Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Exclusivo: ativista brasileiro será deportado de Israel, diz pai

    Exclusivo: ativista brasileiro será deportado de Israel, diz pai

    “Eles alcançaram o objetivo: chamar a atenção para o que acontece em Gaza”, diz pai de ativista brasileiro sobre ação marítima contra bloqueio de Israel a Gaza.Reprodução/Youtube

    O ativista brasiliense Thiago Ávila será deportado de Israel após a interceptação da embarcação Madleen, que tentava furar o bloqueio marítimo imposto à Faixa de Gaza. A informação foi confirmada pelo Itamaraty. Segundo Ivo de Araújo Oliveira Filho, pai de Thiago, o filho está bem de saúde, já foi interrogado e será mandado de volta para o Brasil após ter sido levado, com os outros 11 ativistas estrangeiros, a uma unidade de detenção e, depois, ao aeroporto de Tel Aviv, de onde devem embarcar para os seus respectivos países. Os ativistas estão incomunicáveis neste momento.

    Ivo de Araújo gravou um vídeo informando sobre a deportação do filho e agradecendo pelo apoio recebido de várias frentes. Confira:

    “Não era iate de selfies”

    De acordo com Ivo, o grupo permanece unido em seu propósito. “Todos decidiram que só sairão se todos forem liberados. Não aceitarão que nenhum deles fique preso em Israel”, afirmou ele ao Congresso em Foco. “Foi uma ação muito bem planejada, executada com responsabilidade e maturidade. Tentam desmoralizar o grupo, mas não era um ‘iate de selfies’. Havia propósito, havia estratégia. Eles alcançaram o objetivo: chamar a atenção para o que acontece em Gaza.”

    “Não era um iate de selfies, ao contrário do que disse o governo israelense”, ressaltou Ivo. O servidor aposentado do Senado destacou a solidez da organização da missão humanitária que reuniu 12 ativistas internacionais a bordo do Madleen, entre eles a sueca Greta Thunberg, a deputada francesa Rima Hassan e o ator Liam Cunningham, de Game of Thrones.

    Mobilização brasileira

    A situação gerou forte mobilização no Brasil. Ainda nesta segunda, a esposa de Thiago, Lara Souza, foi recebida pela Secretária-Geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha. O Itamaraty, que confirmou a chegada de Thiago ao aeroporto de Tel Aviv, enviou representantes da embaixada ao local para acompanhar de perto o processo de deportação e garantir os direitos do brasileiro.

    O Ministério das Relações Exteriores também reforçou o compromisso do Brasil com o Estado da Palestina e criticou duramente a ação israelense, lembrando que a interceptação ocorreu em águas internacionais, o que configura, segundo especialistas e os próprios ativistas, violação do direito internacional.

    Parlamentares do Psol, da Rede e do PT fizeram apelo ao Itamaraty e ao governo israelense pela liberação dos ativistas.

    Apelo emocionado

    Antes de receber notícias do filho, Ivo havia feito um apelo emocionado ao Congresso em Foco por informações sobre Thiago, com quem havia perdido contato no domingo (8), às 17h29 (horário de Brasília), logo antes da interceptação do Madleen. Em áudio enviado via Instagram à família, o ativista se despediu dizendo: “Vai ficar tudo bem, amo vocês”.

    A mensagem comoveu autoridades e impulsionou a ação diplomática. “A única coisa que queria era saber que ele está vivo. Agora sei que ele está bem, foi interrogado, está com advogados e será deportado”, relatou Ivo.

    Missão e reação

    A embarcação Madleen partiu da Itália em 1º de junho levando mantimentos simbólicos arroz e leite em pó para bebês com o objetivo de romper simbolicamente o bloqueio imposto por Israel à costa de Gaza desde 2007. A missão foi organizada pela Freedom Flotilla Coalition (FFC), coalizão internacional de apoio humanitário à Palestina.

    Ao se aproximar da costa de Gaza, o barco foi cercado por drones e lanchas israelenses e atacado com uma “substância branca”, conforme relataram os ativistas. “Estávamos em missão civil completamente não violenta”, disseram em comunicado. O contato externo foi interrompido por várias horas e retomado apenas após a chegada ao porto israelense de Ashdod.

    A interceptação foi amplamente criticada por governos e organizações internacionais. A França, que tinha seis cidadãos a bordo, exigiu a repatriação imediata. O presidente Emmanuel Macron chamou o bloqueio de Gaza de “vergonha”. A ONU acompanha o caso de perto, e a relatora para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, confirmou três incidentes durante a travessia.

    O governo israelense, por sua vez, reagiu com desdém à iniciativa, classificando-a como “provocação midiática” e chamando o barco de “iate de selfies”. Disse ainda que “existem outras formas de entregar ajuda a Gaza que não envolvem selfies para o Instagram”.

    Thiago Ávila, de 38 anos, é publicitário, casado e pai de uma menina de um ano e sete meses. Atua em causas sociais desde os 17 anos, com passagens por movimentos de defesa de comunidades carentes e de povos indígenas. Tornou-se ativista pró-Palestina após uma visita à região.

    O processo de deportação dos 12 ativistas já está em curso, mas o grupo reafirmou que só deixará Israel se todos forem liberados em conjunto. A embaixada brasileira, segundo o Itamaraty, acompanha o caso de perto, garantindo assistência consular e observância dos direitos humanos.

  • Nova decisão sobre emendas inflama Congresso e ameaça decreto do IOF

    Nova decisão sobre emendas inflama Congresso e ameaça decreto do IOF

    Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino aumentou a tensão entre governo e Congresso Nacional e pode arriscar as articulações para resolver a crise do decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

    O ministro Flávio Dino, do STF.

    O ministro Flávio Dino, do STF.Pedro Ladeira/Folhapress

    Dino, nesta terça-feira (10), em resposta a pedido das ONGs Associação Contas Abertas, Transparência Brasil e Transparência Internacional – Brasil, requereu mais informações sobre um possível esquema de “orçamento secreto”. De acordo com as associações, uma resolução da Comissão de Orçamento do Congresso abriu uma brecha para que dinheiro indicado pelas comissões de parlamentares entrasse no orçamento sem ser marcado como emenda parlamentar. Isso teria permitido um “drible” de R$ 8,5 bilhões no teto de R$ 11,5 bi estabelecido na lei orçamentária de 2025 para as emendas de comissão.

    Leia também: Entenda os R$ 50 bilhões em emendas parlamentares previstos para 2025

    O assunto esquentou os bastidores da política nesta terça-feira, e já está em debate em reunião no Palácio do Planalto com a presença do presidente Lula e de líderes do Congresso. O risco é que os parlamentares reajam, entendendo que o STF está invadindo as suas prerrogativas, e coloque nas próximas horas para votação o projeto que derruba o decreto que aumentou o IOF.

  • Bolsonaro nega ter tido contato com a “minuta do golpe”

    Bolsonaro nega ter tido contato com a “minuta do golpe”

    O ex-presidente Jair Bolsonaro negou ter participado da elaboração ou análise da chamada “minuta do golpe”. Durante interrogatório conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (10), Bolsonaro afirmou que o documento nunca foi discutido formalmente e sequer apresentava previsão de prisões ou intervenção na Justiça Eleitoral.

    A minuta, considerada peça-chave na ação penal contra o ex-mandatário e seus auxiliares, previa medidas para anular o resultado da eleição presidencial de 2022. Diversas versões do texto circularam nos meses seguintes à derrota de Bolsonaro e uma delas foi encontrada em 2023 na sede do PL, partido ao qual é filiado. O documento trazia diferentes ordens de prisão contra autoridades do Judiciário e do Congresso.

    Para Moraes, versão de Bolsonaro contradiz o relato do delator Mauro Cid.

    Para Moraes, versão de Bolsonaro contradiz o relato do delator Mauro Cid.Ton Molina/STF

    Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator no processo, relatou em depoimento que Bolsonaro teria feito alterações na minuta apresentada por assessores em uma reunião no Palácio da Alvorada. “O senhor teria enxugado essa minuta, esse documento, tendo feito algumas alterações”, disse o ministro Moraes ao citar o depoimento de Cid.

    Bolsonaro contestou a versão do ex-auxiliar, e alegou não ter tido acesso à minuta. Moraes o rebateu, destacando que a reprodução está nos autos do processo. O ex-presidente também negou que o então assessor Filipe Martins tivesse qualquer envolvimento com o texto: “Eu conheço muito bem o Filipe Martins. Se ele tivesse participado de qualquer coisa, eu saberia”.

    Questionado se teria sugerido a prisão de autoridades ou intervenção na Justiça Eleitoral, Bolsonaro respondeu de forma categórica: “Falar contra autoridades, sugerir prisão, isso aí, na nossa reunião não está previsto isso. Não houve isso”. Ele afirmou que apenas buscou alternativas dentro da Constituição diante do fechamento de portas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas que qualquer ideia nesse sentido foi rapidamente descartada.

    A versão de Bolsonaro contrasta com trechos da delação de Cid, segundo os quais o ex-presidente teria apresentado a minuta a militares de alta patente. A ação penal segue em fase de interrogatórios no STF e deverá ser concluída até o fim da semana, com os depoimentos dos ex-ministros da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto.

  • Governo reclassifica Instagram como impróprio para menores de 16 anos

    Governo reclassifica Instagram como impróprio para menores de 16 anos

    O Ministério da Justiça decidiu reclassificar o Instagram como não recomendado para menores de 16 anos.

    Análise do Ministério da Justiça indica presença de conteúdos com violência extrema, drogas ilícitas e sexo explícito no Instagram.

    Análise do Ministério da Justiça indica presença de conteúdos com violência extrema, drogas ilícitas e sexo explícito no Instagram.Gabriel Cabral/Folhapress

    O novo enquadramento foi publicado nesta quarta-feira (11) no Diário Oficial da União, após análise de rotina da plataforma pela Coordenação de Política de Classificação Indicativa. O motivo: a presença de conteúdos com violência extrema, drogas ilícitas e sexo explícito.

    A mudança tem impacto direto no debate sobre o uso de redes sociais por adolescentes. O despacho indica que a classificação leva em conta o efeito de conteúdos como “morte intencional”, “mutilação”, “crueldade”, “relação sexual intensa” e “situação sexual de forte impacto” no desenvolvimento psíquico de jovens. A decisão vale para todas as versões do aplicativo.

    Classificação baseada em diretrizes técnicas

    A reclassificação foi feita com base na aplicação do Guia Prático de Audiovisual, que avalia os conteúdos nos eixos de sexo e nudez, violência e drogas.

    A decisão não impõe restrições diretas de uso, mas orienta pais, educadores e desenvolvedores sobre os riscos potenciais da plataforma para menores de idade.

  • STF forma maioria para responsabilizar redes mesmo sem ordem judicial

    STF forma maioria para responsabilizar redes mesmo sem ordem judicial

    O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quarta-feira (11) para responsabilizar as plataformas por conteúdos publicados por terceiros mesmo sem ordem judicial. Após o voto do ministro Gilmar Mendes, o placar ficou em seis a um para responsabilizar. Apenas André Mendonça divergiu.

    Ministro Gilmar Mendes.

    Ministro Gilmar Mendes. Ton Molina/STF

    A Corte analisa a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, com base em dois casos concretos apresentados em forma de recurso extraordinário. Conforme o dispositivo, as empresas e plataformas só podem ser responsabilizadas por conteúdos publicados por terceiros caso exista descumprimento de ordem judicial para remover as publicações.

    O debate

    O Supremo retomou o julgamento de dois recursos extraordinários que tratam da constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. A discussão começou em dezembro do ano passado, quando os relatores Luiz Fux e Dias Toffoli proferiram seus votos. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, também já se posicionou. O julgamento foi adiado à época após Mendonça pedir vista – isto é, mais tempo para análise.

    Seis meses depois, o Tribunal trouxe novamente à tona o tema da responsabilização das plataformas pelos conteúdos de terceiros. Os ministros Fux e Toffoli consideraram o trecho inconstitucional. Pelo entendimento deles, a exigência de uma ordem judicial para que as redes tenham que remover um conteúdo problemático não se alinha à Constituição.

    O ministro Barroso, por sua vez, propôs que o artigo seja considerado parcialmente constitucional. Para ele, a obrigação de remover conteúdo sem que haja ordem judicial se aplica a alguns casos concretos:

    • pornografia infantil e crimes graves contra crianças e adolescentes
    • induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação tráfico de pessoas
    • atos de terrorismo
    • abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe.

    Nesta quarta-feira, votaram os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Para o primeiro magistrado, o texto do artigo 19 vale exclusivamente para crimes contra a honra e alegações de ofensa. Nos demais casos, ele admite que haja responsabilização mesmo sem ordem judicial, como em crimes contra crianças, apologia à violência ou terrorismo.

    Cristiano Zanin, por sua vez, considerou o artigo parcialmente inconstitucional por apresentar uma “proteção deficiente” aos cidadãos. Ele entendeu que em conteúdos criminosos a remoção não depende de autorização judicial e considerou que o artigo 19 vale apenas para provedores sem impulsionamento. O magistrado também apontou que quando houver dúvidas quanto à ilicitude, a responsabilização não será imediata.

    O ministro Gilmar Mendes também citou a ausência de neutralidade das redes sociais. “As plataformas digitais já funcionam como verdadeiros curadores do discurso público, determinando através de algoritmos opacos quais mensagens alcançam ampla audiência. Elas já removem conteúdos, suspendem contas”, afirmou.

    “Vejo como inconstitucional a interpretação de que o artigo 19 do Marco Civil concede uma isenção absoluta de responsabilização para plataformas com alta interferência sobre a circulação de conteúdo. O regime que se deve construir deve partir do diagnóstico de que o artigo 19 do Marco Civil da Internet não é mais suficiente”, argumentou Gilmar Mendes, propondo uma parcial inconstitucionalidade.

    Como votaram os ministros

    • Dias Toffoli e Luiz Fux: votaram pela inconstitucionalidade do artigo 19, permitindo que vítimas possam exigir a remoção de conteúdo com base em notificações extrajudiciais.
    • Luís Roberto Barroso: defendeu solução intermediária, com remoção imediata apenas em casos graves como pornografia infantil ou incentivo ao suicídio. Para calúnia e difamação, seria necessária ordem judicial.
    • André Mendonça: divergiu e votou pela constitucionalidade integral do artigo. Para ele, responsabilizar plataformas por opiniões de usuários sem decisão judicial compromete a liberdade de expressão e a segurança jurídica. Também criticou suspensões arbitrárias de perfis.
    • Flávio Dino: defendeu tese intermediária em que a remoção de conteúdo com base em notificação extrajudicial, deve prevalecer como regra geral. Já o artigo 19, que exige ordem judicial para responsabilização civil, ficaria restrito a ofensas e crimes contra a honra.
    • Cristiano Zanin: defendeu a inscontitucionalidade parcial do artigo 19 e entendeu que a remoção de conteúdos criminosos não depende de ordem judicial. Ele ainda defendeu que o artigo 19 só valha para provedores sem impulsionamento. 
    • Gilmar Mendes: defendeu a inconstitucionalidade parcial do artigo 19. O magistrado também propôs regime especial em relação a hipóteses de crimes contra honra e conteúdo jornalístico, em que a remoção obedecerá ao que dispõe o trecho do Marco Civil da Internet.
  • 38 anos do Plano Bresser: o congelamento que não conteve a inflação

    38 anos do Plano Bresser: o congelamento que não conteve a inflação

    O Plano Bresser completa 38 anos nesta quinta-feira (12). Lançado em 1987 pelo então ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, durante o governo José Sarney, o plano tentou conter a hiperinflação que desorganizou a economia brasileira ao longo da década de 1980. Era mais uma tentativa, após os fracassos dos Planos Cruzado I e II, de interromper a escalada dos preços.

    O economista Luiz Carlos Bresser-Pereira: plano não deteve a inflação, que só foi cair no meio da década de 90.

    O economista Luiz Carlos Bresser-Pereira: plano não deteve a inflação, que só foi cair no meio da década de 90.Arte Congresso em Foco | Foto: Lula Marques/Folhapress

    A proposta incluía congelamento de preços, salários e aluguéis, desvalorização cambial e contenção do déficit público. A inflação de junho de 1987 era de 23% ao mês, e o rombo fiscal acumulava 7,2% do PIB. O governo corria contra o tempo para recuperar a credibilidade e evitar o colapso monetário.

    O que previa o plano

    O congelamento foi decretado por 90 dias, e os reajustes passaram a ser calculados com base na nova URP (Unidade de Referência de Preços). A moeda foi desvalorizada em 10%, os subsídios foram reduzidos e obras públicas, adiadas. A ideia era criar uma transição para um regime de mercado mais estável, sem perder o controle sobre os índices de preços.

    Nos primeiros meses, os números animaram. A inflação recuou de 26% para 3% entre junho e julho. Mas a euforia durou pouco. Em agosto, o índice subiu para 6,4% e continuou a crescer. A repressão artificial aos preços e salários, sem reformas estruturais, não convenceu consumidores nem empresários.

    Queda e consequências

    A credibilidade do plano ruía a cada remarcação clandestina. O congelamento dos salários gerou insatisfação, enquanto comerciantes burlavam as regras. Bresser-Pereira deixou o governo no início de 1988. A inflação anual bateu 366% em dezembro, encerrando qualquer ilusão de sucesso.

    O plano também provocou prejuízos a poupadores. Em 1987, o Banco Central mandou corrigir a poupança pela taxa das Letras do BC (LBC), inferior à inflação real. Décadas depois, o STF reconheceu o direito à indenização por essa diferença. Até 2025, mais de 326 mil acordos foram homologados.

    Legado e lições

    Apesar do fracasso, o Plano Bresser deixou lições importantes. O país foi amadurecendo suas estratégias. Seis anos e vários planos depois, o Plano Real viria a consolidar o controle da inflação. O Bresser, com todos os seus limites, ajudou a construir esse caminho.

    Hoje, o plano é visto por economistas como um símbolo da “década perdida”, mas também como marco de transição. Ele ilustrou a dificuldade de lidar com uma inflação descontrolada num país sem disciplina fiscal.

    STF reconheceu perdas

    Em 2025, o STF prorrogou por mais dois anos o prazo para que poupadores prejudicados nos planos Bresser, Verão e Collor possam aderir ao acordo coletivo de compensação. A decisão reforça o entendimento de que, apesar da constitucionalidade dos planos, seus efeitos danosos merecem reparação.

  • Cobrado pelo Congresso, Lula se opõe a nova redução de despesas

    Cobrado pelo Congresso, Lula se opõe a nova redução de despesas

    O presidente Lula reagiu às novas cobranças por cortes de gastos feitas pelo Congresso Nacional. Em discurso nesta quinta-feira (12), ele criticou o que chamou de pressão dos setores mais ricos da sociedade e rejeitou a ideia de reduzir despesas públicas para atingir metas fiscais.

    “Aí vocês veem os empresários brigando, os banqueiros, dizendo que o governo está gastando demais, esse governo dá Bolsa Família demais, […] esse governo gasta muito com pobre”, afirmou Lula, durante evento em Mariana (MG).

    Em 2024, governo também foi pressionado, mas acabou cedendo ao Congresso.

    Em 2024, governo também foi pressionado, mas acabou cedendo ao Congresso.Alex de Jesus/O Tempo/Folhapress

    O presidente disse que o tratamento é desigual quando se trata de recursos para diferentes faixas da população. “Vocês sabem quanto que nós gastamos com os ricos? […] R$ 860 bilhões. É 4 vezes o Bolsa Família. Agora, o que a gente dá para eles é investimento, o que a gente dá para vocês é gasto”.

    Lula também declarou: “Eu não fui eleito para fazer benefício para rico. Eu quero que eles ganhem o que eles têm direito”. Em sua fala, reforçou que tem “obrigação moral, ética e política de cuidar do povo que mais precisa”.

    Pressão no Congresso

    A reação do presidente ocorre no momento em que a Câmara dos Deputados tenta barrar um decreto presidencial que muda as regras do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

    O texto consiste em uma versão “suavizada” de outro decreto de aumento geral do IOF, e foi apresentado junto a uma medida provisória com a previsão de outras fontes de receita, mas a resistência no Congresso se manteve. Líderes da Câmara cobram do governo uma proposta de ajuste fiscal que inclua cortes robustos de despesas no lugar da criação de impostos.

    Pressão anterior

    Esta não é a primeira vez em que o governo Lula é cobrado a respeito da redução de gastos. Em 2024, o governo também foi alvo de críticas por adotar medidas fiscais baseadas na arrecadação, sem cortes expressivos de despesas. À época, Lula resistiu à redução de gastos, mas acabou cedendo. Um pacote com propostas do Executivo foi enviado ao Congresso e aprovado no fim do ano.

    Leia mais: entenda as propostas de ajuste fiscal apresentadas pelo governo.

  • Entenda quem é Gilson Machado, quarto ex-ministro preso de Bolsonaro

    Entenda quem é Gilson Machado, quarto ex-ministro preso de Bolsonaro

    A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (13) em Recife, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto. A ordem de prisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação aponta que Machado tentou obter um passaporte português para Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, para facilitar uma fuga clandestina do país.

    A tentativa teria ocorrido em 12 de maio deste ano, no consulado de Portugal na capital pernambucana. Segundo a Polícia Federal (PF), o documento permitiria que Cid deixasse o Brasil. O militar é réu e colaborador na ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022. O Ministério Público entendeu que a iniciativa representava possível obstrução de Justiça.

    Veterinário e sanfoneiro, Gilson se aproximou de Bolsonaro em 2018 e promoveu campanhas de arrecadação após o governo.

    Veterinário e sanfoneiro, Gilson se aproximou de Bolsonaro em 2018 e promoveu campanhas de arrecadação após o governo.João Carlos Mazella /Fotoarena/Folhapress

    Embora o passaporte não tenha sido expedido, a movimentação de Gilson foi considerada grave pelas autoridades. A PGR alegou que ele poderia tentar outros canais diplomáticos para alcançar o mesmo objetivo. O STF também autorizou medidas cautelares, como busca e apreensão e quebra dos sigilos telefônico e telemático do ex-ministro.

    Três dias antes de ser preso, Gilson Machado já havia negado as acusações. Disse que não havia sido intimado e que soube da investigação pela imprensa. Afirmou que esteve no consulado apenas para renovar o passaporte de seu pai.

    Da sanfona ao comando da Embratur

    Antes da política, Gilson atuou como empresário do setor turístico e como músico. É sanfoneiro da banda de forró Brucelose e se apresentou em mais de três mil eventos, segundo ele próprio. Ganhou notoriedade nacional ao participar das transmissões semanais de Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19, tocando músicas religiosas e populares.

    Veterinário por formação, Gilson é natural de Pernambuco e se aproximou do ex-presidente em 2018. Foi nomeado secretário de Ecoturismo do Ministério do Meio Ambiente e, em seguida, presidente da Embratur. Em dezembro de 2020, assumiu o Ministério do Turismo após a saída de Marcelo Álvaro Antônio, exonerado após conflito interno no governo.

    No cargo, permaneceu até março de 2022, quando se afastou para disputar uma vaga no Senado. Após o pleito, voltou à presidência da Embratur, nomeado por Bolsonaro. Permaneceu na estatal até janeiro de 2023, quando foi substituído por Marcelo Freixo no início do governo Lula.

    Campanhas eleitorais

    Na eleição de 2022, Gilson concorreu ao Senado por Pernambuco e obteve 1,3 milhão de votos. Foi derrotado por Teresa Leitão (PT), que teve mais de 2 milhões. Em 2024, tentou a prefeitura do Recife, novamente sem sucesso. Recebeu menos de 14% de votos, ficando atrás do candidato reeleito João Campos (PSB).

    Durante a campanha municipal, teve propagandas suspensas pelo Tribunal Regional Eleitoral. As peças divulgavam supostas irregularidades em creches públicas, sem comprovação. As decisões do TRE foram tomadas com base na legislação eleitoral que proíbe a veiculação de conteúdo enganoso.

    Em sabatina, Gilson afirmou que Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, prometeu ajudar o Recife. A declaração viralizou nas redes e reforçou seu alinhamento com o discurso bolsonarista. Mesmo fora do Executivo, manteve discurso combativo e presença ativa em atos e mobilizações.

    Arrecadações milionárias

    Após o fim do governo, Gilson manteve proximidade com Bolsonaro. Em 2023, liderou uma campanha de arrecadação por Pix, que reuniu R$ 17 milhões, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf). O valor seria usado para custear despesas médicas, passagens e a defesa jurídica do ex-presidente e seus familiares.

    Em maio de 2025, relançou a campanha com novos apelos por doações. Afirmou nas redes que mais da metade do valor já havia sido gasto e que Bolsonaro precisava de mais apoio. Disse ainda que parte da verba seria usada para ajudar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), licenciado e vivendo nos Estados Unidos.

    Em depoimento à PF, Bolsonaro declarou que a iniciativa partiu de Gilson, não dele. Eduardo agradeceu publicamente, mas recusou qualquer ajuda financeira. Parte do valor arrecadado teria sido usada pelo próprio Gilson e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, segundo informações prestadas pelo ex-presidente.

    Quarto ministro detido

    Gilson é o quarto ex-ministro do governo Bolsonaro a ser preso. Antes dele, foram detidos Braga Netto (Defesa), Anderson Torres (Justiça) e Milton Ribeiro (Educação). Os três são investigados por envolvimento em irregularidades durante o exercício do cargo ou por ações ligadas à tentativa de golpe.

    O ex-ministro já havia sido citado como figura próxima de Bolsonaro, inclusive em viagens e eventos. Durante o mal-estar intestinal do ex-presidente no Rio Grande do Norte, que mais tarde resultaria na sua internação hospitalar, Gilson Machado foi o primeiro a prestar socorro. A fidelidade a Bolsonaro foi uma constante desde o início de sua atuação no governo.

    A prisão de Gilson reforça o cerco judicial aos aliados mais próximos do ex-presidente. A nova frente de apurações mira possíveis tentativas de atrapalhar o andamento das investigações sobre os atos golpistas e o uso de estruturas paralelas para beneficiar figuras investigadas pela Justiça.

    Saiba mais: Gilson Machado é o quarto ministro de Bolsonaro a passar pela prisão. Veja a história dos demais.

  • Analfabetismo no Brasil cai para 5,3% em 2024

    Analfabetismo no Brasil cai para 5,3% em 2024

    A taxa de analfabetismo no Brasil caiu para 5,3% em 2024. É o menor nível registrado na série histórica do IBGE, que começa em 2016. Isso representa um total de 9,1 milhões de pessoas de 15 anos ou mais que não sabem ler ou escrever.

    Apesar do recuo, o problema segue concentrado entre idosos e moradores do Nordeste: 55,6% dos analfabetos vivem na região, e 14,9% dos brasileiros com 60 anos ou mais são analfabetos.

    Diferenças por sexo, raça e idade

    • Mulheres têm taxa de 5,0%; homens, 5,6%.
    • Entre brancos, o analfabetismo é de 3,1%; entre pretos e pardos, 6,9%.
    • A taxa chega a 21,8% entre idosos pretos ou pardos.

    Segundo o IBGE, os dados reforçam o caráter geracional do problema e a necessidade de políticas específicas para a alfabetização de adultos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

  • Grupo de políticos brasileiros tenta sair de Israel pela Jordânia

    Grupo de políticos brasileiros tenta sair de Israel pela Jordânia

    Ao todo, 12 políticos brasileiros começaram nesta segunda-feira (16) uma operação de retirada de Israel via Jordânia, segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), coordenador do Grupo Parlamentar Brasil-Israel. A iniciativa tenta retirar as autoridades da zona de maior risco, após o agravamento do conflito entre Israel e Irã, que resultou no fechamento do espaço aéreo israelense e no cancelamento de voos comerciais.

    “Israel considera o Brasil hostil à política externa do país e tem dado preferência à retirada de pessoas de outras nações. Como não temos embaixador em Israel, as negociações ficarm bem mais difíceis”, declarou o senador.

    Senador Carlos Viana, coordenador do Grupo Parlamentar Brasil-Israel.

    Senador Carlos Viana, coordenador do Grupo Parlamentar Brasil-Israel.Marcos Oliveira/Agência Senado

    Carlos Viana não tem informação sobre quem são os 12 políticos que estão a caminho da Jordânia. Inicialmente, 13 pessoas fariam parte da comitiva, mas uma delas desistiu por medo de bombardeio. O acordo para esse deslocamento foi firmado na tarde de domingo (15), em tratativas entre o grupo parlamentar brasileiro e representantes do governo israelense.

    Entre os políticos brasileiros em Israel, estão o governador de Rondônia, Marcos, e os prefeitos de Belo Horizonte, Álvaro Damião, e de João Pessoa, Cícero Lucena. Damião divulgou um vídeo nas redes sociais mostrando o bunker onde o grupo tem se abrigado.

    A expectativa é que, já a partir da Jordânia, os brasileiros consigam embarcar em voos comerciais de volta ao Brasil, se houver disponibilidade. A Força Aérea Brasileira (FAB) também informou que está de prontidão para auxiliar, mas ainda não foi acionada e aguarda uma definição oficial.

    Viana informou que, ao longo desta segunda, haverá uma avaliação mais clara de quantas pessoas realmente desejarão deixar o território israelense por esse primeiro meio de transporte. “A preocupação agora é com turistas. Não sabemos como tirá-los de lá. Estamos aguardando uma saída. Esperamos que o Itamaraty faça mais esforços porque, até o momento, as negovciações entre os dois países estão paradas”, ressaltou o senador.

    Segundo ele, o governo de Israel estuda a maneira mais segura para retirar as autoridades brasileiras. Há dois caminhos avaliados: pela fronteira com a Jordânia ou com a Arábia Saudita.

    A convte de Israel

    Os políticos viajavam a Israel a convite do governo local para participar da Expo Muni Israel 2025, uma feira internacional de tecnologia voltada para a gestão pública. O evento foi interrompido devido ao conflito. Pelas redes sociais e em entrevistas a veículos da imprensa brasileira, alguns prefeitos fizeram apelos públicos para que o governo brasileiro viabilize o retorno seguro de todos.

    Parte desses prefeitos está abrigada em Kfar Saba, cidade a cerca de 24 km de Tel Aviv, onde precisaram buscar refúgio durante os alertas de ataques com mísseis. Já os integrantes do Consórcio Brasil Central, incluindo o governador de Rondônia, permanecem concentrados na capital israelense.

    Desde a última sexta-feira (13), a Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado intensificou as articulações com o Ministério das Relações Exteriores. O objetivo é viabilizar o envio de uma aeronave da FAB para repatriar os brasileiros.