Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Senadores nos EUA seguram agenda para evitar interferência de Eduardo

    Senadores nos EUA seguram agenda para evitar interferência de Eduardo

    A comitiva de senadores brasileiros encarregados de articular com o Congresso americano pela revogação das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros iniciou os trabalhos em Washington D.C nesta segunda-feira (28). O grupo, formado por parlamentares do governo e oposição, guarda sigilo sobre parte de sua agenda de trabalhos para evitar a interferência do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tenta preservar o tarifaço.

    Sem citar nomes, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e coordenador da comitiva, Nelsinho Trad (PSD-MS), anunciou a jornalistas que já possui encontros marcados com parlamentares americanos. Os nomes, porém, ele “está guardando, até em função de uma estratégia, essa informação para que não haja nenhuma interferência no sentido de inibir ou cancelar qualquer agenda previamente marcada”.

    Comitiva de parlamentares brasileiros nos EUA busca negociar o fim das tarifas de 50%.

    Comitiva de parlamentares brasileiros nos EUA busca negociar o fim das tarifas de 50%.
    Divulgação/Nelsinho Trad

    Eduardo Bolsonaro está desde março nos Estados Unidos, em contato com secretários do governo Trump e aliados do presidente americano no Congresso para alcançar sanções contra autoridades brasileiras direta ou indiretamente envolvidas na ação penal contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele clama para si o mérito da imposição das tarifas sobre produtos brasileiros.

    Antes mesmo da viagem, Eduardo já havia criticado a criação da comitiva, em especial os membros que compuseram o governo de seu pai. Em nota, afirmou que a comissão é “vazia de legitimidade” e que “não haverá recuo, porque para que ocorra uma mesa de negociação, o Brasil tem que dar um primeiro passo naqueles pontos da carta do Trump”, citando a demanda de Trump para que sejam “imediatamente” interrompidos os processos contra Bolsonaro.

    Ele também tem reiteradamente criticado aliados de seu grupo político que se manifestem de forma contrária às tarifas, acusando-os de conivência com a alegada perseguição judicial contra seu pai. Isso inclui até mesmo governadores, como Tarcísio de Freitas, de São Paulo, que tentou negociar com representantes diplomáticos dos EUA para que fossem aliviadas as taxas.

  • Senadores se reúnem com parlamentares dos EUA para discutir tarifaço

    Senadores se reúnem com parlamentares dos EUA para discutir tarifaço

    Faltando três dias para que entre em vigor a tarifa de 50% sobre exportações brasileiras anunciada por Donald Trump, senadores brasileiros iniciaram nesta terça-feira (29) a fase mais sensível de sua missão oficial aos Estados Unidos. O grupo, composto por oito parlamentares e liderado por Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, busca apoio no Congresso americano e no setor privado para tentar reverter ou adiar a medida, considerada uma das mais agressivas contra o comércio bilateral nos últimos anos.

    A tarifa, prevista para entrar em vigor na sexta-feira (1º), atinge diretamente produtos como aço, alumínio, alimentos e manufaturados, com potencial de provocar prejuízos de até R$ 175 bilhões em dez anos, segundo estimativas da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

    Nelsinho Trad, que lidera a missão do Senado, e a embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti,

    Nelsinho Trad, que lidera a missão do Senado, e a embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti,Ascom/Nelsinho Trad

    Missão estratégica em Washington

    Nesta terça, os senadores têm uma série de reuniões reservadas com congressistas norte-americanos, tanto democratas quanto republicanos, para articular a reabertura de canais políticos entre os parlamentos dos dois países. Os nomes dos interlocutores, entretanto, não foram divulgados por “estratégia e segurança”, conforme afirmou Nelsinho Trad: “Estamos guardando essa informação para que não haja nenhuma interferência no sentido de inibir ou cancelar qualquer agenda previamente marcada.”

    Ao final do dia, a comitiva concederá uma entrevista informal na escadaria do Capitólio, às 18h30 (horário de Washington).

    Resistência bolsonarista e tentativa de boicote

    A agenda da missão ocorre sob clima de tensão política, alimentado por tentativas de interferência do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA desde março em articulações com o governo Trump e parlamentares republicanos.

    Eduardo atua nos bastidores para deslegitimar a missão do Senado e tenta convencer aliados americanos a ignorarem as solicitações brasileiras. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro reivindicou mérito pessoal pela imposição da tarifa e trabalha para manter as sanções como forma de retaliação às ações judiciais contra seu pai no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Em nota divulgada antes da viagem da comitiva, Eduardo criticou duramente os senadores, afirmando que a missão é “vazia de legitimidade” e que “não haverá recuo” por parte do governo Trump enquanto o Brasil não cumprir exigências como a interrupção dos processos judiciais contra Jair Bolsonaro.

    Até mesmo aliados do ex-presidente, como os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Paraná, Ratinho Jr., e de Minas Gerais, Romeu Zema, têm sido atacados por Eduardo após tentativas diplomáticas para suavizar o impacto das tarifas junto a representantes dos EUA.

    Apoio do setor privado e articulações empresariais

    Na segunda-feira (28), os senadores se reuniram com executivos de grandes corporações norte-americanas. Entre elas, Cargill, ExxonMobil, Johnson & Johnson e Caterpillar, e com representantes da Câmara Americana de Comércio, maior organização empresarial do mundo.

    Durante os encontros, os parlamentares articularam apoio a uma possível manifestação conjunta da Câmara de Comércio, pedindo o adiamento da tarifa, sob o argumento de que a medida prejudica a previsibilidade das cadeias produtivas, inclusive nos EUA.

    “Não viemos com bandeira ideológica, viemos com dados e responsabilidade. O ‘não nós já temos, viemos correr atrás do ‘sim”, disse Nelsinho Trad.

    Especialistas jurídicos e econômicos também alertaram que, mesmo que haja derrotas judiciais, a Casa Branca pode reinstaurar tarifas por outros instrumentos legais, o que torna ainda mais crucial a pressão política direta no Congresso americano.

    A agenda oficial dos senadores prossegue na quarta-feira (30) com dois compromissos estratégicos:

    8h30 Encontro com representantes da Americas Society/Council of the Americas, que reúne lideranças empresariais e da sociedade civil dedicadas ao fortalecimento das relações interamericanas.

    10h15 Coletiva oficial na Embaixada do Brasil em Washington, com balanço dos resultados da missão.

    Parlamentares da missão

    A missão foi aprovada por unanimidade no plenário do Senado e é composta por parlamentares de diferentes partidos, incluindo governo e oposição. Dos oito integrantes, cinco são aliados de Jair Bolsonaro.

    Integram o grupo:

    • Nelsinho Trad (PSD-MS)
    • Jaques Wagner (PT-BA)
    • Tereza Cristina (PP-MS)
    • Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
    • Rogério Carvalho (PT-SE)
    • Carlos Viana (Podemos-MG)
    • Fernando Farias (MDB-AL)
    • Esperidião Amin (PP-SC)

    O risco bilionário de uma ruptura

    A reintrodução da tarifa ocorre em um contexto eleitoral nos Estados Unidos, com Trump disputando apoio de setores nacionalistas e industriais. A resposta brasileira, embora limitada no plano executivo, aposta no peso simbólico do Senado e no diálogo com o setor privado como formas de tentar mitigar os danos.

    Enquanto isso, a indústria brasileira observa com apreensão o avanço das tratativas em Washington. O impacto da medida pode desorganizar cadeias de exportação e encarecer produtos, com efeitos colaterais para ambos os lados.

