Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Damares entra na Justiça para barrar posse de ministro da Previdência

    Damares entra na Justiça para barrar posse de ministro da Previdência

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) entrou com ação na Justiça Federal de Brasília para tentar impedir a posse de Wolney Queiroz como novo ministro da Previdência Social. A nomeação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (2), após a demissão de Carlos Lupi, envolvido na crise provocada pelas fraudes bilionárias no INSS.

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é a autora do pedido.

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é a autora do pedido.Geraldo Magela/Agência Senado

    Na petição de 27 páginas protocolada na madrugada deste sábado (3), Damares sustenta que a nomeação de Queiroz representa a “permanência da estrutura que ignorou alertas sobre os descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas”.

    Segundo a senadora, o agora ministro esteve presente em reuniões do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) nas quais foram denunciadas as irregularidades entre elas uma, em junho de 2023, quando a conselheira Tônia Galletti teria alertado para os descontos não autorizados. A ação destaca também a presidência de Queiroz na 303ª reunião do CNPS, em abril de 2024, quando um relatório detalhado sobre o caso foi apresentado.

    Além de tentar barrar a posse de Queiroz, Damares solicita que o caso seja remetido à Câmara dos Deputados, para avaliar se a nomeação de Lula configura crime de responsabilidade. A petição também requer a aplicação de multa diária de R$ 1 milhão, caso o presidente mantenha o novo ministro no cargo.

  • Governo troca indicado para diretoria da Anvisa

    Governo troca indicado para diretoria da Anvisa

    O presidente Lula encaminhou ao Senado a indicação de Thiago Lopes Cardoso Campos para ocupar o cargo de diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A nomeação foi publicada na edição desta segunda-feira (5) do Diário Oficial da União. Simultaneamente, o Executivo solicitou a retirada da indicação de Diogo Penha Soares para a mesma função.

    A vaga em questão decorre do término do mandato de Alex Machado Campos, que renunciou ao posto antes do fim do período previsto. Com isso, cabe agora ao Senado avaliar o nome de Campos em sabatina e votação em plenário, como determina o rito para ocupação de cargos em agências reguladoras.

    Edifício-sede da Anvisa, em Brasília.

    Edifício-sede da Anvisa, em Brasília.Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

    A Anvisa é a agência responsável por regular e fiscalizar produtos e serviços relacionados à saúde no Brasil. O nome de Thiago Lopes Cardoso Campos ainda não tem data definida para análise no Senado.

    Quem é o novo nomeado

    Thiago Lopes Cardoso Campos é advogado sanitarista, vice-presidente do Instituto de Direito Sanitário Aplicado (Idisa), conselheiro estadual de saúde da Bahia e consultor jurídico da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Em artigo publicado no portal Migalhas, chegou a defender o fim da escala de trabalho 6×1, pauta que deve ser defendida pelo governo Lula nos próximos dias no Congresso Nacional.

  • As emendas e o poder: 79 anos de disputa pelo orçamento

    As emendas e o poder: 79 anos de disputa pelo orçamento

    As emendas parlamentares representam hoje uma das principais engrenagens do sistema político brasileiro. Criadas como instrumento de participação do Congresso na definição do orçamento, elas passaram a concentrar bilhões de reais em repasses anuais, dando aos parlamentares poder direto sobre a aplicação de recursos públicos. Em 2025, essa fatia soma mais de R$ 50 bilhões quase um quarto do orçamento discricionário da União.

    A crescente influência das emendas transformou sua execução em moeda de troca entre Executivo e Legislativo. Presidentes negociam apoio político oferecendo liberação de recursos. Parlamentares, por sua vez, garantem obras, programas e benefícios para suas bases eleitorais. O uso desses recursos, porém, tem gerado polêmicas recorrentes, alimentado escândalos e provocado sucessivos embates com o Judiciário.

    Instrumento de barganha, disputa e poder, as emendas somam hoje mais de R$ 50 bilhões no orçamento da União.

    Instrumento de barganha, disputa e poder, as emendas somam hoje mais de R$ 50 bilhões no orçamento da União.José Cruz/Agência Brasil

    Veja também: compreenda como funcionam as emendas parlamentares e a sua importância como moeda de troca na política atual.

    Diante das disputas atuais que envolvem bloqueios do Supremo Tribunal Federal, novas regras de transparência e disputas por protagonismo entre os Poderes , resgatar a trajetória das emendas parlamentares ajuda a entender como esse mecanismo ganhou centralidade na política nacional. A seguir, conheça o panorama histórico das origens, avanços, retrocessos e reviravoltas que moldaram o sistema até aqui.

    Da origem à centralização

    Antes de 1946, o modelo orçamentário brasileiro não previa a figura da emenda parlamentar que conhecemos hoje. Em regimes anteriores, como o da Constituição de 1891, o próprio Legislativo elaborava o orçamento. A Carta de 1934 introduziu a coautoria entre os poderes, mas ainda de forma incipiente: até então, peças orçamentárias eram inespecíficas, apenas definindo normas gerais. Durante a ditadura do Estado Novo (19371945), a peça orçamentária era imposta por decreto presidencial, sem passar pelo Congresso.

    Com a redemocratização, a Constituição de 1946 não apenas retomou a lógica de co-participação, como pouco a pouco foram construídas normas de reforma orçamentária para construir no Brasil o modelo conhecido como “orçamento moderno”, no qual se tem metas bem definidas e uma listagem clara sobre qual receita será implementada em qual ação ou programa.

    Com isso, nasceu o primeiro sistema de emendas parlamentares semelhante ao atual, em que parlamentares conseguem incluir destinações de interesse de seus mandatos na peça orçamentária. Não havia limite para o número de alterações nem exigência de indicação da fonte de recursos.

    O resultado foi a aprovação de orçamentos superdimensionados e, muitas vezes, inexequíveis. Como a liberação do dinheiro seguia sob controle do Executivo, esse desequilíbrio reforçava sua capacidade de manipular a execução conforme o apoio político recebido. Ulysses Guimarães chegou a relatar a frase constantemente ouvida por deputados que buscavam o Ministério da Fazenda em 1963 para pedir que suas emendas fossem empenhadas: “existe a verba, senhor deputado, mas não há dinheiro”.

    A primeira norma a regulamentar a apresentação de emendas foi aprovada apenas às vésperas do golpe militar de 1964: a lei 4320, de 17 de março daquele ano, proibia, por exemplo, alterações que envolvessem obras não aprovadas ou serviços ainda não criados.

    Repressão e restrição

    Com o golpe de 1964, o regime militar impôs freios ao poder orçamentário do Congresso. A Constituição de 1967 proibiu emendas que aumentassem despesas totais, medida mantida na Carta de 1969. Durante todo o período da ditadura, o Congresso teve participação limitada na alocação dos recursos públicos.

    Redemocratização e escândalos

    A Constituição de 1988 devolveu ao Legislativo o direito de propor emendas ao orçamento, agora dentro de um sistema dividido entre Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA). Mas a execução das emendas continuava a depender do governo federal, que podia vetar, ignorar ou postergar os repasses.

    Essa brecha favoreceu a barganha política. Em 1993, estourou o escândalo dos anões do orçamento, revelando um esquema de corrupção em que deputados vendiam emendas em troca de propina. O caso resultou na cassação de mandatos e revelou a fragilidade dos mecanismos de controle.

    Consolidação institucional

    A grande mudança ocorreu em 2015, com a aprovação da Emenda Constitucional 86, que criou o chamado orçamento impositivo. A nova regra obrigou o governo a executar as emendas individuais apresentadas por parlamentares, dentro de um teto calculado com base na receita corrente líquida da União. Metade do valor deveria ser aplicada obrigatoriamente em saúde.

    A regra foi ampliada em 2019 para incluir também as emendas de bancada, elaboradas coletivamente pelos parlamentares de cada estado. No mesmo ano, surgiram as chamadas emendas de transferência especial conhecidas informalmente como “emendas Pix” , que dispensam a vinculação a projetos específicos.

    O orçamento secreto

    A partir de 2020, as emendas de relator (RP 9), até então um instrumento técnico do trâmite orçamentário, passaram a ser usadas como ferramenta de distribuição política de recursos. O modelo permitia que parlamentares fizessem indicações indiretas, sem que seus nomes fossem registrados. A prática ficou conhecida como orçamento secreto.

    Em 2022, o Supremo Tribunal Federal declarou sua inconstitucionalidade, apontando falta de transparência e critérios técnicos.

    Embates recentes

    Mesmo após o fim do orçamento secreto, as emendas continuam no centro do debate político. Em 2024, o STF suspendeu as emendas Pix, questionando a ausência de regras para sua distribuição. Também determinou que o Congresso esclareça os critérios das emendas de comissão, ainda de execução facultativa e sob influência de líderes partidários.

    A disputa resultou na lei complementar 210/2024, uma regulamentação ampla para o sistema. Mesmo após sua aprovação, as controvérsias persistem. O capítulo mais recente envolve a suspeita de um acordo oculto entre líderes no Congresso para que parte das emendas de comissão fiquem sob controle direto de seus partidos.

    Hoje, o volume de recursos sob controle do Legislativo atinge cifras recordes. Em 2025, as emendas parlamentares devem somar R$ 50,4 bilhões, frente a R$ 170 bilhões previstos para execução direta do governo federal.

  • Partidos com ministros aderem à CPI do INSS no Congresso; veja a lista

    Partidos com ministros aderem à CPI do INSS no Congresso; veja a lista

    Movimento de aposentados, segurados e pensionistas na agência do INSS, unidade Santa Cruz, na zona sul de São Paulo

    Movimento de aposentados, segurados e pensionistas na agência do INSS, unidade Santa Cruz, na zona sul de São PauloRenato S. Cerqueira/Ato Press/Folhapress

    Partidos com ministros no governo Lula respondem por 43% das assinaturas coletadas para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) mista no Congresso, destinada a investigar um esquema bilionário de desvio de aposentadorias e pensões do INSS. O pedido deve ser oficializado nesta terça-feira (6).

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a deputada Coronel Fernanda (PL-SP) reuniram o apoio de 182 deputados e 29 senadores (211 no total). Para a instalação de uma CPI mista, formada por deputados e senadores, são exigidas no mínimo 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.

    Ao todo, 81 deputados e 11 senadores de seis partidos com representantes no primeiro escalão do governo endossaram o pedido de investigação.

    Veja quem apoia a CPI mista:

    Recorte partidário

    A federação União Progressistas formada por União Brasil e PP contribuiu com 53 assinaturas. A bancada tem 109 deputados e 14 senadores, além de quatro ministros no governo Lula. Também assinaram o requerimento o Republicanos (15 assinaturas), MDB e PSD (11 cada), e o PSB (2 parlamentares).

    Nenhum integrante do PDT, partido do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi demitido por Lula após as revelações sobre os desvios no INSS , apoiou a CPI. A sigla, no entanto, segue no comando da pasta, agora com Wolney Queiroz.

    Estratégia

    Além da CPI mista, a oposição também tenta instalar uma comissão exclusiva na Câmara. O pedido foi protocolado em 30 de abril pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), também com apoio de siglas com ministro. Líderes oposicionistas avaliam que há mais chances de abertura da investigação no Congresso, já que na Câmara há 11 pedidos de CPI à frente na fila. No máximo cinco podem funcionar ao mesmo tempo.

    A decisão sobre a criação das comissões cabe, respectivamente, ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), no caso da mista, e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

    O esquema

    O escândalo que culminou na demissão de Carlos Lupi do Ministério da Previdência Social envolveu um esquema de fraudes no INSS, em que entidades sindicais e associações descontavam mensalidades de aposentados e pensionistas sem autorização, utilizando assinaturas falsificadas.

    Entenda a crise na Previdência

    A investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União revelou que, entre 2019 e 2024, aproximadamente R$ 6,3 bilhões foram desviados, afetando cerca de 4,1 milhões de beneficiários, especialmente os mais vulneráveis, como moradores de zonas rurais e pessoas com deficiência.

    Embora Lupi não tenha sido diretamente implicado nas investigações, documentos indicam que ele foi alertado sobre as irregularidades em junho de 2023, mas só tomou medidas concretas em março de 2024, o que gerou críticas por sua demora em agir e pressão para que fosse demitido do cargo, o que ocorreu na última sexta-feira (2).

    Oposição protocola pedido de CPI do INSS na Câmara

  • STF aceita denúncia contra acusados do núcleo 4 da trama golpista

    STF aceita denúncia contra acusados do núcleo 4 da trama golpista

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, receber a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra sete acusados de integrar o “Núcleo 4” da organização que, segundo a acusação, atuou para promover um golpe de Estado e reverter o resultado das eleições de 2022, mantendo o ex-presidente Jair Bolsonaro no país.

    Com a decisão, os denunciados se tornam réus e passam a responder a processo criminal pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

    Primeira Turma do STF acatou de forma unânime o voto de Moraes.

    Primeira Turma do STF acatou de forma unânime o voto de Moraes. Gustavo Moreno/STF

    Núcleo da desinformação

    Segundo a PGR, o Núcleo 4 formava o braço comunicacional da organização criminosa. Seus membros são acusados de utilizar instrumentos de comunicação para deslegitimar o processo eleitoral e perseguir autoridades que se opusessem à trama golpista. A apuração também envolve suspeitos de utilizar o aparato da Agência Brasileira de Inteligência para perseguir rivais do governo.

    Anteriormente, foram declarados réus os membros do Núcleo 1, acusado de organizar politicamente o golpe, e também os do Núcleo 2, que teria sido responsável pela articulação jurídica e policial. O Núcleo 3, formado pela ala militar de acusados, será julgado apenas nos dias 20 e 21 deste mês. O adiamento se deu graças a um atraso na intimação de seus membros.

    Os sete investigados do Núcleo 4 são: Ailton Gonçalves Moraes Barros, Ângelo Martins Denicoli, Carlos César Moretzsohn Rocha, Giancarlo Gomes Rodrigues, Guilherme Marques de Almeida, Marcelo Araújo Bormevet e Reginaldo Vieira de Abreu.

    Nesta fase do processo, não é deliberada a possibilidade de culpa dos acusados, mas apenas se há justa causa e elementos mínimos que sustentem a abertura da ação penal. Alexandre de Moraes abordou o tema em um voto detalhado, beirando duas horas de pronunciamento para leitura até concluir a favor do andamento da denúncia.

    Teses do relator

    O relator, ministro Alexandre de Moraes, abriu seu voto rebatendo as alegações das defesas, que tentaram desvincular os acusados do núcleo 4 das lideranças do plano de golpe. “O que a denúncia traz é o núcleo atuando em conformidade estratégica com outros núcleos, cada um dentro das suas tarefas nessa organização criminosa”, disse.

    Moraes também citou investigações da Polícia Federal que apontam uma “atuação orquestrada” de grupos ligados ao antigo governo na disseminação de ataques virtuais. “Havia núcleo de produção, divulgação e financiamento de notícias fraudulentas e o núcleo político. Esses fatos são comprovados”, afirmou o ministro. Ainda segundo ele, os acusados do núcleo 4 contribuíram, “em maior ou menor extensão”, para o plano golpista como um todo.

    Todos os ministros o acompanharam. O presidente da Turma, Cristiano Zanin, destacou o arcabouço probatório: “Ficou clara a presença de documentos, áudios, relatórios policiais, gravações, uso de ferramentas altamente invasivas e produção de um grande volume de conteúdo falso ou fraudulento”.

    A denúncia agora seguirá para a fase de instrução processual, em que serão colhidas provas e ouvidas testemunhas antes do julgamento de mérito. A Primeira Turma é formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

  • Camila Jara revela diagnóstico de câncer e se licencia para tratamento

    Camila Jara revela diagnóstico de câncer e se licencia para tratamento

    Eleita aos 27 anos, Camila Jara é a deputada mais jovem da história de Mato Grosso do Sul e do PT

    Eleita aos 27 anos, Camila Jara é a deputada mais jovem da história de Mato Grosso do Sul e do PTKayo Magalhães/Agência Câmara

    A deputada federal Camila Jara (PT-MS), de 30 anos, emocionou seus seguidores nesta terça-feira (6) ao revelar, por meio de um vídeo nas redes sociais, que foi diagnosticada com câncer de tireoide. A doença foi descoberta após uma cirurgia para retirada de nódulos considerados benignos, realizada há cerca de cinco semanas. Exames posteriores, no entanto, confirmaram a presença do câncer.

    “Não é fácil ser forte o tempo todo”, desabafou a parlamentar ao dividir o diagnóstico com o público. “Aos 30 anos, recebi uma notícia que ninguém gostaria de ouvir. Eu fui diagnosticada com câncer.”

    No vídeo, divulgado em suas redes sociais, Camila procurou tranquilizar seus eleitores e apoiadores. Segundo ela, o tipo de câncer é tratável e apresenta altas chances de cura. “Os médicos estão bem esperançosos. As chances de cura, no meu caso, são bem altas. Estou cercada de uma equipe médica competente, de uma rede de apoio linda e de uma vontade enorme de viver”, afirmou.

    Em seguida, a deputada recebeu uma onda de solidariedade de colegas de vários partidos, da esquerda à direita.

    Cirurgia

    Camila Jara informou que sua rotina será dividida entre sessões plenárias em Brasília, compromissos no Mato Grosso do Sul e o tratamento médico. A deputada solicitou licença médica para realizar uma nova cirurgia, marcada para o dia 12 de maio. A previsão é de um dia de observação na UTI e até cinco dias de internação. Após a cirurgia, ela iniciará o tratamento com iodoterapia, considerado essencial para sua recuperação completa. “Vai ser um pouquinho mais longo do que eu esperava”, explicou sobre o processo de recuperação.

    A deputada encerrou o vídeo com palavras de resistência e fé no futuro: “O que sempre me moveu foi a esperança. E é ela que vai continuar me movendo sempre. Não é só a esperança de que eu vá me curar, mas também de que estamos no caminho certo para construir um Brasil menos desigual e mais justo”. “Um sonho assim tão legal não vai acabar”, concluiu, citando a cantora Rita Lee.

    Trajetória política

    Camila Bazachi Jara Marzochi nasceu em 1995, em Campo Grande (MS). Filiada ao Partido dos Trabalhadores desde 2014, ela começou sua trajetória política no movimento estudantil. Em 2020, tornou-se a vereadora mais jovem de Campo Grande e a única melhor eleita naquela legislatura. Ligada ao MST, ela se tornou em 2022 a mais jovem parlamentar a conquistar um mandato por Mato Grosso do Sul e pelo PT na Câmara dos Deputados, aos 27 anos. Recebeu, na ocasião, 56.552 votos.

    A deputada foi relatora na Câmara da lei sancionada no último dia 24 pelo presidente Lula que aumentou em 50% a pena para crimes de violência psicológica contra mulheres envolvendo o uso de inteligência artificial (IA) ou outras tecnologias de manipulação da imagem ou voz da vítima.

    Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), participou de iniciativas como o RenovaBR, o “Coletivo Elas Podem” e o “Movimento Acredito-MS”.

    Em 2023 e 2024, foi reconhecida no Prêmio Congresso em Foco como uma das melhores parlamentares do país. No ano passado Camila foi candidata à prefeitura de Campo Grande. Ficou na quarta colocação com 9,43% dos votos. 

  • Gilmar Mendes manda investigar suspeita de fraude em acordo da CBF

    Gilmar Mendes manda investigar suspeita de fraude em acordo da CBF

    O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (7) que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro apure, com urgência, suspeitas de fraude no acordo que manteve Ednaldo Rodrigues na presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

    A decisão foi tomada após a apresentação de documentos que colocam em dúvida a validade da assinatura do ex-presidente da CBF, Coronel Nunes, no acordo homologado pelo Supremo. Segundo laudos médicos e uma perícia grafotécnica, Nunes teria comprometimento cognitivo grave e não estaria em condições de assinar o documento. Há suspeita de que a assinatura dele seja falsa.

    Decisão foi encaminhada ao TJ-RJ, que deve apurar se houve falsificação e vício de consentimento.

    Decisão foi encaminhada ao TJ-RJ, que deve apurar se houve falsificação e vício de consentimento.Valter Campanato/Agência Brasil

    Na decisão, Gilmar afirmou que, à época da homologação, o documento foi apresentado por “advogado regularmente inscrito na OAB, portador de procuração assinada por todos os signatários do acordo” e que “não havia, à época, quaisquer elementos nos autos que levassem à compreensão ou sequer suspeitas de ocorrência de simulação, fraude ou incapacidade civil dos envolvidos”.

    No entanto, reconheceu que “os documentos juntados pelos ora peticionantes trazem notícias e graves suspeitas de vícios de consentimento capazes de macular o negócio jurídico entabulado”.

    Com isso, determinou que o TJ-RJ tome as providências necessárias no processo original para verificar a validade do acordo. “Por se tratar de matéria de ordem pública e dada a necessidade de instrução probatória, determino (…) a apuração imediata e urgente (…) dos fatos narrados”, escreveu.

    Gilmar também rejeitou os pedidos de afastamento de Ednaldo Rodrigues, afirmando que são “manifestamente incabíveis” no processo atual, que trata da constitucionalidade de trechos da Lei Geral do Esporte e da Lei Pelé. “Revela-se manifestamente incabível o pedido de afastamento do presidente da CBF no presente feito”, decidiu o ministro.

    Veja a íntegra da decisão:

  • Câmara suspende ação contra Ramagem; medida pode beneficiar Bolsonaro

    Câmara suspende ação contra Ramagem; medida pode beneficiar Bolsonaro

    O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (7) a sustação da ação penal movida contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento nos crimes relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023 e aos indícios de ruptura institucional no período eleitoral de 2022. 

    A resolução foi relatada pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e pode estender seus efeitos a outros denunciados que não têm mandato parlamentar, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro: o relatório não faz distinção entre os réus, aplicando a sustação sobre a ação penal como um todo.

    Relatório recebeu orientação favorável de partidos da base do governo.

    Relatório recebeu orientação favorável de partidos da base do governo.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Argumentos do relator

    Durante a sessão, Alfredo Gaspar afirmou que sua decisão foi embasada exclusivamente no texto constitucional. “Pode-se ou não sustar ação penal, mas jamais restringir o direito constitucional que pertence ao parlamento”, declarou.

    Ele confrontou o entendimento da 1ª Turma do STF, que afirmou anteriormente, em despacho à Mesa Diretora, que a possibilidade de sustação se aplica apenas aos tipos penais relacionados diretamente aos ataques de 8 de janeiro (dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado).

    Para os demais tipos penais (golpe de Estado, organização criminosa, e abolição violenta do Estado democrático de Direito), a denúncia é de que Ramagem teria atuado antes de sua diplomação, não se aplicando a imunidade parlamentar.

    O relator defende que a organização criminosa é um crime de natureza permanente, ou seja, continua se consumando enquanto a associação entre os envolvidos perdurar. Com isso, ele argumenta que também se aplica após a diplomação, prevalecendo a tese da imunidade parlamentar.

    Para os demais crimes, ele aponta a exigência prevista no Código Penal de emprego de violência ou grave ameaça. “Esses supostos crimes só apareceram com violência e grave ameaça em que data? O Brasil sabe: em 8 de janeiro de 2023”, afirmou.

    Gaspar também rejeitou críticas de que estaria buscando impunidade.”Sustar a ação penal não é jogar para a impunidade. Ramagem, assim como nós, só tem mais um ano e seis meses de mandato. A prescrição estará intacta”, disse.

    Resposta à PGR

    Além de defender a sustação no que trata de todos os tipos penais atribuídos a Ramagem, Alfredo Gaspar responsabilizou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o STF por incluírem o deputado na mesma ação penal dos demais réus no processo do golpe .”Quem fez a denúncia em conjunto foi o Ministério Público. O Ministério Público tinha oportunidade de (…) fazer uma denúncia em apartado. Não, colocou todos no mesmo vagão do trem”, disse.

    Em seguida, ironizou a decisão. “Eu pergunto a vossas excelências: quem fez a denúncia em conjunto foi Alfredo Gaspar? Não. Quem recebeu a denúncia em conjunto foi Alfredo Gaspar? Não. (…) Fui eu que fabriquei a Constituição mandando sustar o andamento da ação penal? Não”.

    Crítica governista

    O relatório foi duramente criticado pelos líderes partidários do núcleo duro do governo. “Quem votar nesse negócio, nesse projeto de resolução, está jogando no lixo a sua história”, declarou o líder da bancada do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ). “Isso não tem amparo na Constituição. (…) O objetivo desse parecer é livrar a barra do Bolsonaro, que está desesperado. O valor jurídico dessa resolução é próximo de zero, vai ter que ser ignorada”, acrescentou Rubens Pereira Junior (PT-MA), vice-líder do governo.

    Os dois líderes petistas apontaram a Súmula 245 do STF, que define que não há extensão da imunidade parlamentar ao corréu que não possui imunidade parlamentar. Segundo Lindbergh, a aprovação de uma resolução que confronte a súmula pode “levar a Câmara à irrelevância institucional”. O entendimento do PT foi acompanhado pelo PSB, Solidariedade e Federação Psol-Rede. O PDT, que havia apoiado o relatório na CCJ, orientou contrariamente no Plenário.

    Os partidos que formam a base fora do núcleo duro do governo, respectivamente União Brasil, PP, Republicanos, MDB e PSD, divergiram do Executivo, e orientaram a favor do projeto.

  • Câmara aprova ensino remoto a gestantes e lactantes em todos os níveis

    Câmara aprova ensino remoto a gestantes e lactantes em todos os níveis

    A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, um projeto de lei que garante o acesso ao ensino remoto para alunas gestantes e lactantes. A proposta assegura que essas estudantes possam acompanhar aulas, conteúdos e avaliações de forma virtual, contemplando todos os níveis e modalidades de ensino, como o médio, o superior e os cursos profissionalizantes.

    Estudantes mães enfrentam dificuldades para manter a rotina escolar durante a gravidez e o período de amamentação, nova proposta busca mitigar esses desafios.

    Estudantes mães enfrentam dificuldades para manter a rotina escolar durante a gravidez e o período de amamentação, nova proposta busca mitigar esses desafios.Luiz Silveira/Agência CNJ

    O texto aprovado é um substitutivo elaborado pela relatora, deputada Franciane Bayer (Republicanos-RS), que reuniu o conteúdo do projeto de lei 6384/2019, de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI), e da proposta nº 4870/2020. Uma emenda ao parecer deixou claro que o direito ao ensino remoto não exclui a obrigatoriedade de atividades presenciais, como estágios e práticas laboratoriais. Nesses casos, o texto prevê flexibilização de prazos ou remanejamento das atividades.

    Segundo a deputada Bayer, o objetivo da proposta é garantir que a maternidade não represente um obstáculo ao direito à educação. “Tal medida representa um avanço legislativo ao garantir que a maternidade não comprometa o direito à educação”, declarou a parlamentar. Ela também destacou que a evasão escolar decorrente da gravidez é uma das principais causas de abandono entre alunas brasileiras.

    A implementação das novas regras dependerá de regulamentação do governo federal, que deverá respeitar as especificidades de cada etapa e modalidade de ensino. O projeto será analisado agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em caráter conclusivo. Para virar lei, a medida ainda precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado.

  • Câmara aprova ensino remoto a gestantes e lactantes

    Câmara aprova ensino remoto a gestantes e lactantes

    A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, um projeto de lei que garante o acesso ao ensino remoto para alunas gestantes e lactantes. A proposta assegura que essas estudantes possam acompanhar aulas, conteúdos e avaliações de forma virtual, contemplando todos os níveis e modalidades de ensino, como o médio, o superior e os cursos profissionalizantes.

    Estudantes mães enfrentam dificuldades para manter a rotina escolar durante a gravidez e o período de amamentação, nova proposta busca mitigar esses desafios.

    Estudantes mães enfrentam dificuldades para manter a rotina escolar durante a gravidez e o período de amamentação, nova proposta busca mitigar esses desafios.Luiz Silveira/Agência CNJ

    O texto aprovado é um substitutivo elaborado pela relatora, deputada Franciane Bayer (Republicanos-RS), que reuniu o conteúdo do projeto de lei 6384/2019, de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI), e da proposta nº 4870/2020. Uma emenda ao parecer deixou claro que o direito ao ensino remoto não exclui a obrigatoriedade de atividades presenciais, como estágios e práticas laboratoriais. Nesses casos, o texto prevê flexibilização de prazos ou remanejamento das atividades.

    Segundo a deputada Bayer, o objetivo da proposta é garantir que a maternidade não represente um obstáculo ao direito à educação. “Tal medida representa um avanço legislativo ao garantir que a maternidade não comprometa o direito à educação”, declarou a parlamentar. Ela também destacou que a evasão escolar decorrente da gravidez é uma das principais causas de abandono entre alunas brasileiras.

    A implementação das novas regras dependerá de regulamentação do governo federal, que deverá respeitar as especificidades de cada etapa e modalidade de ensino. O projeto será analisado agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em caráter conclusivo. Para virar lei, a medida ainda precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado.