Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • “Nunca tratei de minuta de golpe”, diz ex-ministro da Defesa

    “Nunca tratei de minuta de golpe”, diz ex-ministro da Defesa

    O general da reserva Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa de Jair Bolsonaro, negou nesta terça-feira (10) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que tenha tratado de uma minuta de golpe com os comandantes das Forças Armadas. O depoimento ocorreu durante a fase final da instrução da ação penal sobre a tentativa de impedir a posse do presidente Lula após as eleições de 2022.

    “Eu nunca tratei de minuta de golpe com meus três comandantes”, declarou o general ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, os documentos que mantinha na pasta eram anotações pessoais e cópias de artigos da Constituição. “Minha pasta era lotada de estudos e anotações”, afirmou.

    General depôs nesta terça (10) ao STF e confrontou versão dada pelo ex-comandante da Aeronáutica.

    General depôs nesta terça (10) ao STF e confrontou versão dada pelo ex-comandante da Aeronáutica.Fellipe Sampaio/STF

    A fala diverge da versão apresentada à Polícia Federal pelo brigadeiro Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica. Em depoimento, ele relatou que, em reunião realizada em 14 de dezembro de 2022, Paulo Sérgio tentou apresentar um documento com medidas de exceção e que, diante do conteúdo, se recusou a recebê-lo e deixou o gabinete do ministro da Defesa antes do fim do encontro.

    Paulo Sérgio minimizou o episódio. Disse que o brigadeiro teria apenas saído da sala por instantes e retornado em seguida. “De repente, ele foi no banheiro, passou um pouquinho, respirou, voltou e ainda a gente conversou mais algumas coisas pendentes”, afirmou. O ex-ministro alegou que o encontro também tratou de temas administrativos, como orçamento e solenidades de transição de comando.

    No depoimento, o general criticou trechos da narrativa de Baptista Júnior. “Eu tenho aqui um negócio para vocês lerem? De jeito nenhum”, disse ao rebater a acusação de que teria apresentado uma proposta golpista. “Eu digo isso porque eu nunca tratei de minuta de golpe”, reforçou.

    A minuta é um dos pontos centrais da investigação. O texto, em suas diferentes versões, previa a anulação do resultado eleitoral, a decretação do estado de defesa e a prisão de autoridades, como ministros do Supremo e membros do Tribunal Superior Eleitoral. Uma das cópias foi encontrada, em 2023, na sede do PL, partido de Bolsonaro, e outra na casa do então ministro da Justiça, Anderson Torres.

    O interrogatório faz parte da sequência de oitivas do chamado “Núcleo 1”, grupo que inclui militares e ex-ministros suspeitos de articular a tentativa de ruptura institucional. As audiências seguem até sexta-feira (13), no STF, em Brasília.

  • TCE do Acre determina afastamento de secretário aliado de deputada

    TCE do Acre determina afastamento de secretário aliado de deputada

    O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) determinou, nesta terça-feira (10), o afastamento do secretário de Educação do estado, Aberson Carvalho, por trinta dias. O secretário é aliado da deputada federal Socorro Neri (PP-AC), parlamentar engajada com a pauta da educação e membro da comissão temática na Câmara.

    Aberson Carvalho e a deputada Socorro Neri.

    Aberson Carvalho e a deputada Socorro Neri.Repridução/Instagram @socorroneri

    A ordem da Corte se deu após o Fantástico apresentar denúncias sobre as condições de escolas no município de Bujari, interior do estado. Na reportagem foi mostrado que alunos estudam em um espaço improvisado, sem paredes, que antes funcionava como curral. O lanche dos estudantes é preparado pela professora e os próprios alunos é quem realizam a limpeza.

    O espaço está sendo usado temporariamente há dois anos, uma vez que a escola-sede, distante dez quilômetros do curral, ainda não está pronta. Entre outras dificuldades enfrentadas pela professora e alunos está a ausência de água encanada e o uso de um banheiro improvisado com uso de baldes. Conforme o secretário de Educação, o prazo de entrega do edifício é de até 40 dias.