  • Tarifaço pode gerar impacto de R$ 4,3 bi ao setor do suco de laranja

    Tarifaço pode gerar impacto de R$ 4,3 bi ao setor do suco de laranja

    O setor cítrico, responsável pelo processamento e exportação do suco de laranja, deve ser um dos mais impactados pela tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Prevista para entrar em vigor nesta sexta-feira (1º), a taxação pode gerar impacto anual de até US$ 792 milhões, o equivalente a R$ 4,3 bilhões. A estimativa foi feita pela Associação Nacional das Indústrias Exportadoras de Sucos Cítricos (CitrusBR), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

    O valor representa um aumento de cerca de 456% em relação aos impostos pagos na safra 2024/25, que somaram US$ 142,4 milhões. O cálculo considera o desempenho da safra encerrada em 30 de junho. Portanto, estima o impacto para a safra 2025/2026. Somando as tarifas globais, para os outros destinos de exportação do suco de laranja, o setor cítrico deve enfrentar um salto tributário de US$ 393,6 milhões para US$ 1,3 bilhão.

    O impacto do tarifaço anunciado por Donald Trump representa uma mudança no setor porque os Estados Unidos são o segundo maior consumidor do suco brasileiro, fica atrás apenas da União Europeia. Durante a safra 2024/2025, o país foi responsável por consumir 41,7% do suco exportado, o total é estimado em mais de 307 mil toneladas, com receita de US$ 1,31 bilhão.

    Atualmente, o Brasil já paga uma tarifa de US$ 415 por tonelada exportada para os EUA. Na última safra, esse custo foi de US$ 142,4 milhões. O Citrus BR aponta que a estimativa de R$ 4,3 bilhões de impacto no setor considera a aplicação acumulada da tarifa de 50% com os 10% hoje já tributados. A associação pondera, ainda, que caso não sejam cumulativos, o aumento estimado seria de US$ 635 milhões ao ano, equivalente a R$ 3,4 bilhões.

    Suco de laranja.

    Suco de laranja.Freepik

    Setor e durabilidade

    O setor cítrico exportou na safra de 2024/2025 US$ 3,31 bilhões, o recorde na série histórica apresentada pelo Citrus BR com dados compilados da Secretaria de Comércio Exterior, compilados. “O valor representa uma alta de 31,4% em relação aos US$ 2,52 bilhões obtidos na safra anterior”, diz a associação em nota.

    Apesar de ter sido a safra com maior valor exportado, em relação ao volume do suco, foi o menor da série histórica, com 745.593 toneladas, o que corresponde a uma retração de 21,7% frente às 952.295 toneladas exportadas em 2023/2024. A safra que representou maior processamento industrial na série histórica foi a de 2017/2018, com 370 mil caixas de 40,8 kg.

    “Para os Estados Unidos, as exportações somaram 305.805 toneladas, recuo de 3% em relação às 315.465 toneladas embarcadas na safra passada. O valor arrecadado, contudo, cresceu de forma expressiva: US$ 798 milhões para US$ 1,31 bilhão, alta de 63,8%. A participação americana alcançou 41,7% na safra 2024/25 ante 34,1% na safra anterior”, acrescenta a associação.

    Três empresas atualmente lideram o mercado citrícola brasileiro. As companhias Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company são as principais produtoras e exportadoras do Brasil de sucos cítricos e seus produtos derivados. O carro-chefe das exportações é o FCOJ, sigla em inglês para Suco de Laranja Concentrado Congelado.

    Além desse produto, o Brasil também exporta o suco NFC, sigla em inglês para Não Concentrado. Com a proximidade da tarifa dos Estados Unidos, o setor lida também com a durabilidade e perecibilidade dos produtos. A duração, no entanto, representa um pequeno alívio às empresas. O suco FCOJ dura um ano estocado, ao passo que o suco não concentrado tem validade de seis meses.

  • Saiba o que prevê a  Lei Magnitsky, aplicada a Alexandre de Moraes

    Saiba o que prevê a Lei Magnitsky, aplicada a Alexandre de Moraes

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sancionado nesta quarta-feira (30) pelo governo Donald Trump com a Lei Magnitsky. A norma prevê sanções e punições a estrangeiros para acusados de corrupção ou graves violações dos direitos humanos. A sanção foi publicada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos Estados Unidos.

