Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Haddad minimiza pesquisa sobre sua imagem no mercado: “Mesa de bar”

    Haddad minimiza pesquisa sobre sua imagem no mercado: “Mesa de bar”

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na manhã desta quinta-feira (20) que não dá muita importância ao levantamento Genial/Quaest que apontou piora em sua imagem junto ao mercado financeiro. Segundo ele, o estudo foi feito em “um bairro” e, por ter poucos entrevistados, não deve ser considerado como pesquisa.

    A pesquisa Quaest entrevistou 106 pessoas, entre analistas e gestores de fundos de investimento, em São Paulo e no Rio de Janeiro, no período de 12 a 17 de março.

    Ao ser informado sobre o número de entrevistados, Haddad respondeu: “106 pessoas na Faria Lima consultadas. Dizer que isso é um a pesquisa é dar um nome muito pomposo para uma coisa que deve ter sido feita em 15 minutos”.


    “Uma pesquisa com 100 pessoas, não dá para dar o nome de pesquisa. Isso você faz em uma mesa de bar. Você entra num bar lá e pergunta para as pessoas. Isso não é pesquisa. Não tem plano amostral”


    “Você pode falar: fizemos uma enquete, fizemos um sei lá o quê… não sei nem como chamar isso do ponto de vista técnico, entendeu? Mas não é pesquisa isso. Não vale como pesquisa”, comentou o ministro. “Tudo bem, é bacana e tal. Eu estou surpreso até que eu estou razoavelmente bem aí na foto”.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz que levantamento da Quaest foi feito com

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz que levantamento da Quaest foi feito com “106 pessoas na Faria Lima”Gabriela Biló/Wordpress

  • Congresso vota orçamento de 2025. Acompanhe

    Congresso vota orçamento de 2025. Acompanhe

    O Congresso Nacional está reunido nesta quinta-feira (20) para discutir o orçamento de 2025. Ele está atrasado desde dezembro de 2024, quando emperrou diante dos bloqueios judiciais à execução de emendas parlamentares e da eleição das novas Mesas Diretoras. A peça prevê um superávit de R$ 15 bilhões para este ano graças ao pacote fiscal aprovado no ano anterior.

    Confira os debates:

  • Lei Ingrid Guimarães: Eliziane Gama propõe PL contra abusos de aéreas

    Lei Ingrid Guimarães: Eliziane Gama propõe PL contra abusos de aéreas

    A atriz Ingrid Guimarães.

    A atriz Ingrid Guimarães.Greg Salibian/Folhapress

    A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) protocolou nesta sexta-feira (21) um projeto de lei que propõe maior proteção aos passageiros de companhias aéreas. A proposta tem como objetivo vedar práticas abusivas como as relatadas pela atriz Ingrid Guimarães, que afirmou ter sido coagida pela American Airlines a trocar de assento durante um voo entre Nova York e Rio de Janeiro, em 7 de março.

    Segundo a atriz, ela foi obrigada a deixar seu lugar na classe premium economy para beneficiar um passageiro da classe executiva. O episódio motivou a criação da chamada Lei Ingrid Guimarães, que busca garantir mais transparência e segurança jurídica em casos de remanejamento de assentos em voos comerciais.

    O projeto altera o Código Brasileiro de Aeronáutica para assegurar que mudanças de assento só possam ser feitas com o consentimento do passageiro, exceto quando justificadas por razões de segurança de voo. A intenção é impedir que companhias imponham trocas arbitrárias, sem justificativa ou compensação.

    “Esse caso evidenciou a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa, que impeça abusos e assegure o tratamento justo e respeitoso a todos os passageiros”, afirmou Eliziane Gama.

    A proposta também prevê a aplicação de multa em caso de descumprimento, cujo valor será definido pela autoridade competente. Após análise no Senado, o projeto seguirá para a Câmara dos Deputados.

  • Bolsonaro marca agenda no dia que Caiado se lança candidato para 2026

    Bolsonaro marca agenda no dia que Caiado se lança candidato para 2026

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve encontrar-se com o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), no mesmo dia em que Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, lança sua pré-candidatura à Presidência da República. Os dois compromissos estão marcados para 4 de abril.

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    aPedro Ladeira/Folhapress

    Caiado tenta se firmar como nome da direita para 2026, mas Bolsonaro até agora não deu sinais de apoiá-lo. O lançamento da sua pré-candidatura a presidente será no Centro de Convenções de Salvador (BA), à noite, horas após ele receber o título de cidadão soteropolitano. Bolsonaro almoça com o governador paranaense e, depois, visita a cidade de Londrina.

    Ratinho Júnior também é um dos nomes ventilados para representar a direita na disputa presidencial em 2026. Os governadores Tarcísio de Freitas (SP) e Romeu Zema (MG) são outros que estão na bolsa de apostas. Bolsonaro, que está inelegível por decisão do TSE, ainda se apresenta como candidato e segue como o nome mais bem colocado nas pesquisas. A bênção do ex-presidente terá alto valor político para o nome que concorrer.

    Caiado também sofreu um revés recente na sua tentativa de viabilizar a candidatura: o cantor Gusttavo Lima, que vinha sendo cogitado para compor a chapa como vice, anunciou que não participará da disputa eleitoral.

  • Julgamento de Bolsonaro: veja a cronologia das acusações

    Julgamento de Bolsonaro: veja a cronologia das acusações

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia na manhã de terça-feira (25) o julgamento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é acusado de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de Direito e formação de organização criminosa.

    Os ministros vão decidir se Bolsonaro e outros integrantes do alto escalão de seu governo se tornam réus no processo.