    A decisão do TCE assinada pela conselheira Dulcinéa Benício de Araújo aponta graves situações de afronta à dignidade da pessoa humana notadamente de crianças e adolescentes envolvendo deficiências estruturais e funcionais em unidades públicas de ensino, com destaque para condições degradantes de saúde e higiene. Portanto, em documento aponta os seguintes fatores:

    • trabalho infantil irregular em contexto escolar
    • precariedade sanitária extrema
    • falhas gritantes de infraestrutura
    • repercussão pública de grande escala

    Além do afastamento cautelar do secretário de Educação, a Corte de Contas propôs ainda realização de inspeção extraordinária com apresentação de relatório em 15 dias e notificação ao governador do Acre, Gladson Cameli (PP), para prestar informações em 15 dias. Apesar da decisão do TCE, o governo estadual afirmou que o órgão não pode afastar o secretário, mas que vai colaborar por meio de trabalho conjunto.

    O que diz o secretário

    O secretário de Educação, Aberson Carvalho, escreveu em publicação no Instagram que “as escolas do campo e indígenas” não seguem o modelo tradicional. “Em muitos lugares, as famílias seguem avançando para dentro da floresta, buscando sustento e preservando seus territórios. Cada nova comunidade significa também o surgimento de uma nova sala de aula. E o Estado tem chegado”, disse.

    “Mas é preciso reconhecer. O avanço da presença estatal não anula a urgência por novos investimentos. É necessário seguir ampliando infraestrutura, consolidando o acesso e oferecendo melhores condições de ensino a alunos e professores”, complementou.

    No entanto, apesar de ter falado sobre as dificuldades impostas a esses modelos de escolas e ter afirmado que 210 escolas rurais e indígenas receberam manutenção predial, Aberson não falou diretamente sobre as condições enfrentadas pelos alunos de Bujari. As escolas rurais e indígenas, conforme o secretário, representam 20% da rede pública do estado.

    A deputada Socorro Neri não se manifestou nas redes sociais sobre as denúncias veiculadas pelo Fantástico. Procurada pelo Congresso em Foco, a assessoria de imprensa da parlamentar também não respondeu aos questionamentos.

  • Comissão do Senado aprova plano de combate à violência contra a mulher

    Comissão do Senado aprova plano de combate à violência contra a mulher

    A Comissão de Segurança Pública do Senado, aprovou nesta terça-feira (10), o projeto de lei que institui o Plano Nacional de Prevenção e Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. A proposta segue agora para a Câmara dos Deputados, salvo se houver recurso para votação em plenário.

    De autoria da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a medida nº 5.710/2023 recebeu parecer favorável do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP). O plano, previsto na lei 13.675/2018, será um instrumento permanente da Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social.

    Senadora Damares Alves (Republicanos-DF), autora da medida, na reunião da Comissão de Segurança Pública (CSP).

    Senadora Damares Alves (Republicanos-DF), autora da medida, na reunião da Comissão de Segurança Pública (CSP).Saulo Cruz/Agência Senado

    A proposta estabelece diretrizes como o atendimento humanizado e sem revitimização, a proteção da família, o incentivo à denúncia e a assistência à vítima e seus familiares. Também prevê ações educativas, capacitação de agentes públicos, responsabilização de agressores e a produção de dados sobre violência contra a mulher.

    Damares argumentou que a proposta responde ao aumento dos casos de violência registrados no país. Segundo a senadora, mais de 25,4 milhões de brasileiras já sofreram violência doméstica, conforme a Pesquisa Nacional do DataSenado de 2023. “Não existe um plano nacional perene. Cada governo apresenta o seu. Este projeto cria uma política de Estado, com continuidade e sustentabilidade”, disse.

    O relator, Marcos Pontes, defendeu que o plano enfrente o problema de forma sistêmica e com base em evidências. Para ele, o texto propõe um modelo fundamentado na dignidade humana, na centralidade da vítima e no respeito às diversidades socioculturais. Ele também destacou o fortalecimento dos canais de denúncia e a produção de indicadores confiáveis como avanços previstos no projeto.

  • Hugo diz que Brasil e Japão podem liderar transição energética global

    Hugo diz que Brasil e Japão podem liderar transição energética global

    Princesa Imperial Japonesa, Kako de Akishino e presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

    Princesa Imperial Japonesa, Kako de Akishino e presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.Marina Ramos/Câmara dos Deputados

    Em uma solenidade que marcou os 130 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão, bem como os 117 anos da imigração japonesa em território brasileiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), enfatizou o potencial de ambos os países em liderar a transição energética em escala global. A cerimônia contou com a ilustre presença da princesa Kako de Akishino.

    Motta salientou que o Brasil dispõe de recursos abundantes no setor de energias renováveis, enquanto o Japão se destaca pelo domínio de tecnologias de ponta. “O etanol brasileiro pode auxiliar o Japão a mitigar sua dependência de combustíveis fósseis. Nossa biomassa tem o potencial de gerar energia limpa para o mundo”, declarou.