    A legislação, aprovada em 2012 pelo governo Barack Obama, prevê, entre outras sanções, o bloqueio de contas bancárias e bens nos Estados Unidos e a proibição de entrada no país. Neste mês, o governo norte-americano já havia anunciado a revogação do passaporte de Moraes e de outros ministros da Corte considerados “aliados” do magistrado, que relata as ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    As medidas de sanção da lei ainda compreendem a proibição de realizar transações com empresas e pessoas dos EUA, assim como a impossibilidade de utilizar bandeiras americanas de cartão de crédito e demais formas de pagamento relacionadas ao país. Qualquer empresa ligada aos sancionados pela legislação também enfrentam bloqueio.

    A referida lei foi criada em homenagem ao advogado russo Sergei Magnitsky, morto em 2009 na prisão em Moscou, após denunciar um esquema de corrupção no país. Inicialmente, a matéria buscava apenas punir oligarcas e outras autoridades russas envolvidas com a morte do advogado.

    Casa Branca.

    Casa Branca.Casa Branca

    Uma emenda em 2016, no entanto, ampliou a aplicabilidade da legislação em escala global. Além disso, as modificações na lei permitiram também punições em outros casos de corrupção e em casos de violação dos direitos humanos. As medidas, portanto, podem ser aplicadas a quem cerceia liberdades fundamentais, atua contra eleições democráticas ou promove perseguições judiciais.

    Esses últimos três pontos foram apontados por Donald Trump em sua carta aberta com anúncio de tarifas de 50% a produtos brasileiros, cuja vigência se inicia nesta sexta-feira (1º). “A maneira como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos EUA, é uma vergonha internacional”, escreveu Trump. “Este julgamento não deveria estar acontecendo. É uma Caça às Bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!”, escreveu.

    A imposição da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e demais autoridades brasileiras ganhou tração nos Estados Unidos após as articulações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se licenciou do cargo em março para essa missão. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já havia afirmado na Câmara dos Deputados americana que a medida era “estudada”.

  • Articuladores da sanção contra Moraes dizem que pouparam ministros

    Articuladores da sanção contra Moraes dizem que pouparam ministros

    Articuladores da sanção imposta pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes afirmam que optaram por poupar, por ora, os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Ambos chegaram a ser mencionados por Eduardo Bolsonaro e aliados como possíveis alvos, mas ficaram de fora da lista divulgada nesta quarta-feira (30). A decisão, segundo os envolvidos, foi estratégica.

    Barroso e Gilmar ficaram de fora da sanção dos EUA.

    Barroso e Gilmar ficaram de fora da sanção dos EUA.Rosinei Coutinho/SCO/STF | Bruno Spada/Câmara dos Deputados | Fellipe Sampaio/SCO/STF | Arte Congresso em Foco

    A medida contra Moraes foi tomada com base na Global Magnitsky Act, legislação americana que autoriza punições a agentes públicos envolvidos em corrupção ou violações de direitos humanos. As sanções incluem bloqueio de bens, congelamento de contas e restrição de entrada nos Estados Unidos.

    Para aliados da medida, a exclusão de outros ministros seria uma forma de escalonar a pressão e manter canais de influência abertos com parte do Supremo. O analista político Paulo Figueiredo, que atua junto à campanha internacional contra o STF, escreveu no X (antigo Twitter): “Mais virá. As investigações continuam”, sugerindo que novas sanções podem ser aplicadas.

    Estratégia

    A sanção contra Alexandre de Moraes ocorre em meio ao desgaste entre o Judiciário brasileiro e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, muitos dos quais enfrentam investigações no STF relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

    Ao restringir a sanção a Moraes, o governo Trump envia uma mensagem política clara, sem fechar todas as portas com o restante do Supremo.

