

    A nova lei prevê uma equipe de resposta rápida, com profissionais treinados, e permite cooperação com voluntários, hospitais filantrópicos e militares. As Forças Armadas poderão ceder estrutura, com despesas cobertas pelo Ministério da Saúde.

  • Deputados aprovam lei que cria cadastro de pessoas com Alzheimer

    Deputados aprovam lei que cria cadastro de pessoas com Alzheimer

    A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (14) a criação de um cadastro nacional de pessoas com Alzheimer e outras demências. A proposta segue agora para análise do Senado.

    O objetivo é facilitar a localização de pessoas desaparecidas com essas doenças e subsidiar políticas públicas. O texto, relatado por Rosangela Moro (União-SP), foi apresentado por Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ).

    A deputada Rosangela Moro (União Brasil-PR) foi a relatora do projeto.

    A deputada Rosangela Moro (União Brasil-PR) foi a relatora do projeto.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Cadastro deve seguir LGPD

    A relatora incluiu no projeto a exigência de que o banco de dados respeite a Lei Geral de Proteção de Dados. Só órgãos como polícia, Judiciário e Ministério Público poderão acessar as informações, e somente nos limites legais.

    O cadastro será alimentado com dados de sistemas públicos e da Política Nacional de Cuidados às Pessoas com Demência (Lei 14.878/24).

    Dados sobre demência no Brasil

    Segundo a OMS, 55 milhões de pessoas vivem com demência no mundo – número que pode chegar a 139 milhões até 2050. No Brasil, ao menos 1,76 milhão de idosos têm algum tipo de demência, segundo a Fapesp.

    Se aprovado pelo Senado e sancionado, o cadastro entra em vigor em 180 dias.

  • Hugo Motta exonera servidores remotos para encerrar especulações

    Hugo Motta exonera servidores remotos para encerrar especulações

    Em reação a movimentações políticas recentes e a reportagem veiculada pelo Congresso em Foco sobre acúmulo de funções por funcionárias que atuavam de forma remota, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), exonerou duas servidoras que trabalhavam em seu gabinete.

    Foram desligadas Gabriela Pagidis e Monique Magno, ambas nomeadas em 2024 para cargos de secretária parlamentar. A medida, segundo interlocutores, visa evitar interpretações equivocadas e neutralizar especulações.

    A exoneração ocorre após a publicação do Congresso em Foco, que revelou rumores sobre a existência de servidores do gabinete de Motta atuando remotamente e exercendo outras atividades profissionais fora da Câmara. Em resposta à reportagem, a assessoria do parlamentar informou que havia determinado apuração interna sobre os casos.

    Quem são as servidoras exoneradas

    Médica de formação, Monique Magno acumulava dois cargos públicos, um em Brasília e outro na Paraíba, Estado de origem de Hugo Motta. Ela recebia cerca de R$ 1,6 mil líquidos, mais R$ 1,8 mil em auxílios, de acordo com o Portal da Transparência da Câmara.

    Já Gabriela Pagidis, fisioterapeuta, mora em Brasília e conciliava o cargo com uma atividade na iniciativa privada. Sua remuneração na Câmara era de R$ 8,5 mil líquidos, além de R$ 1,7 mil em auxílios.

    Ambas estavam amparadas pelas regras da Casa, que, desde a pandemia de covid-19, permitem o regime remoto sem controle de ponto presencial para determinados cargos. A legislação vigente também não impede o acúmulo de funções quando há compatibilidade de horários.

    Servidoras de gabinete de Hugo Motta são exoneradas.

    Servidoras de gabinete de Hugo Motta são exoneradas.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Decisão preventiva

    Embora não haja irregularidades formais nos casos, a assessoria de Hugo Motta afirma que a decisão de exonerar as servidoras foi tomada como forma preventiva diante do aumento da temperatura política no Congresso.

    A medida também busca esvaziar rumores que circulam nos bastidores e que, segundo avaliação de parlamentares próximos a Motta, fazem parte de um esforço orquestrado para desgastar sua posição em temas centrais da pauta econômica, especialmente após seu protagonismo na derrubada do decreto do IOF e nas críticas à política fiscal baseada em aumento de arrecadação.

  • Projeto prevê licença para pais em caso de aborto espontâneo

    Projeto prevê licença para pais em caso de aborto espontâneo

    Pais que enfrentarem um aborto espontâneo poderão ter direito a um período de repouso remunerado, segundo o PL 2.864/2025, da senadora Dra. Eudócia (PL-AL). O projeto altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para garantir o luto e a recuperação tanto da mulher quanto do parceiro.

    A proposta busca reconhecer os impactos emocionais da perda gestacional, especialmente antes da 22ª semana, quando até 20% das gestações podem terminar em aborto espontâneo. O texto garante duas semanas de licença, prorrogáveis por acordo individual, com manutenção do salário e do posto de trabalho.

    Projeto no Senado propõe duas semanas de repouso remunerado para ambos os pais quando há aborto espontâneo.

    Projeto no Senado propõe duas semanas de repouso remunerado para ambos os pais quando há aborto espontâneo.user15327819/Freepik

    Estudo fundamenta a proposta

    A iniciativa se inspira na tese da pediatra Gláucia Galvão (UFMG), que aponta o luto parental como invisibilizado, especialmente para os homens. Segundo a autora, a ausência de licença para o pai agrava o sofrimento e evidencia desigualdades de gênero no ambiente de trabalho.

    Dra. Eudócia argumenta que a dor dos pais deve ser reconhecida pelo Estado. Ela alerta que a falta de amparo pode afetar vínculos familiares, saúde emocional e relações profissionais.