    O presidente da Câmara também mencionou a colaboração entre os dois países no âmbito da agricultura, ressaltando que a agropecuária brasileira pode se constituir como uma fonte de alimentos de alta qualidade para o mercado japonês.

    Hugo Motta também fez referência ao intercâmbio tecnológico existente entre as nações. “Nossa tecnologia, como no caso dos aviões da Embraer recentemente vendidos a empresa aérea japonesa, pode agregar valor ao nosso intercâmbio. A Câmara dos Deputados reconhece sua responsabilidade institucional no fortalecimento dessa parceria histórica”, afirmou.

    O presidente relembrou a trajetória do primeiro deputado de ascendência japonesa no Brasil, Yukishigue Tamura, que assumiu seu cargo no Parlamento em 1955. Tamura também foi o pioneiro político nissei (descendentes de imigrantes japoneses nascidos fora do Japão) a ser eleito para cargos legislativos fora do Japão.

    A princesa Kako de Akishino expressou sua satisfação com os laços de amizade que unem os dois países, enfatizando a cooperação em diversas áreas. “Sinto que os esforços de cada um dos descendentes contribuíram ainda mais para aprofundar a relação de amizade entre os dois países”, declarou. “Desejo que a relação entre os dois países seja duradoura e espero que se aproximem cada vez mais”, acrescentou a princesa.

    O deputado Luiz Nishimori (PSD-PR), proponente da sessão, ressaltou que o fortalecimento dessa relação de amizade tem gerado resultados positivos, e que a comunidade nipo-brasileira está plenamente integrada à sociedade brasileira.

    Segundo Nishimori, o intercâmbio entre Brasil e Japão tem sido benéfico para o país. “Em 2024, os dois países registraram intercâmbio de 11 bilhões de dólares, com superávit brasileiro superior a R$ 146 milhões. Exportamos minérios de ferro, nossos produtos agrícolas e agroindustriais. Hoje, chega a 60% a exportação do suco de laranja, e 80% da carne de frango no Japão é de origem brasileira”, destacou.

    A representante do Ministério das Relações Exteriores, Susan Keebank, afirmou que a ligação entre os dois países projeta o Brasil e o Japão como parceiros globais. Ela recordou as visitas do imperador Akihito ao Brasil, avô da princesa Kako. “De norte a sul, nossas cidades exibem influência nipônica na arquitetura, na gastronomia e nas artes. No Japão, a comunidade brasileira tornou-se sinônimo de diversidade cultural, enriquecendo com seu trabalho dedicado, criatividade e energia”, afirmou.

    Keebank também mencionou a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão no início do ano e o relançamento da parceria estratégica. “Partilhamos a democracia, a paz e o multilateralismo”, concluiu.

  • Câmara deve acelerar votação do projeto da isenção do IR até R$ 5 mil

    A Câmara dos Deputados deve votar na próxima semana o pedido de urgência do projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil. A medida pode beneficiar até 90 milhões de brasileiros, segundo estimativas do governo.

    Projeto é relatado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira.

    Projeto é relatado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira.Ton Molina/Fotoarena/Folhapress

    A decisão de acelerar a tramitação foi anunciada após reunião entre líderes partidários na manhã desta quinta-feira (12). O projeto, de autoria do Executivo, está sob a relatoria do deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, em uma comissão especial. Se a urgência for aprovada, o projeto será analisado diretamente pelo Plenário, sem necessidade de passar por comissões.

    Leia ainda: Líderes na Câmara pautam derrubada do decreto de aumento do IOF

    Pressão de prefeitos e governadores

    Apesar da promessa de alívio tributário para a classe média e baixa, a proposta esbarra em preocupações de governadores e prefeitos, já que a isenção pode significar perda de receita para estados e municípios, que ficam com parte da arrecadação do IR.

    “Não teria nem apoio mínimo no Plenário da Câmara, ainda mais no Senado, se houver a perspectiva de que estados e municípios estarão perdendo recursos com a isenção do IR”, afirmou Lira após reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no fim de maio.

    Para evitar esse impacto negativo, governo e Câmara trabalham na construção de uma base de cálculo que garanta compensações adequadas. Um dos principais caminhos estudados é a revisão de incentivos fiscais, que somam atualmente cerca de R$ 600 bilhões.

    Desonerações sob revisão

    Segundo Lira, há a possibilidade de uma redução linear nas desonerações e incentivos fiscais para sustentar a medida sem elevar a carga tributária direta. “Tem quase R$ 600 bilhões em desonerações no Brasil. Está se estudando tecnicamente, friamente, a possibilidade de uma redução linear para que a gente possa trabalhar com uma compensação justa, igualitária”, explicou o deputado.

    Outras alternativas em análise incluem o aumento da alíquota para os mais ricos, taxação maior de dividendos e ajustes na forma de cobrança do imposto, mas o relator reforçou que o foco principal está nas renúncias fiscais.

    Quem ganha e quem paga

    O PL 1.087/2025 isenta totalmente do IR os brasileiros com renda de até R$ 5 mil por mês, o que corresponde a cerca de 65% dos declarantes. Quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil terá desconto progressivo no valor devido. A partir de R$ 7 mil mensais, as regras atuais permanecem. A proposta também estabelece um piso de tributação para quem ganha acima de R$ 50 mil por mês, com valores mínimos a pagar entre R$ 18,7 mil e R$ 120 mil por ano, dependendo da renda.

    Além disso, lucros e dividendos, hoje isentos, passarão a ser taxados em 10%, inclusive quando remetidos ao exterior. A mudança busca reduzir distorções que favorecem os mais ricos.

    A expectativa do governo é que as novas regras passem a valer em 2026. Para isso, o projeto precisa ser aprovado ainda este ano por Câmara e Senado.

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou apoio à medida, destacando seu papel no crescimento econômico. “Daremos a devida atenção a essa matéria, analisando-a com zelo e responsabilidade, sempre em busca de mais justiça social e de um Brasil mais próspero para todos”, disse em nota.

    Impacto fiscal e justiça tributária

    De acordo com o Ministério da Fazenda, o governo deixará de arrecadar R$ 25,84 bilhões em 2026, valor que aumentará para R$ 29,68 bilhões em 2028. A estimativa é que esse montante seja compensado pela nova tributação sobre os mais ricos, cuja arrecadação, em 2026, deve alcançar R$ 34,12 bilhões.

    O diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), Marcus Pestana, considera que o projeto mantém o equilíbrio das contas públicas. “O objetivo de justiça tributária não contribuiria negativamente em relação ao equilíbrio orçamentário, tornando o efeito neutro do ponto de vista do orçamento público”, avalia o ex-deputado.

  • Ministro Márcio Macedo manda Romeu Zema “lavar a boca com Qboa”

    Ministro Márcio Macedo manda Romeu Zema “lavar a boca com Qboa”

    Durante cerimônia em Minas Gerais, para anunciar investimentos do governo na Bacia do Rio Doce, o secretário-geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, se pronunciou em provocação ao governador do estado, Romeu Zema (Novo). Alegando estar motivado por “indignação”, o ministro disse que ele deve “lavar a boca com Qboa, com água sanitária, e se recolher a sua insignificância” quando for “falar mentira do governo do presidente Lula”.

    Zema é um dos principais adversários do governo Lula, frequentemente se pronunciando em crítica ao presidente. Em seu discurso, Macêdo chamou o governador de “mentiroso e ingrato”, alegando que ele deveria agradecer pelas ações do Executivo federal em seu estado.

    Veja o vídeo:

    O ministro também acenou para o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Congresso, que conta com apoio de Lula para uma futura candidatura ao governo mineiro. “Se anime, Rodrigo, porque esse estado está doido para se libertar”, disse Macêdo.

  • Moraes rejeita recurso e mantém prisão de Zambelli por invasão ao CNJ

    Moraes rejeita recurso e mantém prisão de Zambelli por invasão ao CNJ

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta sexta-feira (13) o recurso apresentado pela Defensoria Pública da União (DPU) contra a execução imediata da pena de dez anos de prisão imposta à deputada Carla Zambelli (PL-SP). A parlamentar foi condenada pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.

    Carla Zambelli.

    Carla Zambelli.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Após a negativa, permanece válida a decisão anterior da Primeira Turma do STF, que rejeitou o último recurso da defesa. A DPU alegava que ainda havia recursos pendentes de julgamento, mas o ministro entendeu que não havia contradição na decisão colegiada, considerando as argumentações da defesa apenas como um “mero inconformismo” com a condenação.

    Na semana passada, Zambelli deixou o Brasil e seguiu para a Itália na tentativa de escapar do cumprimento da pena. Com a ausência da deputada, Moraes determinou que a defesa fosse assumida pela DPU.

    A Polícia Federal (PF), porém, já localizou o endereço de Zambelli na Itália. Com a inclusão do nome da deputada na lista de difusão vermelha da Interpol instrumento que viabiliza a cooperação internacional para localização e prisão de foragidos , autoridades brasileiras e italianas intensificaram as buscas. Agora, a efetivação da prisão depende da decisão da Justiça italiana, já que o Brasil já formalizou o pedido de extradição.

    A deputada federal foi condenada a dez anos de prisão, cassação do mandato parlamentar e ao pagamento de 200 dias-multa. Além disso, também teve determinado por Moraes o bloqueio dos passaportes da deputada, dos vencimentos e da verba de gabinete parlamentar para fins de pagamento da multa integral. O bloqueio também se estendeu a bens, ativos, contas bancárias e às redes sociais da parlamentar.

    Zambelli foi condenada pela invasão aos sistemas virtuais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde tentou inserir documentos falsos com auxílio do hacker Walter Delgatti. Após a rejeição unânime dos recursos no STF, o ministro Alexandre de Moraes determinou a execução imediata da pena e solicitou à Câmara que declarasse a perda do mandato.

    Em relação à perda de mandato da parlamentar, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o pedido de cassação de Carla Zambelli. Com isso, o plenário da Casa poderá se manifestar acerca da decisão do Supremo.

  • Deputado propõe cursos de medicina veterinária apenas presenciais

    Deputado propõe cursos de medicina veterinária apenas presenciais

    Dep. Fred Costa.

    Dep. Fred Costa.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O projeto de lei 2.559/25, de autoria do deputado Fred Costa (PRD-MG), propõe que as instituições de ensino superior, tanto públicas quanto privadas, ofereçam cursos de graduação em medicina veterinária unicamente na modalidade presencial.

    De acordo com a proposição, o Ministério da Educação e o Conselho Federal de Medicina Veterinária serão incumbidos de realizar as adequações regulamentares necessárias para garantir a oferta presencial do curso.

    Fred Costa espera que o formato presencial assegure a qualidade do ensino e a formação integral dos futuros profissionais. “Os alunos terão a experiência prática necessária para atuação profissional, essencial para a formação em áreas como atendimento clínico de animais, realização de exames e cirurgias”, argumenta.

    O deputado complementa: “A formação em medicina veterinária exige uma interação direta com os animais e a manipulação de equipamentos específicos, aspectos que não podem ser adequadamente simulados ou ensinados de forma eficaz à distância”, disse.

  • Lula participa de Cúpula do G7 no Canadá

    Lula participa de Cúpula do G7 no Canadá

    O presidente Lula embarca nesta segunda-feira (16) para Kananaskis, na província de Alberta, no Canadá, onde participará da Cúpula do G7 na terça-feira (17). Convidado pelo governo canadense, Lula estará presente no segmento de engajamento externo, um espaço reservado para diálogo com países não membros e organismos internacionais. Esta será a nona participação de Lula em uma reunião do G7.

    Lula em sua última viagem internacional, à França, no início do mês.

    Lula em sua última viagem internacional, à França, no início do mês.Ricardo Stuckert/PR

    O encontro deste ano acontece em um momento delicado do cenário global. A guerra entre Rússia e Ucrânia segue sem perspectivas de encerramento. Em Gaza, os bombardeios de Israel continuam, levando o presidente Lula a reiterar, em diversas ocasiões, sua visão de que o conflito representa um genocídio contra civis palestinos, especialmente mulheres e crianças.

    O clima de tensão foi agravado na última semana com os ataques de Israel ao Irã, que geraram uma contraofensiva iraniana e acenderam o alerta sobre o risco de uma nova guerra de grandes proporções envolvendo potências ocidentais.

    Além da instabilidade geopolítica, a emergência climática segue pressionando os líderes mundiais. Nações ricas, como as que compõem o G7, são frequentemente cobradas por Lula em foros internacionais pela falta de compromisso com os acordos ambientais firmados nas últimas décadas.

    O tema principal do segmento de engajamento externo, com presença do presidente Lula, será a segurança energética, com foco em tecnologia, inovação, diversificação de fontes e fortalecimento de cadeias produtivas de minerais críticos. Também estarão em debate a preservação de florestas e a prevenção de incêndios.

    “A participação do presidente Lula na reunião do G7 é muito importante, porque nós teremos a COP 30 no Brasil. É uma oportunidade para que o presidente possa falar da organização da COP 30 e convidar os outros líderes para que venham ao Brasil. E o tema principal de discussão do G7 tem uma ligação direta com o que será tratado na conferência em Belém”, destacou o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Mauricio Lyrio.

    A COP 30, que ocorrerá em Belém em 2025, terá justamente como foco a transição energética e a preservação ambiental, temas em sintonia com as discussões que o G7 promove este ano.

    Ampla participação internacional

    Além do Brasil, também foram convidados para o segmento de engajamento externo líderes da África do Sul, Austrália, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Índia e México. Representantes de organismos multilaterais como a ONU, o Banco Mundial, a Comissão Europeia e o Conselho da União Europeia também estarão presentes.

    Criado em 1975 pelo então presidente francês Valéry Giscard dEstaing, o G7 reúne os sete países mais industrializados da época: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Em 2025, o bloco celebra 50 anos de existência.

    O Brasil mantém diálogo constante com os membros do G7, seja de forma bilateral, seja em instâncias como o G20 e em organismos internacionais.

    Agenda no Canadá

    A programação da visita começa nesta segunda-feira, com a chegada de Lula a Alberta. Às 17h30 (horário local), o presidente participará de uma recepção oferecida pela premiê da província, Danielle Smith, com presença dos demais países convidados. Logo após, às 18h30, está previsto um jantar de boas-vindas promovido pela governadora-geral do Canadá, Mary Simon, em Calgary.

    Na terça-feira, dia 17, as atividades incluem a recepção oficial e a tradicional foto de família com os líderes do G7 e das nações convidadas. Lula terá uma reunião bilateral confirmada com o primeiro-ministro canadense Mark Carney.

    O ponto alto da participação brasileira será o almoço de trabalho do segmento de engajamento externo. O tema será “O futuro da segurança energética: diversificação, tecnologia e investimentos para assegurar acesso e sustentabilidade em um mundo dinâmico”. O encerramento da agenda está previsto para as 15h30.

    Expectativas para a COP 30

    A participação de Lula também deve servir como uma plataforma para reforçar o convite oficial aos líderes do G7 para a COP 30, em Belém, no próximo ano. O Brasil tenta posicionar a conferência como um marco global na retomada de compromissos climáticos, diante da inércia histórica das grandes potências em cumprir metas de redução de emissões e financiamento climático para países em desenvolvimento.

    A expectativa é de que a participação de Lula no G7 fortaleça o protagonismo brasileiro no debate climático e amplie o diálogo com os países industrializados sobre segurança energética e desenvolvimento sustentável.

  • Senado analisa política para reciclar baterias elétricas de veículos

    Senado analisa política para reciclar baterias elétricas de veículos

    O senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou o projeto de lei 2.132/2025, que cria a Política Nacional de Circularidade das Baterias para veículos elétricos. A proposta estabelece diretrizes para o reaproveitamento, rastreabilidade e reciclagem desses componentes, com foco na sustentabilidade e redução de impactos ambientais.

    O texto abrange todo o ciclo de vida das baterias, da fabricação ao descarte, e define princípios como a precaução ambiental, a responsabilidade compartilhada e a inclusão de trabalhadores da reciclagem no processo produtivo. Em 2024, foram vendidas 177 mil unidades, alta de 80% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

    O senador Jaques Wagner (PT-BA) é o autor da medida.

    O senador Jaques Wagner (PT-BA) é o autor da medida.Waldemir Barreto/Agência Senado

    Entre os instrumentos previstos estão o passaporte da bateria, com dados obrigatórios sobre composição e origem, metas de rastreabilidade, incentivos fiscais, critérios de sustentabilidade para compras públicas e certificações socioambientais.

    Fabricantes, importadores, distribuidores e recicladores deverão cumprir normas de sustentabilidade e garantir a transparência sobre os materiais usados. Caberá ao poder público estabelecer metas de recuperação, credenciar certificadoras e apoiar a capacitação de pequenos negócios e cooperativas do setor.

    Na justificativa, Wagner cita experiências internacionais e o Acordo de Paris como base para o projeto. Ele argumenta que é preciso reduzir os danos ambientais do descarte inadequado, diminuir a dependência de matérias-primas virgens e conter os riscos de contaminação ambiental.

    A proposta aguarda despacho da Presidência do Senado para definição das comissões que farão a análise inicial do texto.