    Segundo a denúncia, elaborada com base em inquérito da Polícia Federal, a suposta articulação teve início em 8 de março de 2021, data em que o ex-presidente Lula recuperou seus direitos políticos. A partir desse momento, de acordo com a PGR, Bolsonaro e aliados passaram a planejar formas de impedir a eleição do petista em 2022.

    Bolsonaro é acusado de liderar movimento golpista entre março de 2021 e 8 de janeiro de 2023.

    Bolsonaro é acusado de liderar movimento golpista entre março de 2021 e 8 de janeiro de 2023. Ton Molina /Fotoarena/Folhapress

    A acusação menciona tentativas de mudança no sistema eleitoral, busca por apoio internacional, envolvimento de militares e declarações públicas de desobediência institucional. Após a derrota nas urnas, ainda segundo a PGR, o grupo tentou reverter o resultado, incluindo supostos planos de ataques contra autoridades eleitas.

    Além de Bolsonaro, também são alvos da denúncia o ex-ajudante de ordens Mauro Cid e os ex-ministros Paulo Sergio Nogueira (Defesa), Walter Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Segurança Institucional), Anderson Torres (Justiça), Alexandre Ramagem (diretor da Abin) e Almir Garnier Santos (Marinha).

    A seguir, confira os principais eventos listados pela PGR como parte da suposta tentativa de ruptura institucional:

    -Março de 2021: Após o então ex-presidente Lula recuperar os direitos políticos, o grupo de apoio a Bolsonaro inicia tratativas para desobedecer às decisões do STF. Há até um plano de fuga do presidente, caso não houvesse apoio militar.

    -Julho de 2021: Bolsonaro realiza live no Palácio do Planalto, atacando o sistema eletrônico de votação. A transmissão marca o início da execução prática do plano de insurreição, segundo a PGR.

    -Agosto de 2021: Câmara rejeita mudança PEC apresentada pelo governo para mudar o sistema eletrônico de votação. Mesmo com derrota no Congresso, grupo manteve críticas à Justiça Eleitoral, que segundo a PGR, seriam parte de uma campanha de deslegitimação.

    -Setembro de 2021: Em discurso em São Paulo, Bolsonaro afirma que não mais obedeceria ao STF, citando apoio das Forças Armadas. A PGR afirma que o pronunciamento já fazia parte de estratégia golpista.

    -Julho de 2022: Bolsonaro convoca reunião ministerial para tratar das eleições. Augusto Heleno afirma que se tiver que virar a mesa, é antes das eleições. Encontro com embaixadores estrangeiros em Brasília. Bolsonaro propaga acusações de fraude nas eleições de 2018. Segundo a PGR, era uma tentativa de preparar a comunidade internacional para uma possível ruptura institucional.

    -Outubro de 2022: Durante o segundo turno das eleições, a Polícia Rodoviária Federal é mobilizada para realizar operações em regiões onde Lula obteve maior votação no primeiro turno. Objetivo seria dificultar o acesso dos eleitores às suas sessões eleitorais.

    -Novembro de 2022: Mesmo com relatório do Ministério da Defesa reconhecendo a lisura do pleito, continuam os discursos de fraude. Oficiais superiores do Exército pressionam o Alto Comando do Exército para aderir ao golpe. Eleitores de Bolsonaro em todo país levantam acampamentos em frente aos quartéis e bloqueios rodoviários, cobrando uma intervenção militar sobre o resultado eleitoral.

    -Dezembro de 2022: Minuta de golpe de Estado prevendo a revogação do resultado eleitoral e a prisão de rivais do governo é elaborada. O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, apresenta o documento aos comandantes das três forças armadas. Apenas o da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, concorda em aderir. Os demais ameaçam a prisão do ministro e de Bolsonaro. Bolsonaro sai do país na sua última semana de governo. Militares próximos ao Planalto com formação em operações tentam matar o presidente Lula, seu vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. O plano é abortado por problemas de planejamento.

    -8 de janeiro de 2023: Atos violentos em Brasília resultam na invasão e destruição das sedes dos Três Poderes. A PGR sustenta que a organização criminosa incentivou e facilitou os ataques, que seriam o último recurso para tentar impedir a consolidação do novo governo.

    Alegações da defesa

    Do outro lado, a defesa de Jair Bolsonaro nega que os eventos narrados na denúncia façam parte de uma articulação golpista. Ainda assim, nega o envolvimento de Bolsonaro nos atos de 8 de janeiro e sustenta que suas falas públicas e reuniões institucionais não podem ser interpretadas como atos de execução de um crime.

    A centralidade dos argumentos dos advogados do ex-presidente, porém, está nos detalhes processuais. Seus defensores não consideram o ministro Alexandre de Moraes como imparcial, especialmente tendo em vista que parte dos fatos narrados na acusação dizem respeito a ele. Também alegam ilegalidade na coleta de provas, em especial nas que resultam da delação premiada de Mauro Cid.

    Os defensores de Bolsonaro também acusam a PGR e o STF da prática de Fishing Expedition, quando são aprovadas coletas de provas contra alvos específicos sem um motivo definido, bem como de Document dumping, que é o uso da publicação excessiva de documentos e desorganização para impedir a defesa de apresentar um contraponto sólido. Os advogados ainda pedem que o caso seja julgado no Plenário do Supremo, e não por uma de suas turmas, tendo em vista a importância do julgamento.

  • Cármen Lúcia rebate defesa de Ramagem no STF

    Cármen Lúcia rebate defesa de Ramagem no STF

    A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestou uma afirmação feita pela defesa do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) durante a sessão que julga o recebimento da denúncia por tentativa de golpe de Estado.

    Durante a sustentação oral, o advogado Paulo Renato Pinto, defensor do ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), alegou que caberia à agência fiscalizar e atestar a segurança das urnas eletrônicas. Ao final da exposição, a ministra pediu a palavra e foi enfática: “As urnas [eletrônicas] são de outro Poder”.