  • 8% do petróleo exportado pela Petrobras no segundo trimestre teve os EUA como destino

    8% do petróleo exportado pela Petrobras no segundo trimestre teve os EUA como destino

    No segundo trimestre de 2025, 8% do volume total de petróleo exportado pela Petrobras teve como destino os Estados Unidos. A participação do mercado americano foi ainda mais expressiva na compra de derivados que representam 28% da produção. Os dados são do relatório trimestral de produção e vendas divulgado pela companhia.

    Em relação a períodos anteriores, a exportação petroleira para os EUA aumentou: eram 4% no primeiro trimestre deste ano e 5% no mesmo período de 2024. No entanto, houve uma queda na compra de derivados brasileiros pelo país americano. Eram 37% no primeiro trimestre de 2025 e 50% no segundo trimestre de 2024.

    O petróleo bruto corresponde a 13,3% das exportações brasileiras.

    O petróleo bruto corresponde a 13,3% das exportações brasileiras.André de Oliveira Claudino/Petrobras

    O petróleo foi deixado de fora da lista de produtos brasileiros taxados em 50% por uma ordem executiva assinada pelo presidente americano, Donald Trump, que contemplou exceções, incluindo minérios, fertilizantes e produtos de energia, categoria na qual se enquadra o petróleo.

    Em 2024, o petróleo se tornou o principal produto nas exportações brasileiras. As vendas de óleo bruto de petróleo ou de minerais atingiram US$ 44,8 bilhões, 13,3% das exportações do país, conforme informações da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A Petrobras é a maior produtora de petróleo do Brasil.

    Os campos operados exclusivamente pela Petrobras correspondem a 22,6% da produção de petróleo e gás do país, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Se somados aos campos operados em consórcio, a participação da Petrobras atinge 89,30% da produção.

    Segundo o relatório, a produção de petróleo e gás natural totalizou 2,9 milhões de barris, um crescimento de 5% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 8,1% em comparação com o mesmo período de 2024.

    O maior importador de petróleo foi a China (54%), que expandiu a compra em relação aos 50% em relação ao segundo trimestre de 2024. A Europa ocupa o segundo lugar, com 19%, e os outros países da Ásia somam 12%. América Latina (6%) e África do Sul (2%) ficam atrás dos Estados Unidos. Quanto aos derivados exportados, Cingapura compra 63%.

  • Lula reúne ministros do STF e reafirma soberania após sanção a Moraes

    Lula reúne ministros do STF e reafirma soberania após sanção a Moraes

    O presidente Lula recebeu na noite dessa quinta-feira (31) ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para um jantar no Palácio da Alvorada. O encontro, promovido às vésperas da reabertura do ano judicial, teve como principal objetivo manifestar solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes, que foi alvo de sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky, dispositivo legal usado para punir violações de direitos humanos e corrupção internacional.

    Além de Moraes, participaram do jantar os ministros Luís Roberto Barroso (presidente do STF), Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Edson Fachin, além do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, do advogado-geral da União, Jorge Messias, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A reunião, que durou cerca de duas horas, foi marcada por discursos firmes em defesa da soberania nacional e da independência do Poder Judiciário brasileiro.

    Embora também tenham sido convidados, não participaram do jantar os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques, Cármen Lúcia e Dias Toffoli.

    Lula tem reagido com firmeza às investidas de Trump contra o Brasil e Alexandre de Moraes.

    Lula tem reagido com firmeza às investidas de Trump contra o Brasil e Alexandre de Moraes.Ricardo Stuckert/PR

    Um limite claro: soberania não se negocia

    De acordo com fontes presentes no jantar, o presidente Lula foi direto ao afirmar que o Brasil não aceitará qualquer tipo de interferência estrangeira sobre suas instituições. Segundo relatos obtidos pelo jornal O Globo, o petista classificou o momento como “crucial” para a afirmação do país na geopolítica internacional e defendeu o traçado de uma “linha intransponível” quando se trata da autonomia dos Poderes da República.

