Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Líder da oposição critica fala de Lula sobre aparência de Gleisi

    Líder da oposição critica fala de Lula sobre aparência de Gleisi

    O líder da oposição na Câmara dos Deputados, deputado Zucco (PL-RS), divulgou na noite desta quarta-feira (12) uma nota criticando a declaração do presidente Lula sobre a escolha da nova ministra-chefe das Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann. Mais cedo, durante evento no Palácio do Planalto, Lula afirmou que nomeou uma “mulher bonita” para facilitar a articulação com o Congresso.

    A declaração de Lula foi feita nesta manhã durante a assinatura da Medida Provisória de lançamento do programa Crédito do Trabalhador.

    Veja a fala:

    Na nota, Zucco ironiza o critério mencionado pelo presidente e questiona a importância atribuída à aparência física em detrimento da experiência política. “É realmente reconfortante saber que, em pleno 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita que a melhor estratégia para estreitar relações com o Congresso seja nomear uma ‘mulher bonita’ para a articulação política. Afinal, quem precisa de competência, experiência e habilidade política quando se tem atributos estéticos à disposição?”, escreveu o parlamentar.

    O oposicionista também sugeriu, de forma sarcástica, que a escolha de gestores públicos passe a ser feita com um concurso de beleza. “Talvez devêssemos repensar todo o processo eleitoral e substituir debates por desfiles, já que, aparentemente, é isso que realmente importa na condução do país”, afirmou.

    Zucco também considerou misógina a declaração. “É curioso notar que, em um cenário onde se espera que líderes promovam igualdade de gênero e valorizem a competência profissional, nosso presidente opta por reduzir uma mulher a sua aparência física”, apontou.

    Gleisi Hoffmann foi empossada para a SRI na segunda-feira (10), licenciando-se do cargo de deputada federal e de presidente nacional do PT, função que exercia desde 2017. Antes disso, foi senadora e exerceu diversas funções executivas em governos petistas, incluindo a de ministra-chefe da Casa Civil na gestão Dilma.

  • Gleisi defende Lula após comentário sobre “mulher bonita”

    Gleisi defende Lula após comentário sobre “mulher bonita”

    A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu nesta quinta-feira (13) às críticas levantadas por opositores do governo após a declaração do presidente Lula sobre sua nomeação. Em publicação nas redes sociais, ela repudiou as críticas e classificou os ataques como misóginos e machistas.

    Gleisi Hoffmann foi empossada como ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais na segunda-feira (10).

    Gleisi Hoffmann foi empossada como ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais na segunda-feira (10).Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    “Essa mulher bonita”

    A polêmica surgiu após Lula afirmar, durante um evento no Palácio do Planalto na última quarta-feira (12), que escolheu “essa mulher bonita”, fazendo referência à ministra, para estreitar a relação do governo com o Congresso. O discurso foi criticado por parlamentares da oposição, incluindo o líder da bancada na Câmara, deputado Zucco (PL-RS), que ironizou o critério apontado pelo presidente e classificou a fala como misógina.

    Nesta manhã, Gustavo Gayer (PL-GO) adotou um tom bem mais agressivo, comparando o presidente Lula a um cafetão. Com isso, entrou em atrito direto com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), namorado de Gleisi.

    Reação de Gleisi

    Em resposta, Gleisi Hoffmann afirmou que não se sente diminuída pela fala de Lula e criticou os opositores, acusando-os de oportunismo e tentativa de desqualificar o presidente. “Repudio os ataques canalhas de bolsonaristas, misóginos, machistas e de violência política. Desprezam as mulheres. Não me intimidam nem me acuam”, escreveu a ministra no X.

    A ministra também destacou a atuação de Lula na promoção da participação feminina na política e na administração pública. “Não teve e não tem outro líder que mais empoderou as mulheres”, afirmou, citando a nomeação de mulheres para cargos estratégicos no governo, estatais e tribunais.

    Gleisi também relembrou o histórico de declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro, principal referência política do bloco de oposição da Câmara. “Vocês esqueceram das entrevistas, dos vídeos em que Bolsonaro agrediu as mulheres, estimulando a violência política e física, o preconceito, o machismo? Canalhas, respeitem a inteligência do povo brasileiro”, exclamou.

    Veja a íntegra da publicação:

  • Lula questiona preço do ovo: “alguém está sacaneando as galinhas”

    Lula questiona preço do ovo: “alguém está sacaneando as galinhas”

    Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de Entrega de 789 Novas Ambulâncias do SAMU.

    Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de Entrega de 789 Novas Ambulâncias do SAMU.Ricardo Stuckert/Presidência da República

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta sexta-feira (14), o aumento do preço do ovo no Brasil e afirmou que ainda busca entender os motivos da alta. Durante a cerimônia de entrega de mais de 700 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), em Sorocaba (SP), ele comparou os números da produção nacional com o consumo interno e questionou as explicações dadas até o momento.

    Lula destacou que, entre janeiro e fevereiro, o preço da caixa com 30 dúzias de ovos subiu de R$ 144 para R$ 210, sem uma justificativa clara. O presidente ironizou a situação, afirmando que não faz sentido atribuir o aumento às galinhas.

    “Alguém está sacaneando as galinhas. Pode ter certeza. Essas galinhas que botam ovo ficam trancadas, coitadas, botam três ovos por dia. Só comem, bebem água e botam ovo. E agora querem jogar a culpa nelas? Nós não aceitamos isso.”

    Produção de ovos

    Lula ressaltou que o Brasil deve produzir cerca de 59 bilhões de ovos em 2024, sendo que apenas 1% é exportado. Além disso, segundo ele, o consumo médio por brasileiro é de 260 ovos por ano, o que reforçaria a falta de explicação para a alta dos preços.

    “Então não tem explicação para esse ovo estar caro, alguém está passando a mão”, disse o presidente.

    Leia também: Lula questiona preço do ovo: “Galinha não está cobrando caro”

    Lula também contestou as justificativas apontadas para o aumento do preço do ovo, como a elevação do dólar e o aumento da exportação. “Alguns dizem que foi porque aumentou a exportação e o dólar está caro. Mas o que ficou aqui não tem que subir de preço”, afirmou.

    O presidente ainda ironizou a alegação de que o calor teria impactado a produção. “Falaram que foi porque fez muito calor e a galinha diminuiu os ovos. Mentira, porque calor fez no ano passado também”, rebateu.

  • Aula magna debate desafios de parlamentos sem maioria governista

    Aula magna debate desafios de parlamentos sem maioria governista

    A Câmara dos Deputados realizará, em parceria com a Embaixada da França, a aula magna “Parlamentos divididos: as experiências francesa e brasileira”. O evento acontece na próxima segunda-feira (17), das 15h às 17h30, no Plenário 1 do Anexo II, e contará com transmissão pelo canal da Câmara no YouTube. As inscrições para participação presencial estão abertas no sistema Eduleg.

    Evento será transmitido ao vivo

    Evento será transmitido ao vivoJosé Cruz/Agência Brasil

    O debate reunirá os professores Dominique Rousseau e José Levi Amaral, que discutirão os desafios dos sistemas legislativos dos dois países diante da ausência de maiorias consolidadas no parlamento e seus impactos na governabilidade.

    A aula magna marca o início do ano letivo do Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento (Cefor) e propõe uma reflexão sobre o funcionamento dos parlamentos modernos e suas consequências para a democracia.

    Palestrantes e moderadores

    Dominique Rousseau é professor emérito da Universidade de Direito Público Paris 1 Panthéon-Sorbonne e ex-presidente da Association Française de Constitutionnalistes (AFDC). Também integra o conselho científico da Académie Internationale de Droit Constitutionnel.

    José Levi Amaral atua no Conselho Administrativo de Defesa Econômica e leciona Direito Constitucional na USP. Já exerceu os cargos de advogado-geral da União, procurador-geral da Fazenda Nacional e ministro interino da Justiça.

    A mediação ficará a cargo dos consultores legislativos da Câmara, David Carneiro, doutor em Teoria e Filosofia do Direito pela UERJ e Newton Tavares Filho, doutor pela Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne.

    Informações

    Data: 17 de março (segunda-feira)

    Horário: 15h às 17h30

    Local: Plenário 1, Anexo II da Câmara dos Deputados

    Inscrições: Eduleg

    Transmissão: YouTube da Câmara dos Deputados

  • Em semana de Copom, mercado diminui previsão para inflação e PIB

    Em semana de Copom, mercado diminui previsão para inflação e PIB

    O mercado financeiro ajustou para baixo as previsões do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e da inflação para 2025, segundo o Boletim Focus publicado pelo Banco Central nesta segunda-feira (17). O relatório, que coleta as previsões de analistas do mercado, mostra uma projeção de 1,99% para aumento do PIB e de 5,66% para a inflação oficial do ano, uma oscilação para baixo nos dois valores em comparação à semana anterior, respectivamente de 2,01% e 5,68%.

