Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Hugo Motta defende responsabilidade fiscal: “Inegociável”

    Hugo Motta defende responsabilidade fiscal: “Inegociável”

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o compromisso dos parlamentares com a responsabilidade fiscal é inegociável. Para ele, manter o equilíbrio das contas públicas vai além de uma exigência contábil, é uma medida fundamental para garantir o desenvolvimento sustentável, a estabilidade econômica, a geração de empregos e a confiança dos investidores no país.

    A declaração foi feita durante sessão solene realizada na Câmara em comemoração aos 65 anos da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e ao Dia Livre de Impostos, celebrado em 29 de maio.

    “Ser responsável fiscalmente significa administrar com seriedade os recursos do povo brasileiro, fazer escolhas com critérios, combater o desperdício e garantir que cada real arrecadado chegue à sociedade em forma de serviços públicos adequados”, afirmou o presidente.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) durante o evento de 65 anos da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) durante o evento de 65 anos da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Durante o discurso, Motta também destacou a importância de repensar a estrutura tributária brasileira. Segundo ele, a data simbólica do Dia Livre de Impostos serve como ponto de reflexão sobre a carga de tributos no país e a necessidade de um sistema mais justo e eficiente.

    “Defender a justiça tributária é também defender a responsabilidade no gasto público. Esses dois princípios devem caminhar juntos, lado a lado”, disse. O presidente da Câmara reforçou que a Casa tem atuado em parceria com setores produtivos e entes federados para construir soluções sólidas e sustentáveis.

  • CCJ do Senado analisa novo Código Eleitoral; acompanhe ao vivo

    CCJ do Senado analisa novo Código Eleitoral; acompanhe ao vivo

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado analisa, entre outros itens, nesta quarta-feira (28), o novo Código Eleitoral. A proposta tramita na Casa desde 2021, quando foi aprovada pela Câmara. O relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI), apresenta mudanças em seu texto. Entre elas, a revisão da quarentena, de quatro para dois anos, para magistrados, integrantes do Ministério Público, policiais e militares disputarem eleições. Assista à transmissão:

    Veja o novo relatório de Marcelo Castro

  • Senado aprova reajuste e novas carreiras para servidores federais

    Senado aprova reajuste e novas carreiras para servidores federais

    O Senado aprovou nesta quarta-feira (28) o projeto de lei 1466/2025, de autoria do Poder Executivo, que cria novas carreiras, promove reajustes salariais, transforma cargos efetivos e altera regras de gratificações e aposentadoria. Aprovada na Câmara dos Deputados na última semana, a matéria vai à sanção presidencial.

    Plenário do Senado.

    Plenário do Senado.Waldemir Barreto/Agência Senado

    Os reajustes previstos pela proposição variam entre 9% e 69% até 2026. O texto, que substitui a Medida Provisória 1286/24, possui impacto estimado no orçamento federal de R$ 17,9 bilhões em 2025 e R$ 26,7 bilhões em 2026. Conforme o relator na Câmara, Luiz Gastão (PSD-CE), os valores estão contemplados pela Lei Orçamentária de 2025.

    Isso se dá porque o projeto oficializa os acordos firmados pelo Ministério da Gestão e da Inovação em 2024. A pasta fechou 38 acordos com as mais diferentes categorias, com percentuais que variam caso a caso, entre elas técnicos, professores e servidores de carreiras estratégicas, com percentuais superiores à inflação acumulada.

    Para as categorias sem acordos formais, o reajuste padrão será de 9% neste ano e outros 9% em 2026. Os valores já começaram a ser pagos neste mês de maio com retroativos desde janeiro. A segunda etapa dos aumentos ocorre em 1º de abril de 2026.

    Relator da matéria no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE) não acolheu nenhuma das 62 emendas apresentadas para o texto não precisar retornar à Câmara dos Deputados. Outro fato que motivou a rejeição das emendas foi a urgência para aprovar o texto, uma vez que se o projeto não fosse votado até 2 de junho, perderia a validade da Medida Provisória.