    Lula deixou claro que o governo mantém diálogo com os EUA para negociar tarifas comerciais impostas recentemente por Donald Trump, mas advertiu que essa disposição não se estende a questões internas, como a atuação do STF e o julgamento de Jair Bolsonaro pelos atos golpistas de 2022.

    “O STF atua rigorosamente no devido processo legal: os réus tiveram garantia do contraditório e direito de defesa, que entra agora na fase de alegações finais antes do julgamento. É assim que funciona a Justiça, algo que nem Trump nem Bolsonaro querem aceitar”, declarou a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, uma das principais vozes do Planalto na defesa do Judiciário.

    Moraes minimiza impacto e recusa ação imediata

    Durante o jantar, Alexandre de Moraes agradeceu os gestos de apoio e, segundo relatos, demonstrou tranquilidade e firmeza. O ministro afirmou que não pretende, neste momento, entrar com qualquer tipo de ação judicial nos Estados Unidos contra as sanções. Para ele, não há ativos ou vínculos financeiros que possam ser afetados, tampouco interesse em manter qualquer relação com o sistema jurídico americano.

    No entanto, interlocutores do governo e da Advocacia-Geral da União (AGU) admitem que uma eventual ação internacional poderá ser considerada, a depender da evolução do caso. Entre as possibilidades avaliadas estão o acionamento de tribunais multilaterais ou a contratação de escritórios jurídicos nos EUA para representar o ministro. Por ora, porém, Moraes optou por não judicializar a questão.

    “Respeitamos a decisão do ministro. Nossa proposta teve o intuito de demonstrar o alinhamento do governo à defesa das instituições brasileiras”, afirmou o advogado-geral da União, Jorge Messias.

    Tentativa de constrangimento internacional

    A sanção contra Alexandre de Moraes foi anunciada com base na Lei Magnitsky, inicialmente voltada para perseguir crimes de corrupção e violações graves de direitos humanos cometidos por agentes de regimes autoritários. Moraes foi incluído na lista no mesmo dia em que Donald Trump oficializou um tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras, com exceções para centenas de produtos como celulose, petróleo, aviões e suco de laranja.

    Segundo avaliação de ministros do STF, a medida tem como pano de fundo uma pressão política internacional, associada à tentativa de influenciar os rumos do processo contra Bolsonaro no Supremo. A Corte deve julgar, em setembro, a participação do ex-presidente na articulação de uma tentativa de golpe de Estado em 2022. Os ministros pretendem concluir antes disso outras ações pendentes para garantir espaço na pauta.

    Para o STF, o uso da Lei Magnitsky neste contexto foi indevido e desproporcional. Moraes não responde a processos em outras jurisdições, tampouco foi condenado, o que contraria o escopo original da legislação. A sanção, na leitura dos ministros, extrapola os limites da jurisdição americana e compromete princípios do direito internacional e da soberania dos Estados.

    STF reage e prepara discurso institucional

    Com a reabertura dos trabalhos prevista para esta sexta-feira (1º), o STF prepara uma sessão marcada por pronunciamentos em defesa de Moraes e da independência do Judiciário. O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, sinalizou que abrirá espaço no plenário para que os ministros se manifestem sobre a ofensiva americana.

    Nos bastidores, o jantar promovido por Lula foi entendido como um ato de desagravo e de reafirmação da harmonia entre os Poderes. A ausência de ministros mais alinhados ao bolsonarismo, como Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux, também revelou o isolamento institucional de quem ainda tenta minimizar os riscos à democracia representados pela pressão internacional.

    Interesses geopolíticos

    O gesto de Trump foi interpretado como parte de uma estratégia mais ampla. Além da tentativa de proteger Bolsonaro e seus aliados, os Estados Unidos têm pressionado por acordos com o Brasil para garantir acesso a minerais estratégicos, como nióbio, grafita, terras raras e lítio, recursos fundamentais para a transição energética global.