    O ajuste vem na semana em que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve divulgar um aumento de um ponto percentual na Selic, taxa básica de juros da economia brasileira. Se isso se confirmar, a Selic vai a 14,25% anuais.

    • A alta dos juros visa a combater a inflação para que ela entre no intervalo da meta do governo, que está na faixa de 1,5% a 4,5%. As elevações, no entanto, desaceleram a economia e podem baixar o crescimento do PIB no ano.

    O mercado também projeta que o dólar feche o ano cotado a R$ 5,98, ante R$ 5,99 na semana anterior. A expectativa indicada no Focus é que a Selic feche o ano a 15% anuais.

    Relatório Focus mostra as previsões de especialistas do mercado financeiro para a economia brasileira.

    Relatório Focus mostra as previsões de especialistas do mercado financeiro para a economia brasileira.F1Digitals (via Pixabay)

  • Senado: CRA ouve ministra dos Povos Indígenas sobre acordo com empresa

    Senado: CRA ouve ministra dos Povos Indígenas sobre acordo com empresa

    Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.

    Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.MRE GAVIÃO/Ministério dos Povos Indígenas

    A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal convocou a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, para uma audiência pública nesta terça-feira (18), às 14h. A ministra prestará esclarecimentos sobre um protocolo de intenções firmado entre o Ministério dos Povos Indígenas e a empresa Ambipar, especializada em gestão ambiental. O requerimento para a audiência foi apresentado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, que alega possíveis irregularidades no acordo.

    No requerimento (REQ 4/2025 – CRA), o senador argumenta que o protocolo foi firmado sem o cumprimento dos requisitos legais, incluindo a ausência de licitação para a escolha da empresa. Segundo Marinho, essa falta de transparência pode configurar tratamento privilegiado à Ambipar e violar os princípios da isonomia e impessoalidade na administração pública.

    “O protocolo de intenções, segundo divulgado pela imprensa, abrangeria uma área de aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados, equivalente a 14% do território brasileiro, o que demandaria aprovação legislativa prévia. Além disso, caso a parceria envolva concessão de terras públicas acima de 2.500 hectares, haveria necessidade de autorização específica”, aponta o senador, questionando a constitucionalidade do acordo.

    O senador também levanta preocupações sobre a falta de consulta prévia às comunidades indígenas afetadas, o que, em sua visão, compromete a legitimidade da parceria e desrespeita princípios internacionais de autodeterminação dos povos originários.

    Adicionalmente, Marinho afirma que há previsão de início das atividades antes da conclusão do plano de trabalho, contrariando as normas legais de prestação de contas e previsibilidade orçamentária.

    A audiência pública será interativa, permitindo a participação da sociedade civil. Os cidadãos podem enviar perguntas e comentários por meio da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e-Cidadania. As contribuições podem ser lidas e respondidas pelos senadores e pela ministra durante o evento.

  • Eduardo Bolsonaro fica nos EUA e diz que vai se licenciar da Câmara

    Eduardo Bolsonaro fica nos EUA e diz que vai se licenciar da Câmara

    O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciou nesta terça-feira (18) que vai se licenciar do mandato de deputado e permanecer nos Estados Unidos. O parlamentar fez o anúncio por vídeo publicado no YouTube. Na gravação, Eduardo diz que vai trabalhar no exterior para articular sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes, relator na Suprema Corte das denúncias de réus dos atos golpistas do 8 de janeiro e da denúncia do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

    Eduardo era o nome defendido pelo PL para assumir a presidência da Comissão das Relações Exteriores na Câmara, o que foi recebido com resistência por legendas da esquerda. A bancada do PT na Casa chegou a pedir a retenção do passaporte do deputado na Justiça.

    No vídeo, o parlamentar diz que o deputado Zucco vai assumir a presidência da comissão em seu lugar. Zucco, hoje, é líder da Oposição na Câmara.

  • CCJ do Senado discute aumentar pena para brigas em eventos esportivos

    CCJ do Senado discute aumentar pena para brigas em eventos esportivos

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado tem na sua pauta de quarta-feira (19) um projeto de lei que propõe pena de até oito anos para pessoas envolvidas em brigas durante eventos esportivos. O relator, senador Jorge Kajuru (PSB-GO), emitiu parecer favorável ao projeto, incorporando uma emenda do senador Fabiano Contarato (PT-ES) que estabelece gradações na pena, de acordo com a gravidade do crime. A sessão começa às 9h.