    No parecer, o parlamentar destacou que o projeto se orienta fundamentalmente no sentido de dar expressão ao interesse público, através da racionalização e uniformização de regras de remuneração e estruturação de carreiras e cargos públicos, bem como de promover recomposição salarial no serviço público federal.

    O senador também reconheceu que a proposta visa corrigir a defasagem salarial em razão da inflação e pela ausência de reajustes salariais para servidores do Executivo Federal ao longo dos anos.

    O reajuste concedido em 2023, de 9%, embora tenha representado um avanço, foi precedido por um período prolongado sem correção, o que acentuou a defasagem. Entre 2017 e 2022, por exemplo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado foi de aproximadamente 31,3%, enquanto os reajustes foram inexistentes para a maioria das categorias, complementou Rogério Carvalho.

    Novos cargos

    O projeto cria a Carreira de Desenvolvimento Socioeconômico, a Carreira de Desenvolvimento das Políticas de Justiça e Defesa e a Carreira de Fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com o governo federal, o objetivo é “tornar os cargos mais atrativos e capazes de reter profissionais qualificados, além de aprimorar a gestão dos próprios órgãos e entidades”.

    O Executivo também defende que a nova carreira da CVM “possibilitará a racionalização da estrutura das carreiras já existentes”, com melhor alocação de pessoal. Para as Instituições Federais de Ensino, serão criados dois novos cargos, a fim de adequar os quadros às demandas atuais.

    Além disso, o texto prevê que cargos efetivos vagos serão transformados em novas posições, cargos em comissão e funções de confiança. Outro ponto da proposta são os ajustes remuneratórios para servidores e empregados públicos do Executivo federal, com percentuais definidos em negociação com as categorias.

  • Nikolas apoia rejeição de visto dos EUA a críticos de Trump nas redes

    Nikolas apoia rejeição de visto dos EUA a críticos de Trump nas redes

    O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) saiu em defesa da decisão do governo dos Estados Unidos, sob liderança de Donald Trump, que suspendeu a emissão de vistos estudantis para estrangeiros. O parlamentar também defendeu o rastreamento das redes sociais permitir a análise das redes sociais dos solicitantes de visto antes da concessão da autorização para ingressar no país. Na avaliação dele, os críticos dos Estados Unidos e de Trump não devem receber o documento.

    Durante audiência pública com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nessa quarta-feira (28), Nikolas rebateu críticas feitas por parlamentares do PT, que classificaram a decisão como autoritária.

    “Eu vi aqui alguns deputados do PT dizendo a respeito, por exemplo, da suspensão dos vistos de estudantes pelos Estados Unidos, de que isso seria uma medida praticamente totalitária. Mas, na verdade, o que eles estão fazendo é só uma suspensão para poder analisar a rede social dos estudantes que querem aplicar o visto nos Estados Unidos”, disse o deputado.

    “O cara aqui, na sua rede social, um comunistinha de meia tigela fica falando mal dos Estados Unidos, do Trump, e daqui a pouco está querendo estudar nos Estados Unidos. ‘Não, sua rede social vai ser avaliada, talvez você não tenha visto para estudar nos Estados Unidos’”, acrescentou.

    Liberdade de expressão

    A declaração, dada nessa quarta-feira (28) na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, vai na contramão do discurso que o próprio deputado costuma adotar. Nikolas Ferreira é um dos principais críticos das ações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou bloqueios de perfis e conteúdos considerados antidemocráticos nas redes sociais. Em diversas ocasiões, o parlamentar mineiro defendeu a liberdade de expressão irrestrita, acusando o STF de censura.

    Ainda nessa quarta-feira, à noite, o deputado voltou às redes para reafirmar sua posição em relação ao assunto. “Se o aluno fala mal dos EUA, xinga o Trump e odeia o capitalismo, que não tenha visto autorizado pra ir estudar lá mesmo não. Aplica pra estudar em Cuba”, escreveu. Segundo ele, a negativa de visto não tem nada a ver com liberdade de expressão. Veja as publicações:

  • Comissão aprova que bloqueio de perfil de parlamentar passe pelo Legislativo

    Comissão aprova que bloqueio de perfil de parlamentar passe pelo Legislativo

    A Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que concede ao Poder Legislativo (federal, estadual, distrital ou municipal) a decisão final sobre o bloqueio ou exclusão de perfis de parlamentares em redes sociais, além de contas em aplicativos de mensagens e chamadas.

