Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Comitê gestor do IBS: impasse entre municípios vai parar no Congresso

    Comitê gestor do IBS: impasse entre municípios vai parar no Congresso

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM) pode entrar nas discussões da próxima etapa da regulamentação da reforma tributária já com um conflito para mediar. A primeira audiência do plano de trabalho, ainda sem data marcada, deve reunir as duas maiores entidades representativas dos municípios no Brasil, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), que vivem uma disputa pelas cadeiras destinadas na eleição do Comitê Gestor do IBS – e, pelo andar da carruagem, o assunto não deve se resolver até lá.

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator dos projetos de reforma tributária no Senado, vai sendo chamado por prefeitos para o papel de mediador.

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator dos projetos de reforma tributária no Senado, vai sendo chamado por prefeitos para o papel de mediador.Roque de Sá/Agência Senado

    Criado com a aprovação da reforma tributária em 2023, o Comitê Gestor tem a função de fiscalizar e distribuir o dinheiro arrecadado com o novo Imposto sobre Bens e Serviços, que substituirá o ICMS e o ISS a partir de 2026. O comitê terá 54 cadeiras, sendo 27 ocupadas por representantes dos estados – uma para cada unidade federativa – e as outras 27, dos municípios. É nesse último grupo que se dá o conflito.

    O impasse

    Pelo texto aprovado no Congresso Nacional, a composição das 27 vagas para municípios no comitê gestor será votada em uma eleição, com a participação de cada um dos prefeitos das 5.570 cidades do Brasil. Cada prefeito vota duas vezes:

    • O primeiro voto se dará em uma chapa para ocupar 14 cadeiras do comitê. Nessa eleição, o voto é igualitário: cada prefeito tem direito a um voto, e ganha a chapa que tiver mais votos.
    • O segundo voto serve para eleger os ocupantes das 13 cadeiras restantes no colegiado. Aqui, o voto é proporcional à população. Cidades com mais habitantes têm um peso maior na votação.

    Os votos dos prefeitos não vão para um candidato, mas para uma chapa completa; ou seja, cada prefeito vota em um grupo fechado de 14 pessoas, e, depois, em outro de 13 integrantes para o conselho. As regras foram combinadas na tramitação da PEC 45, que instituiu a reforma tributária. O PLP 108/2024, que está no Senado com a relatoria de Eduardo Braga, dá as regras definitivas para o comitê, mas, antes disso, é preciso que ele comece a funcionar com as regras provisórias.

    É aí que entra o impasse.

    • A Frente Nacional dos Prefeitos alega que havia um acordo político para o preenchimento das vagas: a CNM, que reúne pouco mais de 5.300 cidades, ficaria com as 14 cadeiras do voto paritário, enquanto caberia à FNP indicar as 13 proporcionais. Isso, segundo a Frente, reflete a atuação das duas entidades, com a CNM representando o conjunto total dos municípios, e a FNP as cidades mais populosas do país.
    • A Confederação Nacional dos Municípios já diz que esse acordo nunca foi feito nem fez parte das tratativas entre as entidades. Com base nisso, a CNM pretende inscrever duas chapas na eleição, uma para as 14 vagas de um voto por município e outra para as 13 eleitas por voto proporcional. Se tiver sucesso, a confederação pode conseguir todas as cadeiras do comitê, sem deixar uma vaga para a concorrente.

    Acordo político ou não

    “Nunca houve esse acordo. Nunca houve. Mentira de quem está dizendo”, disse o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, ao Congresso em Foco. “Estão empurrando para cima do [Eduardo] Braga, dizendo que vai mediar. Só se mudar a lei”. De acordo com Ziulkoski, a primeira menção a um suposto acordo veio só em março de 2025, em uma reunião das duas entidades com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, convocada já para pacificar o tema.

    A FNP, de fato, pretende que o senador intermedie o impasse. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que tomou posse em 7 de abril como presidente da entidade, disse em evento da frente que “tanto o ministro Fernando Haddad quanto o senador Eduardo Braga confirmaram o acordo” na reunião no Ministério da Fazenda. “Não tem um TSE para estabelecer as regras. Se não há acordo, não tem regra. Se não tem regra, não dá para ter eleição”, disse o prefeito. No evento, Paes disse ainda que fez um pedido formal para que o assunto seja debatido em audiência convocada pelo senador Braga.