    O senador Jorge Kajuru é o relator da proposta na CCJ.

    O senador Jorge Kajuru é o relator da proposta na CCJ.Jefferson Rudy/Agência Senado

    O projeto prevê as seguintes penas:

    • dois a quatro anos de reclusão para quem causar tumulto ou incitar violência em estádios, ginásios e outros locais de competição.
    • dois a quatro anos para quem invadir áreas restritas aos competidores.
    • três a seis anos para casos de lesão corporal grave.
    • quatro a oito anos, em caso de morte.
    • penas aumentadas em um a dois terços se as ações forem direcionadas a agentes de segurança.

    Além disso, o projeto permite que juízes impeçam indivíduos indiciados ou acusados de comparecer a estádios, determinando que permaneçam em casa ou em locais específicos durante eventos esportivos, como medida para garantir a ordem pública.

    A emenda de Contarato altera o Código Penal de 1940, agravando a pena para o crime de rixa em casos de lesão corporal grave (dois a seis meses de detenção) e morte (dois a quatro anos de detenção). Atualmente, a pena é de seis meses a dois anos. Rixa é definida como a conduta criminosa que envolve três ou mais pessoas praticando atos de violência confusos e recíprocos, em que a identificação das ações individuais se torna difícil devido ao tumulto.

    De autoria do ex-senador Alexandre Silveira (MG), o projeto já passou pela Comissão de Esporte. Após a análise da CCJ, caso aprovado e sem recurso para o Plenário, seguirá para a Câmara dos Deputados.

  • Tributaristas analisam proposta do governo para isenção do IR

    Tributaristas analisam proposta do governo para isenção do IR

    O Congresso Nacional recebeu, na terça-feira (18), proposta do Poder Executivo para dar descontos ou isentar do Imposto de Renda (IR) mais de 90 milhões de brasileiros. Quem recebe até R$ 5 mil por mês não pagará o imposto que também será cobrado em valor reduzido para quem ganha até R$ 7 mil mensais.

    Para compensar os cofres públicos, o projeto de lei 1.087/2025 propõe o estabelecimento de um piso na cobrança de Imposto de Renda de quem recebe mais de R$ 50 mil por mês. O texto prevê que o tributo mínimo ficará entre R$ 18,7 mil e R$ 120 mil por ano.

    O governo espera que as regras de isenções funcionem a partir de 2026. Para isso, Câmara, que está com o texto, e Senado devem aprovar o projeto ainda neste ano.

    Diante da relevância da proposta, o Congresso em Foco consultou especialistas para uma análise detalhada dos impactos da medida.

    Tributaristas emitiram suas opiniões sobre o projeto de isenção do IR.

    Tributaristas emitiram suas opiniões sobre o projeto de isenção do IR.Freepik

    Justiça fiscal e capacidade contributiva

    A tributarista Betina Grupenmacher considera que a isenção atende ao princípio da capacidade contributiva. “Quem ganha até R$ 5 mil não tem mesmo capacidade contributiva para pagar o imposto. Tem apenas o mínimo existencial.”

    Ela também observa que, do ponto de vista da arrecadação, a proposta busca um equilíbrio: “Sob o aspecto das contas públicas também é bom porque vai compensar a arrecadação que será perdida com a isenção dos R$ 5 mil.”

    No entanto, alerta para um problema prático: “Se passar de 34% haverá retenção na fonte e devolução só será feita com o ajuste, e com isso o governo fica ‘trabalhando’ com o dinheiro do contribuinte, o que, no meu entendimento, fere o direito de propriedade.”

    Ela ainda levanta um questionamento relevante sobre a destinação dos recursos arrecadados: “Para onde vai esse dinheiro que vai abastecer ainda mais os cofres públicos? É certo que a tributação deve ser progressiva e observar a capacidade contributiva, mas o governo tem que fazer a sua parte e não faz. Não temos serviços públicos de qualidade, o que compromete o princípio da dignidade humana. Por isso não gostamos de pagar cada vez mais impostos.”

    Lina Santin também avalia positivamente a ampliação da faixa de isenção e destaca que “a medida é bem-vinda pois aumenta a faixa de isenção, que já sofreu duas correções sob a gestão do ministro Fernando Haddad, mas ficou congelada desde 2015 até 2023.”