    O texto determina que a decisão judicial contra o parlamentar seja encaminhada em até 24 horas à respectiva Casa Legislativa, que avaliará politicamente a decisão por meio de votação da maioria de seus membros, similar ao processo de deliberação sobre prisão de parlamentar.

    Dep. Gustavo Gayer (PL - GO).

    Dep. Gustavo Gayer (PL – GO).Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O texto aprovado é um substitutivo do deputado Gustavo Gayer (PL-GO) ao projeto de lei 3.046/22, do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A proposta original abordava apenas contas e perfis de deputados federais e senadores. O substitutivo estabelece regras para a exclusão de contas ou perfis de qualquer detentor de mandato eletivo dos Poderes Executivo e Legislativo da União, Estados, Distrito Federal e municípios.

    “Acreditamos que essa garantia da expressão do pensamento não pode ser restrita aos parlamentares federais”, afirmou o relator. “A Constituição Federal garante essa imunidade também para deputados estaduais e vereadores”, complementou.

    A Constituição assegura a inviolabilidade, civil e penal, dos parlamentares por suas opiniões, palavras e votos. Gayer defende que presidentes, governadores e prefeitos também “devem ter seus direitos de expressão garantidos”, estendendo a eles a inviolabilidade de opiniões nas redes sociais.

    O substitutivo define que decisões judiciais para excluir contas de mandatários eletivos constituem medida cautelar excepcional, devendo seguir regras específicas: fundamentação robusta comprovando a indispensabilidade da medida; indicação clara do conteúdo ilícito, o tipo penal e a duração da medida; participação obrigatória do Ministério Público; e, exceto em recesso forense, a medida cautelar só pode ser concedida por maioria absoluta dos membros do STF, STJ, TJ, TSE e TREs, conforme o caso.

    Se aprovado, o projeto altera o Marco Civil da Internet e se aplica a plataformas com mais de 10 milhões de usuários no Brasil. A proposta segue para análise conclusiva na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

  • Lula relança programa para reduzir filas no SUS

    Lula relança programa para reduzir filas no SUS

    Lula assina relançamento de programa que tem como objetivo reduzir filas no Sistema Único de Saúde.

    Lula assina relançamento de programa que tem como objetivo reduzir filas no Sistema Único de Saúde.Ricardo Stuckert/PR

    O presidente Lula assina nesta sexta-feira (30) uma medida provisória (MP) que relança o programa federal voltado para reduzir as filas no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, que em 2024 se chamava “Mais Acesso a Especialistas”, agora passa a se chamar “Agora Tem Especialistas”. A mudança busca fortalecer a comunicação do programa e impulsionar seus resultados, após um ano de pouco impacto.

    O objetivo do governo é acelerar o acesso de pacientes a consultas, exames e cirurgias especializadas, um dos pontos críticos do SUS, especialmente após a pandemia. Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, revelados pelo jornal O Globo, o tempo médio de espera por uma consulta especializada chegou a 57 dias em 2024, o maior já registrado.

    Durante a cerimônia de lançamento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a gravidade do problema: “Alguns estudos apontam que no Brasil, cerca de 370 mil óbitos aconteceram em 2023 por conta do atraso no diagnóstico. Essa é uma realidade mais crítica no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde temos menor oferta de atendimento especializado no interior.

    Como vai funcionar

    A MP estabelece duas formas de contratação de serviços de hospitais privados:

    • Contratação tradicional pagamento pelo SUS, conforme tabela oficial, para serviços especializados em áreas como oftalmologia, cardiologia, otorrinolaringologia, pediatria, ginecologia e oncologia.
    • Troca de dívidas por serviços hospitais poderão prestar atendimento especializado ao SUS em troca de abatimento de dívidas fiscais com a União. Atualmente, o valor total dessas dívidas chega a cerca de R$ 70 bilhões, mas a MP impõe um teto de R$ 2 bilhões por ano para essa modalidade.