    Cármen Lúcia destacou que a responsabilidade sobre as urnas cabe à Justiça Eleitoral, por meio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e não a órgãos vinculados ao Executivo, como a Abin. A fala da ministra reforça a separação entre os Poderes e a autonomia das instituições democráticas.

    O momento veio nesta terça-feira (25), na sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa se aceita denúncia contra Ramagem, Bolsonaro e mais seis acusados. Uma das alegações que pesa contra Ramagem é a de construção de uma mensagem contra a segurança das urnas eleitorais, de forma a descredibilizar o resultado das eleições de 2022.

  • Moraes vota para tornar Bolsonaro réu por tentativa de golpe

    Moraes vota para tornar Bolsonaro réu por tentativa de golpe

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (26) pelo recebimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados por tentativa de golpe de Estado. Relator do caso, Moraes acolheu na íntegra a recomendação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e votou para que os oito acusados se tornem réus e virem alvo de ação penal. Ele refutou as argumentações dos respectivos advogados.

    Para o ministro, há elementos “mais do que suficientes” de que Bolsonaro tinha conhecimento da “minuta do golpe” e que se articulou, buscando apoio das Forças Armadas, para tentar se manter no poder depois de ter perdido as eleições.

    “Não há dúvida que Bolsonaro tinha ciência e manuseou o documento, afirmou. Segundo, o documento foi encontrado na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. O relator ressaltou que os depoimentos dos comandantes das Forças Armadas indicam que Bolsonaro discutiu e alterou o documento. A intenção dele, no caso, será discutida no julgamento da ação penal, pontuou.

    Alexandre de Moraes encontrou indícios de cometimento de crime contra:

    • Jair Bolsonaro, ex-presidente
    • Alexandre Ramagem Rodrigues – deputado federal (PL-RJ) e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
    • Almir Garnier Santos – ex-comandante da Marinha
    • Anderson Gustavo Torres – ex-ministro da Justiça
    • Augusto Heleno Ribeiro Pereira – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)
    • Mauro Cesar Barbosa Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
    • Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira – ex-ministro da Defesa
    • Walter Souza Braga Netto – ex-ministro da Defesa

    Votarão ainda nesta quarta-feira os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, este presidente da Primeira Turma do STF. Para a abertura do processo é necessário o apoio da maioria.

    Há elementos

    Há elementos “mais que suficientes” para abertura de processo contra Bolsonaro, considera MoraesGabriela Biló /Folhapress

    Os oito são acusados dos seguintes crimes:

    • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito: pune a tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito com violência ou grave ameaça, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais. A pena varia de 4 a 8 anos de reclusão.
    • Golpe de Estado: configura-se pela tentativa de depor o governo legitimamente constituído por meio de violência ou grave ameaça. A punição é de 4 a 12 anos de prisão.
    • Organização criminosa: ocorre quando quatro ou mais pessoas se associam de forma estruturada e com divisão de tarefas para cometer crimes. A pena é de 3 a 8 anos de reclusão.
    • Dano qualificado: destruir, inutilizar ou deteriorar patrimônio da União com violência e grave ameaça, causando considerável prejuízo. A pena é de seis meses a três anos de detenção.
    • Deterioração de patrimônio tombado: destruir, inutilizar ou deteriorar bem protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial. A pena é de um a três anos de detenção.

    Na avaliação de Alexandre de Moraes, “a peça acusatória da PGR apresentou os indícios mínimos e razoáveis de autoria, que possibilitam a instalação da ação penal e, a partir daí, o contraditório e toda a instrução processual.”

    O relator frisou em seu voto que, na presente fase, deve ser verificado tão somente se a denúncia da PGR contém uma exposição narrativa e demonstrativa dos fatos. O ministro considerou que a PGR explicitou de maneira satisfatória os fatos típicos e ilícitos com todas as suas circunstâncias, concedendo aos acusados o amplo conhecimento dos motivos e das razões pelas quais foram denunciados.

    “Todos os fatos estão colocados na denúncia, relembrando que ‘a responsabilidade pelos atos lesivos à ordem democrática recai sobre organização criminosa liderada por Jair Messias Bolsonaro, baseada em projeto autoritário de poder, enraizada na própria estrutura do Estado, e cm forte influencia dos setores militares’.”

    O ministro mencionou diversos trechos da denúncia, a qual afirma que os oito acusados formaram um núcleo crucial da organização criminosa, mesmo que sua adesão tenha ocorrido em momentos distintos, e detalhou como agiram para tentar abolir o Estado Democrático de Direito. Ao todo, 34 pessoas foram denunciadas pela PGR. 

    Na abertura da sessão, Alexandre de Moraes exibiu vídeo com imagens dos atos de 8 de janeiro. “Ninguém estava com bíblia, e ninguém estava com batom”, enfatizou. Segundo ele, o que o Supremo julga não é um passeio de “domingo no parque”. “É bom lembrarmos que tivemos uma tentativa de golpe violentíssima”, declarou. “Uma violência selvagem”, acentuou,

    O que há contra cada um deles na denúncia de Gonet:

    Jair Bolsonaro

    A PGR sustenta que o ex-presidente e os outros sete aliados, cujas denúncias também estão sendo analisadas hoje, constituía o “elemento central de uma associação criminosa”.

    Segundo a acusação, foi desse núcleo que emanaram as “principais deliberações e ações de grande repercussão social” com o objetivo de desestabilizar a ordem democrática. A PGR classifica Bolsonaro como o líder de uma organização criminosa armada, dedicada à concretização de um golpe de Estado.

    A atuação de Bolsonaro é exemplificada pela disseminação de alegações infundadas contra o sistema eleitoral, pela formatação final de um decreto com teor golpista e pela pressão exercida sobre os militares para que aderissem à insurreição.

