Autor: admin

  • 15 anos de Ficha Limpa: a lei popular que sacudiu a política

    15 anos de Ficha Limpa: a lei popular que sacudiu a política

    Manifestantes lavam a rampa do Congresso Nacional durante protesto para pedir a aprovação do projeto da Ficha Limpa.

    Manifestantes lavam a rampa do Congresso Nacional durante protesto para pedir a aprovação do projeto da Ficha Limpa.Sergio Lima/Folhapress

    Em junho de 2010, no último ano de seu segundo mandato, o presidente Lula sancionou a Lei da Ficha Limpa, resultado de uma ampla mobilização popular que reuniu mais de 1,6 milhão de assinaturas. A proposta endureceu as regras para barrar políticos condenados pela Justiça, restringindo a participação de quem tivesse condenações por órgãos colegiados, ainda que sem sentença definitiva.

    Ironia do destino: a mesma lei que Lula sancionou acabou impedindo sua candidatura em 2018 e, atualmente, trava o retorno de Jair Bolsonaro às urnas em 2026. Ao completar 15 anos neste mês, a Ficha Limpa se mantém como uma das principais referências mundiais no combate à corrupção eleitoral, mas segue alvo de tentativas de flexibilização no Congresso e de críticas de políticos de diferentes correntes.

    Mobilização histórica

    A Ficha Limpa nasceu de uma rede organizada por entidades como o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que reúne mais de 70 organizações, e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), liderada na ocasião por Dom Dimas Lara Barbosa. A coleta de assinaturas começou em 2008, contando com forte engajamento de paróquias, associações civis e campanhas na internet. Em setembro de 2009, o projeto foi apresentado ao Congresso, que, pressionado pela opinião pública, o aprovou de forma célere no primeiro semestre de 2010.

    O texto final, transformado na Lei Complementar nº 135/2010, alterou a antiga Lei de Inelegibilidades de 1990 e estabeleceu 14 hipóteses de inelegibilidade. Entre elas, a proibição de candidatura para quem tivesse mandato cassado, contas rejeitadas, condenação por abuso de poder ou corrupção, mesmo sem decisão transitada em julgado.

    Impacto imediato

    O efeito da Ficha Limpa foi imediato. Além de Lula e Bolsonaro, outros políticos tiveram suas candidaturas indeferidas em algum momento, entre eles os ex-deputados Deltan Dallagnol, José Dirceu, Daniel Silveira e Roberto Jefferson, além dos ex-governadores José Roberto Arruda, Agnelo Queiroz e Anthony Garotinho.

    Segundo levantamento da CNN Brasil no Tribunal Superior Eleitoral, apenas entre 2014 e 2024 a lei impediu quase 5 mil candidaturas, cerca de 8% de todas as registradas no período. O mecanismo ajudou a filtrar candidatos com histórico de crimes graves e se transformou em símbolo de participação popular na construção de regras mais rígidas para a política. Muitos sequer se arriscam a concorrer por saber que não atendem às exigências para disputar as eleições.

    Pressão fez diferença

    Jovita Rosa, que foi diretora do MCCE na época da elaboração da lei, recorda como o Congresso, inicialmente refratário, mudou de posição diante da pressão social.

    “Na época eu percebia que a sociedade estava sedenta por mudança. As pessoas dizem ter nojo da corrupção, mas não conseguem sair desse discurso terraplanista de direita e esquerda. É preciso ressaltar que a corrupção não é exclusividade do meio político, está nas empresas, está nas pessoas”, afirmou Jovita, hoje presidente do Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), ao Congresso em Foco.

    Segundo ela, os parlamentares sentiram um verdadeiro “levante da sociedade” em 2010. “Os políticos tinham resistência ao projeto e medo da sociedade. Os partidos eram contra”, lembrou. “Hoje perderam o receio de se colocar favoráveis a questões de desvio. Não têm mais medo”, acrescentou. O projeto foi aprovado sem nenhum voto contrário na Câmara ou no Senado. As casas eram presididas na época por Michel Temer (MDB-SP) e José Sarney (MDB-AP), respectivamente.

    Lula e Bolsonaro

    A Ficha Limpa também marcou a eleição presidencial de 2018 ao impedir a candidatura de Lula, preso após condenação na Operação Lava Jato. O TSE barrou o registro de sua candidatura, decisão que só seria revertida anos depois, quando o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações ao concluir que houve irregularidades no processo e ausência de provas de crime.

    Na época, além de protestarem contra a condenação de Lula, seus aliados criticavam o rigor da lei de inelegibilidade. Nenhum parlamentar, porém, propôs a revogação da Ficha Limpa.

    Agora, quem está fora da disputa graças à mesma lei é Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi declarado inelegível até 2030 por abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação ao atacar, sem provas, a segurança das urnas. Incomodado, Bolsonaro já defendeu reduzir o tempo de inelegibilidade de oito para dois anos, chegando até a propor a revogação completa da lei, sob o argumento de perseguição à direita mesmo tendo votado a favor dela em 2010, quando ainda era deputado.

    “A Lei da Ficha Limpa serve apenas para isso: perseguir a direita, e ponto final”, disse Bolsonaro em fevereiro deste ano. Ele defendeu a revogação integral do texto: “Eu sou até radical, o ideal seria revogar essa lei, que assim não vai perseguir mais ninguém, e quem decide se vai eleger ou não o candidato é você”, completou.

    Parlamentares aliados apresentaram o PLP 141/2023, que encurtaria o período de inelegibilidade. Se aprovado, poderia permitir a candidatura de Bolsonaro em 2026, mas a proposta ainda enfrenta resistência e precisaria passar por revisão judicial.

    Disputas jurídicas e críticas

    Desde a sanção, a Lei da Ficha Limpa já foi alvo de vários testes no Supremo Tribunal Federal. Em 2010, havia expectativa de aplicá-la imediatamente, mas o STF decidiu que ela só valeria a partir das eleições municipais de 2012, em respeito ao princípio da anualidade eleitoral. Posteriormente, a Corte reconheceu plenamente sua constitucionalidade, considerando a lei um pilar para proteger a moralidade e a probidade no processo democrático.

    Críticos, contudo, apontam que a Ficha Limpa fere a presunção de inocência, já que impede candidaturas antes do trânsito em julgado. Também alertam para o risco de politização de tribunais de contas estaduais, cujos conselheiros podem ser indicados por governadores e usar rejeição de contas para barrar adversários. Para evitar injustiças, a lei prevê a possibilidade de recursos cautelares para tentar reverter a inelegibilidade.

    Antes e depois da Ficha Limpa

    Antes da Ficha Limpa, políticos condenados por corrupção podiam voltar a disputar eleições poucos anos depois, já que a Lei Complementar 64/90 estabelecia prazos de inelegibilidade geralmente de até 3 anos e exigia decisão definitiva para impedir candidaturas. Com a LC 135/2010, as restrições ficaram mais duras e claras, elevando o prazo para até 8 anos após o término do mandato e incluindo decisões colegiadas.

    Na prática, a nova lei trouxe filtros que mudaram a forma como o eleitor avalia o histórico dos candidatos. Hoje, qualquer cidadão pode consultar no site do Tribunal Superior Eleitoral se existem processos ou irregularidades capazes de barrar uma candidatura.

    Desafios e futuro

    Mesmo comemorando 15 anos, a Lei da Ficha Limpa continua em disputa. Tentativas de flexibilizá-la não faltam, seja para reduzir prazos, seja para reinterpretar dispositivos. Especialistas alertam, porém, que as cortes superiores tendem a preservar o espírito da norma e não devem aprovar retrocessos que fragilizem seu alcance. Ainda assim, a pressão política promete seguir intensa nos próximos meses.

    Vigilância e legado

    Um dos atuais diretores do MCCE, Luciano Santos considera um desafio constante manter as regras mais rígidas da Ficha Limpa, tarefa que exige vigilância permanente da sociedade civil. Na avaliação dele, mais do que a lei em si, importa o debate que ela impulsiona no país.

    “Nossa luta é contínua. Diversas vezes tentaram alterá-la. Acreditamos que ela é importante. Hoje tem clubes e condomínios exigindo em seus estatutos que os candidatos sejam ‘ficha limpa’. Apesar desses ataques recentes, a lei é relevante porque traz esse debate”, declarou ao Congresso em Foco.

    Luciano também ressaltou o legado popular. “Ela mostrou que, quando a população se mobiliza, pode criar novas leis. Não precisa depender apenas do Congresso. Esse mecanismo de iniciativa popular pode ser uma alternativa para outros temas importantes”, afirmou.

    Para propor um projeto de lei de iniciativa popular, é necessário reunir o apoio de pelo menos 1% do eleitorado nacional. As assinaturas precisam estar distribuídas por ao menos cinco estados, com um mínimo de 0,3% dos eleitores de cada um deles.

    Preocupação de momento

    Assim como Jovita Rosa, Márlon Reis era diretor do MCCE e juiz eleitoral à época. Mesmo de volta à advocacia com atuação em oujtras frentes, Márlon defende vigilância constante sobre iniciativas do Congresso que tentam enfraquecer a Ficha Limpa. Sua maior preocupação hoje é com o projeto de reforma do Código Eleitoral, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

    A polêmica se refere à contagem do prazo de inelegibilidade. Pelo projeto, os oito anos passariam a ser contados a partir da condenação por órgão colegiado, somando também o tempo até o trânsito em julgado, independentemente do cumprimento da pena.

    “Isso praticamente torna inaplicável a punição da Lei da Ficha Limpa”, afirmou Márlon ao Congresso em Foco. “É pior do que antes, quando a inelegibilidade era de apenas três anos após o cumprimento da pena”, completou.

    Segundo ele, o novo modelo permitiria que um condenado a penas longas, como 10 ou 12 anos de prisão, cumprisse a pena já com o prazo de inelegibilidade esgotado, podendo disputar eleições assim que deixasse o sistema prisional. “Essa mudança permite que alguém recém-saído da prisão entre direto na disputa eleitoral, sem nenhum tempo de afastamento, sem depuração alguma”, criticou.

  • Plano Safra 25/26 prevê R$ 89 bilhões para agricultura familiar

    Plano Safra 25/26 prevê R$ 89 bilhões para agricultura familiar

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira (30) o Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026. O programa prevê R$ 89 bilhões para crédito rural no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de políticas públicas complementares como compras institucionais, seguro agrícola, assistência técnica e garantia de preço mínimo. O valor representa um recorde para o setor. Em 2024, o total de recursos foi de R$ 76 bilhões.

    Do montante anunciado, R$ 78,2 bilhões serão destinados ao Pronaf, que completa 30 anos em 2025. Está mantida a taxa de juros de 3% ao ano para financiamento da produção de alimentos como arroz, feijão, mandioca, frutas, verduras, ovos e leite. Para cultivos orgânicos ou agroecológicos, a taxa será reduzida para 2%.

    Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula ressaltou a evolução do programa e as condições de financiamento oferecidas. “Eu vi uma quantidade de juros de 3%, de 2%, acho que a taxa mais alta é de 5% [em outras linhas de crédito]. É importante registrar que uma taxa de juro a 5% numa inflação de 5% é taxa de juro zero. É importante lembrar que uma taxa de juro a 3% num país com a inflação de 5% significa menos dois, é menos que juro zero”, afirmou.

    O presidente também elogiou o papel dos bancos públicos no apoio à agricultura familiar. “Nossos bancos estão fazendo aquilo que historicamente não se fazia nesse país. É por isso que o programa ganhou densidade nacional”, disse.

    Lula mencionou ainda os efeitos positivos da mecanização no campo e sua relação com a indústria de máquinas e equipamentos. “Quando nós criamos o Programa Mais Alimentos, em 2008, a gente conseguiu um sucesso extraordinário, porque foi o Programa Mais Alimentos que fez com que sobrevivesse a indústria automobilística naquele instante, que estava vivendo uma crise, porque nós conseguimos vender 80 mil tratores até 80 cavalos. E a mesma coisa está acontecendo agora”, declarou.

    O presidente destacou a necessidade de adaptação tecnológica às realidades dos pequenos produtores. “Ou seja, se a gente não criar as condições, se a gente não provocar o empresário para que ele possa produzir máquinas de acordo com o tamanho da terra… porque um cidadão que tem 10 hectares, ele não pode comprar uma máquina daquela que tem 50 metros de largura. Não, ele precisa de uma máquina do tamanho da terra dele”, reforçou.

    Cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026.

    Cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

    Novas linhas de crédito

    Entre as novidades do plano estão linhas de crédito voltadas à agroecologia, irrigação sustentável, adaptação às mudanças climáticas, conectividade no campo, acessibilidade e quintais produtivos. Um dos destaques é o microcrédito específico para mulheres rurais, com foco nos quintais produtivos, com limite de até R$ 20 mil, juros de 0,5% ao ano e bônus de adimplência entre 25% e 40%. A iniciativa atende a demandas da Marcha das Margaridas de 2023.

    Os quintais produtivos, também chamados de quintais agroecológicos ou caseiros, são áreas próximas às residências onde mulheres cultivam hortas, pomares, criam pequenos animais e utilizam plantas medicinais, integrando a produção de alimentos ao cotidiano familiar.

    O plano também amplia o incentivo à mecanização no campo. No âmbito do Programa Mais Alimentos, o limite de financiamento para a compra de máquinas e equipamentos de menor porte subiu de R$ 50 mil para R$ 100 mil, mantendo a taxa de juros de 2,5% ao ano. Para máquinas de maior porte, com valor de até R$ 250 mil, a taxa de juros será de 5%, com subsídio do governo federal.

    Além disso, o governo destinou R$ 1,1 bilhão ao Garantia-Safra e R$ 5,7 bilhões ao Proagro Mais. As compras públicas de produtos da agricultura familiar receberão R$ 3,7 bilhões. Foram anunciados ainda R$ 240 milhões para assistência técnica e R$ 42,2 milhões para garantia de preço mínimo de produtos da sociobiodiversidade: babaçu, pirarucu e borracha.

    Outra medida anunciada foi o lançamento do Programa de Transferência de Embriões, voltado à inovação genética na cadeia leiteira.

    O governo informou que o Plano Safra 2025/2026 voltado ao agronegócio, com foco em médios e grandes produtores, será lançado nesta terça-feira (1º/7).

    Política para redução de agrotóxicos

    Durante o evento, Lula também assinou o decreto que institui o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara). A iniciativa tem como objetivo estimular práticas agrícolas “mais seguras, resilientes e saudáveis”, com ações como pesquisa científica, monitoramento de resíduos em alimentos e no meio ambiente, fortalecimento da assistência técnica e promoção do uso de bioinsumos.

  • Governo politiza a responsabilidade fiscal, afirma Ciro Nogueira

    Governo politiza a responsabilidade fiscal, afirma Ciro Nogueira

    Presidente nacional do Progressistas, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) criticou nas redes sociais, nesta segunda-feira (30), a forma como o governo vem tratando a responsabilidade fiscal. Segundo o parlamentar, o Executivo politiza, ideologiza o tema, como uma antessala de 2026.

    Senador Ciro Nogueira.

    Senador Ciro Nogueira.Andressa Anholete/Agência Senado

    “Não fazemos oposição ao país e não acreditamos que somente mais aumento de impostos, mais uma vez, travestido de ‘luta de classes, levará a lugar algum. Sabemos para onde o populismo fiscal conduz as nações e os povos”, escreveu Ciro Nogueira.

    O senador, que foi a favor da derrubada e do aumento do número de deputados, acrescentou no texto que “não quer o pior” para o país. “Queremos o melhor, a partir de um conjunto de propostas coerentes e sólidas e nunca faltará de nossa parte capacidade de dialogar quando o melhor para o Brasil estiver em jogo. Mas isso exige que, do lado do governo, a qualidade do debate saia dos palanques e chegue à realidade, que é grave e urgente”.

    A declaração se dá após os ânimos entre Planalto e Congresso se acirrarem em razão da derrubada do decreto de aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). Apesar da derrota na Câmara dos Deputados e Senado, o governo avalia judicializar a questão do IOF e garantir a arrecadação de R$ 7 bilhões.

    Desde a derrubada do decreto, o governo vem adotando uma postura mais firme para defender a justiça tributária. Durante o lançamento do Plano Safra, nesta segunda-feira, o presidente Lula afirmou que a construção de um país justo passa pela tributação e pela repartição. No mesmo evento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou sobre a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, promessa de campanha do presidente.

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou a posição do governo diante da derrubada do IOF. “Quem alimenta o ‘nós contra eles acaba governando contra todos. A Câmara dos Deputados, com 383 votos, de deputados de esquerda, de direita, decidiu derrubar um aumento de imposto sobre o IOF, um imposto que afeta toda a cadeia econômica”, afirmou em vídeo.

  • Hugo diz que avisou sobre queda do IOF e critica “nós contra eles”

    Hugo diz que avisou sobre queda do IOF e critica “nós contra eles”

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), publicou um vídeo na manhã desta segunda-feira (30) na rede social Instagram defendendo a atuação da Câmara na votação que derrubou a alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) decretada pelo governo Lula.

    “Quem alimenta o ‘nós contra eles acaba governando contra todos. A Câmara dos Deputados, com 383 votos, de deputados de esquerda, de direita, decidiu derrubar um aumento de imposto sobre o IOF, um imposto que afeta toda a cadeia econômica”, afirma na gravação. “A polarização política no Brasil tem cansado muita gente, e agora querem criar a polarização social”.

    A publicação vem em um momento de atrito entre governo e Congresso. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na semana passada que se surpreendeu a queda do decreto do IOF na Câmara e no Senado. Hugo nega que as votações tenham sido uma surpresa para o governo e lembra que já havia avisado que o assunto seria mal recebido pelos parlamentares.

    “Capitão que vê o barco indo em direção ao iceberg e não avisa não é leal, é cúmplice. E nós avisamos ao governo que essa matéria do IOF teria muita dificuldade de ser aprovada no Parlamento. O presidente de qualquer Poder não pode servir a um partido. Ele tem que servir ao seu país”, disse o presidente da Câmara.

  • Moraes marca depoimentos de testemunhas dos réus do núcleo 2

    Moraes marca depoimentos de testemunhas dos réus do núcleo 2

    Ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques faz parte do núcleo 2 da trama golpista e terá testemunhas de defesa ouvidas por Alexandre de Moraes.

    Ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques faz parte do núcleo 2 da trama golpista e terá testemunhas de defesa ouvidas por Alexandre de Moraes.Pedro Ladeira/Folhapress

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu para o período de 14 a 21 de julho de 2025 as audiências de instrução da Ação Penal 2693, que investiga seis acusados por suposta tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e atos antidemocráticos relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. As sessões ocorrerão por videoconferência, sem suspensão dos prazos processuais, mesmo durante o recesso forense. Este é o chamado núcleo 2 apontado no processo da trama golpista.

    Entre os réus estão Fernando de Sousa Oliveira (delegado da Polícia Federal), Filipe Garcia Martins Pereira (ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República), Marcelo Costa Câmara (coronel da reserva e ex-assessor da Presidência), Marília Ferreira de Alencar (delegada e ex-diretora de Inteligência da PF), Mário Fernandes (general da reserva) e Silvinei Vasques (ex-diretor-geral da PRF). Eles respondem por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

    Entre as testemunhas relacionadas estão o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), o senador Eduardo Girão (Novo-CE), o vereador carioca Carlos Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ).

    A denúncia aponta que o grupo elaborou a chamada “minuta do golpe”, monitorou atividades do próprio ministro Alexandre de Moraes e articulou, junto à Polícia Rodoviária Federal, ações para dificultar o voto de eleitores do Nordeste nas eleições de 2022.

    As defesas negam participação nos fatos, alegam falhas na cadeia de custódia de dados eletrônicos, como mensagens que teriam sido recuperadas de forma embaralhada, e questionam a validade de provas obtidas em acordos de colaboração premiada, incluindo o depoimento do tenente-coronel Mauro Cid.

    O STF, no entanto, reafirmou a legalidade da colaboração e rejeitou preliminares que pediam absolvição sumária, nulidade do processo ou suspeição de ministros, destacando que tais teses já haviam sido analisadas e afastadas pela 1ª Turma da Corte.

    Segundo a Procuradoria-Geral da República, os réus do núcleo 2 são acusados de organizar ações para “sustentar a permanência ilegítima” de Jair Bolsonaro no poder, em 2022.

    O cronograma prevê que as testemunhas de acusação sejam ouvidas no dia 14 de julho, incluindo Mauro Cid, que firmou acordo de colaboração. Em seguida, serão ouvidas as testemunhas de defesa, num total de 118 pessoas, sendo que algumas foram arroladas por mais de um réu. Autoridades detentoras de prerrogativa de foro poderão escolher local, data e horário para prestar depoimento, e as defesas terão cinco dias para solicitar alterações na agenda.

    Pedidos para ouvir investigados em outros processos, como Jair Bolsonaro, Anderson Torres, generais do Exército e outros corréus, foram indeferidos, pois a jurisprudência do STF impede que réus em ações conexas sejam ouvidos como testemunhas ou informantes.

    Além disso, a Corte autorizou a Polícia Federal a fornecer às defesas, mediante termo de confidencialidade, acesso integral ao material apreendido ainda não juntado aos autos, garantindo sigilo sobre dados pessoais sensíveis.

    Na decisão, Alexandre de Moraes considerou que a denúncia reúne provas suficientes de materialidade e indícios de autoria, permitindo o prosseguimento regular da ação penal e a apuração completa dos fatos.

  • Aposentadoria especial para supervisor pedagógico: entenda o que muda

    Aposentadoria especial para supervisor pedagógico: entenda o que muda

    Supervisores pedagógicos das secretarias municipais e estaduais de Educação estão mais próximos de conquistar o direito à aposentadoria especial. A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 17, o projeto de lei 2709/2022, que amplia o benefício para quem atua no suporte técnico e pedagógico às escolas. A proposta agora aguarda designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça.

    Atualmente, apenas professores, coordenadores e diretores que atuam dentro das escolas podem se aposentar mais cedo. Os supervisores das secretarias, mesmo exercendo funções ligadas à educação, são tratados como servidores comuns. Por isso, precisam trabalhar mais tempo e só podem se aposentar a partir dos 65 anos, no caso dos homens, e dos 62 anos, no caso das mulheres.

    Proposta adequa os direitos previdenciários de supervisores pedagógicos às demais carreiras da educação.

    Proposta adequa os direitos previdenciários de supervisores pedagógicos às demais carreiras da educação.José Cruz/Agência Brasil

    Com a nova proposta, o trabalho dos supervisores nas secretarias será reconhecido como parte das funções de magistério. Isso permitirá que esses profissionais se aposentem mais cedo: homens aos 60 anos e mulheres aos 57. Para isso, será preciso comprovar que atuaram por pelo menos 25 anos em atividades pedagógicas. Além disso, o projeto garante que o tempo dedicado a cursos de formação ou pós-graduação continue sendo contado, desde que o estudo esteja ligado à função exercida.

    Outra exigência é ter contribuído por, no mínimo, 15 anos para a Previdência. Isso significa que, mesmo cumprindo o tempo de trabalho na educação e atingindo a idade mínima, o profissional só poderá se aposentar se tiver feito esse número mínimo de pagamentos mensais ao sistema de aposentadoria. Essa regra vale para todos os casos de aposentadoria e também se aplica aos professores que têm direito às condições especiais.

    Segundo o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), autor da proposta, a exclusão dos supervisores das secretarias desestimula quem exerce uma função essencial à qualidade da educação pública. O projeto busca corrigir essa injustiça, garantindo as mesmas condições aos profissionais da rede, independentemente do local onde trabalham. Se aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, o texto seguirá diretamente para o Senado, sem precisar passar por votação no Plenário da Câmara.

  • De “corrupto” a “dinossauro idiota”: as caneladas entre Lula e Milei

    De “corrupto” a “dinossauro idiota”: as caneladas entre Lula e Milei

    Milei passará a Lula a presidência do Mercosul nesta semana. Argentino é crítico do bloco econômico e tem histórico de ataques ao colega brasileiro.

    Milei passará a Lula a presidência do Mercosul nesta semana. Argentino é crítico do bloco econômico e tem histórico de ataques ao colega brasileiro.Arte Congresso em Foco/IA/ChatGPT

    A troca de ataques entre os presidentes do Brasil, Lula, e da Argentina, Javier Milei, se estende desde a campanha eleitoral do autodeclarado ultraliberal em 2023. Aliado de Jair Bolsonaro, Milei acusou Lula de tentar interferir nas eleições argentinas em favor do candidato Sergio Massa, seu principal adversário. Eleito em em novembro de 2023, chamou o petista de “corrupto”, “comunista” e “dinossauro idiota”. Do outro lado, o presidente brasileiro reagiu com críticas e, após a vitória de Milei, cobrou um pedido de desculpas pelas ofensas e recusou o convite para a posse do colega.

    Apesar do clima tenso, Lula e Milei vão se encontrar nesta semana em Buenos Aires. Será a primeira visita oficial do chefe do Executivo ao país vizinho desde o início do governo Milei, ocasião em que o presidente argentino passará a presidência temporária do Mercosul ao brasileiro mesmo sendo um crítico feroz do bloco regional, que já chamou de “um estorvo”.

    O encontro promete um ambiente protocolar, mas cercado de desconfiança, marcado por declarações duras de ambos os lados. A seguir, algumas das frases mais contundentes trocadas entre Lula e Milei.

    Milei passará a Lula a presidência do Mercosul nesta semana. Argentino é crítico do bloco econômico e tem histórico de ataques ao colega brasileiro.

    Milei passará a Lula a presidência do Mercosul nesta semana. Argentino é crítico do bloco econômico e tem histórico de ataques ao colega brasileiro.Arte Congresso em Foco/IA/ChatGPT

    Encontro frio

    Este não será o primeiro encontro entre os dois. Em novembro, Lula não escondeu o desconforto ao cumprimentar Milei. Um seco aperto de mão entre eles contrastou com os abraços efusivos do presidente brasileiro a outras autoridades internacionais, como o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron.

  • Moraes é escolhido relator da ação sobre derrubada do IOF

    Moraes é escolhido relator da ação sobre derrubada do IOF

    O ministro Alexandre de Moraes foi designado relator da ação movida pelo Psol contra o decreto do Congresso Nacional que derrubou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), decretado pelo governo Lula. A redistribuição foi determinada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso.

    Barroso justificou a mudança ao lembrar que Moraes já é relator de outro processo sobre o mesmo tema: uma ação proposta pelo PL que questiona a constitucionalidade dos decretos presidenciais que elevaram as alíquotas do IOF. Segundo o presidente do STF, embora cada ação conteste atos diferentes (um do Executivo e outro do Legislativo), há entre elas “importante grau de afinidade entre os temas em discussão e fundado risco de decisões contraditórias”.

    Decisão do STF visa assegurar coerência no julgamento sobre aumento do imposto.

    Decisão do STF visa assegurar coerência no julgamento sobre aumento do imposto.Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    Conexão entre atos

    Na ação mais recente, o Psol pede que o Supremo anule o decreto legislativo aprovado pelo Congresso em 26 de junho, que revogou as medidas do Executivo para aumentar o imposto. O partido argumenta que o Legislativo usurpou competência exclusiva do presidente da República ao interferir em decisões de política tributária e econômica.

    Para Barroso, “a análise do tema exige que primeiro se delimite se o Presidente da República exerceu seu poder dentro dos limites regulamentares ou da delegação legislativa, para, na sequência, analisar se o procedimento suspensivo do Parlamento encontra amparo no texto constitucional”.

    Segurança jurídica

    Inicialmente, o caso havia sido sorteado para o ministro Gilmar Mendes. Ao reconhecer que os dois processos tratam de um mesmo conjunto de medidas tributárias e envolvem consequências jurídicas diretas entre si, Gilmar encaminhou o caso à presidência do STF. Ele alertou para o “fundado risco de decisões contraditórias”. Na decisão publicada hoje, Barroso reforçou esse entendimento.

    Veja a íntegra do despacho.

    • Processo: ADIn 7.839
  • “Lotado” ou “flopou”: o que a internet falou do ato de Bolsonaro em SP

    “Lotado” ou “flopou”: o que a internet falou do ato de Bolsonaro em SP

    A manifestação em apoio a Jair Bolsonaro na Avenida Paulista no último domingo (29) dividiu as opiniões na internet, como de costume. Nas redes sociais, o foco caiu sobre o número de pessoas no ato, estimado pela USP como próximo a 12.400 pessoas no momento ápice:

    • Apoiadores do presidente comemoraram o comparecimento à manifestação. Usuários das redes sociais falaram que a Paulista estava “lotada”, e publicaram imagens do protesto como forma de sustentar essa afirmação.
    • Parlamentares e internautas mais ligados à esquerda disseram que o ato “flopou” e teve pouca adesão. Também circularam vídeos de um grupo de skatistas na manifestação, que gritaram palavras de ordem contra o ex-presidente.

    Manifestação pró-Bolsonaro na Avenida Paulista reuniu cerca de 12.400 pessoas, segundo metodologia da USP.

    Manifestação pró-Bolsonaro na Avenida Paulista reuniu cerca de 12.400 pessoas, segundo metodologia da USP.Felipe Marques/Zimel Press/Folhapress

    Leia abaixo comentários de usuários e políticos a favor e contra o ato.

    Pró-Bolsonaro

    Contra Bolsonaro

  • Entenda como é garantida a segurança do Prêmio Congresso em Foco

    Entenda como é garantida a segurança do Prêmio Congresso em Foco

    Criado para valorizar a boa atuação parlamentar, o Prêmio Congresso em Foco adota um rigoroso sistema de segurança para garantir a legitimidade dos resultados. A votação popular da edição de 2025 ocorre até o dia 20 de julho, pela internet. Paralelamente, jornalistas especializados e um júri técnico também escolhem os melhores congressistas do ano.

    O processo de votação popular é blindado contra fraudes e manipulações, graças à atuação de auditorias complementares. O objetivo é preservar a confiança do público e assegurar que os premiados sejam, de fato, os mais bem avaliados pela sociedade.

    Saiba mais: a votação para o Prêmio Congresso em Foco 2025 já começou! Não deixe de participar. 

    Perito da Polícia Federal acompanha o processo digital em tempo real.

    Perito da Polícia Federal acompanha o processo digital em tempo real.Arte Congresso em Foco.

    Dois níveis de auditoria

    A integridade da votação popular depende da atuação simultânea de auditorias interna e externa. O monitoramento técnico é constante e segue parâmetros rígidos.

    A auditoria externa é feita por um perito criminal federal, associado à Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF). O especialista tem acesso total ao sistema e acompanha a votação em tempo real. Sua função é verificar a higienização da base de dados, auditar os mecanismos de segurança contra fraudes e identificar votos inválidos. Ele também avalia a estrutura técnica da plataforma digital utilizada.

    Já a auditoria interna se baseia em tecnologia de rastreamento de padrões. Um sistema avançado detecta comportamentos automatizados, como ações de robôs, e bloqueia esses acessos. Quando há suspeita leve, o voto é marcado com dados técnicos como endereço IP, localização geográfica e impressão digital do dispositivo usado. Cada registro é revisado por um sistema automatizado, que valida ou descarta os votos de acordo com os indícios apurados.

    Além disso, a organização do prêmio divulga dois boletins parciais, nos dias 1º e 8 de julho, permitindo transparência sem comprometer o sigilo do resultado final.

    Você pode votar clicando aqui.

    Participação ativa da sociedade

    Mais do que uma celebração simbólica, o Prêmio Congresso em Foco busca estimular a cidadania ativa. Ao permitir que a sociedade vote nos parlamentares que mais se destacaram, a premiação promove o controle social sobre os eleitos e valoriza os bons exemplos no Congresso Nacional.

    A seleção dos vencedores também considera o voto de jornalistas especializados e a avaliação de um júri técnico formado por representantes da academia, do setor privado, de organizações sociais e da equipe do Congresso em Foco.

    A cerimônia deste ano está marcada para 20 de agosto, no Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília. Até lá, o processo de votação segue sob vigilância constante: técnica, ética e cidadã.

    Evolução do Prêmio Congresso em Foco.

    Evolução do Prêmio Congresso em Foco.Arte Congresso em Foco