    Além disso, o programa prevê outras ações complementares:

    • Expansão da telessaúde, que poderá reduzir em até 30% as filas para consultas e diagnósticos, ao permitir triagens e atendimentos à distância.
    • Distribuição de 150 carretas equipadas com infraestrutura para atendimentos especializados em regiões do interior que hoje têm pouca oferta desses serviços.

    Segundo o governo, a expectativa é aumentar em até 30% os atendimentos em policlínicas, UPAs, ambulatórios e salas de cirurgia em todo o país.

    Desafio histórico

    Atualmente, apenas 10% dos médicos especialistas atuam exclusivamente no SUS, e esses profissionais estão concentrados principalmente em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Essa desigualdade geográfica ajuda a explicar as dificuldades de acesso em várias regiões do país. A pandemia agravou ainda mais o quadro, ampliando as filas e em 2024, o tempo de espera atingiu níveis recordes.

    A MP também cria 385 novos cargos efetivos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que serão destinados ao controle e fiscalização dos novos equipamentos e serviços que serão incorporados à rede.

    A criação dos cargos foi articulada após o Congresso aprovar um projeto que recompôs salários de servidores e permitiu a abertura de novos postos em áreas estratégicas.

  • Senado propõe incentivo econômico para aviação regional na Amazônia

    Senado propõe incentivo econômico para aviação regional na Amazônia

    Uma proposta em tramitação no Senado Federal visa fomentar a aviação regional na Região Norte do Brasil, por meio de incentivos econômicos a empresas aéreas participantes do Programa de Aviação Regional da Região Norte (Parno). O projeto prevê apoio financeiro da União para o pagamento de tarifas de navegação aérea em aeroportos regionais.

    Aviação na Amazônia.

    Aviação na Amazônia.MD/Divulgação

    Além disso, propõe-se o custeio parcial de até 60 passageiros em voos com origem ou destino nesses aeroportos, definidos como aqueles de pequeno ou médio porte com movimentação anual inferior a um milhão de passageiros.O projeto limita a subvenção a 20% dos recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC).

    De autoria do senador Dr. Hiran (PP-RR), o projeto de lei 1.600/2025 tramita na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), aguardando relatório do senador Alan Rick (União-AC). Posteriormente, seguirá para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), responsável pela decisão terminativa, isto é, sem precisar passar pelo plenário.

    A subvenção se destina a cobrir custos de voos regulares domésticos e ligações aéreas sistemáticas em aeroportos regionais dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

    O benefício será concedido a empresas de transporte aéreo regular de passageiros e aquelas que operam ligações aéreas sistemáticas. O pagamento ocorrerá após 30 dias de operação regular da rota, com o compromisso de continuidade por pelo menos 180 dias após cada pagamento.

    O cálculo das subvenções levará em conta fatores como o aeroporto atendido, a distância percorrida e o consumo de combustível, entre outros critérios a serem definidos em regulamentação. As empresas participantes do Parno firmarão contrato com a União, incluindo cláusulas mínimas estabelecidas no regulamento.

    Todas as empresas que atenderem aos requisitos legais e regulamentares para a concessão da subvenção serão contempladas. Em caso de descumprimento das regras, as empresas deverão devolver os valores recebidos, corrigidos pela inflação, referentes ao período restante da operação prevista.

    A regulamentação do Parno, em caso de aprovação do projeto, ficará a cargo do Poder Executivo, abrangendo as condições para concessão de subvenções, obrigações das empresas, critérios de alocação de recursos, condições operacionais para pagamento e controle da subvenção, critérios de priorização e periodicidade dos pagamentos. A vigência prevista para o programa é de cinco anos, prorrogável por igual período, mediante recomendação em relatório anual do Poder Executivo.

    Na justificativa do projeto, o senador Dr. Hiran menciona a Lei 13.097/2015, que previa um programa nacional de aviação regional, mas “que ficou só no papel”. Ele destaca a prioridade da Amazônia Legal na lei anterior e o seu término em janeiro de 2025.