    Fontes diplomáticas confirmam que representantes do governo americano têm intensificado tratativas com Brasília, buscando acelerar concessões. A sanção a Moraes seria mais um movimento dessa ofensiva. Apesar disso, o governo brasileiro mantém abertura para discutir termos comerciais, desde que o debate não envolva temas internos nem comprometa a autonomia das instituições.

  • AO VIVO: acompanhe a sessão de abertura do 2º semestre no STF

    AO VIVO: acompanhe a sessão de abertura do 2º semestre no STF

    O Supremo Tribunal retorna aos trabalhos nesta sexta-feira (1º) depois do recesso do Judiciário. Acompanhe a transmissão ao vivo:

    Um dos destaques da sessão desta sexta é o Recurso Extraordinário 640452, que discute a legalidade de uma multa aplicada à Eletronorte por descumprimento de obrigação tributária acessória.

    Outros processos que serão julgados:

    ADI 4067: trata da legalidade da destinação de 10% da contribuição sindical compulsória para centrais sindicais. O julgamento será retomado com o voto-vista do ministro Gilmar Mendes.

    ADI 7524: questiona normas de Santa Catarina que estabelecem regras distintas para licenças parentais de servidores civis e militares. A ação será analisada no plenário presencial após pedido de destaque do ministro Barroso.

    Leia ainda:

    STF volta ao trabalho nesta sexta em meio a sanções contra Moraes

  • Deputada propõe proteção integral a vítimas de violência doméstica

    Deputada propõe proteção integral a vítimas de violência doméstica

    A deputada Denise Pessôa (PT-RS) apresentou à Câmara o projeto de lei 3634/2025, que cria a Política Nacional de Proteção Integral a Mulheres e Crianças em Situação de Violência Doméstica. A proposta foi protocolada prevê ações intersetoriais para garantir acolhimento, segurança e autonomia às vítimas.

    O texto determina a criação de abrigos sigilosos, com segurança 24 horas, onde serão oferecidos serviços como atendimento psicológico individual e em grupo, apoio jurídico, capacitação profissional, alfabetização, espaço para convivência infantil e acesso articulado à rede pública de saúde.

    Objetivo, segundo Denise Pessôa é interromper o ciclo da violência com respostas públicas integradas.

    Objetivo, segundo Denise Pessôa é interromper o ciclo da violência com respostas públicas integradas.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Pela proposta, mulheres poderão ser encaminhadas aos abrigos por Delegacias da Mulher, unidades de saúde, Conselhos Tutelares, escolas, além de órgãos como Ministério Público, Judiciário e Defensoria Pública. Os locais deverão seguir as diretrizes do SUS e da Política Nacional de Assistência Social, com foco no atendimento humanizado e contínuo.

    Argumentos da autora

    A autora afirma que a violência doméstica “compromete não apenas a integridade das vítimas no momento imediato da agressão, mas também sua saúde de forma prolongada, por afetar o equilíbrio emocional, a autonomia econômica, os vínculos sociais e o desenvolvimento integral das crianças expostas”.

    Ela defende que o Estado deve oferecer “respostas efetivas que não se limitem à responsabilização do agressor, mas que ofereçam condições reais de proteção, cuidado e reconstrução da vida das vítimas”. Por isso, propõe a articulação entre áreas como saúde, assistência social, segurança e educação.

    A deputada avalia que a criação da política “representa uma estratégia fundamental para garantir a ruptura do ciclo da violência e evitar sua perpetuação intergeracional”, ao reforçar o papel do Estado “na prevenção de agravos e na reconstrução de trajetórias de vida interrompidas pela violência”.

  • Lula: “Brasil tem limite para brigar com os EUA, mas não tem medo”

    Lula: “Brasil tem limite para brigar com os EUA, mas não tem medo”

    Em resposta à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre as importações de produtos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (3) que o Brasil tem “limites para brigar com os EUA”, mas também não tem medo de negociar e exigirá respeito na relação bilateral. A declaração foi feita durante o encerramento do 17º Encontro Nacional do PT, em Brasília, evento que marcou a posse de Edinho Silva como novo presidente do partido.