    Ademais, a PGR aponta que o ex-presidente interveio diretamente na conclusão do relatório elaborado pelas Forças Armadas acerca das urnas eletrônicas.

    Ainda de acordo com a Procuradoria, existem indícios que sugerem que Bolsonaro tinha ciência do plano denominado Punhal Verde Amarelo, que previa o assassinato de autoridades.

    Alexandre Ramagem

    A Procuradoria-Geral da República alega que Ramagem, então diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e atual deputado federal e delegado da Polícia Federal, ofereceu auxílio direto a Bolsonaro na implementação do plano delituoso.

    Conforme a PGR, ele desempenhou um “papel significativo” na “estruturação e no direcionamento das mensagens que passaram a ser amplamente divulgadas pelo então Presidente da República” a partir de 2021.

    Os investigadores também atribuem a ele a criação de um documento “que continha uma série de argumentos contrários ao sistema de votação eletrônico, com a finalidade de embasar os discursos públicos” do ex-presidente, marcados por ataques às urnas.

    Ramagem também é acusado de liderar um grupo composto por policiais federais e agentes da Abin que utilizou indevidamente a estrutura de inteligência estatal, em um esquema conhecido como “Abin Paralela”.

    Almir Garnier Santos

    As investigações conduzidas pela PGR indicam que o almirante da reserva e ex-comandante da Marinha aderiu ao plano de golpe. Em um encontro ocorrido em dezembro de 2022, o então comandante da Marinha manifestou a Bolsonaro sua disposição em seguir as ordens contidas no decreto golpista.

    Posteriormente, em uma segunda reunião realizada no mesmo mês, ele reiterou seu apoio à conspiração golpista, segundo a acusação.

    Anderson Torres

    De acordo com a denúncia, enquanto ocupava cargos na administração Bolsonaro, Anderson Torres, que foi ministro da Justiça e secretário de Segurança Pública do Distrito Federal durante os eventos de 8 de janeiro de 2023, propagou narrativas sobre supostas fraudes eleitorais, divulgadas em uma transmissão ao vivo em julho de 2021, “distorcendo informações e sugestões provenientes da Polícia Federal”.

    Ainda conforme a acusação, ele também atuou para operacionalizar o plano que visava a implementação de bloqueios por parte da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em estados do Nordeste, com o intuito de impedir que eleitores favoráveis a Lula votassem.

    Torres também é apontado como o elaborador de documentos que seriam utilizados no golpe de Estado, sendo encontrada em sua residência uma minuta de decreto de Estado de Defesa para intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a chamada “minuta do golpe”.

    Segundo a PGR, em sua função como secretário de Segurança do Distrito Federal, ele se omitiu em tomar as providências necessárias para evitar os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro.

    Augusto Heleno

    A PGR sustenta que Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional e general da reserva do Exército, prestou auxílio direto a Bolsonaro na execução do plano criminoso, de forma similar a Ramagem.

    A denúncia atribui ao general um papel relevante na formulação de ataques ao sistema eleitoral, sendo encontrado em sua residência um planejamento para a criação de um discurso contrário às urnas.

    Segundo a acusação, o general participou do plano para descumprir decisões judiciais, a partir de um parecer que seria elaborado pela Advocacia-Geral da União. Sua agenda também continha registros que indicariam seu conhecimento sobre as atividades da “Abin Paralela”.

    De acordo com a PGR, Heleno foi designado como o chefe do “gabinete de crise” que seria estabelecido pelo governo Bolsonaro após a consumação do golpe de Estado.

    Paulo Sérgio Nogueira

    Ex-ministro da Defesa, general da reserva e ex-comandante do Exército, Nogueira participou de uma reunião com Bolsonaro e outras autoridades em julho de 2022, na qual o ex-presidente teria solicitado que todos difundissem seu discurso sobre a fragilidade das urnas.

    Nessa reunião, Bolsonaro antecipou aos presentes o conteúdo de seus ataques ao sistema eleitoral que seriam proferidos em um encontro com embaixadores no mesmo mês. No mesmo contexto, o militar teria instigado a ideia de uma intervenção das Forças Armadas no processo eleitoral.

    De acordo com a denúncia, ex-ministro também esteve presente na reunião de dezembro em que a proposta de decreto golpista foi apresentada, e na semana seguinte, em uma reunião com os comandantes militares, ele apresentou uma segunda versão do decreto.

    A PGR argumenta que a presença do então ministro da Defesa na primeira reunião em que o plano de golpe foi apresentado, sem qualquer objeção, representava um endosso da mais alta autoridade política das Forças Armadas. Ao insistir pela segunda vez, em uma reunião restrita com os comandantes das três Armas, na submissão de um decreto que contrariava as normas constitucionais vigentes, sua participação no movimento de insurreição se tornou ainda mais evidente.

    Walter Braga Netto

    Braga Netto, general da reserva do Exército que ocupou os cargos de ministro da Defesa e da Casa Civil, além de ter sido candidato a vice-presidente em 2022, também esteve presente na reunião de julho de 2022, na qual Bolsonaro teria pedido a todos que amplificassem seus ataques ao sistema eleitoral.

    Segundo a denúncia, uma reunião realizada na residência de Braga Netto em novembro do mesmo ano discutiu a atuação dos “kids pretos” dentro do plano “Punhal Verde Amarelo”, que visava o assassinato de autoridades.

    Ele é acusado de ter colaborado no financiamento da ação para assassinar o presidente Lula, o vice Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, no estímulo a movimentos populares, em reuniões para operacionalizar o plano golpista e na pressão sobre os militares que não aderiram ao golpe. Após a eventual consumação da ruptura democrática, ele seria o coordenador-geral do “gabinete de crise”.

    Mauro Cid

    O ex-ajudante de ordens da Presidência e tenente-coronel do Exército (atualmente afastado) integrava o “núcleo crucial” da organização criminosa, juntamente com Bolsonaro e os outros seis acusados. Contudo, a PGR aponta que ele possuía “menor autonomia decisória”, atuando sob as ordens do ex-presidente. Mauro Cid fez acordo de colaboração premiada e deve ter a pena atenuada, em caso de condenação. Informações dele em sua 

    O militar também teria atuado como porta-voz de Bolsonaro, transmitindo orientações aos demais membros do grupo.

    Além disso, ele trocou mensagens com outros militares investigados com o objetivo de obter, inclusive por meio da ação de hackers, material para questionar a integridade do processo eleitoral.

    Conforme a denúncia, em seu aparelho celular, Cid possuía um documento datado de novembro de 2022, que consistia em uma minuta a ser assinada por um representante partidário, contendo informações sobre supostas fraudes nas urnas.

    O mesmo aparelho, segundo a PGR, continha um documento que seria um discurso de Bolsonaro a ser proferido após o golpe. Cid também participou de diálogos que abordavam o plano “Punhal Verde e Amarelo”.

  • Como será o segundo dia de análise da denúncia contra Bolsonaro

    Como será o segundo dia de análise da denúncia contra Bolsonaro

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir nesta quarta-feira (26), a partir das 9h30, se o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados vão responder a uma ação penal por tramar um golpe de Estado para impedir a posse do presidente Lula. Caberá ao relator da denúncia da Procuradoria-Geral da República, ministro Alexandre de Moraes, proferir seu voto. Os ministros analisarão se estão dadas as condições para que os acusados se tornem réus, ou seja, se há indícios de que houve crime e de que os acusados o praticaram.

    Primeiro dia de julgamento da denúncia

    Primeiro dia de julgamento da denúnciaGustavo Moreno/Ascom/STF

    Na sequência, os demais integrantes da Primeira Turma os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e, finalizando a rodada, o presidente do colegiado, Cristiano Zanin darão seus respectivos votos, obedecendo à ordem de antiguidade. A tendência é que os ministros aceitem a denúncia e que o julgamento termine hoje.

    Veja como foi a primeira sessão de julgamento da denúncia

    Veja como foi a segunda sessão de julgamento da denúncia

    Defesa e acusação

    Nessa terça-feira (25), a Primeira Turma realizou duas sessões, nas quais as defesas de cada um dos oito acusados se manifestaram. Os advogados também tentaram, sem sucesso, anular a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid Ferreira, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Os pedidos das defesas foram rejeitados. Também houve contestações a respeito da tramitação do processo na Primeira Turma e alegações de cerceamento da defesa. Argumentos também refutados pelos ministros.

    Bolsonaro acompanhou as discussões sentado na primeira fila do espaço reservado aos advogados dos acusados.

    Em sua manifestação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou os termos da denúncia. Com base nas investigações, Gonet acusa Jair Bolsonaro e outros de terem formado uma organização criminosa com o objetivo de se manter no poder após as eleições de 2022, independentemente do resultado. De acordo com o procurador-geral da República, a organização incluía civis e militares, sendo liderada pelo próprio Bolsonaro e seu candidato a vice-presidente, general Braga Netto.

    Poder a todo custo

    Segundo a denúncia, o ex-presidente intensificou discursos antidemocráticos e planejou sua permanência no poder em 2022 como parte de uma trama golpista. Gonet destacou a crescente ruptura institucional nos discursos de Bolsonaro a partir de 2021, intensificada após a candidatura de Lula e a vantagem nas pesquisas. Ele alegou que planos foram articulados para manter Bolsonaro na Presidência “a todo custo”.

    “Foram, então, postos em prática planos articulados para a manutenção, a todo custo, do poder do então Presidente da República. A organização criminosa documentou seu projeto e, durante as investigações, foram encontrados manuscritos, arquivos digitais, planilhas e trocas de mensagens reveladoras da marcha da ruptura da ordem democrática, que era o objeto dos esforços da organização”, afirmou o procurador-geral da República.

    Desdobramento

    Caso a denúncia seja rejeitada, o inquérito será arquivado.

    Se o STF aceitar a denúncia, o processo seguirá para a fase de instrução penal, que inclui a coleta de provas, depoimentos de testemunhas e interrogatórios dos réus. Após essa etapa, as partes apresentarão alegações finais antes do julgamento definitivo. Caso o tribunal decida pela condenação, será determinada a pena a ser cumprida. Ainda caberão recursos dentro do próprio STF antes que a decisão transite em julgado, ou seja, se torne definitiva.

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  • Além de Bolsonaro: as acusações e as defesas dos outros sete réus

    Além de Bolsonaro: as acusações e as defesas dos outros sete réus

    O ex-presidente Jair Bolsonaro terá a companhia de outros sete aliados, cinco deles militares de altas patentes, no banco dos réus. O Congresso em Foco mostra, mais abaixo, os indícios que pesaram contra um cada um deles na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de receber a denúncia da Procuradoria-Geral da República por tentativa de golpe. Não há data marcada para o julgamento, mas a expectativa é de que os processos sejam analisados ainda neste ano.

    Ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, o general Braga Netto foi candidato a vice de Bolsonaro em 2022

    Ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, o general Braga Netto foi candidato a vice de Bolsonaro em 2022Pedro Ladeira/Folhapress

    O grupo, batizado de “núcleo crucial” pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, era o mais importante da trama golpista. Segundo Gonet, o ex-presidente Jair Bolsonaro era o líder da organização criminosa. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, narrou a atuação dos oito acusados no julgamento dessa quarta-feira (26): Além de Moraes, votaram para tornar Bolsonaro e os outros sete acusados réus os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo.

    “A responsabilidade pelos atos lesivos à ordem democrática recai sobre organização criminosa liderada por Jair Messias Bolsonaro baseada em projeto autoritário de poder enraizado na própria estrutura do Estado e com forte influência de setores militares. A organização se desenvolveu em ordem hierárquica e com divisão das tarefas preponderantes entre seus integrantes. Jair Messias Bolsonaro, junto com Alexandre Ramagem, Almir Garnier Santos, Anderson Gustavo Torres, Augusto Heleno Ribeiro Pereira, Mauro César Barbosa Cid, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira e Walter Souza Braga Netto, integrantes do alto escalão do governo federal e das Forças Armadas, formaram o núcleo crucial da organização criminosa, mesmo tendo havido adesão em momentos distintos. Deles partiram as principais decisões e ações de impacto social que serão narradas nesta denúncia. Mauro César Barbosa Cid, embora com menor autonomia decisória, também fazia parte desse núcleo, atuando como porta-voz de Jair Messias Bolsonaro e transmitindo orientações aos demais membros do grupo.”

    Para Alexandre de Moraes, existem elementos “mais do que suficientes” de que Bolsonaro tinha conhecimento da “minuta do golpe” e que se articulou, buscando apoio das Forças Armadas, para tentar se manter no poder após a derrota nas eleições.

    Os oito responderão a processo pelos seguintes crimes:

    • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito: pune a tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito com violência ou grave ameaça, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais. A pena varia de 4 a 8 anos de reclusão.
    • Golpe de Estado: configura-se pela tentativa de depor o governo legitimamente constituído por meio de violência ou grave ameaça. A punição é de 4 a 12 anos de prisão.
    • Organização criminosa: ocorre quando quatro ou mais pessoas se associam de forma estruturada e com divisão de tarefas para cometer crimes. A pena é de 3 a 8 anos de reclusão.
    • Dano qualificado: destruir, inutilizar ou deteriorar patrimônio da União com violência e grave ameaça, causando considerável prejuízo. A pena é de seis meses a três anos de detenção.
    • Deterioração de patrimônio tombado: destruir, inutilizar ou deteriorar bem protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial. A pena é de um a três anos de detenção.

    Veja as principais acusações contra cada um dos oito réus e as alegações de suas respectivas defesas:

    Alexandre Ramagem

    A Procuradoria-Geral da República alega que Ramagem, então diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e atual deputado federal e delegado da Polícia Federal, ofereceu auxílio direto a Bolsonaro na implementação do plano delituoso.

    Ele é acusado de ter desempenhado um “papel significativo” na “estruturação e no direcionamento das mensagens que passaram a ser amplamente divulgadas pelo então Presidente da República” a partir de 2021.

    Os investigadores também atribuem a ele a criação de um documento “que continha uma série de argumentos contrários ao sistema de votação eletrônico, com a finalidade de embasar os discursos públicos” do ex-presidente, marcados por ataques às urnas.

    Ramagem também é acusado de liderar um grupo composto por policiais federais e agentes da Abin que utilizou indevidamente a estrutura de inteligência estatal, em um esquema conhecido como “Abin Paralela”.

    • O que diz a defesa

    O advogado Paulo Renato Garcia Cintra Pinto, que defende o deputado Alexandre Ramagem nas acusações de golpe de Estado, alega que a denúncia contra seu cliente tem indícios “extremamente tímidos, singelos”.

    Almir Garnier Santos

    As investigações indicam que o almirante da reserva e ex-comandante da Marinha aderiu ao plano de golpe. Segundo a denúncia aceita pelo Supremo, em um encontro ocorrido em dezembro de 2022, o então comandante da Marinha manifestou a Bolsonaro sua disposição em seguir as ordens contidas no decreto golpista. Posteriormente, em uma segunda reunião realizada no mesmo mês, ele reiterou seu apoio à conspiração golpista,conforme a denúncia.

    Em sua sustentação oral, o advogado Demóstenes Torres pediu a rejeição da denúncia e questionou o fato de o seu cliente ter sido incluído na acusação, enquanto os ex-chefes do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, e da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Baptista, foram poupados, apesar de terem participado da mesma reunião com Bolsonaro citada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, para acusá-lo.

    O ministro Alexandre de Moraes explicou por que, diferentemente dos ex-comandantes da Aeronáutica e do Exército, o ex-chefe da Marinha é acusado. “Porque não há em momento algum, seja na investigação, seja, como ficou apontado na denúncia, nenhum indício de autoria de ambos os comandantes, seja do Exército seja da Aeronáutica. Mas há indícios suficientes de autoria em relação a Almir Garnier Santos, explicou Moraes.

    O relator afirmou que Garnier elaborou, juntamente ao presidente Bolsonaro, planejou, aderiu à elaboração de uma minuta de decreto de golpe de estado. “Com essa minuta de decreto, o então presidente da República se reuniu em 7 de dezembro de 2022 pela primeira com os representantes das Forças Armadas”.

    • O que diz a defesa

    O ex-senador Demóstenes Torres, responsável pela defesa de Garnier, alegou na primeira sessão de análise da denúncia que não há elementos que incriminem o almirante. A denúncia é inepta. Ela não menciona de que forma o almirante Garnier contribuiu para os atos do 8 de Janeiro. Falta liame subjetivo. E todos nós sabemos o seguinte, precisa ter um mínimo de laço probatório. Só há invencionismo.

    Anderson Torres

    De acordo com a denúncia, enquanto ocupava cargos na administração Bolsonaro, Anderson Torres, que foi ministro da Justiça e secretário de Segurança Pública do Distrito Federal durante os eventos de 8 de janeiro de 2023, propagou narrativas sobre supostas fraudes eleitorais, divulgadas em uma transmissão ao vivo em julho de 2021, “distorcendo informações e sugestões provenientes da Polícia Federal”.

    Ainda conforme a acusação, ele também atuou para operacionalizar o plano que visava a implementação de bloqueios por parte da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em estados do Nordeste, com o intuito de impedir que eleitores favoráveis a Lula votassem.

    Torres também é apontado como o elaborador de documentos que seriam utilizados no golpe de Estado, sendo encontrada em sua residência uma minuta de decreto de Estado de Defesa para intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a chamada “minuta do golpe”.

    Segundo a PGR, em sua função como secretário de Segurança do Distrito Federal, ele se omitiu em tomar as providências necessárias para evitar os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro.

    • O que diz a defesa

    O advogado do ex-ministro, Eumar Roberto Novacki, rebateu a acusação durante o julgamento sobre o recebimento da denúncia. Negou que o ex-ministro tenha agido para obstruir a votação de eleitores de Lula em 2022 e que tenha dada suporte jurídico à chamada minuta golpista. Pediu, ainda, que o caso fosse remetido pelo Supremo à primeira instância da Justiça. O que se espera é que a mais alta Corte do país seja isenta e jamais permita que discussões político-partidárias contaminem suas decisões, declarou.

    Augusto Heleno

    A PGR sustenta que Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional e general da reserva do Exército, prestou auxílio direto a Bolsonaro na execução do plano criminoso, de forma similar a Ramagem.

    A denúncia atribui ao general um papel relevante na formulação de ataques ao sistema eleitoral, sendo encontrado em sua residência um planejamento para a criação de um discurso contrário às urnas.

    Segundo a acusação, o general participou do plano para descumprir decisões judiciais, a partir de um parecer que seria elaborado pela Advocacia-Geral da União. Sua agenda também continha registros que indicariam seu conhecimento sobre as atividades da “Abin Paralela”. De acordo com a PGR, Heleno foi designado como o chefe do “gabinete de crise” que seria estabelecido pelo governo Bolsonaro após a consumação do golpe de Estado.

    • O que diz a defesa

    Na sustentação oral, Matheus Mayer Milanez argumentou que não há, nos autos, elementos que demonstrem o envolvimento de Augusto Heleno com qualquer organização criminosa ou com os atos antidemocráticos. “Não há elementos comprobatórios que provem que ele fez parte da suposta empreitada golpista”, afirmou. 

    Ele comparou as acusações contra o general a um caso de “terraplanismo argumentativo”. “Se está querendo colocar Augusto Heleno na organização criminosa, o que precisamos produzir de prova? O que nós temos que é possível enquadrar Augusto Heleno aqui? Vamos pegar tudo que for possível para falar que ele fazia parte”, declarou.

    Jair Bolsonaro

    A PGR sustenta que o ex-presidente e os outros sete aliados, cujas denúncias também foram recebidas, constituía o “elemento central de uma associação criminosa”.

    Segundo a acusação, foi desse núcleo que emanaram as “principais deliberações e ações de grande repercussão social” com o objetivo de desestabilizar a ordem democrática. A PGR classifica Bolsonaro como o líder de uma organização criminosa armada, dedicada à concretização de um golpe de Estado.

    A atuação de Bolsonaro é exemplificada pela disseminação de alegações infundadas contra o sistema eleitoral, pela formatação final de um decreto com teor golpista e pela pressão exercida sobre os militares para que aderissem à insurreição.

    Ademais, a PGR aponta que o ex-presidente interveio diretamente na conclusão do relatório elaborado pelas Forças Armadas acerca das urnas eletrônicas.

    Ainda de acordo com a Procuradoria, existem indícios que sugerem que Bolsonaro tinha ciência do plano denominado Punhal Verde Amarelo, que previa o assassinato de autoridades.

    • O que diz a defesa

    Durante a análise da denúncia, o advogado Celso Sanchez Vilardi reconheceu a “gravidade” dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, mas isentou o ex-presidente de responsabilidade pelo caso. “Eu entendo a gravidade de tudo que aconteceu no 8 de janeiro, mas não é possível que se queira imputar a responsabilidade ao Presidente da República, ou colocando como lider quando ele não participou dessa questão do 8 de janeiro, pelo contrário, ele repudiou”, sustentou o defensor. “Nada se achou contra ele“, reforçou.

    Mauro Cid

    O ex-ajudante de ordens da Presidência e tenente-coronel do Exército (atualmente afastado) integrava o “núcleo crucial” da organização criminosa, juntamente com Bolsonaro e os outros seis acusados. Contudo, a PGR aponta que ele possuía “menor autonomia decisória”, atuando sob as ordens do ex-presidente. Mauro Cid fez acordo de colaboração premiada e deve ter a pena atenuada, em caso de condenação. Informações dele em sua

    O militar também teria atuado como porta-voz de Bolsonaro, transmitindo orientações aos demais membros do grupo.

    Além disso, ele trocou mensagens com outros militares investigados com o objetivo de obter, inclusive por meio da ação de hackers, material para questionar a integridade do processo eleitoral.

    Conforme a denúncia, em seu aparelho celular, Cid possuía um documento datado de novembro de 2022, que consistia em uma minuta a ser assinada por um representante partidário, contendo informações sobre supostas fraudes nas urnas.

    O mesmo aparelho, segundo a PGR, continha um documento que seria um discurso de Bolsonaro a ser proferido após o golpe. Cid também participou de diálogos que abordavam o plano “Punhal Verde e Amarelo”.

    • O que diz a defesa

    O advogado Cezar Roberto Bitencourt, defensor do tenente-coronel Mauro Cid, foi o mais sucinto na sustentação oral para defender o seu cliente. O ex-ajudante de ordens fez delação premiada que ajudou a embasar a acusação contra o presidente Jair Bolsonaro e aliados por uma suposta operação de tentativa de golpe de Estado. Bitencourt afirmou que gostaria de “apenas destacar a sua dignidade, a sua grandeza, a sua participação nos fatos como testemunha, como intermediário”. Também declarou que “as circunstâncias o colocaram nessa situação” e que o tenente-coronel “apenas serviu à Justiça”.

    Paulo Sérgio Nogueira

    Ex-ministro da Defesa, general da reserva e ex-comandante do Exército, Nogueira é acusado de ter participado de uma reunião com Bolsonaro e outras autoridades em julho de 2022, na qual o ex-presidente teria solicitado que todos difundissem seu discurso sobre a fragilidade das urnas.

    Nessa reunião, Bolsonaro antecipou aos presentes o conteúdo de seus ataques ao sistema eleitoral que seriam proferidos em um encontro com embaixadores no mesmo mês. No mesmo contexto, o militar instigou a ideia de uma intervenção das Forças Armadas no processo eleitoral, segundo a acusação.

    De acordo com a denúncia, ex-ministro também esteve presente na reunião de dezembro em que a proposta de decreto golpista foi apresentada, e na semana seguinte, em uma reunião com os comandantes militares, ele apresentou uma segunda versão do decreto.

    A PGR argumenta que a presença do então ministro da Defesa na primeira reunião em que o plano de golpe foi apresentado, sem qualquer objeção, representava um endosso da mais alta autoridade política das Forças Armadas. Ao insistir pela segunda vez, em uma reunião restrita com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, na submissão de um decreto que contrariava as normas constitucionais vigentes, sua participação no movimento de insurreição se tornou ainda mais evidente.

    • O que diz a defesa

    O advogado Andrew Fernandes Farias disse que o general do Exército era contra um golpe de Estado e que aconselhava o ex-presidente a não fazer nada. “Como integraria organização criminosa, se ele assessorava presidente a não fazer nada, se era contra golpe de Estado, se não integrava gabinete de crise, se tinha gente que queria tirar ele do cargo, junto com o general Freire Gomes? A prova dos autos é contundente em demonstrar a inocência de Paulo Sérgio, sustentou na defesa oral de seu cliente na Primeira Turma do STF.

    Walter Braga Netto

    General da reserva do Exército que ocupou os cargos de ministro da Defesa e da Casa Civil, Braga Netto também foi candidato a vice-presidente, com Bolsonaro, em 2022. Conforme a acusação, ele esteve presente na reunião de julho de 2022, na qual Bolsonaro teria pedido a todos que amplificassem seus ataques ao sistema eleitoral.

    Segundo a denúncia, uma reunião realizada na residência de Braga Netto em novembro do mesmo ano discutiu a atuação dos “kids pretos” dentro do plano “Punhal Verde Amarelo”, que visava o assassinato de autoridades.

    Ele é acusado de ter colaborado no financiamento da ação para assassinar o presidente Lula, o vice Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, no estímulo a movimentos populares, em reuniões para operacionalizar o plano golpista e na pressão sobre os militares que não aderiram ao golpe. Pelo plano, ainda de acordo com a acusação, após a eventual consumação da ruptura democrática, ele seria o coordenador-geral do “gabinete de crise”.

    • O que diz a defesa

    O advogado José Luís de Oliveira Lima defendeu a inocência do general, criticou a condução das investigações pela Polícia Federal, que, segundo ele, pulverizou as apurações, e reclamou de cerceamento à defesa do seu cliente. O principal alvo do criminalista, no entanto, foi a delação premiada de Cid, que, de acordo com ele, “não para em pé” e precisa ser anulada.

    “Ele prestou nove depoimentos e não falou nada do general. Quando estava com risco de perder seu acordo, aí ele fala um detalhe: o financiamento do plano. Quer dizer que ele presta nove depoimentos e esquece de falar de um detalhe que me parece fundamental. Por que ele esqueceu? Porque ele é mentiroso, ele mente”, declarou.

  • Desemprego sobe para 6,8% em fevereiro, diz IBGE

    Desemprego sobe para 6,8% em fevereiro, diz IBGE

    A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo dados da Pnad Contínua divulgados nesta quinta-feira (28) pelo IBGE. O aumento de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (6,1%) reflete um movimento típico do período, com a dispensa de trabalhadores temporários contratados para o fim de ano.

    Na comparação anual, houve recuo de 1,1 ponto percentual. A taxa estava em 7,8% em fevereiro de 2024.

    A população desocupada cresceu 10,4% no trimestre, somando 7,5 milhões de pessoas. Já o contingente de ocupados caiu 1,2%, para 102,7 milhões. A taxa de subutilização da força de trabalho subiu para 15,7%, puxada pelo aumento do desalento e da população fora da força de trabalho.

    Desemprego registrou alta em fevereiro na comparação com janeiro.

    Desemprego registrou alta em fevereiro na comparação com janeiro.Adriana Toffetti/Ato Press/Folhapress

    O número de empregados com carteira assinada no setor privado chegou a 39,6 milhões, novo recorde da série histórica iniciada em 2012. O rendimento médio real habitual também atingiu o maior valor da série: R$ 3.378, com alta de 1,3% frente ao trimestre anterior e de 3,6% em um ano.

    Outros destaques da pesquisa incluem:

    • Redução no número de informais: 38,1% da população ocupada, ante 38,7% no trimestre anterior;
    • Crescimento da massa de rendimento: R$ 342 bilhões, também recorde da série histórica;
    • Queda na ocupação em setores como construção, administração pública e serviços domésticos no trimestre.