Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Fraudes no INSS: Justiça bloqueia R$ 23,8 milhões de investigados

    Fraudes no INSS: Justiça bloqueia R$ 23,8 milhões de investigados

    A Justiça Federal bloqueou, nesta segunda-feira (2), R$ 23,8 milhões em bens de empresas e respectivos sócios investigados pelas fraudes em descontos associativos nas aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

    Fachada do INSS.

    Fachada do INSS.Fábio Pozzebom/Agência Brasil

    A juíza federal Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7ª Vara Federal do Distrito Federal, emitiu a decisão após ação movida pela Advocacia-Geral da União (AGU), a qual foi desmembrada em 15 processos. O órgão federal representou contra o instituto de previdência para utilizar os valores bloqueados como forma de ressarcimento para aposentados e pensionistas lesados pelas fraudes no INSS.

    Foi decretada a indisponibilidade de bens e ativos das empresas Venus Consultoria Assessoria Empresarial e da THJ Consultoria. Houve o bloqueio de bens dos respectivos sócios das pessoas jurídicas, Alexandre Guimarães e Rubens Oliveira Costa, da Venus, e Thaisa Hoffmann Jonasson, da THJ.

    A Advocacia pediu na ação, ajuizada em 8 de maio, o bloqueio de bens na ordem de R$ 2,56 bilhões contra 12 entidades associativas e seus dirigentes, totalizando 60 réus. A determinação da juíza foi que após o desmembramento, cada processo tivesse no máximo cinco réus.

    Conforme a ação da AGU, as entidades denunciadas são apontadas como empresas de fachada, criadas para a prática de fraude contra aposentados e pensionistas do INSS. As investigações demonstram, ainda, que houve pagamento de vantagens a agentes públicos, por parte dessas empresas, para realizar descontos indevidos.

    As 12 organizações organizadas já respondem no INSS a processos de responsabilização, abertos por prática de corrupção. As empresas constam como réus, porque, de acordo com o inquérito da Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), são companhias de fachada. Elas foram criadas com o objetivo de cometer fraudes e descontos indevidos por meio de laranjas.

  • No STF, Tarcísio nega que Bolsonaro tenha falado em golpe de Estado

    No STF, Tarcísio nega que Bolsonaro tenha falado em golpe de Estado

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) como testemunha de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que apura suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Durante o depoimento, Tarcísio relatou encontros com Bolsonaro nos meses de novembro e dezembro de 2022, mas negou ter ouvido do ex-presidente qualquer menção a atos de ruptura institucional.

    Veja um trecho do depoimento:

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    Segundo Tarcísio, as visitas ocorreram nos dias 15 e 19 de novembro e em 10, 14 e 15 de dezembro, em Brasília, no Palácio da Alvorada. Ele contou que, após retornar de uma viagem de descanso aos Estados Unidos em novembro, viajou algumas vezes à capital federal para tratar de sua mudança, já que sua família residia ali, e aproveitou para visitar o então presidente da República.

    “Toda vez que eu ia a Brasília eu fazia a visita ao presidente Bolsonaro pela consideração que eu tinha, pela relação de amizade, pela gratidão”, afirmou o governador.

    Tarcísio destacou que, durante o período em que foi ministro da Infraestrutura (de janeiro de 2019 a março de 2022), jamais presenciou qualquer comportamento de Bolsonaro que indicasse intenção de romper com a ordem democrática. A mesma avaliação foi feita em relação às visitas ocorridas no fim de 2022:

    “Jamais tocou nesse assunto [ruptura]. Jamais mencionou qualquer tentativa de ruptura. Encontrei o presidente triste, resignado”, disse. “Conversávamos sobre muita coisa e esse assunto nunca veio à pauta.”

    O governador ainda contou que Bolsonaro estava com problemas de saúde, e que as conversas giraram principalmente em torno de sua gestão futura à frente do governo de São Paulo. Disse que buscava conselhos do ex-presidente sobre montagem de secretariado e experiências administrativas.

    “O presidente sempre esteve comigo no sentido de orientar, transmitir a experiência dele, o que ele acertou, o que errou, para que eu também pudesse tomar as melhores decisões”, relatou.