    Lula afirmou que, embora o Brasil adote uma postura de cautela nas negociações com os EUA, não aceitará imposições unilaterais e injustificadas. “Eles têm que saber que nós temos o que negociar. Nós queremos negociar em igualdade de condições”, disse o presidente, acrescentando que “colocar um assunto político para nos taxar economicamente é inaceitável”.

    “Quem quiser confusão conosco, pode saber que nós não queremos brigar. Agora, não pensem que nós temos medo”, enfatizou Lula.

    Jornalistas levantam a mão para fazer perguntas a Donald Trump. Presidente dos EUA usou processo contra Bolsonaro para justificar taxação contra o Brasil.

    Jornalistas levantam a mão para fazer perguntas a Donald Trump. Presidente dos EUA usou processo contra Bolsonaro para justificar taxação contra o Brasil.Abe McNatt/Casa Branca

    Ele destacou que os Estados Unidos são uma potência econômica, bélica e tecnológica, mas o Brasil não pode ser tratado como uma “republiqueta”. “Queremos crescer, temos interesses econômicos, estratégicos, queremos ser respeitados pelo nosso tamanho”, afirmou.

    Crítica à subordinação ao dólar e defesa de moeda alternativa

    Lula também voltou a defender a criação de uma moeda alternativa ao dólar para o comércio internacional, proposta que vem gerando incômodo no governo norte-americano. “Eu não preciso ficar subordinado ao dólar. Eu não estou falando isso agora, não. Essa é uma ideia antiga”, reiterou.

    O presidente ressaltou que a busca por maior autonomia monetária é parte do esforço para fortalecer a soberania nacional e diversificar as relações comerciais do Brasil. Desde o anúncio das tarifas, o governo lançou a campanha “Brasil com S de Soberania”, destacando a independência e a dignidade nas relações exteriores.

    Limites e disposição para o diálogo

    Lula reconheceu a importância das relações diplomáticas com os EUA, que remontam a mais de 200 anos, mas alertou para a necessidade de um diálogo baseado no respeito mútuo. “Eu tenho um limite de briga com o governo americano. Eu não posso falar tudo que acho que tenho que falar. Temos que falar apenas o que é necessário”, afirmou, sinalizando disposição para o diálogo, mas sem submissão.

    Ele também revelou que propostas já foram apresentadas por integrantes do governo, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores. “As propostas estão na mesa”, reforçou, em referência à abertura de diálogo com Trump, que na última sexta-feira acenou positivamente à possibilidade de conversas com Lula.

    Excrescência da política

    O tom político do discurso também incluiu críticas à oposição brasileira. Lula acusou parlamentares de “trair o povo brasileiro” ao apoiar ações internacionais contrárias aos interesses do país. Segundo ele, é inadmissível que políticos renunciem ao mandato para pedir ao governo americano o aumento das tarifas contra o Brasil. “Eles estão se abraçando à bandeira americana para trair a pátria”, disparou, em alusão ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se apresenta como responsável pelas articulações com o governo dos EUA para sancionar o ministro Alexandre de Moraes e a economia brasileira. “É a excrescência da excrescência da política”, ressaltou o presidente.

    Lula afirmou que seu governo não busca conflitos com nenhum país. “Este país é um país de paz. Nós queremos crescer economicamente, dar mais dignidade ao nosso povo. Não queremos confusão, mas não pensem que temos medo”, declarou.

    Contexto do embate comercial

    A escalada de tensões teve início com a decisão de Trump, ainda em seu primeiro ano de mandato, de elevar em 50% as tarifas sobre produtos brasileiros, medida que impacta setores-chave da economia nacional. Na tentativa de abrir um canal de diálogo, o chanceler Mauro Vieira se reuniu na semana passada com o secretário de Estado americano, Marco Rubio – primeiro encontro formal entre os governos desde a posse de Trump. Os Estados Unidos deixaram cerca de 700 produtos fora do tarifaço de 50%.