    Por meio da sua assessoria, o senador Eduardo Braga informou que não comentaria o assunto nesse momento. Mas os dois grupos já têm encontro marcado, embora ainda sem data: a primeira audiência para a discussão do segundo projeto de regulamentação de reforma tributária, que trata justamente do Comitê Gestor do IBS, tem a previsão de participação da CNM e da FNP. A disputa deve dar o tom da discussão.

    Os prazos correm

    A eleição para o comitê gestor, a princípio, seria realizada em 16 de abril de 2025. O imbróglio entre as duas entidades adiou a votação. A CNM já disse em nota que a comissão eleitoral marcou a eleição para 23, 24 e 25 de abril, mas o Congresso em Foco apurou que a FNP não trabalha com a possibilidade de que o pleito seja realizado antes da audiência que vai juntar as duas entidades no Senado.

    O calendário é apertado. O prazo legal para a instalação do comitê é até 15 de maio. A audiência no Senado será realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que nas próximas semanas deve seguir se ocupando com as audiências sobre o novo código eleitoral, relatado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI).

    A função da reunião, em teoria, não é discutir a eleição de 2025, e sim as regras definitivas para o comitê gestor, que só entrariam em vigor após toda a tramitação do projeto – que ainda precisaria passar pelo crivo da CCJ, do plenário do Senado e depois ainda tenha que voltar para a Câmara, sofra alguma modificação. Mas a Frente Nacional de Prefeitos vê margem para que o debate e a adoção de novas normas possam ensejar uma revisão nas regras temporárias da eleição neste ano.

    O IBS começa a ser cobrado já em 2026, gradativamente substituindo os impostos ICMS e ISS. O comitê gestor do IBS é bicameral: cada decisão precisa ser avalizada separadamente, por estados e municípios. Isso significa que, enquanto o impasse não se resolver, o comitê fica impedido de tomar decisões.

  • Fátima Bezerra cedeu helicóptero para transporte de Bolsonaro

    Fátima Bezerra cedeu helicóptero para transporte de Bolsonaro

    Durante a emergência de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro na manhã desta sexta-feira (11), a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, do PT, cedeu um helicóptero da Secretaria de Segurança Pública do estado para realizar seu translado até o hospital, mesmo pertencendo ao grupo político rival.

    A informação foi confirmada pelo governo, que também “orientou os gestores da Secretaria de Saúde que adotassem todas as providências necessárias ao eventual atendimento”.

    Veja o vídeo do embarque de Bolsonaro:

    Bolsonaro, durante uma série de encontros no interior de RN, sofreu fortes dores abdominais pela manhã, e precisou ser enviado à capital, Natal, para receber atendimento médico. Seus aliados atribuem o episódio às consequências da facada sofrida na campanha eleitoral de 2018.

  • Caderneta da Criança agora pode ser acessada pelo Meu SUS Digital

    Caderneta da Criança agora pode ser acessada pelo Meu SUS Digital

    Caderneta de Saúde da Criança agora está disponível no aplicativo Meu SUS Digital.

    Caderneta de Saúde da Criança agora está disponível no aplicativo Meu SUS Digital.Divulgação/Ministério da Saúde

    O Ministério da Saúde disponibilizou, na quinta-feira (10), a versão digital da Caderneta de Saúde da Criança no aplicativo Meu SUS Digital. A medida visa simplificar o acesso a informações relevantes sobre os cuidados infantis. Pela primeira vez, pais e responsáveis podem acompanhar o histórico de vacinação, com previsão de doses futuras e notificações com lembretes. Os dados são registrados em tempo real pela Rede Nacional de Dados em Saúde.

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou os benefícios e a praticidade da tecnologia, enfatizando sua contribuição para facilitar o cotidiano das famílias e fortalecer o cuidado infantil.

    “São duas novidades que vêm com a caderneta digital, duas grandes vantagens para os pais. A primeira é o simples fato de ela existir: aquela situação em que o pai ou a mãe chega à unidade de saúde ou à escola e esquece a caderneta física, agora está resolvida – ela estará disponível no aplicativo. A outra é que a caderneta digital terá mensagens ativas, ou seja, vai enviar alertas para o responsável informando que chegou a hora de vacinar ou de tomar uma dose de reforço.”

    “A caderneta da criança sempre foi uma aliada das famílias brasileiras. Agora, com a transformação digital do SUS, ela se torna mais moderna, interativa, acessível, e vem apoiar mães, pais, cuidadores e profissionais de saúde em todo o país no cuidado com as nossas crianças”, afirmou Ana Estela Haddad, Secretária de Informação e Saúde Digital.

    A caderneta física continuará sendo distribuída nas unidades de saúde, sendo a versão digital um complemento para pais, mães, responsáveis e cuidadores acessarem informações cruciais sobre os cuidados e o desenvolvimento infantil desde o nascimento. O documento abrange duas áreas essenciais da atenção à saúde infantil: Registros de Saúde e Cuidados da Família.

    A funcionalidade de registro de saúde da Caderneta Digital oferece ferramentas para o acompanhamento da vacinação, crescimento e desenvolvimento infantil, além do histórico clínico com informações sobre consultas e atendimentos. Ana Luiza Caldas, Secretária de Atenção Primária à Saúde, destacou a possibilidade de participação ativa das famílias, que podem inserir informações no aplicativo, como observações e alertas sobre a saúde da criança.

    “Por exemplo, é possível registrar que um dentinho está para cair. Essa informação fica salva no aplicativo e, no dia da consulta, mesmo que a caderneta física tenha sido esquecida, ela estará acessível para os profissionais de saúde. Pai, mãe e responsáveis terão, na palma da mão, dados importantes sobre a criança, que poderão ser apresentados durante o atendimento e também compartilhados com outros serviços de saúde, se necessário.”

    A área de Cuidados da Família disponibiliza conteúdos interativos e educativos, com orientações sobre amamentação, alimentação saudável, prevenção de acidentes, uso consciente de eletrônicos, combate à violência, prematuridade e outros aspectos relevantes para o bem-estar infantil. Todo o conteúdo educativo da versão física da Caderneta está disponível digitalmente e de forma interativa no aplicativo.

    Para acessar a Caderneta Digital da Saúde da Criança no aplicativo Conecte SUS, é necessário que o responsável e a criança possuam contas ativas no Gov.br.

  • Deputado propõe uso do Fundo Social do pré-sal em calamidades

    Deputado propõe uso do Fundo Social do pré-sal em calamidades

    O projeto de lei 811/25, em tramitação na Câmara dos Deputados, autoriza a utilização de recursos do Fundo Social para o financiamento de projetos de infraestrutura social, habitação popular e ações de enfrentamento a calamidades públicas.

    O texto reproduz o conteúdo da medida provisória 1.291/25, editada pelo Poder Executivo e vigente desde 6 de março, que aguarda análise do Congresso Nacional. A MP perderá sua validade em 4 de maio, caso não seja prorrogada.

    Dep. José Guimarães (PT - CE).

    Dep. José Guimarães (PT – CE).Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    “Com o projeto de lei, opta-se pela tramitação legislativa originária de iniciativa parlamentar, prerrogativa que valoriza o papel do Parlamento”, justificou o deputado José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara e autor da proposta.

    Atualmente, o Fundo Social, estabelecido pela Lei do Pré-Sal, recebe recursos provenientes da exploração petrolífera. Esses recursos podem ser destinados a áreas como educação, cultura, esporte, saúde, ciência e tecnologia, meio ambiente e adaptação às mudanças climáticas. Além de expandir a lista de setores beneficiados, o projeto de lei:

    • determina que o conselho deliberativo do Fundo Social indique os beneficiários dos recursos;
    • prevê a contratação de uma instituição bancária pública para a gestão dos recursos; e
    • exige a apresentação de relatórios anuais.

    O projeto, de caráter conclusivo, será avaliado pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para sua conversão em lei, é necessária a aprovação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

  • Apoiadores de Bolsonaro fazem vigília e rezam em frente a hospital

    Apoiadores de Bolsonaro fazem vigília e rezam em frente a hospital

    A fachada do Hospital DF Star, em Brasília, se tornou uma espécie de ponto de reunião para apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde o último domingo (13), quando Bolsonaro passou por uma cirurgia abdominal com 12 horas de duração, o local vem registrando a presença de grupos que vêm rezando pela saúde do presidente, com Bíblias e bandeiras do Brasil.

    O ex-presidente passou pelo procedimento para corrigir uma obstrução intestinal, causada por aderências na região. De acordo com os médicos, o problema se deu pelas várias operações que Bolsonaro teve de fazer da região após ser vítima de um atentado a faca em 2018, quando fazia a campanha eleitoral que acabou por elegê-lo presidente.

    Apoiadores de Jair Bolsonaro posam ao lado de bandeira nacional, em frente ao Hospital DF Star, em Brasília.

    Apoiadores de Jair Bolsonaro posam ao lado de bandeira nacional, em frente ao Hospital DF Star, em Brasília.Eduardo F. S Lima/Ato Press/Folhapress

    Na manhã desta terça-feira, o hospital divulgou um boletim médico afirmando que o político passa por um pós-operatório estável e sem intercorrências, mas segue sem previsão de sair e com recomendação de não receber visitas. O ex-presidente, na mesma manhã, divulgou uma mensagem a apoiadores por redes sociais, lembrando da facada que sofreu em 2018.

  • Projeto da LDO propõe salário mínimo de R$ 1.630 em 2026

    Projeto da LDO propõe salário mínimo de R$ 1.630 em 2026

    O salário mínimo para 2026 deverá ser de R$ 1.630, conforme o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), enviado ao Congresso Nacional nesta terça-feira (15). A matéria também apresentou previsões dos salários para os três anos seguintes, sendo respectivamente R$ 1.724, R$1.823 e R$ 1.925 para 2027, 2028 e 2029. As projeções serão revistas nos próximos projetos de diretrizes orçamentárias.

    Homem contando dinheiro

    Homem contando dinheiroMarcello Casal Jr./Agência Brasil

    O crescimento previsto para o salário mínimo em 2026 é de 7,37% em relação ao valor atual de R$ 1.518. O reajuste está dentro da projeção de 4,76% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais o teto de crescimento de gastos de 2,5% definido pelo arcabouço fiscal.

    Em 2023, o salário mínimo voltou a ser reajustado com base no INPC do ano anterior somado ao crescimento do PIB de dois anos antes. O modelo esteve em vigor entre 2006 e 2019. Com essa regra, o reajuste do mínimo superaria a inflação em 3,4%.

    O pacote fiscal do Executivo votado no fim do ano passado, porém, limitou esse crescimento. Isso ocorreu porque o salário mínimo passou a obedecer às regras do novo arcabouço fiscal, que estabelece um aumento real dos gastos públicos entre 0,6% e 2,5% ao ano. Assim, foi imposta uma restrição que reduziu o reajuste real de 3,4% para o teto permitido de 2,5%.

    O Ministério do Planejamento e Orçamento argumenta que cada R$ 1 de aumento no salário mínimo representa um impacto de cerca de R$ 400 milhões no Orçamento da União. Isso se deve ao fato de diversos benefícios, como os da Previdência Social, o abono salarial, o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), estarem vinculados ao valor do mínimo. No caso da Previdência, estima-se um acréscimo de R$ 115,3 bilhões nas despesas, compensado parcialmente por um aumento de R$ 71,2 bilhões na arrecadação.

  • Governo adia norma de apoio à saúde mental no ambiente de trabalho

    Governo adia norma de apoio à saúde mental no ambiente de trabalho

    O governo federal adiou por 90 dias a entrada em vigor das mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que ampliam a responsabilidade das empresas quanto à saúde mental dos trabalhadores. A decisão foi anunciada após reunião na última segunda-feira (14) entre o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, com representantes patronais e sindicais.

    Atualizada em 2024, a NR-1 inclui fatores psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigindo que as empresas identifiquem e previnam situações como estresse crônico, burnout, assédio moral, isolamento e sobrecarga mental. As medidas estavam previstas para valer a partir de 26 de maio. A norma também estabelece conexão direta entre o PGR e a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT), reconhecendo transtornos como depressão e ansiedade como riscos ocupacionais.

    A partir da vigência, empresas terão de mapear causas de sofrimento mental ligadas ao trabalho.

    A partir da vigência, empresas terão de mapear causas de sofrimento mental ligadas ao trabalho.Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

    Com o adiamento, o governo pretende discutir formas de tornar a aplicação da NR-1 mais clara e viável. O novo prazo deve ser usado para revisar materiais técnicos e orientar empresas sobre as práticas esperadas.

    Queixas sobre clareza

    Durante a reunião, representantes do setor empresarial apontaram incertezas sobre como aplicar as exigências. Alegaram que as causas do sofrimento psíquico são amplas e, muitas vezes, externas ao ambiente de trabalho. Também demonstraram preocupação com uma possível sobrecarga na demanda por profissionais de saúde mental.

    O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, admitiu que as diretrizes de orientação são falhas, mas ressaltou que a norma não obriga a contratação direta de psicólogos ou psiquiatras pelas empresas.

    Este tema também foi abordado no portal Migalhas, parceiro do Congresso em Foco especializado no mundo jurídico. Confira a matéria com mais detalhes aqui. 

    Dirigentes de centrais sindicais, como da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), contestaram os argumentos patronais. Eles argumentam que há ampla documentação sobre o impacto do trabalho no adoecimento mental dos brasileiros e lembraram que os afastamentos por transtornos psicológicos vêm batendo recordes no país.

    Proposta similar na Câmara

    Paralelamente, tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 4479/2024, do deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE), que propõe medidas obrigatórias de promoção à saúde mental em empresas com mais de 50 empregados. O texto prevê sessões psicológicas gratuitas, campanhas internas e treinamentos para lideranças, além de canais de denúncia anônima e flexibilização de jornada para quem tiver diagnóstico psicológico.

    A proposta aguarda análise das comissões de Saúde, Trabalho, Administração Pública e Constituição e Justiça.

  • Silas Malafaia pede expulsão de deputado do PL que não assinou anistia

    Silas Malafaia pede expulsão de deputado do PL que não assinou anistia

    O pastor Silas Malafaia, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, pediu nesta quarta-feira (16) a expulsão do deputado Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP) do partido. A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais, em resposta à recusa do parlamentar em apoiar o projeto de anistia a envolvidos nos ataques às sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023.

    Antonio Carlos Rodrigues foi um dos dois parlamentares do PL que se recusaram a assinar o requerimento de urgência para o projeto. Em discurso na tribuna, afirmou que o texto da proposta apresenta falhas técnicas e riscos institucionais. Disse ainda que a anistia ampla, sem critérios claros, pode comprometer o equilíbrio entre os poderes e gerar insegurança jurídica, e criticou a postura radical de Malafaia.

    Malafaia é um dos principais articuladores pela anistia aos participantes dos ataques de 8 de janeiro.

    Malafaia é um dos principais articuladores pela anistia aos participantes dos ataques de 8 de janeiro.Eduardo Anizelli/Folhapress

    “Você tinha que ser expulso do PL, cara. Porque você envergonha seu partido e Bolsonaro”, afirmou Malafaia, em tom exaltado. Ele também acusou Rodrigues de manter proximidade tanto com o governo quanto com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relator da ação penal contra Jair Bolsonaro e demais réus em julgamentos que tratam dos atos de 8 de janeiro.

    O pastor criticou o fato de Rodrigues ter ficado contra a maioria da bancada, e ironizou seu discurso de independência, tendo em vista que o parlamentar já estava no partido antes da entrada de Bolsonaro em 2021. “Quer dizer que Bolsonaro, o líder maior do partido que ele pertence, e os 90 deputados do PL estão errados, e ele é que está certo?”, questionou.

    Malafaia reagiu também a críticas feitas pelo deputado no plenário da Câmara. Em resposta ao comentário de Rodrigues, que sugeriu que o pastor se candidatasse se quisesse participar do debate político, ele retrucou: “Isso é preconceito. Onde está na Constituição que só deputado pode participar do debate político? Qualquer cidadão pode participar do debate político e questionar Legislativo, Judiciário e Executivo”.

    Antonio Carlos Rodrigues também ironizou o fato de Malafaia não ter conseguido eleger vereadores de seu círculo de aliados no Rio de Janeiro nas eleições de 2024. Malafaia rebateu. “Eu participei do programa eleitoral de 11 candidatos a vereador na última eleição. Oito venceram, três foram derrotados. (…) O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do seu partido e um gigante da anistia, era meu funcionário, um ilustríssimo desconhecido, que eu vi nele a vocação e ajudei a elegê-lo deputado”, apontou.

  • Glauber Braga encerra greve de fome contra parecer pela cassação

    Glauber Braga encerra greve de fome contra parecer pela cassação

    O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) anunciou nesta quinta-feira (17) o fim de sua greve de fome, que durou oito dias. Ele está acantonado na sala do Conselho de Ética sem se alimentar desde o dia 9, quando o colegiado aprovou o parecer pela sua cassação. O fim do jejum se deu após um acordo firmado com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que assegurou com que ele tenha tempo útil para se defender nas próximas etapas do processo.

    Glauber Braga perdeu mais de 4kg desde que iniciou a greve de fome.

    Glauber Braga perdeu mais de 4kg desde que iniciou a greve de fome.Ascom Glauber Braga/Divulgação

    Glauber responde em processo por ter expulsado a chutes e empurrões, em abril de 2024, o militante Gabriel Costenaro, do Movimento Brasil Livre (MBL). Costenaro havia tecido ofensas à falecida mãe do deputado, Saudade Braga, ex-prefeita de Nova Friburgo, que até então estava internada em estado grave com problemas cardiorrespiratórios.

    O parlamentar entrou em greve de fome alegando interferência política do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no andamento do processo, que foi rapidamente instalado no Conselho. Os dois são rivais de longa data, relação que piorou ao longo de 2024. Lira nega ter influenciado no julgamento.

    Por intermédio da deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), esposa de Glauber, e do líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), Hugo e Glauber chegaram a um acordo no qual, caso a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) rejeite o recurso apresentado pelo deputado contra o parecer, a cassação não será pautada em Plenário em menos de 60 dias. O objetivo é assegurar com que ele tenha tempo de formular e articular sua defesa.

    Com o fim da greve de fome, Glauber será submetido a uma etapa de readaptação alimentar coordenada pela sua equipe médica. Ele perdeu mais de 4kg de massa corporal desde que iniciou o protesto.

  • Projeto obriga rótulos de alimentos a informar teor alcoólico

    Projeto obriga rótulos de alimentos a informar teor alcoólico

    Projeto torna obrigatória a indicação de teor alcoólico em rótulos de alimentos.

    Projeto torna obrigatória a indicação de teor alcoólico em rótulos de alimentos.Anvisa

    Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe a obrigatoriedade da inclusão da informação sobre o teor alcoólico nos rótulos de alimentos. O projeto de lei 447/25 abrange todos os produtos alimentícios que contenham álcool, independentemente de sua origem ser por adição intencional ou resultado de processos fermentativos.

    De autoria do deputado Nitinho (PSD-SE), a proposta visa proteger a saúde de grupos vulneráveis, como crianças, adolescentes, gestantes e pessoas que fazem uso de medicamentos que interagem com o álcool.

    A exigência de que a informação sobre o teor alcoólico seja exibida em local visível na embalagem busca garantir a transparência e a segurança alimentar.

    Segundo o deputado, “a inclusão do teor de álcool na rotulagem de alimentos está em consonância com as melhores práticas internacionais e com a crescente preocupação da sociedade com a saúde e a segurança alimentar”.

    O não cumprimento das normas estabelecidas pelo projeto sujeitará as empresas infratoras às penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

    O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas Comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça e de Cidadania.