    Tarcísio também comentou sobre o clima de transição de governo e lembrou que Bolsonaro havia designado o então ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, para liderar a equipe de transição no dia 5 de novembro de 2022, dez dias antes de sua primeira visita a Bolsonaro naquele período.

    “O pressuposto era de que o governo Lula iria assumir. O presidente já tinha nomeado uma pessoa para liderar a transição, e a equipe já estava instalada no CCBB”, afirmou.

    Questionado se manteve contato com outros integrantes do governo Bolsonaro no período entre novembro e dezembro, o governador respondeu negativamente e reforçou que conversou apenas com o então presidente.

    Ao final do depoimento, Tarcísio disse não ter conhecimento de nenhum fato que relacione Bolsonaro aos eventos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas por apoiadores do ex-presidente.

    “Não, nenhum. O presidente sequer estava no Brasil”, disse, encerrando seu depoimento.

  • Suplente de Zambelli reforça bancada militar e coleciona polêmicas

    Suplente de Zambelli reforça bancada militar e coleciona polêmicas

    O ex-deputado federal e suplente de Carla Zambelli (PL-SP), Coronel Tadeu, causou polêmica ao longo de seu mandato (2019-2023) por destruir cartaz do Dia da Consciência Negra na Câmara dos Deputados.

    A exibição, que denunciava a violência policial contra a população negra, foi violada pelo então parlamentar. Ao ser questionado pelo Congresso em Foco na época, ele alegou que o cartaz era ofensivo e agressivo aos policiais e que não poderia “permitir uma agressão dessa ordem a uma instituição que trabalha 24h por dia pela sociedade”.

    O ex-deputado foi punido por “censura verbal” pelo Conselho de Ética da Câmara pelo ato.

    O ex-deputado, Coronel Tadeu, foi membro do Partido Liberal (PL).

    O ex-deputado, Coronel Tadeu, foi membro do Partido Liberal (PL).Michel Jesus/Câmara dos Deputados

    Medidas que favorecem policiais

    O ex-parlamentar apresentou propostas de legítima defesa para militares e endurecimento de penas para servidores das Forças Nacionais que destruíram bens públicos e documentos de valor histórico, além de projetos que estabelecem normas para as operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

    Atuação na pandemia

    Durante a pandemia, questionou o isolamento social e a letalidade da infecção. Ao contrair o vírus, precisou de tratamentos e ventilação mecânica, mas manteve seu discurso alinhado à Bolsonaro, alegando que Cloroquina e Azitromocina estavam inclusos em seu tratamento.

    Mesmo afastado do Congresso desde 2023, o Coronel Tadeu se mantém ativo nas redes sociais e subtituirá Zambelli. A deputada foi condenada a 10 anos de prisão e à perda de mandato pelo STF, por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    Leia mais: Saiba quem é Coronel Tadeu, suplente de Carla Zambelli

  • Marinha expulsa suboficial por envolvimento em atos de 8 de janeiro

    Marinha expulsa suboficial por envolvimento em atos de 8 de janeiro

    A Marinha expulsou de seus quadros o suboficial da reserva Marco Antônio Braga Caldas, condenado por envolvimento nos ataques às sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023. Ele é o primeiro militar das Forças Armadas a ser desligado por participação nos atos golpistas. A decisão foi tomada após análise de um Conselho de Disciplina instaurado pela própria força naval após a sua condenação a 14 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    Em nota enviada à Folha de S.Paulo, a Marinha informou que o conselho optou pela exclusão do militar “a bem da disciplina”. O processo disciplinar durou cerca de 50 dias e avaliou se sua permanência, mesmo na inatividade, era compatível com os padrões exigidos pela carreira militar. A decisão precisa ser confirmada pelo comandante da força.

    Militar da reserva é o primeiro expulso após os ataques às sedes dos Três Poderes.

    Militar da reserva é o primeiro expulso após os ataques às sedes dos Três Poderes. Gabriela Biló/Folhapress

    Caldas foi preso dentro do Palácio do Planalto durante os atos golpistas. Seu celular continha registros das instalações, bem como declarações suas afirmando que estava ali em defesa a “nulidade dessa chapa” e da “intervenção federal”. Em seu depoimento, negou o envolvimento em atos de vandalismo e disse ter entrado no palácio para se refugiar.

    Ele recebeu permissão em agosto de 2023 para responder em liberdade, mas voltou à prisão em julho de 2024, quando foi condenado, estando agora detido em Florianópolis (SC).

    Com cerca de 30 anos de serviço como mergulhador, Marco Antônio Caldas passou à reserva em 2021. A expulsão implica a perda do direito à prisão em cela especial e na transferência de sua aposentadoria aos familiares. Outros 24 militares também respondem à Justiça por participação nos ataques, entre eles sete oficiais-generais e dois ex-comandantes das Forças Armadas: o almirante Almir Garnier Santos, da Marinha, e o general Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, do Exército.

  • Brasileiros preferem 2026 sem Lula e sem Bolsonaro, indica pesquisa

    Brasileiros preferem 2026 sem Lula e sem Bolsonaro, indica pesquisa

    Lula e Bolsonaro durante debate na disputa presidencial de 2022.

    Lula e Bolsonaro durante debate na disputa presidencial de 2022.Marlene Bergamo/Folhapress

    Mais de 60% dos brasileiros não querem nem o presidente Lula (PT) nem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como candidatos à Presidência da República em 2026. É o que mostra pesquisa da Quaest, encomendada pela Genial Investimentos e divulgada nesta quinta-feira (5). 

    Segundo o levantamento, 66% dos entrevistados acreditam que Lula não deve tentar a reeleição um aumento de 13 pontos percentuais em relação a julho de 2024, quando o índice era de 53%. Hoje, só 32% defendem que o petista busque um novo mandato, número que vem caindo desde o ano passado.

    O cenário de Bolsonaro é semelhante: 65% acham que ele deveria abrir mão da candidatura. Apenas 26% ainda apoiam a participação do ex-presidente, mesmo com sua atual condição de inelegível.

    Veja a pesquisa da Quaest

    Quando perguntados sobre o que mais temem, 45% disseram ter mais medo de um retorno de Bolsonaro à Presidência; já 40% temem a continuidade de Lula no cargo. Outros 7% disseram temer ambos os cenários.

    Para o diretor da Quaest, o recado é claro. “Pela primeira vez a rejeição ao governo está se transformando em rejeição eleitoral a Lula, alavancando as candidaturas dos potenciais herdeiros de Bolsonaro. Todos aparecem crescendo ou já empatados na margem com Lula”, afirma.

    Inelegível

    Bolsonaro está inelegível por oito anos desde junho de 2023. A decisão, cuja contagem começa nas eleições de 2022, foi tomada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    Por cinco votos a dois, os ministros reconheceram que o ex-presidente praticou abuso de poder político e usou indevidamente os meios de comunicação durante reunião realizada no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros no dia 18 de julho de 2022. Com isso, Bolsonaro só poderá se candidatar a cargo eletivo em 2030. Ele também é réu em processo por tentativa de golpe de Estado e deverá ser julgado ainda este ano.

    Michelle, a preferida dos bolsonaristas

    A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro lidera com folga a preferência dos eleitores bolsonaristas como eventual substituta do marido na disputa presidencial. Para 44% desse eleitorado, Michelle deveria ser a candidata de Bolsonaro em 2026.

    Em segundo lugar vem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 17%. Depois aparecem Eduardo Bolsonaro (10%), Pablo Marçal (6%), Ratinho Jr. e Eduardo Leite (ambos com 5%), Ronaldo Caiado (4%) e Romeu Zema (1%). Não sabe ou não respondeu, 5%; outros, 2%.

    Já entre eleitores de direita que não se identificam como bolsonaristas, Tarcísio lidera com 32%, seguido por Michelle Bolsonaro (24%) e Ratinho Jr. (9%).

    O levantamento da Quaest foi realizado presencialmente entre os dias 29 de maio e 1º de junho de 2025, com 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de confiança da pesquisa é de 95%.

    Na avaliação de Felipe Nunes, há uma rejeição consolidada dos dois polos, o que ele chama de “calcificação”. “Só de ser o anti-Lula o candidato já tem potencial de 40%. Assim como o candidato anti-Bolsonaro tende a ter potencial de 45%. O medo de que o outro lado vença, força uma escolha pela rejeição”, explica.

  • STF rejeita ação contra exclusão de alunos EaD em programa de bolsas

    STF rejeita ação contra exclusão de alunos EaD em programa de bolsas

    O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou a tramitação da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1204. A ação contestava norma da Capes que restringe a Bolsa Pé-de-Meia Licenciaturas a estudantes de cursos presenciais.

    A medida foi proposta pela Associação Brasileira dos Estudantes de Educação a Distância (ABE-EAD), que apontava discriminação contra alunos de cursos EaD, especialmente de baixa renda. Para a entidade, a exclusão dificultaria o acesso desses estudantes ao ensino superior e à formação docente.

    Ministro Dias Toffoli, relator do caso, apontou falhas processuais e inadequações formais na ação apresentada pela ABE-EAD.

    Ministro Dias Toffoli, relator do caso, apontou falhas processuais e inadequações formais na ação apresentada pela ABE-EAD.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

    O auxílio está previsto no Decreto 12.358/2025, que instituiu o programa Mais Professores. O objetivo da iniciativa é estimular o ingresso, a permanência e a conclusão de cursos de licenciatura por estudantes com bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

    Na decisão, Toffoli não entrou no mérito da controvérsia. O ministro apontou que a ABE-EAD não comprovou atuação em ao menos nove estados, exigência para que entidades possam propor ações do tipo diretamente no STF.

    Além disso, destacou que a ação questionava uma portaria sem contestar a lei federal que a fundamenta, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (lei 9.394/1996). Por isso, concluiu que a ADPF não era o instrumento jurídico adequado para o caso.

  • STF decide nesta sexta o futuro de Zambelli: 10 anos de prisão e cassação

    STF decide nesta sexta o futuro de Zambelli: 10 anos de prisão e cassação

    Zambelli em frente à Polícia Federal em São Paulo. Deputada está na lista de Alerta Vermelho da Interpol como fugitiva internacional.

    Zambelli em frente à Polícia Federal em São Paulo. Deputada está na lista de Alerta Vermelho da Interpol como fugitiva internacional.Zanone Fraissat/ Folhapress

    A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta sexta-feira (6) recurso da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que foi condenada a 10 anos de prisão por participação na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A deputada, que viajou para o exterior e é alvo de uma ordem de prisão preventiva, é considerada foragida. Nessa quinta-feira (5) ela foi incluída na lista do Alerta Vermelho da Interpol, contra fugitivos estrangeiros.

    Caso os ministros rejeitem o recurso, a pena poderá ser executada de forma imediata. Isso significa que:

    • a prisão de Zambelli deixaria de ser “preventiva” e se tornaria uma pena definitiva;
    • a Câmara dos Deputados não precisaria autorizar a prisão isso só é necessário em casos de prisão preventiva, não quando há condenação transitada em julgado;
    • a deputada poderia também perder automaticamente o mandato parlamentar.

    Além disso, a decisão fortaleceria a base legal para um pedido de extradição junto ao governo italiano. Em casos anteriores, como o do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato (condenado no caso do mensalão), a Justiça italiana autorizou a extradição mesmo com dupla cidadania, desde que a condenação fosse definitiva.

    Fazem parte da Turma os ministros Alexandre de Moraes (relator do caso), Flávio Dino, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin. Eles votarão de forma virtual: o sistema abre às 11h e ficará disponível até às 23h59 para o depósito dos votos. Há possibilidade de algum ministro pedir para levar o caso ao plenário ou solicitar mais tempo para analisar o caso.

    Invasão e evasão

    A invasão ao sistema do CNJ ocorreu em 2023. Segundo as investigações, o ataque foi feito pelo hacker Walter Delgatti, a pedido da deputada. Delgatti também foi condenado, a 8 anos e 3 meses de prisão, e o recurso dele será julgado junto com o de Zambelli.

    Os ministros decidiram acelerar a análise do recurso da deputada após ela deixar o Brasil. Ela foi primeiro aos Estados Unidos e depois para a Itália, segundo aliados. A deputada tem dupla cidadania, brasileira e italiana, o que pode dificultar um eventual pedido de extradição, dependendo das condições jurídicas.

    O recurso da defesa foi apresentado ao STF ainda antes da fuga. Depois que ela saiu do país, seu advogado Daniel Bialski deixou o caso. O ministro Alexandre de Moraes determinou que a Defensoria Pública da União (DPU) passasse a representá-la no processo.

    O que diz a defesa

    A defesa de Zambelli pede que ela seja absolvida e alega que houve cerceamento de defesa, ou seja, que seus advogados não tiveram acesso completo às provas.

    Eles também questionam a multa de R$ 2 milhões fixada como indenização por danos coletivos, dizendo que não há base objetiva para esse valor.

    “Não existem critérios claros para calcular o prejuízo à Justiça. A definição de um valor milionário foi uma decisão sem parâmetros concretos”, argumenta a defesa.

    Em entrevistas nesta semana, Zambelli disse que é “intocáve” na Itália e que deixou o país para tratar da saúde e denunciar ao mundo que é alvo de “perseguição jurídica”.

  • Após STF confirmar prisão de Zambelli, PT reforça pedido de cassação

    Após STF confirmar prisão de Zambelli, PT reforça pedido de cassação

    O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), que já havia pedido a cassação da deputada Carla Zambelli (PL-SP) pela condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) , complementou o documento nesta sexta-feira (6). O parlamentar protocolou petição ao pedido após a Corte rejeitar o recurso da deputada e votar pela manutenção da pena de dez anos de prisão e perda de mandato parlamentar.

    Lindbergh Farias.

    Lindbergh Farias.Marina Ramos/Câmara dos Deputados

    “Protocolizei petição informando o fato novo no bojo do pedido anterior endereçado à Mesa da Câmara dos Deputados para que cumpra imediatamente a decisão do Supremo Tribunal Federal, declarando a perda do mandato parlamentar, conforme exige a Constituição”, escreveu o deputado.

    Lindbergh complementou que o pedido de cassação de mandato de Carla Zambelli se justifica pelo artigo 55 da Constituição Federal. O deputado ainda citou o pedido de prisão preventiva determinado pelo Supremo Tribunal Federal após a fuga de Zambelli do Brasil. Por este motivo, a parlamentar foi incluída na quinta-feira (5) na difusão vermelha da Interpol e é considerada foragida.

    “A decisão do STF e a minha nova manifestação à Mesa da Casa Baixa confirmam que não há mais espaço para manobras ou postergações por parte de Zambelli”, escreveu o líder do PT. “O direito à licença parlamentar e o mandato não podem ser usados como escudos contra decisões judiciais, pois a condenação é definitiva e a pena é de privação de liberdade, incompatível com o exercício de mandato parlamentar. A responsabilidade da Câmara é dar imediato cumprimento à Constituição”.

    Pedido de cassação

    Lindbergh Farias apresentou à Mesa Diretora da Casa um requerimento solicitando a cassação imediata de Carla Zambelli na quarta-feira (4). Na justificativa, o parlamentar apontou que, diante da fuga da deputada, tornou-se insustentável a manutenção do mandato parlamentar.

    O deputado argumentou que a cassação deve ser tratada como ato administrativo, não político. “A perda do mandato foi decretada por se tratar de pena a ser cumprida em regime fechado e incompatível com o comparecimento mínimo exigido às sessões legislativas”, escreveu. “A perda do mandato é automática, cabendo à Mesa apenas declará-la formalmente, sem deliberação política ou discricionariedade, por tratar-se de ato meramente declaratório”.

    Carla Zambelli foi condenada a dez anos de prisão, pagamento de multa e perda do mandato parlamentar por invasão aos sistemas virtuais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde tentou inserir documentos falsos. Entre uma das falsificações articuladas por Zambelli e pelo hacker Walter Delgatti, também condenado na ação, estava um pedido de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes assinado pelo próprio magistrado.