    Entretanto, ela ressalta a necessidade de clareza no conceito de alíquota efetiva e alerta para possíveis distorções:

    “Se o projeto está chamando de ‘alíquota efetiva’ o que em realidade é ‘carga tributária efetiva’, estaríamos então falando em um limite de alíquota nominal aplicada sobre o faturamento total das empresas que estão no lucro presumido, ignorando assim o percentual da base presumida de lucro estabelecido em lei – e como resultado estaria inviabilizada a restituição de valores retidos de sócios de pessoas jurídicas sujeitas ao lucro presumido ou simples nacional, criando insegurança jurídica e abrindo espaço para contencioso.”

    Impactos na arrecadação e a tributação de dividendos

    Para Luiz Gustavo Bichara, a medida pode resultar em um aumento de arrecadação em vez de neutralidade fiscal. “A proposta acaba por gerar aumento de arrecadação em 2026, ano eleitoral, postergando para depois de abril/2027 o ‘acerto de contas’.”

    Ele também observa que a tributação sobre dividendos pode não cumprir a promessa de neutralidade fiscal: “O documento em questão estima que o IRPF e a retenção sobre dividendos pagos ao exterior gerem uma arrecadação que supera em R$ 10 bilhões anuais os valores da renúncia fiscal resultante da ampliação da faixa de isenção.”

    Além disso, Bichara destaca um aspecto importante da proposta:

    “Estender o limite de isenção até R$ 5 mil mensais é exagerado em um país de renda média como o nosso. Para se ter ideia, um casal sem filhos em que cada um tenha rendimento mensal de R$ 5 mil figura no topo da nossa distribuição de renda, entre os 10% mais ricos. A medida reduz a apenas 10 milhões de cidadãos a base de contribuintes do IRPF em uma população economicamente ativa de 100 milhões de pessoas.”

    Rodrigo Massud destaca que o projeto não propõe uma reforma tributária estruturante e pode incentivar a pejotização:

    “Me parece que essa medida vai acabar induzindo uma pejotização, porque não está previsto ali, aparentemente, a tributação de dividendos entre pessoas jurídicas. Uma pessoa jurídica sócia de outra vai receber dividendos e esses dividendos não estão sendo contemplados nessa alíquota mínima de 10%.”

    Ele também observa que “não há uma garantia efetiva de que terá uma restituição desse imposto mínimo no ajuste anual. Aliás, conforme entrevistas recentes divulgadas pela própria Receita, parece que o que se indica é que a alíquota de 10% de tributação mínima é um piso e não um teto.”

    Consequências fiscais e macroeconômicas

    Massud também alerta para os impactos macroeconômicos da isenção: “Os economistas todos, há uma unanimidade, essa isenção vai estimular consumo, vai injetar dinheiro na economia e fazer mais pressão sobre a inflação e o impacto nos juros que já estão com uma projeção de alta.”

    Ele critica a falta de medidas para reduzir gastos: “O governo continua resistente a fazer cortes de gastos ou reformas administrativas, parece não estar no radar, sobretudo na proximidade de um ano eleitoral.”

    Bichara complementa esse ponto ao indicar que a proposta “ignora os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da progressividade. Embora não se possa negar que o indivíduo que aufira R$ 1,2 milhão anuais esteja em condições privilegiadíssimas quando comparado à esmagadora maioria da nossa população, a aplicação desses postulados demandaria uma gradação de alíquotas que diferenciasse esse contribuinte daqueles cujos rendimentos alcancem R$ 1,2 bilhão ao ano. Trata-se de grandezas completamente distintas, que devem assim ser tratadas pela legislação.”

  • Ao vivo: Comissão mista vota projeto da Lei Orçamentária

    Ao vivo: Comissão mista vota projeto da Lei Orçamentária

    A Comissão Mista de Orçamento vota nesta quinta-feira (20) o projeto da Lei Orçamentária de 2025. O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), pretende submeter o texto a votação ainda hoje em plenário. A votação está atrasada há pelo menos 78 dias. Este é o terceiro maior atraso na análise da proposta nos últimos 20 anos.

    Reunião da Comissão Mista de Orçamento, presidida pelo deputado Júlio Arcoverde

    Reunião da Comissão Mista de Orçamento, presidida pelo deputado Júlio ArcoverdeVinicius Loures/Agência Câmara