    O projeto ainda aguarda distribuição para as comissões do Senado.

  • Renan Calheiros diz que Trump faz “terrorismo tarifário” com o Brasil

    Renan Calheiros diz que Trump faz “terrorismo tarifário” com o Brasil

    O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que as tarifas de até 50% impostas por Donald Trump a produtos brasileiros são uma tentativa de interferir nas instituições nacionais. Ele acusou o ex-presidente dos EUA de praticar “terrorismo tarifário” e sugeriu uma reação com base na Lei da Reciprocidade.

    Para Renan, o gesto de Trump busca enfraquecer o Supremo Tribunal Federal e influenciar o julgamento de Jair Bolsonaro. Segundo ele, o Brasil deve dialogar, mas também se defender com firmeza.

    Pressão contra os Brics

    O senador disse que o tarifaço reflete a preocupação dos EUA com o fortalecimento dos Brics e a discussão sobre uma moeda comum entre os 11 países do bloco. Ele ressaltou que os EUA temem a perda de influência global com o avanço dessa articulação.


    “Bolsonaro foi um pretexto e está sendo usado. A questão de fundo, do ponto de vista comercial, é o debate no Brics sobre uma moeda única”


    O pronunciamento foi feito no Plenário do Senado nesta segunda-feira (14).

  • Governo recebe empresários para discutir tarifas de Trump

    Governo recebe empresários para discutir tarifas de Trump

    O comitê interministerial estabelecido pelo governo para negociar com os Estados Unidos pela revogação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros deu início nesta terça-feira (15) aos primeiros encontros com representantes do setor produtivo para tratar dos próximos passos. A primeira reunião, dedicada ao setor industrial, ocorreu durante a manhã, seguida por um encontro com representantes do agronegócio previsto para período da tarde.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin, coordenador da negociação, ressaltou a importância da participação de investidores brasileiros na formulação da estratégia a ser adotada. “O governo brasileiro está empenhado em resolver essa questão e queremos ouvir as sugestão de cada um de vocês”, declarou. 

    Comitê interministerial busca formar estratégias junto ao setor produtivo para negociar pacote tarifário de Trump.

    Comitê interministerial busca formar estratégias junto ao setor produtivo para negociar pacote tarifário de Trump.Lula Marques/Agência Brasil

    Alckmin também reforçou a ausência de justificativa técnica para que o presidente americano Donald Trump impusesse o pacote tarifário. “O Brasil não tem superávit com os Estados Unidos. Aliás, o contrário. Dos dez produtos que eles mais exportam, oito a tarifa é zero”.

    A data definida por Trump para dar início à tarifa é o dia 1º de agosto. Caso até lá a decisão não seja revertida, o governo ficará autorizado a acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, que permite retaliar com a taxação de produtos americanos importados no mercado brasileiro.

    Além do Brasil, o governo americano também anunciou pacotes tarifários contra o México e a União Europeia, com taxas de importação de 30%. 

  • Hugo Motta reage a rumores e pede apuração de servidores remotos

    Hugo Motta reage a rumores e pede apuração de servidores remotos

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou uma verificação interna sobre a atuação de servidores lotados em seu gabinete parlamentar, especialmente os que trabalham de forma remota e, por norma da Casa, são dispensados de registrar ponto.

    A decisão foi comunicada após o Congresso em Foco questioná-lo sobre comentários que passaram a circular no Congresso envolvendo supostas irregularidades no desempenho desses servidores.

    As insinuações surgem em meio ao acirramento da disputa em torno das medidas de compensação ao fim do aumento do IOF, tema no qual Motta tem assumido posição crítica em relação à equipe econômica do governo.

    Hugo Motta detecta articulação e solicita apuração sobre equipe remota.

    Hugo Motta detecta articulação e solicita apuração sobre equipe remota.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Os rumores seriam de que alguns servidores do gabinete do presidente da Câmara exercem, paralelamente, funções em atividades privadas, como uma fisioterapeuta e uma médica em formação. A prática, contudo, não configura irregularidade. Como a Câmara permite o trabalho remoto sem controle de ponto presencial, a jornada é regida por metas semanais e entregas, e não por horário fixo.

    Em outro caso citado, uma servidora acumula dois cargos públicos, sendo um no Estado da Paraíba. Com efeito, a legislação permite o acúmulo, desde que respeitadas as cargas horárias previstas.

    Procurada pelo Congresso em Foco, a assessoria do presidente da Câmara informou que Hugo Motta preza “pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara. Diante das informações fornecidas pela reportagem, o deputado solicitou uma apuração interna para averiguar os casos mencionados”.

    Embora não haja qualquer indício concreto de irregularidade, aliados avaliam que os rumores fazem parte de um movimento orquestrado para desgastar politicamente o presidente da Câmara no momento em que ele lidera um posicionamento firme contra medidas de aumento de impostos.

    Relembre

    A tensão entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e integrantes do governo federal se intensificou após a revogação, pelo Congresso, do decreto que aumentava o IOF sobre operações de câmbio para financiar o piso da enfermagem.

    Motta tem sido uma das principais vozes contra a tentativa do Executivo de compensar a perda de arrecadação por meio de medidas que, na visão da Câmara, aumentam impostos de forma insustentável. Ele tem reiterado publicamente que o equilíbrio fiscal precisa passar pela contenção de despesas, não apenas pelo aumento da carga tributária.

    O clima político se acirrou desde então, com Hugo Motta assumindo protagonismo nas articulações de líderes, que passou a defender abertamente cortes de gastos como prioridade na política fiscal.