  • Anvisa libera uso do Mounjaro para emagrecimento

    Anvisa libera uso do Mounjaro para emagrecimento

    A Anvisa aprovou o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da obesidade. O remédio já estava autorizado no Brasil para pacientes com diabetes tipo 2 desde maio.

    A liberação foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (9).

    Mounjaro já era autorizado para o tratamento de diabetes.

    Mounjaro já era autorizado para o tratamento de diabetes.Karime Xavier/Folhapress

    A substância atua no controle do apetite e da taxa de glicose no sangue. Segundo a fabricante, é o primeiro medicamento aprovado no país que age sobre dois hormônios ligados à saciedade.

    Uso, preço e condições

    O tratamento será indicado para pacientes com obesidade associada a pelo menos uma comorbidade. A aplicação é semanal e injetável, com caixas contendo quatro canetas.

    Os preços variam de R$ 1.407 a R$ 2.384, a depender da dosagem e do canal de compra. O medicamento é concorrente direto do Ozempic (semaglutida), já amplamente usado no país.

  • Túlio Gadelha cobra ação do Brasil na ONU por ativistas presos em Gaza

    Túlio Gadelha cobra ação do Brasil na ONU por ativistas presos em Gaza

    O deputado Túlio Gadelha (Rede-PE) cobrou nesta segunda-feira (9) uma reação imediata do governo brasileiro à interceptação do navio humanitário Madleen, ocorrida em águas internacionais por forças israelenses. A embarcação, que transportava ajuda à Faixa de Gaza, levava a bordo 12 ativistas, entre eles o brasileiro Thiago Ávila e a sueca Greta Thunberg.

    Em ofício enviado ao Itamaraty, o parlamentar detalhou os fundamentos legais e diplomáticos que embasam sua cobrança. Ele observa que a abordagem do navio pode configurar uma infração ao direito internacional, já que foi realizada fora das águas territoriais de Israel: “a ação foi realizada em águas internacionais, o que pode configurar violação ao princípio da liberdade de navegação, conforme previsto no Artigo 87 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS)”.

    Em ofício, parlamentar exige garantias e ação na ONU pela liberdade de ativistas presos na rota para Gaza.

    Em ofício, parlamentar exige garantias e ação na ONU pela liberdade de ativistas presos na rota para Gaza.UN Photo/Manuel Elías

    Gadelha ainda requisita uma mobilização formal da diplomacia brasileira, com medidas como o acionamento da Embaixada do Brasil em Tel Aviv, a obtenção de informações sobre os detidos e o contato direto com Thiago Ávila. No documento, ele solicita que sejam asseguradas “garantias por parte das autoridades israelenses quanto à integridade física, psíquica e jurídica dos ativistas”.

    O parlamentar também pede que o governo brasileiro leve o episódio aos organismos multilaterais. Ele defende que o país “atue nas instâncias multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Conselho de Direitos Humanos, para que seja apurado o episódio e reforçado o direito de missões humanitárias de navegação pacífica”.

    Túlio Gadelha conclui o ofício com uma crítica ao que considera omissão governamental, advertindo que “o silêncio institucional em contextos como este coloca em risco a segurança dos cidadãos brasileiros no exterior e fragiliza nossa posição histórica na defesa do Direito Internacional Humanitário”.

    Resposta do Itamaraty

    O Itamaraty, por sua vez, divulgou nota oficial afirmando que acompanha o caso com atenção e demandando a libertação dos detidos. No comunicado, o governo brasileiro reafirma o princípio da liberdade de navegação e declara que “insta o governo israelense a libertar os tripulantes detidos”.

    Prisão de ativistas

    A Freedom Flotilla Coalition, responsável pela embarcação, relatou que o navio foi cercado por drones e lanchas israelenses, teve suas comunicações bloqueadas e recebeu jatos de uma substância branca. Pouco antes da interceptação, Thiago Ávila gravou um vídeo alertando sobre o risco que enfrentava: “Se você está assistindo a esse vídeo, isso significa que eu fui preso ou sequestrado por Israel ou por alguma outra força cúmplice no Mediterrâneo”.

    Veja a íntegra do ofício do deputado: