Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Lula diz que o governo custeará translado do corpo de Juliana

    Lula diz que o governo custeará translado do corpo de Juliana

    O presidente Lula divulgou, nesta quinta-feira (26), que o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) irá custear o translado do corpo de Juliana Marins de volta para o Brasil. Até então, o governo brasileiro alegava respaldo na lei 9.199/2019, que determina a não inclusão de sepultamento e translado de corpos falecidos no exterior na assistência consular

    Leia mais: Entenda por que governo não pode custear translado do corpo de Juliana

    Em suas redes sociais, Lula disse que esteve em contato com a família Marins e já determinou ao Itamaraty que toda assistência seja prestada a eles. A jovem de 26 anos foi encontrada morta, nesta terça-feira (24), após cair de uma altura de cerca de 900m durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia.

    Veja a publicação:

  • Hugo Motta decide não ir a audiência do STF sobre emendas

    Hugo Motta decide não ir a audiência do STF sobre emendas

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não irá à audiência do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito de emendas parlamentares nesta sexta-feira (27). A Casa será representada pelo advogado Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.

    Mudança de planos: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não estará no STF.

    Mudança de planos: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não estará no STF.Pedro Ladeira/Folhapress

    O nome de Hugo estava na programação oficial divulgada pela Suprema Corte.

  • Senado analisa projeto que obriga fim de ligações indesejadas

    Senado analisa projeto que obriga fim de ligações indesejadas

    O Senado analisa a proposta que obriga empresas a excluir de suas bases de dados os números de telefone que tenham sido alvo de chamadas por engano. O objetivo é proteger consumidores que recebem ligações insistentes de telemarketing ou cobrança destinadas a terceiros desconhecidos.

    O projeto de lei 2.616/2025, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA), determina que as empresas devem remover imediatamente os números apontados pelo consumidor como não pertencentes à pessoa procurada. A recusa em continuar recebendo esses contatos também deverá ser registrada no momento da ligação.

    Consumidores seguem recebendo ligações indesejadas mesmo após recusarem contato; projeto busca garantir o direito ao bloqueio definitivo.

    Consumidores seguem recebendo ligações indesejadas mesmo após recusarem contato; projeto busca garantir o direito ao bloqueio definitivo.Tânia Rêgo/Agência Brasil

    O projeto prevê sanções administrativas em caso de descumprimento: advertência na primeira infração, multa diária de R$ 1 mil a R$ 50 mil e, nos casos mais graves, suspensão temporária das atividades da empresa.

    Para a senadora, a prática fere o direito à privacidade. “É comum e abusiva, causando constrangimento, perda de tempo e perturbação à tranquilidade dos consumidores, mesmo quando eles recusam repetidamente esse tipo de contato”, afirmou.

    A proposta fundamenta-se na Constituição, no Código de Defesa do Consumidor e na Lei Geral de Proteção de Dados. A ideia é evitar incômodos e garantir regras claras contra a insistência indevida das empresas.

    O texto está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e seguirá depois para a Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle (CTFC), onde terá decisão terminativa.

  • Senador propõe piso de investimento de IA para segurança pública

    Senador propõe piso de investimento de IA para segurança pública

    O senador Marcos do Val (Podemos-ES) apresentou ao Senado o projeto de lei 1807/2025, que reserva, no mínimo, 0,5% dos recursos empenhados do Fundo Nacional de Segurança Pública para o desenvolvimento, teste e implantação de tecnologias da informação e comunicação, incluindo inteligência artificial, com foco no combate à criminalidade.

    A proposta visa garantir uma fatia mínima dos investimentos em inovação tecnológica no setor. O objetivo, segundo o autor, é fortalecer as ferramentas de investigação e perícia utilizadas pelas forças de segurança pública.

    Projeto é de autoria do senador Marcos do Val.

    Projeto é de autoria do senador Marcos do Val. Jefferson Rudy/Agência Senado

    Na justificativa, o senador afirma que “nos últimos anos, testemunhamos sucessivos saltos no estado da arte das tecnologias da informação e comunicação (TICs), especialmente a inteligência artificial (IA)”. Segundo ele, tais tecnologias “ainda pouco exploradas, têm o potencial de trazer inúmeros benefícios para a sociedade em áreas como educação, saúde e também segurança pública”.

    O projeto destaca a necessidade de criar mecanismos de incentivo à implantação de sistemas informatizados para apoiar a investigação criminal. “Precisamos criar mecanismos de incentivo para o desenvolvimento e a implantação de sistemas informatizados que auxiliem a investigação e a perícia criminal, principalmente na busca e na produção de provas da autoria e da materialidade das infrações penais”, escreveu Marcos do Val.

    O texto se encontra na Comissão de Assuntos Econômicos, ainda aguardando relator. Na sequência, deverá passar pelas de Ciência e Tecnologia e de Segurança Pública. Ele tramita em regime terminativo: se aprovado nos colegiados, poderá seguir diretamente à Câmara dos Deputados, sem a necessidade de votação em Plenário.

  • Projeto cria política nacional de apoio a refugiados e imigrantes

    Projeto cria política nacional de apoio a refugiados e imigrantes

    Tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 4.831/24, que propõe a criação da Política Nacional de Apoio a Refugiados e Imigrantes Vulneráveis. A iniciativa tem como finalidade primordial assegurar a integração social, econômica e cultural das pessoas que buscam refúgio ou imigram para o território brasileiro.

    A política em questão fundamenta-se em princípios basilares, como o respeito à dignidade da pessoa humana, a promoção da igualdade de oportunidades e a estrita observância da não discriminação. Adicionalmente, o projeto prevê a defesa dos direitos fundamentais, tanto aqueles já previstos na Constituição Federal quanto os estabelecidos em tratados internacionais, além de fomentar a cooperação entre órgãos governamentais, a sociedade civil organizada e organismos internacionais.

    As diretrizes estabelecidas para orientar a implementação da política abrangem a facilitação do acesso à documentação migratória, a implementação de programas de acolhimento, o desenvolvimento de iniciativas de capacitação profissional e de aprendizado da língua portuguesa, a ampliação do acesso aos serviços de saúde e assistência social, o apoio à moradia digna e o fomento à participação em atividades culturais e sociais.

    Como instrumentos para a efetiva execução da política, o projeto prevê a criação de um comitê interministerial, o estabelecimento de parcerias estratégicas com governos locais e organizações da sociedade civil, a alocação de recursos orçamentários específicos e a criação de um cadastro nacional de refugiados e imigrantes vulneráveis.

    Max Lemos, autor da proposta.

    Max Lemos, autor da proposta.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Segundo o deputado Max Lemos (PDT-RJ), autor do projeto, o texto reforça os compromissos do Brasil com tratados internacionais de direitos humanos, como a Convenção de Genebra de 1951. “O Brasil possui uma tradição histórica de acolhimento e hospitalidade a refugiados e imigrantes. Entretanto, há necessidade de um arcabouço legal robusto para assegurar a integração plena dessas populações”, afirma o deputado.

    A coordenação, a execução e o monitoramento das medidas propostas serão realizados pelos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, em colaboração com outros órgãos governamentais.

    A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que se torne lei, o texto deverá ser aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.

  • Moraes marca depoimentos de testemunhas dos réus do núcleo 2

    Moraes marca depoimentos de testemunhas dos réus do núcleo 2

    Ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques faz parte do núcleo 2 da trama golpista e terá testemunhas de defesa ouvidas por Alexandre de Moraes.

    Ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques faz parte do núcleo 2 da trama golpista e terá testemunhas de defesa ouvidas por Alexandre de Moraes.Pedro Ladeira/Folhapress

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu para o período de 14 a 21 de julho de 2025 as audiências de instrução da Ação Penal 2693, que investiga seis acusados por suposta tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e atos antidemocráticos relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. As sessões ocorrerão por videoconferência, sem suspensão dos prazos processuais, mesmo durante o recesso forense. Este é o chamado núcleo 2 apontado no processo da trama golpista.

    Entre os réus estão Fernando de Sousa Oliveira (delegado da Polícia Federal), Filipe Garcia Martins Pereira (ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República), Marcelo Costa Câmara (coronel da reserva e ex-assessor da Presidência), Marília Ferreira de Alencar (delegada e ex-diretora de Inteligência da PF), Mário Fernandes (general da reserva) e Silvinei Vasques (ex-diretor-geral da PRF). Eles respondem por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

    Entre as testemunhas relacionadas estão o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), o senador Eduardo Girão (Novo-CE), o vereador carioca Carlos Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ).

    A denúncia aponta que o grupo elaborou a chamada “minuta do golpe”, monitorou atividades do próprio ministro Alexandre de Moraes e articulou, junto à Polícia Rodoviária Federal, ações para dificultar o voto de eleitores do Nordeste nas eleições de 2022.

    As defesas negam participação nos fatos, alegam falhas na cadeia de custódia de dados eletrônicos, como mensagens que teriam sido recuperadas de forma embaralhada, e questionam a validade de provas obtidas em acordos de colaboração premiada, incluindo o depoimento do tenente-coronel Mauro Cid.

    O STF, no entanto, reafirmou a legalidade da colaboração e rejeitou preliminares que pediam absolvição sumária, nulidade do processo ou suspeição de ministros, destacando que tais teses já haviam sido analisadas e afastadas pela 1ª Turma da Corte.

    Segundo a Procuradoria-Geral da República, os réus do núcleo 2 são acusados de organizar ações para “sustentar a permanência ilegítima” de Jair Bolsonaro no poder, em 2022.

    O cronograma prevê que as testemunhas de acusação sejam ouvidas no dia 14 de julho, incluindo Mauro Cid, que firmou acordo de colaboração. Em seguida, serão ouvidas as testemunhas de defesa, num total de 118 pessoas, sendo que algumas foram arroladas por mais de um réu. Autoridades detentoras de prerrogativa de foro poderão escolher local, data e horário para prestar depoimento, e as defesas terão cinco dias para solicitar alterações na agenda.

    Pedidos para ouvir investigados em outros processos, como Jair Bolsonaro, Anderson Torres, generais do Exército e outros corréus, foram indeferidos, pois a jurisprudência do STF impede que réus em ações conexas sejam ouvidos como testemunhas ou informantes.

    Além disso, a Corte autorizou a Polícia Federal a fornecer às defesas, mediante termo de confidencialidade, acesso integral ao material apreendido ainda não juntado aos autos, garantindo sigilo sobre dados pessoais sensíveis.

    Na decisão, Alexandre de Moraes considerou que a denúncia reúne provas suficientes de materialidade e indícios de autoria, permitindo o prosseguimento regular da ação penal e a apuração completa dos fatos.

  • Lula sanciona lei que dispensa registro de cosméticos artesanais

    Lula sanciona lei que dispensa registro de cosméticos artesanais

    Cosméticos e produtos de higiene produzidos de forma artesanal estarão isentos de registro na Anvisa e poderão seguir regras simplificadas a partir de agosto. A mudança foi sancionada nesta segunda-feira (1º) pelo presidente Lula, com a publicação da Lei 15.154 no Diário Oficial da União.

    Nova lei facilita a comercialização de itens como sabonetes, cremes, desodorantes e perfumes feitos por pequenos produtores.

    Nova lei facilita a comercialização de itens como sabonetes, cremes, desodorantes e perfumes feitos por pequenos produtores.Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress

    A medida facilita a formalização e comercialização de itens como sabonetes, cremes, desodorantes e perfumes feitos por pequenos produtores, especialmente empreendedores individuais. Até então, esses produtos estavam sujeitos a exigências mais rígidas da vigilância sanitária, previstas desde 1976 na Lei 6.360.

    O que muda na prática

    A nova lei insere um parágrafo no artigo 27 da norma de 1976, estabelecendo que produtos cosméticos e de higiene pessoal feitos artesanalmente poderão ser dispensados de registro sanitário, desde que cumpram critérios que serão definidos em regulamento específico.

    Com a mudança:

    • Pequenos produtores terão menos burocracia para comercializar seus produtos.
    • A Anvisa seguirá responsável por definir os requisitos para enquadramento como atividade artesanal.
    • A dispensa não elimina exigências mínimas de segurança e qualidade.

    A nova regra entra em vigor 60 dias após a publicação, ou seja, em 30 de agosto.

  • Haddad tem agenda com ministros da Argentina, da China e da Rússia

    Haddad tem agenda com ministros da Argentina, da China e da Rússia

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, iniciou nesta terça-feira (1º) uma série de encontros com ministros da Economia da Argentina, da China e da Rússia. As reuniões fazem parte da cúpula do Mercosul, em Buenos Aires, e da cúpula do Brics, no Rio de Janeiro.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem agenda com autoridades internacionais durante a semana.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem agenda com autoridades internacionais durante a semana.Roberto Casimiro /Fotoarena/Folhapress

    A agenda coincide com o início da presidência brasileira no Mercosul e com os preparativos para a COP30. Temas como o acordo com a União Europeia, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e relações comerciais com países árabes também estão na pauta.

    Encontros bilaterais e agenda econômica

    No Rio, Haddad terá reuniões com os ministros Lan Foan (China), Anton Siluanov (Rússia), Ahmed Kouchouk (Egito) e Mohamed bin Hadi Al Hussaini (Emirados Árabes). Ele também participa da reunião anual dos governadores do NDB e da cúpula de líderes do Brics, ao lado do presidente Lula.

    O ministro permanece no Rio até o dia 8 de julho, quando retorna a Brasília.

  • AGU recebe pareceres que reforçam legalidade de decretos sobre o IOF

    O ministro da AGU, Jorge Messias, na entrevista coletiva em que anunciou a ação do governo para reverter derrubada do decreto presidencial sobre o IOF.

    O ministro da AGU, Jorge Messias, na entrevista coletiva em que anunciou a ação do governo para reverter derrubada do decreto presidencial sobre o IOF.José Cruz/Agência Brasil

    Juristas do Grupo Prerrogativas enviaram pareceres técnicos aos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) confirmando a argumentação do governo de que foi inconstitucional a derrubada, pelo Congresso, do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Professores de Direito, os autores dos pareceres sustentam que o Legislativo usurpou competências do presidente da República ao reverter os decretos presidenciais.

    Os documentos serão anexados pela AGU à ação proposta no Supremo Tribunal Federal (STF), que busca confirmar a validade dos três decretos do presidente Lula que elevaram o imposto. As medidas foram sustadas, na semana passada, por um decreto legislativo aprovado pela maioria da Câmara e do Senado, provocando nova crise entre o Congresso e o Executivo.

    O coordenador do Prerrogativas, advogado Marco Aurélio de Carvalho, reforçou a conclusão dos colegas. “Não há a menor dúvida, houve uma usurpação clara de competência de um poder por outro, e nos cabe reagir para impedir que se forme esse precedente que pode tornar o país ingovernável”, disse ele ao Congresso em Foco. “Como afirmou o ministro Jorge Messias (AGU), não se trata de uma questão política, mas técnica e jurídica. Pode abrir um precedente gravíssimo”, acrescentou (leia a íntegra da entrevista).

    Com dez anos de atuação, o Prerrogativas ganhou notoriedade durante a Operação Lava Jato, ao se posicionar contra o ativismo judicial e a instrumentalização política de órgãos como o Judiciário e o Ministério Público. Entre os integrantes do grupo estão os próprios ministros Fernando Haddad e Jorge Messias.

    Foram três os pareceres encaminhados ao governo: um assinado pela professora Marina Faraco (PUC-SP); outro pelo professor Luiz Guilherme Arcaro Conci (PUC-SP); e um terceiro, subscrito pelos professores Pedro Serrano (PUC-SP), Lenio Streck (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) e Gisele Cittadino (PUC-Rio).

    Todos convergem em considerar inconstitucional o Decreto Legislativo nº 176/25, aprovado e promulgado na semana passada, por violar o artigo 153, 1º da Constituição, que atribui ao Executivo a competência para alterar alíquotas de tributos extrafiscais, como o IOF, sem interferência do Legislativo, salvo eventual controle judicial. Em outras palavras, a Constituição permite ao Executivo ajustar alíquotas por decreto, com vigência imediata, sempre que necessário para atender objetivos de política econômica. O governo argumenta que a medida é essencial para aumentar a arrecadação e equilibrar as contas públicas.


    Os argumentos e as íntegras dos pareceres jurídicos


    Marina Faraco

    Defende que a competência do Congresso para sustar atos do Executivo (art. 49, V) limita-se a normas regulamentares ou delegadas, e que eventuais abusos de alíquota caberiam apenas ao Judiciário.

    Veja a íntegra do parecer dela

    Considera o Decreto Legislativo nº 176/2025 materialmente inconstitucional, por ultrapassar a competência do Congresso e violar a separação de poderes prevista no art. 2º da Constituição.

    Em trecho de seu parecer, afirma: “O decreto também incorre em transgressão ao postulado constitucional da separação dos Poderes, por pretender realizar um controle normativo que a Constituição Federal outorgou com exclusividade ao Poder Judiciário”.


    Luiz Guilherme Arcaro Conci

    Enfatiza a natureza extrafiscal do IOF, que exige flexibilidade e discricionariedade do Executivo para ajustes rápidos de alíquotas, sem necessidade de tramitação legislativa.

    Veja a íntegra do parecer dele

    Aponta que a Constituição (art. 153, 1º) confere ao Executivo não apenas ao presidente, mas a toda sua estrutura a prerrogativa de alterar alíquotas, respeitados os limites legais.

    Destaca que os decretos presidenciais não ultrapassaram os limites previstos em lei. “Dado que não se está a falar em inovação legal, não se criou novas hipóteses de incidência, não se alterou base de cálculo e a finalidade é legítima, não há como entender violada a previsão constitucional”, pontua no documento.

    Sustenta que a competência do Congresso para sustar atos do Executivo somente se aplicaria a excessos de poder regulamentar ou delegação legislativa, o que não ocorreu no caso.

    Considera que a tentativa de sustação fere o equilíbrio do presidencialismo e a separação de poderes.


    Pedro Serrano, Lenio Streck e Gisele Cittadino

    Reforçam a competência privativa do presidente para, dentro dos limites legais, alterar alíquotas do IOF, conforme o art. 153, 1º da Constituição, e a competência do Congresso apenas para sustar atos que exorbitem do poder regulamentar (art. 49, V).

    Veja a íntegra do parecer do trio

    Explicam que a função extrafiscal e regulatória do IOF não impede sua utilização com finalidade arrecadatória acessória, respaldada por precedentes do STF.

    Argumentam que o Congresso se baseou numa suposta finalidade arrecadatória dos decretos presidenciais para justificar a sustação, o que não caracteriza exorbitância de poder regulamentar.

    Avaliam que eventual desvio de finalidade deveria ser apreciado judicialmente, não via decreto legislativo.

    Concluem que o Decreto Legislativo nº 176/2025 viola a separação de poderes e a arquitetura do sistema presidencialista. Segundo os autores: “O Congresso Nacional valeu-se de uma competência constitucional não para corrigir um transbordamento no exercício do poder regulamentar, mas para instabilizar o próprio sistema presidencialista de governo e a arquitetura da Administração pública da União”.

  • Deputada propõe direito ao uso de trajes religiosos na advocacia

    Deputada propõe direito ao uso de trajes religiosos na advocacia

    A deputada Dandara (PT-MG) apresentou o Projeto de Lei 3198/2025, que propõe o direito de advogados e advogadas usarem vestimentas religiosas, tradicionais ou culturais no exercício da profissão. A proposta altera o Estatuto da Advocacia e pretende impedir que trajes não padronizados sejam usados como motivo para constrangimentos em tribunais.

    Pelo texto, essas vestes seriam permitidas desde que não dificultem a identificação da pessoa e respeitem o decoro forense – entendido como urbanidade e dignidade no ambiente profissional.

    Proposta é de autoria da deputada Dandara (PT-MG).

    Proposta é de autoria da deputada Dandara (PT-MG).Renato Araújo/Câmara dos Deputados

    Liberdade religiosa e combate à discriminação

    A iniciativa surge após casos de impedimento a profissionais por usarem trajes religiosos. A deputada argumenta que o projeto reforça a liberdade de crença e combate práticas discriminatórias no Judiciário.

    A proposta também cita decisões do STF e tratados internacionais que garantem a manifestação cultural e religiosa. O projeto ainda será analisado pelas comissões da Câmara.