    “Em função dessa lacuna legal, propomos a criação de um novo programa”, justifica. O senador argumenta ainda a importância do transporte aéreo na Região Norte, onde, muitas vezes, a alternativa é o transporte hidroviário. Ele cita as dificuldades de conexão aérea de cidades da região, com exceção de Manaus e Belém, com voos caros, infrequentes e com conexões desfavoráveis.

    O PL 1.600/2025 mantém os mecanismos de redução de custos da lei de 2015: pagamento de tarifas de navegação aérea e subsídio parcial a rotas deficitárias. “Não se trata, que fique claro, de intervenção governamental sobre os preços do transporte aéreo”, afirma o senador. O objetivo é atrair operadores, aumentar a oferta e a concorrência, reduzindo custos operacionais e, consequentemente, o preço das passagens.

  • Com prazo curto na CPI das Bets, Soraya se preocupa com esvaziamento

    Com prazo curto na CPI das Bets, Soraya se preocupa com esvaziamento

    Com cronograma apertado, faltando duas semanas para o fim, Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre apostas online, a CPI das Bets, teme o esvaziamento do colegiado. Nesse prazo, a comissão deve concluir depoimentos, organizar documentos e articular a aprovação do relatório final. Para contornar o impasse, senadores do colegiado tentam viabilizar uma nova prorrogação da comissão.

    Senadora Soraya Thronicke.

    Senadora Soraya Thronicke.Geraldo Magela/Agência Senado

    Durante pronunciamento no plenário, Soraya afirmou que a CPI tem direito a mais 130 dias de funcionamento, já que 29 senadores assinaram um requerimento pedindo a prorrogação. No entanto, o pedido ainda precisa ser formalizado no sistema do Senado e lido em Plenário pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

    “Vou entregar o meu trabalho, mas não da forma como eu imaginava; vai ser da forma possível. Peço para o presidente Davi que nos dê mais alguns dias. Eu tenho condições de procurar o Supremo Tribunal Federal, eu tenho condições de impetrar um mandado de segurança, mas eu não quero judicializar isso. Eu acho que no diálogo a gente pode resolver todas essas questões”, disse Soraya.

    Instalada em novembro de 2024, a CPI tem como foco investigar irregularidades no setor de apostas online. Em abril, seu funcionamento foi prorrogado por 45 dias, até 14 de junho, com a aprovação do requerimento RQS 337/2025.

    Ausências e entraves

    Outro problema enfrentado pela CPI, além do prazo apertado, é a falta de quórum nas reuniões, o que inviabilizou a aprovação de requerimentos de informações financeiras dos investigados, e a ausência de testemunhas. Na última reunião, o influenciador Luan Kovarik, conhecido como Jon Vlogs, não compareceu. Ele é apontado como um dos principais nomes da divulgação de casas de aposta nas redes.

    O presidente da CPI, senador Dr. Hiran (PP-RR), classificou a ausência como ato de desprezo pela comissão e aprovou a condução coercitiva do influenciador.

    Ao todo, a CPI realizou 22 reuniões e ouviu 19 pessoas, número que representa pouco mais de 10% dos depoimentos aprovados. Diversas convocações não se concretizaram por conta de ausências dos depoentes. Entre os motivos mais comuns estão viagens ao exterior e decisões do STF que asseguram o direito de não se autoincriminar.

    Entre as celebridades ouvidas, destacou-se o depoimento da influenciadora Virgínia Fonseca, que inclusive foi tietada pelo senador Cleitinho (Republicanos-MG). O colegiado também ouviu o influenciador Rico Melquiades. Na audiência, a testemunha jogou em sites de apostas, ganhou e sacou os ganhos na frente dos senadores.

  • Comissão da Câmara aprova proposta de rastreio preciso de usuário

    Comissão da Câmara aprova proposta de rastreio preciso de usuário

    A Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados aprovou projeto que obriga empresas provedoras de internet a individualizar o número de IP (Internet Protocol) de cada cliente. A exigência deverá considerar o contrato firmado e o endereço físico onde o serviço é prestado.

    O texto também determina a identificação da porta lógica usada pelo terminal do usuário. Enquanto o IP aponta para o dispositivo conectado, a porta lógica indica o serviço ou programa utilizado.

    O projeto aprovado é um substitutivo apresentado pelo deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF) ao projeto de lei 1845/2024. A proposta altera o Marco Civil da Internet.

    O deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF) é o relator da medida substitutiva ao projeto de lei.

    O deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF) é o relator da medida substitutiva ao projeto de lei.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Hoje, a lei exige apenas o registro do IP, com data e hora de acesso. Como o número pode ser compartilhado por mais de um computador, a apuração de crimes digitais fica prejudicada. O objetivo da proposta é ampliar os dados armazenados para facilitar investigações.

    Para o relator, a individualização dos IPs garante mais precisão e segurança jurídica no tratamento dos dados, além de fortalecer a rastreabilidade das ações online, sem violar garantias constitucionais ou normas de proteção de dados.

    A proposta segue agora para análise conclusiva na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para entrar em vigor, precisará do aval da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

  • PT pede prisão de Zambelli e inclusão na lista da Interpol

    PT pede prisão de Zambelli e inclusão na lista da Interpol

    O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR), nesta terça-feira (3), pedindo a prisão preventiva da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que, mesmo condenada a 10 anos de prisão, deixou o país. Segundo o líder, a presença de Zambelli no exterior representa um “risco concreto à aplicação da lei penal, à ordem pública e à integridade das instituições democráticas brasileiras”.

    O pedido de Lindbergh tem como base a condenação imposta a ela pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a 10 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, com perda automática do mandato parlamentar, por crimes praticados contra a administração da Justiça.

    Veja a íntegra da representação

    Lindbergh Farias entrou com representação na PGR contra Carla Zambelli.

    Lindbergh Farias entrou com representação na PGR contra Carla Zambelli.Marina Ramos/Agência Câmara

    Segundo a representação, logo após a condenação, Zambelli deixou o território nacional sem comunicar o STF, alegando “motivos médicos”, e passou a ser mantida fora do alcance da jurisdição penal. Nas últimas semanas a deputada arrecadou R$ 285 mil via doações por Pix para cobrir gastos com a Justiça. Para o petista, os recursos foram usados na fuga da colega, em “tentativa deliberada de frustrar a execução da pena”.

    “Perseguição jurídica”

    Em entrevista a uma rádio bolsonarista, na qual revelou que estava fora do Brasil, Zambelli disse que tem também passaporte europeu e que vai se basear na Europa, tanto para cuidar da saúde como para denunciar o que chamou de “perseguição jurídica” entre as autoridades do continente. Ela não informou, contudo, em que país está.

    Lindbergh afirma que a dupla nacionalidade de Zambelli pode dificultar sua extradição, reforçando a urgência da decretação da prisão e a inclusão de seu nome na difusão vermelha da Interpol.

    A peça jurídica também sustenta que Zambelli repete o “modus operandi” de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ao buscar apoio de autoridades estrangeiras contra ministros do STF. Para os autores da representação, trata-se de uma “trama golpista continuada”, agora reconfigurada como um ataque transnacional à soberania nacional e à legitimidade do sistema de Justiça brasileiro.

    Pedidos à PGR

    De acordo com a representação, a conduta de Carla Zambelli representa uma ameaça grave e reiterada à soberania nacional e à ordem constitucional, demandando “resposta imediata do Estado para restaurar a autoridade da jurisdição penal”.

    Além da prisão preventiva, o documento solicita que a PGR:

    • Peça ao STF a inclusão de Zambelli na difusão vermelha da Interpol;
    • Inicie o processo de extradição com base nos tratados internacionais;
    • Bloqueie os valores recebidos via Pix e apure indícios de crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal;
    • Oficie ao Itamaraty para a revogação do passaporte diplomático da deputada.

    “Golpe continuado”

    O texto argumenta que a fuga de Zambelli “não é um ato isolado”, mas parte de uma estratégia mais ampla e coordenada com figuras como Eduardo Bolsonaro para “internacionalizar a narrativa de deslegitimação do Judiciário brasileiro”, em aliança com setores da extrema-direita internacional.

    Segundo o pedido, permitir que Zambelli continue no exterior, com acesso a recursos e apoio político, representaria um risco de continuidade de atuação delituosa, inclusive de fora do país.